sábado, 7 de novembro de 2026

França prepara aquisição do MdCN Mk2 e amplia capacidade de ataque em profundidade da Marinha

0 comentários

Nova versão do míssil de cruzeiro naval da MBDA terá alcance superior a 1.000 quilômetros, maior resistência à guerra eletrônica e capacidade aprimorada de penetração de defesas aéreas. Contratação foi anunciada pela DGA durante a Euronaval 2026, com entregas previstas a partir de 2030.

A França prepara a aquisição de uma nova geração de mísseis de cruzeiro navais MdCN, desenvolvidos pela MBDA. Anunciada pela Direção-Geral do Armamento (DGA) em 6 de novembro, durante a Euronaval 2026, a futura contratação prevê o fornecimento do padrão Mk2, evolução do armamento que já integra o arsenal da Marinha Francesa. As primeiras entregas estão previstas para 2030.

O anúncio representa um passo importante para a manutenção e evolução da capacidade francesa de realizar ataques convencionais de precisão contra alvos terrestres a grandes distâncias, utilizando plataformas navais. A DGA informou que pretende assinar em breve o contrato com a MBDA, mas não divulgou o número de unidades previstas nem o valor da aquisição. Portanto, trata-se de uma contratação anunciada, cuja formalização ainda está pendente, e não de um contrato já concluído.

O MdCN Mk2 foi concebido para operar a partir das fragatas multimissão FREMM e dos submarinos nucleares de ataque da classe Suffren. Essa combinação oferece à França duas formas distintas de projetar poder sobre alvos em terra: a partir de navios de superfície, cuja presença pode integrar uma operação naval mais ampla, ou de submarinos, que permitem aproximar-se de áreas de interesse com maior discrição.

A capacidade de lançamento por diferentes plataformas amplia as possibilidades de planejamento e posicionamento da força naval. Em uma operação, fragatas e submarinos podem atuar de maneira complementar, oferecendo diferentes eixos de ataque e dificultando a identificação antecipada da origem de uma ameaça.

Evolução tecnológica e resistência às defesas

De acordo com a DGA, o novo padrão terá alcance superior a 1.000 quilômetros e incorporará melhorias de furtividade, letalidade e resistência à interferência dos sistemas de navegação por satélite, conhecidos pela sigla GNSS. A preparação das missões também será aprimorada por recursos de inteligência artificial desenvolvidos pelas equipes da MBDA.

Essas evoluções respondem a um ambiente operacional no qual sistemas integrados de defesa aérea, radares de maior capacidade e recursos de guerra eletrônica tornam mais complexa a realização de ataques de longo alcance. A capacidade de manter a navegação e a precisão mesmo diante de interferências passa a ser tão relevante quanto a distância que o míssil consegue percorrer.

A utilização de recursos de inteligência artificial na preparação das missões também merece atenção. Segundo a DGA, essas ferramentas serão incorporadas ao planejamento do emprego do armamento. Isso não significa que o míssil passe a operar de forma autônoma na escolha de alvos, mas que o processo de preparação poderá contar com recursos avançados para organizar e otimizar os parâmetros da missão.

A MBDA informa que o NCM/LCM Mk2, denominações internacional e terrestre do sistema, respectivamente, mantém a possibilidade de lançamento vertical por meio do sistema SYLVER A70, utilizado em navios de guerra, ou por tubos de torpedo de 533 milímetros em submarinos. A empresa também destaca a capacidade de realizar ataques coordenados, com múltiplos mísseis atingindo seus objetivos em horários sincronizados.

Essa característica amplia as possibilidades de emprego em operações que exigem ataques simultâneos contra diferentes pontos de uma infraestrutura ou contra alvos que integram um mesmo sistema estratégico. A combinação de alcance, precisão e coordenação entre plataformas oferece maior flexibilidade ao planejamento operacional.

Um armamento que já faz parte da capacidade francesa

O MdCN Mk2 não representa a introdução de uma capacidade inteiramente nova. Seu antecessor já proporciona à França a possibilidade de realizar ataques de longo alcance a partir de meios navais.

O míssil original entrou em serviço na Marinha Francesa em 2017, inicialmente nas fragatas FREMM, e posteriormente foi integrado aos submarinos da classe Suffren. O armamento deriva da experiência acumulada pela MBDA no desenvolvimento de mísseis de cruzeiro como o SCALP/Storm Shadow, mas foi adaptado às exigências de lançamento a partir de navios e submarinos.

A própria DGA destaca que o MdCN complementa a capacidade de ataque proporcionada pelo SCALP-EG, lançado por aeronaves. A diferença está nas plataformas empregadas e nas opções de posicionamento disponíveis: enquanto a aviação permite projetar poder a partir de bases aéreas e aeronaves embarcadas, o MdCN acrescenta a possibilidade de realizar ataques a partir de unidades navais distribuídas em diferentes áreas marítimas.

Essa combinação oferece maior flexibilidade à estratégia francesa de ataque convencional em profundidade. A disponibilidade de mísseis embarcados em fragatas e submarinos permite que a Marinha participe diretamente de operações de ataque contra alvos terrestres de elevado valor estratégico, sem depender exclusivamente da aviação.

A experiência operacional também contribuiu para a evolução do sistema. A França empregou o MdCN em ataques contra alvos na Síria durante a Operação Hamilton, em abril de 2018. A experiência acumulada desde sua entrada em serviço integra o processo de aperfeiçoamento que agora desemboca no padrão Mk2.

A dimensão estratégica da aquisição

A decisão francesa ocorre em um momento de reavaliação das capacidades militares europeias, marcado pela necessidade de ampliar estoques de munições, reforçar a capacidade de sustentação de operações prolongadas e desenvolver armamentos capazes de enfrentar sistemas de defesa cada vez mais sofisticados.

Nesse cenário, a evolução do MdCN não deve ser observada apenas pelo alcance superior a 1.000 quilômetros. O aspecto central é a capacidade de preservar a eficácia de um armamento de ataque em profundidade diante de interferências eletrônicas e defesas aéreas modernas. A sobrevivência do míssil durante o percurso, a precisão terminal e a possibilidade de coordenar ataques entre diferentes plataformas são elementos que influenciam diretamente seu valor operacional.

Há também uma dimensão industrial. Ao manter o desenvolvimento e a produção de um míssil de cruzeiro naval sob responsabilidade da MBDA, a França preserva uma competência estratégica que poucos países europeus possuem de forma autônoma. A continuidade desse conhecimento envolve não apenas o projeto do armamento, mas também sua integração às plataformas, a preparação das missões, a manutenção e a capacidade de reposição dos estoques.

A aquisição do Mk2, portanto, representa mais do que a modernização de um míssil já existente. É parte de um esforço para assegurar que a Marinha Francesa mantenha uma capacidade de ataque convencional de longo alcance, disponível tanto em unidades de superfície quanto submarinas, e compatível com as exigências de um cenário de conflito de alta intensidade.

Para a Europa, a decisão também reforça a busca por maior autonomia na produção e no emprego de armamentos estratégicos. Em um ambiente no qual a disponibilidade de munições e a capacidade de reposição podem influenciar a duração de uma campanha militar, possuir um sistema próprio de ataque em profundidade representa uma dimensão relevante da liberdade de ação nacional.


por Angelo Nicolaci


GBN Defense - A informação começa aqui



Continue Lendo...

