terça-feira, 4 de agosto de 2026

SARP Harpia amplia capacidade de monitoramento aéreo da Segurança Pública do Amazonas

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A Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP-AM), por meio do Departamento Integrado de Operações com Veículos Aéreos Não Tripulados (DIOVANT), segue ampliando o emprego de tecnologias avançadas para fortalecer as ações de prevenção e combate à criminalidade no estado. Entre os sistemas utilizados destaca-se o SARP Harpia, que proporciona monitoramento aéreo em tempo real e amplia significativamente a capacidade de consciência situacional das forças de segurança.

Em vídeo divulgado pela SSP-AM, o DIOVANT destacou que o investimento em tecnologia tem como objetivo manter as equipes "um passo à frente" dos desafios enfrentados diariamente na segurança pública. Na ocasião, o SARP Harpia foi empregado em uma operação de monitoramento preventivo realizada na região da Cidade Universitária, demonstrando sua capacidade de apoiar as forças de segurança.

Durante a operação, o sistema realizou o acompanhamento aéreo da área, fornecendo uma ampla visão do terreno e transmitindo imagens de alta resolução em tempo real para os operadores. Essa capacidade permite maior agilidade na tomada de decisões e no planejamento, aumentando a eficiência das operações e reduzindo o tempo de resposta diante de ocorrências.


Segundo a SSP-AM, o monitoramento tem como foco a identificação e o mapeamento de áreas de risco e regiões com maior incidência de atuação do crime organizado. As informações obtidas pelo SARP Harpia subsidiam o planejamento das operações integradas envolvendo a Polícia Militar, a Polícia Civil e demais órgãos da Secretaria de Segurança Pública, permitindo direcionar de forma mais eficiente o policiamento ostensivo e as ações de inteligência, contribuindo para o fortalecimento da segurança da população amazonense.

O emprego de sistemas de aeronaves remotamente pilotadas tornou-se um importante multiplicador de capacidades para as forças de segurança pública, especialmente em estados com características geográficas complexas como o Amazonas. A combinação entre monitoramento persistente, transmissão de imagens em tempo real e elevada autonomia operacional amplia a cobertura das equipes em solo, aumenta a consciência situacional e eleva a efetividade das ações de prevenção e repressão ao crime.

O sistema empregado pela SSP-AM é o SARP Harpia, uma aeronave remotamente pilotada de fabricação nacional, produzido na sede da ADTECH-SD, em São José dos Campos (SP). Inicialmente, o Governo do Amazonas adquiriu duas aeronaves Harpia para reforçar as capacidades operacionais do DIOVANT, consolidando o emprego de tecnologia nacional de alta performance.

Projetado para missões de longa duração, o Harpia pode ser preparado para voo em até de 20 minutos e operar a partir de locais sem qualquer infraestrutura aeroportuária, característica que lhe permite atuar com elevada flexibilidade em regiões remotas e de difícil acesso. O sistema possui autonomia de até 10 horas de voo, consumindo apenas cinco litros de gasolina comum, combinando baixo custo logístico, elevada disponibilidade operacional e grande capacidade de permanência sobre a área de interesse.

Além da elevada autonomia, o SARP Harpia transmite imagens de alta resolução em tempo real para os centros de comando e controle, fornecendo informações essenciais para o planejamento das operações e o emprego coordenado das equipes em solo. Essas capacidades fazem do sistema uma importante ferramenta para missões de vigilância, monitoramento, inteligência e reconhecimento.

O emprego do SARP Harpia pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas evidencia a crescente incorporação de soluções tecnológicas desenvolvidas pela Base Industrial de Defesa brasileira. Ao reunir elevada eficiência operacional, simplicidade logística e tecnologia nacional, o sistema contribui para ampliar a capacidade de resposta das forças de segurança e reforça o potencial da indústria brasileira no desenvolvimento de plataformas aéreas voltadas às demandas dos órgãos de segurança e defesa.

Sobre a ADTECH

A Advanced Technologies Security & Defense (ADTECH-SD) é uma empresa brasileira, reconhecida pelo Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa (EED), especializada no desenvolvimento de soluções tecnológicas de alta performance para segurança pública, defesa territorial e monitoramento estratégico.

Com sede em São José dos Campos (SP), a empresa reúne profissionais com décadas de experiência no setor aeronáutico e atua no desenvolvimento e operação de sistemas avançados de aeronaves não tripuladas, além de soluções integradas de vigilância e inteligência.
Seus sistemas são concebidos com foco em alta autonomia, modularidade e adaptabilidade, atendendo às demandas de missões críticas em ambientes complexos e de elevada exigência operacional.



Fonte: ADTECH-SD via GBN Media Solutions 
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Guerra com o Irã expõe vulnerabilidade dos estoques de mísseis de precisão dos Estados Unidos

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Os cinco meses de operações militares dos Estados Unidos contra o Irã revelaram um desafio que vai muito além do campo de batalha. Segundo informações obtidas pela Reuters junto a fontes familiarizadas com dados internos do governo norte-americano, o conflito consumiu grande parte dos estoques de mísseis de longo alcance de alta precisão do Exército dos EUA, levantando preocupações sobre a capacidade de Washington sustentar uma guerra prolongada e simultaneamente, manter seu poder de dissuasão diante de adversários como China e Rússia.

De acordo com as fontes, os militares americanos utilizaram praticamente todo o estoque disponível de mísseis ATACMS (Army Tactical Missile System) e uma parcela significativa dos mais modernos Precision Strike Missile (PrSM). Essas armas, capazes de atingir alvos a centenas de quilômetros de distância com elevada precisão, tornaram-se um dos principais instrumentos da campanha contra o Irã por permitirem ataques sem a necessidade de expor aeronaves tripuladas às sofisticadas defesas antiaéreas iranianas.

A redução dos estoques ocorre justamente em um momento de transição tecnológica. O ATACMS, amplamente empregado pelo Exército dos EUA e também fornecido à Ucrânia, está sendo gradualmente substituído pelo PrSM, que oferece maior alcance, melhor precisão e arquitetura preparada para futuras evoluções. No entanto, como o novo míssil ainda se encontra em fase de expansão da produção, os volumes disponíveis permanecem relativamente limitados, tornando seu consumo em larga escala um fator de preocupação para o Pentágono.

O impacto da guerra também se estende a outras capacidades estratégicas. Segundo o Center for Strategic and International Studies (CSIS), cerca de 65% dos interceptores Patriot foram empregados entre fevereiro e julho, enquanto os estoques do sistema THAAD sofreram uma redução estimada em pelo menos 38%. Além disso, fontes ouvidas pela Reuters afirmam que quase metade dos mísseis de cruzeiro Tomahawk disponíveis globalmente também foi utilizada durante as operações, demonstrando a intensidade do esforço militar norte-americano.

Embora a Casa Branca tenha minimizado as preocupações, afirmando que os Estados Unidos possuem mais munições do que qualquer outro país e que a indústria de defesa está ampliando sua capacidade produtiva em níveis recordes, especialistas alertam que aumentar a produção de armamentos dessa complexidade não é um processo imediato. Mísseis como o PrSM, Tomahawk, Patriot e THAAD exigem cadeias industriais altamente especializadas, componentes eletrônicos sofisticados e ciclos de fabricação que podem levar meses ou até anos para atender plenamente à demanda.

Outro aspecto que chama atenção é o impacto estratégico dessa redução sobre o planejamento militar americano. A disponibilidade de mísseis de longo alcance constitui um dos pilares da estratégia dos Estados Unidos para enfrentar adversários dotados de sistemas avançados de defesa aérea, como China e Rússia. Em um eventual conflito no Indo-Pacífico, por exemplo, essas armas seriam fundamentais para neutralizar radares, centros de comando, sistemas antiaéreos e bases militares sem expor pilotos e aeronaves a elevados riscos.

A guerra contra o Irã evidencia um problema que vem sendo discutido há alguns anos entre analistas militares: mesmo a maior potência militar do mundo encontra dificuldades para sustentar um conflito de alta intensidade por um período prolongado. As campanhas na Ucrânia e, agora, no Oriente Médio demonstram que o consumo de munições de precisão supera, em muitos casos, a capacidade da indústria de defesa de repor rapidamente os estoques.

