terça-feira, 19 de maio de 2026

DEFESA NACIONAL - SOBERANIA E A CONTRADIÇÃO BRASILEIRA

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O Brasil vive uma contradição estratégica cada vez mais evidente. De um lado, as lideranças das nossas Forças Armadas alertam há anos para a necessidade urgente de ampliar as capacidades de defesa do país diante de um cenário internacional cada vez mais instável. De outro, a própria Base Industrial de Defesa (BID) brasileira demonstra possuir capacidade tecnológica, engenharia qualificada, infraestrutura industrial e competências para desenvolver sistemas sofisticados de emprego militar.

Ainda assim, permanecem perguntas incômodas: por que tantos engenheiros, técnicos e especialistas brasileiros deixam o país em busca de oportunidades fora do Brasil? Por que as Forças Armadas ainda convivem com limitações operacionais e equipamentos defasados em diversas áreas estratégicas? E por que grande parte das soluções que poderiam ser desenvolvidas ou produzidas no Brasil não se convertem em programas estruturantes de longo prazo?

As respostas às essas questões passam, inevitavelmente, pela questão orçamentária e pela ausência histórica de previsibilidade estratégica.

Enquanto o mundo atravessa um novo ciclo de rearmamento e fortalecimento de capacidades militares, o Brasil segue investindo proporcionalmente pouco em defesa. Dados recentes apontam que o país mantém gastos militares próximos de 1,1% do PIB, percentual considerado baixo para um país continental, detentor da maior fronteira terrestre da América do Sul, da Amazônia, de vastas riquezas minerais, recursos energéticos offshore e uma das maiores zonas econômicas exclusivas marítimas do planeta.  

O contraste internacional é evidente. Países da OTAN aprovaram metas de até 5% do PIB voltadas à defesa e segurança estratégica até 2035. A Alemanha ultrapassou 2% do PIB em defesa pela primeira vez desde 1990. A Polônia acelera sua modernização militar. A Ásia amplia investimentos em tecnologias críticas, drones, guerra eletrônica, inteligência artificial e defesa cibernética. Mesmo países da América do Sul vêm aumentando seus investimentos diante do novo ambiente geopolítico.

O Brasil, apesar de ter registrado crescimento nominal nos gastos militares em 2025, continua distante de uma estrutura de financiamento compatível com suas necessidades estratégicas. Mais grave ainda é a composição desse orçamento. Grande parte dos recursos é consumida por despesas obrigatórias, especialmente folha de pagamento, aposentadorias e pensões. Estimativas recentes indicam que cerca de 80% a 85% do orçamento da Defesa permanece comprometido com despesas de pessoal, restando parcela reduzida para investimentos efetivos em modernização, prontidão operacional, pesquisa e desenvolvimento.  

O resultado é uma consequência direta e previsível: projetos estratégicos sofrem atrasos, aquisições são fragmentadas, programas perdem escala, e a indústria nacional enfrenta ciclos permanentes de incerteza.

E isso ocorre justamente em um momento no qual a tecnologia passou a definir o poder militar contemporâneo.

Os conflitos recentes demonstraram que superioridade operacional hoje depende de sensores avançados, sistemas integrados de comando e controle, guerra eletrônica, drones, satélites, inteligência artificial, sistemas autônomos, integração em rede e capacidade de produção nacional resiliente. Nenhuma potência moderna constrói soberania apenas com efetivos militares. A soberania contemporânea é tecnológica e industrial.

Nesse aspecto, o Brasil possui ativos extremamente relevantes.

A BID brasileira reúne empresas capazes de atuar em áreas altamente complexas como aeroespacial, sistemas embarcados, radares, guerra eletrônica, comunicações seguras, optrônicos, sistemas navais, integração de plataformas, veículos blindados, armamentos inteligentes, sistemas espaciais e tecnologias não tripuladas. Além disso, o país dispõe de centros de engenharia altamente especializados e profissionais reconhecidos internacionalmente.

Não por acaso, engenheiros brasileiros são frequentemente absorvidos por empresas e programas estratégicos no exterior. O problema, portanto, não é ausência de competência técnica. O problema é continuidade.

Sem previsibilidade orçamentária de médio e longo prazo, a indústria não consegue sustentar ciclos permanentes de inovação. Sem escala, empresas perdem competitividade. Sem contratos estruturantes, fornecedores estratégicos desaparecem. Sem estabilidade, talentos migram.

A evasão de cérebros da área de defesa e alta tecnologia é um reflexo direto desse ambiente.

Profissionais altamente qualificados buscam mercados que ofereçam estabilidade, continuidade de projetos, investimentos em pesquisa e perspectivas concretas de crescimento tecnológico. Países que compreendem a defesa como vetor de desenvolvimento nacional criam ecossistemas permanentes de inovação. No Brasil, ainda convivemos com descontinuidades, contingenciamentos e programas sujeitos a oscilações políticas e fiscais.

Isso produz um efeito silencioso, porém extremamente perigoso: a perda gradual da capacidade nacional de projetar, desenvolver e sustentar tecnologias críticas.

Defesa não pode ser tratada apenas como despesa corrente de governo. Defesa é política de Estado.

Os países que hoje lideram os setores aeroespacial, cibernético e militar compreenderam algo fundamental: investir em defesa gera domínio tecnológico, empregos qualificados, inovação dual, capacidade industrial e autonomia estratégica.

Grande parte das tecnologias utilizadas no cotidiano civil nasceu de programas militares ou espaciais: internet, GPS, sensores, materiais compostos, aviônica, comunicações seguras, satélites, inteligência artificial e inúmeras soluções embarcadas.

Quando o Brasil investe em sua Base Industrial de Defesa, não está apenas fortalecendo as Forças Armadas. Está fortalecendo engenharia nacional, ciência, universidades, indústria, inovação e soberania.

Soberania não se improvisa em momentos de crise.

Ela é construída ao longo de décadas, com planejamento, previsibilidade, investimento contínuo e visão estratégica de longo prazo. O debate sobre defesa nacional precisa, portanto, ultrapassar a visão limitada de gasto militar e passar a ser compreendido como tema de desenvolvimento nacional, proteção de recursos estratégicos, estabilidade regional e capacidade tecnológica. O Brasil possui território, recursos naturais, dimensão geopolítica, capacidade industrial e inteligência técnica para ocupar posição muito mais relevante no cenário internacional da defesa. O que ainda falta é transformar esse potencial em prioridade permanente de Estado. 

Porque nenhuma nação preserva sua soberania apenas pelo discurso. 

Soberania é preservada por meio de capacidade real de defesa, tecnologia própria e indústria forte.



Por Mauro Beirão - Formado em engenharia e mais de 30 anos de experiência na indústria de defesa e aeroespacial 


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Su-57 biposto surge pela primeira vez e reforça aposta russa em operações com drones de combate

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A primeira imagem da variante biposto do caça russo de quinta geração Su-57 Felon surgiu nas redes sociais russas durante o que aparenta ser um teste de táxi, revelando um desenvolvimento que até então era tratado com incerteza devido às prioridades operacionais impostas pela guerra na Ucrânia e pelas limitações orçamentárias enfrentadas pela indústria de defesa russa.

A fotografia foi divulgada pela conta russa Fighterbomber e mostra uma configuração inédita do Su-57, equipada com uma cabine em tandem semelhante à adotada no Su-30, incluindo uma elevação pronunciada da posição traseira destinada ao Oficial de Sistemas de Armas (WSO). A configuração sugere claramente uma mudança de conceito operacional em relação ao modelo monoposto atualmente empregado pela Força Aeroespacial Russa.

Durante anos, analistas apontaram que o desenvolvimento da variante biposto havia sido colocado em segundo plano em razão da necessidade de acelerar a produção da versão operacional básica do Su-57, além das dificuldades industriais e financeiras agravadas pelo conflito prolongado na Ucrânia e pelas sanções internacionais impostas ao setor de defesa russo.

A introdução de uma variante com dois tripulantes, no entanto, possui implicações muito mais amplas do que apenas treinamento ou ampliação da consciência situacional da tripulação. O principal indicativo é a crescente convergência entre aeronaves tripuladas de quinta geração e operações MUM-T (Manned-Unmanned Teaming), conceito que prevê a integração direta entre caças avançados e drones de combate não tripulados.

Nesse contexto, a posição traseira do Su-57 biposto pode estar diretamente relacionada ao controle operacional do drone de combate furtivo S-70 Okhotnik-B, plataforma UCAV desenvolvida pela Rússia para atuar em conjunto com o Felon em missões de ataque, reconhecimento, guerra eletrônica e supressão de defesas aéreas inimigas.

