sábado, 17 de outubro de 2026

Índia enfrenta déficit de caças e expõe o custo dos atrasos nos programas de defesa

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Com 29 esquadrões de caça diante de uma necessidade de 42, a Força Aérea Indiana enfrenta dificuldades para renovar sua frota. No Brasil, os atrasos do Gripen evidenciam como cortes orçamentários comprometem cronogramas, elevam custos e retardam a entrega de capacidades militares.

A Força Aérea Indiana opera abaixo da estrutura de 42 esquadrões de caça considerada necessária, com apenas 29 disponíveis em outubro de 2026. A diferença pressiona a capacidade de renovar a frota e manter o poder aéreo diante das forças da China e do Paquistão. Para conter essa redução, a Índia precisa incorporar entre 36 e 40 aeronaves por ano, segundo declarações do comandante da força, marechal do ar A. P. Singh.

O desafio não está apenas em desenvolver caças modernos, mas em produzi-los e entregá-los no ritmo exigido pelas necessidades operacionais. O programa Tejas Mk1A ilustra essa dificuldade: atrasos industriais e no fornecimento de motores postergaram a entrada em serviço de uma aeronave essencial para a renovação da frota.

Tejas Mk1A: a distância entre encomenda e entrega

Desenvolvido pela Hindustan Aeronautics Limited (HAL), o Tejas Mk1A incorpora melhorias em relação à versão anterior, incluindo novos sistemas eletrônicos e radar. A Índia encomendou 83 unidades em 2021, com entregas inicialmente previstas para começar em 2024, mas o cronograma sofreu atrasos. Em 2025, o país também adquiriu outras 97 aeronaves, cujas entregas estão previstas para começar no ano fiscal de 2027–2028.

Entre os obstáculos estão os atrasos no fornecimento dos motores F404 da norte-americana GE Aerospace, além dos trabalhos de integração e certificação dos sistemas. Em outubro de 2026, a empresa informou ter enviado mais quatro motores em setembro, elevando para 14 o total fornecido para o primeiro lote de 83 caças.

Enquanto a produção não alcança o ritmo planejado, a Força Aérea Indiana precisa manter aeronaves mais antigas em serviço e administrar uma frota inferior à sua necessidade declarada. O caso mostra como atrasos industriais podem ampliar lacunas operacionais, mesmo quando existem contratos firmados e uma estratégia de desenvolvimento nacional em andamento.

Ambição tecnológica e necessidade operacional

A Índia também investe no futuro caça furtivo AMCA e na integração entre aviação, sistemas não tripulados, guerra eletrônica e capacidades espaciais. O objetivo é ampliar a detecção de ameaças, o compartilhamento de dados e a coordenação das operações.

Esses projetos, porém, não substituem a necessidade imediata de recompor os esquadrões. O país precisa conciliar o desenvolvimento de tecnologias avançadas com a entrega de aeronaves, a modernização dos modelos existentes e a sustentação dos meios em serviço. Sem essa coordenação, a evolução tecnológica pode ocorrer sem que a capacidade operacional acompanhe o mesmo ritmo.

Gripen: cortes orçamentários atrasam entregas e elevam custos

No Brasil, o programa F-39 Gripen enfrenta um problema de natureza diferente. Embora envolva desafios técnicos e industriais próprios, os atrasos e as reprogramações do cronograma de entrega estão diretamente relacionados à falta de previsibilidade orçamentária e aos sucessivos cortes e contingenciamentos dos recursos destinados à Defesa.

O contrato firmado em 2014 prevê a aquisição de 36 caças, com transferência de tecnologia e participação da indústria brasileira. O cronograma original, que previa a conclusão das entregas em 2024, foi estendido até 2032. A irregularidade na disponibilização dos recursos compromete o ritmo de execução dos compromissos financeiros e obriga a reprogramar etapas do programa.

Esse processo tem consequências que vão além do adiamento das aeronaves. Atrasos custam dinheiro. A extensão dos cronogramas pode aumentar despesas administrativas e financeiras, prolongar contratos de suporte, exigir a manutenção de estruturas por mais tempo e elevar os custos de transição entre frotas. Os efeitos concretos variam conforme as cláusulas contratuais e as medidas adotadas, mas a postergação de entregas não deve ser tratada como se não tivesse impacto econômico.

A imprevisibilidade também prejudica o planejamento industrial. A produção nacional, a capacitação de engenheiros e técnicos e a transferência de conhecimento dependem de continuidade. Quando o financiamento oscila, empresas e fornecedores precisam adaptar seus planos, enquanto a Força Aérea demora mais para receber as capacidades previstas.

O Gripen não deve ser confundido com o Tejas: na Índia, os principais entraves destacados são industriais e técnicos; no Brasil, a restrição e a instabilidade orçamentárias têm peso direto na execução e no cronograma contratual. Em ambos os casos, contudo, o resultado é um intervalo maior entre a necessidade militar e a disponibilidade efetiva dos novos caças.

Planejamento de defesa exige continuidade

A experiência indiana demonstra que desenvolver uma aeronave nacional não garante sua entrega no prazo. O caso brasileiro acrescenta outra lição: mesmo quando a plataforma foi selecionada e o contrato está em andamento, cortes recorrentes podem comprometer a execução e reduzir os benefícios esperados do investimento.

Programas de defesa são compromissos plurianuais. Sua eficiência depende de planejamento realista, controle de custos e recursos compatíveis com os contratos. Contingenciar verbas pode aliviar momentaneamente o orçamento de um exercício, mas, quando provoca atrasos, também pode transferir despesas para os anos seguintes e prolongar lacunas operacionais.

Para o Brasil, assegurar previsibilidade ao programa Gripen é parte da própria modernização da FAB. Não basta contratar 36 aeronaves: é necessário financiá-las de forma consistente, concluir as entregas e consolidar a capacidade industrial associada ao projeto. Caso contrário, o país corre o risco de pagar mais para receber mais tarde uma capacidade que já deveria estar disponível.


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Türkiye pode antecipar recebimento do Eurofighter com oferta europeia

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Proposta permitiria à Força Aérea Turca receber caças novos antes de 2030, mas a identidade do país ofertante e os termos da negociação não foram divulgados.

A Türkiye recebeu a oferta de um país europeu para assumir posições na fila de produção dos caças Eurofighter Typhoon, segundo reportagem do portal turco SavunmaSanayiST. A proposta permitiria antecipar o recebimento de aeronaves novas, reduzindo a espera pelo reforço da aviação de combate turca.

Cronograma de entregas

Em 27 de outubro de 2025, Türkiye e Reino Unido assinaram um acordo para a aquisição de 20 aeronaves Eurofighter Typhoon Tranche 4, com entregas previstas entre 2030 e 2032. O cronograma original contempla seis aeronaves em 2030, oito em 2031 e outras seis em 2032.

A antecipação permitiria à Força Aérea Turca incorporar os caças mais cedo, desde que os ajustes industriais e contratuais fossem acordados entre os países envolvidos. A Türkiye também avalia a aquisição de Eurofighter usados de países como Omã e Catar, alternativa que poderia ampliar sua capacidade de combate antes da chegada dos novos exemplares.

