quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Türkiye: da luta pela independência à construção da República e de uma potência industrial

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Em 29 de outubro, a Türkiye celebra a proclamação de sua República, um marco que simboliza a transformação de um país marcado pela guerra em um Estado nacional moderno. Neste 103º aniversário, o GBN Defense presta homenagem ao povo turco, à sua história e à determinação de gerações que participaram da conquista da independência e da construção de uma nação que hoje, amplia sua presença internacional também por meio do desenvolvimento científico, tecnológico e industrial.

A origem dessa trajetória remonta ao fim da Primeira Guerra Mundial. Derrotado ao lado das Potências Centrais, o Império Otomano assinou o Armistício de Mudros, em outubro de 1918, e passou a enfrentar a ocupação de territórios por forças estrangeiras. Em maio de 1919, o desembarque de tropas gregas em İzmir intensificou a resistência e aprofundou a crise política que ameaçava o futuro do país.

Foi nesse contexto que Mustafa Kemal Atatürk chegou a Samsun em 19 de maio de 1919, episódio considerado um marco inicial da Guerra de Independência turca. Sua liderança contribuiu para articular os movimentos de resistência, organizar forças militares e estabelecer uma alternativa política baseada na soberania nacional.

A independência, porém, não foi obra individual. Soldados, comandantes, representantes políticos, trabalhadores, agricultores e cidadãos de diferentes regiões sustentaram uma luta marcada por sacrifícios humanos e dificuldades materiais. Mustafa Kemal Atatürk teve papel decisivo na organização e condução desse movimento, mas sua realização dependeu da mobilização coletiva de uma sociedade que buscava preservar seu território e decidir o próprio futuro.

Em 23 de abril de 1920, a abertura da Grande Assembleia Nacional em Ancara, estabeleceu o centro político da resistência. A Assembleia passou a conduzir a luta e a estruturar as bases institucionais do novo Estado, afirmando que a soberania pertencia à nação. Essa mudança representou uma ruptura fundamental com a autoridade imperial e preparou o caminho para a futura República.

A luta militar avançou por diferentes fases, incluindo as batalhas de İnönü e Sakarya, até alcançar seu momento decisivo em 1922. Em 26 de agosto daquele ano, as forças nacionalistas iniciaram a Grande Ofensiva, que culminou na vitória de Dumlupınar, em 30 de agosto, conhecida como Batalha do Comandante em Chefe. A vitória abriu caminho para a retirada das forças gregas e para a recuperação dos territórios disputados.

O significado de 30 de agosto permanece central na memória nacional turca. Celebrado como Dia da Vitória e associado às Forças Armadas, marca o triunfo militar decisivo da Guerra de Independência. Não deve ser confundido com 29 de outubro, data em que a República seria proclamada no ano seguinte: são momentos distintos, mas inseparáveis da trajetória que conduziu à consolidação do Estado turco moderno.

Em 1º de novembro de 1922, a Grande Assembleia Nacional aboliu o sultanato, encerrando formalmente a monarquia otomana. Em 24 de julho de 1923, a assinatura do Tratado de Lausanne estabeleceu o reconhecimento internacional da soberania do novo Estado. Ancara foi declarada capital em 13 de outubro e, dezesseis dias depois, em 29 de outubro, a Assembleia proclamou a República da Türkiye e elegeu Mustafa Kemal Atatürk como seu primeiro presidente.

A fundação republicana inaugurou uma profunda transformação institucional. Mustafa Kemal Atatürk conduziu reformas políticas, jurídicas, educacionais e sociais que alteraram a organização do país. A abolição do califado em 1924, e a reorganização de instituições e do sistema educacional integraram um projeto de modernização que redefiniu a relação entre Estado, sociedade e cidadania. Essas mudanças também envolveram rupturas e tensões, mas moldaram profundamente a Türkiye contemporânea.

O legado de Mustafa Kemal Atatürk permanece ligado à independência nacional, à soberania popular e à construção republicana. A máxima “Paz em casa, paz no mundo”, associada à sua visão de Estado, também expressa uma orientação histórica da política externa turca. A memória de sua liderança, contudo, está inserida em uma história coletiva: a da sociedade que sustentou a resistência e participou da construção de uma nova ordem política.

Da soberania política à autonomia tecnológica

Mais de um século depois, a busca por autonomia assume novas dimensões. A Türkiye ampliou significativamente sua capacidade de desenvolver e produzir sistemas de defesa, transformando uma indústria antes fortemente dependente de fornecedores estrangeiros em uma base industrial diversificada, com presença crescente nos mercados internacionais.

Segundo dados divulgados pela Presidência da República da Türkiye em 2026, o ecossistema de defesa e aeroespacial reúne mais de 4 mil empresas, gera mais de 100 mil empregos diretos e registrou exportações superiores a US$ 10 bilhões em 2025. O índice de conteúdo nacional ultrapassa 82%, refletindo décadas de investimentos em engenharia, pesquisa, produção e desenvolvimento de fornecedores. Esse indicador representa uma média setorial, não a eliminação de todas as dependências externas.

A transformação alcança praticamente todos os grandes segmentos da indústria militar. Na área de armas leves e munições, empresas nacionais ampliaram a capacidade de fabricação e fornecimento. No setor terrestre, a Türkiye desenvolve e produz veículos blindados sobre rodas e lagartas, sistemas de artilharia e o carro de combate ALTAY. Na área de mísseis e foguetes, a indústria nacional oferece diferentes categorias de armamentos e soluções de defesa antiaérea.

Na aviação, programas como os drones ANKA e Bayraktar, o helicóptero T129 ATAK, a aeronave de treinamento HÜRJET e o caça KAAN demonstram a amplitude das competências que o país procura consolidar. Esses projetos apresentam diferentes níveis de maturidade e incorporação, mas refletem a intenção de ampliar o domínio nacional sobre o projeto, a integração e a produção de sistemas aeronáuticos.

O desenvolvimento naval também ocupa posição estratégica. Por meio do programa MİLGEM e de outras iniciativas, estaleiros e empresas turcas ampliaram sua capacidade de construir corvetas, fragatas, navios de apoio, plataformas anfíbias e outros meios de diferentes dimensões e complexidade. O desenvolvimento de submarinos e de sistemas de combate navais complementa esse esforço, ampliando a capacidade de atender às necessidades da própria Marinha e disputar contratos no exterior.

A relevância dessa evolução não se resume à produção de plataformas. O domínio de sensores, radares, comunicações, softwares, sistemas de comando e controle e integração de armamentos é essencial para sustentar os equipamentos durante décadas, modernizá-los e reduzir vulnerabilidades associadas a fornecedores externos. Permanecem desafios em áreas críticas, como motores, semicondutores e determinados materiais e componentes especializados, mas a ampliação das competências nacionais oferece maior liberdade de ação ao Estado turco.