Nos últimos anos, a Rússia vem demonstrando crescente interesse em operações cooperativas entre aeronaves tripuladas e sistemas não tripulados de alta performance, seguindo uma tendência já observada em programas ocidentais e chineses. O próprio Okhotnik-B já foi visto operando ao lado do Su-57 em testes anteriores, reforçando a hipótese de que Moscou busca transformar o Felon em um verdadeiro “nó de comando aéreo” para drones de combate.

A iniciativa também aproxima a Rússia de conceitos já explorados pela China com o J-20S, versão biposto do caça stealth chinês projetada explicitamente para operações coordenadas com UCAVs como o GJ-11. Tanto Pequim quanto Moscou parecem convergir para uma mesma leitura estratégica: a próxima geração do combate aéreo dependerá menos de plataformas isoladas e mais de ecossistemas integrados de aeronaves tripuladas e não tripuladas operando em rede.

Do ponto de vista estratégico, o surgimento do Su-57 biposto evidencia que a Rússia continua priorizando capacidades voltadas à guerra aérea de próxima geração, mesmo sob forte pressão operacional e econômica decorrente da guerra na Ucrânia. Mais do que uma simples adaptação de cabine, a nova variante sinaliza uma tentativa de acelerar a transição para operações aéreas distribuídas, nas quais drones de combate assumirão funções de reconhecimento avançado, saturação, ataque e guerra eletrônica sob coordenação direta de aeronaves tripuladas. Trata-se de um movimento alinhado às principais tendências observadas nas grandes potências militares, onde a disputa tecnológica deixou de se concentrar apenas em plataformas stealth isoladas e passou a envolver arquitetura de rede, inteligência artificial, integração homem-máquina e capacidade de combate colaborativo em larga escala.


por Angelo Nicolaci


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Drones ucranianos ampliam pressão sobre Moscou e expõem desgaste crescente da máquina militar russa

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A guerra na Ucrânia continua produzindo transformações profundas no campo de batalha moderno, e os recentes ataques ucranianos contra Moscou evidenciam um cenário cada vez mais desconfortável para o Kremlin. O cancelamento da tradicional parada de blindados na Praça Vermelha durante as celebrações do Dia da Vitória, em 9 de maio, tornou-se um dos símbolos mais visíveis da crescente vulnerabilidade russa diante da expansão das capacidades ucranianas de ataque com drones.

Pela primeira vez em décadas, carros de combate e veículos blindados deixaram de desfilar pelas ruas da capital russa. Segundo analistas e veículos internacionais, a decisão foi motivada pelo receio de ataques ucranianos contra concentrações de equipamentos militares em Moscou e arredores, refletindo uma mudança importante na percepção de segurança do próprio território russo.

Os ataques realizados em 17 de maio contra Moscou e a região metropolitana reforçaram essa percepção ao demonstrar que a Ucrânia vem ampliando progressivamente o alcance, a intensidade e a frequência de suas operações de longo alcance. O impacto psicológico das ações tem sido significativo, inclusive dentro do ecossistema ultranacionalista russo, onde blogueiros militares e “correspondentes de guerra” ligados ao Kremlin passaram a cobrar respostas mais duras do governo russo.

Ao mesmo tempo, o cenário operacional no front terrestre também vem apresentando sinais de desgaste para as forças russas. Dados citados por institutos de análise internacionais apontam que a Rússia perdeu cerca de 113 quilômetros quadrados de território nos últimos 30 dias, enquanto a Ucrânia intensificou contra-ataques locais e ampliou operações de interdição logística utilizando drones FPV e sistemas de ataque de médio alcance.

Os drones tornaram-se hoje um dos principais elementos de desgaste da guerra. Segundo estimativas citadas por analistas ocidentais, plataformas FPV já seriam responsáveis por parcela significativa das baixas no conflito, alterando profundamente a dinâmica das operações terrestres. O avanço tecnológico e a produção em larga escala desses sistemas vêm reduzindo drasticamente a liberdade de movimento próxima à linha de frente.

A chamada “zona letal dos drones”, estimada em aproximadamente 20 quilômetros de profundidade ao longo das linhas de combate, passou a atingir não apenas tropas em posição avançada, mas principalmente estruturas logísticas, depósitos, veículos de transporte e rotas de suprimento. Em vez de priorizar exclusivamente o combate direto às forças russas na linha de contato, Kiev vem ampliando o foco sobre a infraestrutura responsável por sustentar o esforço ofensivo de Moscou.

Nesse contexto, refinarias, terminais portuários, depósitos de combustível e instalações estratégicas passaram a ser alvos frequentes dos ataques ucranianos de longo alcance. Segundo informações divulgadas pela Reuters, os ataques realizados em abril afetaram diretamente a capacidade logística e energética russa, forçando reduções temporárias na produção de petróleo e impactando operações em importantes terminais marítimos como Novorossiysk e Ust-Luga.

Outro fator relevante é que os ataques já atingem alvos a quase 2.000 quilômetros da fronteira ucraniana, demonstrando um salto importante na capacidade de projeção operacional de Kiev. Bases aéreas estratégicas, infraestrutura energética e instalações industriais passaram a integrar uma campanha sistemática de desgaste voltada não apenas ao campo militar, mas também à sustentação econômica da guerra.

O atual cenário evidencia uma transformação estrutural na natureza do conflito. A guerra entre Rússia e Ucrânia consolidou os drones como elementos centrais da guerra contemporânea, alterando profundamente conceitos tradicionais de superioridade militar, defesa territorial e profundidade estratégica. A crescente vulnerabilidade de infraestruturas críticas, linhas logísticas e até centros políticos distantes da linha de frente demonstra que o conflito entrou em uma fase na qual capacidade industrial, resiliência logística e adaptação tecnológica tornaram-se tão importantes quanto massa de tropas ou poder de fogo convencional. Para Moscou, o desafio vai além da manutenção da ofensiva terrestre: trata-se agora de administrar simultaneamente desgaste operacional, pressão econômica, vulnerabilidade interna e erosão gradual da percepção de invulnerabilidade estratégica construída pelo Kremlin ao longo das últimas décadas.


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Suécia escolhe fragatas francesas FDI em contrato bilionário e reforça rearmamento no Mar Báltico

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A Suécia anunciou oficialmente a seleção das fragatas FDI (Frégate de Défense et d’Intervention), desenvolvidas pelo grupo francês Naval Group, como sua nova plataforma de combate de superfície de grande porte. O contrato, estimado em aproximadamente 3,6 bilhões de euros, prevê a aquisição de quatro navios e representa o maior investimento militar sueco desde o programa Gripen, iniciado na década de 1980.

A decisão marca um movimento estratégico relevante dentro do atual processo de expansão e modernização das capacidades militares suecas, impulsionado pela deterioração do cenário de segurança no norte da Europa e pelo aumento das tensões no Mar Báltico após a guerra na Ucrânia.

Segundo o governo sueco, as novas fragatas serão os maiores navios de combate de superfície já operados pela Marinha da Suécia e deverão permanecer em serviço por cerca de 40 anos. A primeira unidade está prevista para ser entregue em 2030, prazo considerado prioritário por Estocolmo diante da necessidade de acelerar a ampliação de suas capacidades navais.

Apesar da escolha de uma plataforma francesa, o contrato prevê ampla participação da indústria sueca, especialmente da Saab. De acordo com o ministro da Defesa da Suécia, Pål Jonson, os novos navios deverão incorporar sistemas de armas e soluções desenvolvidas localmente, preservando a autonomia tecnológica nacional e garantindo integração com o ecossistema industrial de defesa sueco.

A Naval Group venceu a concorrência contra propostas apresentadas pela espanhola Navantia e pela britânica Babcock, ambas avaliadas em cooperação com parceiros locais. A escolha pelas FDI francesas foi influenciada principalmente pela maturidade técnica do programa, menor risco de desenvolvimento e cronograma de entrega considerado compatível com as necessidades operacionais suecas.

Outro fator decisivo foi a possibilidade de compartilhamento de custos e redução de riscos através de uma plataforma já em produção e operação. As fragatas FDI já começaram a ser incorporadas pela Marinha Francesa e também estão sendo produzidas para a Grécia, permitindo que a Suécia adote um projeto europeu consolidado, evitando os custos e atrasos associados ao desenvolvimento de uma plataforma inteiramente nova.

As novas fragatas terão papel central na estratégia sueca de defesa do Mar Báltico, região que se tornou um dos principais focos de atenção da OTAN após a entrada formal da Suécia na aliança atlântica. Atualmente, a marinha sueca opera cinco corvetas stealth da classe Visby e conduz paralelamente a modernização de sua força submarina.

