sábado, 13 de junho de 2026

Microlançador Brasileiro avança rumo aos primeiros carregamentos dos motores

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O desenvolvimento do Microlançador Brasileiro (MLBR), projeto que busca dotar o país da capacidade de colocar pequenos satélites em órbita a partir do território nacional, alcançou mais um marco importante com a conclusão dos preparativos para os primeiros carregamentos dos motores que equiparão o veículo lançador.

Entre os avanços anunciados estão a formulação do propelente inerte que será utilizado nas operações iniciais de carregamento e a conclusão dos envelopes dos propulsores N-04 e N-09, responsáveis respectivamente pelo terceiro e segundo estágios do foguete. A etapa representa um passo fundamental no amadurecimento tecnológico do programa e na validação dos processos industriais necessários para a fabricação dos motores.

O uso de propelente inerte permite que as equipes realizem testes e validações em condições controladas, verificando procedimentos operacionais, requisitos de qualidade e protocolos de segurança antes da utilização do propelente ativo. A metodologia reduz riscos técnicos e contribui para aumentar a confiabilidade das futuras operações de carregamento dos motores.

Com os envelopes dos propulsores já concluídos, os esforços do projeto concentram-se agora na fabricação e qualificação dos equipamentos necessários para a operação, incluindo dispositivos especializados e o mandril central responsável pela definição da geometria interna do grão propelente, elemento essencial para o desempenho dos motores durante o voo.

Os três motores que compõem o MLBR já tiveram suas estruturas qualificadas. O motor N-90, que impulsionará o primeiro estágio do lançador, utiliza aproximadamente nove toneladas de propelente sólido. O N-09, empregado no segundo estágio, utiliza cerca de uma tonelada, enquanto o N-04, destinado à fase final de inserção orbital, empregará aproximadamente 400 quilos de propelente.

Segundo Ralph Correa, gerente do programa e engenheiro da Cenic Engenharia, empresa líder do arranjo produtivo responsável pelo desenvolvimento do lançador, os avanços obtidos reforçam a evolução contínua do projeto em direção ao objetivo de ampliar a capacidade brasileira de acesso independente ao espaço por meio de tecnologias desenvolvidas no país.

Um projeto estratégico para o Programa Espacial Brasileiro

O MLBR nasceu a partir de uma chamada pública lançada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB). O objetivo é desenvolver o primeiro veículo nacional capaz de colocar pequenos satélites em órbita terrestre a partir do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão.

O projeto reúne empresas brasileiras de alta tecnologia, com liderança da CENIC, CONCERT SPACE, PLASMAHUB, DELSIS e ETSYS, além da participação de parceiros estratégicos como BIZU SPACE, FIBRAFORTE e HORUSEYE TECH. O esforço conjunto demonstra a crescente capacidade da indústria nacional em atuar em programas de elevada complexidade tecnológica e alto valor agregado.

Com 12 metros de altura e 1,1 metro de diâmetro, o MLBR será equipado com três motores a propelente sólido e terá capacidade para colocar até 40 kg de carga útil em órbita a aproximadamente 450 quilômetros de altitude. O veículo foi concebido para atender um mercado global em rápida expansão, impulsionado pela crescente demanda por pequenos satélites voltados para telecomunicações, monitoramento ambiental, agricultura de precisão, segurança, geolocalização e coleta de dados.

Alcântara e a busca pela autonomia espacial

A futura operação do MLBR a partir do Centro de Lançamento de Alcântara agrega uma dimensão estratégica ao projeto. Localizado próximo à linha do Equador, o centro maranhense oferece vantagens operacionais significativas para lançamentos orbitais, reduzindo o consumo de combustível e ampliando a capacidade de carga dos veículos espaciais.

Mais do que desenvolver um novo foguete, o programa busca consolidar competências industriais, tecnológicas e operacionais essenciais para a autonomia espacial brasileira. Em um cenário no qual o acesso independente ao espaço tornou-se um fator cada vez mais relevante para a soberania nacional, o avanço do Microlançador Brasileiro representa um importante passo para fortalecer o Programa Espacial Brasileiro e ampliar a participação do país em um mercado global em constante crescimento.

Os próximos carregamentos inertes dos motores marcarão uma nova etapa nessa trajetória, aproximando o MLBR do objetivo de se tornar o primeiro lançador orbital desenvolvido integralmente pela indústria brasileira.


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Ministério da Defesa busca fortalecer a Base Industrial de Defesa em fórum internacional de inovação na Espanha

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Com cenário marcado pela rápida evolução tecnológica e pela crescente importância da inovação para a soberania nacional, o Ministério da Defesa, por meio da Secretaria de Produtos de Defesa (Seprod), participou da ISPIM Innovation Conference 2026, um dos mais relevantes fóruns internacionais dedicados à gestão da inovação, ciência e tecnologia. O evento foi realizado entre os dias 7 e 10 de junho, na cidade de Granada, na Espanha, reunindo representantes de governos, universidades, centros de pesquisa, empresas de base tecnológica e formuladores de políticas públicas de diversos países.

A presença da Seprod teve como principal objetivo identificar oportunidades de cooperação internacional e prospectar tecnologias emergentes com potencial aplicação no setor de defesa, fortalecendo a Base Industrial de Defesa (BID) e ampliando a capacidade brasileira de acompanhar as transformações tecnológicas que vêm impactando tanto o ambiente militar quanto o civil.

Durante a conferência, os representantes do Ministério da Defesa participaram de debates, painéis temáticos, visitas técnicas e reuniões com especialistas internacionais, acompanhando discussões voltadas para áreas consideradas estratégicas para o futuro da Defesa, como inteligência artificial, transformação digital, governança da inovação e sustentabilidade tecnológica.

A participação brasileira também esteve alinhada às atribuições da Secretaria de Produtos de Defesa relacionadas à gestão do conhecimento, cooperação científica e tecnológica e formulação de políticas públicas voltadas ao fortalecimento das capacidades nacionais de ciência, tecnologia e inovação de interesse da Defesa.

Promovida pela Associação Sociedade Internacional para Gestão Profissional da Inovação (ISPIM), a conferência consolidou-se como um importante espaço para intercâmbio de experiências e construção de parcerias entre os diferentes atores que compõem os ecossistemas globais de inovação. O evento reuniu universidades, centros de pesquisa internacionais, empresas de tecnologia, organizações governamentais e instituições científicas que atuam no desenvolvimento de soluções para desafios contemporâneos.

Inovação como elemento estratégico para a Defesa

A crescente digitalização dos sistemas militares, a incorporação de inteligência artificial, a evolução dos sistemas autônomos e a necessidade de garantir maior autonomia tecnológica tornaram a inovação um dos pilares centrais das políticas de defesa em todo o mundo.

Nesse contexto, a participação da Seprod em fóruns internacionais como a ISPIM Innovation Conference permite ao Ministério da Defesa acompanhar tendências tecnológicas globais, identificar oportunidades de cooperação e aproximar a Base Industrial de Defesa brasileira de iniciativas capazes de gerar conhecimento, desenvolvimento tecnológico e novas capacidades estratégicas para o país.

A iniciativa está diretamente alinhada à Política de Ciência, Tecnologia e Inovação de Defesa (PCTID) e à Política Nacional da Base Industrial de Defesa (PNBID), instrumentos que orientam os esforços governamentais voltados à ampliação da autonomia tecnológica nacional e ao fortalecimento da capacidade produtiva e científica brasileira.

Fortalecimento da Base Industrial de Defesa

Além dos benefícios diretos para o setor de defesa, a participação em ambientes internacionais de inovação contribui para estimular a transferência de conhecimento, o desenvolvimento científico e a criação de oportunidades para empresas, universidades e centros de pesquisa nacionais.

Ao ampliar sua inserção em redes globais de inovação, o Ministério da Defesa busca criar condições para que a Base Industrial de Defesa brasileira esteja cada vez mais preparada para responder aos desafios tecnológicos das próximas décadas, fortalecendo a soberania nacional, a competitividade da indústria e a capacidade do país de desenvolver soluções estratégicas em áreas consideradas críticas para a segurança e o desenvolvimento nacional.


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Munte assume ampliação da CBC e reforça papel da engenharia nacional em projetos industriais estratégicos

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Sob liderança de Juliano Salvador, construtora será responsável por projeto de expansão da maior fabricante de munições do mundo em empreendimento avaliado em cerca de R$ 150 milhões

A expansão da capacidade industrial é um dos pilares fundamentais para a competitividade de empresas que atuam em mercados globais de alta exigência tecnológica. Nesse contexto, a Munte Construtora acaba de conquistar um contrato que marca um novo capítulo em sua trajetória ao ser escolhida para conduzir a ampliação da unidade industrial da Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), maior fabricante de munições do mundo.