A expansão das exportações também contribui para sustentar a indústria, financiar novos desenvolvimentos, gerar empregos qualificados e ampliar a presença internacional da Türkiye. Sistemas de aeronaves não tripuladas, veículos blindados, munições e equipamentos navais passaram a integrar a oferta turca para diferentes mercados, enquanto acordos industriais e programas de cooperação criam oportunidades para ampliar o retorno econômico dos investimentos realizados.

Essa experiência demonstra que a autonomia tecnológica exige continuidade. Não basta adquirir equipamentos ou realizar a montagem local: é necessário formar profissionais, desenvolver fornecedores, investir em pesquisa e manter uma demanda capaz de sustentar linhas de produção e programas de longo prazo. A trajetória turca evidencia avanços expressivos nesse sentido, embora a nacionalização agregada não signifique domínio integral de todas as tecnologias utilizadas.

A relação entre essa política industrial e a história republicana não está em equiparar a produção de armamentos à conquista da independência, mas em reconhecer que a soberania também depende da capacidade de desenvolver conhecimentos, preservar competências estratégicas e tomar decisões sem vulnerabilidades excessivas. Se a geração de Mustafa Kemal Atatürk enfrentou o desafio de assegurar a independência política, a Türkiye contemporânea procura ampliar sua autonomia tecnológica e industrial em um ambiente internacional marcado pela competição estratégica.

Uma homenagem ao povo turco

Homenagear a República da Türkiye é reconhecer a coragem dos que participaram da Guerra de Independência, a liderança de Mustafa Kemal Atatürk e o esforço de uma sociedade que atravessou um período de conflito e transformação para construir um novo Estado. É também reconhecer a trajetória de um país que continua a desenvolver suas instituições, sua economia, sua ciência e sua indústria.

Neste 29 de outubro, o GBN Defense saúda o povo turco, sua história, sua cultura e sua contribuição para a comunidade internacional. A memória da independência e da proclamação da República permanece viva não apenas nas cerimônias oficiais e na bandeira da estrela e da lua crescente, mas também no compromisso de preservar a soberania e preparar o país para os desafios das próximas gerações.

Ao povo da Türkiye, às suas instituições e a todos aqueles que preservam a memória da luta pela independência, nossa homenagem e nossos cumprimentos pelo Dia da República.

29 de outubro de 1923 — 29 de outubro de 2026.

Viva a República da Türkiye!



Por Angelo Nicolaci


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terça-feira, 27 de outubro de 2026

FAB mobiliza oito aeronaves e 300 militares no Exercício CARRANCA 2026

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A Força Aérea Brasileira (FAB) realiza, de 30 de outubro a 13 de novembro, o Exercício Operacional CARRANCA 2026, na Base Aérea de Florianópolis (BAFL), em Santa Catarina. A atividade reunirá cerca de 300 militares e oito aeronaves para aprimorar a capacidade de resposta do Sistema de Busca e Salvamento Aeronáutico (SISSAR) em emergências terrestres e marítimas, com treinamento integrado entre unidades aéreas e centros de coordenação.

Coordenado pela Base Aérea de Canoas (BACO), o exercício será conduzido pelo Coronel Aviador Davi de Abreu e contará com a participação de unidades da FAB, além de militares da Marinha do Brasil e do Exército Brasileiro. A programação também envolve os centros de coordenação SALVAERO e SALVAMAR, responsáveis pela articulação das operações de busca e salvamento em suas respectivas áreas de atuação.

Treinamento operacional e emprego de aeronaves

Entre os meios aéreos previstos estão as aeronaves de patrulha marítima P-95BM, os aviões de busca e salvamento SC-105 Amazonas, os helicópteros H-60L Black Hawk e os cargueiros KC-390 Millennium. O emprego desses diferentes vetores permite exercitar capacidades complementares de busca, localização e resgate, considerando as particularidades de cenários terrestres e marítimos.

As atividades serão realizadas durante o dia e envolverão diferentes etapas de uma missão de busca e salvamento, desde o recebimento do alerta e o planejamento da resposta até a localização das pessoas em perigo e a coordenação do resgate. Após os exercícios, as equipes realizarão análises das missões e uma avaliação final para identificar oportunidades de aperfeiçoamento dos procedimentos operacionais.

A programação prevê ainda a participação da embarcação Maracanã, entre 4 e 6 de novembro, ampliando a integração entre os meios aéreos e navais. O exercício também receberá observadores dos Estados Unidos, do Canadá e de países do Caribe e da América do Sul, proporcionando intercâmbio de experiências e conhecimentos na área de busca e salvamento.

Missão real reforça a importância da prontidão

A preparação para o CARRANCA 2026 ocorre em um contexto que evidencia a importância da prontidão operacional. Em 25 de outubro, duas aeronaves SC-105 Amazonas do Esquadrão Pelicano foram empregadas em uma missão real de busca e salvamento, após o SALVAERO Curitiba receber informações sobre uma embarcação desaparecida.

Durante a operação, as aeronaves também apoiaram a busca por uma lancha do Grupamento de Bombeiros Marítimo que havia perdido contato e estava à deriva. Os aviões localizaram a embarcação com dois bombeiros a bordo, a aproximadamente 240 quilômetros da costa de Santos. Um navio mercante chegou à área por volta das 5h e realizou o resgate dos dois profissionais.

A missão somou aproximadamente 13 horas de voo e envolveu 24 integrantes das tripulações. O episódio demonstra a relevância da disponibilidade dos meios, do treinamento das equipes e da coordenação entre os centros responsáveis por organizar as operações de busca e salvamento.

Integração e aperfeiçoamento do SISSAR

O CARRANCA é voltado ao treinamento e à avaliação dos procedimentos empregados pelo SISSAR, buscando aprimorar a coordenação entre aeronaves, centros de controle e organizações militares envolvidas nas missões. A integração entre a FAB, a Marinha e o Exército permite exercitar a resposta conjunta diante de ocorrências que exigem rapidez, planejamento e emprego coordenado de diferentes capacidades.

Ao combinar cenários simulados com a experiência acumulada em missões reais, o exercício contribui para manter a proficiência das equipes e aperfeiçoar a capacidade de resposta em situações nas quais a rapidez na localização e no resgate pode ser decisiva para preservar vidas.


