sábado, 22 de agosto de 2026

Importar ou desenvolver? O falso dilema e o verdadeiro desafio da Defesa brasileira

0 comentários

O debate sobre autonomia tecnológica, capacidade militar e fortalecimento da Base Industrial de Defesa brasileira voltou a ganhar espaço após declarações do professor Eduardo Siqueira Brick sobre a forma como o país organiza seus recursos de ciência, tecnologia e inovação e sobre a relação das Forças Armadas com a indústria nacional. Oficial da reserva da Marinha, professor e pesquisador na área de Defesa, Brick possui trajetória acadêmica dedicada a temas como logística, ciência, tecnologia, indústria e gestão de capacidades militares, além de ter participado da estruturação dos estudos de Defesa na Universidade Federal Fluminense.

Sua atuação está particularmente associada à UFF Defesa, núcleo voltado à pesquisa sobre questões estratégicas e de Defesa. Sua produção acadêmica aborda temas como Base Logística de Defesa, indústria, inovação e organização do sistema brasileiro de Defesa, o que confere relevância às críticas apresentadas na entrevista.

As posições analisadas nesta reportagem foram apresentadas por Brick em entrevista ao programa TVGGN 20 Horas, reproduzida pelo site Jornal GGN na ultima sexta-feira (21), sob o título O gargalo do submarino nuclear: por que o Brasil patina em projetos estratégicosNa entrevista, o pesquisador aponta, entre outros aspectos, a pulverização da gestão de ciência, tecnologia e indústria de Defesa entre as Forças Armadas e o que considera um viés comprador nas aquisições militares.

É justamente por reconhecer essa experiência que o debate merece ser tratado no campo das ideias, e não da personalização. Parte das preocupações apresentadas é pertinente. O Brasil enfrenta problemas de coordenação entre estruturas de pesquisa, dificuldades para transformar planejamento em execução, instabilidade orçamentária e descontinuidade de programas que exigem décadas para amadurecer.

O ponto que merece maior discussão está, portanto, menos no diagnóstico geral do que em algumas conclusões extraídas dele. Reduzir o problema à existência de um suposto viés comprador das Forças Armadas ou estabelecer uma oposição direta entre importar e desenvolver internamente simplifica uma realidade na qual necessidades operacionais, disponibilidade orçamentária, domínio tecnológico, capacidade industrial e tempo de desenvolvimento precisam ser considerados simultaneamente.

Quando comprar fora também pode ser uma decisão estratégica

A primeira questão é justamente a relação entre aquisição estrangeira e desenvolvimento nacional. Uma compra externa pode de fato ampliar a dependência brasileira quando o país simplesmente recebe uma plataforma pronta e permanece dependente do fornecedor para manutenção, atualização, componentes críticos e evolução tecnológica. Mas uma aquisição internacional também pode ser estruturada como instrumento de transferência de tecnologia, capacitação industrial e formação de recursos humanos. A diferença está na estratégia que acompanha a aquisição.

O Programa de Desenvolvimento de Submarinos, o PROSUB, é um dos exemplos mais claros dessa segunda possibilidade. A parceria com a França envolveu transferência de tecnologia para projeto e construção de submarinos convencionais, nacionalização de equipamentos e sistemas e capacitação de pessoal. A Marinha estruturou o programa de forma a associar a obtenção dos meios à criação de infraestrutura industrial e ao desenvolvimento de competências nacionais.

O objetivo estratégico do PROSUB, portanto, não pode ser resumido à compra de submarinos franceses. A parceria foi utilizada para ampliar uma capacidade que o Brasil não possuía naquela escala, criando infraestrutura industrial, formando profissionais e acumulando conhecimento necessário à construção de submarinos no país. Isso não eliminou todas as dependências externas, nem seria razoável esperar isso de um programa de tamanha complexidade. O resultado estratégico está justamente na capacidade nacional que permanece depois da parceria.

O Programa Fragatas Classe Tamandaré segue lógica semelhante. O projeto tem origem na família alemã MEKO, mas os navios estão sendo construídos no Brasil, com participação da indústria nacional, conteúdo local e transferência de tecnologia. A primeira unidade, a Fragata Tamandaré, foi construída no país dentro de uma estrutura que envolve a Sociedade de Propósito Específico Águas Azuis e empresas brasileiras.

Há ainda um elemento particularmente relevante nesse programa: o conteúdo tecnológico nacional não está restrito ao casco. O desenvolvimento de sistemas como o MAGE Defensor demonstra como uma tecnologia concebida dentro da estrutura de pesquisa militar pode chegar a uma plataforma de combate produzida em parceria com a indústria nacional. O equipamento foi desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas da Marinha e destinado às fragatas da classe Tamandaré.

Esses exemplos mostram por que a origem estrangeira de um projeto não determina, isoladamente, seu resultado para a soberania tecnológica. A pergunta estratégica mais importante não é simplesmente de onde veio o projeto original, mas o que o Brasil consegue absorver, dominar, produzir, manter, modificar e desenvolver a partir daquela aquisição.

É neste ponto que a afirmação de Brick sobre o chamado “viés comprador” precisa ser examinada com maior cuidado. O problema existe quando a aquisição externa substitui uma política de desenvolvimento tecnológico e industrial. Mas colocar no mesmo campo uma compra de oportunidade destinada a preservar uma capacidade operacional e uma aquisição que deveria gerar autonomia tecnológica produz uma conclusão incompleta.

Em Defesa, nem sempre é possível esperar anos pelo desenvolvimento de uma solução nacional. Projetos complexos podem levar mais de uma década entre a definição dos requisitos, desenvolvimento, financiamento, construção e entrada em serviço. Nesse intervalo, a Força precisa continuar operando, treinando pessoal e preservando sua doutrina. Uma compra de oportunidade pode, portanto, funcionar como uma ponte entre duas gerações de equipamentos.

A própria Marinha oferece exemplos claros. O NDM Bahia permitiu recuperar rapidamente capacidades de transporte, apoio logístico e operações anfíbias, enquanto o NAM Atlântico devolveu à Força uma importante capacidade de projeção de poder, operações aéreas embarcadas, comando e controle e operações anfíbias. Foram meios adquiridos no exterior, mas responderam a necessidades operacionais concretas e imediatas. Classificá-los simplesmente como expressão de um “viés comprador” ignoraria a realidade de uma Força que não poderia permanecer sem essas capacidades enquanto aguardava novos projetos nacionais.

