quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Operação Coxilha 2026: Exército Brasileiro testa novos sensores para acelerar a aquisição de alvos

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A Artilharia Divisionária da 3ª Divisão de Exército (AD/3) aproveitou a "Operação Coxilha 2026" para colocar em campo uma combinação que aponta para a evolução do apoio de fogo do Exército Brasileiro. Entre 2 e 7 de agosto, no Campo de Instrução Barão de São Borja (CIBSB) em Rosário do Sul (RS), as tropas realizaram tiro real, e ao mesmo tempo, experimentaram novas formas de obter informações sobre o campo de batalha.

A atividade reuniu unidades de artilharia das brigadas da 3ª Divisão de Exército, grupos diretamente subordinados à AD/3, além do 9º Batalhão Logístico e do 1º Batalhão de Comunicações. No terreno, o treinamento percorreu todo o processo de emprego dos fogos, passando pelo planejamento, ocupação das posições, observação, localização de alvos, coordenação e execução do tiro.

A diferença esteve na quantidade de informações colocadas à disposição desse processo. Durante o exercício, foram utilizados dados de satélite para obtenção de informações meteorológicas de interesse da artilharia. São dados que ajudam a compor o quadro necessário para o planejamento das missões, especialmente porque as condições atmosféricas interferem diretamente no comportamento dos disparos.

Os Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas (SARP) acrescentaram outra camada de informação. Empregados na busca e análise de alvos, esses sistemas permitem ampliar a observação sobre o terreno e levar informações diretamente para o processo de aquisição de objetivos.

A  Operação Coxilha 2026 também colocou em teste uma capacidade diferente: a localização de alvos utilizando a detecção do som. O emprego de um equipamento com essa finalidade cria uma alternativa para determinar a posição de um objetivo a partir de sua assinatura acústica, complementando outros métodos de aquisição.

É nessa combinação que está um dos aspectos mais relevantes do exercício. A artilharia passa a trabalhar não apenas com aquilo que seus observadores conseguem enxergar, mas com informações provenientes de diferentes sensores e fontes. O objetivo é construir uma imagem mais precisa do terreno antes que uma missão de fogo seja executada.

Essa lógica também muda a importância do tempo. Quanto mais rapidamente uma informação de qualidade chega à Central de Tiro, menor tende a ser o intervalo entre a identificação de um alvo e a tomada de decisão. No ambiente de combate onde as posições podem mudar rapidamente, esse ciclo passa a ter peso direto na efetividade do apoio de fogo.

Na Operação Coxilha 2026, as novas ferramentas foram colocadas em contato com os elementos tradicionais da artilharia. Comunicações, Topografia, Central de Tiro e Linha de Fogo continuaram responsáveis pela estrutura do emprego dos fogos, enquanto os novos sensores passaram a fornecer informações adicionais para esse sistema.

O exercício também teve uma dimensão de experimentação doutrinária. Mais do que verificar se determinado equipamento funciona, a atividade permite avaliar como ele pode ser empregado dentro da rotina operacional e de que maneira seus dados podem ser integrados às demais informações disponíveis.

Realizado com tiro real, o treinamento ofereceu justamente esse ambiente de avaliação. A tecnologia saiu do campo conceitual e foi inserida em atividade de campo, permitindo observar como diferentes fontes de informação podem contribuir para tornar a aquisição de alvos mais eficiente e o emprego da artilharia mais responsivo.

A Operação Coxilha 2026 mostra, assim, uma artilharia que começa a ampliar seu foco. O poder de fogo continua sendo essencial, mas a capacidade de encontrar, identificar e localizar um alvo com rapidez ganha cada vez mais importância no resultado final da missão.


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CREDN cobra do Ministério da Defesa informações sobre aquisição da Avibras

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A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (12) um requerimento de informações ao Ministério da Defesa sobre o processo de aquisição da Avibras Indústria Aeroespacial por grupos privados. A iniciativa partiu do presidente do colegiado, deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança, que busca esclarecimentos sobre a atual configuração da empresa e os desdobramentos da operação.

O pedido coloca novamente a Avibras no centro de uma discussão que envolve não apenas sua estrutura empresarial, mas também a condição de Empresa Estratégica de Defesa e as capacidades tecnológicas associadas à companhia.

Segundo a justificativa apresentada pelo deputado, o Ministério da Defesa não teria respondido de forma satisfatória a questionamentos anteriores da comissão sobre a situação das Empresas Estratégicas de Defesa e os possíveis riscos relacionados à venda ou ao aporte de recursos por grupos estrangeiros.

A preocupação ganhou força diante das informações divulgadas sobre a aquisição da Avibras por uma holding cuja acionista majoritária seria a Martinelli Gestora de Ativos e Participações. Segundo os dados citados no requerimento, a empresa foi constituída em 5 de maio de 2026, possui capital social de R$ 100 mil e está registrada em São José dos Campos (SP).

Outro ponto destacado pela CREDN é a estrutura criada em torno da operação industrial da Avibras. Conforme as informações apresentadas no requerimento, a aquisição atribuída à Martinelli não abrangeria a operação responsável pela fabricação de mísseis e foguetes, que teria sido transferida para a Avibras Aeroco, criada em outubro de 2025 sob controle da Nova AVB.

O documento também menciona um aporte de aproximadamente R$ 300 milhões do Grupo J&F destinado à Avibras Aeroco. De acordo com o deputado, os recursos teriam como objetivo proporcionar liquidez à empresa, quitar passivos trabalhistas e permitir a evolução das atividades operacionais.

Para Luiz Philippe, a entrada de capital privado pode ser necessária para viabilizar investimentos na Base Industrial de Defesa, diante do volume de recursos exigido por empresas e programas de elevada complexidade tecnológica. O parlamentar, porém, defende que esse processo seja acompanhado pelo Estado e não comprometa capacidades consideradas estratégicas.

A aprovação do requerimento não representa uma conclusão da comissão sobre a operação. O objetivo é obter informações oficiais do Ministério da Defesa sobre a estrutura e o processo envolvendo a Avibras, permitindo que os parlamentares avaliem a situação a partir das informações prestadas pelo governo.

Agora, o Ministério da Defesa deverá responder aos questionamentos apresentados pela CREDN. A resposta deverá esclarecer a avaliação do governo sobre a reorganização societária, a situação das Empresas Estratégicas de Defesa e os possíveis impactos da operação sobre as capacidades estratégicas associadas à Avibras.


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Modirum Gespi apresentou soluções na COP International 2026

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A COP International 2026, encerrada nesta quinta-feira (13), no Expo Center São Paulo, permitiu acompanhar de perto diferentes soluções apresentadas pela Modirum Gespi para os setores de Defesa e Segurança. No estande da empresa, o segmento naval ganhou espaço, especialmente por reunir plataformas que já estão em operação com instituições brasileiras.

Um dos destaques foi a réplica em escala reduzida da Embarcação de Desembarque Litorâneo (EDLit), desenvolvida pela Modirum Gespi em parceria com o Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). Mais do que uma maquete exposta em uma feira, a plataforma representa um projeto que já chegou ao emprego operacional e vem sendo utilizado pelos Fuzileiros.

