terça-feira, 6 de outubro de 2026

Iêmen lança ofensiva para retomar Bab el-Mandeb e amplia pressão sobre os houthis

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O governo internacionalmente reconhecido do Iêmen iniciou uma nova ofensiva militar contra os houthis com o objetivo de recuperar territórios sob controle do movimento e restabelecer a autoridade do Estado. Batizada de “Fajr al-Yemen” ou “Dawn of Yemen”, a operação foi anunciada em 5 de outubro pelo presidente do Conselho de Liderança Presidencial, Rashad al-Alimi, um dia depois do governo determinar o início das operações militares em todo o país. Entre os principais objetivos declarados estão a retomada das instituições estatais e da capital, Sanaa.

A primeira fase da ofensiva concentrou-se no oeste da província de Taiz, junto ao Estreito de Bab el-Mandeb. Forças das Brigadas dos Gigantes e das Forças Escudo da Nação, apoiadas pela Resistência Popular, anunciaram a tomada do distrito de Dhubab e de posições estratégicas nas proximidades do estreito. Segundo o governo, as forças também assumiram o controle do aeroporto de Dhubab e interromperam a ligação terrestre entre Dhubab e Mocha, atingindo uma importante rota de suprimento. A informação foi divulgada pela agência estatal Saba e posteriormente reportada por veículos internacionais, enquanto fontes houthis contestaram os avanços.

A importância da operação ultrapassa o território iemenita. Bab el-Mandeb conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e constitui uma passagem estratégica para o transporte marítimo entre o Oceano Índico, o Oriente Médio e o Mediterrâneo. A ONU já havia alertado em setembro para a intensificação dos combates na costa oeste e para o avanço dos houthis em direção ao estreito, embora o tráfego comercial ainda não tivesse sido interrompido naquele momento.

A Arábia Saudita participa diretamente da operação por meio do apoio à força governamental iemenita. O comando da coalizão afirmou em 4 de outubro que mantinha suporte operacional completo às Forças Armadas do Iêmen e no dia seguinte, informou que suas aeronaves forneciam cobertura às tropas terrestres. O envolvimento saudita também ganhou dimensão naval: em 6 de outubro, a coalizão anunciou uma operação na província de Al-Hudaydah contra instalações que, segundo sua avaliação, estavam associadas a ataques contra as rotas marítimas do sul do Mar Vermelho.

Segundo o comando da coalizão, a operação naval destruiu depósitos de armas, instalações destinadas ao armazenamento de embarcações carregadas de explosivos e minas navais. Riad afirmou que a ação tinha como objetivo impedir ataques iminentes contra as vias marítimas e proteger a navegação em Bab el-Mandeb. No mesmo dia, a coalizão informou também ter destruído uma plataforma de lançamento de mísseis balísticos em Sanaa e uma instalação de armazenamento em Saada que, segundo a versão saudita, continha 20 mísseis.

A ofensiva terrestre vem sendo acompanhada por ataques contra a infraestrutura militar Houthi em diferentes frentes. O porta-voz das Forças Armadas iemenitas, coronel Majed Abdullah al-Nuzaili, afirmou em 5 de outubro que as forças governamentais haviam realizado 1.122 operações de ataque contra posições de artilharia e lançadores de foguetes, fortificações, linhas de suprimento, reforços e centros de comando e controle em Saada, Al-Jawf, Taiz e na costa oeste. Segundo a própria avaliação militar iemenita, 1.747 integrantes Houthis foram “neutralizados” e 364 veículos, equipamentos e meios de transporte ou apoio logístico foram destruídos ou inutilizados.

Esses números, porém, devem ser tratados como uma alegação oficial das forças governamentais, e não como perdas independentemente verificadas. Não há, até o momento, confirmação pública equivalente por parte dos Houthis ou de uma fonte independente capaz de validar integralmente a dimensão das perdas anunciadas.

A operação também amplia a pressão sobre uma estrutura militar que combina controle territorial com capacidade de ataque à distância. Os Houthis empregam mísseis e aeronaves não tripuladas contra alvos no Iêmen e na Arábia Saudita e, segundo autoridades sauditas, têm ameaçado embarcações no sul do Mar Vermelho e em Bab el-Mandeb. O governo saudita afirmou que essas ações representam uma ameaça à liberdade de navegação e ao comércio internacional.

A dimensão marítima tornou-se particularmente relevante porque o controle das áreas costeiras permite aos Houthis pressionar as rotas que ligam Bab el-Mandeb ao litoral do Mar Vermelho. A resposta da coalizão, por sua vez, passou a combinar apoio aéreo às forças terrestres com ações navais contra depósitos de armas, minas e embarcações explosivas. O conflito, portanto, deixou de ser apenas uma disputa por território e voltou a envolver diretamente a segurança de uma das principais passagens marítimas da região.

A ofensiva ocorre após meses de deterioração da situação militar. Em setembro, a ONU registrou avanço Houthi na direção de Bab el-Mandeb e o início de uma contraofensiva governamental em várias frentes. A nova operação marca uma ruptura ainda maior com o período de relativa redução da violência iniciado pelo cessar-fogo de 2022, recolocando o controle territorial e marítimo no centro da disputa.

O resultado imediato da ofensiva ainda não permite afirmar que o governo tenha consolidado o controle de todo o estreito. A tomada de Dhubab e de posições estratégicas ao redor de Bab el-Mandeb representa um avanço relevante, mas a situação permanece dinâmica e as forças houthis continuam capazes de realizar ataques com mísseis e drones. A própria necessidade de operações navais e de ataques contra infraestrutura de lançamento demonstra que o controle territorial não elimina automaticamente a capacidade de ameaça à navegação.

Análise do Nicolaci

A ofensiva “Dawn of Yemen” recoloca Bab el-Mandeb no centro estratégico da guerra do Iêmen. A combinação entre avanço terrestre, apoio aéreo saudita e operações navais contra minas, embarcações explosivas e depósitos de armas indica que o objetivo vai além da recuperação de território: trata-se de reduzir a capacidade Houthi de transformar a costa iemenita em plataforma de pressão sobre o tráfego marítimo comercial.

Para o governo de Sana’a, a retomada de Dhubab e das posições próximas ao estreito representa uma tentativa de recuperar profundidade estratégica e limitar a liberdade de ação houthi no litoral. Para a Arábia Saudita, a operação também responde diretamente à ameaça contra seu território e suas linhas marítimas. O ponto decisivo, contudo, será a capacidade de manter essas posições e impedir que os houthis recomponham suas forças e preservem capacidade de ataque à distância. Bab el-Mandeb continuará sendo, portanto, um dos principais indicadores da evolução militar do conflito e da segurança marítima no Mar Vermelho.


Por Angelo Nicolaci


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Shturm: Rússia leva ao exercício "Tsentr-2026" um novo conceito de carro de combate

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A Rússia apresentou durante o exercício estratégico Tsentr-2026 o sistema pesado robotizado de assalto Shturm, desenvolvido pela Uralvagonzavod sobre o chassi da família T-72. A demonstração ocorreu em 2 de outubro, no campo de treinamento de Chebarkul, na região de Chelyabinsk, integrando a plataforma remotamente controlada às operações de assalto do exercício. A Rostec apresentou o Shturm ao lado dos carros de combate T-90M Proryv, da viatura robotizada de apoio Spiridon e de outros sistemas não tripulados.

O programa, porém, antecede a guerra na Ucrânia. O desenvolvimento começou no final da década de 2010 e, em 2021, o Ministério da Defesa russo contratou a construção de um protótipo baseado no T-72B3. O projeto previa uma família de plataformas com diferentes configurações de armamento e uma viatura de comando para controlar os sistemas.