O anúncio ocorre em um momento no qual Estocolmo acelera significativamente seus investimentos em defesa. O governo sueco afirmou recentemente que pretende atingir o patamar de 3,5% do PIB em gastos militares até 2030, superando com antecedência as metas atualmente discutidas no âmbito da OTAN.

A escolha sueca pelas fragatas FDI também representa uma vitória estratégica importante para a França e para a indústria europeia de defesa. Em um cenário marcado pela busca crescente por autonomia estratégica no continente, o contrato reforça a consolidação de programas europeus cooperativos e amplia o posicionamento da Naval Group como um dos principais fornecedores navais do bloco. Ao mesmo tempo, a decisão sueca evidencia uma tendência cada vez mais presente na Europa: a priorização de plataformas maduras, interoperáveis e de rápida disponibilidade operacional diante da deterioração acelerada do ambiente de segurança regional.


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Paquistão amplia presença militar na Arábia Saudita em meio à escalada regional envolvendo Irã

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O Paquistão iniciou o envio de um contingente militar significativo para a Arábia Saudita, incluindo cerca de 8.000 militares, um esquadrão de caças JF-17 Thunder, drones e sistemas de defesa aérea HQ-9 de origem chinesa, em um movimento que reforça o aprofundamento da cooperação estratégica entre Islamabad e Riad em meio ao cenário de crescente instabilidade no Oriente Médio.

Segundo informações divulgadas pela Reuters com base em fontes governamentais, o destacamento ocorre dentro dos termos de um acordo de defesa mútua firmado entre os dois países em 2025. Embora os detalhes do tratado permaneçam sob sigilo, autoridades paquistanesas e sauditas já haviam confirmado anteriormente que o pacto prevê assistência militar em caso de agressão externa.

De acordo com as informações divulgadas, o Paquistão enviou um esquadrão completo de aproximadamente 16 aeronaves, majoritariamente compostas por caças JF-17 Thunder, plataforma desenvolvida em parceria entre Islamabad e Pequim. Além disso, dois esquadrões de drones e um sistema de defesa aérea de longo alcance HQ-9 também teriam sido destacados para território saudita, todos operados e mantidos por militares paquistaneses, mas financiados pela Arábia Saudita.

O movimento representa uma ampliação importante da presença militar paquistanesa no Golfo. Fontes ligadas ao acordo afirmam que o tratado prevê inclusive a possibilidade de destacamento de até 80 mil militares paquistaneses na Arábia Saudita, além do emprego de meios navais em caso de necessidade operacional.

Embora oficialmente o contingente tenha funções voltadas ao treinamento, assessoria e cooperação militar, o envio ocorre em um momento particularmente sensível para o equilíbrio regional. Nas últimas semanas, o Oriente Médio vem registrando aumento das tensões envolvendo Irã, Israel e aliados regionais, além da crescente preocupação com ataques de drones, mísseis e ações assimétricas contra infraestrutura estratégica no Golfo.

O envio do sistema HQ-9 também possui relevância estratégica significativa. Considerado um dos principais sistemas antiaéreos chineses de longo alcance, o HQ-9 amplia a camada de defesa aérea saudita em um momento no qual ataques com drones e mísseis balísticos passaram a ocupar papel central na dinâmica de segurança regional. A presença do sistema reforça ainda o avanço gradual da influência tecnológica chinesa nas estruturas de defesa do Oriente Médio.

Outro elemento que chama atenção é o caráter político e estratégico da aproximação entre Islamabad e Riad. O ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Muhammad Asif, chegou a declarar anteriormente que a Arábia Saudita estaria sob o chamado “guarda-chuva nuclear” paquistanês, declaração que evidencia o nível de profundidade estratégica alcançado pela parceria entre os dois países.

Paralelamente ao reforço militar, surgem também iniciativas diplomáticas buscando reduzir o risco de escalada regional. Segundo o Financial Times, a Arábia Saudita estaria discutindo a criação de um pacto regional de não agressão envolvendo países árabes e o Irã, inspirado parcialmente nos Acordos de Helsinque da Guerra Fria. A proposta reflete a percepção crescente de que a estabilidade regional depende cada vez mais de mecanismos locais de segurança coletiva e redução de tensões.

O atual movimento do Paquistão evidencia uma transformação importante no equilíbrio estratégico do Oriente Médio. Ao mesmo tempo em que Islamabad busca manter canais diplomáticos com Teerã, amplia significativamente sua cooperação militar com Riad, assumindo um papel cada vez mais relevante na arquitetura de segurança do Golfo. O cenário também demonstra o avanço da influência chinesa na região, tanto por meio de plataformas como o JF-17 e o HQ-9 quanto pela crescente presença indireta de Pequim em acordos estratégicos regionais. Em paralelo, observa-se uma tentativa das potências regionais de reduzir a dependência exclusiva dos Estados Unidos como garantidor de segurança, em um contexto marcado pela multipolaridade crescente, reconfiguração das alianças militares e expansão das disputas por influência no Oriente Médio.


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USAF amplia capacidade do MQ-9 Reaper com bombas GBU-39B para ataques de precisão de longo alcance

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A Força Aérea dos Estados Unidos deu mais um passo na evolução operacional dos sistemas remotamente pilotados ao integrar a bomba guiada GBU-39B Small Diameter Bomb (SDB) ao arsenal dos MQ-9 Reaper empregados pela 27ª Ala de Operações Especiais. A nova capacidade entrou em operação na primavera de 2026 e amplia significativamente o potencial de ataque de precisão da plataforma em cenários de elevada complexidade operacional.

A integração da GBU-39B representa uma mudança importante no perfil de emprego do MQ-9, tradicionalmente associado a missões ISR (Intelligence, Surveillance and Reconnaissance) e ataques de oportunidade com armamentos de curto alcance. Com a introdução da Small Diameter Bomb, o Reaper passa a contar com uma capacidade stand-off muito mais robusta, permitindo o engajamento de alvos a distâncias significativamente maiores e com menor exposição às defesas antiaéreas adversárias.

Segundo a USAF, a munição foi incorporada com foco na ampliação da capacidade de apoio persistente às forças de operações especiais, mantendo elevada precisão e reduzindo danos colaterais. A GBU-39B é uma bomba guiada de baixo rendimento, compatível com operações em todos os climas, desenvolvida para atingir alvos de alta sensibilidade em ambientes complexos e densamente defendidos.

Um dos principais diferenciais do sistema está em seu alcance. Quando lançada em altitude adequada, a GBU-39B pode planar por até 96 quilômetros antes de atingir o alvo com precisão próxima de um metro. Essa característica permite que o MQ-9 realize ataques permanecendo fora do alcance da maioria dos sistemas de defesa aérea de curto alcance presentes no ambiente operacional contemporâneo.

Além da precisão, a munição também oferece capacidade de penetração relevante para sua categoria. Pesando cerca de 250 libras, a GBU-39B transporta aproximadamente 36 libras de explosivo de alto poder e pode penetrar até um metro de concreto reforçado, tornando-se adequada para neutralização de estruturas fortificadas, postos de comando e alvos protegidos.

A adoção da GBU-39B no MQ-9 acompanha uma transformação mais ampla observada no emprego de drones MALE (Medium Altitude Long Endurance), cada vez mais adaptados para operações em ambientes contestados. A proliferação de sistemas antiaéreos móveis, guerra eletrônica e capacidades de negação de área vem pressionando forças aéreas a ampliar o alcance, a sobrevivência e a flexibilidade de suas plataformas remotamente pilotadas.

Outro fator relevante é a capacidade de carga do MQ-9 utilizando o sistema duplo BRU-78, desenvolvido especificamente para o Reaper. A configuração permite transportar maior quantidade de munições compactas de precisão, ampliando o tempo de permanência em combate e a capacidade de apoio contínuo às tropas em solo.

A GBU-39B já possui amplo histórico operacional nas forças norte-americanas e aliadas desde sua introdução em 2006, sendo empregada em conflitos de diferentes intensidades, desde operações antiterrorismo até guerras convencionais de alta intensidade. A munição também integra o arsenal do AC-130 Ghostrider II, plataforma igualmente operada pela 27ª Ala de Operações Especiais.

A incorporação da Small Diameter Bomb ao MQ-9 Reaper reforça uma tendência cada vez mais evidente no cenário militar contemporâneo: a evolução dos drones de plataformas secundárias de vigilância para vetores de ataque de precisão de longo alcance. Em um ambiente operacional marcado por ameaças distribuídas, sistemas antiaéreos em camadas e necessidade crescente de persistência sobre o campo de batalha, a combinação entre alcance stand-off, precisão e baixo custo relativo tende a consolidar os sistemas remotamente pilotados como elementos centrais das operações aéreas modernas.


