A 6ª Brigada de Infantaria Blindada – Brigada Niederauer (6ª Bda Inf Bld), com o seu quartel-general localizado em Santa Maria – RS, é uma das Grandes Unidades de maior poder de combate na Força Terrestre. Em razão dos meios que possui e do nível de adestramento adquirido, coloca à disposição do escalão superior capacidades únicas. Seus recursos humanos são instruídos e treinados para atuar com iniciativa, coragem, flexibilidade e adaptabilidade, conforme a intenção do comandante e o propósito das tarefas, focados no estado final desejado para cada missão. Sempre pronta, está vocacionada para as ações decisivas, constituindo-se em um meio bastante nobre. Quando acionada, age com rapidez, precisão, violência e ação de choque.
Como parte fundamental do ciclo anual de adestramento da 6ª Bda Inf Bld, foi realizada, no mês de outubro do corrente ano, a tradicional Operação Punhos de Aço. Nela, todas as doze Organizações Militares (OM) da Brigada Niederauer foram adestradas e os seus comandantes de unidades e subunidades tiveram a oportunidade de liderar no terreno, com ganhos evidentes para a prontidão operacional e a aquisição de novas experiências, fortalecendo igualmente o espírito de corpo, o conhecimento e a confiança mútuas entre superiores, pares e subordinados.
Nesse contexto tático, coube ao 4º Regimento de Carros de Combate – Regimento Passo do Rosário a missão de ser a vanguarda da 6º Bda Inf Bld em uma marcha para o combate descoberta. A unidade se organizou constituindo uma força-tarefa (FT 4º RCC) composta por peças de manobra em quantidades equilibradas de carros de combate e fuzileiros blindados, apoiadas por um pelotão de engenharia de combate blindado, além de uma seção de artilharia antiaérea e uma bateria de artilharia de campanha, ambas autopropulsadas.
Constituíram o grosso da coluna de macha e a sua reserva as outras três peças de manobra valor unidade da Brigada, todas organizadas em forças-tarefas equilibradas, quanto à presença de carros de combate e de fuzileiros blindados. Devido a existência de um flanco exposto, com a real possibilidade de interferência do inimigo através dele e potencial para comprometer a progressão da tropa, foi atribuída a missão de segurança daquele mesmo flanco ao 6º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado da Brigada.
O planejamento da FT 4º RCC para a Operação seguiu os princípios preconizados no manual do Processo de Planejamento e Condução de Operações Terrestres (PPCOT) e seus processos complementares, tais como o Processo de Integração do Terreno, Inimigo, Condições Meteorológicas e Assuntos Civis (PITCIC) e o Processo de Gerenciamento de Risco Operacional (GRO). No PPCOT, o estado-maior da FT realizou o estudo da missão, em suas seis fases (Imagem-1). Durante cada uma dessas fases, foi possível aprimorar a destreza e o conhecimento dos quadros envolvidos na atividade, com destaque à dinâmica completa do processo e a sua finalidade, objetivando a celeridade e a efetividade nos trabalhos empreendidos. Como resultado, foi emitida uma bem elaborada Ordem de Operações por parte da FT 4º RCC (Imagens-2).
Ainda como parte da preparação, a FT 4º RCC empreendeu, por iniciativa, uma simulação de combate do tipo construtiva 1 , conhecida como Jogo de Guerra (JG), que foi realizada no formato tradicional, utilizando a carta, sem contar, portanto, com programas (software) e equipamentos de informática. Para essa atividade, foram considerados todos os meios disponíveis, exatamente como contavam na Ordem de Operações da 6ª Bda Inf Bld 2 , resultando em um enorme ganho técnico-profissional para os oficiais, subtenentes e sargentos envolvidos (Imagem-3). No JG, busca-se analisar o máximo de variáveis possíveis em uma determinada situação de combate, explorando-se diferentes possibilidades de resultados, característica inerente à própria dinâmica e natureza da guerra, marcada pela permanente disputa entre oponentes, que tentam impor um ao outro a sua vontade. Como consequência, chega-se a um planejamento bastante completo, que visa, em alguma medida, “dissipar a névoa do combate”, tentando eliminar as principais variantes que levariam ao fracasso da missão.
Já na área de operações, antes do início da Marcha para o Combate, foi de grande valia o ensaio da denominada Matriz de Sincronização (imagem-4), com base no planejamento e no JG previamente realizados. Isso facilitou a ampla compreensão das tarefas a realizar, seu propósito e as alternativas viáveis para o cumprimento da missão. Tal atividade permitiu, pois, aos comandantes em todos os níveis visualizarem as ações a serem cumpridas e como elas deveriam estar sincronizadas no tempo, no espaço e quanto à finalidade a ser atingida, gerando flexibilidade e acelerando o ciclo decisório. Foram analisadas as possibilidades e alternativas de emprego para as mais variadas situações, tendo por base a matriz doutrinária do inimigo e sua maneira de se comportar em circunstâncias semelhantes.