Localizada em Ribeirão Pires (SP), a unidade passará por um processo de expansão que integra o planejamento estratégico da companhia para atender à crescente demanda internacional por seus produtos. O empreendimento envolve investimentos estimados em aproximadamente R$ 150 milhões, considerando todas as etapas do projeto e a participação de fornecedores e parceiros envolvidos na iniciativa.

A escolha da Munte para conduzir uma obra dessa magnitude evidencia não apenas a confiança da CBC na capacidade técnica da empresa, mas também o reconhecimento da trajetória construída pela construtora ao longo dos últimos anos em projetos industriais de elevada complexidade.

Expansão industrial alinhada ao crescimento global da CBC

Presente em mais de 130 países e com faturamento anual superior a R$ 3 bilhões, a CBC ocupa posição de destaque no mercado internacional de defesa e segurança. A companhia vem ampliando continuamente seus investimentos em modernização e aumento de capacidade produtiva, acompanhando o crescimento da demanda mundial por munições, equipamentos e soluções associadas ao setor.

A nova ampliação faz parte desse movimento estratégico e tem como objetivo fortalecer ainda mais a capacidade operacional da empresa, elevando seus níveis de eficiência, produtividade, segurança e incorporação tecnológica.

Para executar o empreendimento, foi adotado o modelo EPG (Engenharia, Projetos e Gestão), uma abordagem que busca integrar todas as etapas do desenvolvimento da obra sob uma gestão unificada, garantindo maior controle sobre cronogramas, custos e qualidade.

O contrato prevê execução em regime de empreitada por preço global, com prazo estimado de 15 meses para sua conclusão.

Juliano Salvador e a consolidação da Munte no setor industrial

À frente da operação está Juliano Salvador, fundador e CEO da Munte, profissional que ao longo de mais de 15 anos construiu a reputação da empresa em projetos de grande porte nos segmentos industrial, comercial e de infraestrutura.

Sob sua liderança, a Munte consolidou uma atuação baseada na integração entre engenharia, planejamento estratégico e gestão de execução, fatores que permitiram à companhia ampliar sua presença junto a grandes grupos empresariais nacionais e internacionais.

A responsabilidade assumida na ampliação da CBC representa mais um importante marco nesse processo.

Conduzir a expansão de uma das mais importantes instalações industriais do setor de defesa exige não apenas capacidade construtiva, mas também profundo conhecimento dos requisitos de segurança, controle de processos e integração operacional característicos desse tipo de ambiente.

Segundo Juliano Salvador, a conquista reflete a maturidade alcançada pela empresa e reforça seu posicionamento no mercado.

“Projetos como esse reforçam nossa responsabilidade em entregar não apenas obras, mas soluções completas, com eficiência, segurança e visão de longo prazo. Quando grandes empresas globais confiam em nosso trabalho, validam a consistência da nossa engenharia e da nossa gestão”, destacou o executivo.

Engenharia, tecnologia e gestão integrada

Fundada com a proposta de atuar em operações de larga escala, a Munte acumula mais de 300 contratos executados ao longo de sua trajetória.

Parte desse crescimento está associada à adoção de metodologias modernas de engenharia e construção, incluindo conceitos de Lean Construction e ferramentas BIM (Building Information Modeling), que vêm transformando a forma como grandes empreendimentos são planejados e executados.

Essas tecnologias permitem maior previsibilidade de custos, melhor coordenação entre equipes multidisciplinares e maior eficiência na gestão de recursos, aspectos cada vez mais valorizados em projetos industriais complexos.

No caso da ampliação da CBC, a integração entre engenharia, projetos e gestão será um fator decisivo para garantir o cumprimento dos prazos estabelecidos e a continuidade das operações industriais durante as diferentes fases da expansão.

Um projeto que reflete a força da indústria brasileira

Mais do que uma obra de ampliação industrial, o empreendimento simboliza a confiança de uma empresa global em uma engenharia nacional capaz de atender aos mais elevados padrões técnicos e gerenciais.

Ao assumir a responsabilidade por um projeto estratégico para a CBC, a Munte reforça sua posição como parceira de grandes indústrias em processos de crescimento e modernização, enquanto a própria CBC avança em sua estratégia de expansão internacional e fortalecimento de sua capacidade produtiva.

Em um momento em que a indústria de defesa vive um ciclo de crescimento impulsionado pelo aumento da demanda global por equipamentos e munições, investimentos em infraestrutura industrial tornam-se elementos fundamentais para sustentar competitividade, inovação e capacidade de atendimento aos mercados internacionais.

Para a Munte e para Juliano Salvador, o projeto representa não apenas uma conquista empresarial, mas também a consolidação de uma trajetória construída sobre engenharia, planejamento e execução de alto nível, atributos cada vez mais valorizados nos grandes empreendimentos que impulsionam a economia brasileira.

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Xmobots leva à DroneShow 2026 tecnologias que já apoiam Exército e Marinha e apresenta novos conceitos

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A DroneShow 2026 será palco de algumas das mais avançadas tecnologias desenvolvidas pela indústria nacional de drones, e a Xmobots promete ocupar posição de destaque ao apresentar um portfólio que vai muito além das aplicações tradicionais do setor. Entre os dias 16 e 18 de junho, no Expo Center Norte, em São Paulo, a empresa levará ao público soluções voltadas para Defesa, Segurança Pública, Agricultura de Precisão e Mobilidade Aérea Avançada, evidenciando a evolução da engenharia brasileira em áreas consideradas estratégicas.

Maior fabricante de drones da América Latina, a Xmobots chega ao evento em um momento de consolidação de suas tecnologias junto a clientes civis e militares. Sistemas desenvolvidos pela empresa já integram operações do Exército Brasileiro e da Marinha do Brasil, enquanto novos projetos apontam para capacidades que acompanham tendências observadas nos conflitos contemporâneos e nos programas de modernização militar ao redor do mundo.

Defesa e Segurança no centro das atenções

Entre os destaques da empresa está o XSIS 222A, um imageador giroestabilizado desenvolvido integralmente no Brasil para ampliar a consciência situacional em operações aéreas.

Projetado para integração em helicópteros e também em plataformas não tripuladas, o sistema oferece monitoramento em tempo real, operação diurna e noturna por meio de sensores eletro-ópticos e térmicos, rastreamento de alvos móveis e transmissão de imagens para centros de comando e controle.

Além do desempenho operacional, a Xmobots destaca outro diferencial estratégico: a nacionalização da solução. Em um segmento tradicionalmente dominado por fornecedores estrangeiros, o XSIS 222A oferece manutenção, treinamento e suporte técnico realizados no Brasil, com custo que pode ser até 50% inferior ao de equipamentos internacionais equivalentes.

A solução surge em um momento em que forças de segurança e instituições governamentais buscam reduzir a dependência externa em sistemas críticos de vigilância e monitoramento.

Nauru 100D: mobilidade, discrição e poder de combate

Outro protagonista da participação da empresa na DroneShow será o Nauru 100D, uma plataforma eVTOL desenvolvida para missões que exigem rápida mobilização, elevada flexibilidade operacional e capacidade de atuar em ambientes complexos.

Transportável em mochilas táticas, o sistema pode ser empregado em missões de patrulhamento urbano, monitoramento de fronteiras, vigilância de áreas sensíveis e apoio a operações especiais.

Com autonomia de até seis horas por missão, transmissão de imagens em tempo real e sensores diurnos e noturnos, o Nauru 100D foi concebido para ampliar a capacidade de obtenção de informações em campo, reduzindo riscos para as equipes empregadas na operação.

A Xmobots apresentará ao público o conceito Nauru 100D UCAV (Unmanned Combat Aerial Vehicle), versão voltada para aplicações militares avançadas. O projeto prevê a utilização de cargas de emprego militar, correção de trajetória em tempo real e a possibilidade de recuperação da aeronave para reutilização em missões subsequentes.

Embora ainda em desenvolvimento, o conceito demonstra que a empresa acompanha a transformação observada nos campos de batalha modernos, onde sistemas não tripulados vêm assumindo papel cada vez mais relevante em operações de reconhecimento, vigilância e ataque.

A era dos enxames chega ao Brasil

Outro tema que estará presente no estande da Xmobots é o desenvolvimento de operações em Swarm, ou enxame, conceito que vem ganhando destaque nas principais forças armadas do mundo.

A tecnologia permite que múltiplas aeronaves atuem de forma coordenada e integrada, compartilhando informações e executando missões simultâneas com elevado grau de autonomia.

No contexto militar, a capacidade pode ampliar significativamente a eficiência de operações de reconhecimento, vigilância e saturação de alvos, representando uma das tendências mais importantes da guerra moderna.

Ao apresentar esse conceito durante a DroneShow 2026, a empresa sinaliza que o Brasil também busca desenvolver competências nessa área estratégica.