A utilização do T-72 reduz riscos tecnológicos e logísticos. A Rússia dispõe de grande quantidade desses chassis, além de cadeia industrial, infraestrutura de manutenção e pessoal familiarizado com a plataforma. A opção permite transformar uma arquitetura existente em um sistema robotizado sem desenvolver um novo veículo desde a origem.

O Shturm apresentado durante o Tsentr-2026 emprega um canhão de 125 mm de tubo encurtado, identificado em fontes abertas como D-414. A configuração foi concebida para operações em áreas urbanizadas, nas quais o comprimento do armamento pode limitar a movimentação entre edificações e obstáculos. O projeto também prevê outras variantes, incluindo plataformas equipadas com armamento automático e sistemas de apoio de fogo.

Sua função não é substituir diretamente o carro de combate principal. O conceito está voltado a missões de assalto em ambientes de elevado risco, como áreas urbanas e posições fortificadas, nas quais a plataforma pode fornecer fogo direto e remover obstáculos sem expor uma guarnição no ponto mais vulnerável. A lâmina frontal incorporada ao veículo reforça essa característica.

Embora classificado como robotizado, o Shturm não é um sistema autônomo. A plataforma é operada remotamente por militares posicionados em uma viatura de comando. Essa arquitetura retira a tripulação do veículo empregado na área de maior exposição, mas cria outra dependência crítica: o enlace de comando e controle.

Em combate, a capacidade de manter a comunicação com a plataforma passa a ser tão importante quanto sua proteção e armamento. Interferência eletromagnética, perda do enlace ou degradação dos sensores podem comprometer a operação. Fontes abertas associadas ao programa indicam alcance de controle de aproximadamente três quilômetros, mas os parâmetros do sistema empregado no Tsentr-2026, incluindo resistência à guerra eletrônica, não foram divulgados oficialmente.

A demonstração russa também deve ser analisada dentro do próprio cenário do exercício. Segundo o Ministério da Defesa russo, o Tsentr-2026 empregou aeronaves não tripuladas, sistemas terrestres robotizados, guerra eletrônica, defesa antiaérea, armas de precisão e tropas de assalto. Na fase realizada em Chebarkul, participaram cerca de 6 mil militares, aproximadamente 700 unidades de equipamentos e mais de 600 aeronaves não tripuladas, além de dezenas de sistemas terrestres robotizados.

Nesse contexto, o Shturm representa uma tentativa de integrar plataformas pesadas não tripuladas ao mesmo ambiente operacional dos carros de combate, infantaria, artilharia e drones. A experiência da guerra na Ucrânia aumentou a exposição das plataformas convencionais a drones FPV, minas, sensores e sistemas anticarro, tornando a sobrevivência da tripulação um dos fatores centrais na evolução dos veículos de combate.

A apresentação conjunta com o Spiridon amplia essa lógica. Em vez de simplesmente retirar a tripulação de um carro de combate convencional, a Rússia trabalha com uma família de plataformas especializadas, capazes de assumir diferentes funções dentro da força de assalto. O conceito aproxima a robotização terrestre de uma arquitetura de combate combinada, na qual sistemas tripulados e não tripulados atuam de forma complementar.

Ainda existem, contudo, questões relevantes sem resposta. A possibilidade de uma variante equipada com canhão de 152 mm é mencionada desde as primeiras fases do programa, mas não há confirmação oficial de que essa configuração esteja operacional ou tenha participado do Tsentr-2026. Da mesma forma, a demonstração do sistema não significa, por si só, entrada em produção seriada ou adoção em larga escala. Não foram divulgados publicamente números de unidades produzidas, cronograma de fabricação ou quantidade destinada às forças russas.

O Shturm deve ser observado, portanto, como um experimento de emprego de plataformas pesadas robotizadas em tarefas nas quais a exposição da tripulação é particularmente elevada. Seu desempenho real dependerá não apenas do armamento e da proteção, mas da capacidade de manter sensores, comunicações, mobilidade e controle sob guerra eletrônica e fogo inimigo.

Mais do que indicar o desaparecimento do carro de combate convencional, o programa aponta para uma possível mudança na composição das forças blindadas. Plataformas tripuladas continuarão desempenhando funções nas quais autonomia, consciência situacional e capacidade de decisão imediata são fundamentais, enquanto sistemas robotizados poderão assumir missões específicas de maior risco. O desafio será integrar essas capacidades sem transformar o enlace de comando e controle no novo ponto crítico da força.


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Tiberius anuncia acordo de US$ 500 milhões para o Sceptre

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A Tiberius Aerospace anunciou, em 1º de outubro de 2026, um acordo de colaboração tecnológica avaliado em US$ 500 milhões para fabricação, licenciamento e distribuição do Sceptre, munição guiada de 155 mm equipada com propulsão ramjet a combustível líquido. Segundo a empresa, a iniciativa envolve parceiros tecnológicos do Reino Unido e representa a primeira aplicação em escala de seu modelo Defense-as-a-Service.

O valor anunciado não corresponde, até o momento, a uma encomenda governamental identificada. A Tiberius não revelou os parceiros envolvidos, volumes de produção, cronograma de fabricação ou potenciais usuários militares. A cooperação será estruturada por meio de um Technical Assistance Agreement submetido ao regime norte-americano ITAR.

O Sceptre foi desenvolvido para emprego em sistemas de artilharia de 155 mm compatíveis com o padrão OTAN. A Tiberius declara alcance superior a 140 km e velocidade acima de Mach 3, com navegação inercial e GPS, além de superfícies de controle destinadas à correção da trajetória.

O elemento central do projeto é o ramjet, que utiliza o ar atmosférico durante o voo para sustentar a combustão e prolongar a fase propulsada. Segundo a fabricante, o sistema foi concebido para ser empregado por obuseiros 155 mm existentes sem alterações no sistema de lançamento, utilizando combustíveis líquidos comercialmente disponíveis.

Em abril de 2026, a empresa realizou no Novo México um ensaio de lançamento a partir de um obuseiro 155 mm padrão OTAN. Segundo os dados divulgados pela Tiberius, o projétil suportou aproximadamente 18.000 g durante o disparo, iniciou a operação do ramjet em voo e apresentou estabilidade aerodinâmica e funcionamento dos sistemas de controle.

O ensaio demonstrou a viabilidade de integração do conceito com uma plataforma de artilharia existente, mas não representa, por si só, a conclusão do programa. A própria Tiberius indicou a necessidade de novas campanhas de testes para avançar na validação e certificação. Dessa forma, alcance superior a 140 km, velocidade acima de Mach 3 e demais parâmetros permanecem como características declaradas do projeto, sem demonstração pública completa desses desempenhos em condições operacionais.

O desenvolvimento também possui participação britânica. Em setembro de 2025, a Tiberius anunciou um contrato com o Ministério da Defesa do Reino Unido para testes e aceleração do desenvolvimento do Sceptre. A empresa informou ainda a participação da Defense Innovation Unit (DIU), dos Estados Unidos, na verificação e validação independente dos ensaios.

O novo acordo prevê um modelo de licenciamento para fabricantes autorizados em países aliados. A Tiberius pretende utilizar sua plataforma GRAIL para coordenar requisitos técnicos, engenharia, fornecedores, conformidade regulatória e produção.

Apresentado publicamente em maio de 2025, o Sceptre permanece em desenvolvimento. A Tiberius ainda não divulgou quais países poderão operar o sistema, quantas munições estarão associadas ao acordo de US$ 500 milhões ou quando terá início a produção em escala.