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Com FAB

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Exército prepara Arsenal de Guerra do Rio para integrar torre HITFACT do Centauro II

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O Exército Brasileiro avançou no planejamento para ampliar a participação nacional no programa da viatura blindada de combate de Cavalaria Centauro II 8×8. Em 26 de outubro, a Diretoria de Fabricação (DF) e o Arsenal de Guerra do Rio (AGR) realizaram uma reunião técnica com representantes do Consórcio IDV–Oto Melara (CIO) para discutir a adequação da infraestrutura que receberá a linha de montagem da torre HITFACT e as atividades de integração da viatura nas instalações do arsenal.

O encontro foi conduzido pelo diretor de Fabricação, general de Brigada Carlos Alexandre Bastos de Vasconcellos, e teve como objetivo avançar nos estudos necessários à preparação dos pavilhões do AGR para essa nova capacidade industrial. A pauta incluiu requisitos técnicos, logísticos, estruturais e de segurança relacionados às futuras obras e à instalação dos meios necessários às atividades previstas.

A iniciativa representa uma etapa de planejamento industrial do programa Centauro II e indica a intenção do Exército de ampliar a participação de sua estrutura fabril no processo de integração do sistema de armas. A adequação das instalações, entretanto, ainda está na fase de estudos descrita pela Diretoria de Fabricação, sem anúncio, no comunicado, de início das obras ou de uma data para o começo da montagem.

Torre HITFACT e participação industrial brasileira

O Centauro II é equipado com a torre HITFACT, desenvolvida pela Leonardo, que integra o sistema de armas da viatura. A preparação de uma linha de montagem no Arsenal de Guerra do Rio abre a perspectiva de incorporar competências industriais e técnicas às instalações militares brasileiras, embora o comunicado não detalhe quais componentes serão produzidos localmente, o nível de nacionalização previsto ou a extensão da transferência tecnológica.

A reunião também evidencia a atuação conjunta da Diretoria de Fabricação, do Arsenal de Guerra do Rio e do Consórcio IDV–Oto Melara na preparação da infraestrutura necessária. A participação brasileira nesse processo poderá contribuir para a formação de pessoal especializado e para a ampliação do conhecimento técnico associado ao sistema, conforme o escopo de transferência de tecnologia a ser implementado.

O avanço deve ser compreendido no contexto mais amplo do programa de aquisição do Centauro II, que busca dotar a Cavalaria do Exército de uma viatura de combate sobre rodas com maior poder de fogo e mobilidade. Além da incorporação dos veículos, a capacidade de sustentar, integrar e manter sistemas complexos no país é um fator relevante para a disponibilidade operacional ao longo de seu ciclo de vida.

Ao preparar o Arsenal de Guerra do Rio para essa atividade, o Exército procura associar a modernização de suas instalações industriais ao fortalecimento da Base Industrial de Defesa. O resultado efetivo dessa iniciativa dependerá, contudo, da execução das obras, da definição do escopo industrial e da implementação das atividades previstas para a linha de montagem e integração.


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Com Exército Brasileiro

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ABIMDE apresenta nove empresas brasileiras na IACP 2026, nos Estados Unidos

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A Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE) levou nove empresas brasileiras à Conferência Anual da International Association of Chiefs of Police (IACP) 2026, realizada em Orlando, na Flórida. O Espaço Brasil foi inaugurado no domingo (25) e reuniu empresas nacionais, representantes da Polícia Federal e profissionais do setor de segurança pública. A exposição foi encerrada nesta terça-feira (27), após três dias de atividades.

Coordenado pela ABIMDE em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), com apoio do Ministério das Relações Exteriores (MRE), o espaço reuniu Algemas Brasil, Berkana, Black Spirit, Fire Eagle, Gouradtech, Mobile, Poly Defensor, Pumatronix e Glagio. A iniciativa buscou ampliar a visibilidade internacional das soluções desenvolvidas pela indústria brasileira e aproximar as empresas de potenciais clientes e parceiros comerciais.

A cerimônia de inauguração contou com o diretor de Projetos da ABIMDE, coronel Antonio Ribeiro, e o integrante do Conselho de Administração da entidade, Rogério Beltrão, responsáveis pelo descerramento da fita. Também participaram o assessor de Segurança Pública da associação, Edval Novaes, representantes da Polícia Federal e empresários expositores.

Entre as autoridades brasileiras presentes estavam Eugênio Coutinho Ricas, delegado da Polícia Federal e diretor do Office of Internal Oversight da Secretaria-Geral da INTERPOL; Felipe Tavares Seixas, diretor de Cooperação Internacional da instituição; Luiz Eduardo Navajas Telles Pereira, adido da Polícia Federal nos Estados Unidos; e Leandro Augusto da Fonseca Feitosa, agente da corporação e adido-adjunto no país.

Durante a exposição, as empresas brasileiras receberam empresários, autoridades e representantes de organizações policiais, especialmente dos Estados Unidos. Os contatos permitiram apresentar produtos e tecnologias nacionais, conhecer demandas operacionais e estabelecer relações com possíveis parceiros internacionais.

Segundo o coronel Antonio Ribeiro, a receptividade dos visitantes foi positiva, com circulação expressiva de representantes de diferentes forças policiais e empresas. O diretor destacou que o contato direto com profissionais que conhecem as necessidades das instituições de segurança pública permite às empresas apresentar suas soluções e identificar oportunidades comerciais.

A participação na IACP integra os esforços de internacionalização da Base Industrial de Defesa e Segurança brasileira. Além de apresentar produtos, a presença em eventos dessa natureza permite às empresas avaliar requisitos de potenciais mercados, compreender necessidades de usuários estrangeiros e desenvolver contatos que podem apoiar futuras negociações. A realização de negócios, contudo, depende da evolução dessas tratativas e não decorre automaticamente da participação na feira.

A IACP 2026 ocorreu no Orange County Convention Center, em Orlando. A exposição de produtos e soluções esteve aberta de domingo a terça-feira e reuniu fornecedores voltados às necessidades de instituições policiais e de segurança pública.

A participação brasileira integra o Projeto do Setor de Defesa Brasileiro, conhecido como Brazil Defense, conduzido pela ABIMDE e pela ApexBrasil, em colaboração com os Ministérios da Defesa e das Relações Exteriores. A iniciativa busca ampliar as exportações e apoiar empresas em diferentes estágios de internacionalização, por meio de ações de promoção comercial, monitoramento de mercados e participação em feiras internacionais.

A presença de nove empresas na IACP demonstra o esforço de ampliar o acesso da indústria brasileira a mercados externos no segmento de segurança pública. A continuidade dessas iniciativas e a conversão dos contatos estabelecidos em contratos serão fatores importantes para avaliar os resultados comerciais da participação.


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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

França amplia encomenda do SAMP/T NG para 12 sistemas de defesa aérea

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A França ampliou sua encomenda do sistema de defesa aérea e antimíssil SAMP/T NG para 12 sistemas, reforçando o esforço de modernização de suas capacidades de defesa diante da evolução das ameaças aéreas e da crescente importância da proteção contra mísseis e aeronaves não tripuladas.

