quinta-feira, 10 de setembro de 2026

CAvEx prepara nova geração de operadores para drones de longo alcance

A transformação promovida pelo Programa Estratégico Aviação do Exército e Drones começa a produzir efeitos que vão além da incorporação de novos equipamentos. A Aviação do Exército Brasileiro (AvEx) trabalha na preparação de uma nova estrutura de pessoal para operar Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas (SARP) de maior capacidade, incluindo plataformas de Categoria 3 e longo alcance, sinalizando uma mudança importante na forma como a Força pretende organizar e empregar seus meios aéreos não tripulados.

Segundo o Comando de Aviação do Exército (CAvEx), a fase inicial desse processo deverá aproveitar competências já existentes na Força. As primeiras equipes destinadas aos SARP de maior porte deverão contar com Pilotos de Helicópteros e oficiais possuidores do Curso de Observador Aéreo do Exército, reunindo experiência no planejamento e execução de missões aéreas, observação, reconhecimento e apoio às operações terrestres.

A opção por esse perfil não significa, contudo, que a operação dos novos sistemas será tratada simplesmente como uma extensão das atividades desempenhadas pelas tripulações de aeronaves tripuladas. Os SARP de maior capacidade introduzem requisitos próprios relacionados ao comando e controle, inteligência de imagens, permanência prolongada em voo, operação a grandes distâncias e processamento das informações obtidas durante as missões.

Por essa razão, o CAvEx já estuda uma evolução do modelo de formação. Com a maturação da capacidade e a consolidação da segurança operacional, está prevista a possibilidade de criação de um curso específico para pilotos de SARP de maior porte, sem a necessidade de formação anterior como piloto de aeronave tripulada. Na prática, a medida poderá estabelecer uma especialização própria dentro da estrutura da Aviação do Exército Brasileiro.

Essa mudança acompanha a evolução da própria doutrina de emprego dos sistemas não tripulados. O Exército Brasileiro trabalha com uma arquitetura na qual SARP de diferentes categorias atuem de forma complementar, desde sistemas empregados junto às tropas para ampliar a consciência situacional até plataformas de maior alcance destinadas a operações em profundidade.

Nesse conceito, o operador deixa de ser apenas o responsável pelo controle da aeronave e passa a integrar uma cadeia operacional mais ampla, envolvendo obtenção de informações, comando e controle, identificação de alvos e apoio à tomada de decisão. A integração com os meios de asas rotativas também deverá ser ampliada, permitindo que sistemas tripulados e não tripulados sejam empregados de forma coordenada.

O futuro Batalhão de Aeronaves Remotamente Pilotadas (BARP) está inserido nessa transformação. A concepção apresentada pelo CAvEx prevê o emprego de SARP de diferentes categorias em uma manobra coordenada, utilizando drones para moldar o domínio aéreo e criar condições para a atuação dos sistemas de maior capacidade e dos vetores tripulados.

Nesse cenário, a formação de pessoal torna-se um componente essencial da nova capacidade. O Centro de Instrução de Aviação do Exército (CIAvEx) já desenvolve programas de instrução para diferentes categorias de SARP empregados pelo Exército Brasileiro, incluindo a formação de multiplicadores responsáveis por disseminar conhecimentos nas organizações militares.

Para os sistemas de maior porte, entretanto, a tendência é avançar para uma qualificação específica. O planejamento já considera conhecimentos relacionados à inteligência artificial, inteligência de imagens e comando e controle, refletindo a crescente complexidade das operações envolvendo aeronaves remotamente pilotadas.

A perspectiva ganha relevância diante do processo de seleção de um futuro SARP de Categoria 3 para o Exército Brasileiro. Entre as plataformas que estão no radar da Força está o Bayraktar TB3, desenvolvido pela empresa turca Baykar. A apuração do GBN Defense indica que o sistema está sendo considerado nas tratativas relacionadas à futura capacidade brasileira, com possibilidade de um acordo ser anunciado em meados de 2027 ou no início de 2028. Até o momento, porém, não há anúncio oficial de contrato para aquisição da plataforma.

Caso essa capacidade seja efetivamente incorporada, a mudança na formação dos operadores será tão relevante quanto a própria aquisição dos sistemas. Um SARP de Categoria 3, concebido para operar por longos períodos e atuar a grandes distâncias, exige uma estrutura de pessoal capaz de explorar suas capacidades de inteligência, reconhecimento, vigilância e aquisição de alvos, além de sua eventual capacidade de apoio de fogo.

A evolução planejada pela AvEx demonstra, portanto, que a transformação dos meios aéreos do Exército Brasileiro não está limitada à substituição ou incorporação de plataformas. A Força começa a estruturar também a dimensão humana e doutrinária necessária para operar em um ambiente no qual aeronaves tripuladas e sistemas remotamente pilotados deverão atuar de maneira cada vez mais integrada.


por Angelo Nicolaci


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