O projeto, caso alcance os parâmetros anunciados e seja certificado, representa uma tentativa de ampliar significativamente o alcance da artilharia de 155 mm sem exigir a substituição imediata dos sistemas lançadores. O ponto decisivo, entretanto, será a transição do demonstrador tecnológico para uma munição qualificada, produzida em escala e integrada efetivamente às cadeias logísticas e operacionais dos usuários.


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Submarino "Le Vigilant" Valida com Sucesso o Novo Míssil Balístico M51.3

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A França realizou nesta terça-feira (6), ao largo do Finistère, na Bretanha, o primeiro tiro de aceitação do míssil balístico estratégico M51.3 a partir do submarino nuclear lançador de mísseis balísticos (SNLE) Le Vigilant, da classe Le Triomphant. O lançamento, realizado sem carga nuclear, integrou a "Operação Smertrios" e teve como objetivo verificar a capacidade do submarino de operar novamente o sistema M51 após seu período de manutenção e reparos.

O lançamento foi acompanhado pelo presidente francês Emmanuel Macron, que observou a atividade a partir de uma fragata da Marine nationale. A presença do chefe de Estado ocorreu durante uma demonstração diretamente relacionada à componente oceânica da dissuasão nuclear francesa, cuja operação depende da disponibilidade permanente dos SNLE.

O ensaio foi conduzido pela Marine nationale em coordenação com a Direction générale de l’armement (DGA). O voo do míssil foi acompanhado pelos meios de ensaio da DGA Essais de missiles, incluindo o navio "Monge", responsável pela instrumentação e coleta dos dados necessários à avaliação do disparo. A área de queda estava localizada no Atlântico Norte, a várias centenas de quilômetros da costa.

O M51.3 já está em serviço operacional desde 24 de outubro de 2025. Por isso, o lançamento desta terça-feira não correspondeu a um teste de desenvolvimento da versão, mas à aceitação do sistema integrado ao Le Vigilant após seu ciclo de manutenção. O objetivo foi verificar o funcionamento do conjunto formado pelo submarino, sistema de lançamento e míssil em condições operacionais.

Terceira versão da família M51, o M51.3 incorpora a nova geração de têtes nucléaires océaniques (TNO-2) e melhorias destinadas a ampliar o alcance, a precisão e a capacidade de superar sistemas de defesa antimíssil. O primeiro tiro de qualificação ocorreu em 18 de novembro de 2023, em Biscarrosse, durante a campanha de desenvolvimento da versão.

A componente oceânica da dissuasão francesa é formada por quatro SNLE da classe Le Triomphant, cada um equipado com 16 tubos de lançamento. A manutenção dessa capacidade exige a alternância entre patrulhas, preparação e períodos de manutenção, permitindo que a França mantenha permanentemente um submarino em condições de patrulha estratégica.

O Le Vigilant retorna agora a esse ciclo após período de manutenção com a realização do tiro de aceitação do M51.3. O procedimento permite verificar, antes da retomada plena de sua atividade operacional, a integração entre o submarino e o sistema de armas.

Enquanto o M51.3 entra no ciclo de emprego operacional, a França já prepara sua próxima evolução. Em agosto de 2025, a DGA contratou a ArianeGroup para desenvolver e produzir o M51.4. A nova versão deverá equipar os atuais SNLE da classe Le Triomphant e, posteriormente, os submarinos nucleares lançadores de mísseis balísticos de terceira geração.

O desenvolvimento simultâneo de novas versões permite à França atualizar progressivamente sua capacidade estratégica sem interromper a operação da frota existente. O M51.3 representa a geração atualmente operacional, enquanto o M51.4 estabelece a próxima etapa tecnológica do sistema.

Para Macron, o lançamento também se insere na política de preservação da credibilidade da dissuasão francesa. O presidente voltou a tratar do tema durante sua visita à base de Île Longue, em março de 2026, quando destacou a importância da componente oceânica e da modernização dos sistemas estratégicos franceses.

O tiro realizado pelo Le Vigilant fecha, assim, o ciclo de retorno do submarino após sua manutenção e confirma sua capacidade de operar o M51.3. Ao mesmo tempo, a França já trabalha na próxima geração do sistema, mantendo em paralelo a disponibilidade operacional dos SNLE e a evolução tecnológica de sua dissuasão nuclear.


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Modirum GESPI apresenta solução modular para estações de carregamento de munições

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A Modirum GESPI apresentou uma nova solução turn-key destinada à instalação de estações de carregamento de munições, ampliando seu portfólio de capacidades voltadas à indústria de Defesa. A proposta combina engenharia industrial, automação e uma arquitetura modular para estruturar linhas de produção com maior flexibilidade de expansão e operação.

Segundo a empresa, a solução foi desenvolvida por uma equipe com experiência em produção de munições, engenharia industrial, automação e operações críticas de segurança. O conceito busca reunir esses conhecimentos em uma estrutura integrada, na qual os diferentes postos de trabalho possam operar de maneira independente.

A arquitetura proposta utiliza estações modulares de carregamento. Cada posto é concebido para funcionar de forma autônoma em relação aos demais, reduzindo a necessidade de movimentação interna de materiais e limitando o impacto de eventuais interrupções em uma estação específica sobre o restante do processo produtivo.

A empresa também destaca a possibilidade de expansão gradual da capacidade. O conceito permite que novas estações sejam incorporadas conforme a necessidade do fabricante, criando uma estrutura de produção escalável sem exigir, necessariamente, a ampliação integral da linha existente.

A solução é apresentada pela Modirum GESPI como uma alternativa turn-key, ou seja, concebida para fornecer ao cliente uma estrutura integrada de engenharia e implantação, em vez de apenas equipamentos isolados. O objetivo declarado é oferecer uma solução adaptável às necessidades de diferentes instalações e processos industriais.

A iniciativa está inserida na estratégia da empresa de ampliar sua atuação no segmento de munições. Atualmente, a Modirum GESPI apresenta em seu portfólio munições e componentes para artilharia de 155 mm, foguetes de 70 mm, bombas aéreas, espoletas e outros produtos relacionados ao setor.

A empresa também possui classificação industrial para atividades relacionadas à fabricação, carregamento e montagem de munições para equipamento bélico pesado, além da fabricação de componentes e outros equipamentos militares.

A proposta apresentada ganha relevância em um cenário no qual a capacidade industrial de produção e reposição de munições passou a receber maior atenção dentro das políticas de defesa de diferentes países. Para fabricantes, a possibilidade de ampliar a produção de forma modular pode ser empregada tanto na expansão de uma unidade existente quanto na estruturação de novas capacidades industriais.

A Modirum GESPI tem sede em São José dos Campos (SP) e integra a Base Industrial de Defesa brasileira, com atuação declarada em sistemas de munições, sistemas navais, sistemas aéreos, comando e controle, comunicações e sistemas de energia. A empresa também mantém operações internacionais e vem ampliando seu portfólio por meio de investimentos e aquisições no setor de tecnologia de Defesa.

A nova solução passa, assim, a integrar o conjunto de capacidades industriais apresentado pela empresa para o mercado de Defesa, com foco na implantação de estruturas de carregamento de munições que possam ser adaptadas às necessidades de capacidade, continuidade operacional e expansão da produção.


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Depois da Ucrânia: MMBT ou MBT, qual carro de combate o Brasil realmente precisa?