O ponto central, portanto, não é ser contra compras de oportunidade, mas impedir que elas se tornem a solução permanente. O meio adquirido para preencher uma lacuna deve estar inserido em um planejamento que indique qual será sua substituição, e sempre que possível, como a experiência obtida será convertida em conhecimento, capacidade industrial ou requisito para a próxima geração de sistemas.

O mesmo princípio vale para as demais Forças. Aeronaves adquiridas como solução intermediária, blindados de segunda mão ou outros meios obtidos no exterior podem preservar treinamento, pessoal, infraestrutura e doutrina. Isso não significa abrir mão da indústria nacional. Significa reconhecer que capacidade militar precisa existir no presente enquanto a autonomia tecnológica é construída para o futuro.

É essa distinção que torna o debate mais preciso: comprar para preencher uma lacuna não é o mesmo que comprar porque o país desistiu de desenvolver sua própria capacidade. O problema estratégico surge quando a solução provisória deixa de ser uma ponte e passa a substituir o planejamento de longo prazo.

Mas também é preciso reconhecer uma realidade incômoda: muitas das compras de oportunidade realizadas pelas Forças Armadas ao longo das últimas décadas não ocorreram simplesmente por preferência por equipamentos estrangeiros. Em diversos casos, foram consequência direta da dificuldade brasileira de financiar e sustentar programas próprios. Projetos nacionais avançam de forma fracionada, sofrem interrupções, têm cronogramas estendidos e, algumas vezes, permanecem por anos ou até décadas aguardando recursos para superar uma determinada etapa. Quando a necessidade operacional chega antes da solução nacional, a Força precisa encontrar uma alternativa para não perder sua capacidade.

O problema, portanto, está também na previsibilidade. Programas de Defesa de alta complexidade não podem depender exclusivamente da disponibilidade orçamentária de um determinado exercício ou da prioridade atribuída por um governo. Desenvolvimento tecnológico exige continuidade, e a indústria precisa saber que haverá demanda futura para manter equipes, fornecedores, infraestrutura e capacidade produtiva.

No Brasil, essa continuidade ainda é excessivamente vulnerável aos ciclos políticos. A mudança de governo pode significar alteração de prioridades, revisão de programas, contingenciamento de recursos ou mudança na própria estrutura de gestão da Defesa. Quando isso ocorre sucessivamente, projetos que deveriam ser tratados como políticas de Estado acabam submetidos à lógica de cada ciclo administrativo. O resultado pode ser o atraso de cronogramas, a perda de competências, o aumento dos custos e, em situações mais graves, a interrupção de programas que levaram anos para amadurecer.

Essa instabilidade cria um paradoxo. O país critica sua dependência externa e defende maior autonomia tecnológica, mas muitas vezes não oferece às próprias iniciativas nacionais as condições necessárias para que amadureçam. Sem orçamento previsível, planejamento de longo prazo e compromissos que atravessem diferentes governos, a compra de oportunidade deixa de ser apenas uma escolha operacional e passa a ser, em determinadas situações, consequência da incapacidade do Estado de entregar a tempo a solução que ele próprio decidiu desenvolver.

Por isso, reduzir o debate a “comprar fora” ou “produzir dentro” não enfrenta a raiz do problema. Antes de decidir como obter uma capacidade militar, o Estado precisa definir quais capacidades pretende manter no longo prazo, quanto está disposto a investir para desenvolvê-las e como garantirá que esses compromissos sobrevivam às mudanças de governo. Sem essa estabilidade, até mesmo um bom projeto nacional pode se transformar em mais uma lacuna operacional que, anos depois, precisará ser preenchida por uma nova compra de oportunidade.

A fragmentação da pesquisa e desenvolvimento

A segunda grande questão levantada por Brick diz respeito à fragmentação da estrutura de ciência, tecnologia e inovação da Defesa. Aqui o diagnóstico também merece ser parcialmente acolhido. Existem competências distribuídas entre Exército, Marinha, Força Aérea, universidades e empresas, e determinadas áreas poderiam se beneficiar de maior integração.

Entretanto, fragmentação não significa necessariamente ineficiência. A especialização das instituições militares de pesquisa existe por uma razão: as Forças possuem ambientes operacionais, requisitos e culturas tecnológicas diferentes. O Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o Instituto Militar de Engenharia, o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial, o Instituto de Pesquisas da Marinha e o Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo, entre outros, acumularam conhecimento ao longo de décadas.

Seria contraproducente imaginar que a solução para a fragmentação consiste simplesmente em absorver essas estruturas em uma nova autoridade central. O Brasil não precisa necessariamente de menos instituições especializadas. Precisa de maior coordenação entre elas.

Uma alternativa mais racional seria construir uma arquitetura conjunta de pesquisa e desenvolvimento, preservando os centros de excelência existentes. Um centro conjunto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Defesa, sob coordenação do Ministério da Defesa e com participação das três Forças, universidades, institutos tecnológicos e indústria, poderia funcionar como uma camada de integração estratégica.

Esse centro não substituiria a autonomia do ITA, IME, IPqM, CTMSP, DCTA ou as demais instituições. Sua função seria diferente: identificar tecnologias de interesse comum, estabelecer prioridades nacionais, coordenar recursos e evitar que esforços semelhantes sejam realizados de maneira redundante e isolada.

Há áreas em que essa integração poderia produzir ganhos significativos. Inteligência artificial, sistemas autônomos, guerra eletrônica, defesa cibernética, sensores, radares, optrônica, comunicações seguras, tecnologias espaciais, novos materiais, sistemas energéticos e determinadas aplicações de computação avançada possuem aplicações que ultrapassam os limites de uma única Força.

Isso não significa que um sistema desenvolvido para um navio deva ser idêntico ao empregado em um blindado ou uma aeronave. Significa que determinadas tecnologias de base podem ser desenvolvidas de maneira cooperativa e depois adaptadas às exigências de cada ambiente operacional.

