A Marinha Portuguesa empregou a fragata NRP Bartolomeu Dias e o helicóptero Lynx embarcado em um exercício de lançamento de torpedos durante o REPMUS26. A atividade colocou em prática procedimentos de guerra antissubmarino com o emprego de duas plataformas distintas, em um cenário voltado ao treinamento operacional.
Foram realizados dois lançamentos de torpedos MK46. Um armamento foi disparado a partir da própria fragata, enquanto o segundo foi lançado pelo Lynx, permitindo às tripulações exercitar diferentes modalidades de emprego de uma mesma arma contra ameaças submarinas.
O helicóptero amplia a área de atuação de uma fragata nesse tipo de missão. Por operar a maior distância do navio e possuir sensores próprios, a aeronave pode investigar contatos e realizar buscas em setores específicos do oceano, reduzindo o tempo necessário para reagir diante de uma possível presença submarina.
Essa característica é particularmente importante na guerra antissubmarino, na qual a detecção constitui apenas o início do processo. Identificar corretamente um contato, determinar sua posição e acompanhar sua movimentação são etapas essenciais antes de estabelecer uma solução de tiro.
O MK46 é um torpedo leve desenvolvido para emprego antissubmarino a partir de navios e aeronaves. Sua utilização por diferentes plataformas permite explorar posições de ataque distintas, uma característica importante para aumentar as opções disponíveis diante de um submarino em movimento.
A capacidade de operar aeronaves embarcadas constitui, nesse contexto, um dos elementos relevantes da configuração das fragatas. O Lynx funciona como uma extensão da capacidade de busca da unidade de superfície, podendo deslocar-se rapidamente para áreas onde seja necessário investigar ou acompanhar uma ameaça.
O NRP Bartolomeu Dias pertence à classe de mesmo nome, baseada no projeto das fragatas da classe Karel Doorman, originalmente desenvolvidas para a Marinha dos Países Baixos. As unidades portuguesas foram adquiridas no início dos anos 2000 e permanecem como parte importante da capacidade oceânica da Marinha Portuguesa.
O REPMUS26 acrescenta uma dimensão adicional ao treinamento ao reunir atividades relacionadas à experimentação e ao emprego de sistemas não tripulados. O exercício cria um ambiente no qual plataformas convencionais podem ser empregadas ao lado de novas tecnologias destinadas à vigilância, reconhecimento e coleta de informações no espaço marítimo.
Para a guerra antissubmarino, esse tipo de treinamento é especialmente relevante porque o ambiente submarino permanece marcado por elevada dificuldade de detecção. Ruído, profundidade, temperatura da água e características do fundo marítimo podem alterar significativamente o desempenho dos sensores e dificultar a localização de um contato.
A atividade realizada pela Marinha Portuguesa demonstra, portanto, uma competência que depende tanto de sensores e armamentos quanto da proficiência das tripulações. O lançamento do torpedo representa apenas a etapa final de um processo que envolve busca, classificação, acompanhamento e decisão de emprego.
A manutenção dessa capacidade ganha importância diante do retorno da guerra antissubmarino ao centro das preocupações navais. Submarinos modernos combinam discrição, autonomia e capacidade de ataque a longa distância, tornando a disponibilidade de meios especializados para sua detecção e neutralização um requisito permanente para forças que operam no ambiente marítimo.
Durante o REPMUS26, o emprego do NRP Bartolomeu Dias e do Lynx com torpedos MK46 proporcionou justamente a oportunidade de manter essas competências em condições de treinamento próximas às exigências de uma operação real, preservando a capacidade portuguesa de atuar no combate às ameaças submarinas.
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