O Centro de Avaliações do Exército (CAEx) divulgou imagens de um teste de tiro de precisão realizado com o EE-9 Cascavel Nova Geração (Cascavel NG), parte do processo de modernização da frota de reconhecimento da Força Terrestre.
O projeto está inserido no Programa Estratégico do Exército Forças Blindadas e atualiza uma plataforma empregada pelo Exército há décadas, substituindo sistemas analógicos por uma arquitetura digital e incorporando melhorias de mobilidade, sensores, direção de tiro e consciência situacional.
O sistema de armas também foi modernizado. A torre recebeu automação, enquanto o canhão de 90 mm passou a ser operado por joystick e integrado a um computador balístico. O conjunto busca elevar a precisão do tiro e reduzir a carga de trabalho da guarnição durante o engajamento.
A capacidade de observação foi ampliada com optrônicos modernos, câmeras termais, visão noturna e câmeras com cobertura de 360 graus. Para uma viatura de reconhecimento, essa mudança é particularmente relevante, pois aumenta a capacidade de detectar, identificar e acompanhar alvos em diferentes condições de luminosidade.
A modernização envolve a Diretoria de Fabricação do Exército e o Consórcio Força Terrestre, liderado pela Akaer, reforçando a participação da Base Industrial de Defesa no desenvolvimento e na integração dos sistemas. O modelo também preserva conhecimento técnico e amplia a capacidade nacional de manutenção e atualização de plataformas militares.
O Cascavel NG não substitui os novos meios incorporados às Forças Blindadas, como o Centauro II, mas atua em outra camada da renovação da frota. A modernização permite elevar a capacidade de parte dos meios existentes enquanto a substituição por plataformas de nova geração ocorre de forma progressiva, dentro das limitações de orçamento, produção e disponibilidade.
Nesse sentido, o projeto revela uma escolha pragmática. A modernização de uma plataforma já conhecida pela tropa reduz a ruptura logística e aproveita infraestrutura, doutrina e experiência acumuladas, enquanto concentra recursos nos componentes que mais alteram seu desempenho operacional: sensores, processamento, direção de tiro e mobilidade.
O desafio passa a ser transformar essa evolução tecnológica em capacidade efetiva de unidade. A digitalização do Cascavel só terá valor operacional se os novos sistemas apresentarem confiabilidade, disponibilidade, facilidade de manutenção e integração adequada aos sistemas de comando e controle empregados pelo Exército. É justamente nessa transição entre requisito técnico e emprego real que os ensaios conduzidos pelo CAEx ganham importância.
O Cascavel NG, portanto, deve ser compreendido menos como uma simples extensão da vida útil do EE-9 e mais como uma tentativa de preservar massa operacional enquanto a Força Terrestre reorganiza sua frota de reconhecimento. A combinação entre modernização nacional e incorporação gradual de novas plataformas permite ao Exército avançar em capacidade sem depender exclusivamente da substituição integral de seus meios, uma abordagem particularmente relevante diante do custo e do tempo necessários para renovar uma frota blindada em escala.
GBN Defense - A informação começa aqui
com Exército Brasileiro









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