quarta-feira, 30 de setembro de 2026

C-390: Embraer escolhe Mahindra como parceira na disputa indiana

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A Embraer escolheu o Grupo Mahindra como parceiro industrial na Índia para disputar o programa de renovação da frota de transporte médio da Força Aérea Indiana (IAF), colocando o KC-390 Millennium no centro de uma concorrência que pode envolver a aquisição de até 90 aeronaves. A escolha amplia a presença da indústria brasileira em um dos mercados de defesa mais relevantes do mundo e associa o C-390 a um dos principais grupos industriais privados da Índia.

A seleção da Mahindra ocorreu após um processo de avaliação do setor aeroespacial indiano e de potenciais parceiros locais. A Embraer já havia levado o C-390 ao país em 2023 para uma demonstração operacional e, desde então, vinha avaliando as condições para estruturar uma participação industrial compatível com as exigências de Nova Délhi.

O programa busca substituir parte da frota de Antonov An-32 da IAF, que constitui a espinha dorsal do transporte tático indiano há décadas. A nova aeronave deverá atender missões de transporte de tropas e carga, apoio logístico, ajuda humanitária e operações em diferentes condições de infraestrutura, incluindo aeródromos com limitações de comprimento ou pavimentação.

A concorrência envolve cinco grupos industriais indianos que receberam solicitações do Ministério da Defesa: Mahindra, Tata, Hindustan Aeronautics Limited, Reliance Defence e Adani. A Tata participa do processo associada à Lockheed Martin e oferece o C-130J Super Hercules, estabelecendo uma disputa direta entre duas aeronaves já consolidadas no mercado internacional de transporte militar.

Nesse cenário, a escolha da Mahindra dá à Embraer uma plataforma industrial para apresentar o C-390 não apenas como uma aeronave, mas como um programa de longo prazo. A tendência é que a avaliação indiana considere capacidade operacional, custos, disponibilidade, suporte logístico, manutenção, produção local e transferência de tecnologia, além das condições para incorporar fornecedores indianos à cadeia produtiva.

A Embraer posiciona o C-390 como uma aeronave de maior capacidade e desempenho em relação ao C-130J. O modelo pode transportar cargas mais pesadas, operar em velocidades superiores e cumprir missões de transporte, reabastecimento aéreo, lançamento de tropas e cargas, evacuação aeromédica e outras tarefas. Os indicadores de disponibilidade e desempenho apresentados pela empresa fazem parte de sua argumentação comercial e ainda serão submetidos à avaliação dentro do processo indiano.

Outro elemento importante da proposta é a criação de uma estrutura de manutenção, reparo e revisão (MRO) na Índia. A intenção da Embraer é transformar o país em um polo regional de suporte ao C-390, atendendo tanto à futura frota indiana quanto a operadores de outros países da região. Caso avance, esse modelo poderia ampliar a participação de empresas indianas na cadeia de fornecimento e criar capacidade local para sustentação da aeronave durante todo o seu ciclo de vida.

A parceria com a Mahindra também precisa ser diferenciada da cooperação estabelecida pela Embraer com o Grupo Adani. Enquanto a Mahindra foi escolhida como parceira no segmento de defesa relacionado à disputa pelo programa de transporte militar, Embraer e Adani mantêm uma iniciativa voltada à aviação civil e ao desenvolvimento de um ecossistema de transporte aéreo regional na Índia.

Para a Embraer, o programa indiano representa uma oportunidade que ultrapassa a eventual venda de aeronaves. A entrada em uma frota de grande escala permitiria ampliar a base de operadores do C-390, consolidar uma cadeia de suporte no Indo-Pacífico e utilizar a própria Índia como plataforma industrial e logística para futuros clientes. Para a Mahindra, a associação com o projeto abre espaço para ampliar sua participação em um segmento de alta complexidade tecnológica da indústria aeroespacial.

A disputa também ocorre em um momento em que a Índia procura ampliar a participação da indústria doméstica nos grandes programas militares. Por isso, o componente industrial terá peso semelhante ao desempenho da aeronave: produzir localmente, formar fornecedores, garantir manutenção e desenvolver capacidade tecnológica são elementos que podem definir a viabilidade de longo prazo de cada proposta.

O C-390 chega à concorrência indiana com uma carteira internacional em expansão e experiência operacional acumulada por diferentes forças aéreas. A eventual escolha pela IAF, entretanto, representaria um salto de escala para o programa brasileiro e criaria uma referência industrial particularmente relevante para sua expansão em outros mercados da Ásia.

A decisão final dependerá da avaliação indiana sobre desempenho, custos, produção local, transferência tecnológica, cronograma de entrega e capacidade de sustentação. Para a Embraer, a escolha da Mahindra marca o início de uma disputa na qual o principal objetivo não é apenas vender o C-390 à Índia, mas estabelecer uma base industrial capaz de transformar o país em um dos principais polos de operação e suporte da aeronave no mundo.


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Japão busca acelerar projeto UNICORN de comunicações navais com a Índia

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Japão e Índia estão acelerando as tratativas para viabilizar o UNICORN, sistema integrado de antenas e comunicações navais que representa o primeiro projeto de codesenvolvimento de equipamentos de defesa entre os dois países. Tóquio busca avançar na implementação do programa, enquanto Nova Délhi trabalha para concluir os procedimentos internos necessários à sua incorporação pela Marinha Indiana.

O projeto ganhou novo impulso na cúpula Índia-Japão realizada em julho de 2026, quando os dois governos informaram ter alcançado um acordo em princípio sobre as questões técnicas remanescentes do UNICORN e manifestaram expectativa pela conclusão antecipada do projeto. A iniciativa foi apresentada como uma nova etapa da cooperação bilateral em equipamentos de defesa e tecnologia.

O UNICORN, sigla para Unified Complex Radio Antenna, reúne diferentes sistemas de comunicação em um único mastro integrado. A arquitetura reduz a quantidade de antenas expostas individualmente e contribui para diminuir a assinatura radar da plataforma naval, acrescentando uma dimensão de furtividade a um sistema que, além das comunicações, interfere diretamente na configuração e na sobrevivência do navio em ambientes marítimos contestados.

A cooperação começou a ganhar forma em novembro de 2024, quando Índia e Japão assinaram um Memorando de Implementação para o codesenvolvimento dos mastros destinados aos navios da Marinha Indiana. Pelo acordo, a Bharat Electronics Limited (BEL) participará do desenvolvimento e da produção na Índia, em cooperação com empresas e instituições japonesas. O governo indiano classificou o programa como o primeiro caso de codesenvolvimento e coprodução de equipamentos de defesa entre os dois países.

O modelo é particularmente relevante para Nova Délhi porque combina acesso a tecnologia estrangeira com fabricação doméstica. A Índia vem utilizando seus grandes programas de defesa para ampliar a participação da indústria nacional, reduzir dependências externas e desenvolver capacidade própria de integração e sustentação de sistemas complexos. No caso do UNICORN, a produção local coloca a BEL no centro de uma cadeia tecnológica que poderá ser aproveitada em futuras plataformas navais.

Para o Japão, o programa também representa uma mudança de escala na cooperação com a Índia. Tóquio vem ampliando as possibilidades de transferência de equipamentos e tecnologias de defesa e, no caso do UNICORN, encontrou um projeto capaz de aproximar sua base industrial de defesa do crescente setor naval indiano. A própria cúpula de julho destacou o avanço do projeto e a intenção de explorar novas iniciativas em equipamentos e tecnologia de defesa.

A importância do sistema vai além da redução da assinatura radar. Ao concentrar diferentes funções de comunicação em uma arquitetura integrada, o UNICORN interfere na distribuição de sensores e equipamentos sobre a superestrutura do navio, permitindo uma configuração mais limpa e potencialmente mais eficiente do ponto de vista eletromagnético. Em uma guerra naval marcada pelo emprego intensivo de sensores, guerra eletrônica e armas de longo alcance, a gestão da assinatura da plataforma tornou-se parte integrante da sobrevivência do navio.