Produção e preparação operacional

O Eurofighter Typhoon é produzido por um consórcio formado por Reino Unido, Alemanha, Itália e Espanha. As encomendas em andamento e os compromissos de entrega tornam a programação industrial um fator decisivo para qualquer antecipação.

Paralelamente, Ancara e Londres avançam na preparação para operar a aeronave, com iniciativas de treinamento, manutenção e suporte logístico. A entrada antecipada dos caças exigiria compatibilizar as entregas com a formação de pilotos e técnicos, a infraestrutura de manutenção e a integração dos armamentos.

Até que os governos envolvidos confirmem a proposta, não é possível determinar quantas aeronaves poderiam ser antecipadas nem quando chegariam à Türkiye. O eventual acordo representaria uma mudança no calendário de entrega, mas seu impacto operacional dependeria da rapidez com que o país conseguisse colocar os caças em serviço.


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Nova Zelândia assina acordo de US$ 940 milhões para cinco MH-60R Seahawk

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A aquisição substituirá os SH-2G Seasprite e reforçará as capacidades de guerra antissubmarino e de combate a alvos de superfície. As entregas devem começar em 2030.

A Nova Zelândia assinou em 16 de outubro um acordo com os Estados Unidos para adquirir cinco helicópteros navais MH-60R Seahawk, incluindo armamentos, sistemas de missão, treinamento, peças de reposição e suporte logístico. O programa prevê a renovação da aviação embarcada da Marinha Real da Nova Zelândia e o fortalecimento de suas capacidades navais no Indo-Pacífico.

As aeronaves substituirão os SH-2G Seasprite atualmente em serviço. As entregas estão previstas para começar em 2030. A Marinha será responsável pelas tripulações, enquanto a Força Aérea Real da Nova Zelândia assumirá a manutenção dos helicópteros.

Armamentos e capacidades operacionais

O pacote inclui 65 mísseis AGM-114R Hellfire, 225 foguetes guiados APKWS, metralhadoras M240D e torpedos leves Mk 54. Essa configuração permite ao MH-60R executar missões contra submarinos e embarcações de superfície, além de apoiar operações navais e de busca e salvamento.

Projetado para operar a partir de navios de guerra, o Seahawk combina radar, sensores eletro-ópticos, sonar aerotransportado, sonoboias e sistemas de detecção de anomalias magnéticas. O conjunto permite localizar, acompanhar e engajar ameaças submarinas, ampliando a área de vigilância e a capacidade de resposta das unidades navais.

O helicóptero pode atingir aproximadamente 330 km/h e possui alcance divulgado de 963 km. Sua integração ao sistema tático Link-16 permite compartilhar informações com plataformas compatíveis, favorecendo a coordenação entre navios, aeronaves e outras forças.

Interoperabilidade no Indo-Pacífico

A escolha do MH-60R também favorece a interoperabilidade com a Austrália e outros parceiros que operam sistemas compatíveis. A padronização de plataformas e procedimentos pode facilitar operações conjuntas, treinamento e apoio logístico em um ambiente regional marcado pela crescente importância da vigilância marítima e da guerra antissubmarino.

O programa prevê US$ 940 milhões em investimento de capital, além de uma média estimada de US$ 62,2 milhões anuais para operação durante os primeiros dez anos. Em junho, os Estados Unidos haviam autorizado uma possível venda militar estimada em até US$ 1,5 bilhão, antes da conclusão do acordo.

SH-2G Seasprite atualmente em serviço

A substituição dos Seasprite pelos Seahawk representa uma mudança relevante na aviação naval neozelandesa. A efetividade do programa dependerá não apenas da entrega das aeronaves, mas também da integração dos sistemas, da disponibilidade dos armamentos, da formação das tripulações e da sustentação logística ao longo da vida útil da frota.


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Coreias aceleram corrida hipersônica e ampliam o desafio da defesa antimíssil

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A rivalidade militar entre as Coreias ganhou um novo capítulo em outubro, com o teste de um veículo planador hipersônico pela Coreia do Sul e novos ensaios de mísseis anunciados pela Coreia do Norte, incluindo sistemas de cruzeiro lançados de submarinos. Os movimentos refletem a busca dos dois países por meios capazes de ampliar suas opções de ataque e dificultar a resposta adversária.

Embora os programas tenham características distintas, ambos integram uma competição em que a capacidade de atingir alvos, sobreviver às defesas e manter uma força de dissuasão confiável tem peso crescente. O alcance real desses avanços, porém, depende de evidências técnicas e de sua transformação em capacidades operacionais, não apenas dos anúncios oficiais.

Coreia do Sul testa veículo planador hipersônico

Em 8 de outubro, o presidente sul-coreano Lee Jae-myung acompanhou o teste de um veículo planador hipersônico, conhecido pela sigla HGV, de Hypersonic Glide Vehicle. Segundo o governo, o ensaio avaliou tecnologias relacionadas à resistência térmica, à guiagem, ao controle e à capacidade de manobra durante o voo.

O sistema utiliza um propulsor para atingir as condições necessárias à separação. Depois dessa fase, o veículo planador segue em direção ao alvo em velocidades hipersônicas, podendo alterar sua trajetória. Essa característica pode dificultar a previsão de seu percurso e do ponto de impacto, impondo exigências adicionais aos sistemas de detecção e interceptação.

Seul informou que o veículo se separou do propulsor e executou a trajetória planejada, incluindo manobras em baixa altitude. O governo apresentou o ensaio como um avanço no desenvolvimento da tecnologia, mas não divulgou dados suficientes para determinar com precisão o alcance, a velocidade máxima, a capacidade de manobra ou o estágio de prontidão operacional do sistema. 

O teste representa um passo no desenvolvimento sul-coreano, mas não comprova, isoladamente, que a arma esteja pronta para emprego militar. A transição de um demonstrador tecnológico para um sistema operacional exige validação adicional, confiabilidade, integração com os sistemas de comando e controle e capacidade de produção. Sem informações públicas sobre essas etapas, não é possível determinar quanto falta para sua incorporação às forças armadas.

Pyongyang contesta os resultados

A demonstração sul-coreana provocou uma reação da Coreia do Norte. Jang Chang-ha, responsável pela Administração de Mísseis norte-coreana, questionou o desempenho anunciado por Seul, usando como argumento a ausência de marcas visíveis de fuligem ou danos térmicos nas imagens divulgadas.

O Ministério da Defesa sul-coreano respondeu que o veículo utilizou materiais resistentes ao calor, justificando a aparência externa observada. Em 16 de outubro, Pyongyang voltou a contestar a explicação, mantendo a disputa pública sobre os resultados do ensaio. 

A controvérsia evidencia os limites da avaliação baseada em imagens e declarações oficiais. A aparência externa de um veículo não permite estabelecer sua velocidade, o perfil térmico durante todo o voo ou a precisão de sua guiagem. Sem dados independentes de telemetria e rastreamento, não há elementos suficientes para confirmar integralmente as alegações de nenhuma das partes.

