sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Alemanha e Países Baixos ampliam aquisição do BOXER RCT30 com mais 69 veículos

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A Alemanha e os Países Baixos ampliaram seus programas de modernização das forças terrestres com a aquisição de mais 69 veículos de combate de infantaria sobre rodas BOXER RCT30. O novo lote foi contratado pela OCCAR junto à ARTEC, joint venture formada pela KNDS Deutschland e pela Rheinmetall.

A aquisição corresponde a realização de uma opção prevista no contrato firmado em 2025, que contemplava inicialmente 222 unidades. Do novo lote, 35 veículos serão destinados à Bundeswehr, enquanto os Países Baixos receberão outros 34 exemplares.

Com a nova encomenda, a Alemanha amplia sua frota de BOXER RCT30, enquanto o Exército Real dos Países Baixos passa a contar com um total de 106 veículos nessa configuração. O movimento reforça a estratégia de aquisição conjunta adotada pelos dois países para ampliar a padronização de meios, a interoperabilidade e a eficiência logística entre suas forças terrestres.

Segundo a KNDS, a cooperação entre Alemanha e Países Baixos em programas de defesa já envolve plataformas como o carro de combate Leopard 2 e a família BOXER. A aquisição conjunta permite elevar os volumes de produção e, consequentemente, contribuir para acelerar as entregas, além de favorecer a formação de pessoal, a manutenção e a disponibilidade de peças e sistemas comuns.

Há décadas temos orgulho de ser parceiros do Exército Holandês. Seja no LEOPARD 2 ou no sistema BOXER, para citar apenas os programas de aquisição mais recentes que a Alemanha e os Países Baixos realizaram em conjunto, isso demonstra o que a cooperação europeia pode alcançar”, afirmou Florian Hohenwarter, CEO da KNDS Deutschland.

O executivo destacou ainda que a adoção de sistemas comuns contribui diretamente para a interoperabilidade entre as forças armadas dos dois países, além de produzir efeitos positivos sobre o treinamento e a logística.

BOXER RCT30 assume papel central nas Forças Médias

O BOXER RCT30 foi desenvolvido sobre a plataforma blindada sobre rodas BOXER, já empregada por diversos países, combinando sua elevada mobilidade e proteção com uma torre de 30 mm derivada do sistema utilizado no veículo blindado de combate de infantaria PUMA.

Na Bundeswehr, o veículo recebe a designação "Schakal" e terá papel central na estrutura das chamadas “Forças Médias”, conceito concebido para combinar a mobilidade estratégica das formações sobre rodas com poder de fogo e proteção compatíveis com operações de maior intensidade.

A torre RCT30 proporciona ao veículo capacidade de engajamento de alvos terrestres, incluindo ameaças móveis, com o emprego do armamento de 30 mm mesmo durante o deslocamento. Essa característica amplia a capacidade da infantaria mecanizada de acompanhar forças blindadas e realizar ações de combate mantendo mobilidade e proteção.

Outro elemento importante da configuração é a integração do sistema de mísseis anticarro MELLS, permitindo ao BOXER RCT30 enfrentar ameaças blindadas de maior porte, incluindo MBTs. A arquitetura do veículo também incorpora capacidade para combater drones e aeronaves, ampliando o espectro de ameaças que podem ser enfrentadas pelo sistema.

O BOXER RCT30 transporta seis militares de infantaria equipados, permitindo que o veículo funcione não apenas como plataforma de combate, mas também como meio protegido de transporte e apoio às tropas mecanizadas.

Padronização e interoperabilidade europeia

A ampliação da frota alemã e holandesa ocorre dentro de um movimento mais amplo de fortalecimento da cooperação militar europeia e de racionalização dos programas de aquisição. A utilização de plataformas comuns permite reduzir diferenças entre cadeias logísticas, facilitar o treinamento conjunto e ampliar a capacidade de emprego combinado.

Com a nova contratação, o BOXER RCT30 passa a possuir contratos firmados com quatro países, ampliando sua presença no mercado europeu de veículos de combate de infantaria sobre rodas.

A expansão do programa também reforça o papel da família BOXER como uma das principais plataformas blindadas sobre rodas em serviço no continente europeu, combinando modularidade, proteção e mobilidade com diferentes configurações de missão.


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Portões Abertos celebra os 110 anos da Aviação Naval e destaca evolução de capacidades da Força

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A Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia (BAeNSPA) recebeu milhares de visitantes durante o tradicional Portões Abertos, evento que neste ano celebrou um marco histórico: "Os 110 anos da Aviação Naval Brasileira". Mais de 60 mil pessoas passaram pela base neste ensolarado domingo (2), para conhecer de perto aeronaves de asa fixa, helicópteros, demonstrações operacionais e o trabalho desenvolvido diariamente pelos homens e mulheres que compõem o braço aéreo da Marinha do Brasil.

O GBN Defense esteve presente acompanhando toda a programação com sua equipe liderada pelo editor, Angelo Nicolaci, que também atua como correspondente no Brasil do portal argentino Zona Militar, uma das principais publicações especializadas em Defesa da América Latina. Durante o evento, Nicolaci entrevistou o Comandante da Força Aeronaval (ComForAerNav), Contra-Almirante (FN) Alexandre Vasconcelos Tonini, que apresentou um panorama dos principais programas em andamento na Aviação Naval e dos investimentos que vêm transformando a capacidade operacional da Força.

Ao comentar a importância da celebração, o ComForAerNav destacou o sucesso do evento e o papel da aproximação entre a Marinha e a sociedade.

"A nossa Aviação Naval hoje realizou o Portões Abertos aqui em São Pedro da Aldeia, recebendo cerca de 60 mil pessoas. Um dos eventos em comemoração aos 110 anos da Aviação Naval, muito importante para a nossa Marinha. Sendo o braço aéreo do Poder Naval."

A expressiva participação do público demonstra o interesse crescente da sociedade pelos temas ligados à Defesa Nacional. Em um país de dimensões continentais com uma área marítima de 5,7 milhões de quilômetros quadrados, a nossa "Amazônia Azul", sob sua responsabilidade, aproximar a população da realidade das Forças Armadas também significa fortalecer a compreensão sobre a importância estratégica do Poder Naval e da Aviação Naval para a proteção dos interesses brasileiros.