O princípio deveria ser preservar a especialização e aumentar a interoperabilidade. O Brasil não precisa escolher entre uma estrutura completamente centralizada ou três sistemas tecnológicos isolados. É possível construir uma terceira alternativa, na qual cada Força mantém seus centros de excelência, mas os grandes desafios tecnológicos comuns passam a ser tratados de maneira coordenada e cooperativa.

Do conhecimento à capacidade industrial

A integração também precisa alcançar as universidades. A pesquisa acadêmica não pode permanecer distante das necessidades tecnológicas reais das Forças, assim como a indústria não pode ser chamada apenas no final de um projeto, quando as decisões fundamentais já foram tomadas. Uma política tecnológica madura precisa conectar a necessidade operacional, a pesquisa científica e a capacidade de transformar conhecimento em produto.

O militar deve ser capaz de formular o problema operacional. O pesquisador precisa trabalhar sobre desafios tecnológicos concretos. A indústria deve participar da transformação dessa tecnologia em um produto fabricável, sustentável e atualizável. E o Estado precisa garantir que exista demanda suficiente para que essa cadeia sobreviva depois que o protótipo for concluído.

É justamente nesse último ponto que aparece talvez o maior problema brasileiro. O país possui capacidade para desenvolver tecnologias de defesa complexas, mas frequentemente apresenta dificuldades para sustentar economicamente as estruturas que desenvolveu.

A Avibras é um dos exemplos mais claros. O Brasil acumulou durante décadas competências em foguetes, mísseis, propulsão, sistemas de artilharia e integração de sistemas. A crise da empresa demonstrou, porém, que conhecimento tecnológico não é suficiente para garantir a sobrevivência de uma capacidade industrial. É necessário haver contratos, escala de produção, financiamento, investimento em pesquisa e desenvolvimento e previsibilidade de demanda.

A mesma lógica aparece, em diferentes graus, em outros programas nacionais. O Guarani, o MANSUP, o ASTROS e o KC-390 demonstram que o país possui capacidade para desenvolver e produzir sistemas de alta complexidade. Mas cada um deles também está sujeito às dificuldades de escala, orçamento, exportação, continuidade de encomendas e evolução tecnológica.

Essa é uma distinção fundamental. Desenvolver um produto de Defesa não significa ter construído uma indústria de Defesa sustentável. O desenvolvimento de um protótipo ou de uma primeira série pode ser financiado pelo Estado. A manutenção de uma capacidade industrial durante décadas exige uma combinação muito mais complexa entre mercado, exportação, encomendas nacionais, investimento privado e política pública.

Defesa precisa ser política de Estado

É nesse ponto que o debate sobre planejamento precisa ser deslocado. O Brasil não sofre apenas da falta de planejamento. O país produziu documentos estratégicos, estabeleceu programas prioritários e identificou capacidades consideradas essenciais. A dificuldade histórica está em transformar esses objetivos em compromissos financeiros e institucionais suficientemente estáveis para atravessar diferentes governos.

Projetos de Defesa possuem ciclos tecnológicos incompatíveis com a lógica política de curto prazo. Uma fragata, um submarino, um avião de transporte ou um sistema de mísseis não pode ser planejado como se fosse uma aquisição convencional de poucos anos. O desenvolvimento, a produção, a formação de pessoal, a manutenção e a modernização precisam ser pensados desde o início como partes de um mesmo ciclo de vida.

O próprio Programa Tamandaré incorpora essa lógica ao associar a construção nacional e a transferência tecnológica à sustentabilidade da indústria e à capacidade de manter e evoluir os navios ao longo do tempo.

Esse conceito deveria ser ampliado para toda a política de obtenção de Defesa. Uma decisão de aquisição não deveria terminar na entrega do equipamento. Ela deveria ser avaliada pelo impacto sobre a capacidade operacional, a logística, a formação de pessoal, a manutenção, a indústria nacional, a dependência externa e a possibilidade de evolução tecnológica.

No campo científico, seria necessário aproximar as estruturas das três Forças sem eliminar sua especialização. Um centro conjunto poderia coordenar os grandes desafios tecnológicos, enquanto ITA, IME, DCTA, IPqM, CTMSP e outras instituições continuariam desenvolvendo suas competências específicas. No campo industrial, programas de longo prazo precisariam ser acompanhados por mecanismos capazes de reduzir a instabilidade da demanda e estimular exportações.

No campo orçamentário, programas estratégicos precisariam ter maior previsibilidade. Não existe indústria capaz de manter equipes altamente especializadas, laboratórios, fornecedores e linhas de produção se cada ciclo orçamentário colocar em dúvida a continuidade do programa.

A Defesa brasileira, portanto, não precisa escolher entre ser compradora ou desenvolvedora. Precisa ser estratégica em suas escolhas. Uma aquisição externa pode ser necessária para manter uma capacidade hoje. Uma parceria internacional pode ser utilizada para absorver tecnologia amanhã. Um programa nacional pode consolidar essa competência no futuro. E uma política de Estado precisa garantir que essas três etapas estejam conectadas.

A entrevista de Eduardo Siqueira Brick é importante justamente porque coloca essa discussão em evidência. A fragmentação existe, a necessidade de melhor coordenação é real e a Base Industrial de Defesa precisa de maior previsibilidade. O contraponto está em não transformar um problema multidimensional em uma oposição entre comprar e produzir.

O Brasil já possui boa parte dos elementos necessários para construir uma política mais consistente. Possui universidades, institutos militares de pesquisa, empresas com experiência internacional, profissionais altamente qualificados e programas que demonstraram capacidade de absorção e desenvolvimento tecnológico. O desafio está em conectar esses elementos de maneira permanente, estabelecer prioridades e garantir recursos para que os projetos atravessem os ciclos políticos.

Mais do que decidir entre importar ou desenvolver, o Brasil precisa aprender a transformar cada decisão de Defesa em capacidade nacional. Essa capacidade pode nascer de um laboratório militar, de uma universidade, de uma empresa brasileira ou de uma parceria internacional. O que determinará seu valor estratégico será a capacidade do Estado de integrá-la a um projeto de longo prazo, sustentá-la financeiramente e garantir que o conhecimento adquirido não desapareça quando terminar o primeiro contrato ou mudar o próximo governo.