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No último dia 5 de outubro, o GBN Defense publicou uma análise sobre uma das conclusões mais distorcidas produzidas pela guerra na Ucrânia: a ideia de que drones, munições vagantes, mísseis anticarro e sensores distribuídos teriam tornado o carro de combate obsoleto. A experiência acumulada no conflito aponta para outra direção. O carro de combate continua desempenhando funções que não foram substituídas, mas deixou de poder ser pensado como uma plataforma autônoma, protegida apenas por sua blindagem e pelo alcance de seu armamento. A discussão seguinte é inevitável: se o carro de combate continua necessário, qual tipo de carro de combate o Brasil precisa? É nesse ponto que a comparação entre MMBT e MBT deixa de ser uma disputa de categorias e passa a ser uma discussão sobre o desenho da própria força blindada brasileira.

Essa discussão não é meramente conceitual. Um estudo publicado na Revista Doutrina Militar Terrestre em 2025, produzido no âmbito do debate relacionado ao Programa Estratégico Forças Blindadas, compara as possibilidades representadas pelos Main Battle Tanks (MBT) e pelos chamados Medium Main Battle Tanks (MMBT) a partir de fatores operacionais, logísticos e estratégicos. A importância do estudo está justamente em deslocar a discussão do campo das preferências por determinado modelo para uma análise de capacidades. Massa, poder de fogo, proteção, mobilidade, logística, transporte, infraestrutura e capacidade de sustentação precisam ser analisados simultaneamente, porque o desempenho de uma plataforma depende das condições em que ela será empregada e sustentada.

A guerra da Ucrânia oferece uma quantidade excepcional de exemplos para testar essa discussão. O conflito colocou lado a lado carros de combate de diferentes gerações, massas, níveis de proteção e origens industriais. Leopard 1, Leopard 2, M1 Abrams, Challenger 2 e uma grande variedade de plataformas soviéticas e russas convivem com veículos modernizados, sistemas capturados e soluções improvisadas em um ambiente no qual drones, artilharia, minas, guerra eletrônica e sensores transformaram profundamente a maneira como essas plataformas são empregadas. O resultado não foi a demonstração de que uma categoria venceu definitivamente a outra, mas de que cada solução apresenta vantagens e limitações quando confrontada com as condições reais do campo de batalha.

A massa, portanto, não pode ser tratada como objetivo em si mesma. Um carro de combate mais pesado pode oferecer maior volume interno, maior margem para blindagem, sistemas de proteção mais sofisticados, maior capacidade elétrica e melhores possibilidades de crescimento ao longo de sua vida útil. Ao mesmo tempo, essa massa cobra seu preço em transporte estratégico, consumo, recuperação, pontes, estradas, ferrovias, manutenção e capacidade de deslocamento. A questão fundamental passa a ser quanto dessa capacidade adicional efetivamente se transforma em disponibilidade operacional e poder de combate dentro do teatro em que a força será empregada.

A experiência ucraniana ajuda a tornar essa equação concreta. O Leopard 1, fornecido por diferentes países europeus, é um exemplo particularmente interessante porque representa um MBT mais leve, com canhão de 105 mm e características muito diferentes das plataformas de 60 toneladas ou mais empregadas no conflito. A experiência de tripulações ucranianas mostra que a plataforma continua tendo utilidade quando empregada de acordo com suas características, especialmente pela mobilidade, facilidade de condução, qualidade dos sistemas de observação e possibilidade de atuar contra posições fortificadas e outros alvos adequados. Isso não transforma o Leopard 1 em substituto para um Leopard 2 ou um Abrams em todas as missões. O exemplo é relevante justamente porque demonstra que massa e capacidade de combate não são variáveis perfeitamente proporcionais.

O mesmo raciocínio pode ser observado no M-55S, modernização eslovena do antigo T-55. A plataforma recebeu canhão de 105 mm, blindagem reativa e novos sistemas de controle de tiro, e 28 unidades foram destinadas à Ucrânia em 2022. Em 2026, uma unidade ucraniana de manutenção recuperou um M-55S cujo sistema de controle de tiro havia apresentado problemas e devolveu o veículo ao serviço. O episódio é pequeno diante da dimensão da guerra, mas tecnicamente significativo: diante de um conflito prolongado, a capacidade de recuperar uma plataforma, obter peças, reparar seus sistemas e devolvê-la à linha de frente pode ser tão importante quanto suas especificações de catálogo. Ao mesmo tempo, o M-55S evidencia o limite dessa lógica. Modernizar uma plataforma antiga amplia sua utilidade, mas não transforma automaticamente seu nível de proteção, arquitetura e potencial de crescimento no equivalente ao de um MBT contemporâneo.

É justamente nesse ponto que a experiência com os carros de combate pesados utilizados pela Ucrânia acrescenta outra dimensão à análise. Leopard 2, M1 Abrams e Challenger 2 oferecem níveis de proteção, sensores, poder de fogo e potencial de modernização superiores aos de plataformas mais antigas e leves. Entretanto, a guerra também revelou o peso logístico dessas capacidades. O Abrams, por exemplo, possui elevada demanda de combustível e um sistema propulsor cuja manutenção exige estrutura especializada. O Leopard 2 apresenta boa proteção e sistemas modernos, mas também depende de uma cadeia logística e industrial capaz de sustentar peças, componentes, recuperação e reparação. A existência de uma plataforma tecnicamente superior não elimina o problema de mantê-la disponível.

A disponibilidade é, portanto, uma variável de combate. Uma força que possui determinado número de carros de combate no inventário, mas não consegue mantê-los abastecidos, recuperá-los, repará-los e recolocá-los em operação, não dispõe da mesma capacidade de uma força com quantidade menor de plataformas, mas com elevada disponibilidade. A guerra da Ucrânia tornou essa diferença especialmente evidente porque o desgaste não ocorre apenas por destruição direta. Componentes mecânicos, sistemas eletrônicos, ópticos, motores, transmissões e elementos de suspensão também são submetidos a um ritmo de utilização que exige uma estrutura permanente de manutenção.

Essa realidade é particularmente importante para o Brasil. O Leopard 1A5BR atualmente em processo de revitalização deve ser compreendido dentro dessa lógica. Ele é um MBT, sua massa relativamente baixa quando comparada a muitos carros de combate contemporâneos não altera sua classificação. O que ela demonstra é que o Exército Brasileiro já opera um MBT concebido em uma faixa de massa mais compatível com suas condições de infraestrutura, transporte, manutenção e emprego. A revitalização dessa frota, portanto, não significa que o Brasil tenha preservado o conceito de MBT leve, mas evidencia uma característica histórica da força blindada brasileira: a necessidade de conciliar capacidade de combate com as condições concretas do território nacional.

A revitalização do Leopard 1A5BR, iniciada na segunda metade de 2025, prevê a recuperação de 52 unidades ao longo de dez anos, com a expectativa de manutenção da capacidade operacional até aproximadamente 2040. Os primeiros dois veículos foram entregues em março de 2026, e a programação inicial previa cinco unidades revitalizadas ao longo de 2026. O trabalho envolve o Estado-Maior do Exército, o Comando Militar do Sul e o Comando Logístico, além das estruturas responsáveis pela manutenção e recuperação. O objetivo imediato não é resolver definitivamente o futuro da força blindada brasileira, mas evitar uma ruptura de capacidade enquanto as decisões de longo prazo são amadurecidas.