Uma nova geração de aviadores navais

Entre os principais anúncios feitos pelo Contra-Almirante (FN) Tonini está a renovação da frota destinada à formação dos futuros pilotos da Marinha.

"Nós estamos recebendo novas aeronaves de instrução, os IH-18 que estão substituindo nossos veteranos guerreiros Bell IH-6, que estão fazendo o seu último curso de formação de pilotos. Ano que vem todos os nossos aviadores navais serão formados apenas nos novos IH-18, então tem uma contribuição muito grande para a nossa Aviação Naval, para a nossa Marinha e para o nosso país."

A declaração marca oficialmente o encerramento de um capítulo importante na história da Aviação Naval. Após décadas formando gerações de aviadores, os tradicionais IH-6B JetRanger III entram em sua reta final de operação na instrução básica. A partir do próximo curso, essa missão será desempenhada exclusivamente pelos novos IH-18, cuja incorporação representa muito mais do que uma simples substituição de plataforma.

Os novos helicópteros oferecem um ambiente de instrução alinhado às exigências da aviação militar contemporânea, com aviônicos digitais, maior desempenho e tecnologias que aproximam o treinamento inicial da realidade operacional encontrada nas aeronaves atualmente empregadas pela Força Aeronaval. Trata-se de um investimento que impactará diretamente a qualidade da formação dos futuros pilotos pelos próximos anos.

Os "Linces" entram em uma nova fase operacional

Outro destaque apresentado pelo ComForAerNav foi a conclusão da modernização dos helicópteros AH-11B Wild Lynx, pertencentes ao 1º Esquadrão de Helicópteros de Esclarecimento e Ataque (EsqdHA-1 "Lince").

"Nós estamos recebendo a sexta aeronave modernizada, o nosso 'Lince'. A última aeronave está chegando no final deste mês, no dia 31 de agosto, para completar a frota modernizada, completando a frota de seis aeronaves AH-11B modernizadas."

A modernização dos AH-11B representa um dos programas mais importantes da Aviação Naval na última década. Muito além de uma extensão da vida útil, as aeronaves receberam novos motores LHTEC CTS800-4N, aviônicos atualizados e melhorias estruturais que ampliam significativamente sua disponibilidade e desempenho operacional.

Na prática, a Marinha preserva uma capacidade essencial para operações de esclarecimento, vigilância e ataque embarcado, mantendo um vetor plenamente compatível com os atuais desafios do ambiente marítimo e preparado para operar ao lado dos novos meios que estão sendo incorporados à Esquadra, como as Fragatas Classe Tamandaré.

Uma Aviação Naval em transformação

Ao resumir o atual momento vivido pela Força, o Contra-Almirante (FN) Tonini foi direto ao destacar a evolução da capacidade operacional.

"Então a Aviação Naval está cada vez mais crescendo de importância, adquirindo meios modernos para contribuir com o Poder Naval na defesa da nossa Amazônia Azul."

A afirmação sintetiza um processo que vem sendo observado de forma consistente nos últimos anos. A modernização dos helicópteros AH-11B "Lince", a incorporação dos IH-18, a retomada de capacidades importantes como o voo noturno em Guerra Antissubmarino, a integração com as futuras Fragatas Classe Tamandaré e a manutenção da capacidade embarcada demonstram que a Aviação Naval atravessa uma fase de renovação que vai além da simples aquisição de equipamentos.

O foco está na preservação e no fortalecimento de capacidades estratégicas. Em um ambiente onde a vigilância marítima, a proteção das linhas de comunicação e a defesa das riquezas existentes na Amazônia Azul assumem importância crescente, investir na Aviação Naval significa ampliar significativamente a capacidade de resposta da Marinha do Brasil diante de cenários cada vez mais complexos.

Uma Aviação Naval mais diversa

Outro ponto ressaltado pelo Comandante foi a evolução da participação feminina na atividade aérea.

"Temos também o ingresso das mulheres. As primeiras mulheres se formaram no ano passado, as duas primeiras aviadoras navais, e temos mais uma tenente fazendo o curso este ano. Então estamos abrindo espaço para as mulheres. A Marinha é pioneira com as mulheres, assim como também é a pioneira na aviação militar no Brasil."

A formação das primeiras aviadores navais representa um marco institucional importante. Mais do que ampliar a participação feminina, a iniciativa fortalece a capacidade da Força ao incorporar novos talentos a uma atividade altamente especializada, acompanhando uma evolução já observada nas principais marinhas do mundo.

Encerrando sua entrevista, o Contra-Almirante (FN) Tonini ressaltou que manter esse contato direto com a sociedade também faz parte da missão da Aviação Naval.

"Então é um orgulho muito grande para a nossa Marinha do Brasil estar aqui com a sociedade comemorando os 110 anos da Aviação Naval, estar sempre focada na defesa da Pátria, na salvaguarda da vida humana e também nessa comunicação com a nossa sociedade. É uma satisfação muito grande ter dado a oportunidade para a nossa sociedade estar em contato com os nossos meios, com os nossos militares, em um dia em família com a nossa Aviação Naval.

No Ar os Homens do Mar,  

ADSUMUS, 

Viva a Marinha,

Tudo Pela Nossa Pátria !!!"


Análise GBN Defense

Celebrar 110 anos é olhar para o passado, mas também definir os rumos do futuro. E a mensagem transmitida pelo Comandante da Força Aeronaval durante o Portões Abertos deixa claro que a Marinha compreende esse desafio.

Os programas apresentados não representam aquisições isoladas. A chegada dos IH-18 garante uma formação compatível com os desafios tecnológicos da aviação militar contemporânea. A modernização dos AH-11B preserva uma capacidade embarcada indispensável para o Poder Naval. Paralelamente, a incorporação de novas aviadoras e a continuidade da modernização da Aviação Naval demonstram uma preocupação que vai além da renovação de equipamentos: trata-se de investir simultaneamente em pessoas, doutrina e capacidade operacional.

Neste momento em que o Atlântico Sul ganha crescente relevância geopolítica e a Amazônia Azul concentra ativos estratégicos fundamentais para o Brasil, manter uma Aviação Naval moderna, bem treinada e plenamente integrada à Esquadra deixa de ser apenas uma necessidade militar. Torna-se um elemento essencial da estratégia nacional de defesa da nossa soberania.