A disputa também tem dimensão estratégica. Seul busca demonstrar progresso tecnológico diante de uma ameaça militar concreta, enquanto Pyongyang procura questionar a credibilidade da capacidade anunciada por seu adversário. Nesse contexto, a comunicação pública dos testes faz parte da competição, mas não substitui a comprovação técnica do desempenho.

Coreia do Norte diversifica seus meios de ataque

Em 14 de outubro, a Coreia do Norte anunciou o teste de dois tipos de mísseis de cruzeiro estratégicos lançados de submarinos, realizado na costa leste do país. Segundo a agência estatal KCNA, os ensaios buscaram avaliar as capacidades operacionais da Marinha e a confiabilidade dos sistemas de dissuasão.

As informações divulgadas não apresentaram especificações suficientes para estabelecer com precisão o alcance, o desempenho ou as condições completas dos lançamentos. 

O emprego de submarinos como plataformas de lançamento amplia as opções de posicionamento e pode dificultar a identificação antecipada da origem de um ataque. A efetividade dessa capacidade, contudo, depende de fatores como a discrição da plataforma, a disponibilidade dos meios, a qualidade dos sistemas de navegação e a capacidade de operar em condições reais de combate. O anúncio de um teste não permite concluir que toda essa cadeia operacional esteja plenamente consolidada.

A atividade norte-coreana incluiu ainda lançamentos de mísseis balísticos em 12 de outubro. Segundo informações atribuídas ao Estado-Maior Conjunto sul-coreano, vários projéteis foram disparados em direção ao mar a leste da península. 

Esses sistemas cumprem funções distintas. Mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro lançados de submarinos e veículos planadores hipersônicos possuem perfis de voo e requisitos de interceptação diferentes. Sua presença na mesma sequência de atividades indica uma diversificação dos meios de ataque, mas não comprova que todos integrem um único programa tecnológico.

Para Pyongyang, ampliar as plataformas e os tipos de armamento disponíveis pode aumentar a incerteza do planejamento adversário e fortalecer a dissuasão. O efeito militar concreto, porém, dependerá da confiabilidade dos sistemas e da capacidade de integrá-los a uma estrutura de comando, inteligência e emprego coordenado.

Por que as armas hipersônicas preocupam as defesas?

Hipersônico é o termo utilizado para velocidades iguais ou superiores a Mach 5, aproximadamente cinco vezes a velocidade do som. Essa característica, por si só, não torna uma arma revolucionária: mísseis balísticos convencionais também podem alcançar velocidades dessa ordem durante o voo.

O desafio adicional de determinados sistemas hipersônicos está na combinação entre velocidade, altitude e capacidade de alterar a trajetória. Dependendo do perfil de voo, essas características podem reduzir a antecedência da detecção e dificultar a previsão do ponto de impacto, diminuindo o tempo disponível para decidir e executar uma interceptação.

Para enfrentar essas ameaças, as defesas precisam integrar sensores, alerta antecipado, processamento de dados, comando e controle e interceptadores adequados ao perfil do alvo. A qualidade da informação e a rapidez com que ela chega aos responsáveis pelo engajamento são determinantes, sobretudo quando a janela de reação é reduzida.

Isso não significa que armas hipersônicas sejam impossíveis de interceptar. A viabilidade depende do sistema empregado, da trajetória, da distância de detecção e do desempenho dos meios defensivos. Como os dados públicos sobre os programas das duas Coreias são limitados, não há base suficiente para afirmar que os novos sistemas sejam capazes de superar todas as defesas existentes.

O desenvolvimento de uma arma ofensiva também pode pressionar o adversário a investir em novos radares, sensores espaciais, redes de comunicação e interceptadores. Essa resposta eleva os custos da competição e pode criar um ciclo no qual cada avanço anunciado estimula novos investimentos do outro lado, sem garantir uma vantagem militar decisiva.

Impactos sobre o equilíbrio regional

A evolução dos arsenais coreanos afeta o planejamento militar de toda a região. A Coreia do Sul precisa considerar a ameaça representada pelos sistemas nucleares e convencionais do Norte, enquanto mantém a cooperação defensiva com os Estados Unidos. O Japão também acompanha os avanços, diante da necessidade de preservar seus sistemas de alerta e defesa contra diferentes perfis de ataque.

Para Seul, o desenvolvimento de novas armas de ataque pode ampliar as opções de resposta e fortalecer sua capacidade convencional. Entretanto, essa iniciativa não substitui os investimentos em vigilância, alerta antecipado e defesa antimíssil. A capacidade de atingir um alvo e a de proteger o próprio território são funções complementares, mas exigem tecnologias, doutrinas e estruturas operacionais distintas.

Para Pyongyang, diversificar os meios de lançamento pode ampliar a capacidade de dissuasão e elevar os custos de uma eventual ação adversária. Ainda assim, a quantidade de sistemas disponíveis, sua confiabilidade e a capacidade de empregá-los de forma coordenada são tão relevantes quanto as características técnicas anunciadas.

A aproximação entre a Coreia do Norte e a Rússia constitui outro fator acompanhado pelos governos da região. Contudo, as informações públicas disponíveis não permitem atribuir a essa cooperação a origem ou o estágio de desenvolvimento dos sistemas apresentados nos testes recentes.

O risco estratégico não decorre apenas da possibilidade de uma arma superar uma defesa. A incerteza sobre suas capacidades pode levar os governos a planejar para cenários mais exigentes, acelerar programas militares e reduzir o tempo disponível para avaliar uma crise. Em uma península marcada pela proximidade entre forças militares e pela importância da dissuasão nuclear, esse ambiente aumenta a pressão sobre os processos de decisão.

Os testes de outubro mostram que Seul e Pyongyang procuram ampliar suas opções militares, mas ainda não permitem concluir que tenha ocorrido uma mudança decisiva no equilíbrio de forças. O impacto dependerá da transformação dos avanços anunciados em capacidades confiáveis, disponíveis em quantidade e integradas às estruturas militares de cada país. Na disputa entre ataque e defesa, a velocidade importa, mas o resultado será condicionado também pela qualidade dos sensores, pela capacidade de comando e controle, pela prontidão das forças e pela possibilidade de empregar esses sistemas de forma eficaz.


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Arandú 2026 termina com 2,8 mil militares e 600 viaturas de Brasil e Argentina

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Exercício encerrou ciclo de preparação iniciado em 2024 e reuniu blindados, tiro real, operações aeromóveis, forças especiais e engenharia; comandantes destacaram a integração em diferentes escalões e a necessidade de ampliar a interoperabilidade.

Os Exércitos do Brasil e da Argentina concluíram em 16 de outubro o Exercício Combinado Arandú 2026, após uma semana de atividades militares no Rio Grande do Sul. A operação mobilizou aproximadamente 2,8 mil militares, incluindo cerca de 400 argentinos, e mais de 600 viaturas blindadas e operacionais, em ações concentradas no Campo de Instrução Barão de São Borja (CIBSB), em Rosário do Sul, com atividades também em Santa Maria e Faxinal do Soturno.

