sexta-feira, 10 de abril de 2026

Marinha do Brasil leva debate sobre reatores nucleares modulares à Câmara dos Deputados

Em meio à crescente pressão global por soluções sustentáveis e pela redução das emissões de gases de efeito estufa, a Marinha do Brasil intensifica sua atuação no debate sobre o uso de Pequenos Reatores Modulares (SMRs) no setor marítimo. O tema foi destaque em audiência pública realizada no dia 7 de abril, na Câmara dos Deputados, com participação de autoridades, especialistas e representantes da indústria nuclear.

O encontro, promovido pela Comissão de Minas e Energia, teve como foco os desafios regulatórios e tecnológicos para a implementação dessa nova geração de reatores no Brasil. A iniciativa busca adaptar o conceito dos Small Modular Reactors à realidade nacional, especialmente em aplicações estratégicas como a propulsão de navios mercantes, plataformas offshore e geração de energia em regiões remotas.

A Marinha participou por meio da Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha (DGDNTM) e da Secretaria Naval de Segurança Nuclear e Qualidade (SecNSNQ), reforçando seu papel central tanto no desenvolvimento tecnológico quanto na construção de um ambiente regulatório seguro para o emprego da energia nuclear.

Os SMRs vêm ganhando destaque internacional como alternativa energética de alta densidade e baixa emissão de carbono. Países como Estados Unidos, Canadá, China, Coreia do Sul e Rússia já avançam em projetos concretos, incluindo aplicações marítimas e em regiões isoladas, o que indica uma tendência global de expansão dessa tecnologia.

Durante a audiência, o deputado Eduardo Pazuello destacou o potencial dos SMRs para ampliar a matriz energética nacional, especialmente em áreas de difícil acesso, como a Amazônia e regiões offshore. Segundo ele, a experiência da Marinha no desenvolvimento de tecnologias nucleares é um diferencial estratégico para viabilizar esses projetos no país.

O Diretor-Geral da DGDNTM, Alexandre Rabello de Faria, ressaltou que o domínio do ciclo do combustível nuclear é elemento essencial para o sucesso de um programa nacional de reatores modulares. Segundo o almirante, um projeto estruturado envolvendo Estado, indústria e regulação pode fortalecer a soberania tecnológica e ampliar a oferta de energia firme para aplicações críticas.

Já o Secretário Naval de Segurança Nuclear e Qualidade, Petronio Augusto Siqueira de Aguiar, enfatizou a necessidade de um marco regulatório robusto. Ele destacou que o Brasil vem participando de fóruns internacionais como a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e a Organização Marítima Internacional (IMO), buscando alinhar suas normas às melhores práticas globais.

Entre as aplicações potenciais dos SMRs, destacam-se o fornecimento de energia para plataformas de petróleo, centros de dados, indústrias em áreas isoladas e comunidades sem acesso à rede elétrica convencional. No setor marítimo, a tecnologia pode representar uma ruptura ao permitir a propulsão de embarcações comerciais com emissão praticamente zero de carbono.

A participação ativa da Marinha do Brasil nesse debate reforça o posicionamento da instituição como agente estratégico no avanço tecnológico nuclear e na construção de um ambiente regulatório seguro. Em um cenário de transição energética, o domínio dessa tecnologia pode representar não apenas ganhos ambientais, mas também um salto em soberania, inovação e competitividade para o país.


GBN Defense - A informação começa aqui

com Marinha do Brasil


Share this article :

0 comentários:

Postar um comentário

 

GBN Defense - A informação começa aqui Copyright © 2012 Template Designed by BTDesigner · Powered by Blogger