Por Angelo Nicolaci


GBN Defense - A informação começa aqui 

Continue Lendo...

Noruega reforça brigada no Ártico e amplia capacidade militar na fronteira com a Rússia

0 comentários

A Noruega ampliou na última quinta-feira (20) a Brigada Finnmark, força criada no ano passado para reforçar a presença militar do país no extremo norte. A expansão adiciona novas capacidades de combate à unidade e reflete o esforço de Oslo para fortalecer sua defesa diante da deterioração do ambiente de segurança europeu.

Criada em 2025, a Brigada Finnmark é a segunda brigada do Exército norueguês e a primeira nova formação desse nível estabelecida pelo país desde o fim da Guerra Fria. Com sede em Porsangmoen, a unidade tem entre suas principais missões a vigilância e a defesa da fronteira de aproximadamente 198 quilômetros com a Rússia.

Agora, a brigada passa a contar com um batalhão de artilharia, uma bateria de defesa aérea e uma companhia de comunicações. A nova estrutura permitirá engajar alvos terrestres a cerca de 40 quilômetros e coordenar ações com aeronaves e navios noruegueses e da OTAN.

Segundo o comandante da unidade, brigadeiro John Olav Fuglem, a ampliação representa um nível de poder de fogo significativamente superior ao disponível anteriormente.

A mudança ganha importância pela localização da brigada. Porsangmoen está a aproximadamente 180 quilômetros da fronteira russa, em linha reta, enquanto do outro lado da fronteira está a Península de Kola, uma das áreas militares mais estratégicas da Rússia e sede de importantes elementos da Frota do Norte.

Reforço do flanco norte

A expansão da Brigada Finnmark ocorre dentro de um movimento mais amplo de aumento dos investimentos em defesa pelos países nórdicos após a invasão russa da Ucrânia.

A Noruega estima gastar 3,17% do PIB em defesa em 2026, mais que o dobro dos cerca de 1,5% registrados em 2014. O país também vem ampliando sua integração militar com os demais membros da OTAN, especialmente após a entrada da Finlândia e da Suécia na Aliança.

Nesse contexto, a transformação da Finnmark é mais do que um reforço de fronteira. A unidade passa de uma função predominantemente voltada à vigilância para uma estrutura com maior capacidade de combate, defesa aérea e integração em operações multinacionais.

A mudança evidencia a crescente importância estratégica do Ártico para a OTAN e a retomada da prioridade atribuída ao extremo norte europeu na arquitetura de defesa da Aliança.


GBN Defense - A informação começa aqui

com Reuters

Continue Lendo...

P-8A Poseidon dos EUA atravessa Estreito de Taiwan em meio à tensão com Pequim

0 comentários

 

Um P-8A Poseidon da Marinha dos Estados Unidos atravessou o Estreito de Taiwan nesta sexta-feira (21), a operação foi realizada em espaço aéreo internacional. A missão ocorreu em um dos principais pontos de tensão estratégica entre Washington e Pequim e reforça a disposição americana de manter presença militar no Indo-Pacífico.

A 7ª Frota dos EUA afirmou que a aeronave operou de acordo com o direito internacional e que a passagem demonstra o compromisso de Washington com um Indo-Pacífico livre e aberto. Para os Estados Unidos, a operação também reafirma os direitos e liberdades de navegação e sobrevoo na região.

A movimentação foi acompanhada de perto pela China. Segundo o Global Times, citando uma fonte militar, as forças chinesas rastrearam e monitoraram o P-8A durante todo o trajeto, afirmando que a situação permaneceu sob controle.

Uma missão com valor operacional

A presença do P-8A Poseidon acrescenta uma dimensão operacional à passagem. A aeronave é uma das principais plataformas de patrulha marítima da Marinha dos EUA, empregada em missões de vigilância, reconhecimento e guerra antissubmarino.

Diferentemente de uma simples operação de presença, o emprego de uma plataforma especializada em coleta de informações permite ampliar a consciência situacional sobre o ambiente marítimo e as atividades militares na região.

O estreito também possui enorme importância geográfica. Além de separar Taiwan do território continental chinês, constitui uma importante rota marítima entre o Mar da China Oriental e o Mar da China Meridional.

A disputa sobre o estreito

Pequim reivindica Taiwan como parte de seu território e considera a questão um assunto interno da China. Estados Unidos e Taiwan, por outro lado, sustentam que o estreito é uma via navegável internacional e defendem a liberdade de navegação e sobrevoo. É justamente essa diferença de interpretação que transforma operações como a realizada pelo P-8A em eventos de significado estratégico.

Para Washington, manter essas missões demonstra que a China não possui autoridade para restringir unilateralmente a atuação militar estrangeira na região. Para Pequim, acompanhar cada movimento americano é uma forma de demonstrar capacidade de vigilância e controle sobre o entorno de Taiwan.

O episódio ocorre ainda enquanto Estados Unidos e China buscam administrar uma relação marcada por disputas comerciais, tecnológicas e estratégicas, com a questão de Taiwan permanecendo como um dos principais pontos de atrito.

Não houve confronto durante a passagem, mas o episódio evidencia a dinâmica que vem se consolidando no Indo-Pacífico: enquanto a diplomacia tenta preservar canais de diálogo, as forças militares dos dois países continuam operando em proximidade e testando seus respectivos níveis de presença, vigilância e resposta.


GBN Defense - A informação começa aqui

com Reuters


Continue Lendo...

Gripen suecos aparecem no radar em missão incomum da OTAN no Báltico

0 comentários

 

Três caças JAS 39C Gripen da Força Aérea Sueca realizaram na última quinta-feira (20), uma missão pouco usual no norte da Europa. As aeronaves operaram com os transponders ativos, o que permitiu seu acompanhamento por plataformas públicas de monitoramento de voo, e posteriormente realizaram reabastecimento em voo com um A330 MRTT da OTAN sobre a Polônia, antes de retornarem à Suécia. A atividade ocorreu em meio à intensificação das operações aéreas da Aliança em seu flanco leste.