O exercício marcou o encerramento do ciclo de preparação 2024–2026 e reuniu diferentes capacidades terrestres e aéreas dos dois países. A programação incluiu tiro real com blindados, simulação de engajamento tático, operações aeromóveis, ações de forças especializadas e transposição de curso d’água com meios de engenharia.

Ao avaliar os resultados, o comandante de Operações Terrestres do Exército Brasileiro (COTER), General de Exército Kleber Nunes de Vasconcellos, destacou o aprofundamento da integração bilateral e a realização de experimentações em diferentes escalões da força.

“A integração com o Exército Argentino já é de muito tempo. Ultimamente, temos procurado melhorar essa integração. Foi muito interessante porque algumas experimentações estão sendo feitas nesse exercício. Inclusive, fazendo com que o exercício combinado ocorra em vários escalões da força, e isso é muito bom, porque além da cooperação mútua e da integração, nos aproxima ainda mais, e isso é fundamental para ambos os países”, afirmou.

O comandante Militar do Sul (CMS), General de Exército Luís Cláudio de Mattos Basto, também ressaltou a importância do intercâmbio profissional e dos vínculos históricos entre as duas instituições militares.

“É uma honra podermos estar aqui convivendo, integrando conhecimentos, fortalecendo nossos laços de amizade. Mais do que a parte operacional, a parte anímica é muito forte nesse exercício. São dois exércitos que há muito tempo estão juntos, têm os mesmos valores, tradições muito parecidas. Sempre compartilhando doutrina, conhecimento. Interoperabilidade, essa é a palavra”, declarou.

Pelo lado argentino, o comandante da Força de Desdobramento Rápido do Exército Argentino, general de brigada Ricardo Fresta, defendeu a continuidade dos exercícios como instrumento para complementar capacidades e aprimorar a preparação conjunta.

“Estamos felizes de estar aqui, muito motivados e achamos que temos que continuar os exercícios nessa mesma direção para complementar as capacidades e aumentar a interoperabilidade. Isso nos dá a capacidade de saber que, se algum dia tivermos que fazer uma operação combinada, ambos os exércitos conhecem os procedimentos, as táticas, técnicas e podem ter eficiência operacional no campo de combate, isso para nós é o mais importante”, afirmou.

As declarações convergem em dois pontos centrais do Arandú 2026: aprofundar a integração operacional entre as forças e manter a continuidade do treinamento conjunto. A referência à realização de atividades em diferentes escalões também evidencia que a interoperabilidade pretendida não se limita às tropas no terreno, mas envolve os processos de planejamento, comando e coordenação necessários para uma eventual operação combinada.

Blindados e tiro real: emprego de diferentes capacidades

O emprego de blindados foi um dos principais componentes do Arandú 2026. O Brasil participou com carros de combate Leopard 1A5 BR, VBTP Guarani e VBC-Cav Centauro II. A Argentina empregou carros de combate TAM 2C-A2 e viaturas blindadas Stryker.

A presença dessas plataformas permitiu exercitar a coordenação entre meios com características distintas de mobilidade, proteção, armamento e emprego tático. Embora possam desempenhar funções complementares, os equipamentos possuem configurações e procedimentos próprios, o que torna necessário preparar as unidades para atuar de maneira coordenada.

As atividades de tiro real incluíram metralhadoras de 12,7 mm instaladas nas viaturas Guarani e Stryker, canhões de 105 mm dos carros de combate Leopard 1A5 BR e TAM 2C-A2 e o canhão de 120 mm do Centauro II BR. O sistema de artilharia de foguetes ASTROS também participou das atividades de fogo real.

O emprego desses armamentos exigiu planejamento dos setores de tiro, coordenação entre as unidades e observância das medidas de segurança. Em um exercício combinado, a execução das atividades precisa considerar tanto as características de cada plataforma quanto sua função no conjunto da manobra.

A diversidade dos meios também oferece uma oportunidade para examinar como diferentes sistemas podem ser empregados no mesmo cenário tático. Isso não significa que as plataformas sejam diretamente intercambiáveis, mas que suas capacidades podem ser coordenadas conforme a missão, o planejamento e as responsabilidades atribuídas a cada unidade.

DSET e simulação viva

Uma das dimensões relevantes do Arandú 2026 foi a simulação viva, etapa em que os militares atuam fisicamente no terreno e utilizam procedimentos operacionais reais, mas com recursos de simulação para representar os efeitos dos engajamentos.

Segundo as informações divulgadas na cobertura do encerramento, o sistema de Dispositivos de Simulação e Engajamento Tático (DSET) emprega emissores e receptores a laser para reproduzir a trajetória dos disparos simulados. Sensores instalados nos equipamentos e coletes dos militares permitem registrar informações sobre alcance e impacto, incluindo os veículos participantes.

Esse recurso acrescenta uma dimensão de avaliação ao treinamento. Em vez de depender apenas da observação dos instrutores, o exercício pode utilizar os registros dos dispositivos para acompanhar determinados resultados dos engajamentos simulados.

É importante distinguir essa atividade do tiro real realizado no polígono de tiro. Enquanto o DSET permite simular e avaliar engajamentos durante a movimentação das tropas, o tiro real verifica a execução das atividades de fogo com os armamentos e as munições empregados na instrução. São modalidades distintas e complementares dentro da preparação militar.

A combinação de simulação viva e tiro real permite treinar diferentes aspectos do emprego da força: a tomada de decisões e a coordenação tática, de um lado, e a execução dos procedimentos de tiro, de outro.

Operações aeromóveis, forças especiais e engenharia

O Arandú 2026 também envolveu incursões aeromóveis, infiltrações de precursores paraquedistas e o emprego de uma força-tarefa de operações especiais, com participação de aeronaves brasileiras e argentinas.

Entre os meios empregados estavam o KC-390 Millennium, da Força Aérea Brasileira, e a aeronave C-212 argentina. A participação de aeronaves de diferentes países exigiu coordenação entre os meios aéreos e as tropas envolvidas, especialmente nas atividades de transporte e inserção de elementos no terreno.

As operações aeromóveis e as ações de forças especiais possuem exigências próprias de planejamento, tempo e coordenação. Sua integração com as forças terrestres depende da definição dos objetivos, da sincronização dos movimentos e da capacidade de compartilhar informações relevantes para a execução das missões.

A engenharia militar também participou com a transposição de curso d’água por meio de portadas. Esses equipamentos permitem estabelecer passagens para tropas e viaturas quando um obstáculo aquático interrompe ou restringe a progressão terrestre.

A atividade evidencia uma dimensão frequentemente menos visível dos exercícios militares: a necessidade de manter a mobilidade da força. Mesmo quando as unidades de combate dispõem de meios adequados, a impossibilidade de transpor um obstáculo pode interromper o avanço e afetar o cumprimento da missão.

A engenharia precisa, portanto, atuar em coordenação com as unidades apoiadas, considerando as características do terreno, os meios disponíveis e o fluxo de pessoal e equipamentos. A integração dessa capacidade com blindados, infantaria e logística é essencial para sustentar a progressão das tropas.