Sistemas que já operam com as Forças Armadas

A participação da Xmobots também servirá para destacar plataformas já empregadas em operações reais.

O Nauru 500C ISR, utilizado pela Marinha do Brasil, é empregado em missões de vigilância, monitoramento marítimo, busca e salvamento e acompanhamento de áreas estratégicas. A aeronave possui autonomia de até quatro horas, alcance operacional de 60 quilômetros e tecnologia VTOL, que permite decolagem e pouso vertical.

Já o Nauru 1000C ISTAR, utilizado pelo Exército Brasileiro, foi concebido para missões de inteligência, vigilância, aquisição de alvos e reconhecimento. Com autonomia de até dez horas e alcance operacional de 120 quilômetros, o sistema representa um importante multiplicador de capacidades para operações terrestres, fluviais e de fronteira.

A presença dessas plataformas no portfólio demonstra o amadurecimento da indústria nacional no desenvolvimento de sistemas não tripulados capazes de atender aos requisitos das Forças Armadas brasileiras.

Tecnologia aplicada também ao agronegócio

Embora as soluções de Defesa e Segurança atraiam grande atenção, a DroneShow também será uma vitrine para as tecnologias agrícolas da Xmobots.

A empresa apresentará o SPAD 200B operando em conjunto com a plataforma de gestão DAASFY, destacando especialmente a capacidade de operação em enxame autorizada pela ANAC.

A solução permite que dois drones agrícolas atuem simultaneamente sob o controle de um único operador, ampliando produtividade e reduzindo custos operacionais.

Segundo dados da empresa, a integração entre drones, softwares de gestão e rastreabilidade permite reduções expressivas nos custos de aplicação agrícola, ao mesmo tempo em que aumenta a eficiência e a qualidade das operações em campo.

Uma indústria nacional cada vez mais estratégica

A presença da Xmobots na DroneShow 2026 vai além da exposição de produtos. Ela representa um retrato da evolução da indústria brasileira de sistemas autônomos, que hoje desenvolve soluções capazes de atender desde missões militares e de segurança pública até demandas do agronegócio, da logística e da mobilidade aérea avançada.

Ao reunir em um único evento sistemas já empregados pelas Forças Armadas, sensores avançados, conceitos de drones de combate e operações em enxame, a empresa evidencia como a tecnologia nacional vem conquistando espaço em segmentos tradicionalmente dominados por grandes fabricantes internacionais.

Mais do que acompanhar tendências globais, a Xmobots demonstra que o Brasil está cada vez mais presente na construção do futuro dos sistemas autônomos, transformando conhecimento, engenharia e inovação em capacidades reais para os setores de Defesa, Segurança e desenvolvimento econômico.


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Brasil fortalece presença internacional na ILA Berlin 2026 e busca ampliar cooperação tecnológica no setor de defesa

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A participação brasileira na ILA Berlin 2026 reforça a estratégia nacional de ampliar a inserção da Base Industrial de Defesa (BID) nos mercados internacionais e fortalecer parcerias tecnológicas em setores considerados estratégicos para a soberania e o desenvolvimento do país.

Realizada entre os dias 10 e 14 de junho, em Berlim, na Alemanha, a ILA Berlin é uma das mais importantes feiras aeroespaciais do mundo, reunindo autoridades governamentais, representantes militares, centros de pesquisa e empresas dos segmentos de defesa, aviação e espaço. Com o tema “Pioneirismo Aeroespacial”, a edição deste ano destaca avanços em áreas como sistemas não tripulados, tecnologias espaciais, radares, propulsão e soluções voltadas à defesa e segurança.

Representando o Ministério da Defesa, a Secretaria de Produtos de Defesa (Seprod) conduz uma agenda voltada à promoção comercial da indústria brasileira, ao intercâmbio tecnológico e à prospecção de oportunidades de cooperação internacional.

Ampliação da presença brasileira na Europa

A delegação brasileira é liderada pelo diretor do Departamento de Promoção Comercial do Ministério da Defesa, General de Brigada Luis Cláudio Brion Cardoso, que participa de reuniões com empresas, instituições de pesquisa e autoridades do setor de defesa europeias.

Segundo o oficial-general, a missão tem como objetivo identificar oportunidades de cooperação industrial e tecnológica, incluindo o fornecimento de insumos estratégicos, a integração em cadeias produtivas internacionais e o estabelecimento de parcerias capazes de fortalecer a capacidade tecnológica da indústria nacional.

A agenda também conta com o apoio da representação diplomática brasileira na Alemanha, que tem fornecido informações sobre o atual cenário da defesa alemã e europeia, contribuindo para a identificação de nichos de mercado e oportunidades para empresas brasileiras.

Catálogo da Base Industrial de Defesa em destaque

Durante o evento, o Ministério da Defesa promove o Catálogo de Produtos da Base Industrial de Defesa, ferramenta que reúne empresas, produtos e serviços brasileiros voltados aos setores de defesa e segurança.

A iniciativa busca ampliar a visibilidade internacional da indústria nacional, apresentando ao mercado europeu as capacidades desenvolvidas por empresas brasileiras em segmentos como aeronáutica, sistemas eletrônicos, tecnologias espaciais, comunicações, cibernética, armamentos, sensores e plataformas militares.

A divulgação do catálogo faz parte dos esforços do governo brasileiro para aumentar as exportações do setor e estimular novas oportunidades de negócios para empresas da BID.

Cooperação tecnológica e desenvolvimento industrial

A participação brasileira ocorre em um momento de crescente valorização das capacidades industriais e tecnológicas nacionais no contexto internacional. O fortalecimento da Base Industrial de Defesa é considerado elemento essencial para garantir autonomia estratégica, geração de empregos qualificados e desenvolvimento de tecnologias de uso dual, com aplicações tanto militares quanto civis.

Nesse contexto, a presença na ILA Berlin está alinhada às diretrizes da Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial que busca impulsionar a inovação, a competitividade e a capacidade produtiva nacional em áreas consideradas estratégicas para o futuro do país, entre elas a defesa.

Além da prospecção de negócios, a feira proporciona acesso direto às principais tendências tecnológicas globais, permitindo que representantes brasileiros acompanhem demonstrações e apresentações de sistemas avançados nas áreas de aviação militar, veículos aéreos não tripulados, defesa antiaérea, sensores, inteligência artificial e tecnologias espaciais.

Relação estratégica entre Brasil e Alemanha

A participação na ILA Berlin também reforça o diálogo histórico entre Brasil e Alemanha nas áreas de defesa, ciência e tecnologia. Os dois países mantêm cooperação em diversos segmentos industriais e de pesquisa, criando um ambiente favorável para o aprofundamento de parcerias voltadas ao desenvolvimento tecnológico e à inovação.

Ao participar de encontros com representantes da indústria, instituições de pesquisa e autoridades governamentais, a comitiva brasileira busca ampliar a integração internacional da Base Industrial de Defesa, promovendo oportunidades que possam resultar em transferência de conhecimento, desenvolvimento conjunto de tecnologias e expansão da presença brasileira no mercado global de defesa.

Projeção internacional da indústria brasileira

Mais do que uma vitrine tecnológica, a ILA Berlin 2026 representa uma importante plataforma de articulação estratégica para o Brasil. A presença do Ministério da Defesa demonstra o compromisso do país em fortalecer sua Base Industrial de Defesa, ampliar sua competitividade internacional e consolidar parcerias que contribuam para o desenvolvimento de capacidades nacionais de longo prazo.

Em um cenário internacional marcado pela crescente demanda por inovação, segurança e autonomia tecnológica, iniciativas como essa reforçam a importância da indústria de defesa como vetor de desenvolvimento econômico, geração de conhecimento e fortalecimento da soberania nacional.


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com SEPROD

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Fragatas Classe Tamandaré: o papel do SINAPSIS na nova geração de navios da Marinha do Brasil

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Entre os diversos sistemas que equipam as Fragatas Classe Tamandaré, o SINAPSIS ocupa uma posição estratégica ao ser responsável pela integração da ponte de navegação dos novos navios da Marinha do Brasil. Desenvolvido pela Anschütz, empresa do grupo TKMS, o sistema reúne e processa informações provenientes de radares, sensores, sistemas de governo e equipamentos de navegação, fornecendo aos operadores uma visão consolidada do ambiente operacional e contribuindo para a condução segura e eficiente da embarcação.

Consideradas o principal programa de renovação da Esquadra brasileira nas últimas décadas, as Fragatas Classe Tamandaré incorporam um elevado grau de digitalização e automação, alinhando a Marinha do Brasil às tendências observadas nas mais modernas forças navais do mundo. Nesse contexto, o SINAPSIS desempenha um papel fundamental ao atuar como o núcleo integrador das informações de navegação, ampliando a consciência situacional da tripulação e apoiando a tomada de decisão em operações de elevada complexidade.

