sábado, 7 de fevereiro de 2026

BAE Systems amplia contrato de US$ 195 milhões para veículos anfíbios ACV-30 do USMC

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A BAE Systems confirmou a ampliação do fornecimento de veículos anfíbios de combate ACV-30 ao Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC), após a assinatura de um novo contrato avaliado em US$ 195 milhões. O anúncio, divulgado originalmente no início desta semana, reforça o processo de modernização das capacidades expedicionárias norte-americanas e amplia o número total de viaturas ACV-30 encomendadas para 150 unidades.

A variante ACV-30 representa um avanço significativo no programa Amphibious Combat Vehicle, sendo equipada com um canhão automático de 30 mm, que amplia o poder de fogo, a capacidade de engajamento de alvos a maiores distâncias e o apoio direto às tropas durante operações anfíbias e combates terrestres subsequentes.

Desenvolvido como uma plataforma de nova geração, o ACV foi projetado para aumentar a mobilidade em ambientes marítimos e litorâneos, elevar a proteção da tropa embarcada e garantir maior adaptabilidade em cenários operacionais complexos. O veículo atende aos requisitos atuais do USMC, que busca forças mais móveis, letais e capazes de operar em ambientes contestados.

Segundo a BAE Systems, o novo contrato mantém o programa alinhado às necessidades operacionais dos Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, garantindo continuidade no fornecimento de soluções tecnológicas avançadas. A empresa destacou que a parceria com o USMC reflete o compromisso em fornecer meios capazes de assegurar a prontidão e o sucesso das missões em diferentes cenários de emprego.

Além da versão ACV-30, o programa inclui outras variantes especializadas que ampliam a capacidade operacional das unidades anfíbias. O ACV-P é destinado ao transporte protegido de tropas, podendo transportar até 13 Fuzileiros Navais totalmente equipados, além de três tripulantes. Já o ACV-C atua como plataforma de comando e controle, incorporando estações de trabalho voltadas ao gerenciamento da consciência situacional no campo de batalha.

O programa também contempla a variante ACV-R, voltada para manutenção, recuperação e reparo de viaturas em nível de campo. A BAE Systems já produziu e entregou três unidades dessa configuração em modelo representativo de produção, incluindo a integração de guindaste realizada pelo governo dos Estados Unidos no Anniston Army Depot.

A produção das novas unidades ACV-30 será realizada nas instalações da empresa em Johnstown e York, na Pensilvânia, enquanto a unidade de Charleston, na Carolina do Sul, será responsável pela integração da torre desenvolvida pela KONGSBERG sob supervisão do governo norte-americano.

A ampliação do programa ACV ocorre em um contexto estratégico marcado pela necessidade de manter superioridade em operações anfíbias e projeção de poder em regiões litorâneas sensíveis. A modernização das viaturas reforça a transformação doutrinária do USMC, que vem priorizando forças expedicionárias mais ágeis, distribuídas e preparadas para conflitos multidomínio do século XXI.


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Coreia do Sul avança no programa LTA-II com primeiro C-390 Millennium em fase final de montagem

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A Embraer anunciou, durante o Singapore Airshow, realizado em 3 de fevereiro, que a primeira aeronave C-390 Millennium destinada à Força Aérea da República da Coreia (ROKAF) entrou na fase final de montagem. O anúncio representa um marco relevante no programa sul-coreano Large Transport Aircraft II (LTA-II) e reforça a crescente presença do cargueiro brasileiro no mercado asiático. A divulgação ganha ainda mais relevância ao ser publicada neste sábado (7), momento em que o programa segue avançando dentro do cronograma previsto.

De acordo com a fabricante brasileira, a aeronave agora avançará para a fase de voos de produção, etapa fundamental para validação operacional antes da integração dos sistemas específicos solicitados pela Força Aérea sul-coreana.

A escolha do C-390 pela República da Coreia representa um movimento estratégico dentro do processo de modernização das capacidades logísticas e de projeção de poder do país, além de consolidar a Embraer como um importante parceiro industrial e tecnológico no setor de defesa asiático. A Coreia do Sul tornou-se o primeiro operador do Millennium na Ásia, ampliando a projeção internacional da aeronave.