Do planejamento à simulação viva: três anos de preparação conjunta

O Arandú 2026 encerrou um ciclo de preparação iniciado em 2024, estruturado em três etapas complementares: planejamento, simulação construtiva e simulação viva. A progressão culminou no emprego de tropas e equipamentos no terreno, permitindo exercitar procedimentos operacionais e a coordenação entre unidades dos Exércitos do Brasil e da Argentina.

Em 2025, a preparação avançou com o uso do sistema COMBATER, empregado na simulação construtiva para desenvolver cenários, avaliar decisões e exercitar os processos de comando. A etapa final envolveu atividades em Santa Maria e Rosário do Sul, com participação de Estados-Maiores e unidades operacionais, integrando o planejamento à execução prática.

A simulação construtiva concentra-se nas decisões dos comandantes e dos Estados-Maiores em um ambiente virtual. Por meio de cenários simulados, é possível avaliar planos, analisar alternativas e acompanhar as consequências das decisões sem mobilizar todos os meios no terreno. Essa fase permite exercitar o comando e o controle, além de identificar ajustes necessários antes da execução prática.

Na simulação viva, o treinamento passa para o ambiente real. Tropas e viaturas se deslocam no terreno, executam procedimentos táticos e empregam dispositivos específicos para simular os efeitos de engajamentos. A atividade permite avaliar a execução das ações, a coordenação entre as unidades e a resposta às condições concretas de mobilidade, comunicação e emprego dos meios, sem configurar uma situação de combate real.

A combinação dessas etapas conecta o trabalho dos Estados-Maiores à atuação das tropas. O planejamento estabelece os objetivos e organiza as ações; a simulação construtiva permite exercitar as decisões; e a simulação viva coloca os procedimentos à prova no terreno. Em um exercício combinado, essa sequência também permite identificar dificuldades de coordenação entre forças que possuem estruturas, equipamentos e doutrinas próprias.

O encerramento do ciclo representa, assim, mais do que a conclusão de uma atividade de campo. O principal resultado a preservar é a experiência acumulada ao longo das três etapas, que poderá orientar a revisão de procedimentos e o planejamento de futuras edições. A continuidade desse processo será determinante para transformar o treinamento conjunto em maior capacidade de coordenação operacional entre os dois Exércitos.

Interoperabilidade em diferentes escalões

A realização de atividades combinadas em diferentes escalões foi um dos aspectos destacados pelo general Kleber Nunes de Vasconcellos no encerramento do Arandú 2026. A abordagem amplia o alcance do treinamento ao integrar o trabalho dos Estados-Maiores à execução das ações pelas unidades no terreno, aproximando planejamento, comando e emprego operacional.

Essa integração é fundamental para que forças de países diferentes consigam coordenar decisões, sincronizar movimentos e executar procedimentos compatíveis. Não basta que as unidades conheçam as capacidades umas das outras: é necessário que comandantes e Estados-Maiores consigam planejar e conduzir ações conjuntas, respeitando as particularidades doutrinárias e técnicas de cada Exército.

O general argentino Ricardo Fresta defendeu a continuidade dos exercícios como forma de complementar capacidades e ampliar a interoperabilidade. O objetivo é construir familiaridade com os procedimentos e as formas de atuação de ambas as forças, reduzindo dificuldades de coordenação caso seja necessário conduzir uma operação combinada.

 

O Arandú oferece condições para exercitar essa integração e identificar limitações em comunicações, comando e controle, planejamento e apoio logístico. Entretanto, os resultados não decorrem apenas da realização do exercício: dependem da continuidade do treinamento e da incorporação das lições identificadas à preparação das unidades e ao planejamento de futuras edições.

Logística e movimentação transfronteiriça

Mobilizar aproximadamente 2,8 mil militares e mais de 600 viaturas para o Arandú 2026 exigiu um esforço logístico que começou muito antes da chegada das tropas ao Rio Grande do Sul. Um dos exemplos mais expressivos foi o deslocamento do Sistema ASTROS, do Exército Brasileiro. Os meios do 6º Grupo de Mísseis e Foguetes (6º GMF) percorreram cerca de 2.800 quilômetros por rodovias, de Formosa (GO) até a região do exercício, em uma marcha de seis dias.

A operação foi além do transporte dos lançadores. O Centro de Logística de Mísseis e Foguetes também atuou no apoio ao deslocamento, com transporte de munições e suprimentos e abastecimento de combustível ao longo do itinerário. O comboio percorreu a distância sem depender de paradas em postos comerciais para reabastecimento, demonstrando a importância de levar o suporte necessário junto com os meios de combate.

Em uma marcha dessa extensão, cada imprevisto pode afetar o ritmo do deslocamento. Pane mecânica, condições meteorológicas, congestionamentos e alterações nas condições da estrada exigem capacidade de adaptação e coordenação para preservar a segurança do pessoal e dos equipamentos. O desafio é conhecido pelo editor do GBN Defense, Angelo Nicolaci, que durante a cobertura de atividades do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil, participou de quatro grupamentos de marcha entre o Rio de Janeiro e Formosa, além de diversos deslocamentos entre o Rio de Janeiro, Furnas (MG) e Itaóca (ES).

Nessas jornadas, acompanhou situações como panes mecânicas, exposição ao frio e ao calor e congestionamentos provocados por acidentes envolvendo veículos alheios aos grupamentos. A experiência permite compreender, na prática, que uma marcha militar não se resume a percorrer determinada distância dentro de um prazo: é preciso manter a progressão, responder às adversidades e preservar as condições para que o pessoal e os meios cheguem ao destino com segurança.

No caso do ASTROS, essa preocupação ganha uma dimensão adicional. O deslocamento de um sistema de artilharia de mísseis e foguetes envolve não apenas os lançadores, mas também veículos de apoio, munições, equipamentos auxiliares e recursos para manter o conjunto em condições de emprego. A capacidade operacional depende da integração desses elementos, tanto durante o trajeto quanto na preparação para as atividades no terreno.

 

A mobilização também envolveu a Aviação do Exército. Três helicópteros do CAvEx partiram de Taubaté (SP) rumo a Santa Maria (RS): um HM-4 Jaguar do 2º Batalhão de Aviação do Exército, e dois HA-1A Fennec do 1º BAvEx. O deslocamento previa escalas técnicas e pernoites para reabastecimento e descanso das tripulações, mas as condições meteorológicas alteraram o planejamento. Em 8 de outubro, chuva e nuvens baixas levaram os pilotos a realizar um pouso preventivo não programado em Criciúma (SC), onde as aeronaves aguardaram condições mais favoráveis para prosseguir. O episódio ilustra como a meteorologia pode interferir na movimentação de meios aéreos e exigir decisões operacionais para preservar a segurança das tripulações e das aeronaves.

Enquanto o Exército Brasileiro projetava seus meios por milhares de quilômetros dentro do próprio território, a participação argentina exigia outro tipo de coordenação: a movimentação internacional de militares e equipamentos. O ingresso temporário das forças argentinas foi autorizado pelo Decreto nº 13.132, de 6 de outubro de 2026, que contemplou militares, aeronaves, veículos, armamentos, munições, sensores e equipamentos de comando, controle e comunicações.