Os três Gripen pertencem à Ala F 17, baseada em Ronneby-Kallinge, e voaram com os indicativos SVF47, SVF48 e SVF49. Durante a missão, encontraram o MRTT T-055, identificado como MMF20, realizaram o reabastecimento em voo e posteriormente retornaram à base sueca. O movimento foi identificado pelo Itamilradar, especializado no acompanhamento de aeronaves e navios militares.

A particularidade da missão não está apenas na presença dos Gripen sobre o Báltico. A Força Aérea Sueca opera regularmente na região e mantém uma capacidade de alerta de reação rápida para a defesa de seu espaço aéreo. O que chama atenção é a combinação entre caças suecos, reabastecimento aéreo multinacional e uma operação suficientemente visível para ser acompanhada em sistemas públicos de rastreamento.

O Gripen dentro da estrutura da OTAN

O episódio também ilustra uma transformação que ganhou força desde a entrada da Suécia na OTAN, em março de 2024. O país deixou de atuar exclusivamente dentro de uma arquitetura nacional de defesa aérea e passou a integrar suas capacidades à estrutura coletiva da Aliança. O próprio histórico operacional recente mostra os Gripen suecos participando de missões e exercícios com outras forças aéreas aliadas. Em 2024, por exemplo, caças suecos realizaram suas primeiras identificações visuais como integrantes da OTAN durante uma missão no Báltico ao lado de F-16 belgas.

O reabastecimento realizado em 20 de agosto acrescenta outra dimensão a essa integração. Ao utilizar um A330 MRTT da frota multinacional, os Gripen passam a operar conectados a uma estrutura logística que amplia sua autonomia e permite sustentar missões por períodos mais longos.

É uma capacidade particularmente relevante em um teatro como o Báltico, onde distâncias relativamente curtas convivem com elevada densidade de sensores, sistemas de defesa aérea e forças militares russas.

Uma região sob intensa vigilância

A região do Báltico concentra atualmente diferentes camadas da arquitetura de vigilância e defesa da Aliança, incluindo aeronaves de alerta antecipado, patrulha, inteligência, guerra eletrônica, reabastecimento e aviação de caça. A própria OTAN mantém missões permanentes de vigilância e policiamento aéreo no flanco oriental, além de empregar aeronaves AWACS e MRTT em atividades de apoio à defesa coletiva.

Esse ambiente ganhou ainda mais importância diante da crescente preocupação com atividades militares russas e com a necessidade de reduzir o tempo de resposta diante de possíveis violações ou ameaças ao espaço aéreo aliado.

A Suécia, por sua posição geográfica, ocupa uma área particularmente importante nesse sistema. Seu território permite apoiar operações sobre o Báltico e o norte europeu, enquanto a força de Gripen acrescenta uma capacidade de caça desenhada para elevada disponibilidade operacional e emprego em ambientes onde a sobrevivência das bases aéreas é uma preocupação central.

Mais do que três caças no ar

O aspecto mais relevante do episódio está justamente na arquitetura por trás do voo. Um caça pode realizar uma missão isoladamente, mas sua capacidade de permanecer no ar, receber informações, ampliar seu alcance e operar coordenadamente com outras plataformas depende de uma estrutura muito maior. É aí que entram o MRTT, os sistemas de comando e controle, os meios de vigilância e as aeronaves especializadas em guerra eletrônica.

A OTAN vem ampliando justamente essa integração. Em exercícios recentes, a Aliança tem colocado à prova a capacidade de diferentes países compartilharem dados e empregarem sensores e sistemas de maneira coordenada, buscando construir uma força capaz de responder rapidamente em um ambiente operacional cada vez mais complexo. Nesse sentido, o voo dos Gripen suecos é mais interessante pelo modo como foi realizado do que pela quantidade de aeronaves envolvidas.

Três caças receberam combustível de um A330-MRTT, sobrevoaram território aliado e retornaram à sua base. É uma atividade rotineira do ponto de vista técnico, mas que demonstra na prática, como uma força aérea passa a funcionar dentro de uma estrutura militar multinacional.

O Báltico como área de dissuasão

Não há, até o momento, confirmação pública de que a missão dos Gripen tenha feito parte de um exercício específico não anunciado ou de uma operação diretamente relacionada a uma ação russa.

Essa cautela é importante. A intensa movimentação aérea observada na região pode resultar de exercícios, treinamento, missões de vigilância, preparação operacional ou uma combinação desses fatores.

O que pode ser observado é a crescente densidade da presença aérea da OTAN no norte europeu e a maior integração das forças que passaram a compor essa arquitetura.

Para a Suécia, o processo representa uma mudança significativa. O Gripen, durante décadas associado principalmente à defesa territorial sueca, passa agora a ser empregado como parte de uma estrutura coletiva que inclui AWACS, MRTT, sistemas de vigilância, guerra eletrônica e forças aéreas de diversos países.

Essa transformação é particularmente importante no Báltico, onde a proximidade entre forças da OTAN e da Rússia reduz os tempos de reação e aumenta o valor da consciência situacional.


GBN Defense - A informação começa aqui


Continue Lendo...

CTEx testa radar SENTIR M20 contra drones e registra detecção a 4 km

0 comentários

O Centro Tecnológico do Exército (CTEx) realizou ensaios com o Radar de Vigilância Terrestre SENTIR M20 para avaliar sua capacidade de detectar e acompanhar drones em baixa altitude. Durante os testes, um DJI Matrice 400 foi utilizado como alvo aéreo, com o radar registrando a detecção e o acompanhamento do vetor a uma distância de até 4 quilômetros.

O resultado foi divulgado pelo próprio CTEx em suas redes oficiais e demonstra a aplicação de uma tecnologia nacional de vigilância diante de uma das ameaças que mais rapidamente vêm modificando o campo de batalha: os sistemas aéreos não tripulados.

Desenvolvido para vigilância terrestre e de baixa altitude, o SENTIR M20 amplia seu emprego ao demonstrar capacidade de acompanhar um alvo aéreo não tripulado durante um cenário de teste. A avaliação é particularmente relevante porque drones de pequeno porte apresentam desafios específicos aos sistemas tradicionais de vigilância, principalmente pela baixa altitude de operação e pelas reduzidas dimensões.