O GBN Defense teve contato direto com essa capacidade durante a Operação Furnas 2026. Na ocasião, o jornalista Angelo Nicolaci teve a oportunidade de embarcar na EDLit e participar dos exercícios desenvolvidos na Represa de Furnas, acompanhando sua atuação junto aos Fuzileiros Navais dentro de um cenário de adestramento operacional.

A experiência em Furnas permite compreender melhor a plataforma para além de sua configuração técnica. Em operação, a EDLit mostrou sua inserção na dinâmica de um exercício que reuniu diferentes meios e capacidades, permitindo observar como a embarcação se comporta quando submetida às condições reais de uma atividade de adestramento.

Outro ponto que chamou atenção durante a visita ao estande foi a presença de uma embarcação da família Aruanã empregada pela Polícia Militar Ambiental, solução que também deve dotar a Policia Federal. Trata-se da Aruanã 29FT–TT, plataforma configurada para atender aos requisitos operacionais do órgão e que representa outra aplicação das soluções navais desenvolvidas pela empresa.

A comparação entre as duas plataformas é particularmente interessante. A EDLit surgiu de uma demanda específica do CFN e foi desenvolvida em conjunto com seu usuário militar. A Aruanã 29FT–TT, por outro lado, atende às necessidades da Polícia Militar Ambiental. São conceitos e missões diferentes, mas ambos mostram plataformas desenvolvidas pela indústria nacional que chegaram efetivamente aos seus operadores.

A presença da Modirum Gespi no setor naval vai além desses dois projetos. A empresa possui centenas de embarcações em operação em diferentes regiões do Brasil, empregadas em missões de patrulhamento, fiscalização, proteção de fronteiras, operações especiais, busca e salvamento e resposta a emergências.

O portfólio apresentado na COP também inclui sistemas aéreos, tecnologias de vigilância e monitoramento, soluções de Comando e Controle e recursos voltados à consciência situacional. A combinação dessas capacidades acompanha uma evolução do ambiente operacional, no qual plataformas, sensores e sistemas de informação precisam atuar de maneira cada vez mais integrada.

A visita ao estande mostrou, portanto, mais do que uma coleção de produtos. A EDLit representa uma capacidade que o GBN Defense já teve a oportunidade de observar em operação durante Furnas 2026, enquanto a Aruanã 29FT–TT demonstra a aplicação de outra plataforma junto à Polícia.

Em comum, as duas soluções mostram um aspecto relevante da indústria brasileira de Defesa e Segurança: projetos desenvolvidos a partir de necessidades concretas dos usuários, transformados em plataformas operacionais e submetidos à experiência de campo, onde novos requisitos e aprendizados passam a alimentar a evolução dessas capacidades.


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Radar SABER M200 VIGILANTE avança em testes e detecta drones de baixa assinatura a até 8 km

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Sistema desenvolvido pelo CTEx em parceria com a Embraer participou do Exercício Sagitta Primus 2026 e validou novo modo de operação voltado à detecção de ameaças aéreas de baixa seção reta radar

O SABER M200 VIGILANTE, radar desenvolvido pelo Centro Tecnológico do Exército (CTEx) em parceria com a Embraer, alcançou um novo marco em seu processo de desenvolvimento durante o Exercício Sagitta Primus 2026, realizado entre 27 de julho e 5 de agosto, em Formosa (GO).

Integrado às atividades do 12º Grupo de Artilharia Antiaérea (12º GAAAe), o sistema foi empregado em experimentos de engenharia conduzidos pelo CTEx em conjunto com a Embraer, permitindo avaliar e aprimorar capacidades diretamente relacionadas ao cenário atual de ameaças aéreas.

Um dos principais resultados obtidos durante o exercício foi a detecção de drones de baixa seção reta radar, classificados na categoria 0, a distâncias de até 8 quilômetros.

O desempenho representa um avanço importante para o projeto, especialmente diante da crescente utilização de sistemas aéreos não tripulados de pequeno porte, que apresentam características que dificultam sua identificação pelos meios convencionais de vigilância.

Novo modo de operação

Os experimentos realizados no Sagitta Primus 2026 também permitiram validar um novo modo de operação do SABER M200 VIGILANTE, desenvolvido especificamente para ampliar a capacidade de detecção de alvos com baixa seção reta radar.

A evolução busca responder a uma mudança significativa no ambiente operacional. Drones menores, com reduzida assinatura e diferentes perfis de emprego, passaram a fazer parte do conjunto de ameaças que precisam ser consideradas pelas estruturas de defesa antiaérea.

Nesse contexto, a capacidade de detectar esses alvos em distância suficiente para permitir sua identificação e posterior atuação dos sistemas de defesa torna-se um elemento importante para a construção de uma arquitetura de proteção mais eficiente.

A participação do SABER M200 VIGILANTE em um exercício operacional, integrado a uma unidade de artilharia antiaérea do Exército Brasileiro, também proporciona um ambiente relevante para avaliar o comportamento do sistema diante de situações próximas às demandas de emprego.

Próxima etapa de avaliação

O projeto encontra-se atualmente em fase final de avaliação junto ao Centro de Avaliações do Exército (CAEx), com conclusão prevista para 2026.

O resultado obtido durante o Sagitta Primus acrescenta, portanto, uma informação importante ao processo de maturação tecnológica do radar. A validação do novo modo de operação demonstra a capacidade do projeto de incorporar aprimoramentos a partir das demandas identificadas no ambiente operacional.

O SABER M200 VIGILANTE integra os esforços do Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação do Exército Brasileiro para desenvolver soluções nacionais destinadas a ampliar a autonomia tecnológica do país.

A participação no Sagitta Primus 2026 mostra justamente essa conexão entre desenvolvimento tecnológico, avaliação e emprego operacional. Para um radar destinado a integrar a defesa antiaérea brasileira, a capacidade de acompanhar a evolução das ameaças e aprimorar sua performance contra alvos de baixa assinatura será cada vez mais importante.

O avanço obtido em Formosa não representa apenas mais uma etapa de testes. A detecção de drones de categoria 0 a até 8 quilômetros demonstra a evolução de uma capacidade brasileira voltada a um dos desafios mais presentes no atual ambiente de guerra: encontrar e acompanhar ameaças aéreas pequenas antes que elas possam comprometer as forças protegidas.

Com a avaliação final prevista ainda para 2026, o próximo passo será consolidar os resultados obtidos durante os experimentos e concluir o processo de avaliação do sistema, aproximando o SABER M200 VIGILANTE de sua maturidade como uma capacidade nacional de vigilância e apoio à defesa antiaérea.


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TEKEVER e Força Aérea Portuguesa firmam contrato para operar AR5 na vigilância marítima

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Acordo anunciado em 11 de agosto prevê a entrega dos sistemas em setembro e amplia a capacidade portuguesa de monitoramento de sua Zona Econômica Exclusiva

A TEKEVER e a Força Aérea Portuguesa (FAP) formalizaram, em 11 de agosto de 2026, um contrato para o fornecimento do sistema aéreo não tripulado AR5, consolidando uma nova capacidade portuguesa para missões de vigilância marítima, segurança e defesa.

A entrega dos sistemas está prevista para setembro, quando a FAP deverá alcançar a capacidade operacional inicial. O contrato inclui, além das aeronaves, a estação de controle terrestre, o sistema de missão ATLAS e a formação dos operadores, permitindo que a própria Força Aérea assuma a operação do sistema.