O avanço do UNICORN ocorre paralelamente ao aprofundamento da cooperação marítima entre os dois países. Índia e Japão vêm ampliando exercícios navais, intercâmbios, cooperação logística e iniciativas relacionadas à manutenção de navios. Na cúpula de julho, os dois governos também destacaram a cooperação em manutenção naval e a expansão da colaboração em equipamentos e tecnologia de defesa dentro da política indiana de produção local.

A dimensão industrial pode ser ainda mais relevante no longo prazo. O UNICORN funciona como um projeto de entrada para uma relação na qual Japão e Índia deixam gradualmente de atuar apenas como fornecedor e comprador e passam a compartilhar desenvolvimento, integração e produção. O próprio governo indiano já apresentou o programa como referência para futuras iniciativas de cooperação tecnológica em defesa.

O próximo desafio é transformar o acordo político e técnico em implementação efetiva. Embora as principais questões tenham avançado, o projeto ainda depende da conclusão dos procedimentos necessários para sua execução. Se essa etapa for concluída, o UNICORN poderá se tornar o primeiro resultado concreto de uma nova fase da parceria de defesa entre Índia e Japão, aproximando duas importantes bases industriais navais do Indo-Pacífico e criando um precedente para projetos de maior complexidade tecnológica.


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Índia e Coreia do Sul retomam discussões sobre sistema antiaéreo K30 Biho

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Índia e Coreia do Sul retomaram as discussões sobre o K30 Biho, sistema de defesa antiaérea de curto alcance desenvolvido pela Hanwha Aerospace. O programa, que chegou a ser considerado por Nova Délhi em um possível contrato estimado em cerca de US$ 2,5 bilhões, voltou à agenda durante a 10ª reunião da Comissão Conjunta de Defesa e Cooperação Logística, realizada em 29 de setembro, em Nova Délhi.

O encontro reuniu representantes do Ministério da Defesa indiano e da Administração do Programa de Aquisição de Defesa da Coreia do Sul (DAPA), que avaliaram o andamento da cooperação bilateral na indústria de defesa e discutiram novas oportunidades de produção, logística e projetos conjuntos. O Biho esteve entre os programas abordados, embora nenhum novo contrato tenha sido anunciado.

O K30 Biho combina dois canhões automáticos de 30 mm com mísseis superfície-ar, integrados a sensores de vigilância e rastreamento. Montado sobre uma plataforma sobre lagartas, o sistema foi concebido para acompanhar formações mecanizadas e fornecer defesa contra aeronaves voando a baixa altitude, helicópteros e outras ameaças aéreas.

A configuração híbrida é particularmente relevante diante da mudança no ambiente de combate. A disseminação de drones, munições vagantes e outras plataformas de baixo custo aumentou a pressão sobre os sistemas de defesa aérea, especialmente quando interceptores de maior valor são empregados contra alvos relativamente baratos. Nesse cenário, a combinação entre canhões e mísseis permite selecionar o armamento de acordo com a ameaça e a distância de engajamento.

O interesse indiano pelo Biho não é novo. O sistema havia sido avaliado pelo Exército Indiano em um processo que avançou até a aprovação inicial do projeto em 2021, mas a aquisição não chegou à assinatura de um contrato. Entre os obstáculos estavam as exigências de fabricação local e transferência de tecnologia, elementos que continuam centrais na política de aquisição de defesa da Índia.

A necessidade de reforçar a defesa aérea de curto alcance ganhou novo peso no planejamento militar indiano após experiências recentes de emprego intensivo de drones e outras ameaças aéreas. Em julho deste ano, por exemplo, o Conselho de Aquisições de Defesa indiano aprovou uma série de programas voltados à defesa contra drones, guerra eletrônica e defesa aérea, incluindo sistemas V-SHORADS e outras capacidades destinadas a enfrentar ameaças não tripuladas.

O desafio para o Biho, entretanto, permanece menos relacionado à capacidade técnica do sistema do que ao modelo de aquisição. A Índia busca ampliar a fabricação doméstica e incorporar conteúdo nacional aos grandes programas militares, enquanto a Coreia do Sul precisa estruturar uma solução que preserve os interesses tecnológicos da Hanwha e, ao mesmo tempo, atenda às exigências industriais de Nova Délhi.

Existe, nesse ponto, um precedente relevante na própria relação entre os dois países. O K9 Vajra-T, versão indiana do obuseiro autopropulsado K9 Thunder, foi produzido localmente pela Larsen & Toubro em cooperação com a Hanwha. O programa demonstrou que Seul e Nova Délhi conseguem estruturar modelos de transferência tecnológica e fabricação local em sistemas de maior complexidade.

A retomada das conversas sobre o Biho pode, portanto, representar mais do que uma simples reabertura de uma negociação interrompida. Para a Índia, o sistema oferece uma possível solução para uma lacuna na defesa aérea de curto alcance, particularmente relevante diante da proliferação de drones. Para a Coreia do Sul, abre-se uma oportunidade de ampliar a presença da indústria de defesa no mercado indiano a partir de um modelo de produção local semelhante ao adotado no programa K9.

Por enquanto, porém, o processo está novamente na fase de discussão. Não há contrato anunciado, quantidade definida ou cronograma de entrega. Uma eventual retomada formal da aquisição dependerá da avaliação operacional do Exército Indiano e da definição de um novo processo de necessidade e aquisição, além da negociação sobre produção local e transferência de tecnologia.


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Suécia reforça flanco leste da OTAN com caças Gripen na Polônia

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A Suécia voltará a empregar seus caças JAS 39 Gripen em missão da OTAN na Polônia a partir de outubro, reforçando a vigilância do espaço aéreo no flanco oriental da Aliança. A operação também terá como objetivo proteger um importante centro logístico no sudeste polonês utilizado para o encaminhamento de ajuda militar e civil à Ucrânia.

Os Gripen integrarão a estrutura de Defesa Aérea e de Mísseis Integrada da OTAN, ampliando a capacidade de resposta diante de ameaças aéreas e contribuindo para a proteção das linhas logísticas que sustentam o apoio europeu à Ucrânia. Diferentemente de uma simples missão de policiamento aéreo, a participação está inserida em uma arquitetura mais ampla de defesa coletiva do flanco oriental.

A configuração adotada pela Suécia também chama atenção. Os caças permanecerão principalmente baseados em território sueco e realizarão operações no espaço aéreo polonês, apoiados por uma presença avançada de menor porte na Polônia. O modelo reduz a necessidade de deslocar toda a estrutura de apoio para o teatro de operações e permite que a Suécia empregue sua aviação de combate a partir de sua própria infraestrutura.

Esta será a segunda participação sueca com caças na proteção do corredor logístico polonês. Em 2025, a Suécia já havia empregado seus Gripen em uma missão de vigilância reforçada do espaço aéreo da Polônia no âmbito da OTAN. A nova operação ocorre pouco mais de dois anos depois da entrada do país na Aliança, em março de 2024, e demonstra a transformação de sua capacidade nacional de defesa aérea em um recurso disponível para a estrutura militar coletiva.

O contexto operacional também se tornou mais exigente no norte da Europa. Em 24 de setembro, caças F/A-18 finlandeses e JAS 39 Gripen suecos realizaram pela primeira vez uma missão operacional conjunta de identificação de aeronaves russas em espaço aéreo internacional sobre o Golfo da Finlândia. A formação identificada incluía uma aeronave de transporte Tu-134 e caças MiG-31 e Su-30.

A operação entre Finlândia e Suécia é resultado do aprofundamento da cooperação aérea entre os dois países, que agora permite inclusive o emprego de aeronaves de reação rápida a partir das bases do país parceiro. A iniciativa está associada ao conceito Nordic Air Power, que reúne Finlândia, Suécia, Noruega e Dinamarca em uma estrutura de cooperação voltada à interoperabilidade e à defesa coletiva dentro da OTAN.