Há uma consequência importante nessa experiência. O Brasil não precisa perguntar se um MBT de 65 ou 70 toneladas é melhor, em termos absolutos, que um MMBT de aproximadamente 40 toneladas. A pergunta correta é quanto de capacidade adicional o modelo mais pesado entregaria e quanto custaria para transformar essa capacidade em disponibilidade operacional no ambiente brasileiro. Isso envolve pontes, estradas, ferrovias, viaturas de transporte, meios de recuperação, consumo de combustível, estoque de peças, oficinas, infraestrutura de manutenção e treinamento. O peso do carro de combate não termina na balança da fábrica; ele se projeta sobre toda a cadeia logística.

O estudo brasileiro sobre MMBT e MBT ganha relevância exatamente por isso. O MMBT não deve ser compreendido simplesmente como um “MBT menor”. O conceito procura estabelecer um compromisso deliberado entre poder de fogo, proteção e mobilidade, buscando reduzir determinadas penalidades associadas à massa sem abandonar a capacidade de enfrentar ameaças blindadas e apoiar a infantaria. É uma proposta de projeto própria, e não apenas uma classificação baseada no peso do veículo.

A guerra da Ucrânia, entretanto, não oferece um MMBT moderno e padronizado que possa ser apresentado como vencedor dessa equação. O conflito oferece algo mais útil: experiências reais com plataformas leves, médias, pesadas, modernizadas e improvisadas. O Leopard 1 mostra como um MBT de menor massa pode continuar relevante quando empregado de acordo com suas capacidades. O M-55S mostra o potencial e os limites da modernização. O Leopard 2, o Abrams e o Challenger 2 mostram o ganho proporcionado por plataformas mais protegidas e com maior margem tecnológica, mas também expõem o custo de sustentação. A conclusão não é escolher um deles como paradigma universal, mas compreender o compromisso que cada solução exige.

Esse compromisso aparece também quando se observa a experiência ucraniana em operações ofensivas. A análise do Exército dos Estados Unidos sobre a ofensiva ucraniana de 2023, particularmente no eixo Orikhiv–Tokmak, registrou a perda de centenas de veículos durante as operações de ruptura. O problema não esteve simplesmente na existência ou inexistência de blindagem. Minas, obstáculos, posições defensivas, artilharia, observação permanente e dificuldades de sincronização entre engenharia, infantaria, blindados e fogos transformaram a ruptura de uma linha defensiva em uma operação de grande complexidade. Em determinado momento, a engenharia passou a ser tão determinante quanto o próprio número de carros de combate disponíveis.

Isso ajuda a recolocar o carro de combate dentro da estrutura correta. Uma força blindada não é formada apenas pelos veículos que aparecem nas imagens de uma operação. Ela depende de engenharia de combate, recuperação, transporte, comunicações, inteligência, vigilância, guerra eletrônica, defesa antiaérea, artilharia, infantaria mecanizada e logística. O carro de combate precisa operar junto dessas capacidades para que sua proteção e seu poder de fogo possam produzir efeito.

O Programa Estratégico Forças Blindadas do Exército Brasileiro segue justamente uma lógica mais ampla. Seu escopo não se limita à aquisição de um determinado carro de combate, mas envolve viaturas sobre rodas e lagartas, sistemas e subsistemas, comando e controle, modernização e transformação da capacidade blindada. Isso é particularmente importante porque uma eventual decisão sobre MMBT ou MBT terá consequências sobre toda a estrutura que acompanha o veículo.

A experiência brasileira com o Leopard 1A5BR também demonstra a importância da nacionalização e da capacidade de manutenção. A atuação de estruturas como o Parque Regional de Manutenção da 3ª Região Militar e o emprego de engenheiros e especialistas, inclusive com participação do Instituto Militar de Engenharia no desenvolvimento de soluções e componentes, permitem recuperar capacidades que poderiam depender exclusivamente de fornecedores externos. Em uma guerra prolongada, essa autonomia relativa pode ser tão importante quanto a especificação original do veículo.

A diferença entre ter veículos e ter capacidade operacional torna-se ainda mais evidente quando se observa o problema pelo quarto escalão de manutenção. Recuperar um carro de combate avariado, fabricar ou nacionalizar determinado componente, reconstruir sistemas e devolver a plataforma ao serviço reduz a necessidade de reposição imediata por um veículo novo. Essa capacidade prolonga a vida útil da frota e, sobretudo, aumenta a quantidade efetivamente disponível para emprego. É uma variável que precisa entrar no cálculo de qualquer futuro programa de carros de combate brasileiros.

Também não se pode ignorar que a Ucrânia alterou profundamente a relação entre proteção e sobrevivência. A blindagem passiva continua fundamental, mas deixou de ser suficiente. Sistemas de proteção ativa, blindagem adicional, proteção reativa, redução de assinatura, camuflagem, dispersão, guerra eletrônica, consciência situacional e defesa contra drones passaram a formar camadas complementares. O veículo que possui apenas uma boa blindagem e um canhão eficiente, mas permanece exposto aos sensores e aos sistemas de ataque adversários, encontra-se em desvantagem antes mesmo de disparar.

Nesse ambiente, drones não substituem o carro de combate. Eles modificam a forma como o carro de combate precisa ser empregado. O mesmo vale para a guerra eletrônica e para a defesa antiaérea de curto alcance. Uma força blindada moderna precisa ser capaz de operar em um espaço saturado por pequenos sistemas aéreos, sensores persistentes e munições vagantes. Isso significa que parte da capacidade de sobrevivência que antes era concentrada na plataforma precisa agora ser distribuída entre os diferentes elementos que acompanham a tropa.

A experiência ucraniana também mostra que o emprego de carros de combate em pequenos grupos pode continuar sendo indispensável. Estudos do Royal United Services Institute (RUSI) apontam que comandantes ucranianos continuam considerando o blindado fundamental para fornecer poder de fogo direto, apoiar a infantaria e enfrentar posições fortificadas, mesmo diante da dificuldade de empregar grandes massas de veículos em ambientes saturados por sensores e drones. O problema, portanto, não é necessariamente a presença do carro de combate, mas a escala, a formação e o modo de emprego.

Esse aspecto é particularmente relevante para o Brasil porque a dimensão territorial e a diversidade geográfica do país não reproduzem as condições do teatro ucraniano. O Brasil não possui uma linha de frente contínua semelhante àquela existente no leste europeu, nem enfrenta atualmente uma concentração equivalente de sensores, artilharia e sistemas anticarro ao longo de uma frente terrestre dessa natureza. Ao mesmo tempo, possui uma extensão territorial continental, regiões com infraestrutura muito desigual, grandes distâncias estratégicas e diferentes ambientes de emprego.

A mobilidade estratégica, portanto, assume peso próprio. Um carro de combate pode apresentar excelente desempenho tático e, ainda assim, impor dificuldades significativas para ser deslocado entre regiões brasileiras. Ferrovias, rodovias, pontes, viaturas de transporte e meios de recuperação precisam ser considerados desde o início do programa. Um projeto que ignore esses fatores pode produzir uma plataforma extraordinária no papel, mas limitada na capacidade de concentração e redistribuição da força.

É nesse ponto que o conceito de quantidade volta à discussão. Não se trata de defender simplesmente “mais veículos” em detrimento da qualidade. Trata-se de reconhecer que uma força precisa de massa suficiente para produzir efeito operacional. Se uma plataforma extremamente sofisticada consumir parcela excessiva dos recursos disponíveis, reduzindo drasticamente o número de unidades, peças, munições, sistemas de proteção e meios de apoio que podem ser adquiridos, a superioridade individual do veículo poderá não compensar a perda de escala.