Saab fornecerá armamentos e sensores para quatro fragatas FDI da Suécia

0 comentários

 

Contrato com a Naval Group prevê a integração de mísseis antinavio RBS15, torpedos, radares e sistemas de controle de armas. A configuração sueca demonstra como uma plataforma estrangeira pode incorporar tecnologias da indústria nacional do país comprador, um caminho que também adotado pelo Brasil.

A escolha de uma plataforma naval estrangeira não significa necessariamente abrir mão da participação da indústria de defesa nacional. A Suécia oferece um exemplo dessa estratégia ao incorporar sistemas desenvolvidos pela Saab às quatro fragatas FDI encomendadas à Naval Group. O acordo, anunciado em 6 de novembro de 2026, prevê que a empresa sueca forneça e integre armamentos, sensores e sistemas de controle às futuras fragatas da classe Luleå.

O contrato avaliado em aproximadamente 2 bilhões de coroas suecas, estabelece uma relação industrial que vai além da aquisição dos navios. A Saab será responsável por fornecer o sistema de controle de armas, diretores de direção de tiro Ceros, sistemas eletro-ópticos EOS 500, mísseis antinavio RBS15, torpedos leves, estações de armas remotamente controladas Trackfire e o radar de vigilância multimissão Sea Giraffe 1X. As entregas dos sistemas à Naval Group estão previstas para ocorrer entre 2027 e 2034.

A configuração evidencia uma divisão de responsabilidades na qual a plataforma francesa recebe um conjunto expressivo de tecnologias suecas, selecionadas para atender às necessidades operacionais da Marinha da Suécia. Não se trata apenas de nacionalizar componentes, mas de assegurar que a indústria do país comprador participe da definição, do fornecimento e da integração de capacidades relevantes para o emprego do navio.


GBN Defense - A informação começa aqui

Continue Lendo...

Naval Group apresenta na Euronaval sua visão para a guerra naval de alta intensidade

0 comentários

Fragatas FDI, submarinos, sistemas autônomos, inteligência artificial e defesa contra drones compõem a estratégia da empresa francesa para as futuras forças navais. A versão ampliada da FDI foi um dos destaques da feira, abrindo novas perspectivas para o debate sobre a renovação da Esquadra brasileira e o aproveitamento da capacidade industrial nacional.

A evolução dos conflitos navais está modificando a maneira como as marinhas planejam suas forças e definem os requisitos de seus navios. A disseminação de drones, os ataques de saturação, a crescente importância da guerra eletrônica e a necessidade de operar em ambientes sujeitos a ameaças simultâneas exigem plataformas mais versáteis, capazes de integrar sensores, armamentos e sistemas não tripulados em uma mesma arquitetura de combate.

Foi diante desse cenário que a Naval Group apresentou, durante a Euronaval 2026, realizada em Paris entre 3 e 6 de novembro, seu portfólio de navios, submarinos, sistemas e serviços voltados às operações de alta intensidade. A exposição reuniu plataformas já em serviço, projetos contratados e soluções ainda em desenvolvimento, demonstrando como a indústria naval procura responder à transformação do ambiente operacional.

A proposta da empresa francesa parte de uma premissa: o navio de guerra do futuro não poderá ser avaliado apenas por seu deslocamento, velocidade ou quantidade de armamentos. Sua capacidade de sobreviver e cumprir missões dependerá também da qualidade dos sensores, da velocidade de processamento das informações, da integração com outros meios e da possibilidade de empregar sistemas autônomos em diferentes áreas de operação.

Entre os destaques estiveram as famílias de fragatas FDI e corvetas Gowind, os submarinos Scorpène e Blacksword Barracuda, o sistema de autodefesa Rampart e o conceito de navio SCX26. A empresa também apresentou sua visão para a formação de frotas híbridas, nas quais navios e submarinos operam em conjunto com drones aéreos, de superfície e submersos.

FDI: uma plataforma em evolução para operações de alta intensidade

A fragata FDI ocupou posição de destaque na apresentação. Desenvolvida para reunir capacidades de guerra antiaérea, antissubmarino e antissuperfície, a classe foi concebida para operar em ambientes complexos, integrando sensores e armamentos em um sistema de combate capaz de coordenar diferentes respostas diante das ameaças.

A plataforma combina radar multifuncional, sistemas de guerra eletrônica, sensores eletro-ópticos e sonar, além de armamentos destinados ao enfrentamento de ameaças aéreas, de superfície e submarinas. Sua arquitetura também permite a integração de sistemas não tripulados, ampliando as possibilidades de emprego em missões de reconhecimento, vigilância e apoio às operações navais.

Um dos anúncios mais interessantes da Euronaval foi a apresentação de uma versão ampliada da FDI, com aproximadamente 131 metros de comprimento e deslocamento próximo de 5.400 toneladas. A configuração incorpora uma seção adicional de quase nove metros no casco, elevando o deslocamento em aproximadamente 800 toneladas em relação à versão original.

O espaço adicional amplia as possibilidades de configuração dos armamentos e equipamentos de missão. Entre as alternativas apresentadas estão lançadores adicionais de mísseis antinavio Exocet, células verticais para mísseis antiaéreos e opções de integração de armamentos de maior alcance. O volume também pode acomodar equipamentos para operações especiais, sistemas de controle de drones e módulos de missão.

É importante observar que essas configurações representam possibilidades de evolução do projeto, não uma configuração contratada ou já incorporada por alguma marinha. A proposta demonstra, entretanto, a flexibilidade da arquitetura da FDI e a intenção da Naval Group de oferecer uma plataforma capaz de acompanhar requisitos operacionais mais exigentes.

Essa evolução também reflete uma tendência da construção naval militar: ampliar a capacidade de combate de uma família de navios por meio de modificações estruturais e modulares, evitando que cada mudança de requisito exija necessariamente o desenvolvimento de uma nova classe.

Gowind: versatilidade e cooperação industrial

Na categoria das corvetas, a Naval Group apresentou a família Gowind, projetada para missões de defesa naval, proteção de águas jurisdicionais e segurança marítima. A plataforma integra sensores e armamentos por meio do sistema de gerenciamento de combate SETIS, desenvolvido pela própria empresa, e permite diferentes configurações conforme as necessidades de cada operador.

A Gowind foi selecionada por diferentes marinhas, somando 11 unidades escolhidas, segundo a fabricante. Um aspecto importante de sua trajetória é a construção local adotada em alguns programas, associada à transferência de tecnologia e à participação de empresas dos países compradores.

Esse modelo demonstra que a exportação de navios de combate pode ir além do fornecimento de uma plataforma pronta. A cooperação industrial permite desenvolver fornecedores, capacitar profissionais e criar competências nacionais que permanecem disponíveis após a entrega das embarcações.

Submarinos: Scorpène e Blacksword Barracuda

No segmento submarino, a Naval Group destacou duas famílias com características distintas. O Scorpène, submarino convencional multimissão, foi desenvolvido para operações antissuperfície e antissubmarino, coleta de informações e apoio a operações especiais. Sua combinação de discrição, sensores e armamentos permite atuar em diferentes cenários de guerra submarina.

A família possui uma relação direta com o Brasil por meio do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), que viabilizou a construção de quatro unidades convencionais no país, com transferência de tecnologia e desenvolvimento de competências industriais em Itaguaí.

