terça-feira, 21 de abril de 2026

ADEREX I/2026: Marinha do Brasil testa prontidão de combate e integração de meios no Atlântico Sul

Entre os dias 13 e 17 de abril, o litoral entre o Rio de Janeiro e Cabo Frio se transformou em um cenário de guerra simulada. Foi ali que a Marinha do Brasil conduziu a Operação “ADEREX I/2026”, uma das principais comissões de adestramento da Esquadra, reunindo cerca de 1.500 militares em exercícios voltados à prontidão operacional em ambiente de combate realista.

Sob coordenação da 1ª Divisão da Esquadra, a operação reuniu um expressivo conjunto de meios navais, aeronavais e submarinos. Entre eles, o Navio de Desembarque de Carros de Combate “Almirante Saboia”, as fragatas “Constituição”, “Independência” e “União”, a corveta “Barroso” e o Submarino “Tikuna”, compondo uma força-tarefa capaz de operar de forma integrada em múltiplos domínios. No ar, helicópteros e aeronaves de asa fixa ampliaram o alcance da operação, incluindo os vetores AH-11B “Lince”, AH-15B “Pégasus”, SH-16 “Guerreiro” e o caça AF-1C “Falcão”, além da aeronave remotamente pilotada Scan Eagle. A presença da aeronave P-3AM “Orion” da Força Aérea Brasileira, reforçou o caráter conjunto da operação, ampliando a capacidade de vigilância e guerra antissubmarino.

Ao longo da comissão, a Esquadra foi submetida a uma sequência de exercícios que simularam desde ameaças assimétricas até confrontos de maior intensidade. Entre os cenários, destacaram-se saídas de porto sob ameaça, navegação sob baixa visibilidade, trânsito com oposição de meios de superfície e submarinos, além de exercícios de tiro real e emprego de armamentos. Algumas atividades exigiram elevado grau de coordenação e precisão, como o lançamento de torpedo de exercício Mk-46, realizado pela Fragata “Independência”, e o salto livre operacional, no qual militares do Grupamento de Mergulhadores de Combate são infiltrados a partir de helicóptero diretamente no Submarino “Tikuna”. Esse tipo de operação demonstra a capacidade da Marinha de integrar forças especiais, meios submarinos e vetores aeronavais em um mesmo ambiente tático, uma habilidade crítica em cenários modernos de guerra naval.

Um dos destaques da ADEREX I/2026 foi o emprego do Sistema de Planejamento, Execução e Controle Tático em Rede Ampliada (SPECTRA), desenvolvido para aprimorar as capacidades de comando, controle e comunicações da Esquadra. O sistema permite a troca de dados em tempo real entre os navios, com compartilhamento de informações táticas, mensagens padronizadas e até comunicação por vídeo, integrando dados de GPS e AIS para ampliar a consciência situacional e reduzir o tempo de resposta em operações complexas. Na prática, trata-se de um avanço importante na digitalização do ambiente operacional naval brasileiro, aproximando a Marinha de conceitos contemporâneos de guerra centrada em rede.

Como parte da operação, a Marinha realizou o afundamento controlado do casco do ex-Submarino “Timbira”, utilizado como alvo real para exercícios de tiro. O submarino, que serviu à Força entre 1996 e 2023, proporcionou um nível elevado de realismo ao treinamento, permitindo que meios navais e aeronavais operassem em condições próximas às de um cenário real de engajamento.

Mesmo em meio ao exercício, a Marinha demonstrou sua capacidade de atuação em situações reais. No dia 16 de abril, uma aeronave SH-16 realizou a evacuação aeromédica de um tripulante do navio mercante “Wisdom”, a cerca de 280 milhas náuticas ao sul de Cabo Frio, com suspeita de acidente vascular cerebral. A operação, conduzida em coordenação com o SALVAMAR SUESTE, envolveu içamento por cabo e transporte do paciente até o Aeroporto Santos Dumont, evidenciando a prontidão da Força Naval não apenas para o combate, mas também para missões de busca e salvamento em alto-mar.

Mais do que um exercício de rotina, a ADEREX I/2026 reflete a necessidade de manter a Esquadra preparada para um ambiente marítimo em transformação. O Atlântico Sul, com suas rotas comerciais, recursos energéticos e crescente interesse estratégico, exige uma Marinha capaz de atuar com rapidez, integração e elevado nível tecnológico. Nesse contexto, a operação evidencia não apenas a prontidão dos meios, mas a evolução doutrinária da Força, que busca operar de forma cada vez mais conectada e adaptada aos desafios contemporâneos. A ADEREX, portanto, vai além do treinamento: revela como a Marinha do Brasil se posiciona diante de um cenário onde presença, dissuasão e capacidade de resposta são elementos centrais para a proteção dos interesses nacionais no mar.


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com Marinha do Brasil




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