Durante visita realizada ao escritório da Anschütz do Brasil, no Rio de Janeiro, o editor do GBN Defense, Angelo Nicolaci, teve a oportunidade de conhecer em detalhes as capacidades da solução e compreender sua importância para o Programa Fragatas Classe Tamandaré.

Para aprofundar o tema, Angelo Nicolaci conversou com Leandro Nunes Pinto, representante da Anschütz do Brasil, que explicou como o SINAPSIS foi adaptado aos requisitos da Marinha do Brasil, os desafios enfrentados durante sua integração ao programa e as tendências que deverão moldar o futuro dos sistemas de navegação naval.

GBN Defense: Qual é o papel do sistema SINAPSIS nas Fragatas Classe Tamandaré e quais capacidades ele agrega à Marinha do Brasil?

Leandro Nunes Pinto: "O SINAPSIS exerce papel central na integração da ponte de navegação das Fragatas Classe Tamandaré, reunindo em uma única arquitetura informações essenciais para a condução segura e eficiente do navio. Ele agrega maior consciência situacional, melhor coordenação entre os meios embarcados e apoio qualificado à tomada de decisão, colocando a embarcação em um patamar equivalente ao observado em sistemas de ponte integrada empregados por marinhas de referência da OTAN."

GBN Defense: Como o sistema integra radares, sensores, sistemas de navegação e demais equipamentos embarcados para fornecer consciência situacional à tripulação?

Leandro Nunes Pinto: "A solução foi desenvolvida para integrar diferentes fontes de informação de forma harmoniosa e inteligente, consolidando dados de radares, sensores, sistemas de governo, navegação e outros equipamentos embarcados em uma interface única e intuitiva. Isso permite à tripulação visualizar o ambiente de navegação com maior clareza, reduzindo a complexidade operacional e ampliando a capacidade de resposta em diferentes cenários."

GBN Defense: Quais foram os principais desafios técnicos na integração da solução ao Programa Fragatas Classe Tamandaré?

Leandro Nunes Pinto"A integração de um sistema dessa natureza em uma plataforma naval moderna exige elevado nível de engenharia, testes e validação. Entre os principais desafios estão a compatibilização com os requisitos operacionais da Marinha, a interoperabilidade entre diferentes subsistemas e a necessidade de garantir confiabilidade, robustez e desempenho em ambiente marítimo altamente exigente."

GBN Defense: De que forma a automação presente no SINAPSIS contribui para aumentar a eficiência operacional e reduzir a carga de trabalho da tripulação?

Leandro Nunes Pinto"A automação permite que diversas funções sejam executadas com maior precisão, rapidez e consistência, reduzindo tarefas manuais e simplificando processos de bordo. Com isso, a tripulação pode concentrar seus esforços em atividades de comando, supervisão e decisão, o que resulta em maior eficiência operacional e incremento da segurança da navegação."

GBN Defense: Como a Anschütz enxerga a evolução dos sistemas de ponte integrada e navegação militar diante das novas demandas operacionais?

Leandro Nunes Pinto"A Anschütz entende que a evolução desses sistemas caminha para níveis cada vez maiores de integração, automação e apoio à decisão. A navegação autônoma, que por muito tempo foi tratada como uma perspectiva de futuro, já se apresenta como uma capacidade em aceleração, com aplicações reais e progressivas em pouco tempo, especialmente dentro de arquiteturas digitais mais maduras e integradas."

GBN Defense: Quais tecnologias deverão moldar a próxima geração de sistemas de navegação e comando para navios militares?

Leandro Nunes Pinto: "As próximas gerações deverão ser moldadas por tecnologias como fusão de sensores, maior conectividade, automação avançada, inteligência embarcada e interfaces homem-máquina mais intuitivas. Também terão papel relevante a integração entre sistemas de navegação e comando e controle, além da capacidade de processar informações em tempo real para apoiar decisões mais rápidas e precisas, inclusive com evolução gradual para capacidades de navegação autónoma."

O cérebro da navegação das Fragatas Classe Tamandaré

Ao integrar sensores, radares, sistemas de navegação e equipamentos de governo em uma única arquitetura digital, o SINAPSIS tornou-se um dos elementos centrais da capacidade operacional das Fragatas Classe Tamandaré. Mais do que simplificar a operação do passadiço, a solução amplia a consciência situacional da tripulação e permite uma gestão mais eficiente das informações necessárias à condução do navio.

As respostas de Leandro Nunes Pinto evidenciam que a transformação digital da navegação militar já é uma realidade presente no Programa Fragatas Classe Tamandaré. À medida que conceitos como automação avançada, fusão de sensores e navegação autônoma evoluem, sistemas integrados como o SINAPSIS deverão assumir papel cada vez mais relevante na operação dos navios de guerra do futuro, consolidando as novas fragatas brasileiras entre as mais modernas plataformas navais em serviço na região.


Por Sophya


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sexta-feira, 12 de junho de 2026

BNDES Azul: a bordo da Fragata Tamandaré, Marinha e BNDES reforçam defesa da Amazônia Azul no Dia da Marinha

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Nesta quinta-feira (11) ocorreu a bordo da Fragata Tamandaré (F200), primeira unidade do Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), um encontro entre a Marinha do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) voltado à apresentação dos avanços da iniciativa BNDES Azul.

A atividade reuniu autoridades civis, militares e representantes da comunidade científica, com foco na consolidação de projetos ligados à Economia Azul e ao planejamento do espaço marítimo brasileiro. O encontro reforçou, na prática, a crescente integração entre defesa, ciência e desenvolvimento econômico no tratamento da Amazônia Azul como eixo estruturante de políticas de Estado.

A bordo da Fragata Tamandaré, o editor do GBN Defense, Angelo Nicolaci, acompanhou toda a programação em um ambiente que evidenciou não apenas a apresentação de projetos, mas a consolidação de uma agenda institucional de longo prazo envolvendo o ambiente marítimo brasileiro.

Mais do que uma atividade de balanço, o encontro revelou uma camada mais profunda de alinhamento entre Marinha e BNDES: a compreensão comum de que o mar brasileiro deixou de ser apenas um espaço físico de soberania para se tornar uma infraestrutura estratégica nacional, onde economia, defesa, ciência, energia, logística e indústria passam a operar de forma integrada e permanente.

Amazônia Azul e a consolidação do mar como eixo estrutural do Estado brasileiro

A abertura do encontro foi conduzida pelo Diretor-Geral de Navegação da Marinha do Brasil, Almirante de Esquadra Silvio Luiz dos Santos, que apresentou uma leitura ampla e estrutural sobre o papel do mar na estratégia nacional, com uma fala que se afastou de qualquer abordagem meramente institucional e entrou diretamente em uma visão de Estado de longo prazo.

Logo no início, o almirante destacou que o Brasil vive uma transição conceitual importante: o mar deixa de ser percebido como um espaço distante da vida cotidiana do país e passa a ser entendido como parte ativa da própria estrutura de funcionamento do Estado brasileiro. Essa mudança não é apenas semântica, mas estratégica, porque redefine a forma como políticas públicas, investimentos e capacidades operacionais são organizados.

Nesse contexto, a Amazônia Azul aparece não como uma área homogênea, mas como um sistema complexo de interdependências econômicas e estratégicas. O almirante destacou que é nesse espaço que se concentram fluxos decisivos do comércio exterior brasileiro, que dependem quase integralmente das rotas marítimas, além da produção de energia offshore, especialmente petróleo e gás, que sustentam parte significativa da matriz energética nacional.

Ao ampliar essa leitura, ele reforçou que o mar também abriga uma dimensão crescente de infraestrutura invisível, como cabos submarinos de comunicação, redes logísticas internacionais e áreas sensíveis de pesquisa científica, o que aumenta ainda mais sua relevância estratégica.

Foi nesse ponto que ele sintetizou a ideia central de sua abordagem: “O mar é parte indissociável da vida nacional. Ele sustenta nossa economia, nossa energia e nossa capacidade de inserção internacional.

Essa frase, no contexto da apresentação, não aparece como um slogan institucional, mas como uma conclusão derivada da própria estrutura econômica brasileira, que é fortemente dependente do ambiente marítimo.

Ao avançar em sua análise, o almirante passou a tratar o ambiente marítimo como um espaço de crescente complexidade operacional. Ele destacou que a natureza das ameaças mudou significativamente nas últimas décadas, deixando de ser previsível ou linear.

Hoje, segundo ele, o desafio não está apenas em identificar ameaças convencionais, mas em lidar com um ambiente no qual atividades legais e ilegais coexistem no mesmo espaço físico, muitas vezes de forma indistinguível. Isso inclui navegação comercial, pesca industrial, exploração científica, transporte internacional e também ilícitos transnacionais.

