A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) consolidou sua presença estratégica na Expo Defense 2026 ao transformar seu estande em uma verdadeira vitrine de tecnologias voltadas à soberania nacional, inovação dual e fortalecimento da Base Industrial de Defesa e Segurança Pública (BIDS). Durante o evento realizado na Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), a Agência oficializou a premiação “Soluções de Startups para Defesa”, contemplando dez startups brasileiras com aportes de R$ 15 mil cada para acelerar soluções voltadas aos setores de defesa, segurança e tecnologias estratégicas.
Mais do que uma simples premiação, a iniciativa evidencia uma mudança importante na forma como o Brasil começa a enxergar inovação aplicada à defesa. Historicamente concentrado em grandes programas conduzidos por empresas consolidadas, o setor passa gradualmente a incorporar startups e empresas de base tecnológica como atores relevantes dentro do ecossistema estratégico nacional.
As soluções premiadas abrangem áreas consideradas críticas no cenário contemporâneo de defesa, incluindo guerra cibernética, sistemas aeroespaciais, comunicações navais, veículos remotamente pilotados, robótica, inteligência artificial, consciência situacional orbital e sistemas autônomos. Tecnologias que hoje ocupam papel central nas disputas estratégicas globais e que passaram a ser tratadas por diversas potências como capacidades diretamente associadas à soberania nacional.
Durante a Expo Defense, a ABDI destacou que o programa está alinhado à Missão 6 da Nova Indústria Brasil (NIB), iniciativa que estabelece como meta alcançar 50% de autonomia nacional na produção de tecnologias críticas voltadas à defesa. O objetivo é reduzir a dependência externa em setores considerados sensíveis e ampliar a capacidade brasileira de desenvolver soluções próprias em áreas estratégicas.
O presidente da ABDI, Olavo Noleto, ressaltou durante o evento que fortalecer a indústria nacional de defesa significa também fortalecer a capacidade de autodeterminação do país. Segundo ele, preservar conhecimento tecnológico e industrial em território nacional tornou-se uma questão diretamente ligada à soberania brasileira diante do atual ambiente internacional.
A própria SC Expo Defense refletiu esse novo cenário geopolítico. Durante a abertura do evento, o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, destacou que a atual conjuntura global, marcada por disputas tecnológicas, reorganização de alianças internacionais e crescimento dos investimentos em defesa, criou uma janela estratégica para o avanço da indústria brasileira em áreas de alta complexidade tecnológica.
Entre as startups premiadas, algumas soluções chamaram atenção pelo elevado potencial dual — civil e militar. Na categoria aeroespacial, por exemplo, a Bizu Space apresentou um motor foguete a propelente líquido utilizando peróxido de hidrogênio concentrado e querosene de aviação, tecnologia com aplicações tanto em sistemas espaciais quanto em projetos estratégicos de defesa. Já a Safe on Orbit desenvolveu uma plataforma de consciência situacional espacial voltada ao monitoramento orbital e prevenção de colisões envolvendo ativos espaciais.
Na área de veículos remotamente pilotados, a Percepta Analytics apresentou o sistema ARARA, voltado à coordenação autônoma de enxames de drones, enquanto a Formwerk Soluções Industriais trouxe a plataforma PAM-X, um drone modular adaptável a diferentes tipos de missão. Soluções desse tipo refletem diretamente a transformação observada nos conflitos contemporâneos, onde drones, sistemas autônomos e guerra em rede assumem papel cada vez mais central no campo de batalha moderno.
No segmento naval, também surgiram projetos particularmente interessantes, como o sistema de comunicação HF Ultra Banda Larga da WaveComm Tech e o Veículo Leve Anfíbio Especial (VLA), desenvolvido no Acre para operações em ambientes alagados e regiões remotas, evidenciando o potencial brasileiro para desenvolver soluções adaptadas às próprias necessidades operacionais do país.
Mais do que incentivar startups isoladamente, o movimento liderado pela ABDI demonstra uma tentativa clara de aproximar universidades, empresas de tecnologia, indústria de defesa e Forças Armadas dentro de um mesmo ecossistema estratégico. Em um cenário internacional cada vez mais marcado pela disputa por tecnologias críticas, semicondutores, inteligência artificial, drones, sistemas espaciais e guerra cibernética, preservar capacidade nacional de inovação deixou de ser apenas uma questão econômica, passando a representar também um elemento central da soberania e da segurança nacional brasileira.
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