Segundo Bosco da Costa Jr., presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, o avanço da montagem evidencia a maturidade da linha de produção da empresa e a solidez da cooperação estabelecida com a Administração de Programas de Aquisição de Defesa da Coreia do Sul (DAPA), com a ROKAF e com a indústria local. O executivo destacou ainda que a cooperação industrial com fornecedores sul-coreanos vem fortalecendo a cadeia global de suprimentos do programa, contribuindo para o aumento do ritmo de produção do C-390 diante da crescente demanda internacional.

Projetado sob conceitos operacionais contemporâneos, o KC-390 Millennium é atualmente considerado a aeronave de transporte militar mais moderna de sua categoria. O modelo possui capacidade de carga útil de até 26 toneladas, superando diversos concorrentes diretos, além de apresentar maior velocidade operacional, alcançando aproximadamente 470 nós, e ampliado alcance estratégico.

A aeronave foi concebida para executar múltiplos perfis de missão, incluindo transporte e lançamento de tropas e cargas, evacuação aeromédica, operações de busca e salvamento, combate a incêndios florestais e apoio a ações humanitárias. Outro diferencial relevante é sua capacidade de operar em pistas semipreparadas ou não pavimentadas, característica que amplia significativamente sua flexibilidade operacional em cenários de crise, conflito ou desastres naturais.

O Millennium também se destaca pela versatilidade no reabastecimento em voo, podendo atuar tanto como aeronave reabastecedora quanto como receptora, por meio de sistemas de instalação rápida. A plataforma apresenta ainda total interoperabilidade com os padrões operacionais da OTAN e atende aos requisitos do conceito de Emprego Ágil de Combate (ACE), cada vez mais valorizado em cenários estratégicos modernos que exigem mobilidade, dispersão e rapidez de resposta.

A entrada da Coreia do Sul no programa reforça o crescimento consistente da carteira internacional do C-390 Millennium. Atualmente, além da ROKAF, a aeronave já foi selecionada pelas forças aéreas do Brasil, Portugal, Hungria, Holanda, Áustria, República Tcheca, Suécia, Uzbequistão, Eslováquia e Lituânia, consolidando o cargueiro brasileiro como uma das principais soluções globais no segmento de transporte militar tático e estratégico.

O avanço do programa LTA-II demonstra não apenas a confiança de uma das mais avançadas forças aéreas da Ásia na plataforma brasileira, mas também evidencia o fortalecimento da indústria nacional de defesa no cenário internacional, ampliando a inserção tecnológica do Brasil em projetos de alta complexidade e relevância estratégica.


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Uzbequistão é confirmado como novo operador do C-390 Millennium da Embraer

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A Embraer confirmou, durante o Singapore Airshow, que a República do Uzbequistão é o cliente anteriormente não divulgado de um pedido para a aeronave de transporte militar C-390 Millennium. O anúncio foi feito na terça-feira, 3 de fevereiro, consolidando a expansão global da plataforma brasileira e marcando a entrada do modelo na Ásia Central.

De acordo com a fabricante, a Força Aérea do Uzbequistão empregará a aeronave principalmente em missões humanitárias e transporte logístico, ampliando significativamente suas capacidades operacionais. Com a decisão, o país se torna a primeira nação da Ásia Central a operar o C-390, aeronave que vem ganhando espaço no competitivo segmento de transporte militar de médio porte.

Segundo Bosco da Costa Júnior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, a escolha representa um importante marco para o programa. O executivo destacou que a empresa trabalhará em estreita cooperação com a Força Aérea uzbeque para garantir a plena operação da aeronave e apoiar o processo de modernização de suas capacidades de transporte estratégico.

Projetado e desenvolvido já dentro dos conceitos operacionais do século XXI, o KC-390 Millennium é considerado atualmente o cargueiro militar mais moderno de sua categoria. A aeronave possui capacidade para transportar até 26 toneladas de carga, superando diversos concorrentes diretos, além de apresentar maior velocidade operacional, podendo atingir cerca de 470 nós, e maior alcance.

