quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Pequenos países com grandes forças aéreas

Tamanho do território ou condições econômicas não impedem países pequenos ou pobres de montarem grandes frotas de aeronaves de ataque modernas
O Brasil faz fronteira com 10 países e ainda tem uma costa litorânea com 7.408 km de extensão. É um território enorme, com regiões ricas em recursos naturais ainda inexploradas e valiosos poços de petróleo no mar, tesouros nacionais que precisam ser vigiados.
Apesar de uma série de desavenças políticas e territoriais na América Latina, o Brasil felizmente não está envolvido em nenhuma e por isso o país não tem nenhuma ameaça externa que possa comprometer o território. Por conta dessa vizinhança, a Força Aérea Brasileira (FAB) adotou um perfil mais de “defesa” do que “ataque”, dispondo de meios eficientes de vigilância e equipamentos de ataque com capacidade regular.
Considerando apenas aeronaves de interceptação e abate, o Brasil está armado atualmente com caças supersônicos F-5 modernizados pela Embraer, aviões de ataque AMX e os Super Tucanos, que também podem carregar mísseis. Combinada, a força nacional tem a disposição cerca de 200 aparelhos de asas fixas para defender os mais de 8,5 milhões de km² de território, além de ameaças vindo pelo mar.
Se houvesse vizinho hostis, talvez a FAB teria mais equipamentos e de tecnologia superior, capazes não só defender como também de lançar ataques. Diferentemente do Brasil, com sua enorme extensão território e economia, existem países menores ou mais pobres com forças aéreas melhor equipadas, seja por necessidade de defesa ou para afastar potenciais ameaças.
Conheça alguns dos principais países, que mesmo pequenos ou em condições econômicas desfavoráveis, possuem grandes forças de ataque e defesa aérea:
Kuwait
Um dos menores países do Oriente Médio, o Kuwait divide fronteiras com a Arábia Saudita e o Iraque, que em 1990 invadiu o pequeno país que detém a sexto maior reservatório de petróleo do mundo. Com essa enorme riqueza distribuída em apenas 17.818 km ², a nação árabe teve de aprender a se defender. Atualmente, a frota das “Forças Armadas do Kuwait” conta com 34 caças F/A-18C e 16 helicópteros de ataque AH-64D Apache, ambos fornecidos pelos EUA.
Mesmo com uma força já considerável, o Kuwait vai se reforçar ainda mais. O país fechou recentemente a compra de 28 caças Eurofighter Typhoon, considerado uma das aeronaves militares mais avançados da atualidade.
“Amigo” da Arábia Saudita, do Irã e atualmente também do Iraque, o Kuwait vive tempos de paz, mas se mantém atento as ameaças de grupos terroristas, especialmente o Estado Islâmico, ao qual declarou estado guerra e promete combater.
Após a primeira Guerra do Golfo, o Kuwait trocou seus antigos caças Mirage F-1 e A-4 Skyhawk pelos F-18, mais modernos e equipados com armas de longo alcance. Os A-4, que foram utilizados da campanha de defesa e reconquista no país, portanto “veteranos de guerra”, foram comprados pela Marinha brasileira em 1998 e adaptados para operarem em porta-aviões. O Brasil possui atualmente 23 unidades desse modelo, designados AF-1.
Marrocos
Porta do Mar Mediterrâneo, o Marrocos tem no oceano a menor de suas preocupações. Desde os 1960 o país vem trocando farpas e tiros com a vizinha Argélia. Os dois países entraram em guerra em duas ocasiões e em outra se juntaram contra Israel, na Guerra do “Yom Kippur”, em 1973. Nos anos 1990 as relações entre os países melhoram, mas um nova ameaça surgiu: o Estado Islâmico.
Após de combates com a Argélia, o Marrocos se equipou com aeronaves modernas, capazes de realizar ataques em profundidade e abater aeronaves hostis, mesmo em velocidades supersônica. A frota da ‘Força Aérea Real do Marrocos’ conta com caças Mirage 2000 e F1, Northrop F-5, Lockhhed F-16 e o Alpha Jet. Ao todo, são 112 aeronaves a disposição.