O foco principal está na vigilância da Zona Econômica Exclusiva (ZEE) portuguesa, mas o AR5 também poderá apoiar outras missões de interesse público, incluindo segurança costeira, proteção ambiental e combate a incêndios rurais.

A escolha do AR5 coloca em serviço uma plataforma desenvolvida pela própria indústria portuguesa. Segundo a TEKEVER, o sistema possui até 20 horas de autonomia e capacidade para transportar até 50 kg de carga útil, características que permitem sua utilização em missões de longa duração e cobertura de grandes áreas.

Mais do que a aquisição de uma aeronave não tripulada, o acordo representa a incorporação de uma importante capacidade. Com treinamento, estação de controle e sistema de missão integrados ao pacote, a FAP passa a estruturar uma operação própria, reduzindo a distância entre a tecnologia desenvolvida pela indústria e seu emprego efetivo pelas Forças Armadas.

Uma capacidade construída pela indústria portuguesa

A TEKEVER já acumula experiência operacional com seus sistemas não tripulados em diferentes missões de vigilância. Essa trajetória foi importante para transformar o desenvolvimento tecnológico em solução com aplicação prática nos ambientes marítimos e terrestres.

O contrato com a FAP representa agora um passo diferente. A tecnologia que já vinha sendo empregada em operações passa a integrar diretamente a estrutura de uma força militar portuguesa.

Essa evolução é particularmente relevante para Portugal, que precisa manter vigilância permanente sobre uma extensa área marítima. O emprego de uma plataforma de longa autonomia permite complementar os meios tripulados e ampliar a persistência da vigilância sem exigir que aeronaves convencionais permaneçam continuamente em voo.

O valor está justamente na capacidade de permanecer sobre a área de interesse, coletar informações e transmiti-las aos operadores, contribuindo para uma visão mais ampla do que acontece no espaço marítimo português.

A experiência portuguesa interessa ao Brasil

O movimento também merece atenção no Brasil, como a escala da Amazônia Azul é muito superior à área marítima portuguesa e envolve interesses econômicos, ambientais e estratégicos que exigem acompanhamento permanente. Nesse cenário, sistemas não tripulados de longa autonomia podem desempenhar papel importante dentro de uma arquitetura maior, integrada a aeronaves tripuladas, navios, satélites, radares e outros sensores.

A experiência portuguesa mostra que o desafio não está apenas em adquirir drones, mas em transformar essas plataformas em capacidade operacional permanente, com pessoal treinado, infraestrutura própria e integração aos sistemas de comando e controle. Portugal está fazendo isso com uma solução desenvolvida por sua própria indústria.

Para o Brasil, que também possui empresas desenvolvendo sistemas aéreos não tripulados de diferentes categorias, como o Harpia da ADTECH-SD, o modelo merece ser observado. A questão estratégica não é apenas ter uma aeronave capaz de permanecer muitas horas no ar, mas construir uma cadeia nacional capaz de desenvolver, operar, manter e evoluir essa tecnologia de acordo com as necessidades das Forças Armadas.

O contrato anunciado em 11 de agosto coloca a TEKEVER e a FAP justamente nessa etapa: a indústria fornece a tecnologia e o conhecimento, enquanto a Força Aérea incorpora a capacidade e passa a empregá-la diretamente. É essa transição entre produto e capacidade operacional que torna o acordo português particularmente relevante, e que oferece ao Brasil uma experiência concreta a ser acompanhada.


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Mac Jee e FAB formalizam parceria para desenvolver drones kamikaze no Brasil

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Protocolo publicado no DOU estabelece cooperação de 36 meses para estudos e desenvolvimento de Sistemas Aéreos Autônomos de Ataque Único destinados a missões de interdição

A indústria brasileira de Defesa deu mais um passo no desenvolvimento de uma capacidade que ganhou relevância nos conflitos contemporâneos. A Mac Jee Indústria de Defesa, juntamente com sua subsidiária Equipaer Indústria Aeronáutica, firmou com o Comando da Aeronáutica (COMAER) um protocolo de intenções voltado aos estudos e ao desenvolvimento de capacidades relacionadas aos Sistemas Aéreos Autônomos de Ataque Único, categoria que inclui os chamados "drones kamikaze".

O documento foi assinado em 3 de agosto e publicado no Diário Oficial da União (DOU) em 11 de agosto, com vigência prevista de 36 meses, podendo ser prorrogado. O objetivo é estimular e coordenar os esforços necessários aos estudos para o desenvolvimento dessa capacidade, tendo como finalidade o cumprimento de missões de interdição.

A assinatura foi realizada pelo Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno, e por Alessandra Batista Stefani, diretora executiva da Mac Jee e sócia-administradora da Equipaer.

Mais do que representar uma aquisição, o protocolo estabelece uma estrutura de cooperação entre a indústria e a Aeronáutica para avançar no desenvolvimento de uma capacidade específica. Essa distinção é importante, pois o documento não estabelece a contratação ou incorporação imediata de um sistema pela Força Aérea Brasileira.

O acordo também prevê a possibilidade de cooperação institucional entre as empresas e o COMAER na comunicação pública das iniciativas relacionadas ao desenvolvimento de produtos estratégicos de Defesa, além do planejamento de futuras ações de cooperação técnica, industrial e institucional alinhadas aos interesses estratégicos da Aeronáutica.

Uma capacidade que ganha espaço

Os Sistemas Aéreos Autônomos de Ataque Único passaram a ocupar uma posição cada vez mais relevante no ambiente militar. A evolução dos conflitos recentes mostrou como plataformas não tripuladas podem ser empregadas não apenas em missões de reconhecimento e vigilância, mas também para atacar alvos e realizar missões de interdição.

Para a indústria de Defesa, entretanto, desenvolver esse tipo de sistema envolve muito mais do que construir uma aeronave. Navegação, controle, comunicações, autonomia, sensores, sistemas de missão e integração dos diferentes subsistemas fazem parte de uma cadeia tecnológica que precisa ser dominada para que uma solução alcance maturidade operacional. É nesse contexto que o protocolo firmado entre a Mac Jee, a Equipaer e o COMAER ganha relevância.

A iniciativa aproxima uma empresa brasileira que já possui projetos nessa área das necessidades estratégicas da Aeronáutica, criando um ambiente institucional para o desenvolvimento e amadurecimento de novas capacidades. E o momento também permite uma leitura mais ampla sobre o movimento da companhia.

Em julho, o GBN Defense esteve nas instalações da Mac Jee, conhecendo de perto a estrutura da empresa e suas capacidades voltadas aos setores de Defesa e Aeroespacial. A visita permitiu observar uma indústria que vem ampliando seu domínio tecnológico e trabalhando em diferentes frentes, incluindo sistemas não tripulados e outras soluções de interesse estratégico.

Pouco menos de um mês depois, a assinatura do protocolo com o COMAER formalizou uma nova etapa dessa aproximação entre a empresa e a Aeronáutica.

O Anshar como referência da Mac Jee

A Mac Jee já possui uma solução diretamente relacionada ao conceito contemplado pelo protocolo. O Anshar, apresentado pela empresa em eventos internacionais, como a LAAD, foi desenvolvido como um sistema de ataque de emprego único e se tornou uma das principais referências públicas da indústria brasileira nesse segmento.