O modelo é capaz de executar uma ampla gama de missões, incluindo transporte e lançamento de tropas e cargas, evacuação aeromédica, busca e salvamento, combate a incêndios florestais e apoio a operações humanitárias. Outra característica relevante é sua capacidade de operar em pistas semipreparadas ou não pavimentadas, ampliando sua flexibilidade operacional em cenários de crise ou desastres naturais.

O Millennium também pode ser configurado rapidamente para missões de reabastecimento em voo, atuando tanto como aeronave reabastecedora quanto como receptora. A plataforma ainda possui plena interoperabilidade com os padrões da OTAN, além de ser especialmente adaptada para operações dentro do conceito de Emprego de Combate Ágil (ACE), que exige mobilidade, rapidez de resposta e flexibilidade logística.

Com a adesão do Uzbequistão, o C-390 Millennium amplia sua carteira internacional de operadores. Atualmente, a aeronave já foi selecionada pelas forças aéreas do Brasil, Portugal, Hungria, República da Coreia, Holanda, Áustria, República Tcheca, Suécia, Eslováquia e Lituânia, consolidando sua posição como uma das principais soluções de transporte militar disponíveis no mercado global.

O avanço das vendas internacionais reforça o protagonismo da indústria aeronáutica brasileira no setor de defesa e evidencia a crescente aceitação do C-390 como uma plataforma versátil, moderna e alinhada às exigências operacionais contemporâneas.


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REVISIONISMO HISTÓRICO E VULNERABILIDADE ESTRATÉGICA: O BRASIL FORA DO COMPASSO GEOPOLÍTICO

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Em um sistema internacional cada vez mais competitivo, instável e marcado pela erosão de antigas certezas, a forma como um país trata suas Forças Armadas diz muito sobre como ele se enxerga no tabuleiro global. No caso brasileiro, chama atenção o contraste entre a realidade estratégica do século XXI e a permanência de um discurso interno fortemente ancorado em revisionismos do passado, em especial na leitura ideológica que parte da esquerda ainda faz do 31 de março de 1964, mais de seis décadas depois.

Enquanto grandes democracias lidam com seus passados autoritários sem renunciar a capacidades militares robustas, o Brasil insiste em manter a Defesa sob suspeição permanente. O resultado é um paradoxo: um país continental, com vastas fronteiras, riquezas naturais estratégicas e crescente relevância geopolítica, mas que hesita em reconhecer a centralidade do poder militar como instrumento legítimo do Estado. 

No cenário internacional contemporâneo, o poder não se manifesta apenas por meio de guerras convencionais. Ele se expressa na capacidade de dissuasão, na autonomia tecnológica, na resiliência cibernética, no controle de espaços estratégicos e na credibilidade de resposta a crises. Estados que não demonstram essas capacidades tornam-se alvos de coerção indireta, pressão econômica, espionagem sistemática e interferência política. A ausência de conflito aberto não significa segurança; muitas vezes significa apenas submissão silenciosa. 

O contraste com outras democracias é evidente. Países que viveram regimes autoritários, guerras civis ou ocupações estrangeiras compreenderam que memória histórica e defesa nacional não são conceitos antagônicos. Pelo contrário, fortalecer instituições militares sob controle civil, com profissionalismo e planejamento de longo prazo, foi parte essencial de sua reinserção soberana no sistema internacional. Nessas nações, a defesa é tratada como política de Estado, não como herança incômoda a ser contida por inanição orçamentária. 

No Brasil, o discurso revisionista frequentemente associa fortalecimento militar a risco democrático, ignorando que a fragilidade estratégica também gera instabilidade. Estados fracos do ponto de vista da defesa tendem a perder autonomia decisória, ficando mais suscetíveis a agendas externas, dependência tecnológica e pressões assimétricas. Em um mundo onde cadeias de suprimento, energia, dados e comunicações se tornaram instrumentos de poder, renunciar a capacidades próprias não é neutralidade, é vulnerabilidade. 

Essa lógica se torna ainda mais preocupante quando observada sob a ótica regional e global. O Brasil ocupa posição singular na América do Sul, no Atlântico Sul e no debate sobre recursos estratégicos. Sua postura defensiva não afeta apenas sua segurança interna, mas também o equilíbrio regional e a percepção externa sobre sua capacidade de liderar, mediar e proteger interesses próprios e de parceiros. Países que aspiram protagonismo não terceirizam sua segurança nem tratam suas forças armadas como problema político doméstico. 