Na Polônia, o emprego dos Gripen ocorre em uma região particularmente sensível para a arquitetura de defesa da Aliança. O país funciona como importante corredor para o apoio destinado à Ucrânia e está diretamente inserido no dispositivo militar do flanco oriental, diante de um ambiente de segurança marcado pelo aumento da atividade militar russa no entorno do Báltico.

A escolha do Gripen acrescenta uma capacidade de combate que pode ser empregada sem deslocar integralmente a infraestrutura sueca para o território aliado. Na prática, isso amplia a flexibilidade da OTAN para distribuir meios de caça, manter aeronaves em diferentes pontos de operação e preservar capacidade de reação diante de um cenário em que vigilância aérea, defesa contra mísseis e drones e proteção de infraestrutura crítica precisam funcionar de forma integrada.

A movimentação também evidencia uma mudança importante na postura sueca. O país não está apenas adaptando suas forças armadas à condição de membro da OTAN, mas passando a disponibilizar capacidades nacionais para missões concretas da Aliança, ao mesmo tempo em que aprofunda a integração operacional com os demais países nórdicos.

Para a OTAN, a participação sueca representa mais um componente na construção de uma rede de defesa aérea distribuída no norte e no leste europeu. Para a Suécia, o emprego recorrente do Gripen em operações aliadas mostra como a entrada na Aliança está sendo convertida em capacidade operacional efetiva, com seus caças atuando não apenas na defesa do próprio território, mas também na proteção de áreas e infraestruturas consideradas essenciais para a segurança coletiva europeia.


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Alemanha lidera pressão por cortes no orçamento da UE e quer redirecionar recursos para defesa e indústria

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A negociação do próximo orçamento de longo prazo da União Europeia entrou em uma fase de forte disputa entre os Estados-membros. Alemanha, Dinamarca, Países Baixos, Áustria, Finlândia e Suécia defendem uma redução significativa da proposta apresentada pela Comissão Europeia para o período 2028–2034 e querem alterar a distribuição dos recursos, ampliando o peso de defesa, competitividade, inovação e tecnologias estratégicas.

Em declaração conjunta divulgada em agosto, os seis países afirmaram que o próximo Quadro Financeiro Plurianual precisa ser reformado tanto em sua estrutura quanto na alocação dos recursos. O grupo aponta segurança e defesa, competitividade, migração e soberania como prioridades para a próxima década.

A Comissão Europeia propôs um orçamento de quase €2 trilhões para os sete anos, equivalente a 1,26% da renda nacional bruta média da União. A proposta representa uma reformulação importante do orçamento europeu, com maior flexibilidade e novos instrumentos voltados à competitividade, segurança, defesa, tecnologia e inovação.

O tamanho do orçamento, porém, é apenas uma parte da disputa. A estrutura de distribuição também está no centro das negociações. A proposta da Comissão reserva €865 bilhões para os novos planos nacionais e regionais, que reúnem políticas de coesão, agricultura e outras áreas, além de €300 bilhões especificamente destinados ao apoio à renda de agricultores e pescadores. Outros €150 bilhões seriam direcionados a defesa, energia e tecnologias estratégicas.

É justamente essa composição que os seis países querem alterar. O grupo defende uma utilização mais concentrada dos recursos em áreas consideradas estratégicas para a posição econômica e de segurança europeia, reduzindo o peso relativo de programas tradicionais. A proposta coloca em discussão um modelo de orçamento que responda mais diretamente ao ambiente de competição industrial e militar em que a Europa está inserida.

A resistência vem de outro grupo de Estados, que busca preservar os recursos destinados à Política Agrícola Comum e à coesão econômica, social e territorial. Para países que dependem mais intensamente desses mecanismos, uma redução dos fundos pode ter impacto direto sobre investimentos regionais, infraestrutura e renda do setor agrícola.

A Comissão também propôs novas fontes de receita para financiar o orçamento europeu, mas a ideia enfrenta resistência entre os governos nacionais. O debate envolve não apenas o volume arrecadado, mas também a transferência de competências fiscais adicionais para as instituições europeias.

A disputa ocorre no momento em que os países europeus ampliam seus gastos de defesa e enfrentam pressão para reduzir dependências externas em setores considerados estratégicos. A guerra na Ucrânia, a necessidade de recomposição das capacidades militares europeias e a competição tecnológica com Estados Unidos e China elevaram a importância atribuída à indústria de defesa, semicondutores, inteligência artificial, espaço, energia e outras tecnologias críticas.

Nesse contexto, a proposta dos seis países representa uma tentativa de aproximar o orçamento europeu das novas prioridades estratégicas. A questão é que essas prioridades precisam competir por recursos com políticas que estão no núcleo da integração europeia há décadas.

A própria estrutura proposta pela Comissão já demonstra essa mudança. O novo Fundo Europeu de Competitividade pretende apoiar projetos desde pesquisa e desenvolvimento até expansão industrial, enquanto programas como Horizon Europe devem manter investimentos em ciência, inovação e tecnologias de uso dual, incluindo aplicações relacionadas à defesa.

O conflito, portanto, não se resume a uma disputa entre países que querem gastar menos e governos que querem preservar benefícios. Trata-se de definir qual será a função do orçamento europeu na próxima década: continuar concentrado principalmente na redução das desigualdades regionais e no apoio à agricultura ou assumir um papel mais direcionado à segurança, à capacidade industrial e à autonomia tecnológica do bloco.

A decisão exigirá unanimidade dos 27 Estados-membros no Conselho para a aprovação do Quadro Financeiro Plurianual, além do consentimento do Parlamento Europeu. Por isso, nenhum dos dois grupos pode impor sozinho sua proposta, tornando inevitável uma negociação sobre tamanho, distribuição e novas fontes de financiamento.

A presidência irlandesa do Conselho da UE conduz as negociações durante o segundo semestre de 2026, com o objetivo de alcançar um acordo político até o fim do ano. Um entendimento nesse prazo é considerado necessário para que a legislação seja aprovada em 2027 e os programas possam começar em janeiro de 2028.

O resultado terá impacto direto sobre a capacidade europeia de financiar sua própria transformação industrial e militar. Mais do que definir quanto a União Europeia gastará entre 2028 e 2034, a negociação determinará quanto de seus recursos comuns será destinado à construção de capacidades consideradas essenciais para sua segurança e competitividade em um ambiente internacional cada vez mais marcado pela disputa tecnológica e estratégica.


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Suposta tentativa de ação terrorista no cockpit força voo da Flydubai a pousar na Arábia Saudita

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O voo FZ1073 da Flydubai, que seguia de Dubai para Tel Aviv nesta quarta-feira (30), foi desviado para a Arábia Saudita após um incidente de segurança a bordo. O Boeing 737 pousou em segurança no Aeroporto Internacional Príncipe Sultan bin Abdulaziz em Tabuk, e todos os passageiros foram posteriormente encaminhados a Israel em outra aeronave.

A Autoridade Geral de Aviação Civil dos Emirados Árabes Unidos (GCAA) confirmou que o episódio deixou integrantes da tripulação feridos, encaminhados para atendimento médico na Arábia Saudita. A autoridade informou que equipes de investigação estão trabalhando com os órgãos envolvidos para determinar as circunstâncias e as causas do caso e pediu que informações não oficiais não sejam tratadas como conclusões.

A Flydubai informou que houve uma altercação na cabine de comando. Segundo a companhia, integrantes da própria tripulação que viajavam a bordo conseguiram assumir o controle da aeronave e desviá-la para Tabuk. Passageiros e tripulantes foram contabilizados e estavam em segurança após o pouso.

Dados públicos de rastreamento mostram a dimensão da emergência. O avião teria descido cerca de 14 mil pés em menos de 30 segundos antes da transmissão do primeiro sinal de emergência. O transponder passou pelo código 7700, utilizado para emergência geral, e posteriormente pelo 7500, associado a interferência ilícita. O significado desses registros no contexto do episódio ainda depende da investigação.

