sexta-feira, 9 de março de 2018

O que realmente se passa na Síria?

O que realmente se passa na Síria? Um massacre perpetrado pelo governo legítimo contra seu povo, ou uma guerra contra forças insurgentes e a barbárie extremista? 

A mídia tem apresentado muitas imagens e "informações" sobre a guerra na Síria, mas até que ponto podemos confiar no que nos é apresentado como a "verdade" daquele conflito? Seria realmente Assad um sanguinário ditador? Quem são os rebeldes que se intitulam "oposição moderada"? Até que ponto é crível o que vemos em jornais e noticiários?

O primeiro ponto que cabe aqui deixar claro, é que o conflito sírio envolve muito mais que os elementos de uma guerra civil clássica, onde se busca depor um governo sem o "reconhecimento" de seu povo em prol de se estabelecer um novo governo legitimado pela grande maioria dos seus cidadãos. Na Síria, que teve inicio um movimento que ocorreu quase que simultaneamente em diversos países do mundo "árabe", difere da maioria do que se denominou de "Primavera Árabe", por diversos fatores, sendo o principal deles os fatores externos, sendo muito similar ao ocorrida na Líbia, onde o interesse internacional de destituir o líder líbio Muamar Kadafi, foi o principal financiador e "tutor" da suposta oposição popular que buscava "libertar" o país da "opressora" ditadura de Kadafi, o resultado das resoluções internacionais adotadas todos conhecemos o resultado, onde criaram supostas "zonas de exclusão aérea", mas bombardeavam e apoiavam diretamente os grupos "opositores", o que levou em pouco tempo ao colapso do governo legítimo da Líbia e ao assassinato brutal de seu líder, mergulhando o país num imenso limbo, onde a nação que outrora fora representante de significativos resultados em desenvolvimento social, se tornou reduto de terroristas e uma verdadeira terra de ninguém. Mas isso é tema para outro artigo de nosso editor.

Na Síria esta mais do que claro que o principal interesse não tem nada haver com o povo sírio, o qual sofre muito diante de pesados bombardeios lançados por ambos os lados contendores, a saber, o governo legítimo reconhecido internacionalmente na figura de Bashar Al Assad, e na outra ponta, a dita "oposição moderada" apoiada diretamente pelos EUA e seus aliados, isso sem elencar os diversos grupos extremistas que se aproveitaram do cenário para tentar dominar boa parte do território sírio e suas riquezas, como fez o Estado Islâmico, o qual encontra-se praticamente extinto no país, os movimentos curdos e outros grupos de menor expressividade.

Recentemente a mídia tem apelado para o lado emocional dos cidadãos do ocidente, com objetivo de ganhar apoio aos governos envolvidos no conflito, mostrando crianças vítimas da guerra, informações sobre civis mortos e o número crescente de refugiados. Claro, toda guerra tem suas vítimas, e invariavelmente é a população civil o maior prejudicado. Mas se é para atentar aos dados das vítimas do conflito sírio, por que não aproveitar e mostrar o cenário de outros conflitos? Como os números da invasão aliada no Iraque, ocorrido em 2003 sem permissão da ONU e que resultou em milhares de mortos, e os números continuam aumentando diante do vácuo de poder que se instaurou no país após a destituição e assassinato de Saddam Hussein, ou ainda podemos enumerar os civis mortos na Iêmen, sendo principalmente vítimas dos ataques lançados pela coalizão liderada pela Arábia Saudita, importante aliado norte americano na região? E não para por ai, há muito mais que podemos elencar, mais perderíamos nosso foco, que é a questão Síria.

O governo sírio esteve muito próximo do colapso, onde só não chegou ao ponto que da Líbia, devido a intervenção solicitada á Moscou pelo governo legítimo da Síria, o que ajudou a virar o jogo e de certa forma estabilizar as forças envolvidas no conflito, onde a Rússia tem um importantíssimo papel na retomada de importantes territórios pelo governo legítimo desde que interviu. Um ponto importante é ver a posição adotada por Putin, que diferente do ocorrido na Líbia,não ficou na "platéia" assistindo mais uma nação ser covardemente destruída, salvo que a Rússia também possui interesses na manutenção do governo legítimo sírio. Nós publicamos há algum tempo um artigo que apresenta uma análise bem objetiva das questões que envolvem a Guerra da Síria,basta clicar sobre link:"Entendendo o conflito na Síria e sua importância estratégica", tal artigo lhe dará uma visão mais ampla sobre o que esta envolvido realmente no conflito que se arrasta por mais de 7 anos.