O impacto humano dessa visão também é subestimado. O militar profissional brasileiro é treinado para operar em ambientes complexos, cumprir missões de alto risco e responder a emergências nacionais e internacionais. Quando esse profissional é sistematicamente deslegitimado por narrativas ideológicas que o associam a um passado distante, o efeito não é apenas simbólico. Afeta moral, retenção de talentos e a própria eficácia operacional, enfraquecendo um dos poucos instrumentos do Estado capazes de responder rapidamente a crises de grande escala. 

Há ainda uma dimensão tecnológica frequentemente ignorada no debate político. A defesa moderna é um dos principais vetores de inovação em áreas críticas como software embarcado, sensores, comunicações seguras, inteligência artificial e integração de sistemas complexos. Países que abandonam projetos estratégicos ou mantêm suas forças armadas em estado de permanente contenção acabam por ampliar sua dependência externa, perdendo autonomia decisória justamente nos domínios mais sensíveis da soberania contemporânea. 

A experiência internacional demonstra que democracias sólidas não enfraquecem suas forças armadas para proteger o regime, elas as profissionalizam, submetem a controle civil e as integram a uma estratégia nacional clara. O erro brasileiro está em confundir vigilância democrática com desconfiança estrutural, e memória histórica com imobilismo estratégico. 

Sessenta anos após 1964, insistir em um discurso revisionista permanente não projeta maturidade política nem compromisso democrático. Projeta insegurança estratégica. Em um mundo que voltou a falar a linguagem do poder, da dissuasão e da competição entre Estados, o Brasil corre o risco de permanecer preso a debates do passado enquanto o ambiente internacional avança e cobra seu preço.


por Mauro Beirão - formado em engenharia mecânica e  35 anos de experiência na indústria de defesa e aeroespacial

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A Guerra Entre Rússia e Ucrânia: UM ALERTA ESTRATÉGICO À DEFESA BRASILEIRA

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MODERNIZAÇÃO TECNOLÓGICA: DRONES, IA E GUERRA CIBERNÉTICA 

Uma das lições mais evidentes é o papel central das tecnologias acessíveis e assimétricas. Na Ucrânia, drones comerciais adaptados, como os Bayraktar da Turquia e modelos iranianos Shahed, foram usados em enxames para saturar defesas aéreas, destruir blindados e realizar ataques kamikaze. Esses dispositivos, baratos e de fácil produção, mudaram o equilíbrio de forças, permitindo que uma nação menor resistisse a um invasor superior em número.   A inteligência artificial (IA) também se destacou, com ferramentas como as da Palantir² integrando dados de sensores para rastrear tropas em tempo real, melhorando a precisão de artilharia e reduzindo perdas humanas. 

A ofensiva no ambiente digital, embora tenha produzido efeitos mais limitados do que muitos analistas previam, com ações russas resultando sobretudo em perturbações pontuais, evidenciou a vulnerabilidade de sistemas essenciais, como os de energia e do setor financeiro. No caso brasileiro, a baixa prontidão diante de ameaças virtuais decorre, em grande parte, devido à dependência da importação de sistemas com esse tipo de tecnologia e da insuficiência de recursos destinados à inovação tecnológica e P&D, o que torna estratégico investir em capacidades próprias de proteção para garantir a continuidade de serviços vitais em situações de instabilidade. Isso implica em, investir em capacidades anti-drones e em sistemas de IA para monitoramento de fronteiras e para a vigilância da Amazônia, onde o terreno difícil favorece táticas assimétricas e mais recentemente o crime organizado, por exemplo, o Ministério da Defesa brasileiro, poderia investir na adaptação de ARPs³  de categoria 4, os mesmos já incorporados pela Força Aérea Brasileira.  