Mais do que celebrar um legado iniciado em 1916, a Aviação Naval demonstra que continua preparada para escrever os próximos capítulos de sua história, preservando uma capacidade que permanece indispensável para que a Marinha do Brasil possa exercer com eficiência, sua missão constitucional de defender a soberania e os interesses marítimos brasileiros.


por Angelo Nicolaci


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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Gripen em ascensão: Saab dobra capacidade produtiva e consolida um dos programas mais estratégicos da atualidade com Brasil, Colômbia e Ucrânia

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A Saab entra em nova fase do programa Gripen com planos para quase dobrar sua capacidade anual de produção, um movimento que reflete o crescimento da demanda internacional pela aeronave sueca e a consolidação da aeronave como uma das principais plataformas de combate aéreo do mercado global.

Durante a apresentação dos resultados financeiros do segundo trimestre de 2026, o CEO da Saab, Micael Johansson, afirmou que a empresa trabalha para alcançar uma produção entre 25 e 30 aeronaves por ano, praticamente o dobro da capacidade atual.

“Nosso objetivo é atingir algo entre 25 e 30 aeronaves ao longo do ano. Isso representa quase o dobro da nossa capacidade atual”, afirmou Johansson.

Segundo o executivo, os investimentos realizados pela empresa permitirão ampliar a capacidade industrial e atender novos contratos, além de garantir maior previsibilidade para o programa nos próximos anos.

O movimento é reflexo da expansão do Gripen no cenário internacional, impulsionado por novas oportunidades comerciais e pela maturação de programas em andamento, especialmente no Brasil.

Brasil se consolida como parceiro estratégico do Gripen

O programa brasileiro F-X2 tornou-se um dos pilares mais importantes da estratégia global da Saab para o Gripen. Mais do que um contrato de aquisição, a parceria com o Brasil estabeleceu um modelo de cooperação industrial baseado em transferência de tecnologia, capacitação de engenheiros brasileiros e participação direta da indústria brasileira no desenvolvimento da aeronave.

A produção do F-39E Gripen no Brasil, conduzida em parceria com a Embraer e empresas da Base Industrial de Defesa brasileira, criou um novo patamar de capacidade tecnológica para o país, especialmente em áreas como integração de sistemas, engenharia aeronáutica, eletrônica embarcada e manutenção avançada.

Durante a apresentação dos resultados, Johansson destacou o avanço do programa brasileiro com a apresentação do primeiro F-39F Gripen, a versão de biposto desenvolvida para a Força Aérea Brasileira.

A aeronave, apresentada nas instalações da Saab em Linköping na Suécia, representa um marco importante para o desenvolvimento do programa e amplia as capacidades operacionais da FAB, especialmente em treinamento avançado, conversão operacional e desenvolvimento de doutrina.

Segundo o CEO da Saab, as entregas do F-39F Gripen devem iniciar na sequência, fortalecendo a continuidade do programa brasileiro.

Além da fabricação das aeronaves, Johansson ressaltou que o crescimento da divisão de Aeronáutica da Saab também está relacionado ao desenvolvimento de software tático, uma área que ganhou relevância crescente nos conflitos modernos.

O Gripen, assim como outras aeronaves avançadas contemporâneas, deixou de ser apenas uma plataforma física e passou a depender cada vez mais de sua arquitetura digital, capacidade de processamento e integração com sistemas de guerra em rede.

Vitória na Colômbia amplia presença do Gripen na América Latina

Outro fator relevante para a expansão do Gripen foi a vitória da Saab na concorrência colombiana para substituir os veteranos caças da Força Aérea Colombiana.

A escolha da Colômbia representa um avanço estratégico para a empresa sueca e fortalece a presença do Gripen na América Latina, região onde o Brasil já ocupa posição central dentro do programa.

A decisão colombiana demonstra a crescente aceitação do conceito oferecido pela Saab: uma aeronave moderna, com elevado nível tecnológico, custos operacionais competitivos e possibilidade de integração industrial com o país operador.

Para a América Latina, a entrada da Colômbia no grupo de operadores do Gripen pode abrir novas oportunidades de cooperação regional, especialmente em áreas como treinamento, logística, manutenção e compartilhamento de experiências operacionais.

A presença simultânea do Brasil e da Colômbia como usuários do Gripen também fortalece a posição da Saab no mercado latino americano, historicamente dominado por aeronaves norte-americanas e europeias de maior escala industrial.

Ucrânia pode elevar a escala do Gripen

Além do avanço na América Latina, a Saab acompanha uma possível expansão significativa do Gripen no continente europeu, especialmente com a perspectiva de fornecimento para a Ucrânia.

Johansson afirmou que o primeiro lote envolve 16 aeronaves Gripen E, embora o contrato ainda esteja em processo de formalização.

O executivo também destacou que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, mencionou uma possível necessidade futura de até 150 aeronaves.

Caso esse cenário avance, a Ucrânia poderá representar um dos maiores contratos da história do Gripen e alterar significativamente o ritmo de produção da aeronave.

A Saab espera contabilizar o acordo posteriormente, após a conclusão dos procedimentos administrativos relacionados ao financiamento europeu.

O interesse ucraniano pelo Gripen está associado às características da aeronave, especialmente sua capacidade de operar a partir de bases dispersas, menor demanda logística em comparação com caças mais pesados e facilidade de manutenção em ambientes operacionais complexos.

Uma nova escala industrial para o caça sueco

A decisão de elevar a produção para até 30 aeronaves anuais demonstra que a Saab está preparando sua cadeia produtiva para uma nova realidade do mercado internacional de defesa.

O Gripen consolidou-se como uma alternativa competitiva ao oferecer uma combinação entre tecnologia avançada, arquitetura aberta, capacidade de integração de armamentos modernos e custos operacionais reduzidos.

Essa característica tem sido especialmente valorizada por países que buscam substituir aeronaves antigas sem assumir os custos associados a plataformas de maior porte.

Entretanto, o desafio da Saab será equilibrar o aumento da produção com a manutenção do modelo de parceria tecnológica que se tornou um dos diferenciais do Gripen.

O caso brasileiro é um exemplo de como o programa deixou de ser apenas uma venda de aeronaves e passou a representar desenvolvimento industrial e tecnológico.

Análise GBN Defense

O movimento atual da Saab representa uma mudança importante na trajetória do Gripen. Durante muitos anos, o caça sueco enfrentou uma disputa difícil contra concorrentes apoiados por grandes potências, mas conseguiu construir uma posição própria no mercado internacional ao apostar na combinação de tecnologia avançada, custos operacionais competitivos e modelos de cooperação industrial.