Por outro lado, reduzir excessivamente massa e proteção para aumentar a quantidade pode produzir o efeito inverso. Uma plataforma numerosa, mas incapaz de sobreviver ao ambiente de ameaça, pode gerar um estoque grande sem produzir capacidade proporcional. A solução está justamente no ponto de equilíbrio entre proteção, poder de fogo, mobilidade, disponibilidade e escala.

O próprio desenvolvimento internacional de conceitos intermediários mostra que essa equação não está resolvida. O CV90120, por exemplo, foi concebido como uma plataforma de aproximadamente 40 toneladas equipada com canhão de 120 mm, buscando combinar parte do poder de fogo tradicionalmente associado aos MBTs com uma massa inferior à dos carros de combate pesados. Trata-se de uma solução conceitual e de demonstração tecnológica, e não de um sistema empregado pela Ucrânia. Sua trajetória também demonstra que reduzir massa mantendo grande poder de fogo não resolve automaticamente todas as questões de proteção, logística, mercado e doutrina. A indústria pode oferecer uma solução tecnicamente interessante; cabe ao usuário definir se ela realmente atende às suas necessidades.

Para o Brasil, isso significa que a eventual adoção de um MMBT não deve ser justificada apenas pela possibilidade de transportar um veículo mais leve ou adquirir maior quantidade de unidades. Da mesma forma, a escolha de um MBT mais pesado não deve ser justificada apenas pela maior blindagem ou pelo calibre de seu armamento. Em ambos os casos, é necessário avaliar a cadeia completa: sensores, proteção ativa, munição, recuperação, manutenção, peças, combustível, treinamento, simuladores, transporte, pontes, engenharia, comando e controle, guerra eletrônica, defesa antiaérea e capacidade industrial.

O Centauro II oferece uma referência brasileira importante para essa discussão porque demonstra como diferentes plataformas podem cumprir funções complementares. A adoção de uma viatura de combate de cavalaria 8×8 com elevado poder de fogo não elimina a necessidade de uma plataforma sobre lagartas destinada a funções que exigem outra combinação de proteção, mobilidade fora de estrada e capacidade de acompanhar determinados elementos mecanizados. A força não precisa escolher entre rodas e lagartas como se uma delas pudesse substituir universalmente a outra. Cada sistema deve ser colocado dentro da missão para a qual foi concebido.

O mesmo raciocínio vale para o futuro carro de combate. A questão central não deveria ser simplesmente “MMBT ou MBT?”, mas qual solução entrega maior capacidade de combate real ao Exército Brasileiro durante todo o ciclo de vida. Isso inclui não apenas o desempenho no primeiro dia de operação, mas a capacidade de manter a frota funcionando dez, vinte ou trinta anos depois, com atualização tecnológica, disponibilidade de peças, domínio industrial e capacidade nacional de manutenção e modernização.

A guerra da Ucrânia também demonstra que a capacidade de crescimento de uma plataforma precisa ser considerada desde o projeto. Sistemas eletrônicos, sensores, proteção ativa, redes de comando e controle e medidas contra drones podem exigir espaço, energia elétrica, capacidade computacional e margem estrutural. Um veículo projetado no limite de sua massa e de sua capacidade elétrica pode encontrar dificuldades para incorporar novas tecnologias ao longo de sua vida útil. Um projeto mais pesado, por outro lado, pode oferecer maior margem, mas ao custo de maior complexidade logística.

Essa é uma das diferenças fundamentais entre simplesmente escolher um veículo e construir uma capacidade. O Exército não estará adquirindo apenas uma torre, um canhão e um conjunto de sensores. Estará escolhendo uma solução tecnológica e logística para décadas. O investimento precisa considerar aquilo que acontece depois da entrega dos primeiros veículos, quando começa efetivamente o ciclo de sustentação.

A experiência com o Leopard 1A5BR é valiosa justamente porque permite observar esse processo na prática. O Brasil conhece suas características, possui doutrina de emprego, cadeia de manutenção, pessoal treinado, infraestrutura e experiência operacional acumulada. Sua revitalização permite preservar uma capacidade enquanto o futuro é discutido. Mas isso não significa que o Leopard 1A5BR deva ser mantido indefinidamente como solução definitiva. Ele continua sendo um MBT de menor massa que esta chegando ao fim de seu ciclo de vida, cuja experiência operacional brasileira fornece dados concretos para avaliar as necessidades futuras.

A partir dessa experiência, o Brasil pode fazer uma pergunta mais sofisticada. Em vez de procurar simplesmente o carro de combate mais protegido disponível no mercado ou o mais leve que consiga receber um determinado armamento, deve estabelecer quais ameaças pretende enfrentar, em quais ambientes, com quais forças de apoio e a que distância dos principais centros logísticos. A resposta determinará o nível necessário de proteção, poder de fogo e mobilidade, e somente depois disso será possível definir qual plataforma faz sentido.

A guerra da Ucrânia reforça ainda outra conclusão: não existe plataforma invulnerável. O carro de combate pesado pode ser destruído por uma combinação de sensores, minas, artilharia, drones e munições anticarro. O carro de combate mais leve também pode sobreviver e continuar combatendo quando empregado de forma adequada, apoiado por inteligência, engenharia, infantaria e guerra eletrônica. O fator decisivo não está apenas na espessura da blindagem ou no peso total do veículo, mas na capacidade da força de criar condições para que aquela plataforma cumpra sua missão.

A análise do Exército dos Estados Unidos sobre as operações de ruptura ucranianas mostrou exatamente essa necessidade de sincronização. Engenharia, infantaria, blindados, fogos e comando e controle precisam funcionar de maneira coordenada. Quando uma dessas capacidades não acompanha as demais, o desempenho de toda a força é afetado. O carro de combate pode possuir o melhor canhão disponível, mas não conseguirá cumprir sua missão se estiver isolado diante de um campo minado observado por drones e coberto por artilharia.

É por isso que a discussão sobre MMBT e MBT precisa ser conduzida no Brasil com uma visão de força, e não de catálogo. Um MMBT pode ser interessante se permitir maior escala sem comprometer o nível de proteção e poder de fogo necessário. Um MBT mais pesado pode ser a solução correta se a ameaça exigir maior sobrevivência e se o país tiver condições de sustentar sua massa, manutenção e mobilidade. Um MBT relativamente leve, como o Leopard 1A5BR, pode continuar sendo operacionalmente adequado em determinadas condições e demonstrar que a massa não pode ser analisada isoladamente.

O desafio está em determinar onde o Exército Brasileiro pretende colocar esse equilíbrio nas próximas décadas. A resposta deverá considerar o território nacional, os cenários de emprego, a infraestrutura existente, o orçamento disponível, a capacidade da Base Industrial de Defesa, o nível de nacionalização desejado e, sobretudo, a possibilidade de manter a força operacionalmente disponível durante períodos prolongados.

No fim, a Ucrânia não matou o carro de combate e tampouco escolheu pelo Brasil entre MMBT e MBT. O conflito mostrou que plataformas de diferentes massas continuam tendo utilidade quando empregadas de acordo com suas características e apoiadas pelas capacidades necessárias. Mostrou também que proteção, mobilidade, logística, manutenção, recuperação, sensores, drones, guerra eletrônica, engenharia e defesa antiaérea passaram a ser elementos inseparáveis do emprego dos blindados.

Para o Brasil, portanto, a decisão não deveria partir da pergunta sobre qual categoria parece mais moderna ou qual veículo apresenta a maior capacidade individual. Deve partir de uma equação mais difícil: qual solução permite ao Exército manter uma quantidade suficiente de carros de combate, com proteção adequada, poder de fogo compatível, mobilidade compatível com o território, capacidade de modernização, disponibilidade elevada e sustentação nacional durante todo o ciclo de vida.