Mais uma camada contra a ameaça dos drones

O teste não transforma o SENTIR M20, por si só, em um sistema completo de defesa antidrone. O papel do radar é fornecer a detecção e o acompanhamento do alvo, produzindo informações que podem ser utilizadas por sistemas de comando e controle e, posteriormente, pelos meios responsáveis pela neutralização da ameaça.

Essa distinção é importante. Em uma arquitetura de defesa contra drones, o radar representa uma das primeiras camadas do processo: é necessário localizar o vetor, acompanhar sua trajetória e fornecer os dados necessários para que outros sistemas possam atuar.

Nesse contexto, o resultado obtido pelo CTEx ganha relevância por demonstrar a possibilidade de utilizar uma capacidade brasileira já desenvolvida para vigilância terrestre também diante de ameaças aéreas não tripuladas.

Capacidade nacional em evolução

O SENTIR M20 integra o conjunto de tecnologias desenvolvidas para ampliar a capacidade de vigilância do Exército Brasileiro e possui aplicação em missões de monitoramento de áreas terrestres e alvos de baixa altitude.

A realização do ensaio com o Matrice 400 mostra como essas capacidades podem ser avaliadas diante de novos cenários de ameaça. Mais do que estabelecer um novo alcance operacional para o radar, o resultado de 4 km deve ser entendido como o desempenho registrado durante esse ensaio específico.

A avaliação também reforça a importância de soluções nacionais capazes de acompanhar a evolução do ambiente operacional. A disseminação dos drones trouxe para o campo de batalha uma ameaça de baixo custo, difícil detecção e amplo potencial de emprego, exigindo sensores capazes de identificar esses vetores antes que possam cumprir sua missão.

Para o Exército, o desafio passa agora por transformar a capacidade de detecção em uma arquitetura integrada, na qual sensores, sistemas de comando e controle e meios de neutralização trabalhem de forma coordenada.

O ensaio do SENTIR M20 representa, portanto, mais um passo na adaptação das capacidades brasileiras à realidade da guerra contemporânea. Detectar o drone é apenas o primeiro estágio; transformar essa detecção em tempo de reação e capacidade efetiva de neutralização é o objetivo maior de uma defesa antidrone integrada.


GBN Defense - A informação começa aqui

com Exército Brasileiro

Continue Lendo...

J&F avança para assumir 100% da Avibras após retomada da produção

0 comentários

 

A Avibras pode estar prestes a iniciar uma nova fase de sua história. A empresa informou nesta sexta-feira (21) que foi comunicada pelo FIP Brasil Crédito sobre uma operação submetida à análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) que prevê a venda da totalidade das ações da Nova AVB S.A., controladora integral da Avibras Aeroco, para a Globe Investimentos S.A., empresa do Grupo J&F

A empresa ainda não confirmou a conclusão da operação. Segundo o comunicado, a transação depende da aprovação do CADE e do cumprimento dos demais procedimentos necessários para o fechamento.

A informação, no entanto, confirma que existe uma operação formal em andamento para transferir o controle da empresa para a J&F, grupo controlado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista. Porém, o valor da transação não foi divulgado.

A Avibras Aeroco Indústria Aeroespacial Ltda. (“Avibras Aeroco”) foi informada pelo Brasil Crédito Gestão Fundo de Investimentos em Participações Multiestratégia (“Fundo Brasil Crédito”) que uma transação foi submetida à análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). Caso seja aprovada e desde que sejam concluídos os trâmites necessários para o fechamento, a transação resultará na venda da totalidade das ações da Nova AVB S.A., controladora integral da Avibras Aeroco, para a Globe Investimentos S.A. (Globe), empresa do Grupo J&F.

A companhia manterá o mercado informado sobre eventuais desdobramentos da operação.

Jacareí, 21 de agosto de 2026.

A Avibras Aeroco Indústria Aeroespacial Ltda.


Uma mudança que vai além da estrutura societária

A possível aquisição ocorre poucos meses depois da Avibras retomar suas atividades industriais, após atravessar uma das crises mais graves de sua história.

A empresa entrou em recuperação judicial em março de 2022, com uma dívida estimada em cerca de R$ 600 milhões. A crise atingiu diretamente seus trabalhadores e a capacidade produtiva da companhia. Em setembro daquele ano, teve início uma greve que se prolongou por 1.281 dias e terminou somente neste ano, após um acordo envolvendo aproximadamente R$ 230 milhões em dívidas trabalhistas, com a produção foi retomada em maio de 2026.

É nesse ponto que a possível entrada da J&F ganha importância. O grupo não estaria assumindo uma empresa simplesmente em processo de recuperação, mas uma empresa que acabou de reconstruir sua capacidade industrial e começa novamente a operar.

O desafio de reconstruir uma empresa estratégica

A Avibras ocupa uma posição particular dentro da Base Industrial de Defesa brasileira. Ao longo de décadas, acumulou competências em engenharia, foguetes, mísseis, sistemas de artilharia e integração de sistemas, tornando-se uma das empresas nacionais com maior conhecimento acumulado no desenvolvimento de sistemas de defesa de alta complexidade.

O principal patrimônio da companhia, nesse sentido, não está apenas em suas instalações ou equipamentos. Está também na engenharia, nos profissionais especializados, nos processos industriais e no conhecimento tecnológico acumulado ao longo de décadas. É justamente esse patrimônio que precisa ser preservado durante o processo de recuperação.

A entrada de um grupo empresarial de grande capacidade financeira pode criar condições para isso, mas dinheiro, isoladamente, não resolve o problema. Uma empresa de defesa precisa de contratos, previsibilidade de demanda, investimentos em pesquisa e desenvolvimento e uma estratégia industrial de longo prazo.

No caso da Avibras, essa equação é ainda mais importante porque seus principais produtos dependem de ciclos de desenvolvimento e aquisição que não podem ser tratados como negócios convencionais de curto prazo.

O papel do Estado será determinante

A possível mudança de controle também ocorre no momento de aproximação entre a empresa e o governo brasileiro.

Em julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou a unidade da Avibras Aeroco em Jacareí, já durante o processo de retomada industrial. A presença do presidente demonstrou o peso político e estratégico atribuído à recuperação da companhia.

