segunda-feira, 8 de abril de 2019

Novas asas para os P-3AM da FAB? O GBN News foi conferir na fonte


Uma das perguntas que tem sido feitas repetidamente em nossas redes sociais, diz respeito a revitalização das asas de nossas aeronaves de patrulha P-3AM, um problema que a Força Aérea Brasileira enfrenta desde que o problema estrutural foi identificado nas aeronaves adquiridas na metade da primeira década do século XXI. Tal problema até então não teve solução, apesar da proposta realizada pela Lockheed Martin no inicio do programa P-3BR para dotar tais células com novos conjuntos de asas, algo que não prosperou devido ao orçamento limitado para o programa. 

Oriundos dos estoques da US Navy, foram adquiridas 12 células, as quais foram ofertadas ao Brasil. Inicialmente foram selecionadas as melhores células estocadas no deserto, mas segundo apuramos, devido a demora em se concretizar o negócio com a liberação da verba para aquisição, então tais células foram destinadas a outros clientes, quando finalmente foi liberado os recursos, tivemos que nos contentar com as células que haviam restado disponíveis nos estoques americanos, estas estavam relativamente em bom estado, porém, posteriormente foram identificados problemas estruturais com os conjuntos de asas. 

Após a aquisição das 12 células, das quais apenas 8 se tornariam operativas, com 3 delas sendo destinadas a canibalização e uma mantida para treinamento, foi realizado o processo no qual conforme citamos acima, a proposta norte americana de troca das asas foi descartadas, tendo sido vencedora a proposta do grupo EADS-CASA, hoje Airbus, que devido ao limitado orçamento destinado ao programa de modernização, resultou apenas em um paliativo aos problemas estruturais identificados, o que hoje leva a Força Aérea Brasileira à necessidade de realizar um programa mais complexo de extensão do ciclo operacional de tais aeronaves. Neste momento que entra em campo a brasileira AKAER, empresa com expertise no campo de engenharia de estruturas aeronáuticas que vem ao longo de sua existência acumulando diversos cases de sucesso neste campo, sendo uma das parceiras da SAAB no programa Gripen NG, inclusive sendo responsável pelo projeto de seções de grande complexidade desta moderna aeronave, qualificada como Empresa Estratégica de Defesa pelo governo brasileiro.

O projeto de revitalização das aeronaves P-3AM teve ponto inicial no ano de 2018, quando a Akaer descobriu que a L3 Communications Integrated Systems estava descontinuando sua linha de suporte as aeronaves P-3 pertencentes a US Navy, o que resultou na oportunidade de obtenção de todo ferramental e documentação técnica referente ao suporte dos P-3 Orion, incluindo todo documental e ferramental para construção de novas asas.

Tendo em vista essa oportunidade, a FAB destinou recursos para implementação no Brasil de uma linha destinada a produção dos kits de asas para os P-3AM operados no Brasil, o que resultará em uma solução viável e a capacitação nacional de nossa industria para prover a solução necessária para manter nossos P-3AM voando por muitos anos.

Tendo tudo isso em mente, aproveitamos a oportunidade proporcionada pela LAAD 2019 e obter mais informações a respeito deste projeto diretamente da Akaer. Então, nosso editor Angelo Nicolaci partiu em busca desta importante informação. No stand montado pela Akaer na LAAD 2019, conversamos com Fernando C. Ferraz, Vice-Presidente de Operações da industria brasileira, que nos recebeu e esclareceu um pouco sobre o programa de revitalização pelo qual irá passar nossos P-3AM.

A Akaer adquiriu três kits prontos de asas para o P-3, os quais estavam estocados nos EUA com a descontinuidade do suporte aos P-3 por lá, além dessa aquisição, a Akaer esta recebendo todo ferramental e documentação gerada ao longo de décadas de serviços realizados pela L3 nos P-3 da US Navy, sendo no momento o maior desafio a consolidação de toda essa documentação em um único conjunto de documentos, pois como nos explicado, tais serviços estruturais eram realizados através de ordens de serviço específicos, tratados como manutenção, mas a junção e consolidação de todo esse acervo documental resultará na documentação necessária para produção integral de novas asas para os P-3.

A FAB objetivava inicialmente estender o ciclo operacional dos P-3AM até 2028, porém, com a solução de novas asas para estas aeronaves, esta vida pode ser estendida muito além de 2028, o que dará uma grande capacidade à FAB para manter sua frota em operação. 

Durante dois anos a Akaer buscou no mercado parceiros para desenvolver uma solução para os P-3, mas apenas agora, após conseguir a solução junto a L3, surgiram duas empresas durante a LAAD 2019 oferecendo soluções para o P-3. 