Relatos de passageiros ouvidos pela imprensa israelense apontam para uma luta no cockpit. Uma passageira relatou que ouviu gritos e viu um homem com uma faca sobre um dos pilotos. Outros passageiros descreveram uma descida abrupta da aeronave e a entrada de pessoas na cabine de comando para conter a situação. Esses depoimentos ainda precisam ser confrontados com os registros do voo e os demais elementos da investigação.

A versão apresentada pelo governo de Israel é mais específica. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que o copiloto teria esfaqueado o comandante e tentado derrubar a aeronave. Segundo autoridades israelenses citadas pela Reuters, passageiros e tripulantes intervieram, enquanto pilotos da Flydubai que estavam a bordo assumiram posteriormente o controle do avião. O copiloto teria sido detido pelas autoridades sauditas após o pouso.

Autoridades israelenses também passaram a investigar o episódio como uma possível tentativa de ataque terrorista. O governo, contudo, não apresentou até o momento uma conclusão pública sobre a motivação do suspeito. Em declaração anterior, um porta-voz do gabinete do primeiro-ministro havia dito que o caso não era considerado um sequestro, mas um incidente de natureza diferente.

A ocorrência provocou uma resposta de segurança em Israel e mobilizou autoridades de aviação dos países envolvidos. O voo partiu dos Emirados Árabes Unidos, sobrevoava a região da Jordânia quando alterou sua trajetória e acabou pousando no noroeste da Arábia Saudita, país que não mantém relações diplomáticas formais com Israel. A aeronave foi posteriormente substituída para levar os passageiros a Tel Aviv.

O caso permanece sob investigação. Até o momento, os elementos oficiais confirmam uma altercação no cockpit, ferimentos entre integrantes da tripulação, uma emergência durante o voo e o desvio para Tabuk. A alegação de que o copiloto tentou deliberadamente derrubar a aeronave é sustentada pelas autoridades israelenses e por relatos de passageiros, mas a sequência dos acontecimentos, a motivação e a dinâmica exata da ação ainda precisam ser estabelecidas pelas investigações.


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Boeing recebe contrato de US$ 2,38 bilhões por mais 22 F-15EX para a USAF

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A Boeing recebeu do Departamento de Guerra dos Estados Unidos um contrato de US$ 2,38 bilhões para produzir 22 novos caças F-15EX Eagle II para a Força Aérea dos EUA. O novo pedido eleva para 120 o número de aeronaves contratadas nos lotes de produção 1 a 7.

O contrato corresponde ao Lote 7 e amplia a cadência de produção do F-15EX em um momento de expansão da frota prevista pela USAF. A Boeing trabalha com a Força Aérea para elevar gradualmente o ritmo de fabricação para duas aeronaves por mês, enquanto mantém as entregas dos lotes anteriores.

A nova encomenda ocorre após a entrega do F-15EX-22, primeira aeronave do Lote 3. As entregas desse lote devem continuar até o fim de 2026, mantendo a linha de produção de St. Louis em atividade enquanto a empresa prepara o aumento de cadência.

O F-15EX Eagle II é a versão mais recente da família F-15 e utiliza a configuração de dois tripulantes derivada do F-15QA, incorporando sistemas de missão avançados, cabine digital com telas sensíveis ao toque e o sistema de guerra eletrônica e autoproteção EPAWSS. A USAF prevê seu emprego em missões de defesa e contra-aeronaves, além de operações ofensivas em ambientes altamente contestados.

A expansão do F-15EX ocorre em paralelo à introdução de aeronaves de quinta e sexta gerações na estrutura de combate norte-americana. O modelo não substitui diretamente o F-35A, mas ocupa uma função complementar, explorando a combinação de alcance, velocidade, capacidade de carga e integração com sistemas de missão avançados.

O movimento também evidencia uma característica da atual política de aquisição dos EUA: a renovação da aviação de combate não está sendo conduzida exclusivamente pela substituição das plataformas mais antigas por projetos de nova geração. A Força Aérea mantém a produção do F-15EX enquanto desenvolve o F-47, permitindo ampliar a disponibilidade de aeronaves de combate e distribuir diferentes capacidades entre plataformas com características distintas.

O novo contrato também reforça a posição da Boeing no segmento de caças da USAF. Além do F-15EX, a empresa foi recentemente selecionada para desenvolver o F-47, enquanto mantém outros programas de aeronaves de combate em produção e desenvolvimento. A capacidade industrial para sustentar programas simultâneos passou a ser um elemento relevante diante da necessidade de acelerar a renovação da frota norte-americana.

Com o Lote 7, o F-15EX consolida sua presença na estrutura futura da Força Aérea dos EUA. A ampliação das encomendas e o esforço para elevar a produção indicam que o Eagle II continuará desempenhando papel relevante enquanto os novos sistemas de combate aéreo entram progressivamente em desenvolvimento e produção.


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Do Super Hornet ao F/A-XX: os EUA encerram uma geração para construir a próxima

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A Marinha dos Estados Unidos iniciou uma etapa que embora administrativa e industrial, revela uma mudança de grande alcance na aviação naval norte-americana. Em 29 de setembro, a Boeing recebeu um contrato de US$ 16,7 milhões para planejar o encerramento das linhas de produção do F/A-18E/F Super Hornet e do EA-18G Growler, incluindo o levantamento dos equipamentos e ferramentas de propriedade do governo utilizados na fabricação das aeronaves. O trabalho, distribuído entre instalações em St. Louis, El Segundo e Bethpage, deverá estabelecer quais ativos serão preservados, armazenados ou descartados.

A decisão não significa que o Super Hornet esteja sendo retirado imediatamente da linha de frente. O último contrato de produção, envolvendo 17 aeronaves Block III, foi financiado pelo Congresso para reduzir uma lacuna na frota e prevê entregas até a primavera de 2027. Ao mesmo tempo, a Marinha continua ampliando a vida útil dos aviões já existentes. O programa de modernização estrutural e eletrônica eleva a vida prevista da célula para até 10 mil horas de voo e incorpora recursos do padrão Block III, incluindo novos sistemas de missão, processamento e apresentação de dados.

O que está terminando, portanto, é principalmente a produção de novas células, e não a utilidade operacional da plataforma. O Super Hornet continuará compondo as alas aéreas embarcadas durante a transição, enquanto o EA-18G Growler deverá permanecer em serviço por muitos anos. A própria Marinha mantém programas específicos para preservar e atualizar essas aeronaves, incluindo a evolução das capacidades de guerra eletrônica do Growler.

A coincidência entre o encerramento industrial e a decisão sobre o sucessor é o aspecto mais significativo do movimento. No mesmo dia em que foi contratado o planejamento para desmobilizar as linhas do F/A-18, o Pentágono anunciou a Boeing como vencedora do programa F/A-XX, com um contrato superior a US$ 20 bilhões para o desenvolvimento do futuro caça embarcado de sexta geração. A aeronave deverá começar a complementar e posteriormente substituir o Super Hornet e o Growler a partir da década de 2030.

O F/A-XX ainda é, em grande medida, uma plataforma classificada. Poucos detalhes técnicos foram divulgados, mas a direção do programa já está estabelecida: maior alcance, sobrevivência em ambientes contestados, arquitetura aberta, integração avançada de sensores e operação conectada com sistemas não tripulados. A Marinha também prevê que o novo caça possa operar associado a aeronaves não tripuladas semiautônomas, transferindo parte da execução das missões de uma lógica centrada exclusivamente em aeronaves tripuladas para uma arquitetura distribuída de combate.