Mas a experiência recente da própria Avibras mostra que apoio institucional precisa ser acompanhado por previsibilidade e execução. A empresa passou anos enfrentando dificuldades financeiras enquanto programas importantes para sua capacidade produtiva dependiam de decisões orçamentárias e de contratos capazes de sustentar a continuidade industrial.

Essa é uma das questões que estarão no centro da nova fase: a capacidade de transformar a recuperação societária e financeira em uma recuperação industrial sustentável. Para isso, será necessário combinar capital privado, encomendas governamentais, continuidade dos programas estratégicos e investimentos em novas tecnologias.

Uma nova oportunidade, mas sem garantias

A operação ainda precisa cumprir as etapas regulatórias e não significa neste momento que a J&F já tenha assumido a Avibras. Mas, sendo concluída esta fase regulatória, representará uma mudança significativa na estrutura de controle da empresa.

Para a Avibras, pode ser uma oportunidade de deixar definitivamente para trás o ciclo de recuperação judicial, paralisação e incerteza financeira, enquanto para o setor de defesa brasileiro o que importa será o resultado dessa mudança.

A entrada de um novo controlador só terá significado estratégico se for acompanhada pela recuperação efetiva da capacidade produtiva, pela manutenção do conhecimento tecnológico e pela retomada de projetos capazes de garantir à empresa uma posição sustentável no mercado de defesa nacional e internacional.

A Avibras chega a esse possível novo capítulo depois de recuperar sua produção, mas ainda precisa recuperar plenamente sua capacidade de desenvolvimento e crescimento. O desafio agora é transformar uma empresa que sobreviveu à crise em uma empresa capaz de voltar a crescer.

E esse processo dependerá tanto da estratégia da J&F quanto da capacidade do Estado brasileiro de oferecer à sua Base Industrial de Defesa aquilo que historicamente tem sido um dos seus maiores problemas: previsibilidade para investir, produzir e desenvolver tecnologia no longo prazo.


GBN Defense - A informação começa aqui

Continue Lendo...

U-MAV: novo veículo anfíbio da FNSS leva sistemas não tripulados ao desembarque

0 comentários

 

A FNSS apresentou durante o TEKNOFEST Mavi Vatan 2026, o "İ-ZAHA", também denominado U-MAV, um veículo anfíbio não tripulado desenvolvido para atuar justamente na fase mais vulnerável de uma operação de desembarque: o primeiro contato com a costa defendida.

Com cerca de oito toneladas, o veículo foi concebido para operar à frente dos veículos anfíbios tripulados ZAHA, já empregados pelas Forças turcas, dentro de um conceito de integração entre sistemas tripulados e não tripulados, conhecido como MUM-T. A proposta é simples em sua lógica operacional: colocar a plataforma não tripulada onde o risco é maior e manter os militares em posição mais protegida.

A apresentação ocorre no momento em que a sobrevivência das forças anfíbias passou a ser um desafio ainda maior. A disseminação de drones, sensores, minas, munições guiadas e sistemas anticarro aumentou a capacidade de uma força defensora de identificar e engajar uma formação de desembarque ainda antes que ela consiga consolidar uma cabeça de praia. Nesse cenário, retirar a tripulação da primeira plataforma a alcançar a praia pode representar uma mudança importante na forma de conduzir a operação.

Uma plataforma para abrir caminho

O "İ-ZAHA" foi projetado para realizar o primeiro contato com as defesas costeiras antes dos veículos tripulados. Sua função, porém, vai além de simplesmente chegar primeiro à praia. Pois sua arquitetura modular permite configurar o veículo para dez diferentes missões, incluindo apoio de fogo, desminagem, engenharia de combate, guerra eletrônica, reconhecimento, dissimulação, combate a drones, navegação e marcação de obstáculos, apoio logístico e evacuação de feridos.

Os módulos podem ser substituídos em aproximadamente 40 minutos segundo a FNSS, permitindo adaptar a plataforma ao perfil da missão. Além disso, diferentes configurações podem atuar simultaneamente na mesma operação, criando uma força distribuída em que cada veículo desempenha uma função específica.

A plataforma também foi concebida para permanecer útil depois do primeiro contato com a praia. Durante a aproximação dos ZAHA tripulados, uma variante de apoio de fogo pode fornecer cobertura, enquanto outras podem marcar obstáculos, realizar reconhecimento ou atuar contra drones.

Depois da conquista da cabeça de praia, os veículos podem continuar empregados em missões de vigilância, proteção contra drones, logística e evacuação de baixas. A FNSS prevê, inclusive, capacidade para transportar aproximadamente 400 kg de carga na configuração logística.

Do mar para a terra

O İ-ZAHA combina capacidade anfíbia com mobilidade terrestre. Segundo a FNSS, o veículo alcança 7 nós na água e 70 km/h em terra, utilizando um conjunto propulsor de 300 hp para um peso de combate de aproximadamente oito toneladas.

Essa característica permite que o veículo realize a transição do mar para a terra sem interromper sua progressão, algo essencial em operações de desembarque, na qual a passagem entre os dois ambientes representa uma das fases de maior exposição.

A plataforma pode ser empregada de forma remota e também incorpora recursos para operação autônoma, permitindo que o nível de intervenção humana seja ajustado de acordo com a situação operacional. A FNSS também destaca a possibilidade de emprego coordenado de múltiplas unidades.

A lógica por trás do projeto

O conceito do İ-ZAHA parte de uma constatação que ganhou força nos conflitos recentes: uma operação anfíbia tradicional concentra grande quantidade de pessoas e equipamentos em uma área previsível, justamente quando a força atacante ainda não estabeleceu controle sobre a costa.

Minas, obstáculos, armas anticarro, drones e sistemas de observação podem ser empregados para canalizar o avanço e criar zonas de engajamento. Ao inserir veículos não tripulados antes da chegada da força tripulada, o atacante passa a ter a possibilidade de realizar algumas dessas tarefas sem expor imediatamente seus operadores.