Já o Blacksword Barracuda representa uma proposta de submarino convencional de longo alcance e elevada autonomia, incorporando soluções derivadas da experiência da Naval Group com a família Barracuda. Entre seus principais diferenciais estão as baterias de íons de lítio, concebidas para ampliar a permanência submersa e oferecer maior flexibilidade operacional.

Em 2024, os Países Baixos encomendaram quatro unidades para seu programa de substituição de submarinos. A primeira entrega está prevista para 2033, o que posiciona o Blacksword como um programa contratado, mas ainda em desenvolvimento.

Frotas híbridas: navios e drones operando em conjunto

A integração de sistemas não tripulados foi um dos eixos centrais da apresentação. A Naval Group trabalha com soluções para o emprego de drones em missões de reconhecimento, vigilância, guerra de minas e guerra antissubmarino, procurando estabelecer uma arquitetura na qual diferentes plataformas possam compartilhar informações e atuar de maneira coordenada.

O conceito de frota híbrida apresentado pela empresa não se refere à propulsão dos navios, mas à combinação entre meios tripulados e não tripulados. Nesse modelo, drones aéreos, veículos de superfície e sistemas submersos podem ampliar o alcance dos sensores, executar tarefas específicas e complementar as capacidades dos navios e submarinos.

A efetividade dessa arquitetura, entretanto, depende de fatores que vão além da disponibilidade dos veículos. Comunicações seguras, interoperabilidade, autonomia, resistência à guerra eletrônica e integração com os sistemas de comando e controle serão determinantes para que os diferentes meios possam operar de maneira coordenada.

A proposta também exige atenção à vulnerabilidade das redes. Em um conflito de alta intensidade, a perda ou degradação das comunicações pode comprometer a coordenação entre plataformas. Por isso, a autonomia dos sistemas e a capacidade de continuar operando sob interferência eletrônica são requisitos tão importantes quanto o desempenho físico dos drones.

SCX26: o navio como centro de operações autônomas

A visão de futuro da Naval Group ganhou expressão no SCX26, conceito de navio de combate apresentado como projeto de pesquisa para explorar as necessidades das próximas gerações de forças navais.

Com aproximadamente 170 metros de comprimento e deslocamento estimado entre 8 mil e 10 mil toneladas, o conceito foi desenvolvido em torno do emprego de sistemas não tripulados. Sua arquitetura prevê um espaço de missão destinado ao lançamento, recolhimento, manutenção e apoio a diferentes tipos de drones.

A proposta é que o navio funcione não apenas como plataforma de combate, mas também como centro de coordenação de uma força híbrida, capaz de distribuir sistemas autônomos para missões de reconhecimento, guerra eletrônica, proteção e operações antissubmarino.

O SCX26 reúne soluções já conhecidas e tecnologias que ainda dependem de desenvolvimento. Entre os recursos explorados estão sensores avançados, grande capacidade de lançamento vertical de mísseis e sistemas de armas de nova geração.

O projeto permanece conceitual. Sua apresentação não significa que a Naval Group tenha iniciado a construção de uma nova classe ou que exista uma encomenda para sua produção. O interesse está na exploração de uma arquitetura que procura antecipar como os navios poderão atuar em forças navais cada vez mais distribuídas e dependentes da integração entre diferentes plataformas.

Rampart e a defesa contra drones

A expansão dos ataques com drones tornou a proteção das embarcações uma preocupação crescente. Sistemas não tripulados relativamente baratos podem obrigar navios sofisticados a empregar armamentos de custo elevado, criando um desequilíbrio econômico e operacional que exige novas respostas.

Nesse campo, a Naval Group apresentou o Rampart, sistema de autodefesa de curto alcance desenvolvido para enfrentar ameaças assimétricas, incluindo veículos não tripulados. Apresentado inicialmente como conceito em 2024, o projeto passou por um processo acelerado de desenvolvimento financiado pela própria empresa.

A proposta utiliza uma arquitetura aberta e escalável, com recursos destinados a apoiar a identificação e o enfrentamento de diferentes ameaças. A intenção é oferecer uma solução que possa acompanhar a evolução dos vetores de ataque e ser adaptada às características das plataformas protegidas.

A inteligência artificial também integra essa estratégia. Em 2025, a Naval Group adquiriu uma participação de 20% na cortAIx Factory France, estrutura da Thales dedicada ao desenvolvimento de inteligência artificial para sistemas críticos.

A aplicação desses recursos pode acelerar a análise de informações e apoiar a tomada de decisões em ambientes nos quais o volume de dados e a velocidade dos ataques pressionam as equipes de combate. A tecnologia, contudo, precisa ser acompanhada de testes, validação operacional e mecanismos de supervisão compatíveis com a criticidade das decisões envolvidas.

Modernização e disponibilidade operacional

A apresentação também contemplou soluções de modernização para navios de superfície, submarinos e embarcações logísticas. Em operações prolongadas, a disponibilidade dos meios torna-se tão importante quanto a incorporação de novas plataformas.

A atualização de sensores, sistemas de combate e equipamentos de missão permite prolongar a vida útil das embarcações e preservar capacidades enquanto novos navios são construídos. Essa abordagem também procura adaptar os ciclos de manutenção às exigências de frotas submetidas a maior intensidade de emprego.

O tema tem relevância para marinhas que precisam equilibrar a renovação de suas forças com restrições orçamentárias e limitações industriais. A modernização planejada, associada à manutenção e à gestão do ciclo de vida, pode evitar que plataformas ainda úteis percam capacidade operacional por falta de atualização ou suporte.

Oportunidades para o Brasil: capacidade de combate e continuidade industrial

A apresentação da Naval Group na Euronaval 2026 oferece elementos importantes para o debate sobre o futuro da Marinha do Brasil. A relação construída no PROSUB demonstra que a cooperação com a indústria francesa já produziu resultados concretos em transferência de tecnologia, formação de profissionais e desenvolvimento de capacidade industrial em território nacional.

Mas as oportunidades não se limitam ao segmento submarino. A evolução da FDI, especialmente sua configuração ampliada, merece ser acompanhada como uma possível alternativa para complementar o processo de renovação da força de superfície brasileira.

O Programa Fragatas Classe Tamandaré representa um passo importante nessa direção. A primeira unidade já foi incorporada à Esquadra e a Marinha mantém o planejamento de um segundo lote de quatro navios, cuja viabilização depende da continuidade das etapas contratuais.

Uma eventual aquisição de FDI não precisaria substituir ou interromper esse programa. Poderia ser estudada como uma segunda linha de escoltas, com maior porte e capacidade de combate, acrescentando à Esquadra recursos mais robustos para determinadas missões, especialmente no campo da defesa antiaérea e da proteção de forças-tarefa.

A combinação de diferentes classes permitiria distribuir melhor as tarefas operacionais, ampliando o número de meios disponíveis e evitando concentrar todas as necessidades da Marinha em uma única plataforma. Naturalmente, essa decisão exigiria uma análise de custos, logística, treinamento, armamentos, interoperabilidade e sustentabilidade ao longo de todo o ciclo de vida.

Há também uma dimensão industrial que merece atenção. A Itaguaí Construções Navais, criada no contexto do PROSUB, acumulou experiência na construção e manutenção de submarinos. Em 28 de outubro, a EMGEPRON divulgou um memorando de entendimentos firmado com a ICN para estudar oportunidades conjuntas em construção, conversão, modernização, manutenção, reparação e extensão da vida útil de embarcações desenvolvidas pela empresa ou por seus parceiros.