Esse cenário reforça uma tendência observada em diversas potências militares: o fortalecimento da base industrial de defesa passou a ser tão estratégico quanto o desenvolvimento de novos sistemas de armas. Mais do que possuir equipamentos tecnologicamente avançados, a capacidade de produzi-los em grande escala e de forma contínua tornou-se um fator decisivo para sustentar operações prolongadas. Para os Estados Unidos, a rápida expansão da produção de mísseis como o PrSM, Tomahawk, Patriot e THAAD será determinante não apenas para recompor seus estoques, mas também para preservar sua capacidade de dissuasão em um ambiente internacional marcado pela competição simultânea com Rússia, China e outros atores estratégicos.


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F-16 poloneses voltam a interceptar aeronave de inteligência russa sobre o Mar Báltico

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A Força Aérea Polonesa voltou a ser acionada para interceptar uma aeronave de inteligência eletrônica russa que operava nas proximidades do espaço aéreo da OTAN sobre o Mar Báltico. O incidente ocorreu na segunda-feira (3), apenas três dias após uma operação semelhante, evidenciando a continuidade das missões de coleta de informações conduzidas pela aviação russa junto ao flanco leste da Aliança Atlântica.

Segundo o ministro da Defesa da Polônia, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, dois caças F-16 foram acionados para identificar uma aeronave de reconhecimento Ilyushin Il-20 que voava aproximadamente 60 quilômetros a noroeste da cidade costeira de Łeba. Embora o voo tenha permanecido em espaço aéreo internacional, a proximidade com o território polonês exigiu a aplicação dos procedimentos de policiamento aéreo da OTAN.

O episódio repetiu praticamente o mesmo padrão observado em 31 de julho, quando outro Il-20 foi interceptado a cerca de 40 quilômetros ao norte de Kołobrzeg. Em ambos os casos, as aeronaves russas operavam sem plano de voo apresentado às autoridades civis de controle de tráfego aéreo, com os transponders desligados e sem manter comunicações por rádio, procedimento que dificulta sua identificação pelos sistemas civis e aumenta os riscos para a segurança da navegação aérea.

Diante desse cenário, os F-16 poloneses executaram os protocolos previstos para missões de Quick Reaction Alert (QRA), realizando a identificação visual da aeronave por meio de sensores embarcados e contato direto antes de acompanhá-la até que deixasse a área considerada de interesse operacional para a defesa aérea da Polônia.

A aeronave interceptada, o Ilyushin Il-20, desempenha um papel estratégico dentro da estrutura de inteligência das Forças Aeroespaciais Russas. Derivado da plataforma da aeronave de transporte Il-18, o modelo é dedicado a missões de Inteligência Eletrônica (ELINT) e Inteligência de Sinais (SIGINT), sendo equipado para interceptar emissões de radares, comunicações militares e outros sinais eletromagnéticos produzidos pelos sistemas de defesa de potenciais adversários.

Essas missões possuem um objetivo bem definido. Ao operar próximo às fronteiras da OTAN, a Rússia busca induzir a ativação dos radares terrestres, centros de comando e aeronaves de alerta da Aliança. Cada interceptação permite registrar assinaturas eletrônicas, frequências de radares, protocolos de comunicação e, principalmente, medir o tempo necessário para que toda a cadeia de defesa aérea, da detecção inicial ao acionamento dos caças interceptadores, entre em funcionamento. Essas informações são posteriormente utilizadas para aperfeiçoar bancos de dados de guerra eletrônica e planejamento operacional.

Os incidentes registrados nas últimas semanas indicam que essas operações não são eventos isolados, mas parte de uma campanha sistemática de coleta de inteligência conduzida pela Rússia sobre o Mar Báltico. Além dos Il-20, a Polônia já relatou a presença de caças Su-30SM2 realizando voos próximos a exercícios militares da OTAN, evidenciando o interesse russo em monitorar a atividade militar da Aliança na região e ampliar seu conhecimento sobre os sistemas de defesa do flanco oriental.


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Colômbia confirma aquisição do KC-390 Millennium

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A Embraer anunciou nesta terça-feira (4) a assinatura do contrato para o aquisição de duas aeronaves multimissão KC-390 Millennium para Fuerza Aeroespacial Colombiana (FAC), consolidando um dos mais importantes programas de modernização da aviação militar colombiana dos últimos anos. Com a decisão, a Colômbia torna-se o primeiro país da América Latina, além do Brasil, a incorporar o KC-390 à sua frota e o 13º operador da aeronave a nível mundial.

O contrato vai além do fornecimento das aeronaves, contemplando equipamentos de missão, um pacote integrado de suporte logístico e manutenção, além de um programa de cooperação industrial desenvolvido para atender às exigências regulatórias colombianas. A aquisição amplia significativamente a capacidade estratégica da FAC, que passará a contar com uma plataforma capaz de executar tanto missões militares quanto operações de apoio à população em situações de emergência.

Projetado para atender às demandas operacionais do século XXI, o KC-390 Millennium reúne em uma única plataforma capacidades de transporte de tropas e cargas, lançamento aeroterrestre de pessoal e equipamentos, evacuação aeromédica, busca e salvamento (SAR), combate a incêndios, ajuda humanitária e resposta a desastres naturais. Quando equipado com o sistema de reabastecimento em voo (REVO), a aeronave também pode atuar como avião-tanque, além receber combustível em voo, ampliando consideravelmente seu alcance e flexibilidade operacional.

Um dos aspectos estratégicos da aquisição é a plena interoperabilidade entre o KC-390 e os caças Saab Gripen recentemente adquiridos pela Colômbia. A capacidade de realizar missões de reabastecimento em voo permitirá ampliar o raio de ação da aviação de combate colombiana, aumentando a permanência das aeronaves em operação e fortalecendo a capacidade de resposta da FAC em diferentes cenários.

Segundo Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, a escolha representa mais um passo na sólida relação entre a empresa brasileira e a Colômbia. A parceria teve início há mais de três décadas, com a incorporação do EMB-312 Tucano, posteriormente ampliada com a aquisição do A-29 Super Tucano, e agora alcança um novo patamar com a introdução da aeronave de transporte militar mais avançada já desenvolvida pela Embraer.

Com capacidade para transportar até 26 toneladas de carga útil, velocidade de cruzeiro de aproximadamente 470 nós e operação em pistas semipreparadas ou não pavimentadas, o KC-390 vem se consolidando como uma alternativa moderna para substituir aeronaves de transporte de gerações anteriores. Sua elevada disponibilidade operacional, aliada aos menores custos de operação e manutenção quando comparado a concorrentes da mesma categoria, tem sido um dos principais fatores para seu crescente sucesso no mercado internacional.

Além da Força Aérea Brasileira, o KC-390 já foi selecionado por Portugal, Hungria, República da Coreia, Países Baixos, Áustria, República Tcheca, Uzbequistão, Suécia, Emirados Árabes Unidos, Eslováquia, Lituânia e, agora, pela Colômbia. A ampliação contínua da base de operadores fortalece a interoperabilidade entre forças aéreas parceiras e consolida a aeronave como uma das principais referências mundiais no segmento de transporte militar tático e estratégico.

A aquisição do KC-390 representa mais do que a substituição de uma capacidade de transporte aéreo para a Colômbia. A combinação da nova aeronave com a futura frota de Gripen cria uma estrutura operacional moderna, capaz de ampliar significativamente a projeção de poder, a mobilidade estratégica e a capacidade de resposta da FAC em missões militares e humanitárias. Para a Embraer, o contrato reforça a posição do KC-390 como um dos principais produtos de defesa do Brasil e consolida sua presença na América Latina, abrindo espaço para futuras oportunidades de exportação na região.


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Visita da Ambipar Robotics à ARES levanta especulações sobre um futuro SVTRP armado com a SARC REMAX 4

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A recente visita de representantes da Ambipar Robotics às instalações da ARES Aeroespacial e Defesa chamou a atenção. Embora nenhuma parceria ou novo produto tenha sido anunciado oficialmente, o encontro alimentou especulações sobre uma possível evolução dos sistemas terrestres não tripulados desenvolvidos no país.

A hipótese não surge por acaso. Recentemente, o Exército Brasileiro apresentou um veículo terrestre não tripulado (UGV) desenvolvido sobre uma plataforma da Ambipar Robotics, equipado com um lançador duplo para o míssil anticarro MAX 1.2 AC, da SIATT. O demonstrador, fruto da cooperação entre o Centro Tecnológico do Exército (CTEx), a Ambipar Robotics e a SIATT, evidenciou a capacidade da indústria nacional de integrar plataformas robóticas com sistemas de armas de alta tecnologia.

