sábado, 30 de outubro de 2021

Polônia, futuro maior exército da União Europeia?

Não é de hoje que os EUA e a OTAN classificam a Rússia como o seu maior inimigo global, principalmente após a tomada pela Rússia da região ucraniana da Crimeia, uma importante região que abriga até hoje a Frota do Mar Negro pertencente à Rússia em Sevastopol.


Primeira crise: Crimeia


Antes de 2014, a Crimeia era uma região ucraniana com uma significativa quantidade de descendentes de russos, que há décadas tinha movimentos separatistas pró-russos.


Após o golpe de estado ocorrido em 2014 na Ucrânia, que levou à queda do então presidente Viktor Yanukovich, um importante aliado do presidente Vladimir Putin, a Rússia, apoiada por separatistas pró-russos invadiram com força total a Crimeia, levando a derrubada do governo ucrâniano que ali estava. Até hoje, a situação da Crimeia não está bem definida, e a Rússia permanece com suas tropas na região.


Soldados russos na Crimeia ocupada


Após este ocorrido, a OTAN voltou seus olhos para aquelas tensões, elevando assim a Rússia ao status de seu maior inimigo em potencial.


A Polônia é um importantíssimo aliado da OTAN, sua localização é altamente estratégica em caso de conflito, pois seria a primeira linha de defesa das forças militares da OTAN caso a Rússia atacasse através da Bielorrússia. A Polônia tem extensas fronteiras tanto com a Ucrânia como com a Bielorrúsia, sendo o único país OTAN que está, indiretamente, fazendo fronteira com a Rússia (muitos veem a Bielorrússia como um Estado marionete da Rússia).


Vale lembrar que a Polônia foi invadida pela União Soviética na Segunda Guerra Mundial, e depois da guerra tornou-se um Estado satélite dos soviéticos, a 'República Popular da Polônia' conseguindo uma independência de fato somente em 1989, após sofrer vários massacres.


Portanto, não é de se surpreender que os poloneses tenham muito receio dessa política expansionista russa, a tal ponto que praticamente dobrou suas FFAA (Forças Armadas) pouco depois da anexação da Crimeia pela Rússia, de aproximadamente 80 mil para mais de 150 mil soldados.



Nova crise: Bielorrúsia

 

A Bielorrúsia funciona como a única divisa entre Rússia e OTAN, atuando como um paredão entre as potências europeias.


Não é de hoje que as tensões naquela região estão elevadas, mas após os graves escândalos de fraudes nas eleições bielorrussas, o Presidente Putin decidiu mover seu apoio para o ditador Aleksandr Lukashenko, como forma de manter um importante aliado na região, tentando evitar ao máximo se repetir o que houve na Ucrânia em 2014.


Putin e Lukashenko


O apoio de Putin é visto claramente após declarações recentes, onde ele diz que, se for preciso, atuará militarmente para manter Lukashenko no poder.


Com isso a Polônia se vê, novamente, com tropas russas às portas do país.


Outro grave problema que vem aumentando entre a Polônia e a Bielorrúsia é a questão de imigração ilegal, um problema que nos últimos dias vem aumentando cada vez mais as tensões, com mídias alemãs afirmando que o governo bielorruso está buscando imigrantes africanos para atuarem como uma arma para desestabilizar a fronteira entre esses 2 países.



Reação polonesa


Em resposta a essas questões, o Parlamento polonês aprovou ontem, dia 29 de outubro de 2021, a construção de um muro na fronteira com a Bielorrúsia, no intuito de impedir a imigração ilegal ao território polonês, o que gerou críticas por parte do Presidente Lukashenko, que disse que isso é apenas uma desculpa para a Polônia enviar seus soldados para a fronteira.


Anteriormente, a Polônia já tinha enviado mais de 10 mil soldados para a fronteira, inclusive com apoio de MBT (carros de combate, 'tanques') Leopard, segundo algumas fontes.


Caminhão militar polonês em patrulha na fronteira com a Bielorrússia


Além disso, a Polônia está muito empenhada em  fortalecer suas FFAA, com amplos programas de compras de equipamentos sendo realizados nos últimos anos, e agora a Polônia pretende expandir seu exército ainda mais, com planos para aumentar seu contingente em quase o dobro do que é hoje, ou seja, cerca de quatro vezes o que era há menos de 10 anos atrás.


Atualmente o Exército Polonês possui aproximadamente 110 mil militares na ativa, com essa proposta do Ministro da Defesa colocando um número de 250 mil militares na ativa, complementados por mais 50 mil na reserva como o número adequado para a defesa de seu território, com outros planos sendo propostos, como a criação de mais três brigadas de defesa territorial voltadas para a fronteira Oriental. 


Se essa proposta for aprovada pelo parlamento e pelo presidente, a Polônia terá o maior exército da União Europeia (UE), passando de qualquer outro país da Europa que pertence à OTAN.


Estas mudanças de comportamento na Polônia já estavam sendo vistas há tempos, principalmente após a aquisição dos caças F-35, um contrato avaliado em US$ 4,6 bilhões por 32 unidades do caça F-35A dos EUA, previstos para serem entregues a partir de 2024, que atuarão em conjunto com mais 48 caças F-16C/D Block 52+, visando substituir os já envelhecidos Su-22 e Mig-29.


No Exército, as modernizações também virão, com o Ministro da Defesa anunciando que o país irá adquirir até 250 tanques M1A2 Abrams SEPv3 dos EUA, sendo essa a última e mais avançada versão do icônico carro norte-americano. O contrato de compra desses veículos está em torno de US$ 6,0 bilhões, estando incluídos no contrato as munições, manutenções, peças de reposição, treinamento e simuladores. Com essa compra, a Polônia estará equipada com poderosos MBT como Leopards 2A4, Leopards 2A5 e agora com os M1, que substituirão algumas unidades dos já antigos T-72 e o PT-91.


M1A2 SEPv3, futuro MBT da Polônia


Por fim, a Polônia também vem pedindo aos EUA que estabeleçam bases em seu território, se propondo inclusive a bancar os custos de tal empreitada.


Tudo isso mostra a grande preocupação da OTAN em geral, e da Polônia em particular, com as elevadas tensões naquela região europeia, mas também mostra que estão cada vez mais empenhados em se defender da poderosa Rússia de Vladimir Putin.


Texto de Kauê Saviano Fiuza*, 'estagiário' do GBN Defense e do Canal Militarizando

*Kauê Saviano Fiuza é estudante, passou a estudar assuntos militares com seus 12 anos, tendo foco em politica, geopolitica e militarismo mundial. Escreve com maior ênfase sobre as forças armadas brasileiras e sobre veiculos, tendo grande paixão por história e geografia.


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