Nesse ponto, ele destacou: “As ameaças no mar são cada vez mais difusas, mais complexas e mais difíceis de identificar. Isso exige uma capacidade de vigilância permanente, integrada e tecnologicamente avançada.”

Essa formulação insere o Brasil em uma discussão global mais ampla sobre segurança marítima, na qual o conceito tradicional de defesa naval baseada apenas em presença física já não é suficiente. O ambiente exige integração entre sensores, plataformas navais, vigilância aérea, satélites e sistemas de inteligência de dados.

Ao aprofundar ainda mais essa lógica, o almirante reforçou que a soberania marítima depende diretamente da capacidade de resposta do Estado, que precisa ser contínua e proporcional à escala do território marítimo sob responsabilidade brasileira.

Ele foi enfático ao afirmar: “A obtenção de meios navais, aeronavais e de Fuzileiros Navais em quantidade e qualidade, bem como sistemas avançados de monitoramento e controle capazes de fazer frente a essas ameaças, torna-se cada vez mais necessária e essencial.”

Aqui, a fala ultrapassa o campo operacional e entra em uma leitura estrutural de poder naval: não se trata apenas de presença simbólica, mas de capacidade efetiva de controle de um espaço marítimo de dimensão continental.

Fragata Tamandaré e a reconfiguração da capacidade naval brasileira

A realização do encontro a bordo da Fragata Tamandaré adiciona uma camada importante de significado ao evento, pois a embarcação não representa apenas um novo meio naval, mas o início de uma nova geração de capacidade de escolta da Marinha do Brasil.

O Programa Fragatas Classe Tamandaré é, na prática, um dos projetos mais complexos da indústria de defesa brasileira contemporânea. Ele envolve não apenas construção naval, mas integração de sistemas de combate, transferência tecnológica, engenharia de alto nível e articulação de uma cadeia produtiva nacional que se conecta com fornecedores internacionais.

O impacto do programa vai além da Marinha. Ele atua diretamente na Base Industrial de Defesa, funcionando como um catalisador de desenvolvimento tecnológico e industrial, com efeitos sobre qualificação de mão de obra, geração de conhecimento e fortalecimento de capacidades produtivas no país.

Durante sua fala, o Almirante Silvio Luiz destacou que esse tipo de programa não pode ser entendido isoladamente, mas como parte de uma construção mais ampla de capacidade marítima nacional.

Nesse ponto, ele introduziu uma ideia central para a compreensão do evento: “O conhecimento do mar não é apenas suporte técnico. Ele é a base da nossa capacidade de agir com eficiência e segurança.”

Essa afirmação amplia o escopo da soberania marítima para além da dimensão física, incorporando uma dimensão cognitiva e tecnológica. Ou seja, não basta estar no mar, é necessário compreendê-lo profundamente em todas as suas dinâmicas.

Continuidade do PFCT e leitura institucional de longo prazo

Embora não tenha havido qualquer anúncio formal, o conjunto de falas e o contexto institucional do evento reforçam uma leitura clara de continuidade estratégica do Programa Fragatas Classe Tamandaré.

Programas navais dessa natureza raramente são definidos por decisões pontuais. Eles dependem de maturação institucional, sustentação orçamentária, alinhamento político e necessidade operacional de longo prazo. No caso brasileiro, a renovação da força de escoltas é considerada um requisito fundamental para a manutenção da capacidade de presença da Marinha do Brasil em sua vasta área de responsabilidade marítima, especialmente diante dos desafios associados à proteção da Amazônia Azul.

A própria escolha da Fragata Tamandaré como palco do encontro reforça essa percepção de consolidação progressiva do programa dentro da estrutura da Esquadra brasileira, indicando que ele tende a permanecer como um dos principais eixos da modernização naval nas próximas décadas.

Um dos momentos mais significativos da apresentação do Diretor-Geral de Navegação da Marinha do Brasil, Almirante de Esquadra Silvio Luiz dos Santos, foi a referência à Fragata Tamandaré como a “primeira de mais sete fragatas” que deverão integrar a Força Naval.

A afirmação possui relevância especial por partir de uma autoridade diretamente ligada ao planejamento e à condução das atividades marítimas da Marinha. Embora não constitua um anúncio oficial sobre novas contratações, a declaração sugere um elevado grau de confiança institucional na continuidade do programa para além das quatro unidades atualmente em construção.

A observação torna-se ainda mais interessante quando analisada à luz dos movimentos recentes envolvendo o Programa Fragatas Classe Tamandaré. A assinatura do Memorando de Entendimento (MoU) entre a Marinha do Brasil e a SPE Águas Azuis abriu formalmente espaço para estudos relacionados à ampliação do programa, representando um passo importante na avaliação de futuras unidades.

Naturalmente, um Memorando de Entendimento não equivale a uma contratação. Ainda existem etapas técnicas, orçamentárias e administrativas que precisam ser cumpridas antes da formalização de um novo lote. Entretanto, no universo dos programas estratégicos de defesa, iniciativas dessa natureza costumam sinalizar intenções de longo prazo e a busca por condições que permitam a continuidade de projetos considerados prioritários.

Além disso, segundo fontes do setor ouvidas pelo GBN Defense, a Marinha do Brasil já estaria realizando consultas e cotações relacionadas a sistemas empregados nas Fragatas Classe Tamandaré. Embora tais movimentações façam parte dos processos normais de planejamento e não representem, por si só, uma confirmação de contratação, elas são vistas pela indústria como um indicativo de que os estudos associados a um segundo lote já teriam avançado para fases mais concretas de avaliação.

Esse tipo de iniciativa costuma ocorrer com antecedência significativa em programas navais de grande porte, permitindo que a Força obtenha informações sobre custos, cronogramas, disponibilidade de equipamentos e capacidade de atendimento por parte dos fornecedores. Nesse contexto, as consultas realizadas reforçam a percepção de que a concepção de um segundo lote de fragatas já estaria em andamento dentro dos processos de planejamento de longo prazo da Marinha.

Caso essa expectativa se confirme, uma ampliação inicial com duas novas fragatas surge como uma possibilidade tecnicamente coerente, permitindo à Marinha manter a continuidade da curva de aprendizado industrial construída pelo PFCT, preservar competências estratégicas desenvolvidas ao longo do programa e ampliar gradualmente sua capacidade operacional.

Sob essa perspectiva, a referência feita pelo Almirante Silvio Luiz à Tamandaré como a primeira de oito fragatas deixa de ser apenas uma observação numérica e passa a ser interpretada como um dos mais claros sinais públicos, até o momento, de que a expansão do programa é vista dentro da própria instituição como um caminho natural para a renovação da força de superfície brasileira

Ilhas oceânicas: soberania, presença nacional e o papel estratégico da Marinha

Entre os diversos projetos apoiados pelo BNDES Azul, Aloizio Mercadante dedicou atenção especial às ilhas oceânicas brasileiras, destacando que sua importância vai muito além da preservação ambiental. Segundo o presidente do BNDES, esses territórios representam ativos estratégicos para a projeção marítima brasileira e para a manutenção dos direitos soberanos do país sobre vastas áreas da Amazônia Azul.

Mercadante ressaltou que a proteção dessas ilhas constitui uma responsabilidade de Estado e lembrou que a Marinha do Brasil desempenha papel central nesse esforço, mantendo presença permanente em regiões remotas do Atlântico Sul e assegurando condições para pesquisas científicas, monitoramento ambiental e exercício da soberania nacional.

Ao abordar o tema, destacou que algumas ilhas brasileiras enfrentam desafios relacionados à introdução de espécies invasoras e predadores que afetam diretamente ecossistemas sensíveis e populações de aves marinhas, comprometendo o equilíbrio ambiental dessas áreas. Para enfrentar essa situação, o BNDES estruturou uma iniciativa específica dentro do programa BNDES Azul voltada à proteção e recuperação dos ecossistemas insulares brasileiros.

Segundo Mercadante, os investimentos previstos deverão alcançar aproximadamente R$ 80 milhões, reunindo instituições científicas, órgãos ambientais e entidades especializadas em conservação.

Entretanto, o dirigente deixou claro que a relevância das ilhas oceânicas não se limita à preservação ambiental. Ao comentar a iniciativa, associou diretamente a proteção desses territórios à manutenção dos interesses estratégicos brasileiros no Atlântico Sul.

A observação ganha relevância quando se considera que arquipélagos como São Pedro e São Paulo e Trindade e Martim Vaz desempenham papel fundamental na sustentação da projeção marítima brasileira, contribuindo para a delimitação de extensas áreas sob jurisdição nacional e fortalecendo a presença do Brasil em regiões de elevado interesse geopolítico.

Nesse contexto, Mercadante destacou que a atuação da Marinha é indispensável: “Não se faz nada nessa área sem a Marinha. A Marinha é o coração dessa estratégia.”