Ao mesmo tempo, a ARES consolidou a SARC REMAX 4 como uma das mais modernas estações de armas remotamente controladas produzidas no Brasil. O sistema já foi adotado pelo Exército Brasileiro e foi concebido para equipar diferentes plataformas, proporcionando maior proteção ao operador e elevada consciência situacional.

Nesse contexto, a visita da Ambipar Robotics à ARES naturalmente desperta uma pergunta: seria possível vermos, em um futuro próximo, um Sistema de Veículo Terrestre Remotamente Pilotado (SVTRP) equipado com uma torre SARC REMAX 4?

Do ponto de vista técnico, essa evolução parece plausível. Se a integração de um lançador de mísseis anticarro ao UGV já foi demonstrada, a incorporação de uma estação de armas remotamente controlada representa um passo lógico dentro da evolução dessas plataformas. Um sistema dessa natureza poderia desempenhar missões de reconhecimento armado, proteção de instalações estratégicas, segurança de fronteiras, escolta de comboios e apoio a tropas em áreas de elevado risco, reduzindo significativamente a exposição direta dos militares.

Naturalmente, a integração de um armamento desse porte exige a solução de diversos desafios técnicos, como gerenciamento de energia, estabilização da plataforma, integração entre sensores e sistemas de comando e controle, além dos aspectos doutrinários relacionados ao emprego de veículos terrestres armados não tripulados.

É importante destacar que, até o momento, não existe qualquer anúncio oficial indicando que a Ambipar Robotics e a ARES estejam desenvolvendo um UGV equipado com a SARC REMAX 4. A análise apresentada baseia-se exclusivamente em fatos públicos, como a apresentação do UGV armado com o míssil MAX 1.2 AC e a recente visita institucional à ARES, e na avaliação das capacidades tecnológicas já demonstradas pelas empresas envolvidas.

Se essa convergência vier a se confirmar no futuro, o Brasil poderá dar mais um passo importante na consolidação de uma capacidade nacional em sistemas terrestres não tripulados armados, reunindo em uma única plataforma tecnologias desenvolvidas por empresas da própria Base Industrial de Defesa.


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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

GSI abre licitação para aquisição de oito drones destinados à segurança presidencial

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O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) abriu um processo licitatório para a aquisição de oito sistemas de aeronaves remotamente pilotadas (drones), que serão empregados pela Secretaria de Segurança Presidencial em missões de proteção, monitoramento e apoio às operações de segurança.

O aviso do Pregão Eletrônico nº 90005/2026 foi publicado no Diário Oficial da União desta segunda-feira (3), prevendo o registro de preços para a compra dos equipamentos, classificados como bens permanentes. A licitação será realizada por meio do Portal de Compras do Governo Federal e está dividida em três itens.

As propostas poderão ser enviadas a partir desta segunda-feira (3), enquanto a abertura da sessão pública está marcada para o dia 13 de agosto, às 9h30.

Embora o edital não detalhe, no aviso de licitação, os modelos ou especificações técnicas dos drones, a aquisição faz parte do processo de modernização dos recursos empregados pela Secretaria de Segurança Presidencial, responsável pela proteção do Presidente da República, do Vice-Presidente, de autoridades nacionais e estrangeiras, além da segurança das instalações da Presidência.

Drones ampliam capacidade de vigilância

Nos últimos anos, os sistemas aéreos não tripulados passaram a desempenhar papel cada vez mais importante nas atividades de segurança institucional. Além de fornecerem imagens em tempo real, esses equipamentos permitem ampliar a consciência situacional das equipes em solo, realizar reconhecimento de áreas, monitorar deslocamentos e apoiar o planejamento de operações com menor exposição dos agentes.

Dependendo da configuração adotada pelo órgão, os drones podem ser equipados com câmeras de alta resolução, sensores térmicos, sistemas de transmissão de vídeo em tempo real e recursos de navegação autônoma, tornando-se importantes multiplicadores de força em operações de proteção de autoridades e grandes eventos.

Processo de aquisição

De acordo com o aviso publicado pelo GSI, o processo tramita sob o número 00185.006186/2025-56 e será conduzido na modalidade de pregão eletrônico, por meio do sistema Compras.gov.br.

O edital completo, que reúne as especificações técnicas, requisitos operacionais e demais condições da contratação, está disponível para consulta no Portal Nacional de Compras Públicas e na página oficial de licitações da Casa Civil.

A aquisição reforça a tendência de ampliação do emprego de sistemas não tripulados por órgãos federais brasileiros, acompanhando um movimento observado tanto nas áreas de defesa quanto de segurança pública, onde drones passaram a desempenhar funções essenciais de vigilância, reconhecimento e apoio operacional.


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KAI oferece T-50 à Royal Air Force e propõe produção da aeronave no Reino Unido

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A Korea Aerospace Industries (KAI) confirmou que está oferecendo a aeronave de treinamento avançado T-50 Golden Eagle à Royal Air Force (RAF) para o programa que substituirá a atual frota de BAE Hawk T1 e T2. A proposta sul-coreana vai além do fornecimento da aeronave e inclui a possibilidade de produção local no Reino Unido, em parceria com a indústria britânica.

Segundo Shin Dong-Hak, vice-presidente de Negócios Internacionais da KAI, o T-50 reúne características que atendem aos requisitos operacionais da RAF, incluindo versões dedicadas ao treinamento de pilotos, combate leve e demonstrações aéreas.

"O T-50 já possui diferentes variantes, incluindo uma configuração voltada para treinamento e outra utilizada por uma equipe de demonstração aérea", destacou o executivo, em referência ao T-50B empregado pela equipe acrobática Black Eagles, da Força Aérea da República da Coreia.

Produção local fortalece proposta

Um dos principais diferenciais da proposta da KAI é a possibilidade de estabelecer uma linha de produção no Reino Unido. A empresa afirmou estar buscando um parceiro industrial britânico para viabilizar a fabricação das aeronaves no país, estratégia que pode atender às exigências do governo britânico de fortalecimento da base industrial de defesa.

A expectativa da fabricante é que a RAF adquira entre 40 e 50 aeronaves, enquanto um novo pedido de informações (Request for Information – RFI) deverá ser emitido em 2027, dentro do Plano de Investimentos em Defesa do Reino Unido.

Além de substituir os Hawk, o futuro treinador avançado também deverá assumir as missões da tradicional equipe acrobática Red Arrows, um dos principais "embaixadores" da aviação militar britânica.

Concorrência reúne fabricantes internacionais

A disputa pelo futuro treinador da RAF deverá ser uma das mais concorridas dos próximos anos. Entre os principais candidatos estão o Boeing T-7A Red Hawk, desenvolvido em parceria com a BAE Systems, o Leonardo M-346 Master, o Hürjet, da Turkish Aerospace Industries (TAI), além do Freedom Trainer, desenvolvido pela norte-americana Sierra Nevada Corporation (SNC).

A KAI também mantém conversas com a Lockheed Martin para ampliar a cooperação internacional envolvendo o programa T-50/FA-50, especialmente em campanhas de exportação como a britânica. Paralelamente, a empresa acompanha futuras oportunidades na Austrália, que também deverá substituir sua frota de Hawk.

Evolução do FA-50 amplia capacidades

Enquanto busca novos clientes para a família T-50, a KAI segue investindo na evolução do caça leve FA-50. A empresa confirmou que trabalha no desenvolvimento de uma versão monoposto com maior alcance, cuja conclusão está prevista para o final de 2028. Segundo a fabricante, um país asiático já demonstrou interesse no novo modelo.

Outra evolução importante é a integração do radar AESA PhantomStrike, desenvolvido pela Raytheon. A Malásia será o primeiro operador a receber aeronaves equipadas com o novo sensor, com as entregas iniciais previstas para outubro. A Polônia também receberá o radar em seus 36 FA-50PL.

Além disso, cresce o interesse internacional pela integração do sistema APKWS (Advanced Precision Kill Weapon System), da BAE Systems. O armamento transforma foguetes não guiados de 70 mm em munições guiadas de precisão, oferecendo uma solução de baixo custo para missões de ataque e, principalmente, para o enfrentamento de drones, capacidade cada vez mais relevante nos conflitos contemporâneos.


