Brasil e Türkiye iniciaram um novo ciclo de expansão na cooperação bilateral em defesa, com destaque para negociações que envolvem produção conjunta, transferência de tecnologia e possíveis vendas de sistemas militares entre empresas dos dois países. A informação foi reforçada pelo vice-ministro das Relações Exteriores da Türkiye, Mehmet Kemal Bozay, que destacou o avanço das conversas entre indústrias de defesa turcas e brasileiras.
Segundo Bozay, a expectativa é que a parceria evolua para programas industriais compartilhados, abrangendo tanto a produção quanto a comercialização de equipamentos de defesa, consolidando uma aproximação estratégica já em curso nos últimos anos.
Um dos principais vetores dessa cooperação envolve a indústria aeronáutica. A TAI assinou memorandos de entendimento com a Embraer e a Akaer Engenharia para a criação de uma possível joint venture voltada à produção e ao desenvolvimento de aeronaves. O movimento dá continuidade a entendimentos anteriores firmados durante a LAAD 2025, quando TAI e Embraer estabeleceram bases para cooperação estratégica envolvendo a família E-Jet E2. Paralelamente, a Embraer também demonstrou interesse em ampliar sua presença no mercado turco com o C-390 Millennium, visando atender demandas de transporte militar de alta velocidade e capacidade multimissão.
No segmento de sistemas não tripulados, as possibilidades de cooperação incluem plataformas já consolidadas da indústria turca, como os UCAVs AKSUNGUR e ANKA, ambos desenvolvidos pela TAI e já empregados por forças armadas e operadores internacionais. Esses sistemas são vistos como potenciais candidatos para produção ou integração industrial em futuras parcerias com o Brasil, ampliando a capacidade de vigilância e ataque de precisão em ambientes operacionais complexos.
A expansão da cooperação também envolve outras empresas do setor de defesa da Türkiye. A Baykar e a ROKETSAN mantêm negociações para possíveis exportações de seus sistemas, em um cenário no qual o Brasil conduz processos de avaliação para aquisição de drones armados, com o Bayraktar TB2 entre os principais candidatos.
A base dessa aproximação industrial já vinha sendo construída por meio de contratos anteriores, como a exportação do motor turbojato KTJ-3200 da Kale Jet Engines para o míssil antinavio MANSUP-ER, desenvolvido no Brasil como evolução do sistema MANSUP. No setor de armamentos leves, a CANiK também já forneceu a metralhadora pesada M2 QCB, empregada em veículos blindados brasileiros.
No campo dos veículos terrestres, a Otokar participa de licitações no Brasil com o blindado sobre lagartas TULPAR, enquanto a FNSS também disputa programas com o KAPLAN MT, ambos voltados à modernização da frota blindada brasileira.
O conjunto dessas iniciativas indica um aprofundamento consistente da cooperação industrial entre Brasil e Türkiye, com potencial de consolidar uma parceria de longo prazo baseada em coprodução, interoperabilidade e expansão conjunta de mercados no setor de defesa.
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