É nesse ponto que a experiência brasileira com o Leopard 1A5BR deixa de ser apenas uma questão de passado e passa a oferecer uma referência para o futuro. O Brasil já opera um MBT relativamente leve dentro de suas próprias limitações logísticas e de infraestrutura. A próxima decisão precisa avaliar se essa característica deve ser preservada, ampliada ou substituída por uma plataforma de outra faixa de massa e capacidade. Essa resposta não está pronta na Ucrânia, na Europa ou nos Estados Unidos. Ela precisa ser construída a partir das necessidades brasileiras.

A guerra demonstrou que o carro de combate continua necessário. O que ela colocou em xeque foi a ideia de que ele possa combater sozinho. Para o Brasil, a próxima geração de força blindada deverá ser definida pela capacidade de combinar proteção, fogo, mobilidade, sensores, drones, guerra eletrônica, engenharia, logística e indústria em uma solução sustentável. É a partir desse conjunto de requisitos, e não apenas da etiqueta MMBT ou MBT, que o Exército deverá definir o próximo passo de sua capacidade de carros de combate.


por Angelo Nicolaci


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Exército testa precisão do Cascavel NG no CAEx

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O Centro de Avaliações do Exército (CAEx) divulgou imagens de um teste de tiro de precisão realizado com o EE-9 Cascavel Nova Geração (Cascavel NG), parte do processo de modernização da frota de reconhecimento da Força Terrestre.

O projeto está inserido no Programa Estratégico do Exército Forças Blindadas e atualiza uma plataforma empregada pelo Exército há décadas, substituindo sistemas analógicos por uma arquitetura digital e incorporando melhorias de mobilidade, sensores, direção de tiro e consciência situacional.


Entre as principais modificações estão a substituição do conjunto de motor e transmissão por uma solução mais potente, a adoção de suspensão adaptável e o sistema eletrônico de calibragem dos pneus. Essas alterações ampliam a mobilidade e o controle da viatura em diferentes condições de terreno.

O sistema de armas também foi modernizado. A torre recebeu automação, enquanto o canhão de 90 mm passou a ser operado por joystick e integrado a um computador balístico. O conjunto busca elevar a precisão do tiro e reduzir a carga de trabalho da guarnição durante o engajamento.

A capacidade de observação foi ampliada com optrônicos modernos, câmeras termais, visão noturna e câmeras com cobertura de 360 graus. Para uma viatura de reconhecimento, essa mudança é particularmente relevante, pois aumenta a capacidade de detectar, identificar e acompanhar alvos em diferentes condições de luminosidade.

A modernização envolve a Diretoria de Fabricação do Exército e o Consórcio Força Terrestre, liderado pela Akaer, reforçando a participação da Base Industrial de Defesa no desenvolvimento e na integração dos sistemas. O modelo também preserva conhecimento técnico e amplia a capacidade nacional de manutenção e atualização de plataformas militares.

O Cascavel NG não substitui os novos meios incorporados às Forças Blindadas, como o Centauro II, mas atua em outra camada da renovação da frota. A modernização permite elevar a capacidade de parte dos meios existentes enquanto a substituição por plataformas de nova geração ocorre de forma progressiva, dentro das limitações de orçamento, produção e disponibilidade.

Nesse sentido, o projeto revela uma escolha pragmática. A modernização de uma plataforma já conhecida pela tropa reduz a ruptura logística e aproveita infraestrutura, doutrina e experiência acumuladas, enquanto concentra recursos nos componentes que mais alteram seu desempenho operacional: sensores, processamento, direção de tiro e mobilidade.

O desafio passa a ser transformar essa evolução tecnológica em capacidade efetiva de unidade. A digitalização do Cascavel só terá valor operacional se os novos sistemas apresentarem confiabilidade, disponibilidade, facilidade de manutenção e integração adequada aos sistemas de comando e controle empregados pelo Exército. É justamente nessa transição entre requisito técnico e emprego real que os ensaios conduzidos pelo CAEx ganham importância.

O Cascavel NG, portanto, deve ser compreendido menos como uma simples extensão da vida útil do EE-9 e mais como uma tentativa de preservar massa operacional enquanto a Força Terrestre reorganiza sua frota de reconhecimento. A combinação entre modernização nacional e incorporação gradual de novas plataformas permite ao Exército avançar em capacidade sem depender exclusivamente da substituição integral de seus meios, uma abordagem particularmente relevante diante do custo e do tempo necessários para renovar uma frota blindada em escala.


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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Exército Brasileiro amplia capacitação em Artilharia de Mísseis e Foguetes

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O Exército Brasileiro ampliou a capacitação de militares especializados em Artilharia de Mísseis e Foguetes com a conclusão do Curso Avançado de Artilharia de Mísseis e Foguetes, realizado pelo Centro de Instrução de Artilharia de Mísseis e Foguetes (CI Art Msl Fgt), em Formosa (GO).

A atividade foi realizada entre 10 de agosto e 2 de outubro e teve como público-alvo sargentos da Artilharia. A formação buscou aprofundar conhecimentos relacionados ao emprego de sistemas de mísseis e foguetes, abrangendo conteúdos técnicos e procedimentos necessários às atividades de planejamento e execução do tiro.

A etapa final do curso ocorreu durante a Escola de Fogo de Instrução (EsFI), que possibilitou aos militares aplicar, em atividade prática, os conhecimentos adquiridos ao longo da formação. O exercício envolveu procedimentos relacionados ao planejamento e à execução de missões de tiro com os meios de Artilharia de Mísseis e Foguetes.

Segundo o Exército, a capacitação também contempla conhecimentos relacionados à logística e ao planejamento do emprego desses sistemas, ampliando a preparação dos militares que atuarão nas diferentes funções relacionadas à capacidade de mísseis e foguetes.

O CI Art Msl Fgt está instalado no complexo do Forte Santa Bárbara, em Formosa, estrutura que concentra organizações e capacidades relacionadas à Artilharia de Mísseis e Foguetes do Exército Brasileiro.

A formação ocorre no contexto do Programa Estratégico do Exército ASTROS-FOGOS. Conforme informado pela Força Terrestre, após a reestruturação dos Programas Estratégicos do Exército, o programa passou a incorporar iniciativas anteriormente vinculadas ao Programa Estratégico Defesa Antiaérea.

Com a mudança, o ASTROS-FOGOS passou a contemplar, além das capacidades relacionadas à Artilharia de Mísseis e Foguetes, iniciativas voltadas à recuperação e ao desenvolvimento de capacidades de defesa antiaérea.

A estrutura existente em Formosa reúne atividades de instrução, preparação e emprego relacionadas aos sistemas de mísseis e foguetes, constituindo um dos principais polos do Exército Brasileiro para essa área.

A conclusão do curso representa mais uma etapa na formação e especialização dos recursos humanos destinados ao emprego dessas capacidades, mantendo a qualificação do pessoal como parte do processo de desenvolvimento do Programa Estratégico ASTROS-FOGOS.


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Saab UK e Kraken desenvolvem embarcação autônoma equipada com radar Giraffe 1X para detectar drones

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A Saab UK e a Kraken Technology Group anunciaram nesta segunda-feira (5) o desenvolvimento de uma embarcação de superfície autônoma experimental equipada com o radar Giraffe 1X, destinada à detecção de sistemas aéreos não tripulados (UAS) no ambiente marítimo. O protótipo combina o radar tridimensional da Saab com a plataforma não tripulada K3 Scout, desenvolvida pela Kraken.