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MK1 DART: a munição vagante da Modirum Gespi voltada para o combate anticarro

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O MK1 DART, desenvolvido pela Modirum Gespi, é um sistema aéreo não tripulado lançado por tubo (Tube-Launched Unmanned Aerial System – TLUAS) concebido para missões de ataque de precisão contra carros de combate e outros veículos blindados. Integrando a nova geração de munições vagantes (loitering munitions), o sistema combina mobilidade, rapidez de emprego e elevada precisão, oferecendo às forças terrestres uma capacidade de ataque além da linha de visada.

Durante a DroneShow Robotics 2026, o GBN Defense teve a oportunidade de conhecer de perto o MK1 DART e conhecer suas características operacionais. O sistema chamou a atenção pela simplicidade de emprego e pela proposta de oferecer uma solução compacta para o combate anticarro, reunindo mobilidade, precisão e recursos avançados de controle e navegação.

O conjunto é composto pela aeronave de asas dobráveis, tubo lançador, software de planejamento de missão, procedimentos operacionais e um pacote completo de treinamento destinado aos operadores.

Após o lançamento, o drone desdobra automaticamente suas asas e superfícies de controle quando alcança os parâmetros ideais de voo. A propulsão elétrica reduz a assinatura acústica e térmica, favorecendo operações discretas em ambientes de combate.

Operador no controle durante toda a missão

Um dos principais diferenciais do MK1 DART é a arquitetura Human-in-the-Loop (HITL), que permite ao operador manter o controle da missão do início ao fim. Embora o voo possa ser realizado de forma autônoma, é possível assumir o controle manual em qualquer momento, inclusive durante a fase terminal do ataque.

Essa capacidade permite corrigir a trajetória, selecionar um novo alvo ou abortar a missão caso o cenário operacional seja alterado, aumentando a precisão do engajamento e reduzindo o risco de danos colaterais.

O sistema também incorpora link de comunicação seguro, protocolos automáticos para perda de sinal e função de cancelamento da missão, ampliando a segurança operacional.

Projetado para derrotar blindados

O MK1 DART utiliza uma ogiva do tipo HEAT (High-Explosive Anti-Tank) com capacidade de até 5 kg, desenvolvida para neutralizar carros de combate e outros veículos blindados.

Entre suas principais características estão:

  • Alcance de até 40 km;

  • Velocidade de cruzeiro de 120 km/h;

  • Autonomia de voo de aproximadamente 30 minutos;

  • Operação em altitudes de até 3.400 metros sem degradação de desempenho e entre 3.400 e 4.000 metros com redução de performance;

  • Lançamento por meio de um tubo portátil.

Uma solução alinhada aos conflitos modernos

O emprego de munições vagantes tornou-se uma das principais tendências dos conflitos contemporâneos, permitindo que pequenas unidades neutralizem blindados, posições fortificadas e outros alvos de alto valor com precisão e menor exposição ao fogo inimigo.

Nesse contexto, o MK1 DART reúne características que refletem essa evolução tecnológica, combinando lançamento por tubo, propulsão elétrica, controle permanente do operador e capacidade de ataque de longo alcance em um sistema compacto, voltado para ampliar a capacidade operacional das forças terrestres.

Com alcance de 40 quilômetros, controle do operador durante todas as fases da missão e uma ogiva especializada para o combate anticarro, o MK1 DART posiciona-se como uma solução moderna para operações de precisão, acompanhando a evolução das doutrinas militares e o crescente protagonismo dos sistemas não tripulados nos cenários de combate atuais.


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Colômbia está prestes a oficializar compra de dois KC-390 Millennium da Embraer

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A Colômbia deve concluir ainda nesta semana um dos principais programas de modernização de sua aviação militar com a assinatura do contrato para aquisição de duas aeronaves de transporte multimissão KC-390 Millennium, produzidas pela Embraer.

Segundo informações, o documento contratual já está finalizado e prevê não apenas o fornecimento das aeronaves, mas também um pacote completo de suporte logístico, treinamento de tripulações e equipes de manutenção, além de sistemas de reabastecimento em voo compatíveis com os futuros caças Gripen, que também integrarão a frota colombiana.

O investimento será de US$ 366,4 milhões (cerca de R$ 1,86 bilhão). As entregas das aeronaves estão previstas para ocorrer entre o final de 2029 e o segundo semestre de 2030.

Os novos cargueiros substituirão parte da envelhecida frota de Lockheed C-130H Hércules da Força Aérea Colombiana, atualmente composta por cinco aeronaves. O KC-390 também preencherá a lacuna operacional deixada pela perda de um sexto Hércules, destruído em um acidente ocorrido em março, tragédia que resultou na morte de 44 militares.

Projetado para executar missões de transporte de tropas e cargas, lançamento de paraquedistas, evacuação aeromédica, ajuda humanitária e reabastecimento em voo, o KC-390 oferece maior capacidade de carga, velocidade e disponibilidade operacional em comparação com aeronaves da mesma categoria, tornando-se uma das principais plataformas de transporte militar da atualidade.

A concretização do contrato fará da Colômbia o primeiro país das Américas, além do Brasil, a operar o KC-390 Millennium, reforçando a presença da Embraer no mercado internacional de defesa.

Com a entrada da Colômbia na carteira de clientes, o programa KC-390 passará a contabilizar 62 encomendas firmes e 29 opções de compra, totalizando 91 aeronaves negociadas junto a 14 países, consolidando a crescente aceitação internacional do cargueiro brasileiro.


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Bulgária busca caças usados para preencher lacuna deixada por atrasos do F-16 Block 70

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Sofia avalia aquisição de caças F-16 e JAS-39 Gripen usados enquanto tenta manter capacidade de policiamento aéreo diante da transição prolongada de sua Força Aérea.

A Força Aérea da Bulgária enfrenta uma das maiores crises de transição de sua história recente. Os atrasos na entrega dos novos F-16 Block 70 adquiridos dos Estados Unidos obrigaram o governo de Sofia a buscar alternativas emergenciais para preservar sua capacidade de defesa aérea e cumprir seus compromissos dentro da OTAN.

Diante da dificuldade em colocar a nova frota operacional dentro do cronograma inicialmente previsto, o Ministério da Defesa búlgaro passou a avaliar a aquisição de aeronaves de combate usadas, incluindo F-16 e JAS-39 Gripen, provenientes de estoques de forças aéreas europeias.

Paralelamente, o país também iniciou negociações para obter aeronaves e peças sobressalentes de origem soviética, especialmente para manter em operação seus atuais MiG-29, ampliando a disputa por plataformas disponíveis no mercado internacional, inclusive competindo com a Ucrânia.

Atrasos no programa F-16 comprometem transição operacional

A Bulgária assinou em 2019 um contrato para aquisição do primeiro lote de oito caças F-16 Block 70, variante mais moderna da família Fighting Falcon, desenvolvida pela Lockheed Martin. Um segundo lote de oito aeronaves foi contratado em 2022, com o objetivo de substituir gradualmente os antigos MiG-29 herdados da era soviética.

Entretanto, segundo informações da própria Força Aérea Búlgara, a nova frota só deverá alcançar capacidade operacional plena em 2028, criando um período crítico de transição.

A situação se agravou com a incerteza em torno do cronograma de entrega do segundo lote, levando o Ministério da Defesa a buscar soluções temporárias para garantir a continuidade das missões de policiamento aéreo, uma das principais responsabilidades militares assumidas pelos países membros da OTAN.

Mercado de caças usados se torna alternativa

Como resposta emergencial, Sofia enviou pedidos oficiais a países aliados para avaliar a disponibilidade de F-16 usados ou JAS-39 Gripen provenientes de excedentes operacionais.

A estratégia segue um caminho semelhante ao adotado pela Romênia, que adquiriu inicialmente caças F-16 de segunda mão provenientes de Portugal e posteriormente da Noruega como solução intermediária até consolidar sua capacidade operacional com o modelo norte-americano.

No entanto, o cenário atual é mais complexo. A guerra na Ucrânia elevou significativamente a demanda por aeronaves de combate disponíveis no mercado internacional, especialmente aquelas em condições de emprego operacional imediato.

A Ucrânia busca ampliar sua frota de caças ocidentais e também demonstra interesse em aeronaves compatíveis com sua estrutura operacional, tornando a disputa por plataformas usadas ainda mais acirrada.