Atualmente as forças do governo sírio combatem um grupo extremista para retomar Ghouta oriental, os meios de comunicação tem ignorado as atrocidades perpetradas pelos insurgentes, se limitando a dizer que estão sendo vitimas dos ataques cidadãos civis, quando a verdade não é bem essa,embora muitos civis estejam sendo atingidos durante os ataques, algo que é apontado como "dano colateral", o que leva culpa por toda violência ao "regime de Assad".

Ghouta Oriental, é um subúrbio de Damasco e um dos últimos domínios dos insurgentes islâmicos, que tem devastado o país no conflito que perdura nos últimos sete anos.

Liberdade?

Antes de Ghouta Oriental, fora libertada a cidade de Aleppo, Madaya, Homs e outras cidades, que viram nessa retomada do controle pelo governo de Assad, o qual tem o apoio da grande maioria dos sírios, o retorno da estabilidade e de certa forma a segurança. 

Ghouta Oriental assim como as cidades de importância estratégica anteriormente libertadas, foram apontadas pelos observadores internacionais e a coalizão liderada pelos EUA, como áreas livres de insurgentes armados, muito diferente da realidade, e que as autoridades sírias estavam massacrando implacavelmente civis. Quando se mencionavam os rebeldes, estes eram denominados como oposição moderada que lutavam pela liberdade, algo que nos lembra um pouco um certo grupo afegão nos anos 80.

Quem é a "oposição moderada"?

Os "opositores" que dominam Ghouta Oriental são na verdade um misto de grupos extremistas, o mais atuante é o Jaysh al-Islam, ou "Exército do Islã", um grupo jihadista apoiado pela Arábia Saudita que procura substituir o governo sírio por um "Estado Islâmico". O Jaysh al-Islam é extremamente sectário e muito similar em suas táticas e objetivos ao derrotado EI. Esse grupo am ascensão promove execuções públicas e usa civis como escudos humanos. O fundador do grupo, o falecido Zahran Alloush, pediu abertamente a limpeza étnica de minorias religiosas de Damasco.

O segundo maior grupo é o Faylaq al-Rahman , que é aliado do Hayet Tahrir al-Sham, ou HTS, afiliado da Al-Qaeda. O HTS também tem uma pequena presença em Ghouta Oriental, bem como Ahar al-Sham e Nour al-Din al-Zenki, ex-receptores de armas fornecidas pelos EUA, cujos combatentes promoveram decapitações de civis e opositores do grupo.

Mais recentemente, civis que fogem do leste de Ghouta relataram ataques de militantes que procuram impedir que eles escapem para zonas seguras controladas pelo governo, outro fato omitido da opinião pública mundial.

Essa "oposição moderada" nega aos civis acesso aos alimentos e ajuda humanitária enviadas a região, tomando todos recursos destinados a sofrida população civil em Ghouta Oriental.

Esta mais do que claro que há uma grande guerra de informação e contra informação na Síria, onde diferente da "Guerra do Golfo", não há a presença onipresente da mídia mundial, mas sim de fontes de duvidosa credibilidade, financiadas por ambos os lados contendores, o que nos nega uma visão ampla e cristalina do conflito. O GBN News aguarda a autorização do governo sírio, afim de enviar uma equipe para cobrir durante um mês o conflito, dando uma real visão do que ocorre por lá.

Em breve traremos uma análise mais ampla sobre a Síria, elencando os atores envolvidos no conflito que se arrasta por anos e tem criado comoção mundial com as imagens de crianças e jovens vítimas do conflito.

Por Angelo Nicolaci - Jornalista, editor do GBN News, graduando em Relações Internacionais pela UCAM, especialista em geopolítica do oriente médio e leste europeu, especialista em assuntos de defesa e segurança.

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