O diferencial sueco não está apenas na aeronave, mas principalmente na forma como a Saab estrutura suas parcerias. O Gripen deixou de ser apresentado apenas como um produto de defesa e passou a ser oferecido como uma plataforma de desenvolvimento tecnológico, capaz de gerar conhecimento, fortalecer a indústria local e criar capacidades nacionais nos países operadores.

O Brasil é o principal exemplo dessa estratégia. O programa FX-2 Gripen demonstrou que uma aquisição pode ultrapassar a simples entrega de equipamentos, tornando-se um instrumento de desenvolvimento industrial. A participação brasileira no programa elevou o nível da indústria aeroespacial nacional, ampliou capacidades em engenharia, integração de sistemas, software embarcado e manutenção avançada, criando um legado tecnológico que permanecerá por décadas.

A vitória na Colômbia reforça esse movimento e amplia a presença do Gripen no continente sul-americano. A entrada de um novo operador na América Latina fortalece a possibilidade de uma comunidade regional de usuários, com potenciais ganhos em treinamento, logística, suporte operacional e cooperação tecnológica.

Além da expansão latino-americana, a Saab mantém sua ambição de disputar mercados de alta relevância estratégica. A participação da empresa na concorrência canadense para o futuro caça da Força Aérea Real Canadense demonstra que o Gripen continua buscando espaço entre países integrantes da OTAN e parceiros estratégicos dos Estados Unidos.

Embora o Canadá tenha escolhido inicialmente avançar com o F-35 Lightning II, a Saab mantém uma presença relevante no debate sobre alternativas para países que buscam maior autonomia operacional, menor dependência logística e maior participação industrial nacional. A experiência brasileira é justamente um dos principais argumentos da empresa nesses mercados: a possibilidade de transformar uma compra de aeronave em uma parceria tecnológica de longo prazo.

Já a possível encomenda da Ucrânia pode representar o maior desafio industrial da história do programa, exigindo uma ampliação significativa da capacidade produtiva da Saab e de sua cadeia de fornecedores. Caso um contrato de maior dimensão seja concretizado, a empresa precisará equilibrar novas encomendas com os compromissos já assumidos com Brasil, Suécia, Colômbia e outros potenciais clientes.

O cenário atual coloca o Gripen em posição estratégica: uma aeronave desenvolvida por uma potência mediana, que conquistou espaço global justamente por oferecer independência operacional, flexibilidade tecnológica e parcerias industriais profundas.

Para o Brasil, o momento reforça ainda mais a importância estratégica de manter a continuidade do programa Gripen. O Brasil não apenas adquiriu um caça moderno, mas participou da construção de uma capacidade tecnológica soberana, tornando-se parte ativa da evolução de uma das principais plataformas de combate aéreo ocidentais.

A próxima década será decisiva para determinar se o Gripen permanecerá como uma solução de nicho ou se consolidará sua posição entre os principais sistemas de combate aéreo do século XXI. O aumento da produção planejado pela Saab, aliado às novas oportunidades comerciais, pode representar a transição do Gripen de um programa bem-sucedido para uma família de aeronaves com presença global consolidada.

Mais do que uma aeronave, o Gripen tornou-se um exemplo de como cooperação industrial, transferência de tecnologia e planejamento estratégico de longo prazo podem transformar um programa militar em vetor de desenvolvimento nacional e de inserção internacional.


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A estratégia silenciosa da Türkiye: formação de capital humano como novo pilar da autonomia de defesa

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A consolidação da Türkiye como um dos principais polos emergentes da indústria global de defesa não está baseada apenas no desenvolvimento de plataformas militares avançadas, como veículos blindados, sistemas não tripulados, aeronaves de combate e mísseis. Por trás dessa transformação existe uma estratégia de longo prazo voltada para um ativo considerado cada vez mais crítico no ambiente geopolítico contemporâneo: o capital humano especializado.

O lançamento e a expansão do programa "Millî Yetkinlik Hamlesi" (Mobilização Nacional de Competências) revelam uma mudança importante na forma como Ancara interpreta a autonomia tecnológica. Mais do que produzir equipamentos nacionais, a Türkiye busca garantir que possua as pessoas capazes de projetar, desenvolver, atualizar e sustentar esses sistemas ao longo de décadas.

A iniciativa, conduzida pelo Secretariado das Indústrias de Defesa (SSB), representa uma abordagem que conecta educação, formação profissional, universidades, empresas estratégicas e oportunidades de carreira dentro da Base Industrial de Defesa turca.

Desde sua implementação, o programa já envolveu aproximadamente 500 mil pessoas por meio de cursos, eventos, plataformas digitais e iniciativas de integração profissional, demonstrando que a Türkiye trata a formação de especialistas como uma questão diretamente relacionada à segurança nacional.

Da independência industrial à independência intelectual

Durante o evento que marcou o segundo aniversário do Millî Yetkinlik Hamlesi, realizado na Biblioteca Nacional Presidencial em Ancara, o secretário da SSB, professor Haluk Görgün, destacou que a capacidade de uma nação sobreviver em um ambiente de crise depende menos das respostas imediatas e mais das capacidades construídas antecipadamente.

A declaração sintetiza uma das principais mudanças no pensamento estratégico da Türkiye: a percepção de que soberania militar não está restrita ao domínio de plataformas, mas envolve também o domínio do conhecimento.

Segundo Görgün, desenvolver novos sistemas não é suficiente. Uma indústria de defesa madura precisa preservar uma cadeia contínua de conhecimento, engenharia especializada, memória institucional e capacidade de inovação.

Essa visão acompanha uma tendência observada nas principais potências militares do mundo. Sistemas complexos, como aeronaves de combate, veículos autônomos, radares avançados e sistemas baseados em inteligência artificial, dependem menos da capacidade de montagem industrial e mais da existência de ecossistemas tecnológicos capazes de evoluir continuamente.

Nesse contexto, a Türkiye busca reduzir não apenas a dependência de componentes estrangeiros, mas também a dependência de conhecimento externo.

A formação como instrumento de poder nacional

O Millî Yetkinlik Hamlesi está estruturado em quatro plataformas principais e 11 programas voltados para diferentes públicos, abrangendo desde estudantes do ensino médio até profissionais experientes da indústria.

