sábado, 4 de fevereiro de 2017

S-300 para o Brasil?

Após o recente anúncio do ministério da defesa brasileiro do cancelamento das negociações em torno da aquisição do sistema Pantsir S1 pelas forças armadas brasileiras, há diversas especulações sobre a questão. Porém, tem sido divulgado na mídia, que a decisão se respaldou não apenas nas questões orçamentárias, como veiculado por grandes mídias brasileiras, mas também por mudanças na visão estratégica, onde os parâmetros aos quais o novo sistema de defesa aérea terá de atender, vai além das capacidades oferecidas pelo Pantsir S1, embora o mesmo tenha um atrativo desempenho, não se adéqua aos planos de defesa aérea previstas pelo Brasil.

O sistema russo Pantsir-S1 tem um alcance de engajamento limitado, empregando os mísseis SA-22 Greyhound cujo alcance máximo chega a 20 km e 15 mil metros de altitude. Suas características o tornam um excelente sistema de defesa aérea, devido a grande mobilidade, precisão e o rápido engajamento nas operações de defesa, uma vez que leva no máximo 5 minutos para estar plenamente operacional. O Pantsir S1 é extremante eficaz contra aeronaves, mísseis, drones e bombas inteligentes. Uma das principais funções do Pantsir na doutrina russa é a proteção dos sistemas de defesa antiaérea S-300/ S-400 de ataques de supressão de defesa aérea inimigos, além de fornecer cobertura á infantaria e cavalaria em campo. O que podemos classificar como defesa de médio alcance.

Segundo as especulações que tem surgido desde o anúncio do cancelamento da aquisição do sistema Pantsir S1, Brasília estaria interessada em outro sistema de defesa aérea, o S-300 também de origem russo, e hoje considerado um dos melhores do mercado.

Com uma faixa de alcance muito maior que o oferecido pelo Pantsir, o sistema S-300 é também muito mais complexo, mas tem um desempenho muito atraente e condizente com as dimensões continentais do território brasileiro, com alcance de até 300km e altitude de 30 mil metros, o sistema S-300 oferece uma cobertura mais ampla, seja em termos de capacidade de detecção/acompanhamento do alvo, quer seja pela capacidade de engajamento e neutralização de ameaças. 

Hoje o Brasil não se encontra em momento favorável a novas aquisições devido ao momento econômico difícil pelo qual passa sua economia, ainda mais se levarmos em conta que o sistema S-300 tem um custo muito superior aos Pantsir S1. Mas caso sejam verdadeiras as notícias apresentadas recentemente, acreditamos que em um momento mais favorável economicamente, sejam realizados os estudos necessários a viabilização da aquisição do sistema S-300 ou outro similar, afim de sanar a lacuna existente nas capacidades de defesa do espaço aéreo brasileiro.

Nós do GBN no entanto, acreditamos que o Brasil poderia estabelecer uma doutrina escalonada em relação ao sistema de defesa aérea, sendo constituída por camadas, onde seria de grande interesse a obtenção não apenas de um complexo sistema como o S-300, mas também de sistemas intermediários como o AV-MMA ou mesmo Pantsir S1 e os de ponto, onde já empregamos o sistema Igla-S. Assim poderíamos garantir uma defesa mais equilibrada e capaz de garantir a cobertura de nossa soberania nos céus, apoiando de maneira decisiva as aeronaves de interceptação que deverão compor nossa força aérea em breve com a entrada em operação dos novos caças Gripen E/F NG. Claro que para isso é necessário primeiramente que nosso governo tenha uma grande mudança em sua estrutura, com combate real a corrupção e ao desperdício de recursos orçamentários e a elaboração e execução dos orçamentos necessários a obtenção dos meios necessários a se cumprir os planejamentos estratégicos de defesa, pois o principal obstáculo aos programas de defesa no Brasil é a falta de comprometimento do governo e a alocação dos recursos necessários a sua execução de acordo com os cronogramas.


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