Desenvolvido pela Eurosam, consórcio formado pela MBDA e pela Thales, o SAMP/T NG representa a nova geração de um sistema concebido para enfrentar ameaças aéreas de diferentes perfis. Sua arquitetura combina radar, centro de comando e controle e interceptadores da família Aster, permitindo detectar, acompanhar e engajar alvos em um ambiente operacional complexo.

Na configuração francesa, o sistema incorpora o radar Ground Fire 300, desenvolvido pela Thales, e o míssil Aster 30 B1 NT, da MBDA. A combinação foi projetada para ampliar as capacidades de detecção e interceptação, incluindo a resposta a ameaças balísticas, dentro dos limites operacionais definidos para o sistema.

A ampliação da encomenda está inserida em um contexto de reavaliação das necessidades europeias de defesa aérea. A guerra na Ucrânia demonstrou a importância de proteger infraestruturas críticas, instalações militares e centros urbanos contra ataques que combinam aeronaves, drones e diferentes tipos de mísseis. Para a França, fortalecer essa capacidade também significa ampliar sua autonomia operacional e preservar competências industriais estratégicas.

O SAMP/T NG não atua isoladamente. Sua efetividade depende da integração com sensores, sistemas de comando e controle, outras camadas de defesa e uma cadeia de sustentação capaz de manter os equipamentos e os interceptadores disponíveis. Nesse sentido, a quantidade de unidades adquiridas é apenas um dos indicadores da capacidade real que poderá ser colocada em operação.

O programa também reforça a posição da indústria europeia no desenvolvimento de sistemas avançados de defesa aérea, em um mercado marcado pela procura crescente por soluções capazes de responder a ameaças cada vez mais diversificadas. A continuidade da produção, a disponibilidade de munições e a formação de operadores serão fatores importantes para transformar a encomenda em capacidade operacional efetiva.

Com a expansão do programa, a França busca fortalecer sua defesa aérea e antimíssil em um cenário no qual a proteção do espaço aéreo voltou a ocupar posição central no planejamento militar europeu.


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Naval Group propõe construir e manter fragatas FDI na Dinamarca e amplia parceria com indústria local

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Acordos com três empresas dinamarquesas reforçam a estratégia francesa para disputar o programa de novas fragatas da Marinha Real Dinamarquesa, com participação industrial local e suporte ao longo do ciclo de vida dos navios.

A Naval Group intensificou sua campanha para conquistar o programa de novas fragatas da Marinha Real Dinamarquesa ao formalizar acordos de cooperação com três empresas do país. Em 21 de outubro, durante um evento da indústria de defesa realizado em Copenhague, o estaleiro francês assinou memorandos de entendimento com a Copenhagen Global, a Saab Danmark e a SH Defence, estruturando a participação de fornecedores dinamarqueses em sua proposta para a fragata FDI (Frégate de Défense et d’Intervention).

A iniciativa vai além da oferta de uma plataforma naval. A Naval Group afirma estar preparada para construir e manter as fragatas na própria Dinamarca, caso seu projeto seja selecionado. A proposta busca atender ao interesse dinamarquês em ampliar a participação da indústria nacional em programas estratégicos, incluindo a construção, a integração de equipamentos e o suporte durante a vida útil dos navios. 

Três acordos para ampliar a participação industrial dinamarquesa

Os memorandos estabelecem áreas distintas de cooperação, abrangendo sistemas não tripulados, comunicações e soluções modulares para operações navais. A Copenhagen Global deverá cooperar no desenvolvimento e na integração de drones, sistemas autônomos e cargas úteis militares. Já o acordo com a Saab Danmark contempla equipamentos de comunicação, enquanto a SH Defence participará de atividades de pesquisa e desenvolvimento relacionadas a módulos de missão transportados em contêineres, sistemas de lançamento e recuperação de drones e equipamentos de mergulho.

Essas áreas podem contribuir para ampliar a flexibilidade operacional das futuras fragatas, permitindo explorar soluções modulares e a integração de sistemas não tripulados. Entretanto, os memorandos estabelecem uma estrutura de cooperação industrial e não representam, por si só, contratos definitivos para fornecimento de equipamentos ou a configuração final das embarcações dinamarquesas. 

Guillaume Weisrock, vice-presidente sênior de vendas da Naval Group para a Europa e América do Norte, destacou a relação já estabelecida com os parceiros e a intenção de aprofundar essa cooperação no âmbito da proposta francesa.

Segundo o executivo, a experiência acumulada pela empresa em programas internacionais poderá ser aproveitada na Dinamarca, caso a FDI seja escolhida. A companhia afirma que, com seus parceiros locais, possui condições de construir e manter a fragata no país.

Experiência internacional como argumento comercial

A Naval Group afirma ter trabalhado com mais de 20 empresas dinamarquesas nos últimos 15 anos e manter relações com quase 50 companhias do país. O estaleiro também busca ampliar essa rede, convidando novos fornecedores a participar tanto da proposta para a Marinha Real Dinamarquesa quanto de sua cadeia internacional de suprimentos, incluindo atividades de manutenção e suporte em serviço.

Como referência, a empresa cita sua experiência na Grécia, onde envolveu mais de 75 parceiros industriais gregos na produção das fragatas FDI e em outros programas. A participação local é um elemento importante da estratégia francesa para demonstrar que a aquisição de seus navios pode gerar oportunidades industriais para além do estaleiro responsável pela construção.

A experiência sueca também reforça essa abordagem. A Naval Group conquistou o contrato para fornecer quatro fragatas FDI à Suécia, em um programa que prevê a integração de equipamentos suecos às embarcações. A participação da Saab nesse processo demonstra como a plataforma francesa pode incorporar soluções de parceiros estrangeiros, embora os requisitos e a configuração de cada programa dependam das necessidades do respectivo cliente. 

FDI disputa espaço em um mercado europeu competitivo

A campanha na Dinamarca ocorre em um momento de expansão dos investimentos europeus em defesa naval. Em outubro, a Reuters informou que clientes europeus fora da França já respondiam por aproximadamente 20% a 25% do faturamento anual da Naval Group, estimado em € 4,7 bilhões. A empresa atribui parte de sua competitividade à existência de uma linha de produção ativa e à capacidade de entregar navios em prazos relativamente curtos.

A FDI já foi encomendada por França, Grécia e Suécia, totalizando 13 unidades contratadas segundo os dados divulgados pela Naval Group. Esse volume oferece à empresa uma base industrial em produção, experiência acumulada e oportunidades para compartilhar soluções e componentes entre diferentes programas, respeitando as particularidades de cada marinha.