O sistema chamou atenção justamente por representar uma tentativa da indústria nacional de desenvolver uma solução própria dentro de uma categoria que vem ganhando espaço nas forças armadas de diferentes países.

Mas existe uma diferença importante entre o Anshar e o protocolo agora publicado. O documento do DOU não cita nominalmente o Anshar. O objeto da cooperação é mais amplo e está relacionado ao desenvolvimento de capacidades de Sistemas Aéreos Autônomos de Ataque Único para missões de interdição.

Portanto, não há, neste momento, uma contratação ou seleção formal do Anshar pela FAB estabelecida pelo protocolo.

A distinção é importante para evitar uma interpretação equivocada sobre o estágio da iniciativa. O que a Aeronáutica formalizou é uma cooperação destinada ao desenvolvimento de uma capacidade, deixando eventuais decisões futuras sobre sistemas específicos para outras etapas.

Indústria e Força Aérea mais próximas

O protocolo também reforça uma tendência importante para a Base Industrial de Defesa: a aproximação entre as empresas nacionais e as Forças Armadas durante as fases de desenvolvimento tecnológico.

Essa relação permite que a indústria tenha maior compreensão das necessidades operacionais e, ao mesmo tempo, possibilita que as Forças acompanhem a evolução de tecnologias que poderão futuramente atender a requisitos militares.

No caso da Mac Jee e da Equipaer, a experiência acumulada em projetos aeroespaciais e de Defesa cria uma base para que novos desenvolvimentos sejam conduzidos dentro do ecossistema industrial brasileiro.

A própria cooperação estabelecida pelo protocolo contempla iniciativas relacionadas a Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas (SARP) e prevê a possibilidade de desenvolvimento de novos projetos.

Isso amplia a importância do acordo. Não estamos diante apenas de uma iniciativa associada a um determinado drone, mas de uma agenda de desenvolvimento que pode envolver diferentes soluções e tecnologias ao longo de sua vigência.

Os próximos 36 meses serão decisivos

O prazo de 36 meses estabelecido no protocolo cria uma janela relevante para que os estudos e projetos avancem. Nesse período, será possível acompanhar a evolução das tecnologias, o amadurecimento das soluções e a eventual realização de etapas posteriores de desenvolvimento, testes e avaliação.

Ainda existe um caminho entre a formalização de uma cooperação e a transformação de uma tecnologia em capacidade operacional. Por isso, qualquer eventual aquisição ou incorporação de um sistema pela FAB dependerá de decisões e processos que não estão definidos no protocolo publicado agora.

O que já está estabelecido, porém, é a disposição do COMAER de trabalhar em conjunto com a Mac Jee e a Equipaer no desenvolvimento dessa categoria de capacidade.

Para o Brasil, o movimento tem importância que vai além de um novo tipo de drone. O domínio de tecnologias associadas à autonomia, navegação, controle, comunicações e sistemas de ataque contribui para ampliar a autonomia tecnológica da Base Industrial de Defesa e reduzir dependências externas em um segmento que tende a ocupar espaço crescente no campo de batalha. A publicação do protocolo no DOU transforma essa aproximação em um compromisso institucional de médio prazo.

O Anshar permanece como uma referência importante da Mac Jee nesse segmento, mas o acordo firmado com o COMAER é mais abrangente. Seu objetivo é criar condições para que a indústria brasileira avance no desenvolvimento de Sistemas Aéreos Autônomos de Ataque Único voltados a missões de interdição.

A partir de agora, os próximos 36 meses serão fundamentais para mostrar até onde essa cooperação poderá levar a tecnologia brasileira e se os estudos previstos conseguirão avançar da fase de desenvolvimento para uma futura capacidade operacional da Força Aérea Brasileira.


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Transação tributária se consolida como estratégia para recuperação financeira das empresas

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Criada para permitir a negociação de débitos tributários entre contribuintes e o poder público, a modalidade oferece condições diferenciadas de pagamento e descontos em juros e multas

A transação tributária vem se tornando um dos principais instrumentos de regularização fiscal no Brasil. Criada para permitir a negociação de débitos tributários entre contribuintes e o poder público, a modalidade oferece condições diferenciadas de pagamento, descontos em juros e multas, além de prazos mais amplos, permitindo que empresas reorganizem sua situação fiscal sem comprometer a continuidade de suas atividades.

A importância desse mecanismo pode ser medida pelos números. Em 2025, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) recuperou um recorde de R$ 66,1 bilhões em créditos inscritos em dívida ativa, dos quais R$ 30,8 bilhões tiveram origem em acordos de transação tributária, consolidando o instrumento como um dos principais meios de recuperação de créditos e regularização fiscal no país.

Além disso, a PGFN publicou novos editais em 2026, ampliando as oportunidades para empresas negociarem débitos inscritos em dívida ativa, inclusive para passivos de até R$ 45 milhões, reforçando o papel estratégico da transação tributária na política de conformidade fiscal brasileira.

A transação tributária é indicada para empresas que possuem débitos tributários, enfrentam dificuldades financeiras, desejam regularizar sua situação perante o Fisco ou buscam maior previsibilidade para investir e crescer com segurança jurídica.

Para o advogado tributarista Dr. Luis Carlos Szymonowicz, a negociação deve ser conduzida de forma estratégica e personalizada.

"A transação tributária não deve ser vista apenas como uma forma de parcelar dívidas. Ela é uma ferramenta de gestão empresarial que permite reduzir riscos, preservar o fluxo de caixa e construir soluções compatíveis com a realidade financeira de cada empresa. Uma análise técnica é indispensável para identificar a melhor estratégia e aproveitar as oportunidades previstas na legislação” declara o advogado. 

Com ampla experiência em Direito Tributário, Dr. Luis Carlos Szymonowicz atua na assessoria de empresas em todas as etapas do processo, desde o diagnóstico da situação fiscal até a negociação e acompanhamento dos acordos junto aos órgãos competentes.

Segundo o especialista, buscar orientação jurídica antes da adoção de qualquer medida é fundamental para que o empresário tome decisões seguras, minimize riscos e aproveite todos os benefícios que a legislação oferece. “Antes de aderir a qualquer modalidade, recomendo que se busque orientação profissional, afim de que se avalie se a transação realmente trará vantagem, além de análise das condições de pagamentos, descontos e garantias exigidas, bem como as obrigações que a empresa terá que assumir”, finaliza ele.

Sobre o especialista

Dr. Luis Carlos Szymonowicz é advogado tributarista com sólida atuação em Direito Tributário, planejamento tributário, contencioso administrativo e judicial, recuperação de passivos fiscais e comércio exterior. Reconhecido por sua atuação estratégica, assessora empresas na construção de soluções que unem segurança jurídica, eficiência tributária e sustentabilidade financeira.


Fonte: Rossi Comunicação

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ABIMDE completa 41 anos com foco no fortalecimento da Base Industrial de Defesa e Segurança

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Entidade destaca articulação institucional, competitividade, inovação e participação da indústria na construção de uma agenda estratégica para o setor

A Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE) completa 41 anos de atuação neste 9 de agosto, em um momento marcado por transformações tecnológicas, mudanças no cenário geopolítico e pela crescente importância da soberania tecnológica para o Brasil.