Entre os programas está o Programa de Ensino Médio da Indústria de Defesa, que já alcançou milhares de estudantes, criando uma conexão antecipada entre jovens talentos e o setor estratégico.

Outro destaque é o Programa ELMAS, direcionado ao ensino técnico e profissionalizante, que busca formar uma nova geração de especialistas capazes de atuar em áreas como eletrônica, software, manufatura avançada e sistemas militares.

No nível universitário, a iniciativa criou módulos específicos de formação superior, com centenas de cursos voltados às necessidades da indústria de defesa.

A lógica adotada pela Türkiye é clara: a formação de engenheiros e especialistas não pode depender apenas da universidade tradicional. É necessário criar uma ponte permanente entre academia, centros de pesquisa e empresas estratégicas de defesa.

A guerra moderna exige novas competências

A iniciativa também reflete uma mudança no próprio conceito de indústria de defesa. Durante décadas, o poder militar esteve associado principalmente ao número de plataformas disponíveis: blindados, navios, aeronaves e sistemas de artilharia.

Entretanto, os conflitos recentes demonstraram que áreas como inteligência artificial, guerra eletrônica, sistemas autônomos, cibersegurança, computação avançada e tecnologias espaciais passaram a definir vantagens estratégicas. A própria SSB aponta esses setores como prioritários para o futuro da segurança nacional turca.

A mensagem transmitida pelas autoridades é que depender de outros países em tecnologias críticas representa uma vulnerabilidade estratégica. Nesse cenário, a formação de especialistas torna-se tão importante quanto a produção física dos equipamentos.

Um caça moderno, por exemplo, não representa apenas uma aeronave. Ele depende de milhares de profissionais envolvidos em software embarcado, sensores, materiais compostos, integração de sistemas, análise de dados e manutenção avançada.

Combatendo a fuga de cérebros

Um dos aspectos mais relevantes da estratégia turca é a tentativa de transformar a chamada "fuga de cérebros" em "capital intelectual". O governo turco tem buscado atrair profissionais altamente qualificados que trabalham no exterior, especialmente em áreas relacionadas à engenharia e tecnologia.

A empresa estatal ASELSAN é apresentada como um exemplo dessa política. Segundo autoridades turcas, em 2025 o número de profissionais que retornaram do exterior para trabalhar na empresa teria sido superior ao número daqueles que deixaram a organização para assumir posições fora do país. Esse movimento demonstra uma tentativa de criar um ambiente capaz não apenas de formar talentos, mas também de retê-los.

Para países que buscam desenvolver uma indústria de defesa competitiva, essa é uma das maiores dificuldades: formar profissionais altamente capacitados e impedir que eles migrem para mercados mais desenvolvidos.

O ecossistema tecnológico da Türkiye

O Millî Yetkinlik Hamlesi complementa outras iniciativas turcas voltadas ao desenvolvimento tecnológico, como o TEKNOFEST, que se tornou uma das maiores plataformas de divulgação científica e tecnológica do país.

Enquanto o TEKNOFEST atua como ferramenta de aproximação com jovens estudantes por meio de competições e desafios tecnológicos, o Millî Yetkinlik Hamlesi busca criar uma trajetória completa, levando esse interesse inicial até uma carreira dentro da indústria estratégica.

Essa combinação entre educação, competição, pesquisa e emprego cria um ciclo de formação de talentos.

É justamente esse ciclo que permitiu que empresas turcas avançassem rapidamente em áreas como aeronaves não tripuladas, eletrônica embarcada, sistemas de armas e plataformas navais.

Uma indústria de defesa baseada em conhecimento

A Türkiye ultrapassou recentemente a marca de US$ 10 bilhões em exportações de defesa e aeroespaciais, posicionando-se entre os principais exportadores globais do setor.

Esse crescimento foi impulsionado por produtos como sistemas não tripulados, veículos blindados, equipamentos eletrônicos e soluções desenvolvidas por empresas nacionais. Contudo, a próxima fase da estratégia turca parece ir além da venda de equipamentos.

O objetivo declarado por Ancara é exportar também conhecimento, modelos de formação profissional e capacidade tecnológica.

Essa mudança indica uma compreensão de que, no século XXI, uma indústria de defesa competitiva não é construída apenas por fábricas, mas por universidades, centros de pesquisa, empresas inovadoras e uma geração permanente de especialistas.

Análise: o poder estratégico do capital humano e as lições para o Brasil

A experiência da Türkiye apresenta um ponto fundamental para países que buscam fortalecer sua Base Industrial de Defesa: a autonomia tecnológica começa antes da linha de produção.

Investimentos em equipamentos militares costumam receber maior atenção pública, pois são mais visíveis e possuem impacto imediato na capacidade operacional das Forças Armadas. Entretanto, a capacidade real de uma nação desenvolver, atualizar e sustentar sistemas complexos depende de um elemento menos perceptível, porém decisivo: pessoas qualificadas.

A Türkiye demonstra compreender que uma indústria de defesa soberana não pode ser construída apenas com fábricas, contratos de aquisição ou transferência de tecnologia. É necessário criar um ecossistema permanente de conhecimento, capaz de formar engenheiros, pesquisadores, técnicos e gestores que mantenham a evolução tecnológica ao longo das décadas.

O Millî Yetkinlik Hamlesi representa justamente essa visão de Estado. Ao conectar ensino básico, formação técnica, universidades, centros de pesquisa e empresas estratégicas, Ancara busca construir uma cadeia contínua de talentos que acompanhe o crescimento de sua indústria de defesa.

Essa estratégia explica, em parte, como a Türkiye conseguiu avançar rapidamente em segmentos como sistemas não tripulados, eletrônica embarcada, sensores, guerra eletrônica, veículos blindados e plataformas navais. O desenvolvimento de produtos competitivos internacionalmente dependeu não apenas de investimentos financeiros, mas da criação de uma massa crítica de especialistas.

A experiência turca também evidencia outro aspecto relevante: a disputa tecnológica moderna ocorre tanto pela posse de sistemas quanto pela capacidade de dominá-los intelectualmente.

Países que dependem exclusivamente de fornecedores estrangeiros para tecnologias críticas podem adquirir equipamentos modernos, mas permanecem vulneráveis às restrições de exportação, mudanças políticas e limitações impostas por seus parceiros.