Para a Dinamarca, a decisão não se limitará às características técnicas da fragata. A capacidade de defesa aérea, a integração de sensores e armamentos, os prazos de entrega, os custos de aquisição e operação e a participação da indústria nacional serão fatores relevantes na avaliação das propostas concorrentes.

A Naval Group enfrenta outros fornecedores interessados no programa dinamarquês, entre eles a britânica Babcock, que promove a fragata Arrowhead 140 em parceria com empresas locais. A disputa também envolve a capacidade de cada concorrente de apresentar uma solução industrial compatível com as exigências de Copenhague. 

Uma proposta ainda dependente da decisão dinamarquesa

Os acordos assinados em Copenhague fortalecem a estrutura industrial apresentada pela Naval Group, mas não significam que a FDI tenha sido selecionada. A construção local e a manutenção das embarcações continuam condicionadas à escolha do projeto francês e à definição dos termos contratuais.

Ao buscar parceiros dinamarqueses antes da decisão, a Naval Group procura demonstrar que sua oferta pode combinar uma fragata já em produção com a participação de empresas locais em diferentes etapas do programa. O desafio será transformar essa rede de cooperação em compromissos industriais concretos, com responsabilidades, investimentos e distribuição de trabalho definidos.

A disputa evidencia uma tendência importante no mercado naval europeu: a escolha de um navio de guerra envolve cada vez mais do que a plataforma e seus sistemas de combate. A capacidade de sustentar a frota, desenvolver competências nacionais e manter o acesso à tecnologia ao longo de décadas também integra o valor estratégico de uma aquisição.

Para a Naval Group, a Dinamarca representa uma nova oportunidade de ampliar a presença da FDI no norte da Europa. Para Copenhague, a questão será determinar qual proposta oferece o melhor equilíbrio entre capacidade militar, prazo de entrega, custo de ciclo de vida e fortalecimento da base industrial de defesa nacional.


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Aviação do Exército testa simulação tática para preparar tripulações para o combate moderno

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A Aviação do Exército Brasileiro está ampliando o emprego de tecnologias de simulação no treinamento de suas tripulações para enfrentar os desafios dos conflitos contemporâneos. Em atividade realizada no Centro de Instrução de Aviação do Exército (CIAvEx), em Taubaté (SP), o Comando de Aviação do Exército (CAvEx) conduziu um exercício-piloto de adestramento tático com cenários virtuais que reproduziram diferentes ameaças presentes no campo de batalha moderno.

A atividade reuniu tripulações do 3º Batalhão de Aviação do Exército (3º BAvEx) e integrantes da Esquadrilha de Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas (SARP), vinculada ao 1º Batalhão de Aviação do Exército (1º BAvEx). Os cenários simulados incluíram enxames de drones, aeronaves inimigas, ameaças terrestres e sistemas de defesa antiaérea, além de condições meteorológicas adversas e desafios de navegação.

O exercício permitiu submeter os participantes a situações que exigem atenção, coordenação e tomada de decisão sob pressão, reproduzindo parte da complexidade encontrada em operações aéreas. A iniciativa também possibilitou explorar diferentes cenários táticos em ambiente controlado, sem a necessidade de expor aeronaves e tripulações aos riscos inerentes à realização de todos esses procedimentos em voo real.

A presença de militares ligados aos sistemas de aeronaves remotamente pilotadas também insere o treinamento no contexto da crescente integração entre plataformas tripuladas e não tripuladas. Nos conflitos contemporâneos, a disseminação de drones e a atuação de sistemas de defesa antiaérea ampliam os desafios para as forças de aviação, exigindo preparo para operar em ambientes com múltiplas ameaças e informações que precisam ser processadas rapidamente.

Nesse cenário, a simulação oferece uma ferramenta para aprimorar o adestramento, permitindo repetir situações táticas, avaliar procedimentos e desenvolver a coordenação das tripulações. A tecnologia também pode contribuir para identificar oportunidades de aperfeiçoamento dos processos de instrução e das próprias ferramentas utilizadas no treinamento.

Por se tratar de um exercício-piloto, a experiência poderá fornecer subsídios para a evolução das práticas de adestramento da Aviação do Exército. A iniciativa reforça a importância da preparação do pessoal e do desenvolvimento doutrinário como elementos complementares à modernização dos meios aéreos, em um ambiente operacional no qual a adaptação às novas ameaças se tornou indispensável.

Mais do que incorporar recursos tecnológicos ao treinamento, o desafio está em transformar essas ferramentas em melhores condições de preparo para as tripulações. A experiência conduzida em Taubaté representa um passo nessa direção, embora os resultados do exercício e seus possíveis desdobramentos ainda dependam de avaliações posteriores.


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Agência Nacional de Defesa: Brasil precisa integrar pesquisa, tecnologia e indústria de Defesa, uma agência pode mudar esse cenário

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A transformação dos conflitos, a disputa por tecnologias críticas e a crescente utilização de instrumentos militares, econômicos, cibernéticos e informacionais ampliam os desafios à soberania nacional. Para o Brasil, a resposta exige mais do que modernizar equipamentos: passa por integrar planejamento estratégico, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, aquisições militares e fortalecimento da Base Industrial de Defesa, com continuidade orçamentária e capacidade de execução.

A ordem internacional atravessa um período de crescente instabilidade. A guerra entre Rússia e Ucrânia demonstrou que os conflitos de alta intensidade continuam presentes no cenário contemporâneo, mesmo diante da evolução das capacidades de precisão, dos sistemas não tripulados, da guerra eletrônica e do emprego de satélites e inteligência artificial. A experiência recente também evidencia que a superioridade tecnológica, embora decisiva em determinadas circunstâncias, não elimina a necessidade de volume, reposição de equipamentos, munições, logística e capacidade industrial para sustentar operações prolongadas.

O campo de batalha contemporâneo combina sistemas avançados e meios relativamente simples, plataformas tripuladas e não tripuladas, inteligência em tempo real e estruturas tradicionais de combate. A difusão de drones, sensores e ferramentas de guerra eletrônica reduz determinadas barreiras de acesso a capacidades antes concentradas em forças tecnologicamente mais avançadas. Ao mesmo tempo, a produção em escala, a adaptação rápida dos sistemas e a reposição de componentes tornaram-se fatores centrais para a sustentação do esforço militar.

Essa transformação ocorre em paralelo à disputa por recursos estratégicos, semicondutores, terras raras, energia e domínio de cadeias produtivas. A dependência externa em setores críticos pode limitar a liberdade de ação de um país mesmo quando ele dispõe de território, recursos naturais e capacidade econômica. Em um ambiente no qual restrições comerciais, sanções, interrupções logísticas e pressões diplomáticas podem afetar o acesso a componentes, a autonomia estratégica depende também da capacidade de produzir, manter, adaptar e aperfeiçoar sistemas essenciais.