Ao longo de sua trajetória, a entidade consolidou sua atuação na representação das empresas que integram a Base Industrial de Defesa e Segurança, buscando ampliar o diálogo entre o setor produtivo, instituições públicas e demais atores envolvidos nas agendas de Defesa e Segurança.

Para o Tenente-Brigadeiro do Ar R1 José Augusto Crepaldi Affonso, presidente executivo da ABIMDE, o atual cenário apresenta oportunidades e desafios para a indústria nacional. Nesse contexto, o fortalecimento da Base Industrial de Defesa e Segurança está diretamente relacionado à capacidade brasileira de proteger seus interesses, desenvolver tecnologias, gerar inovação e contribuir para o crescimento econômico.

A avaliação da entidade é de que uma Base Industrial forte depende não apenas da competitividade das empresas, mas também de um ambiente de diálogo permanente, articulação institucional e construção de agendas comuns.

Mais do que representar empresas, buscamos conectar pessoas, instituições e ideias para fortalecer todo o ecossistema de Defesa e Segurança”, destaca Crepaldi.

Maior aproximação com as empresas

Nos últimos anos, a ABIMDE ampliou a proximidade com suas associadas, fortalecendo canais de escuta e consolidando os Comitês Setoriais e os Grupos de Trabalho como espaços voltados à discussão técnica e estratégica.

A entidade também intensificou sua participação em debates relacionados a questões regulatórias e legislativas, além de promover workshops e encontros técnicos e ampliar o relacionamento com órgãos dos Poderes Executivo e Legislativo.

Outro eixo de atuação foi o fortalecimento das parcerias com entidades representativas do setor. Entre as iniciativas desenvolvidas está o Catálogo de Emendas Parlamentares, apresentado como uma ferramenta destinada a contribuir para o desenvolvimento das empresas e da Base Industrial de Defesa e Segurança.

Segundo a ABIMDE, essas ações fazem parte de um esforço para tornar a entidade cada vez mais conectada às necessidades da indústria e mais preparada para representar seus interesses de maneira qualificada.

Representatividade e competitividade

A entidade considera que representatividade e competitividade estão diretamente relacionadas. Quanto mais organizada e integrada estiver a Base Industrial de Defesa e Segurança, maior será sua capacidade de inovar, competir, conquistar mercados e contribuir para a soberania nacional.

Esse processo, porém, depende da participação das próprias empresas nas discussões e na definição das prioridades do setor.

A ABIMDE defende que a participação das associadas, o compartilhamento de experiências e a contribuição para a construção de agendas comuns ampliam a capacidade de representação da indústria e fortalecem sua atuação na discussão de políticas públicas e no aperfeiçoamento do ambiente regulatório.

A entidade também considera que uma atuação mais integrada pode contribuir para ampliar oportunidades e fortalecer a indústria nacional.

Uma agenda para o futuro

Ao completar 41 anos, a ABIMDE afirma que pretende manter o foco no diálogo, na cooperação e na defesa dos interesses da Base Industrial de Defesa e Segurança.

Mais do que marcar a trajetória da entidade, a data é apresentada como uma oportunidade para reforçar uma agenda voltada ao futuro da indústria nacional.

Quanto mais empresas participarem das discussões, compartilharem experiências e contribuírem para a definição de prioridades, mais representativa será a voz da Base Industrial de Defesa e Segurança e maior será sua capacidade de influenciar políticas públicas, aperfeiçoar o ambiente regulatório, ampliar oportunidades e fortalecer a indústria nacional”, afirma Crepaldi.

O presidente executivo também destaca a importância da participação de empresas, instituições parceiras e profissionais ligados aos setores de Defesa e Segurança na construção dessa agenda.

Para a ABIMDE, o fortalecimento da Base Industrial de Defesa e Segurança passa pela capacidade de unir empresas e instituições em torno de objetivos comuns, ampliando sua capacidade de inovação e competitividade e, ao mesmo tempo, contribuindo para a soberania e o desenvolvimento do Brasil.

Ao completar quatro décadas de atuação, a entidade reafirma, assim, o compromisso de representar e articular o setor, buscando fortalecer uma indústria nacional mais integrada, inovadora, competitiva e preparada para responder aos desafios estratégicos do país.

Tenente-Brigadeiro do Ar R1 José Augusto Crepaldi Affonso é presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE).


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AEL Sistemas é reconhecida por inovação tecnológica no Prêmio Exportação RS 2026

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A AEL Sistemas foi reconhecida com o Prêmio Exportação RS 2026, na categoria Destaque Inovação Tecnológica, durante cerimônia realizada em Porto Alegre. A empresa foi a única vencedora da categoria nesta 54ª edição da premiação, que valoriza organizações com atuação diferenciada no desenvolvimento de tecnologias de alto valor agregado voltadas ao mercado internacional.

Promovido pelo Conselho do Prêmio Exportação RS, o reconhecimento destaca empresas que contribuem para o fortalecimento da competitividade do Rio Grande do Sul no comércio exterior. Neste ano, 64 organizações foram premiadas na cerimônia que reuniu mais de 800 representantes do setor produtivo, autoridades e especialistas.

Para a AEL Sistemas, a premiação representa o reconhecimento de uma trajetória construída ao longo de décadas no desenvolvimento de tecnologias voltadas ao setor de Defesa e com crescente presença no mercado internacional.

Este reconhecimento reforça o compromisso da AEL Sistemas com a inovação, a excelência da engenharia brasileira e o desenvolvimento de tecnologias estratégicas capazes de competir nos mercados mais exigentes do mundo. É também um reconhecimento ao talento dos nossos profissionais e ao papel que a indústria nacional de defesa desempenha no fortalecimento da Base Industrial de Defesa e na projeção internacional do Brasil”, afirma Gal Lazar, presidente da AEL Sistemas.

Mais de quatro décadas de tecnologia de defesa

Instalada no Brasil há mais de quatro décadas, a AEL Sistemas consolidou sua atuação no desenvolvimento de tecnologias eletrônicas avançadas destinadas a aplicações aéreas, terrestres e navais.

A empresa participa de programas estratégicos das Forças Armadas brasileiras e fornece sistemas críticos para plataformas de elevada complexidade tecnológica, entre elas o caça F-39 Gripen e o cargueiro multimissão KC-390 Millennium.

Com sede em Porto Alegre, a companhia reúne mais de 500 colaboradores, aproximadamente metade deles engenheiros, em uma estrutura de desenvolvimento e produção com cerca de 12 mil metros quadrados.

Essa capacidade de pesquisa, desenvolvimento e inovação permite que soluções concebidas no Brasil sejam incorporadas tanto a programas nacionais quanto internacionais de defesa, ampliando a participação da engenharia brasileira em projetos de elevada complexidade tecnológica.

A trajetória também evidencia uma característica cada vez mais relevante para a indústria de defesa: a capacidade de transformar conhecimento e desenvolvimento tecnológico em produtos e sistemas com potencial de inserção internacional.

Exportação como parte da estratégia

O mercado externo ocupa posição relevante na atividade da AEL Sistemas. Aproximadamente metade da receita da companhia é proveniente das exportações, resultado da demanda por soluções brasileiras de alta tecnologia.

Os produtos desenvolvidos pela empresa estão presentes em diferentes países da América Latina, Europa e Ásia, levando ao exterior tecnologias desenvolvidas no Brasil em áreas como sistemas eletrônicos de missão, aviônicos, guerra eletrônica, optrônicos e enlaces táticos de dados.