A Türkiye busca justamente evitar esse cenário ao transformar conhecimento em ativo estratégico.

Para o Brasil, que possui uma Base Industrial de Defesa consolidada, universidades de excelência e empresas com histórico de desenvolvimento tecnológico, o modelo turco oferece importantes pontos de reflexão.

A primeira lição é a necessidade de uma política nacional permanente de formação de talentos voltados à defesa e tecnologias críticas.

O Brasil possui iniciativas importantes, como programas acadêmicos, institutos tecnológicos militares e projetos conduzidos por empresas estratégicas, porém ainda existe uma distância significativa entre a formação acadêmica e as necessidades reais da indústria de defesa.

Uma política inspirada no modelo turco poderia integrar de forma mais estruturada:

  • ensino médio técnico;

  • universidades;

  • institutos de pesquisa;

  • empresas da Base Industrial de Defesa;

  • programas de estágio e desenvolvimento profissional.

A segunda lição está relacionada à retenção de conhecimento estratégico. O Brasil investe recursos significativos na formação de engenheiros, pesquisadores e especialistas, mas frequentemente perde parte desse capital humano para outros setores ou países. A experiência da Türkiye demonstra que atrair e manter talentos deve ser tratado como uma questão estratégica, especialmente em áreas como inteligência artificial, espaço, cibernética, materiais avançados, sensores e sistemas autônomos.

A terceira lição envolve a importância da continuidade institucional. Grandes programas de defesa possuem ciclos superiores aos mandatos governamentais. A formação de especialistas, da mesma forma, exige planejamento de longo prazo. Um engenheiro formado hoje pode representar, décadas depois, a liderança técnica responsável por projetos estratégicos nacionais.

Nesse aspecto, o Brasil precisa fortalecer mecanismos que garantam previsibilidade para projetos de defesa e para a manutenção de competências industriais.

A quarta lição está na integração entre juventude e inovação. A Türkiye utiliza eventos como o TEKNOFEST para aproximar jovens das áreas tecnológicas e despertar vocações. O Brasil possui iniciativas semelhantes, mas poderia ampliar essa conexão, utilizando desafios tecnológicos, competições acadêmicas e programas nacionais para aproximar estudantes das demandas da Base Industrial de Defesa.

Por fim, a principal lição é que soberania tecnológica não depende apenas daquilo que um país produz, mas da capacidade que possui de continuar produzindo, evoluindo e inovando de forma independente.

O Brasil possui uma vantagem importante: uma base industrial estabelecida, empresas reconhecidas internacionalmente e instituições capazes de gerar conhecimento. O desafio está em transformar esses ativos em uma estratégia nacional integrada, capaz de garantir que o país não apenas opere sistemas modernos, mas tenha domínio sobre as tecnologias que definirão o futuro dos conflitos.

A experiência da Türkiye mostra que a próxima geração de poder militar será construída menos pelo tamanho dos arsenais e mais pela capacidade de formar, manter e aplicar conhecimento.

No século XXI, o recurso estratégico mais valioso de uma indústria de defesa não está armazenado em hangares, arsenais ou estaleiros, mas nas pessoas capazes de criar o próximo salto tecnológico.


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T-629: TAI avança no desenvolvimento de novo helicóptero de ataque turco para ampliar sua família ATAK

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A indústria de defesa da Türkiye continua ampliando suas capacidades no segmento de aeronaves de asas rotativas com o desenvolvimento do T-629, novo helicóptero de ataque da Turkish Aerospace Industries (TAI). Concebido a partir da experiência adquirida com o T-129 ATAK, o programa busca preencher a lacuna existente entre o helicóptero leve de ataque atualmente em operação e a futura plataforma pesada de combate desenvolvida pela empresa.

O programa teve sua fase de projeto conceitual iniciada em 14 de agosto de 2017 e representa mais um passo da estratégia da Türkiye para fortalecer sua autonomia tecnológica no setor de defesa. Desenvolvido integralmente com recursos nacionais, o T-629 incorpora a experiência acumulada pela TAI em programas anteriores e demonstra a evolução da capacidade de engenharia da indústria aeronáutica turca.

Com peso máximo de decolagem de aproximadamente seis toneladas, o T-629 mantém a configuração geral do T-129 ATAK, mas apresenta uma estrutura reforçada que amplia sua capacidade operacional. O aumento de cerca de uma tonelada em relação ao modelo atual permitirá transportar maior quantidade de armamentos, especialmente munição para o canhão automático de 20 mm, além de incorporar sensores mais avançados e sistemas eletrônicos de missão com maior capacidade de processamento.

Um dos diferenciais do projeto é o elevado nível de comunalidade com o helicóptero utilitário GÖKBEY. O compartilhamento de aviônicos, sistemas embarcados e parte da cadeia logística reduz custos de desenvolvimento e manutenção, simplifica o treinamento das equipes e aumenta a disponibilidade operacional, uma característica cada vez mais valorizada por operadores militares.

O T-629 faz parte de uma estratégia mais ampla da TAI para oferecer uma família completa de helicópteros militares. Enquanto o T-129 permanece voltado às missões de ataque leve e reconhecimento armado, o novo modelo deverá oferecer maior poder de fogo, capacidade de sobrevivência e autonomia, posicionando-se entre o ATAK e o futuro helicóptero pesado de aproximadamente dez toneladas que também está em desenvolvimento.

O Mock-Up em tamanho real da aeronave foi apresentada pela primeira vez em junho de 2020, marcando o amadurecimento do programa. Embora o cronograma inicial previsse o início dos testes de voo em 2021 e sua incorporação às Forças Terrestres da Türkiye poucos anos depois, o desenvolvimento seguiu um ritmo compatível com a complexidade do projeto e permanece entre as prioridades da indústria de defesa do país.

O T-629 evidencia que a Türkiye deixou de concentrar seus esforços apenas na produção sob licença para assumir uma posição de destaque no desenvolvimento de plataformas próprias. Ao criar uma aeronave intermediária entre o T-129 ATAK e o futuro helicóptero pesado, a TAI amplia seu portfólio e oferece uma solução capaz de atender operadores que necessitam de maior capacidade de combate sem os custos de aquisição e operação de helicópteros de maior porte.

