sábado, 7 de novembro de 2026

Exército Brasileiro treina defesa de infraestrutura crítica com drones da Xmobots em São Carlos

 

O Exército Brasileiro realizou, nos dias 22 e 23 de outubro, um exercício de defesa de infraestrutura crítica nas instalações da Xmobots, em São Carlos (SP). A atividade envolveu militares do 13º Regimento de Cavalaria Mecanizado e simulou a proteção de uma estrutura de interesse estratégico para o País, colocando em campo recursos terrestres e sistemas aéreos não tripulados desenvolvidos pela indústria nacional.

A operação mobilizou 90 militares e 23 veículos, entre blindados e jipes, durante 24 horas de treinamento. A atividade integrou o Exercício Anhanguera, conduzido no contexto do Programa de Adestramento Avançado da 11ª Brigada de Infantaria Mecanizada, no qual o Regimento Anhanguera atuou como Força de Emprego de Prontidão (FEP).

O cenário escolhido traz um elemento relevante para o exercício: a própria sede de uma empresa integrante da Base Industrial de Defesa (BID). A proteção de instalações industriais e tecnológicas vinculadas ao desenvolvimento de capacidades nacionais representa uma dimensão importante da defesa de infraestruturas críticas, especialmente diante da necessidade de preservar estruturas que contribuem para o desenvolvimento de tecnologias de interesse militar.

Um dos destaques do treinamento foi o emprego do Nauru 100D, da Xmobots, em atividades de monitoramento aéreo do perímetro, tanto durante o dia quanto à noite. O sistema também participou de uma ação simulada de ataque contra alvos específicos, utilizando sua versão de veículo aéreo de combate não tripulado (UCAV).

O exercício incluiu o disparo de munição de manejo inerte, permitindo incorporar ao treinamento uma situação de emprego de armamento sem utilização de munição real. Dessa forma, os militares puderam trabalhar diferentes possibilidades de integração entre vigilância aérea, acompanhamento de movimentações e ações táticas no cenário simulado.

A atividade também evidencia como os sistemas remotamente pilotados podem ser incorporados ao adestramento das tropas, aproximando tecnologias desenvolvidas pela indústria nacional das situações práticas enfrentadas pelas unidades militares. No caso do Nauru 100D, o emprego combinado de vigilância diurna e noturna e da versão de ataque permitiu explorar diferentes funções de uma mesma família de sistemas.

Além da participação operacional dos equipamentos, a Xmobots realizou uma apresentação institucional aos militares, abordando sua trajetória, estrutura e tecnologias desenvolvidas, proporcionando contato direto com os sistemas e suas possibilidades de aplicação no campo da Defesa.

Segundo Reinaldo Junior, diretor de Defesa da empresa, o treinamento foi bem-sucedido e representou uma oportunidade de estreitar a relação com o Exército Brasileiro. O executivo destacou a integração entre tecnologia e preparo operacional como elemento importante para o desenvolvimento de soluções alinhadas às necessidades da Defesa.

Fundada em 2007, a Xmobots possui cerca de 500 colaboradores, entre eles aproximadamente 250 engenheiros especializados, e desenvolve aeronaves, hardware, software e soluções de inteligência artificial aplicadas a sistemas robóticos. Na área de Defesa, mantém parcerias com o Exército Brasileiro, a Marinha do Brasil e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

O exercício em São Carlos coloca em evidência uma dimensão que merece atenção no planejamento de Defesa: a proteção das estruturas industriais e tecnológicas que participam do desenvolvimento das capacidades nacionais. Ao utilizar as instalações de uma empresa da BID como cenário de adestramento, o Exército incorporou essa preocupação à preparação de sua tropa, enquanto o emprego dos sistemas da Xmobots permitiu explorar, em ambiente simulado, recursos nacionais de vigilância e ataque.

Mais do que a utilização de drones em uma atividade de treinamento, o exercício aproxima dois componentes essenciais da capacidade de Defesa brasileira: o preparo operacional das Forças Armadas e o desenvolvimento tecnológico da indústria nacional.

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