A presença internacional representa, nesse contexto, não apenas a comercialização de produtos, mas também a inserção da capacidade tecnológica brasileira em um mercado marcado por elevados requisitos técnicos e pela necessidade de soluções capazes de operar em diferentes ambientes e plataformas.

Receber o Prêmio Exportação RS demonstra que investir continuamente em pesquisa, desenvolvimento e inovação gera resultados concretos para a indústria brasileira. Exportar tecnologia significa gerar conhecimento, empregos altamente qualificados e ampliar a presença do Brasil em um mercado global cada vez mais competitivo e estratégico”, completa Lazar.

Inovação brasileira com presença internacional

A conquista do Prêmio Exportação RS 2026 reforça a posição da AEL Sistemas entre as empresas brasileiras que utilizam pesquisa, desenvolvimento e engenharia como instrumentos para ampliar sua presença no mercado internacional.

Ao ser a única vencedora da categoria Destaque Inovação Tecnológica, a empresa também passa a integrar o conjunto de organizações reconhecidas pela contribuição à competitividade do Rio Grande do Sul no comércio exterior.

No setor de Defesa, essa dimensão ganha relevância adicional. O desenvolvimento de tecnologias de alto valor agregado contribui para ampliar a capacidade da Base Industrial de Defesa, formar profissionais especializados e inserir empresas brasileiras em cadeias internacionais de fornecimento.

A trajetória da AEL Sistemas mostra justamente essa conexão entre engenharia, inovação, Defesa e exportação, em um setor no qual domínio tecnológico e capacidade industrial estão diretamente associados à competitividade e à soberania.

O reconhecimento recebido em Porto Alegre reforça, assim, não apenas a atuação internacional da companhia, mas também a capacidade da indústria brasileira de desenvolver e exportar tecnologias destinadas a alguns dos mercados mais exigentes do mundo.


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ARES recebe DCT do Exército e apresenta novas capacidades tecnológicas

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Visita do chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército Brasileiro á ARES, reuniu generais do CAEx, CTEx e Diretoria de Fabricação e teve foco em projetos e capacidades desenvolvidas pela empresa

A ARES recebeu o General de Exército Hertz Pires do Nascimento, chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT) do Exército Brasileiro, em visita dedicada à apresentação de projetos, capacidades tecnológicas e industriais desenvolvidas pela empresa.

O general esteve acompanhado pelo General de Divisão Armando, chefe de Ensino, Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, e pelos Generais de Brigada Zago, do Centro de Avaliações do Exército (CAEx); Maurício, do Centro Tecnológico do Exército (CTEx); e Vasconcellos, da Diretoria de Fabricação (DF).

Durante a visita, a ARES apresentou projetos em andamento, competências desenvolvidas no Brasil e novas possibilidades tecnológicas relacionadas à modernização de sistemas de Defesa.

Entre os temas apresentados à comitiva do Exército estiveram soluções antidrone, plataformas não tripuladas, sistemas de simulação e futuras oportunidades relacionadas à nova geração de blindados do Exército.

A presença de representantes do DCT, CAEx, CTEx e da Diretoria de Fabricação reuniu diferentes áreas do Exército relacionadas à ciência, tecnologia, desenvolvimento, avaliação e fabricação, em uma agenda voltada ao conhecimento das capacidades apresentadas pela empresa.

Segundo a ARES, a visita também reforça uma parceria construída com o Exército Brasileiro há mais de duas décadas. A empresa apresentou ainda suas capacidades de desenvolvimento e integração de tecnologias, combinando engenharia nacional, inovação e experiência internacional.

Entre os projetos apresentados, as soluções antidrone e as plataformas não tripuladas representam áreas que vêm recebendo atenção no desenvolvimento de novas capacidades, enquanto os sistemas de simulação e as tecnologias relacionadas à nova geração de blindados estão entre os temas apresentados ao Exército.

A visita do DCT à ARES reforça a aproximação entre o Exército Brasileiro e a indústria nacional de Defesa, com a apresentação de tecnologias e projetos que podem contribuir para as futuras capacidades da Força Terrestre.


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Minerais críticos: a nova frente da disputa entre EUA e China coloca o Brasil no centro do tabuleiro

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A disputa estratégica entre Estados Unidos e China entrou em uma fase na qual comércio, tecnologia, energia e segurança nacional passaram a operar cada vez mais dentro do mesmo espaço. Se as tarifas e restrições comerciais marcaram o início da guerra comercial, o controle das cadeias de minerais críticos passou a representar uma dimensão ainda mais sensível dessa competição, porque esses recursos deixaram de ser tratados apenas como commodities e passaram a ser considerados componentes estratégicos da capacidade industrial e militar das grandes potências.

A mudança é importante porque os minerais críticos estão presentes em praticamente todas as áreas que definem o poder tecnológico contemporâneo. Baterias, semicondutores, motores elétricos, sistemas de comunicação, equipamentos de geração de energia, aeronaves, satélites, radares, sistemas de orientação e diferentes tecnologias militares dependem de materiais cuja produção, processamento ou refino está concentrada em poucos países.

Nesse cenário, a China construiu uma vantagem que vai muito além da quantidade de minério extraída de seu território. O verdadeiro diferencial chinês está no domínio das etapas intermediárias e finais da cadeia produtiva, especialmente no processamento químico, no refino e na fabricação de materiais utilizados pela indústria de alta tecnologia. Dados compilados pela Agência Nacional de Mineração a partir de informações da Agência Internacional de Energia indicam que a China responde, em média, por cerca de 70% da capacidade mundial de refino de minerais críticos. No caso das terras raras, sua participação chega a aproximadamente 85% a 90% do refino global e cerca de 90% da produção de ímãs permanentes de neodímio-ferro-boro, componentes fundamentais para motores e sistemas de alta eficiência. É justamente essa concentração que transformou minerais críticos em instrumentos de poder geopolítico.

A China transformou recursos em capacidade estratégica

A experiência chinesa demonstra que possuir reservas minerais é apenas uma parte da equação. O poder está na capacidade de transformar a matéria-prima em insumos industriais e, posteriormente, em produtos tecnológicos.

Essa diferença ajuda a explicar por que Pequim ocupa uma posição tão relevante mesmo quando não domina necessariamente a mineração de todos os minerais considerados estratégicos. O país construiu, ao longo de décadas, uma cadeia integrada que começa na extração e avança pelo processamento, refino, produção de materiais e fabricação de componentes.

As terras raras são o exemplo mais evidente. Esses 17 elementos químicos possuem propriedades magnéticas, ópticas e elétricas que os tornam essenciais para uma ampla variedade de tecnologias, incluindo ímãs de alto desempenho, equipamentos eletrônicos, motores elétricos e sistemas militares. O próprio Ministério de Minas e Energia destaca sua importância para tecnologias avançadas, enquanto a ANM aponta aplicações em mísseis, drones, submarinos, caças, radares e sistemas de orientação de armas guiadas.

Isso significa que uma interrupção no fornecimento de determinado mineral pode produzir efeitos que ultrapassam a indústria civil e atingir diretamente a capacidade de produção militar de um país.