O Brasil não está imune a esse cenário. Sua posição geográfica, suas dimensões continentais, a Amazônia, a extensa faixa litorânea, a Amazônia Azul e a relevância de suas infraestruturas energéticas e logísticas impõem necessidades próprias de defesa. A distância dos principais teatros de conflito não elimina vulnerabilidades relacionadas a ataques cibernéticos, espionagem, sabotagem, desinformação, pressão econômica ou dependência tecnológica.

Isso não significa tratar toda disputa política, manifestação social ou organização civil como ameaça externa. A análise estratégica exige distinguir fatos comprovados, operações de influência documentadas e interpretações ainda carentes de evidências. A existência de ameaças híbridas demanda inteligência, proteção de infraestruturas críticas, resiliência institucional e capacidade de resposta, mas não dispensa rigor na identificação de agentes, interesses e métodos empregados.

O desafio brasileiro é transformar essa leitura do ambiente internacional em planejamento de Estado. A Política Nacional de Defesa (PND), a Estratégia Nacional de Defesa (END) e o Livro Branco de Defesa Nacional oferecem referências para orientar prioridades e capacidades. A aprovação desses documentos, contudo, não garante por si só que as diretrizes se convertam em programas financiados, tecnologias disponíveis, equipamentos operacionais e uma base produtiva capaz de atender às necessidades militares.

O Decreto nº 12.725, de 18 de novembro de 2025, aprovou a atualização da PND, END e o Livro Branco de Defesa Nacional. Os documentos reconhecem a importância da continuidade dos recursos destinados à Defesa, da redução da dependência de produtos estrangeiros e do fortalecimento das empresas nacionais fornecedoras de produtos de defesa. O desafio está em transformar esses objetivos em mecanismos estáveis de planejamento, financiamento, execução e avaliação, resistentes às oscilações orçamentárias e às mudanças de governo.

Da necessidade militar à capacidade industrial

O fortalecimento da Base Industrial de Defesa não pode ser medido apenas pelo número de empresas ou pelo volume de contratos firmados. É necessário avaliar quanto conhecimento permanece no país, quais tecnologias são efetivamente dominadas, qual é a capacidade de produzir em escala e até que ponto as Forças Armadas conseguem manter e atualizar seus sistemas sem depender integralmente de fornecedores estrangeiros.

Programas desenvolvidos em parceria internacional podem acelerar a incorporação de capacidades, desde que a cooperação seja acompanhada por objetivos claros de absorção tecnológica, formação de pessoal e participação industrial nacional. A compra de um sistema moderno não equivale, automaticamente, ao domínio de sua tecnologia. Sem acesso adequado à engenharia, à manutenção, à integração de componentes e à evolução dos sistemas, parte relevante da dependência pode permanecer mesmo após a entrega dos equipamentos.

A previsibilidade orçamentária é indispensável nesse processo. Pesquisa e desenvolvimento exigem ciclos longos, equipes especializadas, infraestrutura e continuidade de investimentos. Quando projetos são interrompidos repetidamente, o país perde conhecimento acumulado, desmobiliza profissionais, compromete fornecedores e eleva os custos de retomada. A instabilidade também reduz a capacidade da indústria de planejar investimentos e competir em mercados internacionais.

Essa questão ultrapassa a dimensão militar. Tecnologias desenvolvidas para a Defesa podem gerar aplicações civis em áreas como materiais avançados, comunicações, sensores, sistemas autônomos, cibersegurança, energia e processamento de dados. O retorno, porém, depende de uma articulação efetiva entre as necessidades das Forças, a pesquisa científica, a indústria e os mecanismos de financiamento. Não basta produzir conhecimento: é necessário criar condições para que ele chegue ao protótipo, aos testes, à produção e à utilização operacional.

Uma Agência Nacional de Armamentos e Tecnologia de Defesa

Nesse contexto, o Brasil poderia avaliar a criação de uma Agência Nacional de Armamentos e Tecnologia de Defesa, vinculada ao Ministério da Defesa, com atribuições para integrar a gestão de programas estratégicos, aquisições, pesquisa e desenvolvimento, financiamento tecnológico e fortalecimento da Base Industrial de Defesa.

A proposta encontra referências na Direction générale de l’armement (DGA) da França, e na Presidência das Indústrias de Defesa (SSB) da Türkiye. Embora operem em estruturas políticas e administrativas distintas, ambas demonstram a importância de reunir competências especializadas para coordenar programas, articular necessidades de defesa e capacidades industriais, acompanhar projetos complexos e promover o desenvolvimento tecnológico nacional.

A DGA francesa atua na condução de programas de armamento, na engenharia e avaliação de sistemas, no apoio à indústria e na promoção da cooperação e das exportações. A estrutura turca, por sua vez, participa da definição e execução de programas de aquisição, do financiamento, do desenvolvimento de soluções nacionais e da coordenação de iniciativas industriais de defesa. Esses modelos não precisariam ser reproduzidos integralmente, mas oferecem experiências relevantes para uma discussão brasileira sobre governança, integração e continuidade.

O Brasil já dispõe de estruturas com atribuições importantes nesse campo. A Secretaria de Produtos de Defesa (SEPROD), no âmbito do Ministério da Defesa, atua em áreas relacionadas à política industrial, ciência, tecnologia e inovação, financiamento e promoção dos produtos de defesa. A questão, portanto, não é partir da ausência de competências, mas avaliar se a organização atual permite coordenar de maneira suficientemente integrada os recursos, os projetos e as prioridades estratégicas.

Uma alternativa seria absorver as atribuições da SEPROD pela nova agência, redistribuindo-as em departamentos especializados em programas e aquisições estratégicas, desenvolvimento tecnológico, economia de defesa, financiamento e promoção internacional. A proposta exigiria uma reorganização legal e administrativa, com definição clara das competências, das relações com o Ministério da Defesa e dos mecanismos de controle e responsabilização.

A agência poderia atuar como instrumento de integração entre as necessidades operacionais das Forças Armadas e os meios científicos, tecnológicos e industriais disponíveis no país. Caberia acompanhar custos, cronogramas e riscos dos programas estratégicos, articular projetos de interesse comum, estimular a participação de empresas brasileiras, avaliar resultados e promover a continuidade dos investimentos para além dos ciclos governamentais.

Gestão integrada dos centros de pesquisa e desenvolvimento

Um dos eixos mais relevantes dessa proposta seria estabelecer uma gestão estratégica integrada dos recursos e dos projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação de interesse da Defesa, articulando centros tecnológicos, institutos de engenharia, organizações de ensino e estruturas de avaliação das três Forças.