Esse entendimento não representa um contrato para construção, tampouco comprova que a estrutura de Itaguaí esteja imediatamente preparada para receber uma nova linha de produção. Abre, entretanto, uma perspectiva para avaliar a ampliação das atividades da ICN e o aproveitamento de competências já desenvolvidas no Brasil.

Uma eventual participação da ICN em um programa de construção de navios de superfície poderia contribuir para manter demanda industrial, preservar mão de obra especializada, ampliar a participação de fornecedores brasileiros e dar continuidade ao conhecimento acumulado durante o PROSUB. Para isso, seriam necessários estudos de viabilidade, adaptações de infraestrutura, definição do conteúdo local e um modelo consistente de transferência de tecnologia.

A mesma lógica se aplica às tecnologias apresentadas na feira. Sistemas não tripulados, defesa contra drones, sensores, inteligência artificial e modernização de plataformas são áreas nas quais a indústria brasileira poderia buscar participação, seja por meio de integração local, desenvolvimento conjunto ou fornecimento de componentes e soluções.

A Euronaval 2026 mostrou que a transformação do combate naval não está restrita à criação de novos navios. Ela envolve a capacidade de conectar plataformas, distribuir sensores, integrar sistemas autônomos e manter os meios disponíveis diante de ameaças cada vez mais complexas.

Para o Brasil, o desafio é transformar essas tendências em planejamento de longo prazo. A continuidade das Tamandaré, a avaliação de uma segunda classe de fragatas, o aproveitamento da estrutura industrial de Itaguaí e a incorporação gradual de novas tecnologias precisam ser considerados dentro de uma mesma estratégia.

A experiência acumulada com a França oferece uma base para essa discussão. O próximo passo é avaliar como essa cooperação pode contribuir não apenas para fornecer novos meios à Marinha, mas também para ampliar a capacidade nacional de projetar, construir, integrar e sustentar os sistemas que comporão o Poder Naval brasileiro nas próximas décadas.


por Angelo Nicolaci

GBN Defense - A informação começa aqui


Continue Lendo...

Taurus e Marinha firmam acordo para desenvolver tecnologias de defesa voltadas aos Fuzileiros Navais

0 comentários

 

Cooperação amplia aproximação entre a indústria nacional e o Corpo de Fuzileiros Navais, com estudos em armamentos, sistemas de defesa e plataformas não tripuladas.

A aproximação entre a indústria de defesa e as Forças Armadas brasileiras ganhou um novo capítulo com a assinatura de um Acordo de Cooperação Técnica entre a Taurus Armas S.A. e a Marinha do Brasil, por meio do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). O instrumento dá continuidade ao entendimento firmado em fevereiro de 2026 e estabelece condições para estudos e iniciativas conjuntas de pesquisa, desenvolvimento e inovação em tecnologias de interesse militar.

O acordo busca aproximar a experiência operacional dos Fuzileiros Navais da capacidade de engenharia e produção da Taurus. A proposta é identificar necessidades da tropa, estudar alternativas técnicas e avaliar oportunidades de desenvolvimento de equipamentos que respondam a requisitos concretos de emprego.

Entre as áreas contempladas estão armamentos, sistemas de defesa e tecnologias não tripuladas, incluindo plataformas aéreas e terrestres. A iniciativa acompanha uma transformação no ambiente operacional, no qual sistemas de reconhecimento, vigilância e obtenção de informações passaram a ocupar espaço crescente no planejamento e na execução das operações militares.

Da necessidade operacional à solução tecnológica

A participação do CFN permite que as demandas dos usuários estejam presentes desde as etapas iniciais dos estudos. Condições de emprego, confiabilidade, resistência, ergonomia, manutenção e integração com outros equipamentos são fatores que influenciam diretamente o desempenho de um sistema em campo.

Essa aproximação já vinha sendo construída desde fevereiro, quando a Marinha e a Taurus assinaram um Protocolo de Intenções. A participação da empresa em atividades realizadas durante as operações Furnas e Formosa, em 2026, também integrou esse processo, aproximando seus profissionais dos ambientes de adestramento e das necessidades da tropa.

O conhecimento acumulado pelos Fuzileiros Navais em operações anfíbias, ribeirinhas e terrestres oferece referências importantes para orientar o desenvolvimento de soluções destinadas a diferentes cenários. A experiência operacional, quando incorporada ao processo de engenharia, permite que os requisitos sejam definidos considerando não apenas o desempenho esperado, mas também as limitações e exigências do emprego real.

Sistemas não tripulados no horizonte da cooperação

A inclusão de plataformas aéreas e terrestres não tripuladas merece destaque entre os campos de interesse do acordo. Esses sistemas podem ampliar as capacidades de reconhecimento e vigilância, apoiar a obtenção de informações e oferecer alternativas para missões em ambientes de difícil acesso ou com maior exposição ao risco.

Seu desenvolvimento, entretanto, envolve desafios que vão além da plataforma física. Autonomia, alcance, capacidade de carga, resistência ambiental, comunicações e integração com sistemas de comando e controle são requisitos fundamentais para que esses equipamentos possam ser empregados de maneira eficiente em operações militares.

A possibilidade de estudar essas tecnologias em conjunto com o usuário final permite orientar os projetos desde sua concepção, aproximando as características técnicas das necessidades identificadas pelo CFN.

O comunicado, porém, não especifica quais modelos serão desenvolvidos, nem apresenta cronogramas, requisitos técnicos ou previsão de incorporação de novos equipamentos. A definição desses elementos dependerá do avanço dos estudos e das avaliações conduzidas no âmbito da cooperação.

Indústria nacional e autonomia estratégica

O acordo também se insere no esforço de fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID). O desenvolvimento de tecnologias no Brasil pode reduzir vulnerabilidades associadas à dependência externa, preservar conhecimento especializado e ampliar a capacidade nacional de projetar, produzir e aperfeiçoar equipamentos de interesse militar.

Para a Taurus, tradicionalmente reconhecida pela fabricação de armas leves, a aproximação com o Corpo de Fuzileiros Navais abre espaço para ampliar sua atuação em projetos de defesa e explorar novas competências tecnológicas. A experiência industrial da empresa, associada ao conhecimento operacional da Marinha, poderá criar oportunidades para desenvolver soluções com potencial de aplicação também em outros mercados.

Essa possibilidade de internacionalização, contudo, dependerá dos resultados alcançados, da maturidade dos sistemas e de sua competitividade diante das exigências do mercado internacional.

É importante distinguir a assinatura do acordo de uma decisão de aquisição. O ACT estabelece bases para cooperação técnica e desenvolvimento, mas não representa, por si só, uma encomenda ou compromisso de incorporação de equipamentos pela Marinha. Também não foram divulgados valores, cronogramas de execução ou projetos específicos já aprovados.

O avanço da parceria será medido pela capacidade de transformar demandas operacionais em projetos viáveis, submetidos a avaliações técnicas e testes que comprovem sua adequação ao emprego militar. É nessa passagem entre a necessidade identificada pela tropa e a solução entregue pela indústria que a cooperação poderá produzir resultados concretos para a capacidade operacional dos Fuzileiros Navais e para o desenvolvimento tecnológico da defesa brasileira.


GBN Defense - A informação começa aqui

Continue Lendo...