A China já demonstrou que está disposta a utilizar essa posição como instrumento de pressão. As restrições impostas nos últimos anos sobre materiais como gálio, germânio, grafite e antimônio, além dos controles ampliados sobre terras raras, revelaram que as cadeias minerais podem ser empregadas dentro da disputa econômica e diplomática.

Em 2026, esse processo continuou. Restrições chinesas sobre terras raras pesadas e outros materiais estratégicos permaneceram afetando cadeias industriais internacionais, enquanto empresas japonesas e de outros países continuaram enfrentando dificuldades decorrentes da dependência chinesa.

A mensagem estratégica é clara: quem controla uma etapa crítica da cadeia pode exercer influência sobre aqueles que dependem dela.

Washington tenta reconstruir uma cadeia fora da China

Os Estados Unidos compreenderam que reduzir a vulnerabilidade não significa apenas abrir novas minas. O desafio envolve reconstruir uma cadeia industrial capaz de produzir, processar, refinar e transformar minerais críticos em componentes necessários à indústria americana.

Essa estratégia ganhou força durante as administrações Trump e Biden e permanece como uma das prioridades de Washington em 2026.

O movimento mais recente demonstra a dimensão do problema. Em agosto, o governo Trump anunciou cerca de US$ 3 bilhões em investimentos destinados a projetos de minerais críticos e componentes para baterias, com o objetivo declarado de fortalecer as cadeias de suprimentos ligadas à Defesa e reduzir a dependência de fornecedores chineses. O governo também anunciou a criação de um estoque estratégico de minerais avaliado em US$ 12 bilhões.

Poucos dias antes, Washington havia anunciado outros US$ 58 milhões em financiamento para projetos envolvendo grafite, tântalo, nióbio e boro. Um dos projetos busca desenvolver a primeira mina e unidade de processamento de grafite natural dos Estados Unidos, enquanto outro pretende ampliar a capacidade americana de processamento de tântalo e nióbio.

A política americana também passou a atingir a reciclagem. Em julho e agosto de 2026, Washington adotou medidas para restringir a exportação de resíduos ricos em minerais críticos, incluindo baterias usadas e sucata contendo tungstênio, buscando manter esses materiais dentro do país para alimentar uma cadeia doméstica de recuperação e processamento.

O movimento mostra que a disputa deixou de ser apenas uma guerra por jazidas, é uma disputa pelo controle de toda a cadeia de valor.

É nesse ponto que o Brasil muda de posição

Para o Brasil, essa transformação representa simultaneamente uma oportunidade econômica, uma questão de soberania e um desafio estratégico. O país não precisa construir artificialmente uma relevância mineral. Ela já existe.

Dados do Ministério de Minas e Energia indicam que o Brasil possui aproximadamente 66,6% das reservas mundiais de nióbio, respondendo por cerca de 92,9% da produção mundial considerada na base estatística utilizada pelo ministério. O país também aparece em posição relevante nas reservas mundiais de níquel, terras raras e grafita, além de possuir participação crescente na cadeia do lítio e reservas importantes de cobre.

No caso das terras raras, o potencial brasileiro ganha dimensão particularmente estratégica. O país possui a segunda maior reserva mundial estimada, atrás apenas da China, mas sua produção ainda representa uma fração pequena do mercado global. Em outras palavras, existe uma diferença expressiva entre o potencial geológico brasileiro e a capacidade efetivamente instalada para transformá-lo em produto de alto valor agregado. É justamente nessa diferença que está o principal desafio brasileiro.

O Brasil pode ser importante para a segurança mineral de Estados Unidos, Europa, Japão e outros países. Mas isso não significa automaticamente que será beneficiado na mesma proporção.

Se o país exportar predominantemente minério ou concentrado, enquanto o processamento químico, o refino e a fabricação dos componentes tecnológicos ocorrerem no exterior, a maior parte do valor estratégico continuará sendo capturada fora do território nacional. A oportunidade brasileira está, portanto, menos em vender mais minério e mais em subir na cadeia tecnológica.

O verdadeiro ativo brasileiro não está apenas no subsolo

A discussão sobre minerais críticos costuma começar pelas reservas, mas deveria terminar na indústria.

O Brasil possui uma vantagem que poucos países conseguem combinar: recursos minerais relevantes, matriz energética com elevada participação de fontes renováveis, mercado interno expressivo, infraestrutura industrial, universidades e centros de pesquisa, além de uma Base Industrial de Defesa capaz de absorver tecnologias e desenvolver aplicações de alta complexidade. Isso muda a natureza da oportunidade.

Uma política mineral estratégica não deveria ter como objetivo apenas aumentar a exportação de lítio, terras raras, grafita, níquel ou nióbio. O objetivo de longo prazo deveria ser criar condições para que esses recursos alimentem cadeias industriais brasileiras.

No caso das terras raras, por exemplo, o próprio debate técnico nacional aponta que o país precisa avançar da mineração para a separação e o refino e, posteriormente, dominar a fabricação de ímãs permanentes de alta potência.

Esse salto é justamente o que diferencia um país rico em recursos de um país capaz de transformar recursos em poder econômico e tecnológico.

A dimensão que interessa à Defesa

Existe ainda uma consequência que merece atenção especial. Minerais críticos não pertencem exclusivamente ao debate sobre transição energética, eles estão diretamente relacionados à capacidade de desenvolvimento de sistemas militares modernos.

Terras raras, por exemplo, podem ser utilizadas em sistemas de orientação, radares, drones, aeronaves e diferentes equipamentos eletrônicos. Grafita, níquel, lítio e outros materiais estão associados a baterias, armazenamento de energia e sistemas elétricos. Outros minerais são relevantes para ligas metálicas, sensores, motores, semicondutores e componentes utilizados na indústria aeroespacial. Isso significa que a segurança mineral começa a fazer parte da própria segurança nacional.

Um país pode possuir excelentes engenheiros, centros de pesquisa e empresas de Defesa, mas continuará vulnerável se depender integralmente de fornecedores externos para materiais essenciais à fabricação de seus sistemas. A soberania tecnológica, portanto, não começa no produto final, ela começa muito antes, na capacidade de garantir os insumos necessários para produzi-lo.

Para o Brasil, essa dimensão é particularmente importante porque o país mantém programas estratégicos de longo prazo em áreas como aviação, sistemas de monitoramento, radares, mísseis, veículos militares, submarinos e tecnologias espaciais. Quanto maior for a capacidade nacional de dominar as cadeias de materiais utilizadas nesses sistemas, maior será a liberdade de decisão da indústria e do Estado.

Brasil entre Washington e Pequim

É nesse ponto que a posição brasileira ganha uma dimensão geopolítica. Estados Unidos e China possuem interesses distintos no Brasil, mas ambos reconhecem o valor estratégico de suas cadeias minerais.

Washington busca diversificar fornecedores para reduzir sua dependência da China. Enquanto Pequim possui interesse em preservar sua influência sobre as cadeias globais de minerais críticos e, ao mesmo tempo, manter acesso seguro a recursos, mercados e oportunidades de investimento.

O Brasil está exatamente na interseção dessas duas forças. Isso não significa que Brasília precise escolher entre Washington e Pequim, pelo contrário, a posição brasileira pode ser mais sofisticada: utilizar a competição internacional para atrair investimentos, ampliar mercados, desenvolver tecnologia e exigir maior agregação de valor dentro do território nacional.