Segundo as empresas, a solução foi concebida para aplicações relacionadas à proteção de transporte marítimo, portos, instalações de energia offshore e outras infraestruturas críticas diante da crescente utilização de drones.

O K3 Scout é descrito pela Kraken como uma embarcação de superfície não tripulada de baixa assinatura e alto desempenho, capaz de operar de forma totalmente autônoma. A plataforma foi desenvolvida para receber diferentes cargas úteis e pode atuar de maneira independente ou integrada a embarcações de superfície convencionais.

A integração do Giraffe 1X acrescenta ao K3 Scout uma capacidade de detecção e acompanhamento de alvos aéreos. O radar 3D da Saab foi projetado para detectar e rastrear ameaças em tempo real, incluindo alvos de pequenas dimensões. De acordo com as empresas, a combinação deverá permitir fornecer alerta antecipado sobre possíveis incursões de drones.

O conceito está relacionado ao modelo de “marinha híbrida” adotado pelo Reino Unido, no qual embarcações autônomas são empregadas em conjunto com meios convencionais. A proposta está contemplada no Plano de Investimento em Defesa do governo britânico.

Saab UK e Kraken informaram que desenvolveram o protótipo funcional em menos de sete meses. O processo incluiu testes no mar para avaliar o desempenho do radar integrado à plataforma em condições marítimas.

“Esta é uma capacidade pioneira, fabricada no Reino Unido e pronta para implantação, que desenvolvemos em conjunto com a Kraken em menos de sete meses. Isso reflete a força da nossa parceria, a maturidade e a flexibilidade de nossas respectivas tecnologias, bem como nossa capacidade de responder rapidamente à evolução do cenário de ameaças e às necessidades de nossos clientes”, afirmou Andy Fraser, diretor-geral da Saab UK.

“A embarcação protótipo de busca e detecção de drones da Kraken e da Saab UK é exatamente o que o K3 Scout foi projetado para fazer: integrar-se a cargas úteis relevantes para a missão e operar em ambientes marítimos adversos”, afirmou Mal Crease, CEO e fundador da Kraken Technology Group.

O sistema permanece em fase experimental. As empresas apontam como potenciais aplicações a proteção de áreas portuárias, transporte marítimo, ativos de energia offshore e infraestrutura nacional contra ameaças representadas por drones.


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IACIT apresenta radar RMT 0200 e plataforma MIND na Meteorological Technology World Expo 2026

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A IACIT apresenta, entre 6 e 8 de outubro, no RAI Amsterdam, na Holanda, duas soluções desenvolvidas no Brasil para monitoramento meteorológico e apoio à tomada de decisão: o radar meteorológico RMT 0200 e a plataforma MIND (Meteorologia Integrada de Nowcasting para Decisores). Os sistemas são apresentados na Meteorological Technology World Expo 2026, um dos principais eventos internacionais dedicados a tecnologias de meteorologia, hidrometeorologia, meteoceanografia e monitoramento ambiental, que reúne mais de 150 fornecedores e profissionais de dezenas de países.

Desenvolvido e fabricado no Brasil, o RMT 0200 opera em banda S, possui dupla polarização e transmissão 100% em estado sólido, com alcance de até 400 quilômetros. A arquitetura foi concebida para ampliar a capacidade de detecção e acompanhamento de fenômenos meteorológicos, inclusive em condições severas, fornecendo dados para redes que dependem de observação atmosférica contínua.

O sistema já possui aplicação operacional na Força Aérea Brasileira. Cinco unidades do RMT 0200 integram atualmente a rede meteorológica da FAB e formam um cinturão de monitoramento na Região de Informação de Voo da Amazônia, a FIR-AZ. Outros sete equipamentos estão previstos, ampliando a cobertura meteorológica da Força Aérea em diferentes regiões do país.

A presença do radar na rede da FAB tem relevância direta para a atividade aeronáutica, na qual a identificação de condições meteorológicas adversas é componente do planejamento e da segurança das operações. A expansão da rede permitirá aumentar a área coberta pelos sensores e melhorar a disponibilidade de informações sobre a evolução dos fenômenos atmosféricos.

Uma unidade do RMT 0200 também está em operação no Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN). O equipamento fornece dados que contribuem para o acompanhamento de eventos meteorológicos severos e para a análise das condições que podem afetar áreas vulneráveis a desastres geohidrológicos.

Enquanto o radar amplia a capacidade de observação, o MIND atua sobre a etapa seguinte: a organização e análise das informações. A plataforma reúne dados de radares, estações meteorológicas, satélites e modelos numéricos, utilizando processamento avançado e Inteligência Artificial para acompanhar a evolução das condições atmosféricas, identificar situações de risco e gerar alertas.

A proposta é oferecer ao operador uma visão integrada da situação meteorológica em tempo real, reduzindo a necessidade de analisar separadamente diferentes fontes de informação. O sistema pode ser empregado em centros de controle de tráfego aéreo, estruturas de defesa civil e outras operações nas quais decisões precisam ser tomadas a partir da evolução rápida das condições meteorológicas.

O conceito de nowcasting ganha importância justamente nesses cenários. Previsões de maior prazo continuam essenciais para planejamento, mas determinadas decisões dependem da capacidade de acompanhar fenômenos em desenvolvimento e estimar sua evolução em intervalos curtos. A combinação de observação, modelos e processamento automatizado busca reduzir o intervalo entre a detecção de uma condição adversa e a adoção de medidas operacionais.

“Participar da Meteorological Technology com o RMT 0200 e o MIND é uma oportunidade de mostrar que o Brasil tem capacidade para desenvolver e produzir tecnologias de alto nível para aplicações meteorológicas críticas. São soluções que nasceram de demandas concretas, foram desenvolvidas por nossa engenharia e hoje estão inseridas em operações que exigem precisão, disponibilidade e confiabilidade”, afirma Luiz Teixeira, CEO da IACIT.

A participação da empresa também ocorre em conjunto com a TECO-2026, conferência técnica da Organização Meteorológica Mundial dedicada a instrumentos e métodos de observação. O ambiente reúne fabricantes, instituições, serviços meteorológicos e potenciais parceiros internacionais, ampliando as oportunidades de cooperação e negócios para tecnologias brasileiras.

Com quatro décadas de atuação, a IACIT desenvolve e fabrica sistemas para aplicações críticas nos setores de meteorologia, defesa, controle do espaço aéreo e segurança pública. A presença do RMT 0200 em redes da FAB e do CEMADEN demonstra que a tecnologia já possui emprego no Brasil, enquanto a apresentação do MIND amplia a oferta da empresa para uma etapa cada vez mais relevante: transformar dados meteorológicos distribuídos em informação operacional para decisões em tempo real.

A combinação entre o RMT 0200 e o MIND representa uma evolução coerente da cadeia de monitoramento: sensores para ampliar a cobertura e processamento para transformar os dados coletados em informação utilizável. Para o Brasil, o ponto mais relevante está no domínio nacional dessas duas camadas, especialmente em aplicações associadas à aviação e ao monitoramento de eventos severos.

A expansão prevista da rede RMT 0200 na FAB também merece atenção porque cria uma infraestrutura nacional de observação meteorológica de maior alcance e distribuição. Em um país continental, a capacidade de ampliar a cobertura e integrar diferentes fontes de dados possui impacto que ultrapassa a meteorologia, alcançando diretamente a segurança da navegação aérea, o gerenciamento do espaço aéreo e a resposta a eventos extremos.


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