Marinha ativa IFC Atlântico Sul e amplia integração de informações para a segurança marítima regional

0 comentários


Instalado no COMPAAz, novo centro busca conectar instituições brasileiras e estrangeiras, transformar dados dispersos em inteligência marítima e fortalecer a proteção de interesses estratégicos no Atlântico Sul.

A Marinha do Brasil ativou em 3 de novembro o Information Fusion Center (IFC) Atlântico Sul, estrutura instalada no Comando de Operações Marítimas e Proteção da Amazônia Azul (COMPAAz) no Rio de Janeiro. A iniciativa representa um avanço na articulação entre instituições nacionais e internacionais para acompanhar as atividades no mar, identificar riscos e ampliar a capacidade de compreensão do ambiente marítimo em uma região de crescente importância econômica e estratégica.

O desafio que motivou a criação do centro vai além da extensão geográfica. O Atlântico Sul concentra rotas comerciais fundamentais, linhas de comunicação marítima, atividades pesqueiras, exploração de petróleo e gás, infraestrutura energética e interesses de diferentes países. A proteção desse ambiente exige mais do que a disponibilidade de navios, aeronaves e sensores: depende também da capacidade de reunir informações provenientes de diferentes fontes, estabelecer correlações e transformar dados em conhecimento útil para a tomada de decisão.

Segundo a Marinha, a área de interesse do IFC alcança aproximadamente 40,3 milhões de quilômetros quadrados, abrangendo uma região marítima que ultrapassa os limites jurisdicionais brasileiros. Dentro desse contexto está a Amazônia Azul, com cerca de 5,7 milhões de quilômetros quadrados, espaço diretamente relacionado aos interesses nacionais, à exploração de recursos naturais e à proteção de infraestruturas essenciais à economia brasileira.

Essa distinção é importante: a dimensão anunciada para o IFC corresponde à sua área de interesse e cooperação, não a uma extensão de jurisdição brasileira ou à garantia de vigilância permanente sobre todo esse espaço. A proposta é construir uma rede de intercâmbio capaz de ampliar o conhecimento sobre atividades marítimas que, por sua natureza, frequentemente atravessam fronteiras e envolvem diferentes autoridades.

A cerimônia de ativação reuniu autoridades brasileiras, representantes de Marinhas de países da região, diplomatas e integrantes de instituições públicas e privadas. Para o ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, a iniciativa representa um avanço para a segurança do Brasil e dos demais países do Atlântico Sul. A presença do Contra-Almirante Sacheus Randy Gonteb, Comandante da Marinha da Namíbia, também evidenciou a dimensão regional pretendida pelo projeto.

COMPAAz, SisGAAz e IFC: funções distintas em uma mesma arquitetura

Para compreender o alcance do novo centro, é necessário distinguir três estruturas que atuam de forma complementar: o COMPAAz, o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz) e o próprio IFC Atlântico Sul.

O COMPAAz é a estrutura de comando e coordenação das operações marítimas e da proteção da Amazônia Azul. Entre suas atribuições estão o desenvolvimento da Consciência Situacional Marítima, a produção de inteligência marítima, a promoção da governança integrada, o apoio ao planejamento e ao acompanhamento das operações e a coordenação das atividades de busca e salvamento.

O SisGAAz, por sua vez, constitui a infraestrutura tecnológica que sustenta essa capacidade, integrando sensores, plataformas, bases de dados e instituições. Seu papel é oferecer os meios para ampliar o conhecimento sobre o ambiente marítimo e apoiar a atuação da Marinha e de outros órgãos envolvidos.

O IFC acrescenta uma dimensão cooperativa e internacional a essa arquitetura. Sua finalidade é reunir, correlacionar, analisar e compartilhar informações de interesse marítimo com parceiros nacionais e estrangeiros, incluindo Marinhas, Guardas Costeiras, órgãos governamentais, empresas e centros especializados.

Essa diferenciação não é apenas conceitual. Ela ajuda a compreender que o IFC não substitui o COMPAAz, não é um novo sistema de sensores e tampouco assume as competências legais dos órgãos responsáveis pela fiscalização e pelo controle marítimo. Sua contribuição está em aproximar capacidades que, embora existentes em diferentes instituições, precisam funcionar de maneira mais integrada.

Em artigo publicado pelo próprio COMPAAz, o Contra-Almirante Luciano Calixto de Almeida Júnior, comandante da organização e futuro diretor do centro, apresentou essa relação como uma estrutura de sinergia entre comando, infraestrutura tecnológica e cooperação. A integração deve permitir que informações provenientes de diferentes atores sejam convertidas em conhecimento capaz de apoiar decisões e operações.

COMPAAZ

O IFC deverá produzir boletins periódicos, relatórios, estudos analíticos e avaliações sistemáticas do ambiente marítimo do Atlântico Sul. Esses produtos poderão subsidiar o planejamento e o emprego de navios, aeronaves e equipes de fiscalização, contribuindo para direcionar recursos às situações que demandem maior atenção.

Na prática, a capacidade de cruzar informações pode ajudar a identificar padrões atípicos de navegação, movimentações suspeitas, possíveis atividades ilícitas e ameaças a instalações marítimas. O resultado esperado é uma visão mais abrangente do cenário, permitindo que as autoridades competentes tenham melhores condições de avaliar ocorrências e coordenar respostas.

IORIS e a aproximação com a União Europeia

A construção dessa rede de cooperação já vinha sendo preparada antes da ativação do centro. Um dos instrumentos dessa aproximação é o IORIS (Indo-Pacific and Latin America Information Sharing), plataforma digital voltada ao compartilhamento seguro de informações e à coordenação entre instituições participantes.

Nos dias 30 de setembro e 1º de outubro, o COMPAAz recebeu servidores da Receita Federal para uma capacitação no emprego da ferramenta, com participação de um representante do EU-CRIMARIO, iniciativa da União Europeia dedicada ao fortalecimento da segurança e da cooperação marítima. A atividade também buscou formar multiplicadores da Receita Federal em diferentes Regiões Fiscais, ampliando a possibilidade de disseminação do conhecimento e de integração institucional.

Em 1º de outubro, a Marinha do Brasil assinou um Memorando de Entendimento com o EU-CRIMARIO, estabelecendo uma base para ampliar a capacitação, o intercâmbio de experiências e o compartilhamento de informações de interesse marítimo. O acordo também fortalece a cooperação relacionada ao desenvolvimento do IFC Atlântico Sul.

É importante compreender o papel do IORIS dentro dessa estrutura. A plataforma não é um radar, não detecta embarcações por conta própria e não substitui os sistemas de monitoramento. Sua função é oferecer um ambiente digital para que instituições autorizadas possam compartilhar informações, coordenar atividades e construir uma compreensão comum de determinadas situações.

O valor operacional dessa ferramenta depende, portanto, da qualidade dos dados disponibilizados, da participação efetiva dos parceiros e da existência de procedimentos que permitam transformar o intercâmbio em decisões coordenadas.

A aproximação com a União Europeia também demonstra que a construção de uma capacidade marítima mais abrangente não depende exclusivamente de investimentos em equipamentos. Capacitação, protocolos, confiança institucional e interoperabilidade são elementos igualmente importantes para que diferentes organizações possam atuar de maneira articulada.