Caso alcance o mesmo desempenho operacional e comercial obtido pelo T-129 ATAK, o T-629 poderá fortalecer ainda mais a presença da Türkiye no competitivo mercado internacional de helicópteros militares, consolidando o país como um dos principais exportadores emergentes de sistemas de defesa de alta tecnologia.


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PANAMAX 2026 reforça proteção de infraestruturas críticas e evidencia a evolução da segurança hemisférica

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A realização da PANAMAX 2026 confirma a evolução de um dos mais importantes exercícios multinacionais conduzidos no Hemisfério Ocidental. Criado originalmente para treinar a defesa do Canal do Panamá, o exercício ultrapassou há muito tempo esse objetivo e passou a refletir a transformação do ambiente estratégico internacional, no qual a proteção de infraestruturas críticas, a interoperabilidade entre forças militares e a resposta a ameaças híbridas assumem papel central no planejamento de defesa.

Coordenada pelo U.S. Southern Command (SOUTHCOM), em parceria com o governo do Panamá, a edição deste ano reúne mais de uma dezena de países em um amplo exercício de comando e controle, integrando forças militares, órgãos governamentais e agências civis em cenários que simulam crises de elevada complexidade. Mais do que proteger o Canal do Panamá, a PANAMAX busca validar a capacidade dos países participantes de responder de forma coordenada a ameaças capazes de comprometer a estabilidade regional e afetar uma das mais importantes rotas marítimas do comércio internacional.

Essa transformação não ocorreu por acaso. Nos últimos anos, o ambiente estratégico nas Américas tornou-se significativamente mais complexo. O fortalecimento de organizações criminosas transnacionais, o aumento da frequência de ataques cibernéticos contra infraestruturas críticas, a intensificação da competição entre grandes potências e a crescente presença de atores extrarregionais em setores estratégicos da América Latina modificaram a forma como os países passaram a enxergar sua própria segurança.

Nesse contexto, proteger o Canal do Panamá deixou de significar apenas garantir a segurança de uma hidrovia. Significa preservar um dos principais corredores logísticos do planeta, responsável por aproximadamente 5% do comércio marítimo mundial, além de assegurar a mobilidade estratégica entre os oceanos Atlântico e Pacífico, fator de enorme relevância para o fluxo comercial global e para o deslocamento de forças militares.

Ao longo de mais de duas décadas, a PANAMAX deixou de ser um exercício predominantemente naval para tornar-se uma operação multidomínio, na qual forças terrestres, navais, aéreas, componentes cibernéticos e estruturas de comando e controle atuam de forma integrada. Essa evolução acompanha a própria transformação dos conflitos contemporâneos, nos quais as ameaças dificilmente se restringem a um único domínio operacional.

Os cenários simulados durante a edição de 2026 refletem essa realidade. Entre as hipóteses trabalhadas estão ataques cibernéticos contra redes de energia e comunicações, sabotagem de instalações portuárias, terrorismo, ações de organizações criminosas transnacionais, campanhas de desinformação, incidentes marítimos de grande proporção e crises humanitárias que exigem resposta coordenada entre militares e autoridades civis.

A integração entre diferentes instituições tornou-se um dos pilares da PANAMAX. Além das Forças Armadas, participam órgãos de segurança pública, defesa civil, autoridades portuárias, organismos responsáveis pela gestão de infraestruturas críticas e agências governamentais, reproduzindo um ambiente operacional muito próximo daquele encontrado em situações reais de crise.

Mais do que demonstrar capacidade militar, o exercício concentra esforços no aperfeiçoamento dos processos de planejamento conjunto, na integração dos sistemas de comando e controle e no compartilhamento de informações entre os diferentes níveis de decisão. Em operações contemporâneas, a superioridade informacional tornou-se tão importante quanto a superioridade de fogo.

Essa característica acompanha a adoção crescente do conceito de Operações Multidomínio (Multi-Domain Operations – MDO), no qual ações desenvolvidas nos ambientes terrestre, marítimo, aéreo, espacial, cibernético e informacional são planejadas de maneira integrada para produzir efeitos simultâneos sobre o adversário.

Nesse modelo operacional, um ataque cibernético pode comprometer sistemas de comando antes do início de uma operação convencional, enquanto campanhas de desinformação podem influenciar decisões políticas ou afetar a percepção da população sobre determinado conflito. A PANAMAX busca justamente preparar os participantes para atuar nesse ambiente cada vez mais complexo e interdependente.

Embora o exercício seja coordenado pelo SOUTHCOM, sua importância vai além dos interesses estratégicos dos Estados Unidos. Para os países participantes, representa uma oportunidade de aperfeiçoar procedimentos de interoperabilidade, absorver novas doutrinas operacionais e fortalecer a capacidade de resposta conjunta diante de crises que dificilmente respeitam fronteiras nacionais.

Outro aspecto relevante é a crescente atenção dedicada à proteção de infraestruturas críticas. Portos, aeroportos, redes de energia, sistemas de comunicações, centros logísticos e instalações estratégicas passaram a ser considerados alvos prioritários em eventuais conflitos, seja por meio de ataques convencionais, seja por ações cibernéticas ou operações de influência.

Até o momento, os organizadores ainda não divulgaram oficialmente a composição completa dos meios navais, terrestres e aéreos empregados na edição de 2026, concentrando a divulgação institucional nos objetivos estratégicos e no desenvolvimento das atividades de planejamento operacional.

Análise

A PANAMAX 2026 demonstra que a defesa das infraestruturas críticas deixou de ser um desafio exclusivamente militar. A complexidade das ameaças contemporâneas exige integração permanente entre Forças Armadas, órgãos de segurança, inteligência, operadores de infraestrutura e autoridades civis, tornando o comando e controle um dos principais fatores para o sucesso das operações.

O exercício também evidencia uma mudança significativa na natureza dos conflitos modernos. Antes mesmo do emprego da força convencional, ataques cibernéticos, campanhas de desinformação, sabotagem de sistemas logísticos e ações conduzidas por organizações criminosas ou atores estatais podem produzir impactos estratégicos equivalentes aos de uma ofensiva militar.

Ao incorporar esses elementos em seus cenários operacionais, a PANAMAX consolida-se como um laboratório para o desenvolvimento de capacidades voltadas às Operações Multidomínio, conceito que vem orientando a evolução doutrinária das principais forças militares do mundo.