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RAF integra foguetes APKWS aos Typhoon para ampliar defesa contra drones com menor custo

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A Royal Air Force (RAF) iniciou o emprego operacional de foguetes guiados APKWS (Advanced Precision Kill Weapon System) em caças Eurofighter Typhoon no Oriente Médio, em uma medida voltada à ampliação da capacidade de defesa contra drones com menor custo operacional. A integração do sistema busca oferecer uma alternativa mais econômica para interceptação de ameaças aéreas de baixa complexidade, reduzindo a dependência de mísseis ar-ar de maior custo utilizados atualmente nesse tipo de missão.

Segundo o Ministério da Defesa do Reino Unido, a capacidade já entrou em operação com aeronaves do 9 Squadron destacadas na região. O APKWS transforma foguetes não guiados de 70 mm em munições guiadas de precisão por laser, permitindo o engajamento de drones e outros alvos a um custo significativamente inferior ao de mísseis convencionais empregados em missões de defesa aérea.

A integração do sistema ocorreu em ritmo acelerado, resultado de um esforço conjunto entre o Ministério da Defesa britânico, a BAE Systems e a QinetiQ. De acordo com informações oficiais, a transição entre fase de testes e emprego operacional ocorreu em menos de dois meses. Os primeiros disparos contra alvos terrestres foram realizados em março, seguidos por testes ar-ar conduzidos em abril por pilotos do 41 Test and Evaluation Squadron da RAF.

Imagens divulgadas pelo governo britânico mostram aeronaves Typhoon operando a partir da RAF Akrotiri, no Chipre, equipadas com uma configuração mista de armamentos, incluindo mísseis MBDA Meteor, AIM-132 ASRAAM e pods de foguetes APKWS de 70 mm. A combinação amplia a flexibilidade operacional da plataforma, permitindo o emprego escalonado de armamentos conforme o perfil da ameaça enfrentada.

A adoção do APKWS reflete uma tendência crescente observada em diversos conflitos recentes, marcados pelo uso massivo de drones de baixo custo e munições vagantes. O elevado custo de interceptação utilizando mísseis ar-ar convencionais vem sendo apontado como um desafio para forças aéreas ocidentais, especialmente diante da necessidade de manter capacidade de resposta sustentável em cenários de saturação.

Nesse contexto, soluções de menor custo por disparo passam a assumir papel estratégico na defesa aérea contemporânea. O emprego de foguetes guiados de precisão em missões counter-drone representa uma tentativa de equilibrar eficiência operacional, capacidade de engajamento e sustentabilidade logística diante da rápida proliferação de sistemas aéreos não tripulados no campo de batalha moderno.

O Reino Unido também vem ampliando investimentos em outras capacidades de defesa contra drones. Recentemente, o governo britânico anunciou contratos para aquisição de interceptadores Skyhammer voltados ao enfrentamento de drones do tipo Shahed, além de manter sistemas de defesa aérea em prontidão elevada no Oriente Médio, incluindo Sky Sabre, Lightweight Multirole Missile, Rapid Sentry e ORCUS.

A introdução do APKWS no Eurofighter Typhoon reforça ainda a crescente adaptação das plataformas de combate ocidentais às novas demandas operacionais impostas pelos conflitos contemporâneos. Mais do que ampliar o arsenal disponível, a integração evidencia uma mudança doutrinária importante: a busca por soluções capazes de enfrentar ameaças assimétricas de forma economicamente sustentável, preservando estoques de mísseis de alta complexidade para cenários de maior intensidade.

A adoção de foguetes guiados APKWS em missões de defesa aérea também reforça uma tendência cada vez mais evidente no cenário internacional: a necessidade de reequilibrar a relação entre custo de interceptação e custo da ameaça. Em um ambiente operacional marcado pela proliferação de drones baratos, munições vagantes e ataques de saturação, o emprego de mísseis ar-ar de alto valor contra alvos de baixo custo torna-se economicamente insustentável no longo prazo. A iniciativa britânica sinaliza uma adaptação pragmática das forças aéreas modernas à nova realidade do campo de batalha, onde flexibilidade, rapidez de integração e soluções de menor custo por engajamento passam a ter relevância estratégica comparável à introdução de armamentos de alta complexidade tecnológica.


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Fuzileiros Navais usam drones e simulação virtual no combate a enchentes em Petrópolis

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O Corpo de Fuzileiros Navais vem ampliando o emprego de tecnologias de simulação virtual e sistemas aéreos não tripulados em aplicações voltadas à análise ambiental, apoio à defesa civil e gerenciamento de crises. Entre os dias 4 e 8 de maio, o Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo (CIASC), em parceria com o Centro Tecnológico do Corpo de Fuzileiros Navais (CTecCFN), realizou uma operação de levantamento aéreo na região do rio Quitandinha, em Petrópolis (RJ), utilizando aeronaves remotamente pilotadas para coleta de dados geoespaciais de alta precisão.

A atividade foi conduzida por meio do Laboratório de Simulação do Corpo de Fuzileiros Navais e teve como foco o mapeamento detalhado da região, permitindo a geração de modelos digitais do terreno e da calha do rio. As informações obtidas servirão de base para a construção de um ambiente virtual capaz de reproduzir diferentes cenários de inundação e comportamento do escoamento hídrico em situações de chuvas intensas.

O projeto busca ampliar a capacidade de análise preventiva em áreas historicamente afetadas por enchentes e deslizamentos, permitindo identificar pontos críticos e regiões suscetíveis a alagamentos com maior nível de precisão. Petrópolis, que nos últimos anos enfrentou episódios severos relacionados a eventos climáticos extremos, torna-se um ambiente relevante para o desenvolvimento desse tipo de modelagem computacional aplicada à gestão de riscos.

Além do caráter voltado à prevenção de desastres, a operação também reforça a evolução das capacidades tecnológicas do Corpo de Fuzileiros Navais no emprego de sistemas remotamente pilotados em missões de reconhecimento, análise do terreno e coleta de dados em ambientes complexos. O uso de drones permite acelerar a obtenção de informações estratégicas, reduzir exposição de equipes em áreas degradadas e ampliar o nível de consciência situacional durante operações.

A integração entre sensoriamento remoto, modelagem digital e simulação virtual acompanha uma tendência crescente observada em forças militares modernas, onde ferramentas inicialmente desenvolvidas para aplicações operacionais passam a desempenhar papel relevante também em cenários de apoio humanitário, defesa civil e resposta a emergências ambientais.

Nesse contexto, a capacidade de reproduzir virtualmente cenários hidrológicos e avaliar o impacto de diferentes volumes de precipitação permite antecipar respostas, aprimorar protocolos de evacuação e otimizar o emprego de meios em situações de crise. A utilização de ambientes virtuais também amplia a capacidade de treinamento e planejamento das equipes envolvidas em operações de resposta rápida.

A iniciativa conduzida pelo CIASC e pelo CTecCFN evidencia ainda o avanço do Corpo de Fuzileiros Navais na incorporação de tecnologias emergentes aplicadas à inteligência geoespacial e ao apoio à tomada de decisão. Mais do que uma atividade de levantamento topográfico, a operação demonstra como sistemas de simulação e drones vêm se consolidando como ferramentas estratégicas tanto no campo militar quanto em aplicações de interesse público.

O emprego crescente dessas tecnologias reforça uma transformação mais ampla no ambiente operacional contemporâneo, marcado pela convergência entre capacidades digitais, análise de dados e sistemas autônomos. Em cenários onde rapidez na obtenção de informações e capacidade de interpretação do terreno tornam-se fatores decisivos, ferramentas de simulação virtual e sensoriamento remoto passam a ocupar papel cada vez mais relevante no planejamento e execução de operações complexas.

A iniciativa também evidencia uma mudança gradual no perfil de emprego de capacidades tecnológicas dentro das Forças Armadas brasileiras, especialmente no âmbito do Corpo de Fuzileiros Navais. O uso integrado de drones, modelagem digital e simulação computacional demonstra como tecnologias originalmente associadas ao campo militar passam a assumir papel estratégico em missões de apoio à população, gestão de crises e monitoramento ambiental. Em um cenário marcado pelo aumento da frequência de eventos climáticos extremos e pela crescente complexidade operacional em áreas urbanas e remotas, a capacidade de transformar dados em consciência situacional e planejamento preditivo tende a se tornar um dos principais vetores de modernização das forças militares contemporâneas.


