quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Elbit Systems compra empresa canadense e amplia capacidade de guerra submarina com drones autônomos

 

Aquisição da International Submarine Engineering incorpora veículos subaquáticos não tripulados ao portfólio da empresa israelense, com aplicações em vigilância, caça a submarinos e neutralização de minas navais.

A israelense Elbit Systems concluiu a aquisição da canadense International Submarine Engineering (ISE), especializada em robótica e sistemas subaquáticos autônomos e operados remotamente. Anunciada em 20 de outubro, a operação amplia a presença da fabricante israelense no ambiente submarino e abre caminho para integrar veículos não tripulados subaquáticos às suas plataformas de superfície, sistemas de vigilância e estruturas de comando e controle. 

Sediada na região de Vancouver, no Canadá, a ISE atua no desenvolvimento e na fabricação de veículos subaquáticos autônomos (AUVs), veículos operados remotamente (ROVs), sistemas computadorizados de controle e soluções robóticas. Fundada em 1974, a empresa já entregou mais de 250 veículos subaquáticos a clientes em mais de 20 países, segundo os dados divulgados pela Elbit.

O valor da aquisição não foi revelado. A companhia informou que o preço pago não é material para seus resultados financeiros, sem detalhar as condições comerciais da transação.

Da superfície ao fundo do mar

A incorporação da ISE complementa uma capacidade que a Elbit vem desenvolvendo há anos com o Seagull, seu veículo de superfície não tripulado (USV). Projetado para missões navais, o sistema pode ser empregado em operações de vigilância, contramedidas de minas e guerra antissubmarino.

Com a nova aquisição, a empresa pretende avançar de plataformas de superfície para uma arquitetura que também inclua veículos capazes de operar debaixo d’água. A proposta é integrar aeronaves não tripuladas (VANTs), embarcações de superfície autônomas e veículos subaquáticos em uma estrutura comum de missão, sem excluir o emprego independente de cada sistema.

A combinação amplia as opções para operações de inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR), nas quais diferentes plataformas podem coletar informações de áreas distintas e contribuir para a construção de um quadro operacional compartilhado. No ambiente naval, essa integração pode ajudar a monitorar áreas extensas, investigar contatos suspeitos e acompanhar atividades próximas a portos, rotas marítimas e infraestruturas submarinas.

A Elbit também reúne em seu portfólio sistemas de comando e controle, sensores eletro-ópticos, sonar, comunicações e guerra eletrônica. A aquisição da ISE acrescenta a esses recursos a experiência em robótica subaquática, permitindo à companhia oferecer soluções que conectem a detecção de ameaças à coleta de dados e à coordenação dos meios empregados.

Vigilância, minas e guerra antissubmarino

Entre as áreas que a Elbit pretende desenvolver com a tecnologia canadense estão a vigilância subaquática, as contramedidas de minas navais e a guerra antissubmarino. São missões nas quais veículos não tripulados podem reduzir a exposição de tripulações e ampliar a persistência das operações.

Os AUVs navegam de forma autônoma conforme uma missão programada, enquanto os ROVs são controlados remotamente por operadores. Dependendo da configuração, essas plataformas podem transportar sensores para mapear o fundo do mar, inspecionar estruturas, localizar objetos e coletar informações sobre atividades subaquáticas.

Na guerra de minas, veículos desse tipo podem pesquisar áreas de risco e identificar possíveis artefatos explosivos antes que navios tripulados atravessem a região. Na guerra antissubmarino, sensores e plataformas não tripuladas podem contribuir para a busca e o acompanhamento de contatos, embora a detecção efetiva dependa dos equipamentos embarcados, das condições ambientais e da integração com outros meios navais.

A aquisição não significa, por si só, que a Elbit já disponha de uma nova capacidade operacional plenamente integrada. A empresa apresentou a operação como uma expansão de seu portfólio, mas não divulgou um cronograma para a integração dos sistemas da ISE, nem anunciou contratos específicos associados à combinação das tecnologias.

Mercado de sistemas navais não tripulados

A compra ocorre em um momento de expansão do interesse militar por plataformas não tripuladas capazes de operar em diferentes ambientes. A vigilância do fundo do mar, a proteção de cabos e outras infraestruturas submarinas, a localização de minas e o acompanhamento de submarinos estão entre as missões que impulsionam o desenvolvimento dessas tecnologias.

A tendência também se reflete na evolução do Seagull. A Elbit vem desenvolvendo versões de diferentes dimensões e demonstrou aplicações voltadas à desminagem e à guerra antissubmarino. Em 2022, uma unidade participou do evento Digital Horizon, promovido pelo Comando Central dos Estados Unidos no golfo Pérsico para avaliar o emprego de sistemas não tripulados.

A estratégia naval da companhia também inclui cooperação industrial internacional. Em fevereiro de 2026, a Elbit e a alemã TKMS anunciaram a inauguração de uma linha de produção de componentes para submarinos em Israel. Em maio, as empresas firmaram um memorando de entendimento para explorar oportunidades de desenvolvimento, integração e comercialização de soluções avançadas de defesa naval. 

A aquisição da ISE reforça essa direção, acrescentando uma especialização que a Elbit não possuía na mesma escala em seu portfólio divulgado. O objetivo é conectar sistemas aéreos, de superfície e subaquáticos em operações coordenadas, ampliando a oferta da empresa para marinhas que buscam maior cobertura de vigilância e capacidade de atuação sem expor continuamente suas tripulações.

O resultado dependerá da integração técnica dos veículos, sensores e sistemas de comando, além da capacidade de transformar a combinação industrial em soluções operacionais adotadas por clientes. A transação, contudo, sinaliza que o desenvolvimento de capacidades navais está cada vez mais ligado à combinação de plataformas tripuladas e autônomas em múltiplos ambientes.


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