A afirmação foi utilizada pelo presidente do BNDES para ilustrar que qualquer iniciativa relacionada à Amazônia Azul depende da capacidade da Força Naval de manter presença permanente no mar, apoiar pesquisas científicas, garantir a segurança da navegação e proteger os interesses nacionais em áreas muitas vezes localizadas a milhares de quilômetros da costa brasileira.

Ao longo de sua apresentação, Mercadante ressaltou que a Marinha acumula décadas de experiência na gestão dos assuntos marítimos nacionais, reunindo capacidades únicas nas áreas de hidrografia, oceanografia, monitoramento marítimo e apoio à pesquisa científica.

Essa estrutura, segundo ele, transforma a instituição em um dos principais pilares da estratégia brasileira para os oceanos.

A importância dessa presença torna-se ainda mais evidente diante do crescente valor estratégico dos recursos marítimos. Com a expansão das atividades ligadas à exploração energética offshore, à pesquisa mineral em águas profundas, à proteção de cabos submarinos, à pesca e ao comércio marítimo internacional, as ilhas oceânicas assumem papel cada vez mais relevante como pontos avançados de observação, monitoramento e presença nacional.

Para Mercadante, a proteção desses territórios insulares representa um exemplo claro da convergência entre desenvolvimento sustentável, pesquisa científica, defesa e soberania. Trata-se de uma agenda em que a conservação ambiental e os interesses estratégicos do Estado brasileiro não competem entre si, mas se complementam.

A avaliação converge diretamente com a visão apresentada pela Marinha durante o evento. Em um cenário internacional marcado pela crescente disputa por recursos e espaços marítimos, a manutenção de uma presença efetiva sobre as ilhas oceânicas brasileiras constitui não apenas uma necessidade ambiental, mas um componente essencial da estratégia nacional para a proteção da Amazônia Azul e para a consolidação do Brasil como potência marítima no Atlântico Sul.

BNDES, defesa e desenvolvimento: a Base Industrial de Defesa como instrumento de soberania nacional

Um dos aspectos mais relevantes da apresentação de Aloizio Mercadante foi a defesa explícita da Base Industrial de Defesa (BID) como um dos pilares do desenvolvimento nacional. Ao longo de sua exposição, o presidente do BNDES procurou demonstrar que os investimentos em defesa não devem ser compreendidos apenas sob a ótica militar, mas como instrumentos capazes de impulsionar inovação, gerar empregos qualificados, fortalecer cadeias produtivas complexas e ampliar a autonomia tecnológica do país.

Ao utilizar a Fragata Tamandaré como exemplo concreto dessa estratégia, Mercadante destacou que programas dessa natureza possuem efeitos que transcendem o ambiente operacional das Forças Armadas, produzindo impactos duradouros sobre a estrutura industrial brasileira.

“O impacto desses programas vai muito além do setor de defesa. Eles estruturam a capacidade industrial do país.”

A declaração sintetiza uma visão que tem orientado parte das ações recentes do banco. Segundo Mercadante, projetos estratégicos de defesa possuem a capacidade de mobilizar setores industriais inteiros, integrando empresas de diferentes portes, centros de pesquisa, universidades e fornecedores especializados em cadeias produtivas de elevado conteúdo tecnológico.

Nesse contexto, a Fragata Tamandaré foi apresentada não apenas como um moderno meio naval destinado à proteção da Amazônia Azul, mas também como símbolo da capacidade brasileira de absorver tecnologia, desenvolver competências industriais e ampliar o conteúdo nacional em programas de alta complexidade.

Mercadante destacou que o acordo firmado entre o BNDES e os responsáveis pelo programa estabelece mecanismos de acompanhamento voltados ao aumento progressivo da participação da indústria brasileira na construção das embarcações, fortalecendo fornecedores locais e estimulando a formação de mão de obra altamente especializada.

“Estamos formando gente, gerando emprego no Brasil inteiro, fortalecendo uma cadeia de empresas e acumulando conhecimento tecnológico.”

Segundo ele, esse processo é essencial para que o país reduza dependências externas e desenvolva competências permanentes em áreas consideradas estratégicas para a soberania nacional.

Ao abordar a renovação dos meios navais da Marinha, Mercadante também rebateu visões que questionam a capacidade brasileira de desenvolver sistemas complexos de defesa.

“É um completo equívoco imaginar que o Brasil não é capaz de produzir navios.”

Apontando para a própria Fragata Tamandaré, onde ocorreu o evento, o presidente do banco destacou que a embarcação representa o resultado concreto da combinação entre engenharia nacional, transferência de tecnologia, planejamento de longo prazo e fortalecimento da Base Industrial de Defesa.

Para Mercadante, o programa demonstra que o Brasil possui capacidade para participar de segmentos industriais de elevada complexidade tecnológica, desde que exista continuidade institucional e compromisso estratégico de longo prazo.

Essa continuidade, segundo ele, constitui o principal requisito para o fortalecimento da indústria de defesa.

“Sem continuidade, não existe Base Industrial de Defesa. O que sustenta esse setor é a previsibilidade e o compromisso de longo prazo.”

A observação ganha especial relevância diante das características próprias da indústria de defesa. Diferentemente de outros setores da economia, programas militares exigem ciclos de desenvolvimento que frequentemente se estendem por décadas, demandando estabilidade institucional, planejamento contínuo e previsibilidade de investimentos.

Nesse sentido, Mercadante apresentou o BNDES como um agente capaz de contribuir para a construção dessa estabilidade, apoiando projetos considerados estratégicos para o país e promovendo a articulação entre governo, indústria, academia e centros de pesquisa.

Outro ponto de destaque foi a defesa do papel do banco no financiamento da exportação de produtos de defesa brasileiros. Mercadante citou os resultados obtidos pela Embraer no mercado internacional e destacou que o fortalecimento das exportações é fundamental para garantir escala produtiva, ampliar a competitividade da indústria nacional e sustentar a evolução tecnológica dos sistemas desenvolvidos no país.

Segundo ele, o BNDES já participou do financiamento de mais de 160 aeronaves exportadas durante sua atual gestão, incluindo plataformas militares como o A-29 Super Tucano e o KC-390 Millennium, hoje presentes em um número crescente de forças aéreas ao redor do mundo.

A mesma lógica, afirmou, poderá ser aplicada futuramente a outros segmentos da indústria de defesa brasileira, incluindo o setor naval.

“Nós temos que exportar produtos de defesa para ganhar escala, musculatura, competência e aumentar cada vez mais o conteúdo local.”

A defesa da Base Industrial de Defesa surgiu também associada à proteção dos interesses brasileiros na Amazônia Azul. Mercadante lembrou que o Brasil possui mais de 8.500 quilômetros de litoral, uma extensa plataforma continental e uma área marítima de importância crescente para a economia nacional.

Segundo ele, proteger esse patrimônio exige investimentos permanentes em meios navais, sistemas de monitoramento, infraestrutura portuária, pesquisa científica e capacidades industriais capazes de garantir autonomia tecnológica ao país.

Nesse contexto, o presidente do BNDES associou diretamente o fortalecimento da indústria de defesa à capacidade do Estado brasileiro de exercer soberania sobre seus espaços marítimos, proteger recursos estratégicos e responder aos desafios de um ambiente internacional cada vez mais competitivo.

Segurança marítima, ilícitos transnacionais e a necessidade de presença permanente do Estado no mar

Outro aspecto relevante abordado por Aloizio Mercadante foi a crescente dimensão de segurança associada ao ambiente marítimo. Em sua avaliação, a proteção da Amazônia Azul não está relacionada apenas à exploração sustentável dos recursos naturais ou ao desenvolvimento da Economia Azul, mas também à capacidade do Estado brasileiro de exercer controle efetivo sobre uma área marítima de enorme extensão estratégica.

Ao longo de sua apresentação, o presidente do BNDES destacou que os desafios de segurança no mar vêm se tornando cada vez mais complexos, envolvendo desde atividades ilegais relacionadas à exploração de recursos naturais até a atuação de organizações criminosas transnacionais que utilizam as rotas marítimas para o tráfico internacional de drogas e outras atividades ilícitas.

Mercadante utilizou dados recentes para ilustrar a dimensão do problema. Segundo ele, somente em 2024 foram apreendidas cerca de 92 toneladas de drogas associadas a operações ligadas ao ambiente portuário e marítimo brasileiro, um indicador que evidencia a crescente importância das rotas oceânicas para o crime organizado internacional.

Para exemplificar a natureza global dessa ameaça, citou uma operação realizada em cooperação com autoridades espanholas que resultou na apreensão de aproximadamente nove toneladas de cocaína nas Ilhas Canárias. O caso foi apresentado como demonstração de que o enfrentamento ao crime transnacional exige não apenas meios nacionais robustos, mas também integração internacional de inteligência e cooperação entre instituições de diferentes países.