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com Marinha do Brasil


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domingo, 17 de maio de 2026

CSG e FNSS apresentam cooperação para novo carro de combate médio CFL-120 Karpat na IDEB 2026

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A CSG e a FNSS Savunma Sistemleri apresentaram, na abertura da IDEB 2026 em Bratislava, uma nova cooperação estratégica voltada ao desenvolvimento e produção conjunta de plataformas blindadas para o mercado europeu e internacional. O anúncio marca um movimento de consolidação industrial entre as duas empresas no segmento de veículos de combate sobre lagartas, com foco em produção local, transferência de tecnologia e ampliação de portfólio para clientes NATO e parceiros globais.

O eixo inicial da parceria será o desenvolvimento do novo carro de combate médio CFL-120 Karpat, apresentado pela primeira vez ao público durante o evento. A plataforma combina a base de engenharia da FNSS, a capacidade industrial da CSG na Eslováquia e a torre HITFACT® MkII da Leonardo, equipada com canhão principal de 120 mm. A proposta é entregar um veículo com perfil de carro de combate médio, mas com poder de fogo próximo ao de carros de combate principais.

A cooperação prevê não apenas produção, mas também desenvolvimento conjunto, comercialização e evolução de sistemas associados. O programa deverá utilizar a estrutura industrial existente da CSG na Eslováquia, com introdução gradual de transferência de tecnologia e incorporação de fornecedores locais, ampliando a base industrial europeia envolvida no projeto. A expectativa é de expansão futura para outras plataformas além do CFL-120 Karpat.

Segundo a CSG Defence, o projeto representa um avanço estratégico na consolidação da empresa no segmento de sistemas terrestres. A integração entre a experiência industrial da CSG e a engenharia da FNSS é apontada como fator-chave para atender à crescente demanda por veículos blindados modernos na Europa, em um cenário de reestruturação das forças terrestres e aumento da procura por soluções mais flexíveis e economicamente sustentáveis.

Do lado da FNSS, a cooperação é apresentada como resultado de uma convergência de requisitos operacionais modernos, com ênfase em mobilidade, sobrevivência e poder de fogo. A empresa destaca que a combinação da plataforma Kaplan com a nova torre de 120 mm permite evoluir o conceito de carro de combate médio para uma solução capaz de engajar alvos blindados com maior efetividade, mantendo menor peso e maior mobilidade estratégica.

O CFL-120 Karpat foi desenvolvido com peso de combate de até 34 toneladas, velocidade máxima de 70 km/h e autonomia aproximada de 450 km. A arquitetura do veículo inclui proteção modular compatível com padrões STANAG 4569, sistemas de proteção NBQ, controle de incêndio automático e integração com sistemas de gerenciamento de batalha, sensores eletro-ópticos e capacidade de operação em ambiente digitalizado e em rede.

A torre HITFACT® MkII oferece compatibilidade com munição padrão OTAN e pode ser configurada com carregamento manual ou automático, além de armamento secundário variado. A separação da munição do compartimento da tripulação foi projetada para aumentar o nível de proteção, enquanto a integração de sensores e sistemas de combate amplia a capacidade de aquisição e engajamento de alvos em múltiplos cenários operacionais.

O lançamento do CFL-120 Karpat ocorre em um contexto de reavaliação das estruturas de força terrestre por diversos países, com crescente demanda por veículos de menor custo operacional, maior mobilidade e poder de fogo equivalente ao de carros de combate principais. A solução posiciona-se como alternativa intermediária entre carros de combate pesados e plataformas de apoio de fogo, com potencial de adoção em mercados da Europa, Oriente Médio, Ásia e África, onde flexibilidade operacional e sustentabilidade logística são fatores determinantes.


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BAE Systems apresenta o T-150, sistema aéreo não tripulado de carga com foco em logística civil e militar

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A BAE Systems, por meio da subsidiária Malloy Aeronautics, apresentou o sistema aéreo não tripulado T-150 como uma nova solução voltada ao transporte logístico em ambientes complexos, com aplicação dual entre setores civis e militares. A plataforma integra uma nova geração de sistemas aéreos não tripulados de carga, projetados para atender demandas crescentes por maior eficiência operacional, redução de custos e mitigação de riscos em cadeias logísticas críticas.

O T-150 é um sistema totalmente elétrico desenvolvido para missões de transporte de “última milha”, com capacidade de carga de até 68 kg e alcance voltado a operações de curto e médio raio. A aeronave pode atingir velocidades de até 96 km/h e opera sem necessidade de pistas de pouso ou infraestrutura convencional, característica que amplia sua utilização em áreas remotas, plataformas offshore e ambientes de difícil acesso.

No segmento civil e industrial, o sistema é posicionado como alternativa ao emprego de helicópteros em missões logísticas de pequeno porte, especialmente em operações offshore e em redes de energia. A proposta central é reduzir custos operacionais, aumentar a segurança e diminuir a dependência de meios tripulados em cenários onde a logística aérea tradicional apresenta maior complexidade.

A configuração elétrica do T-150 contribui para a redução de emissões diretas no ponto de operação, além de simplificar requisitos de manutenção e aumentar a eficiência do ciclo logístico. O sistema conta ainda com baterias removíveis, permitindo substituição rápida e maior disponibilidade operacional em missões contínuas, fator crítico em operações de alta demanda.

No campo militar, sistemas dessa natureza são vistos como vetores de transformação da logística operacional. No caso brasileiro, soluções equivalentes poderiam ser aplicadas em apoio à Marinha do Brasil em operações embarcadas e logísticas entre unidades navais, além de suporte ao Exército Brasileiro em ambientes de difícil acesso, reduzindo exposição de pessoal e ampliando a agilidade do reabastecimento.

Em regiões como a Amazônia, o emprego de sistemas aéreos não tripulados de carga pode representar uma alternativa ao transporte fluvial e ao uso intensivo de aeronaves tripuladas em missões de curta distância, contribuindo para maior capilaridade logística em áreas isoladas e de infraestrutura limitada.

Segundo a BAE Systems, o T-150 foi desenvolvido para oferecer uma solução logística com melhor relação custo-benefício em cenários onde meios tradicionais não são os mais eficientes. O sistema passou por testes em diferentes ambientes operacionais, incluindo condições marítimas, desérticas e climáticas extremas, consolidando-se como parte de uma nova geração de plataformas voltadas à integração entre defesa, indústria e logística avançada.


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Otokar apresenta primeiro COBRA II produzido na Romênia e reforça expansão industrial na Europa durante a BSDA 2026

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A Otokar apresentou um avanço significativo em sua estratégia de internacionalização e expansão industrial durante a BSDA 2026, realizada entre 13 e 15 de maio, no complexo Romaero, em Bucareste, na Romênia. A empresa turca, integrante do Grupo Koç, destacou-se ao revelar a primeira unidade do blindado COBRA II produzida em território romeno, consolidando o início da fase de produção local dentro do programa de cooperação industrial com o país europeu.

A apresentação do COBRA II fabricado na Romênia representa um marco na estratégia de transferência de tecnologia e localização produtiva da Otokar, alinhada ao contrato de fornecimento de 1.059 viaturas no âmbito do programa ATBTU. Do total previsto, mais de 270 veículos já foram entregues a partir das linhas de produção na Türkiye, enquanto a fase subsequente prevê a consolidação da fabricação integral em solo romeno, com incorporação progressiva de engenharia, manufatura e know-how ao parque industrial local.

Segundo a empresa, a unidade exibida na BSDA 2026 marca o início formal da transição para produção em larga escala na instalação de Mediaș, onde a fabricação em série deve ser iniciada em junho de 2026. O movimento é sustentado pela aquisição da Automecanica S.A., anunciada em abril de 2026, operação que amplia a presença industrial da Otokar na Europa e fortalece sua atuação como fabricante estabelecida no mercado de defesa do continente.

Além do COBRA II, a Otokar apresentou o veículo de combate blindado sobre lagartas TULPAR, configurado com torre de 30 mm MIZRAK, destacando sua arquitetura modular e capacidade de adaptação a múltiplos perfis de missão. A plataforma foi projetada para operar em diferentes configurações, incluindo viatura de combate de infantaria, carro de combate leve, veículo de apoio de fogo, evacuação médica e apoio logístico, mantendo alta padronização de subsistemas.

A empresa também exibiu um veículo terrestre não tripulado (UGV) multirrol desenvolvido especificamente para as Forças Armadas da Romênia, em parceria com BlueSpace Technologies e Elektroland Defense. O sistema 6x6 foi concebido com arquitetura modular e foco em interoperabilidade NATO, integrando soluções de autonomia, comunicações seguras e sistemas de navegação avançados, com objetivo de reduzir a exposição de militares em ambientes de alto risco.