A cooperação regional e a importância da ZOPACAS

A dimensão internacional do IFC está diretamente relacionada à necessidade de fortalecer mecanismos de cooperação entre os países do Atlântico Sul. A Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS), criada em 1986 no âmbito das Nações Unidas, constitui uma das principais referências diplomáticas para a promoção da paz, da estabilidade e da cooperação nessa região.

A atuação do IFC pode contribuir para esses objetivos ao oferecer um ambiente de intercâmbio de informações e experiências entre Estados costeiros, respeitando suas respectivas competências e responsabilidades.

A participação de representantes estrangeiros na cerimônia de ativação sinaliza o interesse em construir essa articulação. Entretanto, o alcance efetivo da cooperação dependerá da adesão dos parceiros, da definição de procedimentos e da continuidade do compartilhamento de informações. A presença de representantes em uma cerimônia, por si só, não significa integração operacional automática entre as instituições de seus países.

Esse aspecto merece atenção porque a segurança marítima regional envolve desafios que dificilmente podem ser enfrentados isoladamente. Tráfico de drogas, pesca ilegal, contrabando, ameaças às infraestruturas energéticas, riscos ambientais e atividades suspeitas no mar exigem coordenação entre diferentes autoridades, muitas vezes de países distintos.

Ao contribuir para uma visão mais integrada dessas atividades, o IFC poderá fortalecer a capacidade de cooperação regional sem interferir nas atribuições soberanas de cada Estado.

Da integração de dados à capacidade de resposta

A ativação do IFC Atlântico Sul estabelece uma estrutura importante, mas seu verdadeiro valor será medido pelos resultados produzidos ao longo do tempo.

A existência de uma sala operacional equipada com estações de trabalho, sistemas de integração e visualização de dados representa a base física necessária para o funcionamento do centro. No entanto, tecnologia disponível não significa, automaticamente, consciência situacional plena. Para que a estrutura alcance seus objetivos, será necessário assegurar qualidade e atualização das informações, participação contínua dos parceiros, proteção dos dados compartilhados e profissionais capacitados para interpretar o cenário.

Também será fundamental estabelecer critérios claros de acesso, classificação e compartilhamento de informações, especialmente quando estiverem envolvidos dados sensíveis de natureza militar, policial ou estratégica. A cooperação internacional precisa avançar sem comprometer a proteção de informações nacionais nem a autonomia decisória das instituições participantes.

Outro ponto relevante será a capacidade de transformar os produtos analíticos do centro em orientações úteis para o emprego dos meios disponíveis. Identificar uma situação de interesse é apenas parte do processo. A resposta depende da comunicação com as autoridades responsáveis, da disponibilidade de recursos e da coordenação entre os órgãos envolvidos.

Nesse sentido, o IFC não deve ser avaliado apenas pela quantidade de informações que consegue reunir, mas pela qualidade das análises que produz e pela contribuição efetiva dessas análises para a tomada de decisão.

A ativação do centro representa, assim, um passo importante na evolução da arquitetura brasileira de segurança marítima. Ao conectar o COMPAAz, o SisGAAz e uma rede internacional de cooperação, a Marinha amplia as condições para acompanhar um ambiente que possui relevância direta para o comércio exterior, a segurança energética, a exploração de recursos naturais e a presença estratégica brasileira no Atlântico Sul.

O desafio agora será consolidar essa estrutura como um instrumento permanente de cooperação e produção de conhecimento. Em uma região na qual interesses econômicos, rotas estratégicas e infraestruturas críticas dependem da segurança dos espaços marítimos, a capacidade de compartilhar informações e compreender o que acontece no oceano tornou-se parte indissociável da proteção dos interesses nacionais.


por Angelo Nicolaci


GBN Defense - A informação começa aqui


Continue Lendo...

O fim da era Stinger? EUA avançam no desenvolvimento de nova geração de mísseis antiaéreos portáteis

0 comentários

 

O desenvolvimento de uma nova geração de mísseis antiaéreos portáteis pelos Estados Unidos abre uma nova etapa na evolução dos sistemas de defesa de baixa altura. Depois de décadas de emprego do FIM-92 Stinger, Washington trabalha em uma solução destinada a substituir o conhecido míssil, acompanhando a transformação do ambiente operacional e a crescente ameaça representada por aeronaves não tripuladas, helicópteros e aeronaves de baixa altitude.

O movimento ocorre em um momento no qual a experiência recente dos conflitos demonstra que a defesa antiaérea de curto alcance voltou a ocupar posição central no planejamento militar. A disseminação de drones de diferentes dimensões, a utilização de munições vagantes e a presença de aeronaves operando em ambientes saturados exigem sistemas capazes de responder com rapidez, mobilidade e precisão, sem depender exclusivamente de estruturas fixas ou de plataformas de maior porte.

O Stinger, introduzido na década de 1980, tornou-se um dos principais representantes dessa categoria. Seu emprego em diferentes conflitos consolidou a importância dos MANPADS (Man-Portable Air-Defense Systems), sistemas de defesa antiaérea portáteis que permitem a pequenas unidades terrestres criar uma ameaça significativa contra aeronaves que operam em baixa altitude.

A experiência acumulada, entretanto, também evidenciou os limites de uma arquitetura concebida em outro contexto tecnológico. A evolução dos sensores, das contramedidas, dos perfis de voo e, sobretudo, a multiplicação de alvos não tripulados impõem novos requisitos aos sistemas que deverão equipar as forças terrestres nas próximas décadas.

NGSRI: o sucessor começa a sair do papel

O programa norte-americano responsável por essa transição é o Next Generation Short-Range Interceptor (NGSRI), conduzido pelo Exército dos Estados Unidos. A iniciativa busca desenvolver um míssil de defesa antiaérea de curto alcance que preserve a capacidade de emprego por soldados e a integração com os meios existentes, mas ofereça maior alcance e letalidade diante das ameaças atuais.

Duas empresas participam da disputa: Lockheed Martin, com o projeto QuadStar, e Raytheon, da RTX. Ambas receberam contratos para desenvolver protótipos, em uma competição que procura reduzir riscos tecnológicos antes da escolha de uma solução para produção. O Government Accountability Office (GAO), órgão de fiscalização do Congresso norte-americano, registrou que a seleção de um fornecedor estava prevista para o ano fiscal de 2028, com a transição para a fase de aquisição e produção naquele período.

Os testes realizados em 2026 indicam que o programa avançou além da fase conceitual. Em janeiro, a Lockheed Martin anunciou o primeiro teste de voo de seu QuadStar. Em maio, a empresa informou ter concluído uma avaliação de voo do sistema de busca do míssil, etapa voltada à caracterização do desempenho do sensor. Já a Raytheon divulgou, em fevereiro, um teste balístico bem-sucedido e, em julho, uma demonstração na qual seus mísseis foram lançados a partir de uma unidade de comando portátil, atingindo alvos simulados com impacto direto.

A proposta não se limita a substituir um míssil antigo por outro mais moderno. O NGSRI pretende ampliar a capacidade de engajamento, reduzir o tempo de voo até o alvo e incorporar tecnologias de detecção e acompanhamento mais avançadas. A integração em uma arquitetura conectada também é apontada como característica importante, permitindo que o sistema opere em conjunto com outros sensores e componentes da defesa antiaérea. Os resultados definitivos dependerão da avaliação e da seleção conduzidas pelo Exército dos Estados Unidos.

