O Brasil participou, nesta quarta-feira (25), do Seminário “Mulheres, Paz e Segurança”, promovido pela Junta Interamericana de Defesa, organismo vinculado à Organização dos Estados Americanos que atua na cooperação em segurança e defesa entre os países das Américas. A Representação do Brasil no colegiado é ligada ao Ministério da Defesa.
O evento reuniu autoridades civis e militares de países como Canadá, Chile, Colômbia, Equador, Estados Unidos, Haiti, México, Panamá e Peru para discutir o papel das mulheres na construção da paz e na segurança internacional.
A participação brasileira contou com a Tenente-Coronel Ivana Mara Ferreira Costa, chefe da Seção de Acompanhamento de Missões de Paz do Exército Brasileiro. No painel “Mulheres como Construtoras da Paz em Contextos de Deslocamento Operacional na Guerra e na Paz”, a oficial abordou a presença feminina em cenários de conflito e destacou que o protagonismo das mulheres não é um fenômeno recente.
Segundo ela, ao longo da história, mulheres atuaram como combatentes, integraram movimentos de resistência, exerceram funções estratégicas e de inteligência, lideraram forças, além de desempenharem papéis médicos e logísticos. O que mudou, afirmou, foi o reconhecimento institucional dessa presença.
Um marco na agenda internacional
A Tenente-Coronel destacou a importância da Resolução 1.325/2000 do Conselho de Segurança da ONU como ponto de inflexão. A norma estabeleceu a agenda “Mulheres, Paz e Segurança”, estruturada em quatro pilares: participação, proteção, prevenção e recuperação.
O primeiro pilar trata da presença plena e igualitária de mulheres nos processos decisórios — da negociação de acordos de paz à liderança militar e diplomática. O segundo busca garantir proteção contra violência sexual e de gênero em contextos de conflito.
Para a oficial, esses dois eixos exigem atenção permanente. Sem participação efetiva, a proteção tende a ser apenas reativa. Sem prevenção estruturada, a resposta ocorre apenas após a eclosão da violência.
Os outros dois pilares envolvem a incorporação da perspectiva de gênero na análise de riscos e prevenção de conflitos, além da inclusão das necessidades e da liderança feminina nos processos de reconstrução pós-conflito.
Evidências e impacto estratégico
Com experiência como Especialista em Prevenção à Exploração e Abuso Sexual em missões da ONU, Ivana Mara ressaltou dados que reforçam o argumento estratégico da inclusão. Estudos indicam que a participação significativa de mulheres eleva em 35% a probabilidade de que acordos de paz durem mais de 15 anos.
Um dos exemplos mencionados foi o processo de paz na Colômbia com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, frequentemente citado como caso emblemático de inclusão feminina nas negociações.
inclusão como vetor de estabilidade
O debate promovido pela Junta Interamericana de Defesa evidencia uma mudança gradual na compreensão de segurança internacional. A inclusão feminina deixou de ser tratada apenas como pauta de equidade e passou a ser considerada variável estratégica para estabilidade de longo prazo.
Ao inserir a discussão em um fórum hemisférico de defesa, o tema ganha densidade institucional. Segurança contemporânea envolve dimensões militares, sociais e humanitárias interligadas. Ignorar metade da população em processos decisórios significa reduzir a eficácia das políticas adotadas.
Para o Brasil, a participação no seminário reforça a inserção do país em agendas multilaterais alinhadas às diretrizes da ONU e amplia o debate interno sobre a presença feminina em missões de paz e estruturas estratégicas.
A mensagem central do encontro é clara: mulheres não ocupam papel periférico na arquitetura da paz. São agentes estruturais de estabilidade. Em um cenário global marcado por conflitos complexos e crises humanitárias prolongadas, a construção de segurança sustentável passa, necessariamente, por instituições que reflitam a diversidade da sociedade que representam.
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