“A Polícia Federal fez uma operação com a inteligência espanhola e apreendeu nove toneladas de cocaína nas Ilhas Canárias.”

A referência não foi feita de forma isolada. Mercadante associou diretamente esse cenário à necessidade de fortalecer a capacidade de vigilância e controle dos portos brasileiros, destacando que uma parcela significativa das apreensões de drogas ocorre justamente em áreas ligadas à infraestrutura marítima e logística do país.

Nesse contexto, ressaltou a importância da integração entre Marinha do Brasil, Polícia Federal, Receita Federal, órgãos de segurança estaduais e demais instituições responsáveis pela fiscalização e proteção das fronteiras marítimas brasileiras.

Para o presidente do BNDES, o combate aos ilícitos transnacionais não pode ser visto apenas como uma questão de segurança pública, mas como um desafio estratégico nacional. A proteção dos portos, das rotas marítimas, das instalações energéticas offshore, dos cabos submarinos e dos recursos naturais presentes na Amazônia Azul exige investimentos permanentes em monitoramento, inteligência, infraestrutura e capacidade operacional.

Ao relacionar o tema à atuação da Marinha do Brasil, Mercadante destacou que a dimensão marítima da soberania nacional vai muito além da defesa militar tradicional. A presença naval constitui um elemento fundamental para garantir a segurança das atividades econômicas desenvolvidas no mar, assegurar o cumprimento da legislação brasileira e proteger interesses estratégicos em uma área marítima que abriga parcela significativa da riqueza nacional.

A fala também dialoga diretamente com as observações feitas pelo Almirante de Esquadra Silvio Luiz dos Santos durante a abertura do evento. Ao destacar ameaças como a pesca ilegal, pesquisas não autorizadas, crimes ambientais e outros ilícitos transnacionais, o Diretor-Geral de Navegação da Marinha ressaltou a necessidade de ampliar continuamente as capacidades navais, aeronavais e de monitoramento do país.

Sob essa perspectiva, Mercadante deixou claro que iniciativas como o BNDES Azul, os investimentos em infraestrutura portuária, os projetos de monitoramento marítimo e o fortalecimento da Base Industrial de Defesa estão inseridos em uma mesma lógica estratégica. Trata-se de criar as condições para que o Brasil exerça efetivamente sua autoridade sobre uma das maiores áreas marítimas do planeta, protegendo seus recursos, garantindo a segurança das rotas comerciais e preservando a estabilidade necessária para o desenvolvimento econômico.

Transição energética, SAF e a oportunidade estratégica do Brasil na nova economia do carbono

Ao abordar os desafios e oportunidades associados à Economia Azul, Aloizio Mercadante dedicou parte significativa de sua apresentação à transição energética global, tema que, segundo ele, está diretamente ligado ao futuro dos transportes marítimo e aéreo, à competitividade da economia brasileira e à capacidade do país de assumir uma posição de liderança em um mercado internacional cada vez mais orientado pela descarbonização.

Para o presidente do BNDES, o Brasil reúne condições únicas para ocupar posição de destaque nesse processo. Diferentemente de outras economias que dependem fortemente de combustíveis fósseis ou de matrizes energéticas intensivas em carbono, o país possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e uma combinação rara de recursos naturais, capacidade agrícola, biodiversidade e conhecimento tecnológico.

“O Brasil é o país que tem a melhor matriz energética entre os países do G20.”

Segundo Mercadante, essa vantagem competitiva coloca o país em posição privilegiada para liderar o desenvolvimento dos combustíveis renováveis que deverão impulsionar a próxima transformação dos setores de transporte marítimo, aviação e logística internacional.

Durante sua exposição, ele destacou que o debate sobre descarbonização deixou de ser uma questão exclusivamente ambiental e passou a representar uma disputa econômica e tecnológica de escala global. Nesse cenário, o Brasil possui potencial para se tornar um dos principais fornecedores mundiais de combustíveis renováveis destinados à aviação e à navegação. 

“O Brasil vai liderar o combustível renovável da aviação e da navegação.”

A afirmação foi acompanhada de exemplos concretos das iniciativas apoiadas pelo BNDES. Mercadante revelou que a instituição acaba de financiar uma das primeiras unidades voltadas à produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF), considerada uma das tecnologias mais promissoras para reduzir as emissões do setor aéreo sem necessidade de substituição imediata das frotas existentes.

Segundo ele, o projeto representa um passo importante na construção de uma nova cadeia industrial associada aos combustíveis renováveis, capaz de gerar investimentos, empregos qualificados e novas oportunidades de exportação para o país.

O presidente do banco também destacou que os avanços não se limitam à aviação. O setor marítimo internacional enfrenta crescente pressão regulatória para reduzir emissões de carbono, especialmente após decisões recentes da Organização Marítima Internacional (IMO), que vem estabelecendo metas cada vez mais ambiciosas para a descarbonização da navegação global.

Mercadante lembrou que o Brasil teve participação ativa nesse debate internacional, defendendo o reconhecimento dos biocombustíveis como solução efetiva para a redução das emissões no transporte marítimo e aéreo.

Segundo ele, muitos países tradicionalmente dependentes de combustíveis fósseis resistiam à inclusão dos biocombustíveis nas estratégias globais de descarbonização, principalmente porque não possuem as condições naturais e produtivas existentes no Brasil.

Essa resistência, porém, vem sendo gradualmente superada diante das evidências técnicas acumuladas nos últimos anos.

Como exemplo, Mercadante citou uma demonstração realizada recentemente na Alemanha, na qual veículos equipados com motores convencionais operaram utilizando biodiesel brasileiro sob acompanhamento técnico e científico.

Os resultados, segundo ele, foram expressivos: “Reduzimos em 92% a fumaça preta e em 67% as emissões de CO₂.”

O dirigente ressaltou que os testes demonstraram a viabilidade do uso de combustíveis renováveis sem necessidade de modificações estruturais significativas nos motores existentes, fator considerado crucial para acelerar a adoção dessas tecnologias em larga escala.

Para Mercadante, esse aspecto possui relevância estratégica porque reduz custos de transição e permite que setores inteiros da economia iniciem processos de descarbonização sem depender da substituição imediata de equipamentos e infraestruturas.

Ao conectar esse debate ao ambiente marítimo, o presidente do BNDES destacou que o futuro da Economia Azul passa necessariamente pela construção de uma logística mais limpa e eficiente. Portos, navios, cadeias de suprimentos e corredores de exportação deverão adaptar-se a padrões ambientais cada vez mais rigorosos, criando oportunidades para países capazes de oferecer soluções energéticas sustentáveis.

Nesse contexto, o Brasil reúne vantagens competitivas difíceis de replicar em outras regiões do mundo. Além de sua matriz energética renovável, o país dispõe de vastas áreas agrícolas, grande disponibilidade hídrica, capacidade industrial instalada e uma das maiores biodiversidades do planeta, fatores que ampliam seu potencial para liderar a produção de biocombustíveis avançados.

Mercadante também destacou iniciativas relacionadas ao etanol de milho, ao biodiesel e ao desenvolvimento de novos combustíveis derivados de matérias-primas renováveis, apontando que essas tecnologias poderão desempenhar papel central tanto na aviação quanto na navegação comercial nas próximas décadas.

Em sua avaliação, a transição energética representa uma oportunidade histórica para o Brasil ampliar sua relevância econômica e geopolítica.

Mais do que reduzir emissões, trata-se de criar novas cadeias industriais, ampliar exportações, atrair investimentos e consolidar uma posição de liderança em setores estratégicos para a economia do futuro.

A mensagem transmitida durante o evento foi clara: a Amazônia Azul não será apenas um espaço de exploração de recursos naturais ou de circulação de mercadorias. Ela também poderá se tornar um dos pilares da transição energética global, conectando produção de energia limpa, inovação tecnológica, logística sustentável e desenvolvimento econômico. Nesse cenário, o Brasil possui condições de transformar sua vocação marítima e energética em uma vantagem estratégica capaz de projetar o país para uma posição de protagonismo na economia mundial de baixo carbono.

Ciência, pesquisa oceanográfica e soberania informacional do oceano

Outro tema que permeou as apresentações realizadas a bordo da Fragata Tamandaré foi a relação direta entre ciência, conhecimento e soberania marítima. Mais do que uma agenda ambiental ou acadêmica, o desenvolvimento da capacidade científica nacional foi apresentado como um dos pilares da estratégia brasileira para a Amazônia Azul.

Ao longo de sua exposição, Aloizio Mercadante destacou que a capacidade de conhecer o oceano é condição indispensável para planejar sua ocupação, proteger seus recursos, identificar oportunidades econômicas e exercer plenamente a soberania nacional sobre uma das maiores áreas marítimas do planeta.

