terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Quando a segurança não é prioridade

Foto: Angelo D. Nicolaci - GeoPolítica Brasil
 
SÓ QUEM TEM filho pe­queno ou está grávida sabe o que é ser maltra­tado em uma viagem de avião no Brasil. A falta de respeito com o bem-estar das grávidas e, principalmente, com os bebês de colo chega a ser criminoso. Poucos pensam nisso, mas a tripulação de bordo de uma aeronave e a companhia aérea que nos transporta têm como priori­dade, ou pelo menos deveriam ter, a nossa segurança, e não o confor­to. Segurança implica cintos de se­gurança para crianças de coio e espaçadores para grávidas, auxílio no embarque e desembarque. E as­sentos com distância do encosto da frente amplo o suficiente para que, no caso de uma frenagem abrupta ou turbulência durante o voo, o bebê não seja prensado entre o corpo da mãe e o assento à frente, o que pode ocasionar fraturas e esmagamentos.
 
Os assentos na primeira fileira têm um espaço maior, a ponto de serem cha­mados de "assentos de segurança". Mas algum esperto teve a brilhante ideia de batizá-los como "assentos de conforto" e cobrar a mais por eies, deixando de lado as pessoas com necessidades especiais.
 
A TAM, por exemplo, preferiu os 50 dóla­res que ganha a mais por um assento que deveria ser de segurança, e vendê-lo co­mo "conforto", mesmo deixando uma grávida em um assento sem espaço para proteger a barriga. Mudar de assento para um de segurança é por conta do próprio passageiro, que precisa negociar, direta­mente com o dono do assento "conforto" para conquistar um espaço de segurança.
 
A luta por um berço, então, é insana. Imagine controlar crianças em voo e ainda suplicar por um berço na aeronave. A pri­meira fileira dos aviões foi projetada tam­bém para isso, e há espaço até para berços adaptados para os aviões. A TAM disponi­biliza, porém, apenas dois assentos por ae­ronave em voo internacional, por exem­plo, em um Boeing 777, onde cabem mais de 300 passageiros, deixando claro que fa­mílias não são bem-vindas em seus voos, Ainda fazendo gracinha com a vida das pessoas, a Gol, por costume, bloqueia todos os assentos mais confortáveis. Não para uso dos passageiros, mas sim para seus funcionários em trânsito. O manual da Agência Nacional de aviação. Civil (Anac) diz que crianças desacompanha­das e grávidas têm direito a assistência especial. É claro que, segundo o manual, em sua maior parte um guia de obri­gações do passageiro, a lactante que estiver viajando deve avisar 48 ho­ras antes sobre a sua situação para receber tal benefício. O pessoal de serviço de terra das empresas na­cionais nunca deve ter lido tal ma­nual, pois o serviço não é oferecido. E, quando solicitado, é cobrado, Provavelmente, os diretores da Anac não viajam de avião, ou se viajam, não olham para os la­dos. Não devem ter família, ou se têm, ignoram a realidade, Devem mandar oferecer pão e vinho pa­ra que a classe econômica se ca­le. O Brasil tem muito a aprender, não apenas com multinacionais de sucesso, mas com seus erros,
 
0 FAA, que administra a aviação civil nos Estados Unidos, deixa bem claras as suas regras, com fo­co na segurança e no bem-estar dos passageiros, e não das com­panhias aéreas. Por lá, as compa­nhias aéreas são proibidas sequer de pedir que você se sente em as­sento separado de seu filho, se ele tiver menos de 18 anos. Toda companhia aérea é obrigada a ceder assento de segurança às grávidas e aos pais com crianças de co­lo antes do embarque. O avião só decola se o pessoal de bordo acomodar o pai com a criança em um assento de segurança. Du­rante o voo cintos de segurança para bebês e berço são oferecidos sem custo adicional.
 
Enquanto 2012 foi o ano mais seguro para a aviação americana desde a invenção da turbina a jato em 1947, pouco se fala dos acidentes aeroviários ocorridos no Brasil. O que foi feito para evitá-los é uma incógni­ta. Estranhamente, as autoridades que de­veriam combater esses descasos olh am pa­ra seus umbigos e nada muda. Para resol­ver esses problemas acredito que apenas o Ministério Publico poderá exigir uma mudança, pois a Agência Nacional de Avia­ção Civil não inspira nenhuma confiança. Se existir algum promotor lendo esta colu­na, que a entenda como um apelo.
 
Fonte: Carta Capital
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