 

A travessia da fronteira também exigiu a atuação de órgãos civis. Em 12 de outubro, a Comissão Nacional de Regulação do Transporte (CNRT) da Argentina informou ter realizado uma operação de fiscalização em Paso de los Libres, em conjunto com a Agência de Arrecadação e Controle Aduaneiro (ARCA) e a Direção-Geral de Aduanas. A ação estava relacionada ao deslocamento de veículos e meios do Exército Argentino para o exercício no Brasil.

São etapas diferentes de um mesmo desafio. De um lado, transportar e sustentar os meios brasileiros até a área de emprego; de outro, organizar a entrada dos contingentes argentinos e de seus equipamentos em território nacional. Em ambos os casos, a preparação logística e administrativa foi essencial para reunir as forças e viabilizar as atividades previstas.

O trabalho, porém, não termina quando as viaturas chegam ao destino. Durante o exercício, abastecimento, manutenção e distribuição de suprimentos precisam acompanhar as necessidades das unidades, preservando a disponibilidade dos meios. No caso de sistemas complexos como o ASTROS, os lançadores são apenas parte de uma estrutura que inclui os recursos necessários para seu emprego.

O Arandú 2026 mostra, assim, que a capacidade de realizar um exercício combinado começa muito antes do primeiro movimento tático no terreno. Ela depende de transportar os meios, superar as distâncias, coordenar os procedimentos entre os dois países e manter as unidades em condições de operar. Sem essa base logística, a integração planejada entre os Exércitos não se traduz em treinamento efetivo.

Base normativa e cooperação bilateral

O Arandú 2026 foi amparado por instrumentos normativos dos dois países, que autorizaram a participação das forças militares e estabeleceram os objetivos da atividade. No Brasil, o Decreto nº 13.132, de 6 de outubro de 2026, autorizou o ingresso e a permanência temporária de forças argentinas em território nacional entre os dias 10 e 17 de outubro. Na Argentina, o Decreto de Necessidade e Urgência (DNU) nº 1.157/2026, sancionado em 8 de outubro e publicado no dia seguinte, autorizou a saída de pessoal e meios militares para a participação no exercício.

Mais do que formalizar a movimentação das tropas, os documentos permitem compreender a finalidade atribuída ao treinamento. A norma argentina destaca o fortalecimento dos laços de cooperação e confiança entre os dois Exércitos, com foco na integração regional e no desenvolvimento da interoperabilidade entre forças com características operacionais distintas.

O texto também prevê o aperfeiçoamento de procedimentos e técnicas operacionais em áreas como operações aerotransportadas, aeromóveis, especiais e blindadas, além da aviação militar. A abrangência desses campos reflete a intenção de ampliar a familiaridade entre as forças, permitindo que compartilhem conhecimentos e exercitem formas de coordenação em diferentes tipos de operação.

Essa dimensão institucional é importante porque a interoperabilidade não se constrói apenas durante os dias de exercício. Ela depende de planejamento conjunto, continuidade do intercâmbio e oportunidades recorrentes para identificar diferenças doutrinárias, ajustar procedimentos e ampliar o conhecimento mútuo.

O Arandú 2026 integra esse esforço bilateral. Sua relevância não está somente na reunião de tropas e equipamentos, mas na possibilidade de transformar a cooperação política entre Brasil e Argentina em experiência operacional concreta. A continuidade das atividades será decisiva para consolidar o aprendizado e ampliar a capacidade de coordenação entre os dois Exércitos.

Análise: Arandú 2026 e o desafio de consolidar a integração militar no Cone Sul

O Arandú 2026 encerrou um ciclo de preparação que reuniu planejamento, simulação construtiva e treinamento no terreno. A mobilização de aproximadamente 2,8 mil militares e mais de 600 viaturas demonstra a dimensão do exercício, mas sua relevância estratégica deve ser avaliada pela capacidade de transformar essa experiência em interoperabilidade efetiva e duradoura entre os Exércitos do Brasil e da Argentina.

Do ponto de vista militar, o desafio vai além da atuação simultânea de unidades de diferentes países. Envolve compatibilizar procedimentos de comando e controle, comunicações, planejamento operacional, emprego de diferentes sistemas de armas e apoio logístico. Também exige que os Estados-Maiores compreendam as capacidades e limitações de cada força e consigam coordenar decisões que se traduzam em ações sincronizadas no terreno. A interoperabilidade não pressupõe equipamentos ou doutrinas idênticos, mas a capacidade de operar em conjunto apesar das diferenças.

Essa dimensão ganha importância quando observada no contexto estratégico do Cone Sul. Brasil e Argentina são atores centrais da região e mantêm uma relação bilateral cuja estabilidade tem implicações para a segurança regional. A cooperação militar contribui para a construção de confiança, amplia o conhecimento mútuo e cria canais de coordenação que podem ser relevantes diante de contingências que exijam atuação conjunta, desde que existam decisões políticas e mandatos específicos para isso.

O MERCOSUL constitui parte importante do contexto mais amplo de aproximação regional, embora seja um bloco de integração econômica e política, não uma aliança militar. Portanto, não se deve confundir a cooperação desenvolvida no Arandú com um mecanismo de defesa do bloco. Sua relevância está em contribuir, no campo militar, para um ambiente regional de diálogo e confiança, coerente com a importância da estabilidade e da cooperação entre os países do Cone Sul.

Para que essa aproximação produza resultados operacionais consistentes, a continuidade é decisiva. Exercícios recorrentes permitem elevar progressivamente a complexidade do treinamento, testar procedimentos em diferentes escalões, identificar incompatibilidades e incorporar as lições aprendidas ao preparo das unidades. A dimensão logística também precisa fazer parte dessa evolução: transportar meios a grandes distâncias, cruzar fronteiras e sustentar contingentes em uma área de operações são capacidades que precisam ser planejadas e exercitadas, não presumidas.

O desafio para os dois países é estabelecer uma sequência de atividades que preserve o conhecimento acumulado e permita avançar além da familiarização entre tropas. Isso requer avaliação dos resultados, correção de deficiências e continuidade do intercâmbio entre Estados-Maiores e unidades operacionais. Sem esse processo, cada edição corre o risco de produzir ganhos pontuais, sem consolidar procedimentos comuns ao longo do tempo.

O Arandú 2026 reforça, assim, o valor da cooperação militar bilateral para a integração regional, mas também evidencia o trabalho necessário para convertê-la em capacidade concreta. No Cone Sul, confiança política e aproximação institucional são importantes; interoperabilidade militar, porém, exige planejamento, treinamento recorrente e sustentação. O exercício terminou, mas o resultado estratégico dependerá da capacidade do Brasil e da Argentina de transformar essa experiência em preparo conjunto permanente.


por Angelo Nicolaci


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Bolsa Família, Plano Real e expansão do Estado: a história que o PT não conta por inteiro

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A narrativa de que o Partido dos Trabalhadores criou o Bolsa Família e por meio dele retirou o Brasil da fome, simplifica a história das políticas sociais brasileiras e omite decisões econômicas fundamentais tomadas antes da chegada de Lula ao poder em 2002. O programa que se tornou uma das principais marcas políticas do PT foi construído a partir de iniciativas anteriores, enquanto a estabilidade econômica que favoreceu os primeiros governos Lula resultou de um processo iniciado durante a gestão de Itamar Franco e consolidado por Fernando Henrique Cardoso.

