A Anduril apresentou novas imagens de seu FQ-44, desenvolvido para o programa Collaborative Combat Aircraft (CCA) da Força Aérea dos Estados Unidos, mostrando a aeronave equipada não apenas para missões ar-ar, mas também para emprego contra alvos terrestres. A configuração divulgada combina foguetes guiados a laser AGR-20 APKWS com bombas GBU-54 LJDAM de 500 libras, evidenciando a intenção de ampliar o conjunto de efeitos que o CCA poderá proporcionar em operações integradas com aeronaves tripuladas.
Nas imagens, o FQ-44 aparece equipado com dois lançadores de sete foguetes APKWS cada, além de duas bombas GBU-54. As armas são instaladas nos pontos de fixação sob as asas, com o emprego do suporte duplo BRU-57/A, sistema utilizado para permitir o transporte de duas armas compatíveis em um único ponto de fixação. A configuração demonstra uma arquitetura voltada à flexibilidade de emprego, permitindo combinar diferentes tipos de armamento de acordo com a missão.
O APKWS é um foguete de 70 mm equipado com sistema de orientação a laser, originalmente desenvolvido para transformar foguetes não guiados em munições de precisão contra alvos como veículos, posições e outros alvos de menor dimensão. Já a GBU-54 LJDAM combina orientação por GPS/INS com capacidade de guiagem a laser, permitindo engajar alvos previamente coordenados ou designados durante a fase terminal do ataque. A combinação dos dois sistemas oferece ao FQ-44 diferentes alternativas de emprego contra alvos terrestres.
A configuração divulgada também deve ser analisada dentro do conceito de emprego do CCA. O FQ-44 não está sendo desenvolvido simplesmente como um substituto não tripulado para um caça convencional, mas como uma plataforma capaz de transportar sensores e armamentos e operar integrada a aeronaves tripuladas. Nesse modelo, um caça pode atuar como elemento de comando e coordenação enquanto o CCA amplia a área de atuação, distribui sensores e aumenta o número de armas disponíveis na formação.
A Anduril já havia demonstrado a integração do FQ-44 ao emprego do AIM-120 AMRAAM, estabelecendo a dimensão ar-ar do projeto. A incorporação de armamentos ar-solo acrescenta uma segunda camada de emprego e permite que a mesma plataforma seja utilizada em missões distintas sem necessariamente exigir uma configuração estrutural completamente diferente.
A empresa também indica que a arquitetura de armamentos poderá receber outras munições e equipamentos. Entre as possibilidades estão bombas de pequeno diâmetro, como a GBU-39 e a GBU-53, além de mísseis de maior alcance e pods de designação de alvos. Nesse contexto, a família Barracuda, desenvolvida pela própria Anduril, aparece como uma possibilidade coerente com a proposta de ampliar o alcance e a autonomia de emprego do CCA, embora a configuração específica e a integração de cada armamento dependam de processos próprios de desenvolvimento e qualificação.
A opção por diferentes classes de armamento também está relacionada à filosofia do CCA Increment 1. Essas aeronaves foram concebidas para transportar sensores e armas destinados a ampliar as capacidades dos caças tripulados, mantendo uma arquitetura relativamente simples e orientada à redução do custo unitário. Isso permite empregar um número maior de plataformas e distribuir funções entre diferentes elementos de uma força aérea conectada.
Nesse conceito, o CCA pode transportar mísseis ar-ar para ampliar a capacidade de combate da formação, armas ar-solo para ataques contra alvos terrestres e sensores destinados à obtenção e distribuição de informações. A plataforma passa, portanto, a funcionar como um elemento modular dentro de uma arquitetura de combate, em vez de depender de uma única função operacional.
A evolução prevista para os incrementos posteriores aponta para uma mudança gradual nesse conceito. Enquanto o Increment 1 prioriza simplicidade, custo e capacidade de transporte de equipamentos para aeronaves tripuladas, projetos futuros poderão incorporar maior capacidade de sobrevivência, autonomia e independência para executar determinadas tarefas. A consequência será uma aproximação progressiva entre os CCAs e características tradicionalmente associadas às aeronaves de combate tripuladas.
Essa evolução é particularmente relevante porque modifica a relação entre massa, risco e poder de fogo dentro de uma formação aérea. Uma plataforma não tripulada pode receber armamentos e sensores que aumentam a capacidade da força sem colocar um piloto diretamente na aeronave enviada para determinadas áreas de maior ameaça. O ganho, contudo, depende da capacidade de manter comunicações, consciência situacional, navegação e coordenação com os demais elementos da força.
As imagens divulgadas pela Anduril, portanto, não representam apenas uma nova configuração de armamento do FQ-44. Elas mostram a expansão do conceito de emprego do CCA para além da função de vetor ar-ar, incorporando capacidade ar-solo e reforçando a ideia de que essas aeronaves serão componentes de uma arquitetura distribuída de combate. A demonstração também deve ser distinguida de uma capacidade operacional plenamente certificada: a integração física de armamentos e sua utilização em ensaios são etapas necessárias para chegar à qualificação, mas não significam, por si só, que todas essas configurações já estejam disponíveis para emprego operacional.
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