quinta-feira, 10 de junho de 2010

EUA pedem que Rússia restrinja venda de mísseis S-300 ao Irã após sanções


O Departamento de Estado dos EUA reafirmou em comunicado nesta quinta-feira que os mísseis S-300 que a Rússia pretende entregar ao Irã não têm mesmo a venda proibida de acordo com a nova rodada de sanções impostas pela ONU (Organização das Nações Unidas) contra o país persa.

No entanto, o órgão americano afirmou que a resolução pede que os Estados "exercitem a vigilância e restrição na venda ou transferência de todas as outras armas e materiais relacionados" e afirmou que "agradecemos a restrição da Rússia na transferência do sistema de mísseis S-300 ao Irã".

Ontem, o Conselho de Segurança da ONU --com o apoio russo-- adotou uma quarta rodada de sanções contra o Irã por seu programa nuclear. Após essa medida, a manutenção ou não do acordo de venda de mísseis S-300 da Rússia para o Irã foi um dos principais assuntos desta quinta-feira.

Primeiramente, a agência de notícias russa Interfax citou uma fonte da indústria armamentícia russa, em anonimato, dizendo que Moscou iria congelar o contrato de venda dos mísseis por causa das sanções.

Na sequência, o porta-voz da Chancelaria russa, Andrei Nesterenko, negou a informação e disse que as únicas armas de defesa aérea proibidas de serem vendidas, de acordo com as novas sanções, são sistemas de mísseis portáteis, como lança-mísseis. "Armas de defesa aérea, com exceção de sistemas de mísseis portáteis, não estão incluídos no registro da ONU de armas convencionais que são mencionadas pela resolução sobre o Irã", disse.

Depois, o ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, reafirmou que as novas sanções impostas pela ONU ao Irã não obrigam Moscou a cancelar o acordo de venda mísseis. Lavrov disse ainda que Moscou mantém negociações para construir mais usinas nucleares no Irã --uma medida que, se for posta em prática, deve enfurecer as potências ocidentais--, para se somar à de Bushehr, prevista para entrar em operação em agosto após anos de atraso.

Resolução

A resolução do Conselho de Segurança proíbe a venda de sistemas de mísseis listados no Registro das Nações Unidas de Armas Convencionais. O registro não inclui os S-300, então o contrato não seria afetado tecnicamente.

Porém, diplomatas do Conselho de Segurança disseram que a resolução pede aos estados-membros que "exercitem a vigilância e restrição" em relação à venda de quaisquer armas ao Irã, significando que Moscou deve ter sido fortemente desencorajado a entregar os mísseis.

Se concretizada, a venda dá ao Irã a capacidade de proteger suas instalações nucleares.

Barganha

O apoio do Kremlin às novas sanções contra o Irã foram acompanhadas por reiteradas garantias de autoridades russas de que as medidas não afetariam o acordo para a venda de S-300.

Diplomatas em Moscou disseram que a Rússia queria manter o acordo de fora, como uma moeda de barganha com Teerã e as potências ocidentais tentando conter a atividade nuclear iraniana.

Em Washington, o senador republicano Jon Kyl criticou as sanções da ONU por excluir o acordo dos S-300 e a construção pela Rússia da primeira usina elétrica do Irã perto de Bushehr, prevista para entrar em operação em agosto.

A Rússia resistiu por muito tempo a apoiar uma nova rodada de sanções contra o Irã, alegando que tais punições raramente funcionam. Porém, Moscou acabou cedendo após forte pressão americana e após Teerã se recusar a cooperar.

AIEA

Mais cedo a emissora de TV estatal iraniana anunciou que o Irã deve rever sua relação com a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) em resposta às sanções que sofreu no Conselho de Segurança da ONU.

O anúncio foi feito nesta quinta-feira pelo parlamento de Comissão de Segurança Nacional e Política Externa, liderada por Alaeddin Boroujerdi, depois que o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma quarta rodada de sanções contra o Irã sobre seu programa nuclear.

Boroujerdi disse que, no domingo, os legisladores vão 'começar uma revisão das relações do Irã' com a AIEA.

Ele não especificou quais as opções seriam discutidos, mas, de acordo com a agência de notícias Associated Press, uma revisão pode resultar na restrição do acesso de inspetores da AIEA às instalações nucleares iranianas.

Em resposta à nova rodada de sanções, o presidente da República Islâmica, Mahmoud Ahmadinejad, disse que elas são "sem valor algum" e "devem ir direto para a lata do lixo, como um lenço usado".

Ban Ki-moon

Na quarta-feira (9) o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu ao Irã que cumpra com suas obrigações internacionais e coopere plenamente com a AIEA, segundo comunicado divulgado pelo porta-voz das Nações Unidas, Martin Nesirky.

"Esses são os passos necessários para restaurar a confiança da comunidade internacional sobre os fins exclusivamente pacíficos do programa nuclear iraniano", disse o porta-voz.

Em sessão realizada nesta quarta-feira em Nova York, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma quarta rodada de sanções contra o Irã devido ao seu programa nuclear. O documento foi aprovado com 12 votos a favor, uma abstenção (do Líbano) e dois votos contra (Brasil e Turquia).

As novas sanções devem vetar investimentos exteriores iranianos em atividades e instalações relacionadas com a produção de urânio, serão estabelecidas restrições na venda de armas convencionais ao Irã. Além disso, o país será proibido de fabricar mísseis balísticos com capacidade de carregar ogivas nucleares.

Também deve haver novas restrições às operações financeiras e comerciais com o Irã, além do reforço do regime de inspeções das cargas dos navios e aviões iranianos para evitar que burlem o embargo internacional.

Fonte: Folha
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