Bulgária disputa MiG-29 poloneses com a Ucrânia

Enquanto busca uma solução ocidental, a Bulgária também tenta prolongar a vida útil de sua atual frota de MiG-29.

Sofia solicitou à Hungria peças sobressalentes provenientes de aeronaves MiG-29 retiradas de serviço e preservadas desde 2019. Além disso, o governo búlgaro entrou nas negociações envolvendo a possível transferência dos últimos 14 MiG-29 operados pela Força Aérea Polonesa, aeronaves que também são de interesse da Ucrânia.

A entrada da Bulgária nessa negociação retirou da Ucrânia a condição de principal candidata às aeronaves polonesas. Varsóvia passou a utilizar a proposta búlgara como elemento de pressão nas discussões com Kiev, especialmente em relação ao financiamento necessário para modernização e preparação dos caças antes de uma eventual transferência.

Críticas internas ao prolongamento dos meios soviéticos

A estratégia adotada pelo Ministério da Defesa búlgaro gerou críticas dentro do país. O ex-ministro da Defesa Todor Tagarev afirmou que direcionar recursos para manter uma frota antiga representa um erro de planejamento e poderia comprometer investimentos em capacidades mais modernas.

Setores da oposição defendem que os recursos deveriam ser concentrados na rápida integração dos F-16 Block 70 e no desenvolvimento de novas capacidades, incluindo sistemas de defesa contra drones, considerados uma ameaça crescente nos conflitos contemporâneos.

Para os críticos, prolongar a operação dos MiG-29 representa apenas uma solução temporária que mantém a Força Aérea Búlgara dependente de uma frota envelhecida e com limitações logísticas.

Análise do GBN Defense

O caso búlgaro demonstra um dos principais desafios enfrentados por forças aéreas que passam por processos de modernização: o intervalo entre a decisão de aquisição de novos sistemas e sua efetiva entrada em operação.

A substituição de uma frota de combate não envolve apenas a entrega das aeronaves. É necessário formar pilotos, capacitar equipes de manutenção, estabelecer infraestrutura, integrar armamentos e atingir níveis adequados de disponibilidade operacional. Esse processo pode levar anos, criando lacunas estratégicas quando os meios antigos chegam ao limite de sua vida útil antes da chegada dos substitutos.

A experiência da Bulgária também evidencia como o atual ambiente internacional alterou profundamente o mercado de aeronaves usadas. Equipamentos que antes eram considerados soluções de transição passaram a ser disputados por diversos países devido ao aumento das tensões geopolíticas e à necessidade de reforçar capacidades militares.

A guerra na Ucrânia acelerou uma corrida por disponibilidade operacional, tornando evidente que possuir uma indústria de defesa capaz de produzir, modernizar e sustentar meios militares é um fator estratégico.

Para Sofia, o desafio agora é equilibrar a necessidade imediata de manter seu espaço aéreo protegido com a urgência de concluir a transição para uma força aérea moderna baseada no F-16 Block 70. A solução encontrada nos próximos anos determinará se a Bulgária conseguirá superar o período de transição sem comprometer sua capacidade de defesa aérea.


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BAE Systems amplia produção do Eurofighter Typhoon mirando novas encomendas e entregas para Türkiye

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Aumento da cadência de fabricação deve levar produção anual de 12 a 14 aeronaves para cerca de 30 exemplares, impulsionado pela entrada de novos clientes e pela demanda da Türkiye

A BAE Systems planeja quase dobrar a produção anual do Eurofighter Typhoon, com movimento destinado a atender os pedidos existentes, preparar as entregas para a Türkiye e ampliar a capacidade industrial diante de novas oportunidades de exportação.

Segundo o diretor executivo da empresa, Charles Woodburn, a produção do caça europeu deverá crescer do atual ritmo de aproximadamente 12 a 14 aeronaves por ano para cerca de 30 unidades anuais. O executivo afirmou que a empresa está "bem encaminhada" para alcançar esse novo patamar de fabricação.

A expansão da linha de produção ocorre no momento de fortalecimento do programa Eurofighter, impulsionado pela entrada de novos operadores e pela expectativa de novos contratos internacionais. Entre os principais fatores está a participação da Türkiye no programa, que deverá ampliar a demanda por aeronaves e contribuir para a manutenção da cadeia industrial europeia.

Türkiye impulsiona nova fase do programa Eurofighter

A participação da Türkiye representa um importante movimento estratégico para o consórcio Eurofighter, formado por Alemanha, Reino Unido, Itália e Espanha. O país demonstrou interesse em adquirir dezenas de aeronaves Typhoon para fortalecer sua capacidade de combate aéreo e complementar sua frota atual.

Para a BAE Systems, a inclusão da Türkiye no programa contribui diretamente para elevar a necessidade de produção, criando maior previsibilidade para a cadeia de fornecedores e sustentando investimentos na linha industrial.

Woodburn destacou que a companhia acompanha outras oportunidades internacionais e que a produção poderá crescer ainda mais caso novas negociações avancem para contratos firmes.

Typhoon mantém papel estratégico na indústria de defesa europeia

O aumento da produção reforça o papel do Eurofighter Typhoon como um dos principais programas de defesa da BAE Systems. O caça permanece como um dos pilares da estratégia de crescimento da empresa no setor aeroespacial europeu, ao lado de outras áreas estratégicas, como os negócios da MBDA, Hägglunds e Bofors.

Embora novas gerações de aeronaves de combate estejam em desenvolvimento, a empresa avalia que o Typhoon continuará desempenhando um papel relevante nas próximas décadas graças à evolução contínua de seus sistemas e armamentos.

O executivo destacou que o caça e o futuro Programa Global de Aeronaves de Combate (GCAP) fazem parte de uma estratégia complementar. Enquanto o Typhoon continuará recebendo atualizações para ampliar sua vida operacional e capacidades, o GCAP será responsável pelo desenvolvimento de uma nova geração de sistemas aéreos de combate, com previsão de entrada em serviço a partir de meados da década de 2030.

Atualizações mantêm o Typhoon preparado para novos cenários

Entre os exemplos citados pela BAE Systems está a rápida integração dos foguetes guiados a laser APKWS ao Eurofighter Typhoon, demonstrando a capacidade da plataforma de incorporar novas soluções diante das demandas operacionais dos usuários.

Segundo Woodburn, clientes do Golfo têm demonstrado crescente preocupação com missões de combate a drones e com a proteção de seu espaço aéreo, exigindo sistemas capazes de responder a ameaças emergentes.

A capacidade de adaptação do Typhoon tem sido um dos argumentos utilizados pela indústria para manter a aeronave competitiva no mercado internacional, mesmo diante do surgimento de novos caças de quinta geração.

Análise do GBN Defense

A decisão da BAE Systems de ampliar a produção do Eurofighter Typhoon marca uma mudança importante no mercado global de aeronaves de combate. Após anos de redução nas linhas de produção dos caças ocidentais, impulsionada pelo fim de grandes ciclos de aquisição, o atual cenário geopolítico voltou a pressionar os países a fortalecerem suas capacidades aéreas.

A guerra na Ucrânia demonstrou que a disponibilidade de aeronaves modernas, aliada à capacidade industrial de reposição e expansão, tornou-se um fator estratégico. Não basta possuir plataformas avançadas; é necessário garantir que exista uma base industrial capaz de produzir, modernizar e sustentar esses sistemas ao longo de décadas.

A entrada da Türkiye no programa Eurofighter representa um importante reforço para a continuidade do Typhoon e demonstra como países com demandas específicas continuam buscando aeronaves de alto desempenho para complementar suas forças aéreas.

Ao mesmo tempo, a estratégia da BAE Systems revela uma abordagem de transição: manter o Typhoon como uma plataforma madura e em evolução enquanto desenvolve, em paralelo, a próxima geração de sistemas de combate aéreo por meio do GCAP.

Mais do que um aumento de produção, o movimento sinaliza que os caças tripulados continuarão desempenhando papel central no poder aéreo nas próximas décadas, especialmente quando integrados a novos sistemas, sensores, armas inteligentes e capacidades baseadas em redes de combate.


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Coreia do Norte acusa OTAN de preparar infraestrutura para guerra enquanto Aliança amplia capacidade logística na Europa

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Pyongyang acusa expansão da rede de combustíveis da OTAN de representar uma postura mais agressiva, enquanto bloco afirma que medidas buscam fortalecer dissuasão diante do cenário de segurança europeu

A Coreia do Norte voltou a criticar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), acusando a aliança militar ocidental de estar se preparando para um possível conflito por meio da ampliação de sua infraestrutura logística e de abastecimento de combustível na Europa.

