quinta-feira, 10 de setembro de 2026

França aprova THUNDART para substituir sistema LRU e ampliar capacidade de ataque terrestre de longo alcance

A Agência Francesa de Aquisição de Defesa (DGA) notificou a MBDA e a Safran Electronics & Defense para o desenvolvimento do THUNDART, nova solução destinada a renovar a capacidade francesa de ataque tático terrestre de longo alcance e preparar a substituição do Lançador de Foguetes Unitário (LRU, Lance-Roquettes Unitaire).

Desenvolvido conjuntamente pelas duas empresas, o THUNDART foi concebido para proporcionar ao Exército Francês uma capacidade soberana de ataque de precisão em profundidade, adequada às exigências de conflitos de alta intensidade e capaz de operar em ambientes onde os sistemas de navegação e comunicação estejam sujeitos a interferências ou outras formas de negação.

O sistema será projetado, desenvolvido e produzido na França, com a proposta de assegurar às Forças Armadas Francesas autonomia de emprego até 2030. A iniciativa coloca a capacidade industrial nacional no centro do programa, desde o desenvolvimento da solução até sua produção e posterior suporte em serviço.

O THUNDART já passou por uma etapa inicial de desenvolvimento, que culminou em um disparo de demonstração realizado com sucesso em abril de 2026. Com a notificação do programa pela DGA, MBDA e Safran avançam agora para a próxima fase, que será conduzida por uma nova joint venture formada pelas duas empresas em participação igualitária de 50% para cada uma.

A joint venture será instalada na região de Paris e ficará responsável pelo desenvolvimento, produção e suporte em serviço do THUNDART. A estrutura também deverá acompanhar futuras evoluções do sistema, incluindo possíveis adaptações para outros ambientes operacionais e versões destinadas aos mercados de exportação de países aliados.

A solução reúne competências complementares das duas empresas. A Safran Electronics & Defense contribuirá particularmente com suas tecnologias de navegação inercial e optrônica, consideradas fundamentais para preservar a precisão do sistema em situações nas quais a disponibilidade dos sinais GNSS esteja comprometida.

A MBDA, por sua vez, ficará diretamente envolvida na integração da capacidade de ataque e na estruturação industrial do sistema. A empresa destaca que o programa poderá aproveitar subsistemas já maduros e uma capacidade industrial que está em expansão, permitindo acelerar o desenvolvimento e responder às necessidades do Exército Francês dentro de um cronograma reduzido.

Para a França, a questão da navegação resiliente ganhou importância diante da evolução dos ambientes operacionais, nos quais a guerra eletrônica pode comprometer o emprego de sistemas dependentes exclusivamente de sinais de posicionamento por satélite. A combinação entre navegação inercial, optrônica e um sistema de ataque de precisão busca preservar a eficácia do THUNDART mesmo sob condições de interferência.

O programa também terá impacto sobre a base industrial francesa de defesa. Segundo MBDA e Safran, várias dezenas de engenheiros já estão envolvidos no desenvolvimento, enquanto as próximas fases deverão gerar empregos nas áreas de engenharia e produção nas instalações estratégicas dos dois grupos e entre seus subcontratados.

A cadeia industrial associada ao projeto deverá alcançar diferentes regiões da França, incluindo Aquitânia, Bretanha, Centro-Vale do Loire, Île-de-France, País do Loire e Provença-Alpes-Costa Azul. Dessa forma, o programa não se limita ao desenvolvimento de um novo sistema de armas, mas também amplia a atividade industrial vinculada às capacidades francesas de ataque de longo alcance.

A criação da joint venture também abre espaço para a evolução futura do THUNDART, permitindo que a solução seja adaptada a diferentes necessidades operacionais e, eventualmente, oferecida a países aliados. A iniciativa busca, assim, combinar a renovação da capacidade francesa com uma estrutura industrial capaz de sustentar o sistema ao longo de seu ciclo de vida.

A seleção do THUNDART pela DGA representa uma nova etapa no esforço francês para renovar sua capacidade de ataque terrestre em profundidade, substituindo progressivamente o LRU por uma solução desenvolvida e produzida nacionalmente. O objetivo é colocar à disposição do Exército Francês, até o final da década, uma capacidade de precisão de longo alcance compatível com as exigências dos atuais ambientes de combate.


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