Durante a Operação Punhos de Aço propriamente dita, todo o esforço da FT 4º RCC foi dispendido para o reestabelecimento do contato com o inimigo o mais rápido possível. Para tal, foram utilizadas técnicas, táticas e procedimentos (TTP) de reconhecimento de eixo e zona, o que permitiu ao comando enquadrante manter uma certa consciência situacional, suficiente para conquistar e reter a iniciativa das ações e impulsionar o avanço da 6ª Bda Inf Bld com a devida segurança. Vale destacar a intensa coordenação ocorrida entre a FT 4º RCC e o 6º Esqd C Mec, esse último na segurança de flanco, seja pelo contato pessoal nos pontos de ligação planejados, seja através de uma comunicação permanente via rádio, assegurando sincronia nas ações de Segurança, Reconhecimento e Vigilância em prol da Brigada Niederauer.
Inicialmente, foi lançado como ponta da FT 4º RCC o Pelotão de Exploradores (Pel Expl), tropa altamente móvel, adestrada e apta para executar as TTP para esse tipo de missão. Visando melhor cumprir sua tarefa, conforme o contexto atual dos combates, a FT 4ª RCC, assim como outras organizações militares da Brigada, usou experimentalmente o drone, que auxiliou sobremaneira a detecção antecipada do inimigo e dos obstáculos que poderiam comprometer a fluidez do movimento. A presença dessa tecnologia, inclusive durante as ações de contato (Desdobrar, Esclarecer a Situação, Selecionar uma linha de ação e Informar a linha de ação selecionada – acrônimo DESI), foi fundamental para acelerar a tomada de decisão com correção.
Uma vez estabelecido o contato com o inimigo e aumentada a possibilidade de um ataque de oportunidade, aliados ao desgaste e perdas sofridas pelo Pel Expl por ação simulada do oponente, foi decidido, na fase final do itinerário de marcha, colocar uma força-tarefa subunidade blindada à testa da formação. A partir deste momento, a FT 4º RCC ganhou em proteção blindada e velocidade de deslocamento, ao passo que houve certo decréscimo nas TTP de reconhecimento. Foi permitido, também, ao Comandante da FT, nessa nova configuração, acompanhar de forma mais cerrada o deslocamento da tropa, com claros benefícios para a emissão de ordens fragmentárias e coordenação das ações de conduta.
A brigada blindada, meio nobre que decide o combate, uma vez acionada, passa a ser alvo prioritário do inimigo. A velocidade, a destreza, a segurança e o perfeito entendimento da manobra e das possíveis evoluções do combate, envoltos em um ambiente de consciência situacional ampliada, são fatores cruciais para mitigar as ameaças e lidar com as incertezas da guerra. Desta feita, o planejamento detalhado, o uso da Intenção do Comandante e da Finalidade da Missão, a prática do Jogo de Guerra e os ensaios da Matriz de Sincronização, juntamente à utilização do drone e a execução agressiva e decidida da tropa da FT 4º RCC, mostraram-se bastante produtivos durante a Operação Punhos de Aço 2025.
AUTORES
GENERAL DE BRIGADA ANDRÉ LUIZ DE SOUZA DIAS - Formado em 1996, na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), é oriundo da Arma Infantaria. Atualmente, comanda a 6° Brigada de Infantaria Blindada, com sede em Santa Maria-RS. Nessa mesma Brigada, foi o Comandante da Companhia de Comando, em 2010-11, e do 29º Batalhão de Infantaria Blindado, no biênio 2019-20. Além do Curso de Comando e Estado-Maior do Exército Brasileiro, realizou o Curso de Estado-Maior das Forças Armadas da Espanha e o de Altos Estudos Nacionais da Bolívia. Possui os Mestrados Acadêmicos em Operações Militares e em Ciências Militares, ambos no Brasil, em Política de Defesa e Segurança Internacional, na Espanha, e em Segurança, Defesa e Desenvolvimento, na Bolívia. É membro da Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira (ANVFEB) e do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil (IGHMB).
TENENTE-CORONEL JÚLIO CÉSAR MONTEIRO DE VASCONCELOS JÚNIOR - O Tenente-Coronel Monteiro Jr concluiu, no ano de 2003, o Curso de Formação de Oficiais da Arma de Cavalaria e o de Bacharel em Ciências Militares na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). Realizou o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO) e o de Comando e Estado-Maior na Escola de Comando e Estado Maior do Exército (ECEME). Foi instrutor na AMAN e na ECEME. Possui os Estágios Técnicos das Viaturas Blindadas de Combate M60A3TTS e Leopard 1 A1, além dos Estágios Táticos de Comandante de Pelotão de Carros de Combate e de Comandante de Pelotão de Exploradores, todos no Centro de Instrução de Blindados. Atualmente, é o Comandante do 4º Regimento de Carros de Combate – Regimento Passo do Rosário, sediado na cidade de Rosário do Sul-RS.
GBN Defense - A informação começa aqui







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