Essa mudança responde diretamente à transformação do teatro de operações que orienta o planejamento militar norte-americano. Durante boa parte da carreira do Super Hornet, o poder aéreo embarcado foi estruturado em torno da capacidade de lançar aeronaves a partir de porta-aviões e projetar poder sobre grandes distâncias, apoiado por reabastecimento, alerta antecipado, guerra eletrônica e superioridade de sensores. O cenário projetado para as próximas décadas é diferente: adversários com redes integradas de sensores, mísseis de longo alcance, defesa antiaérea sofisticada, guerra eletrônica e capacidade crescente de negar o acesso às áreas de operação obrigam a ampliar a distância entre o vetor e a ameaça.

Nesse ambiente, alcance passa a ser um atributo operacional tão importante quanto velocidade ou carga de armas. O antigo conceito de uma ala aérea capaz de gerar massa de surtidas a partir de um porta-aviões permanece relevante, mas precisa ser combinado com plataformas capazes de atuar mais longe, permanecer conectadas e sobreviver a um espaço aéreo no qual a detecção e o engajamento podem ocorrer muito antes da aproximação visual. Em 2025, oficiais da Marinha já apontavam o aumento do alcance como uma das características centrais esperadas para o F/A-XX, que deverá superar o raio de combate dos atuais caças embarcados.

O F-35C ocupa parte desse espaço na atual transição, mas não resolve sozinho o problema. A aeronave furtiva introduziu uma nova camada de sensores, consciência situacional e capacidade de penetração na ala aérea embarcada, enquanto o F/A-XX deverá ampliar esse conceito para uma plataforma de maior alcance e inserida desde sua concepção em uma arquitetura de combate distribuída. O objetivo não é simplesmente substituir um caça por outro, mas alterar a forma como a ala aérea produz efeitos no campo de batalha.

A mudança também envolve a relação entre aeronaves tripuladas e não tripuladas. A perspectiva apresentada pela Marinha é de uma ala aérea híbrida, na qual o piloto deixa progressivamente de ser o único elemento responsável pela execução da missão e passa a atuar como parte de uma rede capaz de empregar sistemas autônomos ou semiautônomos. O conceito aproxima o F/A-XX de uma função de comando e gerenciamento de efeitos no espaço aéreo, em vez de limitar sua utilidade ao emprego direto de armamentos.

Essa transição, entretanto, traz um desafio industrial proporcional à sua ambição. A Boeing passa a conduzir simultaneamente os dois principais programas norte-americanos de caça tripulado de sexta geração: o F/A-XX da Marinha e o F-47 da Força Aérea. A empresa afirma ter realizado investimentos para produzir os dois programas em paralelo, enquanto mantém em St. Louis outras linhas, como F-15EX e T-7. Analistas, contudo, apontam que capacidade de engenharia, mão de obra especializada e expansão da produção serão fatores determinantes para transformar os contratos de desenvolvimento em aeronaves operacionais dentro dos cronogramas previstos.

É nesse ponto que os US$ 16,7 milhões destinados ao encerramento das linhas do Super Hornet ganham importância. O contrato não trata apenas de desmontar equipamentos industriais. A Marinha está realizando um inventário dos ativos de produção e decidindo o que deverá permanecer sob controle do governo. Em uma indústria de defesa, ferramentas, dispositivos de fabricação, documentação, processos e pessoal especializado representam parte da capacidade nacional de reconstruir ou sustentar uma plataforma. Encerrar uma linha sem administrar esses ativos poderia significar perder mais do que espaço físico.

A decisão demonstra, portanto, uma tentativa de administrar o ciclo de vida completo da capacidade industrial. Enquanto novas aeronaves ainda serão entregues, os modelos existentes continuarão recebendo modernizações e extensão de vida útil; simultaneamente, a infraestrutura para a próxima geração começa a ganhar prioridade. O objetivo é evitar que a transição entre plataformas produza uma lacuna operacional justamente no período em que a competição tecnológica e militar no Indo-Pacífico tende a exigir maior disponibilidade e alcance da aviação naval.

O desafio norte-americano é particularmente complexo porque o porta-aviões continua sendo uma das principais ferramentas de projeção de poder dos Estados Unidos, mas sua sobrevivência depende cada vez mais da capacidade de manter suas aeronaves fora do alcance das principais ameaças. A evolução do F/A-XX está ligada, assim, não apenas ao desenvolvimento de um novo caça, mas à própria adaptação do conceito de emprego do poder aeronaval diante de um ambiente no qual sensores, mísseis de longo alcance, guerra eletrônica e sistemas não tripulados tornam o espaço de combate mais transparente e mais letal.

Nesse contexto, o fim da produção do Super Hornet não representa simplesmente o encerramento de uma aeronave que marcou mais de duas décadas de aviação embarcada. Ele representa o início visível de uma mudança de arquitetura. A Marinha pretende manter o F/A-18 relevante durante a transição, enquanto transfere progressivamente a capacidade de combate para uma combinação de F-35C, F/A-XX e sistemas não tripulados.

A questão decisiva para Washington será transformar essa transição tecnológica em capacidade operacional sem criar uma lacuna entre gerações. O Super Hornet continuará sustentando parte da capacidade existente, mas a lógica que orientará a aviação naval norte-americana nas próximas décadas já está sendo construída em torno de alcance, baixa observabilidade, guerra em rede, guerra eletrônica e integração homem-máquina. O contrato de US$ 16,7 milhões para encerrar uma linha de produção e o acordo de mais de US$ 20 bilhões para desenvolver seu sucessor são, nesse sentido, duas partes do mesmo movimento: uma geração começa a ser retirada da produção enquanto a próxima passa a ocupar o centro do planejamento militar e industrial dos Estados Unidos.


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"Operação Crotalus I" mantém Cascavel em operação enquanto Exército avança com o Cascavel NG e o Centauro II

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A Operação Crotalus I recuperou 11 Viaturas Blindadas de Reconhecimento (VBR) EE-9 Cascavel para o Exército Brasileiro, devolvendo meios à disponibilidade das tropas de Cavalaria. A iniciativa ocorre em paralelo ao projeto de modernização do Cascavel no âmbito do programa Cascavel-NG e à incorporação do Centauro II, em um processo gradual de renovação das capacidades das unidades mecanizadas.

O trabalho foi conduzido pela Base de Apoio Logístico, com participação do Batalhão Central de Manutenção e Suprimento (BCMS) na recuperação dos chassis e do Batalhão de Manutenção e Suprimento de Armamento (BMSA) na revitalização dos sistemas de armas. Após os serviços, as viaturas foram submetidas a tiro técnico no Campo de Instrução de Gericinó no Rio de Janeiro, para verificar o funcionamento e a segurança das torres.

A atividade também teve caráter de capacitação, envolvendo militares da Escola de Sargentos de Logística (EsSLog) em uma situação prática de manutenção e recuperação de material de emprego militar. Com a conclusão dos trabalhos, 11 blindados retornaram à condição de emprego.

Os veículos recuperados na Crotalus I não devem ser confundidos com aqueles submetidos ao programa de modernização do Cascavel. A operação teve como objetivo recuperar a condição operacional de viaturas existentes, enquanto o projeto do Cascavel NG prevê alterações de capacidade em uma parcela específica da frota.

O programa de modernização contempla 201 EE-9 Cascavel, sendo 98 na primeira fase, com intervenções em mobilidade, armamento, sistemas optrônicos e comando e controle. A proposta é atualizar a plataforma sem substituir sua arquitetura básica, incorporando recursos destinados a ampliar sua capacidade de emprego.

Em paralelo, o Exército avança com a introdução do Centauro II, viatura blindada de combate 8x8 que representa uma mudança de geração na Cavalaria. O programa prevê até 98 unidades e incorpora capacidades superiores às do Cascavel convencional em áreas como poder de fogo, aquisição de alvos, consciência situacional, proteção, mobilidade e comando e controle, incluindo canhão de 120 mm e sistema digital de controle de tiro.

A coexistência dessas três frentes responde a necessidades diferentes. A recuperação logística devolve rapidamente meios já existentes às unidades; o Cascavel NG atualiza parte da frota; e o Centauro II amplia o patamar tecnológico da Cavalaria. Como os programas possuem cronogramas próprios, a manutenção dos veículos atualmente em serviço continua sendo necessária durante a incorporação dos novos meios.

