O Naval Group está ampliando sua presença no mercado europeu de defesa naval, impulsionado pelo aumento dos investimentos em defesa e pela demanda por novas fragatas. A empresa francesa aposta na capacidade industrial instalada e na entrega de navios dentro dos cronogramas para disputar contratos com concorrentes como BAE Systems, TKMS e Babcock.
Clientes europeus fora da França já representam entre 20% e 25% do faturamento anual do grupo, de €4,7 bilhões. Em 2019, essa participação era praticamente inexistente. O crescimento foi sustentado por contratos na Grécia, Bélgica, Holanda e Suécia.
O próximo objetivo é a Dinamarca, onde o Naval Group prepara uma proposta para o programa de novas fragatas. A concorrência ocorre em meio à expansão dos investimentos navais europeus, impulsionada pela guerra na Ucrânia, pela crescente atividade russa no entorno europeu e pela necessidade de reforçar as capacidades marítimas do continente.
“Uma das características do mercado europeu atualmente é a necessidade de entregas rápidas com sistemas que funcionem”, afirmou Guillaume Weisrock, vice-presidente sênior de vendas e desenvolvimento de negócios do Naval Group para Europa e América do Norte.
Capacidade industrial
O Naval Group procura explorar uma vantagem diante de concorrentes que enfrentaram atrasos e aumento de custos em programas recentes.
No estaleiro de Lorient, três fragatas destinadas à Grécia estavam em diferentes fases de construção e testes. Uma primeira unidade já foi entregue à Marinha grega. O estaleiro também iniciou a construção da primeira de quatro fragatas contratadas pela Suécia, enquanto mantém navios destinados à Marinha francesa em produção.
A empresa afirma que pode construir duas fragatas de defesa e intervenção por ano em Lorient, com prazo de entrega inferior a quatro anos e meta de reduzir esse período para aproximadamente três anos.
A capacidade de produção ganhou importância após problemas em outros programas europeus. Em junho, a Alemanha cancelou um programa de fragatas conduzido pela Damen após dificuldades relacionadas a custos e cronograma, transferindo a demanda para a TKMS. A Bélgica também enfrenta atrasos em um programa envolvendo a empresa holandesa.
Parcerias locais
O Naval Group combina a oferta de suas plataformas com participação industrial dos países compradores.
Na Grécia, a empresa trabalha com os estaleiros Salamis. Na Suécia, estabeleceu parceria com a Saab para integrar equipamentos e sistemas nacionais às fragatas.
“Isso também inclui incorporar as soluções deles ao nosso catálogo de opções”, afirmou Jean-Marie Dorbon, diretor do programa de fragatas do Naval Group.
A estratégia permite adaptar os navios às exigências dos clientes sem abandonar uma linha de produção já estabelecida.
Disputa estratégica
A concorrência permanece acirrada. O Naval Group perdeu para a BAE Systems a disputa por novas fragatas para a Noruega e agora enfrenta a Babcock na concorrência dinamarquesa. A TKMS, por sua vez, ganhou espaço na Alemanha após assumir o programa de fragatas anteriormente atribuído à Damen.
O movimento evidencia uma mudança no mercado europeu: além de desempenho e armamento, os governos passaram a avaliar a capacidade dos fabricantes de produzir, entregar e sustentar os navios dentro dos prazos previstos.
Para o Naval Group, essa combinação de produção ativa, parcerias industriais e capacidade de entrega tornou-se um dos principais argumentos para ampliar sua participação no mercado naval europeu.
GBN Defense - A informação começa aqui




0 comentários:
Postar um comentário