O Marrocos é um dos países mais ativos na luta contra o Estado Islâmico na Líbia. Recentemente o país perdeu um caça F-16 durante uma missão de bombardeiro contra posições terroristas.
Suíça
A Suíça não é um país rico em recursos naturais, mas guarda fortunas de bilionários e segredos de estados nacional. Cercada por Alemanha, Áustria, Itália e França, o pequeno país na beira da Cordilheira do Alpes é praticamente impenetrável.
Mesmo aliado de seus vizinhos, a Suíça montou uma frota com quase 100 caças F-5 e F-18, que podem decolar de bases aéreas ou até de rodovias em regiões montanhosas, onde podem ser instalados postos improvisados em situações de combate.
Em 2014, a Suíça cancelou a compra de 60 caças Saab Gripen por US$ 3,4 bilhões após a realização de um plebiscito popular, que votou contra a aquisição das aeronaves. Como solução, o país investiu na modernização dos modelos F-5.
Coreia do Norte
A Coreia do Norte possui atualmente a sexta maior força aérea do mundo, com mais de 900 aeronaves, sendo metade delas de ataque. O pequeno país asiático possui um variada capacidade de ataque, com caças de interceptação e bombardeiros de longo alcance, possivelmente até com capacidade de ataque nuclear.
A força de ataque norte-coreana é composta por aeronaves fabricadas da Rússia – MiG 21, MiG-23, MiG-29, Sukhou Su-25, Su-7 e Ilyushin Il-28 – e China – Shenyang F-5 e J-6 e o Chengdu J-7. O número exato da frota de aviões do país é desconhecido, mas fala-se em cerca de 490 aeronaves. Por isso é bom não mexer com esse “enxame”.
Em guerra com a Coreia do Sul desde a década de 1940, a Coreia do Norte comprou briga com os Estados Unidos, que o vigia constante, e já desentendeu com o Japão.
Indonésia
Após a Segunda Guerra Mundial e início da Guerra Fria, a Indonésia optou pelo lado soviético e como outras nações apoiadas pela URSS nessa época, tomou gostou por armamentos pesados. Apesar da artilharia, o país nunca se envolveu em grandes conflitos, se limitando a pequenas ações contra insurgentes na Malásia.
Atualmente a Indonésia possui uma força aérea enxuta, mas altamente capacidade. As principais aeronaves do país são os caças Su-27 e Su-30, de fabricação russa. Esses aparelhos são um dos poucos que representam uma ameaça real aos modernos caças norte-americanos ou europeus. Com os sistemas armas completo, um Su-30 pode atacar até 10 alvos ao mesmo tempo com mísseis orientados por radar e calor.
Além dos poderosos caças russos, a força aérea da Indonésia ainda conta com caças-bombardeiros F-5 e F-16 e o britânico BAe Hawk 200, que pode ser adaptado como caça-leve ou até para abater navios. Os indonesios também contam com o Embraer Tucano armado para missões de ataque ao solo.
Israel
Generais de um países inimigos de Israel têm calafrios quando vêm a lista de aeronaves da Força Aérea de Israel. Cercado de ameaças, os israelenses investiram nos mais modernos meios de defesa e ataque, com tecnologias que afrontam ou se necessário contra-atracam nações invasoras com alto poder de fogo, destruíndo aeroportos e bases militares.
A linha de frente da força aérea de Israel é composto por mais de 300 caças Lockheed F-16, que podem ser aplicados como bombardeiros ou para defesa aérea. Na segunda frente vem 83 Boeing F-15 Eagle, também em versões de caça e bombardeiro (Strike Eagle). São mais de 400 aeronaves configuradas com os mais avançados sistemas de voo e armamentos.
Israel já entrou em guerra (e venceu todas) contra todos os seus vizinhos e outros países do Oriente Médio, sempre com suporte de material militar dos EUA e Europa. Além dos caças, o país ainda conta com uma grande frota de helicópteros de ataque AH-1 Cobra e Apache e centenas de drones de vigilância e ataque, que hoje atuam principalmente contra o Estado Islâmico na Síria.