A dimensão do programa demonstra a importância atribuída a essa capacidade. Em junho de 2026, informações sobre uma solicitação de informações do Exército norte-americano indicavam um planejamento de referência de 11 mil mísseis NGSRI e 2.200 unidades de lançamento ao longo de dez anos, com início das aquisições previsto para o ano fiscal de 2028. Trata-se de um parâmetro de planejamento, e não de uma encomenda já contratada.

Brasil solicita 100 Stinger Block I

Enquanto os Estados Unidos desenvolvem o sucessor do Stinger para suas próprias forças, o Brasil deu um passo em outra direção: solicitou a aquisição de uma versão modernizada do próprio míssil norte-americano.

Uma notificação publicada no Federal Register dos Estados Unidos, em julho de 2026, informa que o Governo brasileiro solicitou a compra de 100 mísseis FIM-92K Stinger Block I. O pacote foi estimado em US$ 330 milhões, sendo US$ 200 milhões referentes ao equipamento principal e US$ 130 milhões destinados a itens e serviços associados. A relação inclui unidades de comando e empunhadura, assistência de engenharia, serviços de integração e apoio técnico e logístico do governo norte-americano e de empresas contratadas.

É importante fazer uma distinção: a notificação trata de uma possível venda militar estrangeira, dentro do processo de autorização norte-americano. Portanto, a publicação comprova que o Brasil solicitou os armamentos e que os Estados Unidos notificaram o Congresso sobre a proposta, mas não permite afirmar, por si só, que o contrato já foi assinado, que o pagamento foi realizado ou que os mísseis já foram entregues.

O documento identifica o Departamento do Exército dos Estados Unidos como o órgão militar responsável pelo processo. A notificação também registra que a venda proposta tem como objetivo ampliar a capacidade brasileira de defesa antiaérea e atender a objetivos de segurança e política externa norte-americanos na América do Sul.

A possível aquisição merece atenção porque se insere em um esforço mais amplo de modernização da defesa antiaérea brasileira. O país opera sistemas de diferentes origens e alcances, incluindo os mísseis russos da família Igla e os sistemas suecos RBS 70, empregados pelo Exército. A chegada de um novo MANPADS de origem norte-americana poderá ampliar as opções de emprego e diversificar a composição do arsenal, mas também exigirá planejamento de integração, treinamento, manutenção, suprimento e sustentação logística.

O Brasil emprega o IGLA-S e o RBS70

A dimensão financeira também chama atenção. Um pacote estimado em US$ 330 milhões para 100 mísseis não corresponde apenas ao preço unitário dos interceptadores: inclui equipamentos associados, integração e serviços de apoio. Ainda assim, o valor reforça a necessidade de avaliar a aquisição dentro de uma política de defesa antiaérea de longo prazo, com previsibilidade orçamentária e definição clara das necessidades operacionais de cada Força.

Uma transição que não será imediata

O desenvolvimento do NGSRI não significa que o Stinger esteja prestes a desaparecer do arsenal norte-americano ou dos países que o utilizam. A substituição de um sistema dessa natureza depende de maturidade tecnológica, testes operacionais, capacidade industrial, disponibilidade de recursos e formação de estoques. Mesmo após a escolha de um fornecedor, a transição deverá ocorrer gradualmente.

Para o Brasil, a questão é particularmente relevante. Caso a solicitação dos 100 FIM-92K Stinger Block I avance até a contratação e a entrega, o país poderá incorporar um sistema modernizado que continuará em serviço internacional enquanto os Estados Unidos desenvolvem e, futuramente, introduzem seu sucessor. Não há contradição nessa escolha: as necessidades, os cronogramas e as condições de cada força armada são diferentes.

O ponto estratégico, porém, vai além da escolha de um míssil. A defesa antiaérea de baixa altura precisa ser concebida como uma capacidade integrada, conectando sensores, sistemas de comando e controle, unidades de lançamento e diferentes camadas de interceptação. A proliferação de drones e munições vagantes tornou evidente que a proteção de tropas, instalações e infraestruturas críticas não pode depender de uma única solução.

A experiência norte-americana com o NGSRI mostra que até mesmo um sistema consagrado como o Stinger precisa evoluir para acompanhar as mudanças do campo de batalha. Para o Brasil, a possível aquisição do Block I representa uma oportunidade de reforçar uma capacidade necessária, mas também deve servir como ponto de partida para uma discussão mais abrangente sobre a estruturação de uma defesa antiaérea moderna, sustentável e compatível com as dimensões das responsabilidades estratégicas do país.

O desafio brasileiro será evitar que a incorporação de novos equipamentos se transforme em uma aquisição isolada. Sem planejamento de longo prazo, treinamento continuado, estoques adequados e integração entre as Forças, mesmo um sistema moderno terá seu potencial limitado. A defesa antiaérea exige continuidade, e não apenas decisões pontuais de compra.

Paralelamente, o Brasil precisa considerar o desenvolvimento de uma solução nacional de defesa antiaérea portátil. A aquisição de mísseis estrangeiros pode preencher lacunas operacionais e oferecer uma resposta necessária no curto prazo, mas a dependência externa em um segmento tão sensível representa uma vulnerabilidade estratégica. Em um cenário de crise, a disponibilidade de armamentos, componentes, assistência técnica e munições pode estar condicionada às prioridades dos países fornecedores e às circunstâncias geopolíticas.

O desenvolvimento de um MANPADS brasileiro, ou mesmo de uma família nacional de interceptadores de curto alcance, exigiria investimentos consistentes em pesquisa, sensores, sistemas de guiamento, propulsão, ogivas e integração com redes de comando e controle. Seria um empreendimento complexo, que demandaria cooperação entre as Forças Armadas, institutos de pesquisa e empresas da Base Industrial de Defesa, além de uma política de encomendas que assegurasse escala e continuidade tecnológica.

O país já possui competências industriais e tecnológicas em áreas relevantes para esse esforço. O desafio seria articulá-las em torno de um programa com requisitos operacionais definidos, financiamento previsível e perspectiva de evolução. Mais do que produzir um míssil, trata-se de dominar tecnologias críticas, assegurar autonomia de manutenção e produção e criar condições para futuras exportações.

A modernização da defesa antiaérea brasileira, portanto, não deve ser vista apenas pela quantidade de sistemas incorporados ou pela origem dos equipamentos. O verdadeiro avanço estará em combinar capacidades disponíveis no mercado internacional com o desenvolvimento progressivo de soluções próprias. O Stinger pode representar um reforço importante para as necessidades atuais, mas a construção de uma capacidade nacional nesse segmento precisa fazer parte do horizonte estratégico brasileiro.


por Angelo Nicolaci


GBN Defense - A informação começa aqui


Continue Lendo...

Exército Brasileiro avança no desenvolvimento de enxame autônomo de drones com o IME e a SkyDrones

0 comentários

 


O Exército Brasileiro deu mais um passo no desenvolvimento de tecnologias voltadas ao emprego de sistemas autônomos com a realização dos primeiros voos experimentais do projeto “Enxame de Drones Dragões de Ricardo Franco”. A iniciativa é conduzida pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), por meio do Laboratório de Inteligência Artificial, Robótica e Cibernética (LIARC), em parceria com a empresa brasileira SkyDrones.

O projeto prevê o emprego coordenado de até 30 aeronaves não tripuladas, com supervisão de um único operador a partir de uma estação-base. A proposta utiliza inteligência artificial, robótica e software de controle desenvolvido no próprio laboratório do Exército, buscando permitir que múltiplos drones atuem de maneira integrada.

