A Marinha do Brasil dá mais um passo consistente rumo à consolidação do emprego de sistemas autônomos no ambiente marítimo ao avançar em cooperação com a brasileira Xmobots para testes operacionais de Sistemas Aéreos Remotamente Pilotados (SARP) voltados a missões navais e offshore. Mais do que um acordo pontual, o movimento revela uma engrenagem estratégica em formação, unindo defesa, indústria e setor energético em torno de um mesmo eixo: autonomia tecnológica e presença inteligente no mar.
Os testes serão realizados na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia, no Rio de Janeiro, e também a bordo de embarcações da Marinha, onde serão avaliados requisitos técnicos e operacionais para o uso contínuo dos SARP em cenários reais. Trata-se de um estágio decisivo, pois operar no ambiente naval exige robustez estrutural, resistência à salinidade, ventos e instabilidade de convés, além de integração segura com sistemas de comando, controle e comunicações já consolidados na Força.
Entre as plataformas envolvidas estão o Nauru 1000C e o Nauru 500C, dois vetores que simbolizam a maturidade crescente da indústria nacional de aeronaves não tripuladas. O Nauru 1000C, com autonomia de até dez horas, já acumula experiência em missões de monitoramento de fronteiras com o Exército Brasileiro, demonstrando capacidade de vigilância prolongada e cobertura de amplas áreas. Já o Nauru 500C carrega um marco relevante: é o primeiro eVTOL brasileiro certificado pela ANAC para voos BVLOS, característica que o torna especialmente atrativo para operações embarcadas, onde a decolagem e o pouso vertical eliminam a dependência de pistas e ampliam a flexibilidade tática.
A adaptação dessas aeronaves ao contexto naval amplia o horizonte de missões que vão desde patrulha marítima e monitoramento ambiental até inspeção de plataformas e proteção de rotas estratégicas. Em um momento em que a Amazônia Azul assume papel cada vez mais central na equação econômica e geopolítica brasileira, a adoção de SARP de origem nacional representa simultaneamente ganho operacional e fortalecimento da Base Industrial de Defesa, reduzindo vulnerabilidades externas e agregando valor tecnológico interno.
A sinergia entre Xmobots, Marinha do Brasil e Petrobras sinaliza algo maior do que a simples introdução de novos equipamentos. O que se desenha é uma mudança estrutural na forma como o país encara tecnologias críticas, conectando defesa, energia e inovação em uma mesma arquitetura estratégica. Ao combinar recursos, conhecimento técnico e demanda operacional real, o Brasil avança na construção de capacidades próprias em sistemas autônomos de monitoramento, ampliando sua margem de independência e sua capacidade de resposta.
Não se trata apenas de aeronaves sobrevoando o mar. Trata-se de consciência situacional ampliada, de presença persistente e de inteligência aplicada ao espaço marítimo. Sistemas autônomos passam a atuar como multiplicadores de força, estendendo os olhos e os ouvidos da Esquadra muito além do horizonte visível. É tecnologia a serviço da soberania, inovação alinhada à estratégia e, sobretudo, um indicativo claro de que o domínio do futuro passa, inevitavelmente, pelo domínio dos sistemas que operam sem piloto, mas nunca sem propósito.
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