De acordo com a Otokar, a iniciativa de desenvolvimento do UGV representa um esforço conjunto para fortalecer a base industrial de defesa da Romênia no segmento de sistemas não tripulados, ampliando a capacidade local de produção e integração tecnológica. A proposta envolve a criação de uma estrutura industrial permanente no país, com participação de empresas locais no desenvolvimento de sistemas críticos.

A empresa reforçou ainda que a Romênia se consolida como o nono país europeu a receber plataformas militares Otokar, dentro de uma estratégia mais ampla de expansão na Europa. Com mais de 33 mil veículos militares em operação em cerca de 50 países, a companhia destaca sua experiência como fornecedora de soluções terrestres para usuários da OTAN e das Nações Unidas desde a década de 1980.

No contexto da BSDA 2026, a Otokar reiterou sua estratégia de longo prazo baseada na industrialização local, transferência de tecnologia e consolidação de parcerias estruturais com países europeus, posicionando a Romênia como um dos principais polos de sua atuação no continente no segmento de veículos blindados e sistemas terrestres de nova geração.


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Atech e Marinha do Brasil inauguram simulador tático e centro de suporte das Fragatas Classe Tamandaré no Rio de Janeiro

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A Atech, empresa do Grupo Embraer, e a Marinha do Brasil inauguraram na última terça-feira (12 de maio de 2026), na Base Naval do Rio de Janeiro, na Ilha do Mocanguê, o Simulador Tático das Fragatas Classe Tamandaré (FCT) e o Centro de Suporte do Sistema de Combate (CSSC). A entrega marca mais um avanço do Programa Fragatas Classe Tamandaré, voltado à modernização e ampliação da capacidade operacional da Esquadra brasileira.

A cerimônia contou com a presença de autoridades navais, incluindo o Vice-Almirante Antonio Carlos Cambra, Comandante em Chefe da Esquadra, além dos Vice-Almirantes Antonio Reginaldo Pontes Lima Junior e Marcelo da Silva Gomes. O evento consolidou mais uma etapa do processo de incorporação de sistemas de alta complexidade tecnológica ao setor naval brasileiro.

Desenvolvido no âmbito do contrato entre a Sociedade de Propósito Específico (SPE) Águas Azuis e a EMGEPRON, o Simulador Tático é um ambiente de alta fidelidade voltado ao treinamento das tripulações que irão operar o Sistema de Gerenciamento de Combate (CMS) das Fragatas Classe Tamandaré. A solução permite a reprodução de cenários operacionais completos, aproximando o treinamento das condições reais de bordo.

O sistema foi integralmente desenvolvido pela Atech, responsável também pela infraestrutura de suporte e integração dos ambientes de simulação, com foco no preparo tático e operacional das equipes. A plataforma permite elevar o nível de prontidão antes mesmo da incorporação dos navios à Esquadra.

Na mesma ocasião, foi inaugurado o Centro de Suporte do Sistema de Combate (CSSC), estrutura voltada ao apoio do planejamento de missões, além da condução de briefings e debriefings operacionais e da parametrização do sistema de combate. O centro complementa o simulador e reforça o ciclo completo de treinamento e preparação operacional.

Segundo a Marinha do Brasil, a integração entre o Simulador Tático e o CSSC representa um salto qualitativo na capacitação das tripulações, permitindo o planejamento antecipado de missões e o carregamento de cenários operacionais no sistema de combate, ampliando eficiência e segurança nas futuras operações das fragatas.

O Programa Fragatas Classe Tamandaré prevê a construção de quatro navios de última geração, com foco na modernização da capacidade de defesa naval brasileira e na proteção das águas jurisdicionais do país. A Atech integra a SPE Águas Azuis ao lado da thyssenkrupp Marine Systems e da Embraer Defesa & Segurança, sendo responsável pelo desenvolvimento de sistemas críticos como o CMS e o IPMS.

A iniciativa reforça a incorporação de tecnologias nacionais de alta complexidade no setor de defesa naval, ampliando o nível de autonomia tecnológica e a capacidade de treinamento avançado da Marinha do Brasil no contexto de operação das novas fragatas.


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Plenária da ABIMDE: ALADA e tríplice hélice marcam nova visão da FAB para soberania tecnológica

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A Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança realizou, no último dia 12 de maio, sua Reunião Plenária nas instalações do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial, em São José dos Campos (SP), reunindo representantes da indústria, autoridades militares, pesquisadores e integrantes da academia em um debate estratégico sobre o futuro da Base Industrial de Defesa e Segurança brasileira.

O encontro, realizado no Auditório Weis, no Instituto Tecnológico de Aeronáutica, contou com a presença do Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar  Marcelo Kanitz Damasceno, além de integrantes do Alto Comando da FAB, representantes do Ministério da Defesa e executivos de empresas do setor.

O editor do GBN Defense, Angelo Nicolaci, esteve presente na condição de convidado para acompanhar a plenária da ABIMDE e as apresentações realizadas durante o encontro.

Durante sua apresentação, o Brigadeiro Damasceno reforçou a necessidade de integração entre Estado, indústria e academia como elemento essencial para ampliar a autonomia tecnológica nacional e garantir maior independência estratégica ao Brasil diante dos desafios do cenário internacional contemporâneo.


A tríplice hélice como base do desenvolvimento estratégico nacional

Um dos pontos centrais destacados pelo Comandante da Aeronáutica foi o conceito da “tríplice hélice”, apresentado como um modelo fundamental para impulsionar o desenvolvimento tecnológico e industrial brasileiro.

Segundo Damasceno, o fortalecimento nacional passa necessariamente pela integração entre o Conhecimento, representado pela academia e centros de pesquisa; o Estado, representado pelas Forças Armadas e instituições públicas; e a Indústria, através da Base Industrial de Defesa e do setor produtivo nacional.

Na visão apresentada pelo Comandante da FAB, essa integração cria um ambiente capaz de gerar novos mercados, ampliar oportunidades econômicas, desenvolver novas fontes de receita, estimular a inovação e fomentar cadeias produtivas nacionais de alta tecnologia.

O Brigadeiro ressaltou ainda que esse modelo contribui diretamente para a geração de empregos altamente qualificados, retenção de conhecimento estratégico no país, fortalecimento da indústria nacional e ampliação da capacidade brasileira de desenvolver tecnologias críticas e sensíveis em setores ligados à defesa, espaço, inteligência artificial, sistemas autônomos, comunicações, sensores e novas capacidades aeroespaciais.

Nesse contexto, forças aéreas como a brasileira e a indiana têm dado crescente importância aos acordos de Transferência de Tecnologia (ToT), entendidos como instrumentos fundamentais para a internalização de capacidades críticas e o fortalecimento da autonomia industrial. Ao mesmo tempo, esses processos são conduzidos de forma a preservar a elevada prontidão operacional das forças, garantindo que a absorção tecnológica não comprometa a disponibilidade imediata de meios e sistemas. A consolidação de uma Base Industrial de Defesa robusta torna-se, assim, um fator estratégico, permitindo que países mantenham ciclos próprios de desenvolvimento tecnológico e reduzam a dependência de parcerias externas para o acesso a tecnologias de ponta.

Nesse sentido, ganha relevância o diálogo institucional mantido entre a Força Aérea Brasileira e a Força Aérea Indiana (IAF), no qual foram compartilhadas experiências, modelos de gestão e perspectivas sobre o fortalecimento de estruturas estatais voltadas à inovação e à indústria aeroespacial. Esse intercâmbio contribuiu para a consolidação de referências utilizadas pela FAB no estudo de modelos internacionais de articulação entre Estado e setor produtivo, especialmente no contexto da criação de uma nova estrutura voltada ao segmento espacial e aeroespacial brasileiro.

Como desdobramento desse processo de análise e benchmarking internacional, a FAB avançou na concepção da ALADA, empresa estatal estratégica destinada a ampliar a capacidade de articulação, investimentos e desenvolvimento tecnológico no setor. A iniciativa reflete a busca por um modelo institucional mais dinâmico, inspirado em experiências internacionais, mas adaptado às necessidades específicas do ecossistema industrial e tecnológico brasileiro.

Ao abordar a missão institucional da Força Aérea Brasileira, o Comandante destacou os pilares “defender, controlar e integrar” como conceitos centrais da atuação da FAB, seja na defesa aeroespacial, no controle do espaço aéreo ou na integração do território nacional.

Outro ponto relevante apresentado foi a complexa estrutura de governança da FAB, composta atualmente por 49 sistemas, incluindo áreas operacionais, logísticas e de suporte, todas altamente dependentes de soluções tecnológicas, equipamentos, softwares, sistemas de comunicação, sensores, manutenção e infraestrutura fornecidos pela indústria nacional.

