sábado, 29 de novembro de 2025

Argentina inicia era F-16: primeiros caças partem da Dinamarca e marcam retomada supersônica após uma década de lacuna

A Força Aérea Argentina (FAA) entrou oficialmente em uma nova etapa de reconstrução de seu poder aéreo. Em 28 de novembro de 2025, o primeiro lote de seis caças F-16 Fighting Falcon modernizados deixou a Base Aérea de Skrydstrup, na Dinamarca, iniciando o voo de translado para Córdoba. A movimentação inaugura a fase operacional do acordo Peace Condor, firmado em 2024, para a transferência de 24 aeronaves F-16AM/BM anteriormente operadas pela Força Aérea Real Dinamarquesa.

O pacote inicial reúne quatro F-16BM bipostos e dois F-16AM monopostos, todos submetidos à modernização de meia-vida (MLU) ainda sob gestão dinamarquesa. As inspeções, upgrades e certificações garantem que as aeronaves cheguem ao país em plenas condições de voo e com sistemas compatíveis com os padrões atuais de combate aéreo.

A chegada à Brigada Aérea IV, prevista até 5 de dezembro, abrirá o processo de recepção e avaliação técnica, seguido do envio à Área Material Río Cuarto (ARMACUAR) para integração à nova estrutura de manutenção. A expectativa é que a Base Aérea de Tandil volte a operar caças supersônicos após a conclusão das obras na pista e hangar.

Retorno ao supersônico após dez anos

Desde a aposentadoria dos Mirage em 2015, a Argentina permaneceu fora do grupo de países com capacidade supersônica. O voo transatlântico dos primeiros F-16 encerra essa lacuna e restabelece uma ferramenta essencial de dissuasão, tanto no controle do espaço aéreo quanto na projeção de soberania.

Além dos seis jatos iniciais, o Peace Condor inclui motores adicionais, simuladores, peças de reposição e suporte logístico plurianual. Uma aeronave de treinamento estáticamente alocada no país desde 2024 já vem sendo utilizada para adaptação de pilotos e técnicos, reduzindo o tempo para a entrada em serviço dos primeiros F-16 operacionais.

A travessia do Atlântico contará com apoio de um KC-135 da Força Aérea dos EUA, responsável pelo reabastecimento em voo, além de uma estrutura de acompanhamento liderada por um C-130 da FAA e um Boeing 737-700 T-99 transportando equipes e suprimentos, um esforço multinacional que revela a importância estratégica da transferência.

Impacto regional e considerações políticas

A incorporação dos F-16 altera o ambiente estratégico da América do Sul. Apesar de serem aeronaves de segunda mão, o pacote dinamarquês coloca a Argentina novamente no cenário de aviação de combate modernizada, alinhada a padrões da OTAN e compatível com doutrinas ocidentais.

Para os Estados Unidos, o Peace Condor reforça laços de interoperabilidade hemisférica e assegura a permanência de tecnologias norte-americanas como referência na região. Para a Argentina, representa um reposicionamento político e operacional após anos de limitações orçamentárias e perda de capacidades críticas.

Desafios de implementação

A integração da frota exigirá mais que a chegada dos jatos. A FAA terá de consolidar um novo ecossistema de manutenção, capacitação e doutrina operacional. O recebimento será escalonado até 2028, permitindo que a estrutura amadureça progressivamente. A recomposição do poder aéreo argentino, portanto, será um processo contínuo, dependente de investimentos consistentes e da modernização de infraestrutura, um desafio tão grande quanto a operação em si.

Comparativo estratégico: F-16 argentinos x F-39E Gripen brasileiros

A introdução dos F-16 renovados coloca a Argentina em um novo patamar, mas não muda a liderança regional do Brasil. O F-39E Gripen, fruto da parceria Brasil–Suécia, integra sistemas, sensores e armamentos de última geração, situando-se tecnicamente uma geração à frente dos caças adquiridos por Buenos Aires.


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