Em comentário divulgado pela agência estatal KCNA, Pyongyang afirmou que o Plano do Programa de Capacidade da Cadeia de Abastecimento de Combustível da OTAN demonstraria uma transformação da aliança em um "bloco militar mais agressivo". Segundo a declaração norte-coreana, o projeto prevê a integração de uma rede de aproximadamente 10 mil quilômetros de infraestrutura de combustível no continente europeu, conectando instalações da Europa Ocidental com países membros mais recentes localizados no Leste Europeu e no Norte da Europa.

A Coreia do Norte, porém, não apresentou evidências que sustentem a alegação de que essa infraestrutura teria como objetivo apoiar operações militares fora do território europeu ou preparar uma ofensiva da OTAN.

A expansão da capacidade logística da Aliança Atlântica ocorre dentro do contexto marcado pela deterioração do ambiente de segurança europeu após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Desde então, a OTAN vem ampliando investimentos em prontidão militar, estoques estratégicos, mobilidade de tropas e infraestrutura de apoio, argumentando que o objetivo é fortalecer a capacidade de dissuasão e defesa coletiva.

Logística como elemento estratégico da guerra moderna

A infraestrutura de combustíveis militares é considerada um componente fundamental da capacidade operacional de qualquer força militar moderna. A movimentação rápida de tropas, veículos blindados, aeronaves e navios depende de uma cadeia logística capaz de garantir o abastecimento contínuo em cenários de crise.

Historicamente, conflitos de grande escala demonstraram que a capacidade logística pode ser tão decisiva quanto o número de sistemas de armas disponíveis. A criação de redes integradas de armazenamento e distribuição de combustível permite reduzir vulnerabilidades, aumentar a velocidade de resposta e garantir maior autonomia operacional.

No caso da OTAN, a integração de estruturas logísticas entre diferentes países busca ampliar a capacidade de deslocamento de forças dentro do continente europeu, especialmente considerando a necessidade de reforçar o flanco oriental da aliança diante das tensões com a Rússia.

Relação entre Pyongyang e Moscou amplia críticas à OTAN

As declarações norte-coreanas ocorrem durante a aproximação estratégica entre Pyongyang e Moscou. Desde a assinatura do Tratado de Parceria Estratégica Abrangente, em junho de 2024, Rússia e a Coreia do Norte aprofundaram sua cooperação militar, incluindo um compromisso de assistência mútua em caso de agressão.

Durante a guerra na Ucrânia, a Coreia do Norte passou a apoiar mais diretamente a Rússia, incluindo o envio de militares para auxiliar forças russas na região de Kursk, segundo informações divulgadas por governos ocidentais e pela Coreia do Sul.

Essa aproximação tem elevado a preocupação dos países ocidentais sobre uma possível ampliação da cooperação militar entre Moscou e Pyongyang, especialmente envolvendo transferência de tecnologia, treinamento e experiência operacional.

Análise do GBN Defense

A reação da Coreia do Norte deve ser interpretada dentro de um contexto mais amplo de disputa narrativa e geopolítica. Para Pyongyang, qualquer fortalecimento da capacidade militar dos Estados Unidos, da OTAN ou de seus aliados é apresentado como uma ameaça direta à sua segurança e utilizado como justificativa para aprofundar sua própria postura militar.

Entretanto, a ampliação da infraestrutura logística da OTAN está diretamente relacionada a uma mudança no ambiente estratégico europeu após 2022. A guerra na Ucrânia demonstrou que conflitos de alta intensidade exigem não apenas sistemas avançados de armas, mas também uma robusta capacidade de sustentar operações prolongadas.

A logística voltou ao centro do planejamento militar, evidenciando que ferrovias, portos, depósitos de combustível e redes de transporte são ativos estratégicos tão importantes quanto caças, blindados ou mísseis.

A expansão dessas capacidades pela OTAN representa uma tentativa de aumentar a resiliência e a velocidade de resposta da aliança em um cenário de maior competição entre grandes potências. Ao mesmo tempo, ações dessa natureza também contribuem para a percepção de ameaça por parte de adversários estratégicos, alimentando um ciclo de fortalecimento militar e aumento das tensões.

O episódio demonstra como, no atual ambiente internacional, a disputa militar não ocorre apenas no campo de batalha, mas também no domínio da infraestrutura, da logística e da capacidade industrial que sustenta o poder militar de cada ator.


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Embraer abre cerca de 200 vagas de estágio e busca novos talentos para impulsionar crescimento da indústria aeroespacial brasileira

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A Embraer, uma das principais empresas aeroespaciais do mundo, abriu seu processo seletivo para o Programa de Estágio 2027, oferecendo cerca de 200 vagas para estudantes universitários de diferentes áreas do conhecimento. A iniciativa busca atrair novos talentos para atuar em uma empresa estratégica para a indústria brasileira, com presença global nos segmentos de aviação comercial, executiva, defesa e segurança.

As oportunidades estão disponíveis para estudantes de diversos cursos de graduação nas localidades onde a companhia mantém operações. A definição das vagas por unidade ocorrerá posteriormente, com prioridade para candidatos que já residam nas cidades de atuação da empresa ou tenham disponibilidade para mudança.

Segundo a Embraer, o programa representa uma oportunidade para que jovens profissionais tenham contato direto com projetos e tecnologias desenvolvidas por uma das maiores fabricantes de aeronaves do mundo.

“Estamos em um momento de expansão no mercado global e, para continuar crescendo, precisamos de pessoas com forte senso de colaboração e paixão por fazer a diferença. À medida que o negócio avança, nossos talentos avançam junto, reforçando uma das marcas da cultura Embraer, que é o investimento estratégico no desenvolvimento de nosso time”, afirmou a vice-presidente de Pessoas, ESG e Comunicação Corporativa da Embraer, Andreza Alberto.

O processo seletivo está aberto até 30 de agosto de 2026, e os aprovados devem iniciar suas atividades em fevereiro de 2027, com direito a bolsa-auxílio e benefícios.

A companhia destaca ainda que estudantes que já participaram de processos seletivos anteriores do programa e não foram aprovados poderão se candidatar novamente nesta edição, ampliando as possibilidades de ingresso na empresa.

Formação de talentos para uma indústria estratégica

A abertura de novas vagas de estágio ocorre em um momento de expansão da Embraer no mercado internacional e de crescente demanda por profissionais qualificados em áreas ligadas à engenharia, tecnologia, inovação e gestão.

Com projetos que envolvem desde aeronaves comerciais e executivas até sistemas voltados à defesa e segurança, a empresa desempenha um papel estratégico para a Base Industrial de Defesa brasileira e para o desenvolvimento tecnológico nacional.

A formação de novos profissionais é considerada um dos pilares para a manutenção da competitividade da companhia em um setor marcado por alta complexidade tecnológica, ciclos longos de desenvolvimento e intensa concorrência internacional.

Além de desenvolver aeronaves, a Embraer atua em áreas como sistemas embarcados, engenharia avançada, manufatura, inteligência artificial aplicada, sustentabilidade e serviços de suporte pós-venda, oferecendo aos estudantes uma oportunidade de contato com diferentes segmentos da indústria aeroespacial.

A Embraer também destaca o reconhecimento recebido por meio da certificação Great Place to Work (GPTW), concedida com base na percepção dos colaboradores sobre o ambiente organizacional.

O selo é resultado de uma pesquisa global, voluntária e anônima, que avalia diferentes dimensões da cultura empresarial, incluindo confiança, ambiente de trabalho e práticas de gestão.


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sábado, 1 de agosto de 2026

CTEx e Ambipar Robotics apontam caminho para a robotização do combate terrestre no Exército Brasileiro

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A transformação do campo de batalha moderno tem acelerado o desenvolvimento de sistemas não tripulados em praticamente todos os domínios operacionais. Se há pouco mais de uma década, os drones aéreos eram vistos como uma capacidade complementar, os conflitos recentes demonstraram que plataformas robóticas terrestres (UGVs – Unmanned Ground Vehicles) caminham para ocupar papel igualmente relevante. Nesse contexto, a apresentação do Sistema de Veículos Terrestres Remotamente Pilotados (SVTRP) durante o Simpósio de Sistemas Não Tripulados da Força Terrestre 2026 (SSNTFT 2026) representa um indicativo claro da direção seguida pelo Exército Brasileiro em sua transformação tecnológica.