Nesse contexto, o presidente do BNDES ressaltou que o Planejamento Espacial Marinho, um dos principais eixos do BNDES Azul, depende diretamente da produção contínua de conhecimento científico sobre o ambiente oceânico. Segundo ele, a elaboração do chamado “Plano Diretor do Oceano Brasileiro” exige informações precisas sobre biodiversidade, correntes marítimas, recursos minerais, potencial energético, atividades econômicas, sensibilidade ambiental e características geológicas da plataforma continental.

A produção dessas informações, entretanto, não ocorre de forma espontânea. Ela depende de uma infraestrutura científica robusta, de instituições capacitadas e de meios especializados capazes de operar em áreas remotas do Atlântico Sul.

Foi nesse contexto que Mercadante relembrou a obtenção do Navio de Pesquisa Hidroceanográfico Vital de Oliveira, apontado por ele como um dos maiores exemplos da importância dos investimentos estratégicos em ciência aplicada ao ambiente marítimo.

Ao recordar o processo que levou à construção da embarcação, o presidente do BNDES destacou que a iniciativa nasceu das discussões relacionadas à ampliação da plataforma continental brasileira e à necessidade de produzir conhecimento científico próprio sobre o oceano.

Segundo Mercadante, em um primeiro momento foram discutidas diferentes alternativas para apoiar os estudos necessários à consolidação dos interesses brasileiros no mar, inclusive o uso de plataformas como forma de garantir presença nos limites de nossas águas. A solução escolhida foi a construção de um navio de pesquisa de alto desempenho, capaz de gerar conhecimento científico permanente para o país.

“Nós precisamos de um navio porque o navio vai produzir muito mais conhecimento, muito mais pesquisa e vai ter muito mais utilidade.”

O projeto reuniu esforços de diferentes instituições nacionais, incluindo a Marinha do Brasil, Petrobras, Agência Nacional do Petróleo (ANP), Vale e outros parceiros, resultando em uma das mais avançadas plataformas de pesquisa oceanográfica da América Latina.

Mercadante destacou que o Vital de Oliveira continua desempenhando papel fundamental na produção de conhecimento sobre os oceanos brasileiros, inclusive apoiando atividades relacionadas ao Planejamento Espacial Marinho atualmente em desenvolvimento.

A referência ao navio não foi casual. Ela simboliza uma visão mais ampla apresentada ao longo do evento: a de que a soberania marítima não depende apenas de navios de guerra, sistemas de monitoramento ou presença militar, mas também da capacidade nacional de produzir conhecimento sobre seu próprio território marítimo.

Essa perspectiva foi reforçada pela participação de representantes da comunidade científica, entre eles o professor Alexander Turra, titular da Cátedra UNESCO para Sustentabilidade dos Oceanos, que destacou a crescente compreensão do oceano como elemento central para a saúde, a economia, a segurança alimentar, a estabilidade climática e o bem-estar das sociedades.

A convergência entre ciência, defesa e desenvolvimento também aparece de forma clara na atuação da Marinha do Brasil. Ao longo de décadas, a Força Naval consolidou capacidades únicas nas áreas de hidrografia, cartografia náutica, meteorologia, oceanografia e monitoramento ambiental, constituindo uma das principais produtoras de conhecimento sobre o ambiente marítimo brasileiro.

Não por acaso, Mercadante definiu a Marinha como o “coração dessa estratégia”, ressaltando que grande parte das iniciativas do BNDES Azul somente se torna viável graças à infraestrutura, ao conhecimento acumulado e à capacidade operacional desenvolvida pela instituição ao longo de sua história.

Além do Planejamento Espacial Marinho, diversos projetos apoiados pelo BNDES Azul estão diretamente relacionados à produção de conhecimento científico. Iniciativas voltadas à conservação dos recifes de coral, à recuperação dos manguezais, à proteção das ilhas oceânicas e ao monitoramento dos ecossistemas costeiros dependem de pesquisas contínuas para orientar políticas públicas e garantir resultados efetivos.

Sob essa perspectiva, a ciência passa a desempenhar uma função estratégica comparável à de outras capacidades nacionais consideradas essenciais à soberania. Conhecer o oceano significa identificar riquezas, compreender vulnerabilidades, planejar atividades econômicas, proteger recursos naturais e antecipar desafios futuros.

Uma visão estratégica da Amazônia Azul para o século XXI

O evento foi encerrado com a entrega da Medalha do Mérito Naval ao presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, pelo Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante de Esquadra Carlos Henrique de Lima Bettega, gesto que simbolizou não apenas o reconhecimento da contribuição do banco para projetos ligados ao ambiente marítimo, mas também a consolidação de uma parceria institucional cada vez mais relevante entre desenvolvimento econômico, ciência, indústria e defesa nacional.

Mais do que a apresentação dos resultados do BNDES Azul, o encontro realizado a bordo da Fragata Tamandaré permitiu compreender como diferentes agendas estratégicas do Estado brasileiro estão gradualmente convergindo para uma visão integrada sobre o mar e seu papel no futuro do país.

As intervenções do Almirante de Esquadra Silvio Luiz dos Santos e de Aloizio Mercadante revelaram uma compreensão comum de que a Amazônia Azul não pode mais ser analisada apenas sob a ótica dos recursos naturais ou da exploração econômica. Ela representa um espaço estratégico onde se encontram soberania, segurança, energia, ciência, infraestrutura crítica, comércio internacional e desenvolvimento tecnológico.

Ao longo do evento ficou evidente que a proteção desse patrimônio marítimo exige muito mais do que presença naval. Exige conhecimento científico, capacidade industrial, infraestrutura logística, monitoramento permanente, planejamento de longo prazo e instituições capazes de atuar de forma coordenada.

Nesse contexto, a Fragata Tamandaré acabou assumindo um simbolismo especial. O navio não serviu apenas como palco para o evento. Sua presença sintetizou boa parte dos temas debatidos ao longo da cerimônia. Resultado de uma política de conteúdo local, transferência de tecnologia e fortalecimento da Base Industrial de Defesa, a embarcação representa a materialização da ideia defendida por Mercadante de que investimentos estratégicos geram efeitos que ultrapassam os limites do setor militar, produzindo conhecimento, empregos qualificados, inovação e capacidade industrial.

Da mesma forma, as referências feitas ao Planejamento Espacial Marinho, ao Navio de Pesquisa Hidroceanográfico Vital de Oliveira, à proteção das ilhas oceânicas, à conservação dos corais, ao monitoramento dos ecossistemas costeiros e à transição energética demonstram que o Brasil começa a estruturar uma abordagem mais abrangente para o ambiente marítimo, alinhada às tendências observadas nas principais potências marítimas do mundo.

Outro aspecto que emergiu com clareza foi a crescente interdependência entre segurança e desenvolvimento. As referências ao combate aos ilícitos transnacionais, ao tráfico internacional de drogas, à proteção das rotas marítimas, das infraestruturas portuárias e dos recursos naturais reforçam a percepção de que a prosperidade associada à Economia Azul depende diretamente da capacidade do Estado de exercer autoridade efetiva sobre suas águas jurisdicionais.

Nesse sentido, as falas apresentadas durante o evento apontam para uma visão na qual defesa e desenvolvimento deixam de ser temas paralelos e passam a ser entendidos como dimensões complementares de uma mesma estratégia nacional. A capacidade de proteger o mar está diretamente ligada à capacidade de utilizá-lo de forma sustentável. Da mesma forma, a exploração econômica dos recursos marítimos fortalece as condições necessárias para sustentar a presença do Estado e ampliar sua capacidade de defesa.

O encontro também evidenciou uma compreensão crescente sobre o papel da Base Industrial de Defesa como instrumento de desenvolvimento econômico e tecnológico. Ao defender a continuidade dos programas estratégicos, a ampliação do conteúdo nacional e a expansão das exportações de produtos de defesa, Mercadante apresentou uma visão que aproxima o Brasil das experiências adotadas por países que utilizam suas capacidades industriais e tecnológicas como instrumentos permanentes de projeção de poder e geração de riqueza.

Sob essa perspectiva, a Amazônia Azul emerge não apenas como uma vasta área marítima sob jurisdição brasileira, mas como um dos principais ativos estratégicos do país para o século XXI. Um espaço onde convergem os desafios da segurança energética, da proteção ambiental, da transição para uma economia de baixo carbono, da exploração sustentável de recursos naturais, da inovação tecnológica e da afirmação da soberania nacional.

A principal mensagem deixada pelo evento talvez seja justamente essa: o futuro marítimo do Brasil dependerá cada vez mais da capacidade de integrar políticas de defesa, ciência, indústria, infraestrutura e desenvolvimento em torno de uma visão comum de longo prazo. E, nesse processo, a parceria entre Marinha do Brasil e BNDES surge como um dos pilares mais relevantes da construção dessa estratégia nacional para a Amazônia Azul.


Por Angelo Nicolaci


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