Nesse processo, a logística deixa de ser apenas uma atividade de sustentação e passa a ter impacto direto sobre a disponibilidade operacional. A recuperação de chassis, sistemas de armas e demais componentes permite preservar a capacidade das unidades enquanto a Força Terrestre executa programas de maior duração e complexidade.

A Crotalus I, portanto, não representa uma extensão do programa Cascavel NG, mas uma ação de recuperação da frota existente. Sua relevância está justamente em manter viaturas convencionais disponíveis enquanto a Cavalaria passa por uma transformação que combina modernização de plataformas, incorporação de novos blindados e renovação gradual de sua capacidade de combate.


por Angelo Nicolaci


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com Exército Brasileiro

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ASELSAN projeta produção local em Nakhchivan e avança com radar ALP 100 no Azerbaijão

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A ASELSAN assinou durante a ADEX 2026, em Baku, um acordo preliminar para estabelecer uma instalação de produção em Nakhchivan, no Azerbaijão. No mesmo evento, a empresa turca firmou com o Ministério da Defesa azeri um acordo-quadro relacionado à possível aquisição do radar de vigilância aérea multifuncional AESA ALP 100 para a Força Aérea do país.

O documento referente à instalação industrial foi firmado pela ASELSAN, sua subsidiária ASELSAN BAKÜ LLC e a empresa azeri NOVASIS LLC. A proposta prevê a transferência de tecnologias e processos de fabricação para o território azeri, criando capacidade local para produzir sistemas que hoje integram o portfólio da companhia turca.

Entre os produtos previstos estão os kits de guiamento a laser LGK, a munição guiada de precisão TOLUN e o sistema de defesa antiaérea KORKUT. O projeto também contempla a formação de pessoal especializado e a criação de capacidade para integrar munições produzidas localmente a aeronaves de combate, aeronaves de treinamento e veículos aéreos não tripulados de combate.

A diferença em relação a uma operação convencional de fornecimento está justamente nesse componente industrial. O acordo não trata apenas da entrega de sistemas prontos, mas da criação de uma estrutura capaz de absorver processos produtivos e parte do conhecimento necessário à fabricação e integração dos equipamentos. Ainda assim, o documento representa uma intenção de estabelecer a unidade, não uma confirmação de que a instalação já esteja operacional.

A escolha de Nakhchivan acrescenta outro elemento à iniciativa. O território é um exclave do Azerbaijão, separado do restante do país e situado entre Türkiye, Armênia e Irã. A localização confere relevância logística à futura estrutura, mas os efeitos concretos dependerão da implantação efetiva da unidade e da definição de sua capacidade produtiva.

No segmento de radares, o acordo-quadro firmado com o Ministério da Defesa do Azerbaijão manifesta a intenção de adquirir o ALP 100 para a Força Aérea. O equipamento emprega tecnologia AESA e integra a família de radares terrestres da ASELSAN, sendo apresentado pela fabricante como uma solução de vigilância de baixa altitude.

A eventual incorporação do ALP 100 amplia a participação da ASELSAN na arquitetura de defesa aérea azeri para além dos sistemas de armas. O radar pode integrar a camada de detecção e acompanhamento de alvos, complementando capacidades já associadas à empresa nos campos de defesa antiaérea, guerra eletrônica, sensores e sistemas de guiamento.

Para o presidente e CEO da ASELSAN, Ahmet Akyol, os acordos representam uma evolução da relação construída com o Azerbaijão. Segundo o executivo, a transferência de capacidades relacionadas ao LGK, KORKUT e TOLUN para Nakhchivan deverá ampliar a infraestrutura de defesa local, enquanto o entendimento sobre o ALP 100 aprofunda a cooperação em tecnologias de radar.

A ADEX 2026 também serviu para apresentar uma parcela significativa do portfólio da empresa, incluindo o KORKUT 100/25, o sistema eletro-óptico ASELFLIR 600, a munição guiada TOLUN, o sistema de guerra eletrônica KORAL e as famílias de radares MURAD e FULMAR, além de soluções de comunicações e guiamento.

O movimento ocorre em paralelo ao aprofundamento da cooperação militar e técnico-militar entre Türkiye e Azerbaijão. Durante a exposição, o Ministério da Defesa azeri destacou projetos conjuntos e novas possibilidades de cooperação com empresas turcas do setor de defesa.

Com a instalação prevista em Nakhchivan e o processo relacionado ao ALP 100, a ASELSAN passa a combinar três elementos em sua relação com o Azerbaijão: fornecimento de sistemas, produção local e transferência de tecnologia. Se os acordos avançarem para a fase de implementação, a empresa terá uma estrutura produtiva no país capaz de apoiar não apenas o mercado azeri, mas também a evolução de uma cadeia industrial vinculada aos seus próprios sistemas.

Fundada em 1975, a ASELSAN atua em radares, guerra eletrônica, guiamento, sistemas eletro-ópticos, comunicações e tecnologias de informação. A empresa informa possuir mais de 14 mil profissionais, exportar para mais de 97 países e manter presença direta em 25 mercados.


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O populismo do voto: do Bolsa Família à MP das bets

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O Bolsa Família é um programa de transferência de renda que unificou e ampliou os diversos programas de auxílio criados na gestão de Fernando Henrique Cardoso, de extrema importância para a proteção social, o combate à pobreza e a reinserção no mercado de trabalho; contudo, não da forma como é praticado no Brasil, pois sofreu um profundo desvirtuamento ao se transformar em mero instrumento de manutenção do poder.

A conversão de programas assistenciais em ferramentas de barganha eleitoral consolida a marca do atual governo: a troca do compromisso fiscal pelo populismo desenfreado.

Nesse sentido, quero trazer à reflexão as medidas do governo Lula para alcançar a reeleição, haja vista o aumento do valor do Bolsa Família anunciado a 17 dias das eleições.

No Brasil, o programa se estrutura de modo a não estimular grande parcela dos beneficiários a procurar trabalho ou a deixar de depender do auxílio assistencial. As regras para o recebimento do benefício deveriam ser mais rígidas, com revisões periódicas e a exigência de busca ativa por emprego. Há inúmeras empresas em setores como a construção civil e o comércio que oferecem vagas, mas muitos dos eventuais interessados preferem não ter o contrato registrado em carteira para não perder o benefício.

Dados do Cadastro Único de fevereiro de 2025, indicam que 7 milhões de famílias, 34,1% do total de 20,6 milhões de beneficiários, recebem o Bolsa Família há mais de 10 anos, com maior concentração da dependência de longo prazo no Nordeste (38,8%) e no Norte (33,7%). Em muitas localidades do interior, a subsistência informal combinada ao benefício cria uma acomodação estrutural, na qual a busca pelo emprego formal deixa de ser prioridade. Em suma, essas famílias optam por não trabalhar com carteira assinada, têm sua casa, sua horta, seu galinheiro, não gastam muito e o benefício tornou-se um complemento.

Um programa como o Bolsa Família, destinado àqueles que estão realmente desempregados e condicionado a critérios rígidos, especialmente a exigência de procura ativa de emprego, é fundamental. Contudo, a distribuição de benefícios sem critérios, utilizada para ganhar eleições, é altamente preocupante.

No cenário atual, outro fator crítico é o expressivo endividamento público no presente mandato do governo Lula, que já se aproxima de R$ 1,5 trilhão. A necessidade constante de tomar recursos emprestados no mercado pressiona a taxa de juros e a mantém em níveis elevados para atrair investidores. O resultado dessa dinâmica é perverso: o setor produtivo se desestabiliza, os pedidos de recuperação judicial se multiplicam, grandes empresas encerram suas atividades e o PIB não cresce.

Além disso, surgem diversas outras medidas de cunho eleitoreiro, alvo de duras críticas nos editoriais dos principais jornais do país, que evidenciam uma total desconexão com a realidade econômica, no exato momento em que as contas públicas se encontram absolutamente estraçalhadas.