Segundo Damasceno, a Aeronáutica acompanha de forma constante indicadores relacionados a custos, efetivos, atividades e participação da indústria brasileira em suas cadeias de fornecimento, buscando ampliar a presença de empresas instaladas no país em programas estratégicos.

Defesa como motor de desenvolvimento econômico e tecnológico

Durante a plenária, também foi destacado que os investimentos em Defesa e em programas estratégicos não se limitam ao campo militar, refletindo diretamente na economia e na sociedade brasileira.

Segundo apresentado, projetos estratégicos da FAB e do setor de Defesa impulsionam a arrecadação de impostos, fortalecem cadeias nacionais de fornecedores, estimulam o desenvolvimento de empresas de tecnologia, ampliam a demanda por insumos e serviços especializados e geram empregos diretos e indiretos altamente qualificados.

A apresentação reforçou que o fortalecimento da Base Industrial de Defesa representa também um vetor de desenvolvimento econômico, inovação industrial e soberania tecnológica, com capacidade de produzir efeitos estruturantes em diversos segmentos da economia nacional.

Programa Espacial Brasileiro e o potencial estratégico de Alcântara

Outro tema de destaque durante a apresentação foi a importância estratégica do Programa Espacial Brasileiro e o potencial econômico representado pelo Centro de Lançamento de Alcântara.

Foi ressaltado que a posição geográfica privilegiada de Alcântara, próxima à linha do Equador, torna a base uma das localizações mais atrativas do mundo para lançamentos espaciais comerciais.

Do ponto de vista técnico, a proximidade da linha equatorial permite maior aproveitamento da velocidade de rotação da Terra, reduzindo consumo de combustível e aumentando a eficiência operacional dos lançamentos. Isso possibilita transportar cargas maiores com menor gasto energético, reduzindo custos e ampliando a competitividade comercial da base brasileira no mercado global de acesso ao espaço.

Durante a apresentação, foi citado o exemplo recente das operações conduzidas com a empresa sul-coreana INNOSPACE no Centro de Lançamento de Alcântara, incluindo a Operação Spaceward e o lançamento do foguete HANBIT-Nano. A missão marcou a entrada do Brasil no mercado de lançamentos orbitais comerciais e transportou satélites e cargas úteis brasileiras e estrangeiras.

Segundo informações oficiais da Agência Espacial Brasileira, a operação abriu novas oportunidades de geração de renda, atração de investimentos, desenvolvimento tecnológico e inserção internacional do setor espacial brasileiro.

A apresentação reforçou que Alcântara possui potencial para se transformar em um dos principais hubs espaciais comerciais do hemisfério sul, gerando retorno econômico significativo ao Brasil e estimulando o desenvolvimento de toda uma cadeia nacional ligada à indústria espacial, defesa, telecomunicações, sensores, satélites, software e sistemas avançados.

Gripen e KC-390 ganharão projeção internacional no Exercício "Salitre 2026"

Durante a apresentação, o Comandante da Aeronáutica também destacou a estreia internacional do Saab F-39E Gripen em exercícios multinacionais.

A FAB confirmou a participação do F-39E Gripen no Exercício Multinacional Salitre 2026, realizado pela Força Aérea do Chile na Base Aérea de Cerro Moreno, em Antofagasta. Será a primeira vez que o principal caça brasileiro participará de um exercício operacional fora do país.

A participação brasileira deverá contar com cinco caças Gripen e uma aeronave Embraer KC-390 Millennium, que atuará no suporte logístico e operacional das missões. O exercício reunirá aeronaves de diferentes países, elevando o nível de interoperabilidade e exposição operacional da FAB.

A presença conjunta do Gripen e do KC-390 no Salitre 2026 possui importância estratégica não apenas do ponto de vista militar, mas também industrial e comercial.

O exercício funcionará como uma importante vitrine para a indústria aeroespacial brasileira na América Latina, demonstrando capacidades operacionais, interoperabilidade, maturidade tecnológica e desempenho dos dois principais programas estratégicos da FAB diante de potenciais clientes regionais.

O KC-390 já desperta forte interesse internacional por suas capacidades multimissão, menor custo operacional e elevada disponibilidade, enquanto o Gripen brasileiro representa um dos mais avançados programas de transferência de tecnologia e integração industrial já realizados na América Latina.

A participação no Salitre 2026 também evidencia o amadurecimento operacional da aviação de caça brasileira e reforça o posicionamento do Brasil como um dos principais polos aeroespaciais e tecnológicos do hemisfério sul.

FAB apresenta cronograma atualizado de entregas do Gripen

Outro ponto apresentado pelo Brigadeiro Damasceno durante a plenária foi o cronograma atualizado de entregas do programa Gripen para a FAB.

Segundo apresentado durante o encontro, a previsão é de que mais duas aeronaves F-39E sejam entregues ainda em 2026, ampliando gradualmente a capacidade operacional da aviação de caça da Força Aérea Brasileira.

Para 2027, a expectativa apresentada é de recebimento de outras quatro aeronaves F-39E, mantendo o avanço do processo de incorporação operacional do novo vetor de superioridade aérea da FAB.

Já para 2028, foi destacada a previsão de chegada das primeiras variantes biposto F-39F, consideradas fundamentais para treinamento avançado, formação operacional e ampliação das capacidades de emprego tático da aeronave. O Brasil será o primeiro operador mundial da versão Gripen F-39F de nova geração.

Durante evento do roll-out oficial da primeira aeronave supersônica construída no Brasil, realizado em Gavião Peixoto em 25 de março deste ano, a própria FAB destacou que o programa Gripen representa não apenas a aquisição de uma nova aeronave de combate, mas um amplo processo de transferência de tecnologia, desenvolvimento industrial e fortalecimento da Base Industrial de Defesa brasileira.

A apresentação também abordou os impactos das transformações observadas nos conflitos modernos, marcados pelo emprego crescente de drones, sistemas autônomos, guerra cibernética, inteligência artificial, mísseis de precisão e capacidades espaciais, reforçando a necessidade de o Brasil ampliar sua capacidade tecnológica e industrial para enfrentar os desafios do cenário internacional contemporâneo.

Pilares nacionais da soberania e o papel estruturante do Estado

Ao final de sua apresentação, o Brigadeiro Damasceno também destacou a importância do investimento contínuo nos pilares fundamentais da soberania nacional, reforçando que áreas como educação, saúde e defesa não podem ser tratadas como elementos acessórios dentro do planejamento estatal.

Segundo o Comandante da Aeronáutica, escolas, hospitais e a capacidade de defesa constituem estruturas permanentes e indissociáveis da soberania de um país, desempenhando papel central na formação de capital humano, na garantia de estabilidade social e na preservação da autonomia estratégica do Estado.

Nesse sentido, foi enfatizado que a ausência de investimentos consistentes nesses três pilares conduz, inevitavelmente, a um cenário de dependência externa, fragilidade institucional e atraso tecnológico e econômico. Para o Brigadeiro, a solidez de uma nação está diretamente relacionada à sua capacidade de sustentar sistemas de educação, saúde e defesa fortes, integrados e continuamente atualizados frente às demandas do cenário internacional contemporâneo.

Dentro dessa mesma perspectiva, o Brigadeiro também abordou a discussão sobre o patamar ideal de investimentos em defesa, avaliando que um índice em torno de 1,5% do PIB seria mais adequado e socialmente mais palatável do que metas mais elevadas como 2%, especialmente considerando que o país ainda enfrenta desafios significativos e contínuos em áreas estruturantes como educação e saúde, que demandam investimentos robustos e permanentes.

Ainda segundo essa visão, a defesa nacional depende diretamente de previsibilidade orçamentária, fator considerado essencial para a manutenção de cronogramas industriais, controle de custos e continuidade dos programas estratégicos. A ausência dessa previsibilidade pode resultar em ajustes contratuais frequentes, aumento de custos por aditivos e, em alguns casos, perda de slots produtivos em linhas industriais, o que impacta diretamente a entrega de meios essenciais para a proteção da soberania nacional e para a prontidão operacional das Forças Armadas.

