quarta-feira, 21 de novembro de 2018

(EXCLUSIVO) CRUZEX 2018 - Esquadrão VF-1: Comandante fala sobre participação na Cruzex e a modernização dos AF-1

Nesta quarta-feira (21), durante nossa cobertura da "Operação Cruzex 2018", realizamos uma entrevista exclusiva transmitida ao vivo através de nossa plataforma no Facebook, com Capitão de Fragata (FN) Brito Coelho, Comandante do Esquadrão VF-1, os famosos "Falcões" que operam os caças AF-1 (A-4KU) Skyhawk na Marinha do Brasil. Durante a entrevista conhecemos um pouco mais sobre a participação do Esquadrão VF-1 na Cruzex 2018 e algumas particularidades sobre os caças-bombardeiros AF-1, até o momento as únicas aeronaves de asa fixa da Marinha do Brasil em operação.

O Comandante Brito Coelho, nos disse que a participação do VF-1 na Operação Cruzex 2018, trás um importante ganho em qualificação e experiência ao esquadrão, uma vez que trata-se de uma oportunidade ímpar de atuar em sinergia com outras unidades da Força Aérea Brasileira e de países amigos, representando um enorme ganho em experiência, além de proporciona um novo desafio logístico e operacional.

Conforme nos foi dito, o VF-1 já veio se preparando para o exercício há alguns meses, tendo participado de outros exercícios em menor escala, porém, com complexidade similar, como o Exercício BVR, o qual reuniu cerca de 300 militares e vários esquadrões da FAB tendo como foco a preparação para esta edição da CRUZEX, lembrando que o VF-1 também teve participação em exercícios com a Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE) participando da "Operação Formosa", o qual este ano foi acompanhado por nossa equipe, e vários exercícios com a Esquadra, treinando as defesas antiaéreas de nossos meios de superfície e preparando nossos pilotos aeronavais para o combate contra alvos de superfície em apoio ao meios navais e força de fuzileiros navais.


Os caças AF-1 tem autonomia para realizar com folga o translado entre a BAeNSPA no Rio de Janeiro, e a Base Aérea de Parnamirim no Rio Grande do Norte, mas não basta apenas levar as aeronaves, há toda uma logística envolvida e que muitos não dão a detida atenção, pois é necessário levar equipamentos de apoio no solo, pessoal qualificado na manutenção e apoio operacional, peças de reposição e uma série de outras coisas. Essa logística envolveu o apoio de uma aeronave de transporte da Força Aérea Brasileira, e o pesado seguiu de caminhão, percorrendo três dias de estradas até finalmente chegar à Base Aérea de Parnamirim, lembrando que não basta ter uma linha de frente poderosa e super moderna, se não houver uma retaguarda que conte com uma linha logística eficiente. 

Para participar da CRUZEX 2018, a Marinha do Brasil enviou mais de 100 militares, entre forças especiais e observadores, só o Esquadrão VF-1 destacou cerca de 50 militares, dos quais 10 são pilotos de AF-1, contando com duas aeronaves destacadas para cumprir as missões designadas a nossa força aeronaval. 

Hoje o VF-1 conta com três aeronaves em condições de voo, sendo destas duas aeronaves já modernizadas e uma que ainda irá passar pelo processo de modernização. Sobre o programa de modernização, nos foi esclarecido que o Esquadrão VF-1 irá dispor de seis aeronaves AF-1 modernizadas, sendo destas duas variante biplace e quatro monoplace. Outro ponto interessante é que o VF-1 passa a adotar o novo esquema visual de baixa visibilidade, já presente na última aeronave entregue pela Embraer, sendo este o padrão que será adotado por toda a frota de "Falcões" do VF-1. Ainda sobre a modernização, o Comandante Brito Coelho nos confidenciou que o processo pelo qual os caças AF-1 estão passando, conferem a aeronave um grande leque de possibilidades de emprego, que apesar de ser um projeto do final dos anos 50, a aeronave apresenta características de voo muito atraentes, que agora somadas a nova suíte aviônica, torna o AF-1 um vetor moderno e letal no teatro de operações moderno.

Dentre as seis aeronaves que permanecerão no inventário do VF-1, consta também o caça AF-1 que se envolveu o acidente sobre Saquarema, quando duas aeronaves AF-1 colidiram no ar durante um exercício, com uma das aeronaves precipitando sobre o mar, onde infelizmente perdemos o Capitão de Corveta Igor Bastos, com a outra aeronave conseguindo regressar em segurança a BAeNSPA apesar das avarias. Essa aeronave que conseguiu regressar, ainda encontra-se na Base Aeronaval, e deverá passar por um processo de reparação para retomar sua condição operacional, estando prevista para ocorrer no segundo semestre de 2019. Quanto as demais aeronaves, o segundo AF-1 biplace deverá ser entregue até julho de 2019, conferindo ao esquadrão maior capacidade de treinamento e preparo de seus pilotos.

Respondendo a inúmeras perguntas de nossos leitores, que constantemente nos perguntam sobre como é a formação de nossos pilotos aeronavais, esses inicialmente recebem instrução na Academia da Força Aérea, onde são treinados para operar aeronaves de asa fixa, posteriormente sendo enviados aos EUA, onde passam por um intenso treinamento com a US Navy, saindo de lá aptos a operar aeronaves de asa fixa embarcadas.

É muito interessante salientar que, embora não tenhamos mais um Navio Aeródromo (NAe) em nossa Esquadra, o domínio da doutrina de emprego de aeronaves embarcadas e o aproveitamento de seu potencial no cenário de emprego em apoio a força de superfície, ou no apoio aéreo aproximado ao desembarque e progressão de forças anfíbias, é algo que temos de manter a máxima eficiência, pois trata-se de um expertise que se conquistou ao longo de mais de vinte anos, e não seria inteligente deixar que se perca tal capacidade pela ausência de uma plataforma naval para o emprego e operação dos meios de asa fixa.

Quero agradecer ao Comandante Brito Coelho e toda equipe do VF-1 que nos recebeu aqui em Natal e nos proporcionou uma oportunidade ímpar de acompanhar o profissionalismo de nosso esquadrão de caças-bombardeiro, propiciando ao nosso público a oportunidade de obter mais conhecimento sobre este importante meio e uma real visão sobre o futuro da asa fixa em nossa Marinha do Brasil.

No ar, os homens do Mar!!!

Um Bravo Zulu a todos nossos aviadores navais.



Por Angelo Nicolaci - Jornalista, editor do GBN News, graduando em Relações Internacionais pela UCAM, especialista em geopolítica do oriente médio e leste europeu, especialista em assuntos de defesa e segurança

Fotos: Albert Caballe 

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