A própria Agência Nacional de Mineração reconhece que o interesse de Estados Unidos, China e União Europeia pelos minerais brasileiros deve ser compreendido dentro de uma lógica de diversificação das cadeias de suprimento, redução de dependências e segurança energética e tecnológica. A agência também ressalta que os recursos minerais pertencem à União e que sua exploração está submetida à legislação brasileira. Isso oferece ao Brasil uma margem de manobra que precisa ser utilizada com planejamento.

A Amazônia acrescenta outra camada à equação

A discussão também alcança diretamente a Amazônia. Um estudo publicado pela ANM em julho de 2026 mostrou que a Amazônia Legal responde por quase metade do valor gerado pelos minerais estratégicos brasileiros. Ao mesmo tempo, a região ainda concentra sua atividade principalmente em ferro, bauxita, cobre e ouro, enquanto minerais como terras raras e cobalto ainda não possuem produção consolidada na região, e isso coloca uma questão particularmente delicada.

A expansão da mineração de minerais críticos na Amazônia pode representar uma oportunidade econômica e tecnológica, mas também envolve desafios ambientais, logísticos, regulatórios e de segurança.

A exploração desses recursos não pode repetir simplesmente o modelo de exportação de commodities minerais sem desenvolvimento das cadeias industriais.

O desafio é construir uma mineração capaz de combinar segurança ambiental, controle estatal, tecnologia, infraestrutura, agregação de valor e soberania. É uma equação difícil, mas justamente por isso ela precisa fazer parte da estratégia nacional.

O risco de uma nova dependência

Existe uma contradição que o Brasil precisa evitar. A tentativa americana de reduzir sua dependência da China pode criar novas oportunidades para países fornecedores. Mas, se o Brasil simplesmente substituir um comprador por outro, sem desenvolver sua própria capacidade industrial, continuará ocupando uma posição vulnerável. A dependência pode apenas mudar de destino.

Hoje, grande parte do valor agregado de determinadas cadeias minerais está concentrada em países que dominam processamento e tecnologia. Se o Brasil passar a fornecer mais matéria-prima para novas cadeias lideradas por Estados Unidos, China ou qualquer outro parceiro, mas permanecer distante das etapas tecnológicas mais sofisticadas, continuará distante do centro de decisão.

O objetivo deveria ser outro, não transformar o Brasil no novo fornecedor estratégico de uma potência, mas transformar o Brasil em um participante indispensável da cadeia global, essa diferença é fundamental.

A disputa também é uma oportunidade industrial

A janela que se abre diante do Brasil não está restrita à mineração. Ela envolve química, metalurgia, engenharia, máquinas, energia, logística, pesquisa, automação, reciclagem e manufatura avançada. É nesse ponto que a política de minerais críticos pode se conectar à política industrial brasileira.

O país pode utilizar sua disponibilidade de recursos para atrair projetos de processamento e transformação, mas deve buscar contrapartidas capazes de gerar conhecimento, empregos qualificados, desenvolvimento tecnológico e capacidade industrial permanente.

O mesmo vale para investimentos estrangeiros. Capital externo pode ser importante para acelerar projetos que exigem investimentos elevados e tecnologias específicas. Mas a questão estratégica não deveria ser apenas quanto dinheiro entra no país.

A pergunta deveria ser: quanto conhecimento permanece no Brasil depois que o investimento é realizado? Essa é uma diferença decisiva entre receber capital e construir capacidade nacional. 

A guerra comercial pode transformar o mapa mineral mundial

A competição entre Estados Unidos e China tende a produzir uma reorganização das cadeias globais. Empresas buscarão fornecedores alternativos. Governos oferecerão incentivos para projetos considerados estratégicos. Países produtores tentarão aumentar sua capacidade de processamento. E investimentos que antes seriam avaliados apenas pelo retorno econômico passarão a ser considerados também sob a ótica da segurança nacional.

Os Estados Unidos já estão fazendo isso de forma explícita, enquanto a China, por sua vez, continua utilizando sua posição nas cadeias de processamento e fabricação como instrumento de influência. E outros países estão entrando na disputa. Nesse ambiente, o Brasil não é periférico. Sua posição geológica, econômica e geopolítica o coloca entre os países capazes de contribuir para a diversificação das cadeias globais de minerais críticos. Mas potencial não é poder, poder é capacidade organizada.

O Brasil precisa decidir o que pretende ser

O debate sobre minerais críticos coloca diante do Brasil uma escolha que vai muito além da mineração. O país pode continuar sendo reconhecido principalmente pela dimensão de suas reservas e pela capacidade de exportar commodities, ou pode utilizar a atual reorganização das cadeias globais para construir uma posição mais sofisticada, na qual seus recursos naturais estejam conectados à indústria, à ciência, à tecnologia e à Defesa. Essa segunda opção exige planejamento de longo prazo.

Será necessário ampliar investimentos em pesquisa mineral, processamento, refino, infraestrutura, formação de mão de obra especializada, inovação e reciclagem. Também será necessário criar mecanismos que reduzam os riscos para investidores sem abrir mão do interesse estratégico nacional.

E existe uma questão ainda maior: a necessidade de integrar a política mineral à política industrial, energética, tecnológica e de Defesa. Se essas áreas continuarem sendo tratadas separadamente, o Brasil poderá perder parte significativa da oportunidade, se forem integradas, o país poderá transformar uma vantagem geológica em uma vantagem estratégica.

O novo tabuleiro

A guerra comercial entre Estados Unidos e China começou com tarifas, passou pelo controle tecnológico e agora alcança uma dimensão ainda mais profunda: quem terá acesso aos recursos necessários para sustentar a próxima geração de tecnologias?

Nesse novo cenário, minerais críticos deixaram de ser apenas uma questão de mineração, são parte da infraestrutura invisível do poder.

A China construiu sua vantagem dominando não apenas recursos, mas principalmente o processamento e a transformação industrial. Os Estados Unidos agora tentam reconstruir suas próprias cadeias, investindo em mineração, processamento, reciclagem e estoques estratégicos.

O Brasil chega a essa disputa com uma condição que poucos países possuem: recursos estratégicos relevantes e capacidade para desenvolver uma cadeia industrial própria, mas essa vantagem não será permanente.

Outros países também estão buscando novas reservas, novas tecnologias e novas cadeias de fornecimento. A janela de oportunidade aberta pela disputa entre Washington e Pequim poderá permanecer aberta por anos, mas não indefinidamente.

O desafio brasileiro, portanto, não é escolher entre Estados Unidos e China, é escolher o que pretende fazer com a posição que possui.

Se o país transformar seus minerais críticos em processamento, tecnologia, indústria e capacidade de Defesa, poderá ocupar uma posição muito mais relevante na nova economia estratégica mundial.

Se continuar concentrado na exportação de matéria-prima, outros países continuarão transformando recursos brasileiros em produtos de maior valor, enquanto as decisões estratégicas permanecerão fora de suas fronteiras.

A disputa entre Washington e Pequim está redesenhando as cadeias globais de minerais críticos. Para o Brasil, essa disputa pode representar uma ameaça de dependência renovada, mas também pode representar uma das maiores oportunidades industriais e estratégicas das próximas décadas. A diferença entre uma coisa e outra estará na capacidade brasileira de transformar riqueza mineral em poder nacional.


Por Angelo Nicolaci


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