sábado, 28 de fevereiro de 2026

Exército Brasileiro propõe primeira mulher ao posto de General de Brigada



Pela primeira vez em sua história, o Exército Brasileiro propõe uma mulher para promoção ao posto de General de Brigada. A Coronel Médica Claudia Lima Gusmão Cacho foi indicada para ingressar no generalato a contar de 31 de março do corrente ano, em um marco institucional que simboliza a evolução contínua da presença feminina nas fileiras da Força Terrestre, pautada pelo mérito, dedicação e compromisso com a missão.

A promoção ao posto de General de Brigada é resultado de criterioso processo de avaliação conduzido pelo Alto-Comando do Exército. Entre os requisitos exigidos estão o tempo de serviço, o mérito profissional, o desempenho em funções de comando e de Estado-Maior, além da conclusão dos cursos obrigatórios de altos estudos militares. Trata-se de uma trajetória construída ao longo de décadas e que exige excelência técnica, liderança e reconhecida capacidade de gestão.

Natural de Recife, em Pernambuco, a Coronel Claudia ingressou no Exército em 30 de janeiro de 1996 como oficial temporária, no então 42º Batalhão de Infantaria Motorizada, sediado em Goiânia. Posteriormente, foi aprovada no Concurso de Admissão para a Escola de Saúde do Exército, concluindo o Curso de Formação de Oficiais Médicos em 1998.

Ao longo de quase três décadas de serviço, consolidou uma sólida carreira na área de Saúde Operacional e Hospitalar, destacando-se pelo elevado desempenho técnico e pela capacidade de liderança em funções de comando e assessoramento. Entre os cargos exercidos, destacam-se a chefia do Escalão de Saúde do Comando da 1ª Região Militar, no Rio de Janeiro; a direção do Hospital de Guarnição de Natal, no Rio Grande do Norte; e a direção do Hospital Militar de Área de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.

A proposta de promoção ocorre em um contexto de ampliação histórica da presença feminina no Exército Brasileiro. A trajetória remonta a Maria Quitéria de Jesus Medeiros, heroína da Guerra da Independência de 1823, símbolo pioneiro da participação feminina na defesa nacional. Durante a Segunda Guerra Mundial, enfermeiras voluntárias também desempenharam papel essencial no esforço de guerra.

A partir da década de 1990, a participação feminina ganhou novo impulso. Em 1992, 52 mulheres ingressaram no Quadro Complementar de Oficiais por meio de concurso público. Desde 1997, engenheiras, médicas, dentistas e farmacêuticas passaram a ser formadas pelo Instituto Militar de Engenharia e pela Escola de Saúde do Exército. Em 2016, a Força ampliou ainda mais as oportunidades ao permitir o ingresso de mulheres na linha de ensino militar bélico, incluindo vagas nos Cursos de Formação de Sargentos e na Escola Preparatória de Cadetes do Exército.

Em 2025, outro marco foi registrado com a promoção, pela primeira vez, de mulheres à graduação de Subtenente, consolidando sua presença no topo da carreira das praças. Integrantes da turma pioneira de 2002, que formou 16 mulheres e 4 homens como terceiros-sargentos, elas simbolizam a continuidade de um processo de transformação institucional.

Agora, o Exército se prepara para um novo capítulo. Em 2025, mais de 33.720 mulheres se alistaram em todo o território nacional e, desse total, 1.010 incorporarão às fileiras da Força no dia 2 de março de 2026, quando as primeiras mulheres soldados iniciarão o Serviço Militar. A proposta de promoção da Coronel Claudia ao generalato insere-se nesse contexto de consolidação da presença feminina em todos os níveis da carreira, reafirmando o compromisso do Exército Brasileiro com a valorização do mérito e a igualdade de oportunidades.


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com Exército Brasileiro

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