A análise desse legado exige olhar para além da propaganda partidária. É preciso examinar quem estabeleceu as bases dos programas sociais, quais condições econômicas permitiram sua expansão, como evoluíram as despesas públicas e qual foi o custo das escolhas administrativas e fiscais de cada governo.

O Bolsa Família não nasceu do zero

O combate à pobreza e à fome já fazia parte da agenda pública brasileira antes de 2003. Durante o governo Itamar Franco, a segurança alimentar ganhou espaço institucional, inclusive com a criação do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea), em 1993. Foi, porém, durante o governo Fernando Henrique Cardoso que se consolidou a principal base federal de programas de transferência de renda posteriormente reunidos sob o nome Bolsa Família.

Em 2001, FHC instituiu o Bolsa Escola federal, o Bolsa Alimentação e o Cadastro Único. Em 2002, criou o Auxílio-Gás. Esses instrumentos estabeleceram mecanismos de transferência de recursos e identificação de famílias vulneráveis que já permitiam ao Estado atuar diretamente sobre a pobreza.

A Lei nº 10.836, de 9 de janeiro de 2004, é explícita ao estabelecer a unificação de programas anteriores no Bolsa Família. A legislação não sustenta a narrativa de uma política criada integralmente do zero: registra a incorporação de iniciativas que já existiam. A principal contribuição do primeiro governo Lula nessa etapa foi reuni-las sob uma estrutura integrada e uma identidade nacional.

Isso não torna irrelevante a criação formal do Bolsa Família, mas impede que ela seja confundida com a origem de toda a política federal de transferência de renda. O PT transformou o programa em uma marca política de grande alcance, mas não criou sozinho os instrumentos que lhe deram origem.

Também é historicamente impreciso atribuir exclusivamente ao Bolsa Família a retirada do Brasil do Mapa da Fome. A transferência de renda contribui para o acesso aos alimentos, mas a segurança alimentar depende igualmente de emprego, salários, preços, produção agrícola, abastecimento e outras políticas públicas. Reduzir esse processo à ação de um único partido substitui a análise por uma narrativa de propaganda.

Plano Real: a estabilidade que antecedeu o PT

A mesma simplificação aparece na história econômica. Em 1993, durante o governo Itamar Franco, começou a implantação do Plano Real, conduzido por uma equipe econômica liderada por Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda. A nova moeda entrou em circulação em julho de 1994 e interrompeu um ciclo de hiperinflação que corroía salários, desorganizava preços e atingia sobretudo a população de menor renda.

O governo FHC deu continuidade à estabilização e, após a crise cambial de 1999, consolidou pilares da política macroeconômica brasileira: câmbio flutuante, metas de inflação e compromisso com resultados fiscais. A Lei de Responsabilidade Fiscal, aprovada em 2000, acrescentou regras para o controle das contas públicas e a gestão dos recursos governamentais.

Esse modelo não resolveu todos os problemas do país. O período FHC também foi marcado por baixo crescimento em determinados anos, crises externas, desemprego e aumento da dívida pública. Ainda assim, a estabilização monetária representou uma mudança estrutural: empresas e famílias passaram a operar em um ambiente muito diferente daquele em que os preços mudavam de forma descontrolada.

Lula recebeu essa estrutura em 2003 e manteve inicialmente seus principais pilares. Seus primeiros governos também foram favorecidos por um cenário internacional positivo, com expansão do comércio mundial e valorização de commodities importantes para as exportações brasileiras. O crescimento, a geração de empregos e a ampliação do consumo decorreram de uma combinação de condições herdadas, decisões internas e fatores externos.

Atribuir esses resultados exclusivamente ao PT desconsidera essa continuidade. Da mesma forma, atribuir todos os problemas posteriores a um único governo seria uma simplificação equivalente. A avaliação séria exige identificar o que foi herdado, o que foi preservado e quais decisões alteraram a trajetória econômica.

O custo da expansão do Estado

A dimensão fiscal ajuda a compreender as diferenças entre os governos. Segundo a série histórica do Observatório de Política Fiscal do IBRE/FGV, as despesas primárias federais passaram de aproximadamente 17,8% do PIB em 2022 para 19,6% em 2023. O aumento ocorreu no início do terceiro governo Lula, no contexto da ampliação de despesas sociais e previdenciárias e de mudanças promovidas pela Emenda Constitucional da Transição.

A expansão do gasto público não começou em 2023. O envelhecimento da população, a previdência, os benefícios assistenciais e outras despesas obrigatórias pressionam o orçamento há décadas. A pandemia também provocou uma elevação extraordinária dos gastos em 2020, seguida de recuo nos anos posteriores. Por isso, comparar governos exige considerar a composição das despesas, o ciclo econômico e as medidas excepcionais de cada período.

A questão central é que o terceiro governo Lula voltou a elevar a participação das despesas federais no PIB e enfrenta dificuldades para estabilizar a trajetória da dívida. O arcabouço fiscal aprovado em 2023 estabeleceu novas regras para o crescimento das despesas, mas não eliminou o desequilíbrio entre compromissos permanentes, arrecadação e juros.

O Banco Central registrou aumento da dívida bruta do governo geral de 71,7% do PIB em 2022 para 73,8% em 2023, 76,1% em 2024 e aproximadamente 78,7% em 2025. Em 2026, a dívida continuou sob pressão. A Reuters informou em outubro que ela havia avançado mais de dez pontos percentuais do PIB durante o atual mandato, chegando a 82,9%, segundo a métrica citada na reportagem.

A dívida não cresce apenas por causa dos gastos primários. Juros, resultado nominal, crescimento econômico e operações financeiras também influenciam sua trajetória. Ainda assim, déficits persistentes e despesas rígidas dificultam a estabilização fiscal e reduzem a margem para investimentos públicos. Quanto maior a parcela do orçamento comprometida com obrigações e juros, menor a capacidade de responder a crises sem aumentar impostos, cortar despesas ou ampliar o endividamento.

O contraste com os governos anteriores precisa ser feito com a mesma métrica. O governo Temer aprovou o teto de gastos em 2016, numa tentativa de limitar a expansão real das despesas. Bolsonaro encerrou o mandato com gastos inferiores ao pico extraordinário da pandemia, embora tenha adotado medidas emergenciais e mudanças fiscais importantes, especialmente em 2022. Nenhum desses fatos, isoladamente, comprova equilíbrio estrutural; eles demonstram que as decisões fiscais variaram entre os governos e precisam ser avaliadas em seus respectivos contextos.