A L3 iniciou o serviço nas asas dos P-3 como solução pontual, realizando o serviço inicialmente em duas aeronaves, mas daí surgiu a demanda de se realizar o serviço de manutenção estrutural em outras aeronaves, e esses serviços eram realizados em componentes específicos, o que gerou uma documentação fragmentada, onde no final foram realizadas a recuperação das asas de 35 aeronaves para os EUA, se a L3 soubesse que os americanos chegariam a esse número, teria sido mais barato realizar a construção de uma asa nova ao invés de apenas executar serviços em pontos específicos de cada aeronave. Mas com tudo isso, eles obtiveram um grande conhecimento estrutural da aeronave, o qual resultou na construção de kits de asas completos para o P-3, além de um vasto acervo de documentos técnicos relativos a manutenção e construção dos componentes das asas, e todo esse acervo e conhecimento técnico esta sendo adquirido pela Akaer e servirá de base para o desenvolvimento no Brasil da produção destas asas.

A Akaer vai montar os kits da semi asa externa em suas instalações, já o kit do caixão central e sua manutenção será montado no Parque de Material a ser designado pela FAB, provavelmente seja na Base Aérea do Galeão no Rio de Janeiro, devido principalmente a necessidade de se possuir pista. 

O ponta pé inicial neste projeto foi dado no final de 2018, quando equipes da Akaer participaram de treinamentos nos EUA para se obter a capacitação técnica necessária para execução dos serviços previstos. Os primeiros conjuntos de asas que serão revitalizadas no Brasil pela Akaer, vão ser levados ás modernas instalações da Akaer, localizada no complexo industrial em São José dos Campos. Já todo processo de desmontagem e montagem dos conjuntos, como já dito, serão realizadas no Parque de Material da Base Aérea no Rio de Janeiro.

A revitalização que irá garantir aos P-3AM uma grande extensão de seu ciclo de vida útil, terá como principal foco a substituição de diversos elementos da asa, como os revestimentos superiores, longarinas dianteiras e traseiras, painéis superiores dos caixões centrais asa/fuselagem e entre outras ações. Esse projeto irá solucionar os problemas gerados pela fadiga estrutural das asas, o que limitaria a vida operacional dessas aeronaves.

As aeronaves P-3AM de patrulha marítima são hoje o principal meio empregado na vigilância das águas territoriais brasileiras e contam com uma moderna suíte eletrônica, contando com modernos sistemas e sensores embarcados, os quais garantem a efetiva capacidade da aeronave cumprir com suas missões, sendo a aeronave capaz de detectar, localizar, identificar e, quando necessário, atacar alvos de superfície e submarinos, sendo o único vetor aéreo capaz de desempenhar as atividades de busca e salvamento em toda área marítima sob a responsabilidade do Brasil. Tirando os problemas estruturais que são alvo das soluções em desenvolvimento pela Akaer, o P-3AM tende a se manter como um importante meio a ser empregado pelas próximas décadas na função de Patrulha Marítima de longo alcance no Brasil.

A Akaer tem um planejamento estratégico que visa implementar um centro de treinamento, centro de serviços e possui aporte da FINEP para o desenvolvimento de seus projetos, sendo um dos cases nacionais de sucesso no campo da engenharia, principalmente no que diz respeito aos projetos estratégicos em desenvolvimento no Brasil, tendo iniciado sua participação no programa Gripen NG antes mesmos da definição deste como a opção brasileira no programa FX-2, indo além dos off-sets previstos pelo programa brasileiro. Realmente é um grande orgulho ver a capacidade de engenharia brasileira ganhando reconhecimento no mercado internacional, principalmente se levarmos em consideração os desafios que a mesmas enfrentam com a falta de uma política de incentivo voltada a pesquisa e desenvolvimento tecnológico no campo de defesa, sem contar os inúmeros cortes orçamentários que enfrentam nossas forças armadas, e isso impacta diretamente nas empresas nacionais que desenvolvem projetos destinados ao mercado de defesa.

“As Forças Armadas precisam cumprir suas missões e para isso necessitam de equipamentos operacionais. Num cenário de restrição orçamentária, a solução de melhor custo benefício é a Modernização & Revitalização que estende a vida útil e aumenta a disponibilidade dos equipamentos que as Forças Armadas já possuem. A Akaer traz também uma abordagem diferente da normalmente trazida pelas OEM’s e/ou fornecedores de equipamentos isolados. No caso da Akaer, as soluções adotadas são focadas nas análises de engenharia que, em um primeiro momento, permitam a revitalização e/ou extensão da vida operacional das soluções existentes, com um mínimo de intervenção”, segundo destaca o presidente e CEO da Akaer, Cesar Augusto Teixeira Andrade e Silva.

A equipe do GBN News agradece aos esclarecimentos e informações concedidas pela Akaer, deixando aqui nossas congratulações pelas conquistas que a empresa vem colecionando ao longo de sua existência, e ficamos no aguardo do convite para conhecer as instalações da empresa voltadas a esse novo desafio que é a produção das novas asas do P-3AM da Força Aérea Brasileira. 

Em breve pretendemos realizar uma visita ao Esquadrão Orungam e conhecer um pouco mais das particularidades envolvidas nas operações de Patrulha Marítima desenvolvidas por aquela OM, trazendo aos nossos leitores um pouco mais de conhecimento e da doutrina desse importante esquadrão de nossa Força Aérea Brasileira.

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