Durante o evento, promovido pelo Centro Tecnológico do Exército (CTEx), foi apresentada uma plataforma terrestre desenvolvida pela Ambipar Robotics, utilizada como base para os estudos conduzidos no âmbito do SVTRP. A configuração exibida, equipada com um lançador duplo para o míssil anticarro MAX 1.2 AC, da SIATT, vai além da simples integração entre uma plataforma robótica e um sistema de armas nacional. Ela demonstra a intenção de desenvolver uma capacidade operacional capaz de reduzir a exposição dos militares e ampliar a letalidade das pequenas frações em operações de alta intensidade.

A escolha do MAX 1.2 AC não parece ser casual. O míssil representa um dos mais importantes programas nacionais na área de armamentos guiados e, ao ser integrado a uma plataforma não tripulada, cria uma combinação capaz de oferecer elevado poder de combate sem expor diretamente seus operadores. Trata-se de um conceito já observado em diversos programas internacionais, nos quais veículos robóticos passam a atuar como vetores avançados de apoio de fogo, defesa anticarro e proteção de áreas sensíveis.

Mais do que um lançador remoto, o SVTRP pode representar uma mudança na forma como o Exército Brasileiro empregará suas frações terrestres. A tendência observada nos conflitos contemporâneos aponta para uma crescente distribuição do poder de combate, reduzindo a concentração de meios e ampliando a capacidade de sobrevivência das tropas. Plataformas robóticas permitem que armamentos de elevado valor sejam posicionados em áreas de risco, enquanto seus operadores permanecem protegidos em posições mais seguras.

Entretanto, limitar a análise ao armamento seria um erro. O verdadeiro potencial do projeto reside na plataforma em si. Desenvolvida pela Ambipar Robotics, a solução poderá servir como base para diferentes configurações operacionais, desde reconhecimento e vigilância até transporte logístico, evacuação de feridos, guerra eletrônica, engenharia de combate ou apoio direto às tropas. A modularidade tende a ser um dos principais atributos desse tipo de sistema, permitindo que uma única plataforma receba diferentes cargas úteis de acordo com a missão.

Sob o ponto de vista doutrinário, o desenvolvimento do SVTRP está alinhado à evolução do conceito de combate multidomínio. O emprego de sensores terrestres, drones aéreos, sistemas de comunicações digitais e plataformas robóticas cria um ambiente operacional altamente conectado, no qual informações são compartilhadas em tempo real entre os diversos escalões da força. Nesse cenário, o UGV deixa de ser apenas um veículo remoto para tornar-se um nó da rede de combate, capaz de fornecer inteligência, designar alvos e executar missões de forma integrada com outros sistemas.

Outro aspecto relevante é o fortalecimento da Base Industrial de Defesa. A parceria entre CTEx, Ambipar Robotics e SIATT evidencia uma estratégia cada vez mais presente nos programas militares brasileiros: aproveitar o conhecimento operacional do Exército aliado à capacidade tecnológica da indústria nacional para desenvolver soluções próprias. Essa abordagem reduz dependências externas, preserva conhecimento estratégico e fortalece a autonomia tecnológica do país em um segmento considerado crítico para a soberania nacional.

O momento escolhido para a apresentação do projeto também merece atenção. As lições extraídas da guerra na Ucrânia demonstraram que sistemas terrestres não tripulados deixaram de ser apenas uma promessa tecnológica para se tornarem ferramentas operacionais de emprego cotidiano. Reconhecimento, transporte de suprimentos, remoção de feridos e, mais recentemente, o emprego de armamentos embarcados passaram a fazer parte da rotina de forças que operam em ambientes de elevada letalidade, influenciando diretamente os programas de modernização de diversos exércitos.

Embora o SVTRP ainda esteja em desenvolvimento, sua apresentação durante o SSNTFT 2026 indica que o Exército Brasileiro pretende acompanhar essa transformação. Mais do que incorporar uma nova plataforma, o desafio será desenvolver a doutrina, os conceitos de emprego e os sistemas de comando e controle necessários para integrar esses meios às unidades operacionais. Em conflitos contemporâneos, tecnologia isolada não garante superioridade; ela precisa estar inserida em uma arquitetura capaz de explorar todo o seu potencial.

A iniciativa apresentada pelo CTEx demonstra que o Brasil começa a construir essa capacidade de forma estruturada. Caso o programa evolua para a fase de experimentação operacional e posterior incorporação, o SVTRP poderá representar o primeiro passo para uma nova geração de sistemas terrestres não tripulados no Exército Brasileiro. Mais do que acompanhar uma tendência internacional, trata-se da oportunidade de desenvolver uma solução nacional adaptada às necessidades operacionais da Força Terrestre, fortalecendo simultaneamente a Base Industrial de Defesa e a autonomia tecnológica brasileira.

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SOBERANIA SOB ATAQUE - Como o Baixo Investimento e os Sucessivos Cortes Orçamentários Enfraquecem as Forças Armadas e a BID

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As Forças Armadas Brasileiras enfrentam, em 2026, uma crise estrutural e orçamentária de natureza crônica. O diagnóstico, entretanto, precisa ser estabelecido com precisão técnica. A insuficiência de investimentos na modernização e na sustentação operacional não decorre, prioritariamente, do elevado peso das despesas com pessoal, como frequentemente se afirma no debate público, mas do baixo volume de recursos destinados à Defesa Nacional e, sobretudo, da instabilidade provocada pelos sucessivos contingenciamentos que incidem sobre as despesas discricionárias.

O orçamento autorizado do Ministério da Defesa para 2026 situa-se em torno de R$ 142 bilhões. Embora represente crescimento nominal em relação ao exercício anterior, continua correspondendo a aproximadamente 1% do Produto Interno Bruto (PIB), percentual modesto para um país de dimensões continentais, com mais de 16 mil quilômetros de fronteiras terrestres, extensa Zona Econômica Exclusiva no Atlântico Sul, responsabilidades permanentes na Amazônia e crescente necessidade de desenvolver capacidades de dissuasão compatíveis com o atual ambiente estratégico internacional.

Quando comparado aos investimentos realizados por diversas nações de porte semelhante ou mesmo por países com responsabilidades geopolíticas inferiores, torna-se evidente que o principal problema brasileiro não está na composição do orçamento, mas na insuficiência do seu volume total.

A falsa percepção sobre as despesas com pessoal

É correto afirmar que aproximadamente três quartos do orçamento da Defesa destinam-se às despesas obrigatórias com militares da ativa, da reserva, pensionistas e servidores civis. Essa constatação, entretanto, frequentemente conduz a uma interpretação equivocada.

Na realidade, essa elevada participação percentual é, em grande medida, consequência direta do subfinanciamento histórico da Defesa. Como as despesas obrigatórias possuem caráter permanente e constitucionalmente protegido, um orçamento global reduzido faz com que elas representem parcela proporcionalmente maior, comprimindo os recursos destinados ao funcionamento cotidiano das Forças e aos investimentos estratégicos.

Em outras palavras, o elevado percentual destinado ao pessoal é muito mais um sintoma do baixo orçamento total do que a verdadeira causa da escassez de recursos para modernização.

Se o Estado brasileiro elevasse progressivamente os investimentos em Defesa, mantendo relativamente estável o valor absoluto das despesas obrigatórias, a participação percentual destinada ao pessoal diminuiria naturalmente, sem necessidade de comprometer direitos adquiridos ou reduzir a capacidade humana das Forças Armadas.

Essa distinção é fundamental. O verdadeiro desafio consiste em garantir recursos suficientes para financiar simultaneamente o efetivo necessário, a prontidão operacional e a modernização tecnológica.

O agravante dos contingenciamentos

A limitação orçamentária torna-se ainda mais grave diante dos sucessivos bloqueios fiscais.

Em julho de 2026, o Ministério da Defesa sofreu o maior contingenciamento entre todos os ministérios do Governo Federal, com bloqueio de aproximadamente R$ 4,3 bilhões.

Como ocorre tradicionalmente, os cortes incidiram quase exclusivamente sobre as despesas discricionárias, justamente aquelas responsáveis por manter a capacidade operacional das Forças Armadas.