A FNSS aproveitou a experiência adquirida com o desenvolvimento do ZAHA tripulado para criar a nova plataforma. Segundo o CEO da empresa, Selim Baybaş, a ideia de desenvolver uma versão não tripulada surgiu aproximadamente seis meses antes da apresentação, com a empresa recorrendo a equipamentos e subsistemas já testados em outros programas para acelerar o desenvolvimento.

Esse aspecto é relevante porque demonstra uma estratégia diferente da criação de um sistema completamente novo a partir do zero. A indústria turca está procurando transformar tecnologias já maduras em novas capacidades, reduzindo o tempo entre o desenvolvimento e a disponibilidade operacional.

Uma nova camada para a guerra anfíbia

O İ-ZAHA ainda precisa avançar em seu processo de desenvolvimento e demonstração operacional, mas seu conceito aponta para uma tendência que começa a ganhar espaço nas forças armadas: a substituição da primeira exposição humana por plataformas não tripuladas.

No caso turco, essa mudança está sendo construída em torno de uma arquitetura que mantém os veículos tripulados no centro da operação, mas utiliza sistemas autônomos e remotamente controlados para ampliar sua capacidade de sobrevivência e reduzir os riscos da aproximação.

O resultado é uma força anfíbia mais distribuída, na qual os veículos não tripulados podem assumir tarefas de reconhecimento, abertura de passagem, apoio de fogo, guerra eletrônica, proteção contra drones e logística, enquanto os veículos tripulados avançam para consolidar a cabeça de praia.

Mais do que um novo veículo anfíbio, o İ-ZAHA representa uma tentativa de adaptar o desembarque às condições de um campo de batalha no qual a vantagem não está apenas em chegar primeiro à costa, mas em sobreviver ao contato inicial e manter o ritmo da operação.

A experiência da Türkiye nesse campo merece atenção justamente por combinar uma plataforma já operacional, o ZAHA, com uma nova camada não tripulada desenvolvida para trabalhar ao seu lado. É uma abordagem que pode antecipar como as futuras operações anfíbias serão conduzidas: com homens ainda presentes na primeira onda, mas cada vez mais protegidos por máquinas enviadas à frente para assumir as missões de maior risco.


GBN Defense - A informação começa aqui

Continue Lendo...

Após deixar o estaleiro, "Jerônimo de Albuquerque" inicia a primeira fase de suas provas de mar

0 comentários

 

A Fragata "Jerônimo de Albuquerque" (F201), segundo navio do Programa Fragata Classe Tamandaré (PFCT), iniciou no último dia 12 de agosto uma nova e importante etapa de sua preparação para a entrega à Marinha do Brasil. Construído pela TKMS Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí (SC), o navio deixou o estaleiro para realizar sua primeira fase de Provas de Mar.

A saída da "Jerônimo de Albuquerque" representa um avanço importante no cronograma do programa. Depois das etapas de construção, lançamento e preparação, a fragata passa agora a ser submetida a testes em condições reais de operação, permitindo avaliar o comportamento da plataforma e o funcionamento de seus principais sistemas antes das fases seguintes de comissionamento.

Ao longo dos próximos dias, equipes de engenharia da TKMS, trabalhando em conjunto com a tripulação da Marinha do Brasil, deverão avaliar a manobrabilidade e o desempenho da fragata, além dos sistemas de navegação, comunicações e proteção.

Essa primeira fase é fundamental para verificar se a plataforma responde conforme o previsto em projeto e para identificar eventuais ajustes necessários antes do avanço para testes mais complexos.

O caminho até a capacidade operacional

Concluídas as provas iniciais, a "Jerônimo de Albuquerque" retornará ao estaleiro para a preparação da nova etapa: os testes e a integração do sistema de combate.

É nesse processo que uma fragata moderna começa efetivamente a demonstrar o conjunto de capacidades que justificam sua classificação como um navio de combate. Mais do que testar equipamentos individualmente, será necessário verificar a integração entre sensores, sistemas de comando e controle, comunicações e os diferentes recursos embarcados.

A capacidade de reunir informações, identificar ameaças e transformar esses dados em uma resposta coordenada é um dos elementos centrais da operação de uma fragata moderna. Por isso, a integração e a validação do sistema de combate representam uma das fases mais importantes e complexas de todo o processo de construção e comissionamento.

"Jerônimo de Albuquerque" segue, assim, os passos da Fragata "Tamandaré" (F200), primeira unidade da classe, cuja construção marcou o início da renovação da capacidade de escolta da Marinha do Brasil.

O programa ganha ritmo

A entrada da segunda fragata nas provas de mar também evidencia a evolução do próprio processo industrial estabelecido em Itajaí. A experiência acumulada com a construção da primeira fragata permite que o programa avance simultaneamente em diferentes etapas, com navios em construção, integração e testes.

Além da F200 "Tamandaré" e da F201 "Jerônimo de Albuquerque", o primeiro lote é composto pelas fragatas F202 "Cunha Moreira", já lançada ao mar, e a F203 "Mariz e Barros", que teve a construção iniciada.

O Programa Fragata Classe Tamandaré representa um marco para a indústria naval de defesa brasileira, sobretudo para o processo de renovação da Esquadra. As novas fragatas incorporam uma geração de navios significativamente mais modernos, preparados para operar no ambiente naval contemporâneo caracterizado pela crescente integração entre sensores, sistemas digitais, comunicações e diferentes tipos de armamentos.

Mas o avanço da "Jerônimo de Albuquerque" também reforça uma questão que o GBN Defense vem acompanhando de forma recorrente: a renovação da capacidade naval brasileira não pode depender de iniciativas isoladas. A entrega das quatro fragatas será um passo importante, mas a manutenção de uma Esquadra compatível com as responsabilidades do Brasil no Atlântico Sul exigirá continuidade, planejamento e principalmente, previsibilidade de recursos.

Por enquanto, a "Jerônimo de Albuquerque" cumpre mais uma etapa de seu próprio caminho até a incorporação. A partir de agora, as provas no mar permitirão avaliar, fora do ambiente controlado do estaleiro, o desempenho de uma plataforma que em breve deverá se somar à nova geração de meios de superfície da Marinha do Brasil.


GBN Defense - A informação começa aqui

Continue Lendo...
 

GBN Defense - A informação começa aqui Copyright © 2012 Template Designed by BTDesigner · Powered by Blogger