A sul-coreana Innospace deu um importante passo para a retomada de suas operações no Brasil após a conclusão da investigação referente à Operação Spaceward, realizada no Centro Espacial de Alcântara (CEA), no Maranhão. Na última sexta-feira (12), a empresa anunciou que o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão da Força Aérea Brasileira (FAB), concluiu o relatório final sobre a interrupção prematura da missão de lançamento do foguete Hanbit-Nano, ocorrida em 22 de dezembro de 2025.
O documento oficial, aprovado pela FAB, consolida os resultados da investigação técnica conduzida em conjunto entre o Cenipa e a Innospace, identificando as causas da interrupção da missão, as medidas necessárias para evitar recorrências e o estágio de implementação das ações corretivas. A conclusão do processo representa um marco fundamental para que a empresa avance em seus preparativos para uma nova tentativa de lançamento, prevista para o terceiro trimestre de 2026.
A Operação Spaceward marcou um momento importante para o programa espacial brasileiro, ao demonstrar a crescente capacidade do Centro Espacial de Alcântara em atrair operadores internacionais interessados em utilizar sua posição geográfica privilegiada para lançamentos orbitais. Apesar da interrupção da missão, o trabalho conjunto entre autoridades brasileiras e a empresa sul-coreana evidencia a maturidade dos protocolos de segurança e investigação adotados pelo país.
Com base nas conclusões da investigação, a Innospace informou que está realizando uma ampla revisão técnica de seus sistemas, incluindo atualizações de componentes, aperfeiçoamento dos processos de montagem e fortalecimento de seu sistema de gestão da qualidade. Paralelamente, a empresa conduz novos testes estáticos de queima em solo para validar as correções implementadas antes do próximo lançamento.
Outro passo importante em andamento é a análise da licença de lançamento junto à Administração Aeroespacial da Coreia (KASA), requisito necessário para a realização da próxima missão. Como etapa final de qualificação, a Innospace realizará um Teste de Qualificação de Estágio utilizando uma versão aprimorada do Modelo de Qualificação (QM), reproduzindo em solo todas as etapas críticas de uma missão real, incluindo abastecimento, acionamento dos motores e operação dos sistemas de controle.
Segundo Soojong Kim, fundador e CEO da Innospace, a investigação permitiu identificar com precisão os fatores que levaram à interrupção da missão e transformar o incidente em uma oportunidade de evolução tecnológica. Para o executivo, compreender a causa raiz do problema e implementar medidas corretivas robustas são elementos essenciais para garantir a confiabilidade dos futuros lançamentos.
A expectativa agora é que o próximo voo do Hanbit-Nano represente não apenas a retomada do programa da Innospace, mas também um novo avanço para a consolidação do Centro Espacial de Alcântara como um dos mais promissores polos de lançamento do hemisfério sul. O projeto reforça ainda a crescente inserção do Brasil no mercado espacial internacional, setor que vem atraindo investimentos e ampliando sua relevância estratégica para o desenvolvimento tecnológico e econômico do país.
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