Entre os principais impactos observados destacam-se:

  • Redução significativa das horas de voo destinadas ao adestramento da Força Aérea Brasileira;
  • Risco de restrições no abastecimento de combustível de aviação ao longo do exercício;
  • Redução da disponibilidade de recursos para manutenção de aeronaves, navios e viaturas militares;
  • Postergação de aquisições de munições e peças de reposição;
  • Impacto sobre operações de patrulhamento das fronteiras terrestres e da Amazônia Azul;
  • Desaceleração financeira de diversos programas estratégicos, entre eles o novo caça da Força Aérea Brasileira, o F-39 GRIPEN, o cargueiro C-390 Millennium e o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB).

No caso específico do submarino de propulsão nuclear Álvaro Alberto, por exemplo, o cronograma oficial passou a prever sua entrega apenas em 2038, sendo que pelo cronograma original desse programa, a previsão de comissionamento/entrega oficial à Marinha do Brasil era 2025.

Esses efeitos não representam apenas atrasos administrativos. Eles reduzem diretamente a capacidade de treinamento, a disponibilidade dos meios militares e a prontidão operacional das Forças Armadas.

Lei Complementar nº 221/2025: Um passo importante na direção da previsibilidade orçamentária, porém insuficiente

A legislação autoriza a exclusão de até R$ 5 bilhões anuais do arcabouço fiscal para investimentos estratégicos em Defesa, totalizando até R$ 30 bilhões ao longo de seis anos.

Trata-se de um mecanismo extremamente positivo por permitir maior estabilidade para programas de longo prazo e por reconhecer que projetos estratégicos exigem continuidade financeira.

Entretanto, seus efeitos permanecem limitados.

Primeiro, porque os recursos são destinados exclusivamente aos investimentos, não podendo ser utilizados para custeio operacional. Segundo, porque a maior parte do orçamento continua sujeita aos contingenciamentos anuais, mantendo elevado grau de incerteza para o planejamento das Forças Armadas e da Base Industrial de Defesa.

Os reflexos na Base Industrial de Defesa

A Base Industrial de Defesa (BID) constitui um dos principais ativos estratégicos do Estado brasileiro.

Estimativas indicam que o setor responde por algo entre 3% e 4% do PIB nacional e sustenta cerca de 3 milhões de empregos diretos, indiretos e induzidos, distribuídos entre empresas de alta tecnologia, universidades, centros de pesquisa e fornecedores especializados.

Entretanto, a instabilidade orçamentária do principal cliente da indústria, o próprio Estado brasileiro, produz consequências imediatas.

Sem previsibilidade de demanda, empresas são obrigadas a reduzir ritmos de produção, postergar investimentos, elevar custos financeiros e limitar projetos de pesquisa e desenvolvimento.

Além disso, atrasos recorrentes comprometem a retenção de mão de obra altamente qualificada e ampliam a dependência externa de componentes críticos, especialmente em áreas como guerra eletrônica, defesa cibernética, sensores avançados, sistemas de missão e eletrônica embarcada.

O risco de perda de competências tecnológicas estratégicas torna-se, portanto, um problema real de soberania nacional.

A exportação como mecanismo de sobrevivência

Diante da fragilidade da demanda doméstica, a indústria brasileira de Defesa intensificou seu processo de internacionalização. Os resultados demonstram elevado nível de competitividade.

As autorizações de exportação alcançaram aproximadamente US$ 3,1 bilhões em 2025, representando crescimento superior a 70% em relação ao ano anterior. Em 2026, o ritmo permanece elevado, com cerca de US$ 1,8 bilhão autorizado apenas no primeiro semestre. Atualmente, produtos e serviços da indústria brasileira de Defesa estão presentes em mais de 140 países. Esse desempenho demonstra a qualidade tecnológica do setor e sua crescente inserção internacional.

Contudo, por mais importante que seja o mercado externo, ele não substitui o papel estratégico do Estado como cliente-âncora. Programas de elevada complexidade tecnológica dependem de demanda doméstica estável para justificar investimentos de longo prazo em pesquisa, desenvolvimento, engenharia e inovação.

A percepção dentro das Forças Armadas

Os reflexos dessa realidade também são percebidos internamente. 

Relatos recorrentes de militares da ativa e da reserva, bem como análises de especialistas em Defesa, apontam crescente preocupação com a redução da prontidão operacional, a limitação dos treinamentos e os sucessivos adiamentos de programas estratégicos.

Diversos analistas passaram a caracterizar esse cenário como uma espécie de “hibernação operacional”: as estruturas permanecem existentes, mas operam com restrições crescentes de treinamento, manutenção e disponibilidade de meios.

Essa percepção afeta não apenas a capacidade operacional, mas também a motivação do efetivo e a imagem institucional das Forças Armadas.

Consequências para a próxima década – até 2036

Caso permaneçam o baixo investimento em Defesa como percentual do PIB e a recorrência dos contingenciamentos, os efeitos tendem a se consolidar em quatro grandes eixos.

1. Erosão progressiva das capacidades militares

A redução continuada da prontidão poderá comprometer capacidades críticas, como aviação de combate, defesa antiaérea de média altura, guerra eletrônica, defesa cibernética, operações multidomínio, sistemas antidrones e a própria consolidação do programa de propulsão nuclear naval. A proteção da Amazônia, das fronteiras terrestres e da Amazônia Azul tende a tornar-se cada vez mais desafiadora;

2. Consolidação de uma BID orientada predominantemente para exportação

A indústria nacional deverá ampliar sua dependência dos mercados externos e de tecnologias de uso dual. Embora isso preserve empregos e competências industriais, existe o risco de crescente desconexão entre aquilo que a indústria brasileira desenvolve para clientes internacionais e as capacidades efetivamente incorporadas pelas próprias Forças Armadas;

3. Pressão por reformas estruturais de financiamento

O debate sobre previdência militar e despesas obrigatórias é legítimo e necessário. Contudo, mesmo eventuais reformas não resolverão o problema central caso o orçamento total permaneça insuficiente. Sem previsibilidade financeira e ampliação gradual dos investimentos em Defesa, qualquer economia obtida apenas redistribuirá a escassez existente;

4. Risco estratégico e oportunidade nacional

O ambiente internacional atravessa um ciclo de rearmamento acelerado, competição tecnológica e crescente valorização da autonomia industrial.

Nesse contexto, o Brasil corre o risco de ampliar sua defasagem relativa caso permaneça investindo apenas cerca de 1% do PIB em Defesa.

Por outro lado, ainda existe um importante espaço de oportunidades. Caso o país consolide mecanismos permanentes de previsibilidade orçamentária e eleve gradualmente os investimentos, poderá fortalecer áreas nas quais já possui reconhecida competência internacional, como aeronaves de transporte, sistemas de comando e controle, sensores, guerra eletrônica, munições inteligentes e soluções desenvolvidas para operações em ambientes tropicais e marítimos.

Conclusão

A análise dos dados permite uma conclusão clara: a principal limitação à modernização das Forças Armadas Brasileiras e ao fortalecimento da Base Industrial de Defesa não decorre, primordialmente, do elevado peso das despesas com pessoal.

Esse percentual elevado é, em grande medida, consequência de um orçamento global historicamente insuficiente.

O verdadeiro obstáculo reside na combinação entre baixo volume de recursos destinados à Defesa e a elevada instabilidade provocada pelos sucessivos contingenciamentos que recaem justamente sobre as despesas discricionárias responsáveis pela operação cotidiana e pelos investimentos estratégicos. E persistir na idéia de que o problema está apenas na composição do orçamento significa insistir em um diagnóstico equivocado. E diagnósticos equivocados produzem soluções ineficazes: tratam os sintomas, mas perpetuam a causa da crise.Nos próximos cinco a dez anos, estará em jogo não apenas a capacidade operacional das Forças Armadas, mas a própria habilidade do Estado brasileiro de preservar sua soberania tecnológica, sua autonomia estratégica e sua Base Industrial de Defesa.

MAIS DO QUE AMPLIAR GASTOS, O DESAFIO CONSISTE EM FINANCIAR A DEFESA NACIONAL DE FORMA PREVISÍVEL, CONTÍNUA E COMPATÍVEL COM AS RESPONSABILIDADES GEOPOLÍTICAS QUE O BRASIL ASSUMIU PARA SI.


Por Mauro Beirão: Formado em Engenharia Mecânica e 35 anos de experiência na industria de defesa e aeroespacial.

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