O Brasil já conta com um conjunto de instituições de reconhecida relevância, entre elas o Centro Tecnológico do Exército (CTEx), o Instituto Militar de Engenharia (IME), o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), o Centro Tecnológico do Corpo de Fuzileiros Navais (CTecCFN), o Instituto de Pesquisa da Marinha (IPqM) e outras organizações científicas, tecnológicas e operacionais da Marinha, do Exército e da Força Aérea Brasileira.

Essas instituições possuem missões, competências e vínculos administrativos distintos. Algumas se dedicam diretamente à pesquisa e ao desenvolvimento; outras combinam ensino, engenharia, ensaios, avaliação técnica ou apoio às operações. A proposta não seria retirar esses organismos do comando das respectivas Forças nem uniformizar suas funções. Seria integrar o planejamento estratégico dos projetos e dos recursos, preservando a cadeia de comando, a identidade institucional e a responsabilidade técnica de cada organização.

Nesse modelo, a agência poderia administrar uma carteira nacional integrada de projetos de ciência, tecnologia e inovação de Defesa, reunindo necessidades operacionais, pesquisas em andamento, prioridades tecnológicas, recursos previstos, infraestrutura disponível e metas de desenvolvimento. A partir desse panorama, seria possível identificar áreas de interesse comum, oportunidades de cooperação e lacunas tecnológicas que exigem investimentos coordenados.

A gestão integrada também permitiria avaliar a distribuição dos recursos de acordo com prioridades estratégicas aprovadas, evitando que projetos relevantes dependam exclusivamente de iniciativas isoladas ou de ciclos orçamentários desconectados. A definição de prioridades precisaria considerar as necessidades apresentadas pelas Forças, o potencial de aplicação operacional, o grau de dependência externa, a maturidade tecnológica, a capacidade industrial nacional e os custos envolvidos em cada etapa.

A agência poderia, por exemplo, identificar tecnologias que atendam a mais de uma Força, promover o compartilhamento de infraestrutura de ensaios quando tecnicamente viável e estimular o desenvolvimento de componentes e sistemas com potencial de emprego em diferentes plataformas. Isso não significaria obrigar organizações distintas a adotar soluções idênticas, mas aproveitar sinergias reais para ampliar o retorno dos investimentos públicos.

Outro ponto fundamental seria acompanhar a evolução dos projetos ao longo de todo o ciclo de desenvolvimento. A pesquisa básica, a criação de protótipos, os ensaios, a avaliação operacional, a certificação aplicável e a produção industrial são etapas diferentes, com exigências específicas. Uma coordenação nacional poderia ajudar a conectar essas fases, sem substituir as competências dos centros especializados nem as decisões operacionais dos comandos militares.

A integração com universidades e empresas brasileiras também seria essencial. Ao aproximar as demandas militares das competências científicas e produtivas existentes, a agência poderia contribuir para transformar pesquisas em soluções utilizáveis, ampliar a participação da indústria nacional e criar oportunidades de desenvolvimento de tecnologias críticas. Nos programas internacionais, essa estrutura poderia acompanhar compromissos de transferência de tecnologia e verificar em que medida o conhecimento adquirido resulta em capacidade efetiva de projetar, produzir, manter e atualizar equipamentos no Brasil.

A gestão integrada dos recursos, entretanto, não deve ser confundida com a simples centralização de todas as decisões. O modelo precisaria estabelecer regras transparentes de priorização, financiamento e avaliação, mantendo a autonomia técnica necessária às instituições e o papel das Forças na definição dos requisitos operacionais. O objetivo seria coordenar melhor os esforços, não criar um comando militar paralelo nem subordinar indiscriminadamente todos os centros a uma única estrutura administrativa.

Continuidade, governança e capacidade de execução

Para cumprir esse papel, a agência precisaria dispor de pessoal técnico qualificado, instrumentos adequados de acompanhamento, acesso a informações sobre os programas e uma relação institucional bem definida com os comandos militares. Também seria necessário estabelecer mecanismos de avaliação que permitissem identificar atrasos, custos adicionais, riscos tecnológicos e resultados efetivamente alcançados.

A mudança institucional, por si só, não resolveria os problemas históricos de financiamento e continuidade. Sem previsibilidade orçamentária, planejamento de longo prazo e critérios claros de responsabilização, uma nova agência correria o risco de se tornar apenas mais uma instância administrativa. Sua criação teria de ser acompanhada por um diagnóstico das competências já existentes, pela identificação de lacunas e pela definição de responsabilidades que evitem sobreposição de estruturas.

Também seria necessário distinguir as funções de coordenação estratégica das competências de execução das próprias Forças e dos institutos. A agência deveria integrar investimentos, promover prioridades comuns e acompanhar resultados, enquanto as organizações militares manteriam o comando sobre seus centros e a responsabilidade por suas missões. A distribuição de recursos e a governança dos projetos precisariam ser definidas por instrumentos legais e administrativos compatíveis com essa arquitetura.

O propósito seria construir uma estrutura capaz de acompanhar os programas desde a identificação da necessidade militar até o desenvolvimento tecnológico, a aquisição, a produção, a manutenção e a evolução dos sistemas. Isso permitiria conectar as decisões de investimento às capacidades que o país pretende obter, ao conhecimento que deseja dominar e à base industrial necessária para sustentá-las.

A discussão é particularmente relevante diante da velocidade das mudanças tecnológicas e da crescente competição internacional. Países que conseguem articular planejamento militar, pesquisa, indústria e financiamento dispõem de melhores condições para definir prioridades, reduzir vulnerabilidades e preservar competências estratégicas. Para o Brasil, o caminho exige reconhecer as capacidades existentes e estabelecer mecanismos para que elas atuem de maneira mais coordenada e contínua.

A próxima curva da história não será determinada apenas pela quantidade de equipamentos adquiridos, mas também pela capacidade de antecipar necessidades, desenvolver soluções, sustentar sistemas e transformar conhecimento em poder nacional. Uma Agência Nacional de Armamentos e Tecnologia de Defesa, com a absorção das atribuições da SEPROD e a gestão estratégica integrada dos recursos e projetos de pesquisa, poderia ser uma das alternativas a serem debatidas para aproximar as necessidades das Forças Armadas da ciência, da indústria e dos objetivos de soberania do país.