LOGÍSTICA, ESTOQUES E DESCENTRALIZAÇÃO DO COMANDO 

A logística tem se revelado um elemento decisivo no conflito entre Rússia e Ucrânia, expondo vulnerabilidades iniciais e evoluções estratégicas ao longo do tempo. Em 2022, a Rússia enfrentou graves problemas decorrentes de corrupção, planejamento inadequado e linhas de suprimento excessivamente longas, o que deixou colunas de veículos expostas a emboscadas ucranianas provocando escassez crítica de combustível e munições. Esses fatores resultaram em perdas substanciais e forçaram uma mudança para uma guerra de desgaste prolongado. 

Entre 2025 e 2026, Moscou implementou adaptações significativas, como o uso de drones para proteger comboios, a descentralização parcial de comandos para maior agilidade e o aumento da produção interna de materiais, reduzindo assim dependências externas. Apesar desses avanços, persistem desafios, incluindo ataques ucranianos constantes a rotas de abastecimento e depósitos, além de pressões econômicas que comprometem a sustentabilidade de longo prazo. 

Do lado ucraniano, a dependência de aliados ocidentais para 80-90% dos suprimentos gera gargalos em escala global. Desde dezembro de 2025, os bombardeios russos aos portos do Mar Negro obrigam o uso de rotas alternativas via Polônia e Romênia. Kiev recorre a estratégias assimétricas, como drones navais e inteligência artificial (IA) para otimizar fluxos logísticos, mas ainda continua enfrentando interrupções frequentes por meio de ataques cibernéticos e sabotagens.  

No contexto brasileiro, onde as Forças Armadas operam em áreas remotas muito extensas, isso sugere a necessidade de ampliar estoques de munições e equipamentos, reduzindo a dependência externa. Documentos do Exército Brasileiro já discutem lições para operações de convergência até 2040, enfatizando preparo para conflitos prolongados.  Descentralizar o comando poderia melhorar respostas a ameaças híbridas, como invasões em áreas fronteiriças ou disputas marítimas no Atlântico Sul. 

SISTEMAS DE DEFESA ANTIAÉREA E COSTEIRA 

A Ucrânia destacou a eficácia de sistemas antiaéreos avançados, como o Patriot americano, que interceptou mísseis e drones russos, restringindo o controle aéreo inimigo e permitindo operações terrestres mais seguras. Esse sucesso sublinha a necessidade de defesas em camadas, combinando radares de longo alcance, mísseis superfície-ar e contramedidas eletrônicas para neutralizar ameaças assimétricas, como enxames de drones. No Mar Negro, drones navais ucranianos, como os Sea Baby, afundaram navios russos, expondo fraquezas em defesas costeiras e demonstrando como tecnologias de baixo custo podem desafiar frotas convencionais. Para o Brasil, com seus 7.500 km de litoral e recursos offshore como o Pré-sal, essas lições impõem a urgência de fortalecer capacidades antinavio e antiaérea. Artigos da Escola Superior de Guerra (ESG) e análises militares brasileiras exploram como o míssil Neptune ucraniano, um sistema antinavio de precisão, poderia inspirar desenvolvimentos nacionais, como o MANSUP ou adaptações de mísseis costeiros para proteger plataformas de petróleo e rotas marítimas. Além disso, o conflito revela a importância de integrar IA e sensores para detecção precoce, sugerindo que o Brasil invista em radares over-the-Horizon e baterias móveis para defender a Amazônia Azul. Sem isso, vulnerabilidades a incursões híbridas, como pirataria ou disputas territoriais, poderiam comprometer a soberania, exigindo parcerias tecnológicas com aliados como Israel ou Suécia para modernizar o arsenal e treinar forças em cenários de guerra assimétrica. 

