segunda-feira, 20 de julho de 2026

ARES conclui testes do novo COAPS para a Alça Optrônica ATENA

A modernização dos meios navais não depende apenas da incorporação de novos navios ou sistemas de armas. Em muitos casos, o verdadeiro ganho operacional está na evolução de subsistemas capazes de ampliar a consciência situacional, reduzir custos logísticos e aumentar a disponibilidade dos meios ao longo de décadas de operação. É justamente nessa direção que avança a ARES Aeroespacial e Defesa S/A, ao concluir com êxito o Teste de Aceitação em Fábrica (Factory Acceptance Test – FAT) do novo COAPS (Commander Open Architecture Panoramic Sight), sistema que passa a integrar a Alça Optrônica ATENA, empregada pela Marinha do Brasil.

O teste foi acompanhado por representantes da Diretoria de Sistemas de Armas da Marinha (DSAM) e do Centro de Manutenção de Sistemas da Marinha (CMS), que validaram os requisitos previstos para o equipamento, marcando mais uma etapa importante na evolução tecnológica da solução desenvolvida pela empresa.

A incorporação do COAPS representa um salto qualitativo para a Alça Optrônica ATENA. Desenvolvido com base em uma arquitetura aberta e moderna, o novo sistema amplia significativamente as capacidades de observação, vigilância, identificação e aquisição de alvos, elementos essenciais para operações navais contemporâneas.

No ambiente marítimo, onde fatores como grande distância de observação, condições meteorológicas adversas e a multiplicidade de ameaças exigem elevado desempenho dos sensores embarcados, sistemas eletro-ópticos assumem papel cada vez mais relevante. Eles complementam radares, sistemas de combate e demais sensores da embarcação, fornecendo imagens estabilizadas de alta qualidade e permitindo a identificação positiva de contatos, tanto de dia quanto à noite.

Essa capacidade torna-se ainda mais importante diante da crescente complexidade do ambiente operacional, marcado pelo emprego de embarcações rápidas, veículos não tripulados e ameaças assimétricas, nas quais a velocidade da identificação pode ser determinante para o sucesso da missão.

Sustentabilidade logística: um fator estratégico

Se o avanço tecnológico representa um dos pilares da modernização, a sustentabilidade logística talvez seja seu principal diferencial estratégico.

Produzido e mantido integralmente no Brasil pela ARES, o COAPS reduz significativamente a dependência de fornecedores estrangeiros para manutenção, atualização e suporte técnico. Em um cenário internacional caracterizado por restrições comerciais, dificuldades na cadeia global de suprimentos e incertezas geopolíticas, possuir domínio nacional sobre componentes críticos deixou de ser apenas uma vantagem industrial para tornar-se uma necessidade estratégica.

A nacionalização da manutenção também reduz riscos associados à obsolescência tecnológica, amplia a disponibilidade operacional dos sistemas e proporciona maior previsibilidade ao longo de todo o ciclo de vida do equipamento, aspecto cada vez mais valorizado pelas Forças Armadas em seus programas de aquisição.

Mais do que adquirir um sensor moderno, a Marinha passa a contar com uma solução cuja evolução tecnológica, suporte e manutenção permanecem sob controle da indústria nacional.

Outro aspecto que merece destaque é a estratégia adotada pela ARES de construir uma arquitetura comum entre diferentes programas de defesa.

O mesmo COAPS que agora passa a integrar a Alça Optrônica ATENA já equipa as torres remotamente controladas UT30BR modernizadas em operação no Exército Brasileiro, também é empregado em outros programas conduzidos pela empresa e fará parte do sistema antidrone atualmente em desenvolvimento pela ARES.

Embora muitas vezes pouco percebida fora do ambiente técnico, essa comunalidade representa um dos maiores ganhos para qualquer força militar moderna.

Ao utilizar um mesmo sensor em diferentes plataformas, torna-se possível compartilhar peças de reposição, procedimentos de manutenção, ferramental, treinamento de operadores e técnicos, documentação técnica e cadeia logística. O resultado é uma redução significativa dos custos de operação e manutenção, ao mesmo tempo em que se eleva a disponibilidade dos sistemas e simplifica-se o gerenciamento do suporte ao longo de décadas.

É uma filosofia amplamente empregada pelas principais forças armadas do mundo e que começa a ganhar espaço também na Base Industrial de Defesa brasileira.

Preparando a ATENA para a nova geração de navios

A evolução da ATENA ocorre em um momento particularmente importante para a Marinha do Brasil.

Com programas estruturantes como as Fragatas Classe Tamandaré, a renovação dos navios-patrulha e futuras iniciativas de modernização da esquadra, cresce a necessidade de incorporar sistemas que conciliem elevado desempenho operacional com baixos custos de suporte e ampla disponibilidade logística.

Nesse contexto, a nova configuração da ATENA posiciona-se como uma solução madura, nacionalizada e de baixo risco tecnológico, capaz de atender tanto aos programas atuais quanto às futuras demandas da Força Naval.

A presença do sistema em plataformas já operacionais também reduz riscos de integração, fator que frequentemente influencia os cronogramas e custos de novos programas militares.

O sucesso do FAT do COAPS representa mais do que a aprovação de um novo equipamento. Ele evidencia a maturidade alcançada pela indústria nacional no desenvolvimento, integração e sustentação de sistemas eletro-ópticos de alta complexidade.

Ao dominar tecnologias críticas, produzir localmente seus equipamentos e estruturar uma cadeia logística nacional, empresas como a ARES contribuem diretamente para reduzir vulnerabilidades estratégicas e fortalecer a autonomia tecnológica do país.

Em um cenário internacional onde disponibilidade operacional, independência logística e rapidez na manutenção tornaram-se fatores tão importantes quanto o desempenho dos equipamentos, soluções como a nova configuração da Alça Optrônica ATENA demonstram que o fortalecimento da Base Industrial de Defesa passa não apenas pelo desenvolvimento de novas capacidades, mas pela construção de sistemas sustentáveis, interoperáveis e preparados para permanecer em operação durante todo o ciclo de vida dos meios que protegem a soberania brasileira.


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