quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Marinha emprega NAM Atlântico e Fragatas Tamandaré e União na Elevação do Rio Grande

Operação Sentinela marcou a primeira presença do navio-capitânia da Esquadra na região, combinando vigilância, adestramento e apoio à pesquisa científica

A Marinha do Brasil empregou o Navio-Aeródromo Multipropósito (NAM) Atlântico e as Fragatas Tamandaré e União na Operação Sentinela, realizada entre 26 de agosto e 1º de setembro na Elevação do Rio Grande (ERG). Foi a primeira ação de presença do NAM Atlântico na região, reunindo meios de diferentes gerações em uma comissão que combinou atividades operativas, adestramento, operações aéreas e apoio à pesquisa científica.

As Fragatas Tamandaré e União haviam participado recentemente da Operação Fraterno XXXIX, realizada entre Brasil e Argentina, uma comissão que ampliou a interoperabilidade entre as duas Marinhas e marcou a primeira participação da Tamandaré em águas internacionais.

Na Sentinela, o Atlântico exerceu sua função de capitânia da Esquadra e plataforma de comando e aviação. Os helicópteros SH-16 Seahawk e AH-11B Super Lynx realizaram operações de esclarecimento, ampliando a capacidade de vigilância da força. Também foram realizados adestramentos com o AH-11B e Mergulhadores de Combate, incluindo uma atividade de Fast Rope.

A presença naval foi acompanhada por uma componente científica. Cerca de 40 aspirantes da Escola Naval e 15 pesquisadores de seis instituições brasileiras participaram da comissão, integrando atividades de formação e pesquisa ao emprego operacional da força.

A Elevação do Rio Grande ocupa mais de 900 mil quilômetros quadrados no Atlântico Sul e, em determinados pontos, encontra-se a aproximadamente 1.200 quilômetros do litoral brasileiro. Sua relevância está associada não apenas à posição geográfica, mas também ao potencial científico e mineral da região e aos estudos relacionados à extensão da plataforma continental brasileira.

Nesse ambiente, a presença naval possui uma função que ultrapassa a vigilância convencional. A capacidade de chegar, permanecer e operar em áreas distantes do litoral contribui para o conhecimento do espaço marítimo, apoia atividades científicas e demonstra a capacidade do Estado brasileiro de exercer presença em uma região vinculada a interesses estratégicos de longo prazo.

A Operação Sentinela também oferece uma perspectiva sobre a própria evolução da Esquadra. A integração entre o Atlântico, a nova Fragata Tamandaré e a União evidencia uma força em processo de transição tecnológica, na qual plataformas de gerações distintas precisam permanecer operacionais enquanto os novos meios são incorporados.

Essa transição ganha maior relevância diante da dimensão da Amazônia Azul, que alcança aproximadamente 5,7 milhões de quilômetros quadrados. Cobrir esse espaço exige mais do que plataformas tecnologicamente avançadas: requer quantidade, disponibilidade e capacidade de manter diferentes tipos de meios empregados de forma simultânea e contínua.

A construção das quatro Fragatas Classe Tamandaré representam um avanço significativo nesse processo, mas não encerram a necessidade de renovação. A continuidade do programa, por meio do segundo lote, é importante para preservar capacidade industrial, evitar descontinuidades na construção naval e ampliar a disponibilidade de escoltas modernas. Da mesma forma, permanece necessária a evolução de futuros programas para fragatas de maior capacidade, além da renovação dos navios-patrulha oceânicos e de outros meios essenciais à presença marítima. Esse planejamento depende de uma variável que vai além da escolha dos sistemas e plataformas: previsibilidade orçamentária.

Programas navais possuem ciclos longos e exigem investimentos continuados. A indústria precisa de demanda previsível para manter capacidade produtiva, qualificar mão de obra e estruturar sua cadeia de fornecedores, enquanto a Marinha necessita de horizonte suficiente para programar a substituição dos meios antes que a perda de disponibilidade se transforme em uma lacuna operacional.

A experiência da Operação Sentinela demonstra que o Brasil possui capacidade para projetar uma força naval até uma área distante e estratégica do Atlântico Sul, empregando simultaneamente navios, aeronaves, pessoal especializado e pesquisadores. O desafio está em transformar essa capacidade em uma condição permanente.

Para isso, a renovação da Esquadra precisa avançar de forma contínua, sustentada por recursos compatíveis com as responsabilidades marítimas do País e por decisões tomadas com horizonte de longo prazo. Mais do que incorporar novos navios, trata-se de assegurar que a Marinha tenha meios suficientes e disponíveis para estar presente onde os interesses brasileiros exigirem hoje e nas próximas décadas.


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