EVITAR AUTOLIMITAÇÕES ESTRATÉGICAS E CONSTRUIR DISSUASÃO 

Debates no Brasil identificam erros passados, como a renúncia a mísseis de longo alcance em 1995 e a adesão ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), que, embora promovam a imagem pacifista, limitam opções de dissuasão em um mundo multipolar. A Ucrânia, que abdicou de seu arsenal nuclear pós-soviético em troca de garantias de segurança (Memorando de Budapeste, 1994), tornou-se vulnerável à invasão russa, ilustrando como tratados podem falhar sem poder dissuasório autônomo. Para o Brasil, isso significa revisar políticas para preservar capacidades tecnológicas, como o programa nuclear pacífico (submarinos nucleares via PROSUB), sem violar compromissos internacionais, mas garantindo independência estratégica. Lições adicionais incluem o desenvolvimento de armas não-nucleares estratégicas, como hipersônicas ou de precisão, para criar “dissuasão por negação”, ou seja, tornando invasões custosas demais. O conflito também alerta para riscos pós-guerra: o influxo de armas ocidentais para o crime organizado, com relatos de equipamentos da Ucrânia chegando a facções brasileiras via mercado negro, e o retorno de mercenários nacionais com expertise em drones, potencializando ameaças internas como o narcotráfico na Amazônia. Assim, o Brasil deve priorizar inteligência e controle de fronteiras, para proteger seus 17.000 quilômetros de fronteira seca, além de investir em doutrina de dissuasão integrada, inspirada em estudos recentes, para evitar dependências que minem a soberania em cenários de crise global. 

GEOPOLÍTICA: Sanções, Propaganda e Alianças 

As sanções ocidentais contra a Rússia tiveram efeitos limitados, graças a alianças com China, Índia e Irã, que forneceram rotas alternativas para comércio e tecnologia, demonstrando a resiliência de economias diversificadas. A propaganda russa, ao subestimar a resistência ucraniana e promover narrativas internas, levou a erros operacionais e perda de apoio global. Para o Brasil, que manteve neutralidade no conflito, condenando a invasão sem aderir a sanções, isso reforça a estratégia de diversificar parcerias para mitigar impactos em cenários hipotéticos, como disputas no Atlântico Sul ou pressões por recursos amazônicos. A posição prudente reflete lições de autonomia, mas exige preparo para coerções externas, como boicotes econômicos, via fortalecimento de blocos como BRICS e Mercosul. Além disso, os Acordos de Minsk falhados destacam os perigos de negociações apressadas ou assimétricas, alertando o Brasil para abordagens cautelosas em disputas regionais, como com a Venezuela ou na Antártica, priorizando diplomacia respaldada por poder militar. Estudos brasileiros enfatizam a necessidade de contrapor narrativas estrangeiras com comunicação estratégica e inteligência cibernética, evitando que a desinformação corroa a coesão nacional em tempos de tensão geopolítica. Em suma, o conflito ensina que a geopolítica moderna demanda equilíbrio entre neutralidade e prontidão, posicionando o Brasil como ator global resiliente. 

CONCLUSÃO: Recomendações para a Defesa Brasileira 

A guerra Rússia-Ucrânia ensina que soberania depende de preparo autônomo: um país como o Brasil, deve estar preparado militarmente de forma independente, sem depender excessivamente de alianças externas ou tratados internacionais. Isso inclui investimentos em tecnologia, estoques e treinamento próprios, garantindo soberania e resiliência em cenários de conflito. Em essência, “pedaços de papel” (acordos) não substituem força real para deter ameaças. 

A vantagem tecnológica e operacional vem da integração de sensores, fogo de precisão, drones, EW e logística resiliente, não apenas do número bruto de blindados ou aeronaves.  O Brasil deve revisar sua Política Nacional de Defesa, investindo em modernização, estoques e dissuasão, como sugerido em estudos da ESG.  Com recursos naturais abundantes, o país não pode depender de aliados externos, como visto na Ucrânia.  Priorizar orçamento militar, parcerias tecnológicas e treinamento híbrido garantiria resiliência. Em um mundo multipolar, essas lições não são opcionais, são essenciais para preservar a paz pela força. 


por: Mauro Beirão - formado em engenharia mecânica e 35 anos de experiência na indústria de defesa e aeroespacial. 


² Palantir Technologies – Empresa norte-americana de software especializada em Inteligência Artificial 

³ Aeronaves Remotamente Pilotadas 

Fontes de Consulta: 

➢ Repositório Escola Superior de Guerra; 

➢ Portal de Periódicos da Marinha; 

➢ Revista GEO – Revista Interdisciplinar; 

➢ CEBRI Revista – Centro Brasileiro de Relações Internacionais. 

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