Sob a perspectiva geopolítica, a operação também reforça a estratégia dos Estados Unidos de fortalecer sua arquitetura de segurança no Hemisfério Ocidental em um momento marcado pela crescente competição entre grandes potências e pelo aumento da presença de atores extrarregionais na América Latina. Ainda que o exercício não tenha como objetivo declarado responder diretamente a esse cenário, a interoperabilidade construída entre os países participantes amplia a capacidade coletiva de proteger ativos estratégicos e responder a crises regionais.

Mais do que um exercício voltado à defesa do Canal do Panamá, a PANAMAX tornou-se uma plataforma de integração estratégica. Sua evolução reflete a compreensão de que os conflitos do século XXI serão definidos não apenas pela capacidade de empregar força militar, mas pela rapidez com que Estados conseguem integrar informações, coordenar instituições, proteger infraestruturas críticas e transformar dados em decisões operacionais. É justamente nesse ponto que reside a principal relevância da PANAMAX 2026 para a segurança hemisférica.


Por Angelo Nicolaci


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Exército Brasileiro avança na implementação da Força 40 com foco na transformação institucional e preparação para os conflitos do futuro

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O Exército Brasileiro segue avançando na implementação da Força 40, projeto estratégico que estabelece as bases para a transformação da Força Terrestre até 2040. Mais do que um programa de modernização de equipamentos, a iniciativa busca adaptar a instituição às mudanças observadas no ambiente operacional contemporâneo, marcado pela convergência entre novas tecnologias, disputas no espaço cibernético, competição geopolítica e conflitos multidomínio.

Nesse contexto, o Departamento-Geral do Pessoal (DGP) promoveu, entre os dias 22 e 24 de julho, o Workshop sobre Gestão do Pessoal para a Força 40, reunindo oficiais-generais, especialistas e representantes de diversas Organizações Militares para discutir os desafios relacionados à dimensão humana da transformação institucional.

O evento teve como objetivo desenvolver propostas voltadas ao fortalecimento da gestão de recursos humanos, reconhecendo que a evolução tecnológica somente produzirá os resultados esperados se acompanhada por mudanças na formação, capacitação e gestão do efetivo responsável por operar os novos sistemas e conduzir as operações do futuro.

A palestra de abertura foi ministrada pelo especialista em Gestão e Inovação Tecnológica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Dr. Marcello José Pio, pesquisador com ampla experiência em estudos prospectivos e planejamento estratégico, que abordou os impactos das transformações tecnológicas e sociais sobre as organizações e os desafios impostos às instituições de defesa nas próximas décadas.

Durante os três dias de atividades, os participantes debateram quatro áreas consideradas prioritárias para o processo de transformação: capital humano e os objetivos da Força 40, mudanças geracionais, incorporação de tecnologias emergentes, incluindo inteligência artificial e saúde digital, e temas relacionados à sustentabilidade e à governança institucional. Além das palestras, grupos de trabalho e plenárias permitiram consolidar propostas destinadas a subsidiar futuras diretrizes para a gestão de pessoal do Exército Brasileiro.

A iniciativa contou com a participação do Chefe do Departamento-Geral do Pessoal, General de Exército Luiz Fernando Estorilho Baganha, além de oficiais-generais de órgãos setoriais, diretores e outras autoridades envolvidas na condução do processo de transformação da Força Terrestre.

Política de Transformação orienta a construção da Força 40

A Força 40 está estruturada sobre a Política de Transformação do Exército Brasileiro (EB10-P-01.031), aprovada pela Portaria C Ex nº 2.662, de 9 de abril de 2026, documento que estabelece as diretrizes para acelerar a adaptação da instituição às exigências operacionais das próximas décadas.

A política define quatro eixos estruturantes: reorganização institucional, desenvolvimento de capacidades, evolução doutrinária e valorização do fator humano. Entre as mudanças previstas está a reorganização das forças em diferentes níveis de emprego, contemplando Forças de Emprego Imediato, Forças de Emprego de Prontidão, Forças de Emprego Continuado, Forças de Emprego no Multidomínio e Módulos de Apoio Ampliado, modelo que busca ampliar a flexibilidade operacional e a capacidade de resposta diante de diferentes cenários de crise.

Essa reorganização acompanha a evolução do ambiente estratégico internacional, no qual os conflitos passaram a ocorrer simultaneamente em múltiplos domínios operacionais. Além das operações terrestres convencionais, as forças armadas modernas precisam atuar em ambientes cibernéticos, eletromagnéticos, espaciais e informacionais, enfrentando ameaças híbridas que frequentemente se desenvolvem abaixo do limiar de uma guerra declarada.

A dimensão humana como fator decisivo

Embora tecnologias como inteligência artificial, sensores inteligentes, sistemas autônomos e veículos não tripulados ocupem posição central na transformação das forças armadas ao redor do mundo, o Exército Brasileiro destaca que a adaptação institucional depende, sobretudo, da preparação de seu efetivo.

A gestão do conhecimento, a qualificação permanente, a retenção de talentos e a formação de profissionais capazes de operar sistemas cada vez mais complexos passam a constituir elementos essenciais para o sucesso da Força 40. Dessa forma, a transformação não se limita à incorporação de novas capacidades tecnológicas, mas envolve uma revisão abrangente da estrutura organizacional, dos processos decisórios e da formação dos recursos humanos.

Análise do GBN

A implementação da Força 40 representa uma das mais importantes iniciativas de transformação institucional conduzidas pelo Exército Brasileiro nas últimas décadas. Diferentemente de programas voltados exclusivamente à aquisição de equipamentos, a proposta busca alinhar organização, doutrina, capacidades e pessoal às características do ambiente operacional previsto para as próximas décadas.

Os conflitos recentes evidenciaram que superioridade tecnológica, por si só, não garante vantagem estratégica. A capacidade de integrar informações em tempo real, operar em ambiente multidomínio, adaptar rapidamente estruturas organizacionais e preparar recursos humanos qualificados tornou-se tão importante quanto a incorporação de novos sistemas de armas.

Nesse contexto, a realização do workshop pelo Departamento-Geral do Pessoal demonstra que o Exército Brasileiro reconhece a dimensão humana como um dos pilares da transformação institucional. Ao incorporar temas como inteligência artificial, mudanças geracionais, saúde digital e inovação à gestão de pessoal, a Força Terrestre busca construir as bases para uma força mais preparada para responder aos desafios operacionais e tecnológicos que deverão caracterizar os cenários de defesa até 2040.


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