O conjunto das declarações do Brigadeiro Damasceno reforça uma leitura estratégica clara: soberania não se sustenta apenas em meios militares ou programas tecnológicos isolados, mas em uma arquitetura de Estado coerente, capaz de integrar educação, saúde, defesa e desenvolvimento industrial em um mesmo projeto nacional de longo prazo. Ao defender previsibilidade orçamentária, fortalecimento da Base Industrial de Defesa e maior integração entre Estado, indústria e academia, a visão apresentada aponta para um ponto sensível do debate contemporâneo, a necessidade de escolhas estruturais consistentes em um cenário de restrições e pressões crescentes. Mais do que números ou metas, o que se coloca em perspectiva é a capacidade do país de transformar intenção em continuidade, e continuidade em autonomia real, evitando ciclos de dependência que fragilizam sua posição no sistema internacional.


por Angelo Nicolaci


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HÜRJET Naval: Türkiye avança no desenvolvimento de versão embarcada de seu jato supersônico de treinamento e ataque leve

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A indústria de defesa turca deu mais um passo importante em sua crescente estratégia de expansão no setor aeronáutico militar. A Turkish Aerospace Industries (TAI) iniciou oficialmente o desenvolvimento da variante naval do HÜRJET, aeronave supersônica de treinamento avançado e ataque leve que vem se consolidando como uma das plataformas mais promissoras da nova geração de jatos militares leves do mercado internacional.

O programa está diretamente ligado ao conceito estratégico marítimo turco conhecido como “Mavi Vatan” (Pátria Azul), doutrina que busca ampliar a capacidade de projeção naval e controle marítimo da Türkiye no Mediterrâneo Oriental, Mar Egeu e Mar Negro. A futura versão navalizada do HÜRJET será desenvolvida para operar a partir de navios-aeródromo e plataformas de pista curta, ampliando significativamente a capacidade de aviação embarcada da Marinha Turca.

O HÜRJET é uma aeronave monomotor biplace em tandem de quarta geração, equipada com o motor General Electric F404-GE-102, o mesmo núcleo de propulsão utilizado em diversas aeronaves de combate ocidentais. O jato possui velocidade máxima de Mach 1.4, teto operacional em torno de 45 mil pés e capacidade de carga útil aproximada de 3.400 kg distribuída em nove pontos externos de fixação.

Originalmente concebido para treinamento avançado de pilotos de caça e missões de ataque leve, o HÜRJET realizou seu primeiro voo em 2023 e atualmente avança na produção dos primeiros lotes destinados à Força Aérea Turca. Porém, a navalização da plataforma exigirá modificações estruturais profundas, incluindo reforços no trem de pouso, fuselagem e estrutura central da aeronave para suportar os elevados impactos característicos das operações embarcadas.

Entre as principais modificações previstas está a integração do gancho de parada para operações em convoo, além de adaptações voltadas à resistência contra corrosão marinha, envolvendo sistemas eletrônicos, aviônicos, componentes estruturais e elementos críticos da motorização. O ambiente naval impõe níveis extremos de exposição à umidade e salinidade, exigindo tratamentos específicos desde a seleção das ligas metálicas até os revestimentos internos dos sistemas embarcados.

A futura variante naval deverá desempenhar múltiplas funções dentro da Marinha Turca, incluindo treinamento avançado de pilotos navais, ataque leve, apoio aéreo aproximado (CAS) e missões de apoio marítimo. O programa está diretamente conectado ao conceito operacional do navio-aeródromo TCG Anadolu, originalmente planejado para operar aeronaves F-35B e posteriormente convertido em uma plataforma voltada ao emprego massivo de drones embarcados após a exclusão da Türkiye do programa norte-americano.

Paralelamente ao avanço da versão naval, o HÜRJET também consolidou sua projeção internacional após a Espanha selecionar a plataforma para substituir os veteranos Northrop F-5M do Ejército del Aire y del Espacio. O contrato firmado prevê inicialmente 30 aeronaves, podendo futuramente alcançar 45 unidades, em um acordo avaliado em cerca de 2,6 bilhões de euros, tornando-se o maior contrato de exportação da história da indústria aeronáutica de defesa turca.

A versão espanhola, denominada SAETA II, contará com ampla participação industrial local liderada pela Airbus Defence & Space, enquanto a TAI permanecerá responsável pela fabricação da célula da aeronave. O programa inclui ainda integração de sistemas espanhóis, simuladores desenvolvidos pela Indra e criação de infraestrutura dedicada de treinamento na Base Aérea de Talavera la Real.

Dentro da realidade brasileira, o HÜRJET surge como uma plataforma particularmente interessante tanto para a Força Aérea Brasileira quanto para a Marinha do Brasil. No caso da FAB, a aeronave poderia representar uma solução moderna para complementar o F-39 Gripen e futuramente substituir os AMX A-1 em missões de ataque leve, treinamento avançado e apoio aproximado, oferecendo uma plataforma supersônica moderna, multimissão e de menor custo operacional quando comparada a caças de primeira linha.

Já para a Marinha do Brasil, a futura variante navalizada do HÜRJET poderia se encaixar de maneira extremamente interessante na continuidade e preservação da aviação naval de caça brasileira. Mesmo sem atualmente operar um navio-aeródromo convencional, a Marinha mantém viva sua doutrina embarcada através da operação dos AF-1 Skyhawk pelo 1º Esquadrão de Aeronaves de Interceptação e Ataque (VF-1) Falcão, preservando conhecimento operacional, treinamento de pilotos e cultura aeronaval construída ao longo de décadas.

Além disso, uma eventual adoção conjunta entre FAB e Marinha do Brasil poderia gerar importantes ganhos logísticos, operacionais e industriais, simplificando cadeias de manutenção, treinamento, suporte e adestramento conjunto entre as forças. Com cenário de crescente busca por interoperabilidade, racionalização de custos e fortalecimento da Base Industrial de Defesa, plataformas comuns entre as Forças Armadas passam a ganhar relevância estratégica cada vez maior.

Sob outro aspecto estratégico, chama atenção a forte similaridade conceitual entre a doutrina marítima turca “Mavi Vatan” e o conceito brasileiro da “Amazônia Azul”. Em ambos os casos, trata-se da necessidade de proteger vastas áreas marítimas consideradas essenciais para soberania nacional, segurança energética, rotas comerciais, recursos naturais estratégicos e projeção de poder naval.

No caso brasileiro, a Amazônia Azul representa uma área marítima gigantesca, rica em recursos minerais, biodiversidade, petróleo e infraestrutura estratégica offshore, exigindo capacidades modernas de vigilância, presença naval, dissuasão e projeção aeronaval. Dentro desse contexto, plataformas mais flexíveis, modernas e com menor custo operacional, associadas ao emprego crescente de drones embarcados e sistemas não tripulados, passam a se encaixar de forma cada vez mais coerente na realidade operacional e orçamentária brasileira.

Nesse cenário, o HÜRJET Naval desponta como uma das soluções mais equilibradas, realistas e potencialmente ideais para futuramente substituir os veteranos caça-bombardeiros AF-1 Skyhawk da Marinha do Brasil, cuja plataforma se aproxima progressivamente do final de seu ciclo de vida operacional. A combinação entre desempenho supersônico, menor custo operacional, arquitetura moderna, potencial de operação embarcada, ampla digitalização e capacidade multimissão coloca o HÜRJET em uma posição particularmente interessante para a realidade brasileira.

Mais do que apenas a aeronave em si, um eventual estreitamento estratégico entre Brasil e Türkiye poderia abrir espaço para cooperações extremamente relevantes no setor de defesa. Ambos os países compartilham desafios relativamente semelhantes envolvendo dimensões continentais, proteção de áreas marítimas estratégicas, fortalecimento da indústria nacional de defesa, limitações orçamentárias e busca por maior autonomia tecnológica.

Nesse contexto, a crescente evolução da indústria turca de defesa passa a despertar interesse natural. Sistemas como o HÜRJET, o VANT Kızılelma, o Bayraktar TB3 e o próprio conceito operacional do TCG Anadolu demonstram a capacidade turca de desenvolver soluções modernas, flexíveis e relativamente adaptadas a realidades orçamentárias mais restritas quando comparadas às grandes potências militares tradicionais.

Dentro dessa lógica, o Brasil poderia inclusive avaliar futuramente conceitos semelhantes ao empregado no TCG Anadolu, seja através de um navio-aeródromo híbrido capaz de operar simultaneamente aeronaves tripuladas e drones embarcados, seja por meio de programas conjuntos envolvendo transferência tecnológica, integração industrial e desenvolvimento cooperativo de novas capacidades aeronaval.

A combinação entre uma aeronave tripulada como o HÜRJET Naval e plataformas não tripuladas como o Kızılelma criaria um conceito extremamente coerente para a realidade brasileira, permitindo preservar a aviação naval de caça da Marinha do Brasil ao mesmo tempo em que prepara a Força para o futuro ambiente de combate marítimo cada vez mais dominado por drones, guerra em rede e sistemas remotamente pilotados.


Por Angelo Nicolaci


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