A Embraer e a Saab realizaram nesta quarta-feira (7) o voo inaugural do primeiro caça F-39E Gripen produzido no Brasil pela Embraer. A aeronave decolou das instalações da empresa em Gavião Peixoto (SP) para uma missão destinada a verificar o desempenho dos principais sistemas e validar suas características de voo.
O voo marca uma nova etapa do programa Gripen no Brasil e, principalmente, da capacidade industrial construída no país desde a assinatura do contrato com a Força Aérea Brasileira (FAB) em 2014. Mais de uma década de transferência de tecnologia, treinamento e cooperação entre brasileiros e suecos resultou na criação de competências nacionais em engenharia, fabricação, integração e ensaios de aeronaves de combate.
A Embraer teve participação central no planejamento e na execução do voo inaugural. A missão foi conduzida por um piloto de testes da Saab e permitiu a coleta de dados que serão utilizados na continuidade da campanha de ensaios de voo de produção e aceitação, etapa que antecede a entrega da aeronave à FAB.
O primeiro F-39E Gripen fabricado no Brasil havia sido apresentado oficialmente em 25 de março, após a conclusão de sua montagem final pela Embraer. A aeronave integra o primeiro grupo de 15 unidades previstas para serem produzidas no país dentro do programa atualmente contratado.
Com a entrada de Gavião Peixoto na produção do caça, o Brasil passou a integrar de forma ainda mais ampla a cadeia industrial global do Gripen. A unidade da Embraer abriga a única linha de produção do modelo fora da Suécia e participa de uma rede que envolve fabricação, integração, testes e fornecimento de componentes e sistemas.
“Este voo do primeiro Gripen E produzido pela Embraer no Brasil é um marco histórico para a indústria aeroespacial e de defesa do país”, afirmou Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança. Segundo o executivo, o resultado consolida uma estratégia baseada na combinação da visão da FAB, da tecnologia da Saab e das capacidades brasileiras de engenharia e manufatura.
Para Marcus Wandt, head da área de negócios Aeronautics da Saab, o voo demonstra que a produção brasileira do Gripen alcançou um novo nível de maturidade. A avaliação da empresa sueca também aponta Gavião Peixoto como uma estrutura com potencial para sustentar novas atividades industriais relacionadas ao caça no Brasil.
O contrato original prevê 36 aeronaves para a FAB, sendo 28 Gripen E monoposto e oito Gripen F biposto. As entregas começaram em 2020 e, até o momento, dez aeronaves foram entregues à Força Aérea Brasileira.
A transferência de tecnologia constitui um dos principais elementos do programa. Engenheiros, técnicos e especialistas brasileiros passaram a trabalhar diretamente com equipes da Saab em atividades que abrangem desenvolvimento, engenharia, fabricação, integração e ensaios em voo. O processo transformou o conhecimento inicialmente transferido em capacidades industriais estabelecidas no país.
A próxima etapa para a aeronave que realizou o voo inaugural será a conclusão da campanha de ensaios de produção e aceitação. Depois de certificada como aeronavegável, será entregue à FAB e transferida para a Base Aérea de Anápolis (GO), onde deverá integrar o 1º Grupo de Defesa Aérea (1º GDA), unidade responsável pela operação dos F-39E Gripen atualmente em serviço.
O movimento também ganhou uma perspectiva de longo prazo em julho, quando Embraer e Saab assinaram um Memorando de Entendimentos (Heads of Agreement) para ampliar a cooperação e estabelecer as bases para negociações de novos contratos. A proposta contempla a potencial produção de mais 20 Gripen em Gavião Peixoto, com possibilidade de expansão futura e atendimento tanto ao mercado brasileiro quanto a oportunidades internacionais.
Caso essa perspectiva avance para contratos firmes, a capacidade instalada no Brasil poderá complementar a linha de montagem final da Saab em Linköping, na Suécia. O modelo amplia o papel de Gavião Peixoto dentro da arquitetura industrial do Gripen, deixando de ser apenas uma estrutura vinculada ao atendimento da FAB para se tornar potencialmente um segundo polo de produção do caça para o mercado global.
O primeiro voo do F-39E Gripen produzido no Brasil, portanto, representa mais do que a conclusão de uma aeronave. Ele coloca em operação uma capacidade industrial construída ao longo de mais de uma década e testa, na prática, a autonomia brasileira em uma das etapas mais complexas da fabricação de um caça moderno: integrar sistemas, realizar os ensaios iniciais e preparar a aeronave para sua aceitação operacional.
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