Nesta etapa, o IME recebeu um primeiro lote de dez aeronaves SD10, de asas rotativas, fornecidas pela SkyDrones. Os equipamentos estão sendo utilizados nos ensaios de voo destinados a verificar, em condições reais, os algoritmos de coordenação e controle que anteriormente passaram por testes em ambiente de simulação.

O desenvolvimento concentra parte importante de seus esforços na inteligência do sistema. Pesquisadores do LIARC trabalham nos algoritmos responsáveis pela coordenação das aeronaves e no software de controle embarcado, elementos necessários para que o conjunto opere de forma sincronizada, mantendo a supervisão humana sobre as atividades do enxame.

A proposta representa um avanço na pesquisa de sistemas não tripulados no âmbito do Exército, especialmente pela possibilidade de ampliar a capacidade de emprego de aeronaves sem exigir que cada equipamento seja controlado individualmente por um operador.

Pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico

O projeto reúne duas competências complementares: a capacidade de pesquisa e desenvolvimento do Instituto Militar de Engenharia e a experiência industrial da SkyDrones na produção e integração de sistemas aéreos não tripulados.

O LIARC, inaugurado em 2024, atua em áreas como inteligência artificial, robótica, aprendizado de máquina, visão computacional e segurança cibernética. A iniciativa Dragões de Ricardo Franco aplica parte desse campo de pesquisa ao desenvolvimento de uma arquitetura de controle capaz de coordenar múltiplas aeronaves.

A participação da SkyDrones insere a indústria nacional nesse processo, estabelecendo uma cooperação entre o ambiente acadêmico-militar e uma empresa brasileira de tecnologia. Essa aproximação é relevante para o desenvolvimento de soluções próprias, embora as informações divulgadas até o momento não permitam dimensionar o grau de nacionalização de todos os componentes e subsistemas empregados.

Aplicações militares e civis

O sistema possui potencial de emprego dual, com possibilidades de utilização em atividades militares e missões civis. A capacidade de coordenar múltiplas aeronaves sob supervisão de um único operador pode ampliar as possibilidades de utilização de drones em diferentes tarefas, conforme a evolução e a validação da tecnologia.

Entretanto, os primeiros voos experimentais representam uma etapa de desenvolvimento e avaliação. Ainda não foram divulgados resultados técnicos detalhados sobre o desempenho do conjunto completo, a autonomia das aeronaves, o alcance das comunicações ou a capacidade de operação em ambientes sujeitos a interferências.

O projeto Dragões de Ricardo Franco coloca em evidência o esforço do Exército Brasileiro para avançar na pesquisa de inteligência artificial e sistemas autônomos. O desafio agora está em transformar os resultados obtidos em laboratório e nos ensaios iniciais em uma capacidade confiável, integrada e aplicável às necessidades da Força Terrestre.

Mais do que reunir dezenas de aeronaves, o desenvolvimento de um enxame autônomo exige domínio sobre os algoritmos, as comunicações e os mecanismos que permitem a coordenação dos equipamentos. É nesse conjunto de tecnologias que está o principal valor estratégico da iniciativa.


GBN Defense - A informação começa aqui

Continue Lendo...

Exército Brasileiro treina defesa de infraestrutura crítica com drones da Xmobots em São Carlos

0 comentários

 

O Exército Brasileiro realizou, nos dias 22 e 23 de outubro, um exercício de defesa de infraestrutura crítica nas instalações da Xmobots, em São Carlos (SP). A atividade envolveu militares do 13º Regimento de Cavalaria Mecanizado e simulou a proteção de uma estrutura de interesse estratégico para o País, colocando em campo recursos terrestres e sistemas aéreos não tripulados desenvolvidos pela indústria nacional.

A operação mobilizou 90 militares e 23 veículos, entre blindados e jipes, durante 24 horas de treinamento. A atividade integrou o Exercício Anhanguera, conduzido no contexto do Programa de Adestramento Avançado da 11ª Brigada de Infantaria Mecanizada, no qual o Regimento Anhanguera atuou como Força de Emprego de Prontidão (FEP).

O cenário escolhido traz um elemento relevante para o exercício: a própria sede de uma empresa integrante da Base Industrial de Defesa (BID). A proteção de instalações industriais e tecnológicas vinculadas ao desenvolvimento de capacidades nacionais representa uma dimensão importante da defesa de infraestruturas críticas, especialmente diante da necessidade de preservar estruturas que contribuem para o desenvolvimento de tecnologias de interesse militar.

Um dos destaques do treinamento foi o emprego do Nauru 100D, da Xmobots, em atividades de monitoramento aéreo do perímetro, tanto durante o dia quanto à noite. O sistema também participou de uma ação simulada de ataque contra alvos específicos, utilizando sua versão de veículo aéreo de combate não tripulado (UCAV).

O exercício incluiu o disparo de munição de manejo inerte, permitindo incorporar ao treinamento uma situação de emprego de armamento sem utilização de munição real. Dessa forma, os militares puderam trabalhar diferentes possibilidades de integração entre vigilância aérea, acompanhamento de movimentações e ações táticas no cenário simulado.

A atividade também evidencia como os sistemas remotamente pilotados podem ser incorporados ao adestramento das tropas, aproximando tecnologias desenvolvidas pela indústria nacional das situações práticas enfrentadas pelas unidades militares. No caso do Nauru 100D, o emprego combinado de vigilância diurna e noturna e da versão de ataque permitiu explorar diferentes funções de uma mesma família de sistemas.

Além da participação operacional dos equipamentos, a Xmobots realizou uma apresentação institucional aos militares, abordando sua trajetória, estrutura e tecnologias desenvolvidas, proporcionando contato direto com os sistemas e suas possibilidades de aplicação no campo da Defesa.

Segundo Reinaldo Junior, diretor de Defesa da empresa, o treinamento foi bem-sucedido e representou uma oportunidade de estreitar a relação com o Exército Brasileiro. O executivo destacou a integração entre tecnologia e preparo operacional como elemento importante para o desenvolvimento de soluções alinhadas às necessidades da Defesa.

Fundada em 2007, a Xmobots possui cerca de 500 colaboradores, entre eles aproximadamente 250 engenheiros especializados, e desenvolve aeronaves, hardware, software e soluções de inteligência artificial aplicadas a sistemas robóticos. Na área de Defesa, mantém parcerias com o Exército Brasileiro, a Marinha do Brasil e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

O exercício em São Carlos coloca em evidência uma dimensão que merece atenção no planejamento de Defesa: a proteção das estruturas industriais e tecnológicas que participam do desenvolvimento das capacidades nacionais. Ao utilizar as instalações de uma empresa da BID como cenário de adestramento, o Exército incorporou essa preocupação à preparação de sua tropa, enquanto o emprego dos sistemas da Xmobots permitiu explorar, em ambiente simulado, recursos nacionais de vigilância e ataque.

Mais do que a utilização de drones em uma atividade de treinamento, o exercício aproxima dois componentes essenciais da capacidade de Defesa brasileira: o preparo operacional das Forças Armadas e o desenvolvimento tecnológico da indústria nacional.

GBN Defense - A informação começa aqui

Continue Lendo...
 

GBN Defense - A informação começa aqui Copyright © 2012 Template Designed by BTDesigner · Powered by Blogger