Comenta-se amplamente o caráter eleitoreiro das recentes medidas do presidente Lula. Soma-se a isso a preocupante proximidade entre o Executivo e ministros do Supremo Tribunal Federal, o que evidencia relações que descaracterizam a própria função da Corte e geram crescente rejeição ao presidente. Para grande parte da opinião pública, essa articulação busca evitar a apuração aprofundada do escândalo do Banco Master, episódio que, somado às irregularidades no INSS, compromete gravemente a credibilidade do governo.

Aliás, essa foi uma marca de outros governos do PT: o Mensalão, o escândalo da Petrobras e a Lava Jato. Apesar de muitos envolvidos terem obtido reabilitação mesmo após confessarem crimes e devolverem dinheiro, vemos agora episódios como o perdão de R$ 1,2 bilhão em juros de acordos. Diante desse histórico, fica evidente que estamos diante de mais um projeto estritamente eleitoreiro.

Tudo isso me entristece muito, porque não discutimos, nestas eleições, ideias para o presente e o futuro. Para se reeleger, o presidente Lula utiliza apenas políticas eleitoreiras e populismo, enquanto o Brasil afunda em uma crise de Poderes, caracterizada pela falta de credibilidade nas instituições.

O eleitor brasileiro terá de decidir entre um presidente que luta por todos os meios para se reeleger e permanecer no poder e os candidatos de oposição que, desprovidos da máquina pública, precisam vencer o debate no campo das ideias. Nesse cenário, despontam quadros com propostas consistentes, como Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Augusto Cury e Ronaldo Caiado, este último com a credibilidade de quem comprovou eficiência administrativa ao obter a reeleição no primeiro turno em Goiás.

Enfim, é esse o cenário em que nos encontramos: uma conjuntura na qual o presidente Lula recorre a práticas populistas e, a meu ver, demagógicas para assegurar a sua reeleição, como a recente edição da Medida Provisória contra as apostas virtuais (bets), que é apenas mais um exemplo desse oportunismo eleitoral às vésperas do pleito.

É lamentável a realidade de um país em que a população perdeu a confiança nas suas próprias instituições, conforme demonstram recentes pesquisas. Por isso, é perfeitamente compreensível que o ministro André Mendonça, referência de integridade no Supremo Tribunal Federal, ao embarcar em um avião de carreira, tenha sido aplaudido de pé pelos demais passageiros. Esse gesto sintetiza o anseio de toda a sociedade: o resgate da moralidade na gestão pública.

Queremos voltar a confiar nas instituições. Algo que, infelizmente, não se revela possível no atual cenário. O resgate da moralidade na gestão pública é a única via para devolver a esperança ao país, missão que cabe ao eleitor exigir e resgatar soberanamente nas urnas.


Por Ives Gandra da Silva Martins  - Professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de S. Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), professor honorário das Universidades Austral (Argentina), San Martin de Porres (Peru) e Vasili Goldis (Romênia), doutor honoris causa das Universidades de Craiova (Romênia) e das PUCs PR e RS, catedrático da Universidade do Minho (Portugal), presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio-SP, ex-presidente da Acade mia Paulista de Letras (APL) e do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp).

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Argentina inicia renovação do armamento individual com fuzis ARAD-5 e ARAD-7 de Israel

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A Argentina iniciou formalmente a incorporação dos novos fuzis ARAD-5 e ARAD-7, destinados a substituir parte do armamento individual atualmente empregado pelas Forças Armadas. O primeiro lote chegou ao país na primeira semana de setembro e, nesta terça-feira (29), o Ministério da Defesa apresentou oficialmente os dois modelos durante uma cerimônia realizada no Regimiento de Infantería 1 “Patricios”, em Buenos Aires.

A incorporação representa uma mudança importante na arquitetura do armamento individual argentino. Os ARAD-5 e ARAD-7 foram adquiridos de Israel por meio de um contrato Estado-Estado com o Ministério da Defesa israelense e fazem parte de um processo mais amplo de renovação dos meios empregados pelo Exército, Marinha e Força Aérea.

O programa prevê a substituição dos fuzis FAL utilizados pela infantaria do Exército Argentino, além daqueles empregados por efetivos de segurança e defesa da Força Aérea e da Armada Argentina. A renovação também alcançará os M-16 utilizados pela Infantería de Marina, ampliando a adoção da nova família de armas para diferentes componentes das Forças Armadas.

A escolha dos modelos ocorreu após uma avaliação técnico-operacional realizada em 2025 pelo Estado-Maior Conjunto, que contou com a participação de militares das três Forças. Segundo o Ministério da Defesa argentino, oito empresas da Argentina, Israel, Europa e Estados Unidos foram analisadas durante o processo de avaliação antes da definição do sistema a ser incorporado.

O processo de recebimento do primeiro lote também já foi concluído. A Dirección General de Logística do Estado-Maior Conjunto conduziu as provas de recepção e aceitação, enquanto os testes de aceitação foram realizados na Guarnición Militar de Campo de Mayo por pessoal técnico do Exército Argentino. A etapa é relevante porque antecede a entrada efetiva do novo armamento no ciclo de formação e adestramento das unidades.

Os dois modelos pertencem à mesma família, mas adotam arquiteturas distintas. O ARAD-5 utiliza a arquitetura AR-15, enquanto o ARAD-7 segue a arquitetura AR-10. Ambos são equipados com miras eletroópticas de ponto vermelho MEPRO M-5 e foram concebidos como uma nova plataforma individual, com redução de peso, maior modularidade e possibilidade de adaptação e integração de novas tecnologias.

A diferença de arquitetura permite à Argentina substituir uma família de armamentos concebida para outra geração de requisitos por uma plataforma mais modular, capaz de receber diferentes configurações e acessórios conforme a função desempenhada pelo combatente. Na prática, isso amplia a possibilidade de padronização de componentes e procedimentos dentro das Forças, ao mesmo tempo em que reduz a dependência de uma solução concebida originalmente para os padrões tecnológicos de décadas passadas.

A transição, porém, não termina com a entrega dos fuzis. O primeiro lote já está sendo utilizado como base para a formação de instrutores e técnicos armeiros, e a IWI deverá iniciar em outubro os cursos de operação e manutenção destinados ao pessoal das três Forças Armadas. A capacitação cria as condições para que o novo sistema seja absorvido não apenas pelos operadores, mas também pela estrutura responsável por sua manutenção e disponibilidade.

Após essa etapa, está prevista a recepção do segundo lote no primeiro trimestre de 2027. A sequência demonstra que a substituição será conduzida de forma progressiva, permitindo que treinamento, manutenção e adaptação das unidades acompanhem a chegada do novo armamento.

Mais do que uma simples troca de fuzis, a adoção dos ARAD-5 e ARAD-7 envolve a renovação de uma capacidade que permaneceu por décadas baseada em plataformas como o FAL e o M-16. O desafio argentino passa agora pela consolidação da nova cadeia logística, pela formação dos usuários e armeiros e pela integração dos novos sistemas à doutrina e aos diferentes ambientes operacionais das Forças Armadas.


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Argentina recebe segundo lote de F-16 e chega à metade da frota adquirida da Dinamarca

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A Força Aérea Argentina recebeu em 29 de setembro mais seis caças F-16AM/BM Fighting Falcon, elevando para 12 o número de aeronaves entregues dos 24 exemplares adquiridos da Dinamarca. O segundo lote chegou a Área Material Río IV em Córdoba, após uma traslado iniciado na Dinamarca e que incluiu escalas na Espanha e no Brasil, além de uma complexa operação de reabastecimento em voo com apoio da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF).

O novo lote é formado por quatro F-16AM monoposto e dois F-16BM biposto. As seis aeronaves partiram da Base Aérea de Skrydstrup na Dinamarca em 22 de setembro, seguindo para a Espanha antes da travessia do Atlântico. Com a chegada, a Argentina passa a contar com metade dos F-16 previstos no contrato firmado com o governo dinamarquês.