O problema do atual governo não é simplesmente gastar mais em políticas sociais. É assumir compromissos permanentes sem demonstrar, de maneira convincente, como serão financiados no longo prazo. A proteção social exige continuidade, mas também responsabilidade fiscal. Sem isso, o custo da política de hoje recai sobre o orçamento de amanhã.

Mais ministérios, mais cargos e maior custo administrativo

A expansão do Estado também se manifesta na organização do Poder Executivo. No início do governo Bolsonaro, a estrutura ministerial foi reduzida, chegando a 23 ministérios. Com a posse de Lula em janeiro de 2023, o número voltou a crescer: a organização divulgada pela equipe de transição previa 37 ministérios, diante das 23 pastas existentes no fim do governo anterior.

A criação ou divisão de ministérios não representa, por si só, desperdício. Áreas específicas podem exigir estruturas próprias, e a reorganização pode melhorar a coordenação de determinadas políticas. Mas a multiplicação de pastas amplia o número de gabinetes, postos de comando e espaços de negociação política. O governo precisa demonstrar que essa estrutura adicional produz resultados proporcionais ao custo administrativo.

A questão torna-se mais relevante quando a expansão ministerial é acompanhada pelo aumento de cargos comissionados. Levantamentos publicados pela imprensa a partir de dados do governo federal apontaram crescimento dessas posições durante os primeiros anos do terceiro mandato de Lula. Esses números precisam ser analisados com atenção às definições utilizadas, pois a criação de cargos, a ocupação de vagas existentes e a transformação de funções não representam necessariamente o mesmo impacto orçamentário.

Ainda assim, a diferença de orientação administrativa é evidente: Bolsonaro concentrou áreas em menos ministérios, enquanto Lula voltou a desmembrar estruturas e ampliar o número de pastas. A comparação não encerra o debate sobre eficiência, mas torna legítima a cobrança por transparência sobre a necessidade de cada órgão, os custos de funcionamento, as remunerações e os resultados entregues.

Uma máquina pública maior não é necessariamente uma máquina melhor. Se a expansão serve principalmente à distribuição de posições políticas, sem ganhos mensuráveis na prestação de serviços, o contribuinte paga por uma estrutura cujo benefício público não está demonstrado. O tamanho do Estado precisa ser justificado por resultados, não pelo número de aliados acomodados em sua estrutura.

Corrupção e responsabilidade na gestão pública

O legado dos governos petistas também precisa ser examinado à luz dos grandes escândalos de corrupção que marcaram o período, entre eles o Mensalão e os desvios investigados na Petrobras. Esses casos produziram consequências políticas e institucionais profundas, além de revelar vulnerabilidades nos mecanismos de controle de contratos e recursos públicos.

A análise, porém, exige rigor jurídico. É necessário distinguir condenações, acusações, provas e decisões posteriores. No caso de Lula, o Supremo Tribunal Federal anulou condenações da Lava Jato por questões de competência e reconheceu problemas processuais. Essas decisões não autorizam tratar todas as acusações como inocentado, nem dispensam o exame dos episódios documentados e das responsabilidades efetivamente estabelecidas, o fato é, Lula teve a condenação anulada, e não julgado como inocente.

O ponto essencial é que programas sociais não podem funcionar como escudo político contra a fiscalização. Resultados no combate à pobreza não eliminam a obrigação de prestar contas sobre contratos, despesas, nomeações e uso de recursos públicos. Da mesma forma, escândalos de corrupção não tornam automaticamente inválida toda política social executada pelo Estado.

O cidadão precisa poder reconhecer os benefícios de uma política sem ser levado a aceitar uma narrativa partidária que apaga erros, omite antecedentes ou transforma programas públicos em patrimônio eleitoral.

O reajuste de 2026 e o uso político dos benefícios

Em setembro de 2026, o governo anunciou reajuste de 15,04% no valor mínimo do Bolsa Família, de R$ 600 para R$ 691. A atualização foi anunciada em 17 de setembro, a 17 dias do primeiro turno, e os novos valores começaram a ser pagos em outubro, na semana anterior ao segundo turno. Foi a primeira atualização pela inflação desde a retomada do modelo em 2023.

O governo justificou a medida como recomposição do poder de compra diante da inflação acumulada. É um argumento legítimo: benefícios que perdem valor real reduzem sua capacidade de proteger as famílias. Mas a proximidade da eleição e o impacto orçamentário da decisão, estimado em R$ 5,8 bilhões em 2026 e mais de R$ 22 bilhões anuais em 2027 e 2028, segundo a cobertura da Folha de S.Paulo, tornam necessário questionar o calendário adotado.

A coincidência com o período eleitoral levanta questionamentos, e o governo precisa explicar por que a correção não foi realizada antes, de forma previsível, e como os custos permanentes serão absorvidos pelo orçamento. Benefícios sociais não deveriam depender da conveniência de um calendário eleitoral, sobretudo quando a preservação do poder de compra poderia ter sido tratada como parte de um planejamento regular.

O mesmo critério deve valer para qualquer governo. Em 2022, o governo Bolsonaro elevou o Auxílio Brasil em ano eleitoral, medida que também foi objeto de controvérsia jurídica. O princípio republicano exige que políticas de transferência de renda sejam planejadas com transparência e aplicadas segundo critérios públicos, sem que a proximidade das eleições se torne um incentivo para decisões extraordinárias.

O debate não é sobre retirar benefícios de famílias vulneráveis. É sobre impedir que uma política pública permanente seja utilizada como instrumento de construção de lealdade eleitoral, independentemente do partido no poder.

A história pertence ao Estado, não ao partido

A trajetória econômica e social do Brasil foi construída por diferentes governos, com avanços, erros e continuidades. Itamar Franco iniciou o processo que levou ao Plano Real; Fernando Henrique Cardoso consolidou a estabilização monetária e estruturou programas federais de transferência de renda que antecederam o Bolsa Família; Lula unificou essas iniciativas e transformou o programa em uma das principais marcas de seus governos. Temer buscou limitar o crescimento das despesas; Bolsonaro reduziu a estrutura ministerial e enfrentou o choque fiscal da pandemia; o terceiro governo Lula voltou a ampliar a estrutura administrativa e enfrenta o desafio de conter o crescimento da dívida.

Reconhecer essa sequência não significa absolver qualquer governo nem negar os resultados de políticas que beneficiaram a população. Significa recusar uma história seletiva, na qual as realizações são reivindicadas por um partido e os antecedentes, custos e responsabilidades desaparecem do debate público.

O Bolsa Família não nasceu do zero. A estabilidade que favoreceu os primeiros governos Lula não começou em 2003. E o crescimento do Estado precisa ser avaliado não apenas pelo número de programas anunciados, mas pela qualidade dos serviços, pela eficiência administrativa e pela sustentabilidade das contas públicas.

Políticas sociais são direitos da população, não propriedade de partidos. A estabilidade econômica é uma conquista institucional, não uma herança que pode ser apagada. E o dinheiro público exige responsabilidade, independentemente de quem governa. O eleitor merece a história inteira: quem construiu as bases, quem as modificou, quanto custaram as escolhas de cada governo e quais resultados efetivamente entregaram.


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