O ponto central não é criar uma estrutura por si mesma, mas definir quem coordena as prioridades, como os recursos são convertidos em capacidades e quais mecanismos garantem a continuidade dos resultados. Sem integração entre planejamento, tecnologia, indústria e orçamento, a autonomia estratégica permanecerá uma aspiração. Com governança clara, financiamento previsível e responsabilidades bem definidas, o Brasil poderá aproveitar melhor suas instituições e sua capacidade científica para fortalecer a Defesa Nacional ao longo das próximas décadas.


por Angelo Nicolaci


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LINK-BR2 chega a uma etapa decisiva após mais de uma década de desenvolvimento

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Após mais de uma década de desenvolvimento, o LINK-BR2 representa um desafio tecnológico estratégico para a Força Aérea Brasileira (FAB) e para a Base Industrial de Defesa (BID). Mais do que estabelecer comunicações seguras entre aeronaves e centros de comando e controle, o programa envolve o desenvolvimento e a integração de uma capacidade essencial às operações aéreas em rede, na qual o compartilhamento de informações influencia diretamente a consciência situacional e a coordenação dos meios empregados.

Nesse processo, a AEL Sistemas assumiu papel central ao dar continuidade ao programa após as mudanças empresariais que envolveram a Mectron, responsável pela etapa inicial do desenvolvimento. A trajetória do LINK-BR2 evidencia a importância de preservar competências técnicas e manter a continuidade de projetos complexos, cujo valor estratégico vai além da entrega de equipamentos.

AEL Sistemas e a continuidade de uma tecnologia estratégica

Contratado em 2012, o LINK-BR2 percorreu uma longa trajetória de desenvolvimento, marcada por mudanças empresariais e pela continuidade de um projeto tecnológico estratégico para a Força Aérea Brasileira (FAB). A iniciativa teve origem na Mectron, responsável pela etapa inicial do programa. Após a reestruturação da empresa e a criação da Mectron Comm, a operação foi posteriormente incorporada pela AEL Sistemas, que assumiu a continuidade contratual do desenvolvimento.

Essa transição ajuda a compreender a importância da preservação de competências industriais em programas de defesa de longa duração. Mais do que dar sequência a um contrato, a continuidade do LINK-BR2 envolve manter o conhecimento acumulado e avançar na integração de uma tecnologia complexa, concebida para permitir a troca segura de dados táticos entre aeronaves e estruturas de comando e controle.

O desenvolvimento de um enlace de dados militar exige muito mais do que a produção de equipamentos de comunicação. Segurança das informações, confiabilidade, interoperabilidade e integração aos sistemas embarcados precisam ser validadas para que diferentes plataformas possam compartilhar informações de maneira eficaz. É nesse contexto que a atuação da AEL Sistemas ganha relevância, ao dar continuidade a um programa que exige engenharia especializada e integração de sistemas.

A trajetória do LINK-BR2 também evidencia o papel da Base Industrial de Defesa (BID) no desenvolvimento de capacidades estratégicas para o país. A manutenção dessas competências no Brasil pode ampliar a capacidade nacional de integrar, sustentar e evoluir sistemas militares complexos, preservando conhecimento técnico e reduzindo vulnerabilidades associadas à dependência externa. O desafio é transformar mais de uma década de desenvolvimento em uma capacidade efetivamente certificada e incorporada às operações da FAB.

Dos ensaios à integração operacional

Os testes em solo e em voo marcaram etapas importantes do LINK-BR2. Em 2020, começaram os voos com o sistema embarcado em aeronaves F-5M. Em outubro de 2021, a FAB divulgou a realização de enlaces de dados entre duas aeronaves desse modelo, demonstrando a capacidade de estabelecer comunicação tática entre plataformas aéreas.

As campanhas posteriores, incluindo atividades durante a Operação IRIS, em 2024, deram continuidade à avaliação do sistema. A participação da Kryptus em atividades relacionadas à criptografia também evidencia a importância da proteção das informações transmitidas, um requisito indispensável para sistemas de comunicação militar sujeitos a riscos de interceptação, interferência e ação adversária.

A integração a diferentes aeronaves, entretanto, exige trabalho específico para compatibilizar equipamentos, interfaces e sistemas embarcados. Em julho de 2025, o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) realizou um workshop dedicado à integração do LINK-BR2 ao F-39 Gripen. O registro confirma a existência dessa frente de trabalho, mas não comprova que a integração e a certificação tenham sido concluídas.

Essa distinção é importante: demonstrar o funcionamento do enlace em uma plataforma não significa que o sistema esteja automaticamente qualificado para todas as aeronaves previstas. Cada configuração precisa cumprir os requisitos técnicos e operacionais correspondentes.

Da engenharia à capacidade operacional

A trajetória do LINK-BR2 também reflete os desafios de desenvolver uma tecnologia militar complexa ao longo de mais de uma década. O Relatório de Gestão da FAB de 2024 registra alterações contratuais associadas à escassez global de componentes, ao cenário geopolítico em Israel, à reorganização das entregas dos rádios terminais e a mudanças nos requisitos do programa. Esses fatores afetaram o planejamento e evidenciam a complexidade de manter um projeto dessa natureza até sua conclusão.

Para a AEL Sistemas, o desafio é consolidar o trabalho de engenharia e integração em um sistema que atenda aos requisitos operacionais da FAB. Isso envolve não apenas concluir os ensaios, mas assegurar que os equipamentos funcionem de forma confiável nas plataformas previstas e que as configurações integradas sejam devidamente validadas.

A etapa é decisiva porque o valor estratégico do LINK-BR2 depende de sua incorporação efetiva às operações aéreas. É nesse momento que o esforço industrial acumulado se converte em capacidade para compartilhar informações táticas com segurança, ampliar a coordenação entre os meios e fortalecer a atuação da FAB em operações integradas.

O protagonismo da BID em um domínio estratégico

O LINK-BR2 ilustra a importância de investir na BID brasileira para o desenvolvimento de tecnologias que ocupam posição central na arquitetura de combate moderna. A comunicação tática segura não é um recurso acessório: constitui parte da infraestrutura que permite compartilhar informações, coordenar ações e conectar plataformas ao processo de decisão operacional.

O protagonismo industrial, nesse contexto, não deve ser medido apenas pela entrega de um equipamento. Ele também está na capacidade de acumular conhecimento, integrar tecnologias complexas, responder aos requisitos das Forças Armadas e sustentar a evolução de um sistema ao longo de sua vida útil.

A trajetória do LINK-BR2 mostra tanto a dimensão desse desafio quanto a importância da continuidade dos programas estratégicos. Com a AEL Sistemas desempenhando papel central no desenvolvimento, a conclusão das etapas técnicas e a futura incorporação operacional serão determinantes para converter esse esforço industrial em uma capacidade efetiva para a FAB.

O resultado esperado vai além de conectar aeronaves: trata-se de consolidar no Brasil competências tecnológicas em um segmento decisivo para o poder aéreo e para a autonomia operacional do país.


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