A operação de transferência exigiu uma estrutura de apoio compatível com a distância entre a Europa e a América do Sul. Durante o deslocamento, cada F-16 realizou dez reabastecimentos em voo, segundo a Força Aérea Argentina, utilizando aeronaves Boeing KC-135R Stratotanker da USAF. O apoio permitiu manter os caças em voo durante os trechos de maior alcance do traslado.

A participação americana é um dos aspectos relevantes do traslado. Além de fornecer o reabastecimento em voo (REVO), os KC-135R acompanharam a operação durante a travessia atlântica, demonstrando a capacidade de coordenação entre a Força Aérea Argentina e meios norte-americanos em uma operação de longa distância. A transferência contou ainda com meios argentinos destinados ao transporte de pessoal, equipamentos e suporte logístico.

O Brasil fez parte novamente da rota utilizada para levar os caças à Argentina. Depois da escala nas Ilhas Canárias, os seis F-16 cruzaram o Atlântico e pousaram na Base Aérea de Natal, no Rio Grande do Norte, em 28 de setembro. A instalação serviu como ponto de apoio logístico antes do trecho final até Córdoba.

No dia seguinte, os F-16 deixaram o Nordeste brasileiro para cumprir a etapa final do deslocamento. Durante o voo sobre o território nacional, os seis caças e aeronaves KC-135R foram observados sobre diferentes regiões do país, incluindo o interior de São Paulo e a área de Gavião Peixoto, onde estão instalações da Embraer. A formação prosseguiu para o sul e deixou o espaço aéreo brasileiro em direção à Argentina.

A utilização de Natal repete o padrão empregado na transferência do primeiro lote, que chegou à Argentina em dezembro de 2025 após também realizar escalas na Espanha e no Brasil. A repetição da rota transforma o território brasileiro em um ponto de apoio recorrente para a transferência dos F-16 dinamarqueses para a Argentina, dentro de uma operação que conecta bases europeias, infraestrutura brasileira e o destino final em Córdoba.

Mais importante para Buenos Aires é que a chegada do segundo lote deixa de representar apenas a incorporação inicial de uma nova aeronave e passa a formar uma frota com massa crítica maior. Com 12 exemplares do F-16 recebidos, a Argentina já dispõe de metade do pacote contratado e avança na reconstrução de sua capacidade de combate supersônico, perdida após a retirada dos Mirage em 2015.

A introdução do F-16 também envolve uma transformação mais ampla do sistema de combate argentino. A operação dos caças exige infraestrutura específica, formação de pilotos e equipes de manutenção, simuladores, armamentos, equipamentos de apoio e uma cadeia logística capaz de sustentar a frota durante seu ciclo de vida. As aeronaves permanecem inicialmente em Río Cuarto enquanto avançam as obras na VI Brigada Aérea de Tandil, que deverá receber a frota como sua base operacional permanente.

O programa tem ainda uma dimensão geopolítica. A Argentina passa a operar um caça amplamente empregado por forças aéreas ocidentais e amplia sua interação com os Estados Unidos em áreas que vão além da aquisição de equipamentos. O apoio dos KC-135R no traslado é um exemplo concreto dessa aproximação, enquanto a formação e a estruturação do sistema de armas criam novos requisitos de treinamento, logística e interoperabilidade com parceiros que já empregam o F-16.

A chegada dos seis novos caças ocorre antes do cronograma inicialmente previsto para esse segundo lote, que era esperado para dezembro. Com 12 aeronaves já entregues, Buenos Aires avalia a possibilidade de antecipar também os dois lotes restantes, embora ainda não exista um novo cronograma oficial para os 12 F-16 que faltam.

A incorporação do segundo lote marca, assim, uma mudança de escala no programa argentino. A Força Aérea deixa para trás a fase inicial de recebimento de poucas aeronaves e passa a construir uma frota de caça capaz de sustentar uma estrutura operacional própria. O deslocamento até a Argentina, por sua vez, mostrou a complexidade logística do programa e envolveu Dinamarca, Espanha, Brasil e Estados Unidos em uma mesma operação de transferência.


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ARES prepara produção simultânea do REMAN e REMAX para o Programa Forças Blindadas

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A ARES prepara sua estrutura industrial para produzir simultaneamente a Torre Manual REMAN e o sistema automatizado REMAX, dois sistemas destinados ao emprego pelo Exército Brasileiro no âmbito do Programa Estratégico Forças Blindadas. A iniciativa aproveita a experiência acumulada no desenvolvimento do REMAX e transfere parte dos processos, tecnologias e componentes já dominados pela empresa para a industrialização do REMAN.

A estratégia reduz a necessidade de estruturas produtivas distintas e cria uma base comum para os dois sistemas. Segundo a ARES, a utilização de tecnologias e componentes compartilhados permite aproveitar equipamentos, processos e conhecimento técnico desenvolvidos ao longo do programa REMAX, encurtando etapas de preparação para a fabricação do novo sistema.

“Estamos colocando em prática uma estratégia industrial que combina a experiência acumulada no desenvolvimento do REMAX com os investimentos realizados pela ARES em tecnologia, processos e infraestrutura. Estar pronto para a produção simultânea dos dois sistemas nos permite aproveitar sinergias e ampliar a eficiência da nossa operação, ao mesmo tempo em que fortalece uma capacidade produtiva desenvolvida no Brasil”, afirma Frederico Medella, diretor Comercial e de Marketing da ARES.

A preparação da estrutura fabril incluiu a incorporação de máquinas CNC, manufatura aditiva e ferramentas de transformação digital. Entre elas está o sistema SKA Syneco, que conecta planejamento, engenharia, manufatura e armazenagem, permitindo acompanhar as diferentes etapas da produção a partir de uma arquitetura integrada.

Para uma linha voltada a sistemas de defesa, a digitalização tem efeito direto sobre o controle de materiais, rastreabilidade e gestão dos processos. A integração também permite trabalhar com maior precisão sobre ordens de produção e estoques, aspecto relevante quando diferentes produtos utilizam componentes e etapas industriais comuns.

Outro eixo é a nacionalização da cadeia de fornecimento. A ARES prevê a tropicalização de materiais, o compartilhamento de componentes e a ampliação de fornecedores brasileiros capazes de atender aos dois sistemas. Além de reduzir a fragmentação da cadeia, essa abordagem pode facilitar a manutenção e o abastecimento de peças durante o ciclo de vida dos equipamentos.

“Mais do que ampliar a capacidade de produção, esses investimentos permitem integrar diferentes etapas da operação e aumentar a previsibilidade dos processos. É uma evolução importante para uma empresa que atua em sistemas estratégicos de defesa e precisa combinar qualidade, confiabilidade e capacidade de resposta às demandas das Forças Armadas”, acrescenta Medella.

A experiência adquirida com o REMAX passa, portanto, a servir como base para uma segunda linha de produto. A utilização de processos e componentes comuns pode racionalizar investimentos industriais e criar maior comunalidade entre sistemas destinados ao mesmo usuário, com reflexos também sobre manutenção, estoque de peças e suporte técnico.

Para o Exército, a existência de uma estrutura produtiva nacional capaz de atender aos dois sistemas amplia as alternativas de sustentação local. Em programas de longa duração, a capacidade de fabricar componentes, atualizar processos e manter fornecedores ativos é um elemento relevante para preservar a disponibilidade dos equipamentos depois da entrega inicial.

“Ao reunir tecnologias, processos, componentes e uma cadeia de fornecimento cada vez mais integrada, conseguimos construir uma operação mais eficiente e sustentável ao longo do ciclo de vida dos produtos. O resultado é uma capacidade industrial que beneficia não apenas a produção, mas também a previsibilidade logística e a disponibilidade dos sistemas para o usuário final”, conclui o diretor.


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