Chile
O Chile possui a frota mais moderna de aeronaves de ataque em condições plenas de operação na América Latina. A Força Aérea do Chile conta com um invejável inventário com 46 caças F-16, que podem ser armados com mísseis de longo alcance e bombas guiadas a laser.
Além dos eficientes F-16, o Chile ainda possui caças mais nove F-5 modernizados em Israel e um Boeing 707 AWACS, o mais avançado avião de vigilância aérea em operação da América do Sul. A aeronave, com o curioso nariz avantajado, carrega um radar que detecta aeronaves voando a mais de 400 km de distância, inclusive em baixa altitude.
Mas por quê o Chile possui tantas armas? No final do Século XIX o país na costa do Pacífico teve uma série de conflitos com a Argentina, Peru e a Bolívia, de quem ceifou sua entrada para o mar. Nos anos seguintes, o país ainda repeliu uma série de tentativas de reconquista de território, mas saiu vencedora em todas as ocasiões.
O incidente militar mais grave na era moderna do Chile foi ‘Crise de Beagle’ em 1978, uma disputa pelo controle de ilhas do Pacífico Sul com a Argentina que por muito por pouco não chegou as vias de fato. O conflito foi resolvido após intermediação do Papa João Paulo II.
Tailândia
A Tailândia foi uma das principais bases militares dos EUA durante a Guerra do Vietnã, de onde partiam caças e bombardeiros para atacar objetivos do então Vietnã do Norte e no Laos. O envolvimento no combate comprometeu a política do país com seus vizinhos, mas não houve combates nas fronteiras.
O país asiático, contudo, adotou uma posição de dissuasão e apesar das pequenas dimensões de seu território, montou uma contingente com cerca de 150 aeronaves de ataque. A ‘Força Aérea Real da Tailândia’ possui caças F-5, F-16 e os suecos Gripen, adquiridos recentemente. Em casos de emergência, os tailandeses ainda podem utilizar os jatos L-29 e Alpha Jet como caças leves.
Emirados Árabes Unidos
Com um território de apenas 83.600 km², os Emirados Árabes Unidos possuem uma força aérea com alto poder de fogo e penetração. Ameaças ao país no Oriente Médio, que possui a sétima maior reserva de petróleo do mundo, podem ser respondidas com ataques de caças Mirage 2000 e F-16, além de helicópteros Apache. Ao todo, são cerca de 170 aeronaves prontas para a ação.
Apesar de todo armamento, o único inimigo dos Emirados Árabes Unidos atualmente é o Estado Islâmico. Recentemente caças emiradenses apoiaram forças do Egito, EUA e OTAN em ataques contra a rede terrorista na Síria.
Venezuela
Além de um regime político que incomoda os EUA, a Venezuela também possui uma força aérea poderosa, tendo inclusive um dos caças mais temíveis em seu inventário, o Sukhoi Su-30. Capaz de lançar mísseis de longa de distância e bombas inteligentes, o caça russo pode, por exemplo, decolar de Caracas e bombardear Brasília (DF) ou Anápolis (GO), onde fica a principal base da Força Aérea Brasileira. O país possui 24 dessas aeronaves.
Outra aeronave com eficiência comprovada da ‘Aviación Militar Bolivariana Venezolana’ é o caça-bombardeiro F-16, dos quais a Venezuela dispõe de 12 unidades. Outro aparelho importante no quadro venezuelano é o avião de ataque Hongdu K-8, fabricado na China, com 24 exemplares. O país ainda está espera de outros 24 caças leves Hongdu L-15.
A Venezuela, porém, atualmente não tem condições financeira de manter toda essa frota ativa, que exige cuidados mecânicos meticulosos e seguidas trocas de componentes. Na situação que está, a força aérea venezuelana não tem condições de lançar ataques contra vizinhos ou apoiar coligações militares em caso de guerra com nações amigas. Por outro lado, com essa frota o país conta com um forte escudo aéreo, uma vez que o Su-30 pode encarar mais de 10 alvos ao mesmo tempo.

Fonte: Airway via Notimp

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