Entre os dias 13 e 21 de novembro e de 5 a 11 de dezembro, a Marinha do Brasil avançou em mais uma etapa decisiva do processo de incorporação da Fragata Tamandaré (F-200). Nesse período, o 1º Esquadrão de Aviões de Interceptação e Ataque (EsqVF-1), operando a partir da Base Aérea de Florianópolis (BAFL), foi empregado em voos específicos voltados aos testes de aceitação do novo meio naval.
As missões tiveram como objetivo principal a verificação e validação do Sistema de Combate da Fragata Tamandaré, componente central da capacidade operacional do navio. Trata-se de uma fase crítica do ciclo de testes, na qual sensores, sistemas de armas e enlaces de comunicação são avaliados de forma integrada, em condições próximas às de emprego real.
Durante os voos, as aeronaves do VF-1 executaram perfis previamente planejados, desenhados para simular diferentes cenários de ameaça aérea. Esses perfis permitem avaliar a capacidade dos radares do navio em detectar, rastrear e classificar alvos, bem como a eficiência dos sistemas de comando e controle na consolidação das informações táticas e na geração de uma consciência situacional coerente.
No âmbito do radar, os testes envolvem a detecção de alvos em diferentes altitudes, velocidades e assinaturas, avaliando alcance, precisão e estabilidade do rastreamento. As passagens das aeronaves em variados azimutes e regimes de voo permitem verificar possíveis zonas de sombra, latência de atualização e a capacidade do sistema em manter múltiplos contatos simultaneamente, algo essencial para operações modernas em ambientes saturados.
Paralelamente, os testes também avaliam o funcionamento do sistema de armas, ainda que, nessa fase, não envolvam necessariamente disparos reais. O foco está na cadeia de engajamento: desde a detecção inicial do alvo, passando pela designação, cálculo de solução de tiro e resposta do sistema. Esse processo permite confirmar se os sensores, o sistema de combate e os armamentos “conversam” de forma correta, sem perdas de informação ou atrasos críticos.
Outro elemento central dessas atividades é a verificação dos sistemas de comunicação e enlace de dados. As missões possibilitam testar a troca de informações entre a fragata e as aeronaves, validando a interoperabilidade, a segurança dos enlaces e a capacidade de compartilhamento de dados táticos em tempo real. Em um cenário operacional contemporâneo, essa integração é fundamental para operações conjuntas e combinadas, ampliando o alcance dos sensores do navio e aumentando sua capacidade de resposta.
Os voos conduzidos pelo VF-1 também representaram um importante ganho operacional para o Esquadrão. A interação direta com um navio dotado de sistemas de última geração permite aos pilotos e às equipes de apoio aprofundar o conhecimento sobre procedimentos, limitações e potencialidades do meio naval, fortalecendo a doutrina de emprego conjunto entre aeronave e navios de superfície.
A execução bem-sucedida dos perfis planejados confirma a maturidade do processo de testes e contribui diretamente para o avanço da Fragata Tamandaré em direção à sua plena capacidade operacional. Cada etapa concluída reduz incertezas, ajusta sistemas e consolida procedimentos, aproximando o navio de sua transferência definitiva ao setor operativo.
Mais do que simples voos de avaliação, essas atividades refletem a complexidade do desenvolvimento e da aceitação de um moderno meio de combate naval. Elas demonstram a importância da aviação naval como elemento essencial na validação dos sistemas de combate e reforçam o caráter integrado do Programa Fragatas Classe Tamandaré, um dos pilares da renovação da capacidade de superfície da Marinha do Brasil.
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