sábado, 7 de setembro de 2013

Manifestações em todo Brasil, choques com a policia no Rio e Brasília

 
Protestos de rua eram realizados em várias cidades do Brasil neste sábado 7 de setembro, Dia da Independência, e no Rio de Janeiro, e Brasília, manifestantes enfrentaram a polícia, que tentou dispersá-los com gás lacrimogêneo e gás de pimenta.
 
Vários grupos convocaram manifestações em mais de 100 cidades do país através de redes sociais, mas são até agora significativamente menores que as de junho, quando mais de um milhão de pessoas protestaram contra a corrupção, os gastos milionários como Mundial 2014 e os serviços de saúde, educação e transporte de má qualidade.
 
No Rio, um grupo de mais de 100 manifestantes, alguns mascarados, invadiram o desfile militar pela independência no centro.
 
A polícia disparou gás lacrimogêneo perto dos espectadores, muitos deles famílias com crianças, que correram para se proteger, constatou a AFP.
 
Nove pessoas ficaram feridas, segundo a secretaria municipal da Saúde, e ao menos 12 manifestantes foram detidos, indicou a Polícia Civil.
 
Uma agência bancária próxima ao local do desfile foi destruída pelos manifestantes, segundo o site G1.
 
Nem o prefeito do Rio, Eduardo Paes, nem o governador do Estado, Sérgio Cabral, assistiam ao desfile, cuja duração e número de participantes foi reduzido devido aos protestos previstos.
 
"A educação brasileira é uma vergonha, os salários tambem, há investimento para iniciativas privadas invés de iniciativas públicas", denunciou à AFP Eduardo Marques, de 25 anos, que acaba de se formar como professor e exige "a inserção social de todos os brasileiros".
 
Nem todos os manifestantes são de esquerda: alguns como Paula Cohen, uma empresária imobiliária de 32 anos, exigem uma intervenção militar que ponha fim ao governo da presidente Dilma Rousseff.
"A insatisfação do povo de bem, que trabalha, é de 1.000%. Desde que chegou ao poder, o governo do PT destruiu o país. Somos a favor da volta dos militares", afirmou Cohen.
 
A segurança foi reforçada em todas as cidades principalmente me Brasília, onde Dilma participou sem incidentes do tradicional desfile militar a bordo de um automóvel oficial.
 
Apenas 5.000 espectadores assistiram ao desfile na Esplanada dos Ministérios, que tem lugar para 24.000 pessoas.
 
Depois do fim do desfile, cerca de 2.000 manifestantes contra a corrupção marcharam até o Congresso, e foi registrado um confronto com a polícia, que lançou spray de pimenta contra algumas de novo.
 
"Queremos melhorias na educação, reforma e democratização da mídia, os protestos de junho serviram para pressionar o Congresso para que aprove medidas, temos de manter isso vivo", afirmu à AFP Philip Leite, do movimento estudantil Kizamba.
 
Um grupo de manifestantes percorreu o trajeto com uma espécie de carro alegórico, o "Papuda-móvel", a prisão de Brasília, para onde querem que os políticos corruptos vão para poder "limpar" o Congresso brasileiro.
 
Está previsto que as manifestações durem todo o dia. Em Brasília, coincidirão, à tarde, com a disputa do amistoso da seleção brasileira contra a Austrália no estádio Mané Garrincha.
 
Quase 4 mil policiais protegem a capital federal, onde a polícia advertiu que os manifestantes mascarados serão identificados e detidos, uma medida que já começou a entrar em vigor no Rio para impedir atos de vandalismo contra bancos, comércio e bens públicos.
 
A presidente Dilma disse na véspera, durante a transmissão de um pronunciamento à nação, que "a população tem todo o direito de indignar-se com o que está errado e exigir mudanças", mas pediu para que não deixem que "uma camada de pessimismo cubra tudo e ofusque o mais importante: o Brasil avançou como nunca nos últimos anos".
 
A popularidade da presidente caiu de 63% a 30% depois dos protestos de junho, mas subiu para 36% no início de agosto depois do anúncio de mais investimentos nos serviços públicos e sua decisão de promover uma reforma política.
 
Em São Paulo, uma manifestação convocada com o lema "Grito dos Excluídos" bloqueou o trânsito em parte da Avenida Paulista, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).
 
"Vim hoje porque quero uma casa digna (...). Esta é uma marcha pacífica por uma moradia digna e também pela saúde e educação", explicou Regina Silva, de 50 anos.
 
Em Recife, os manifestantes começavam a se concentrar usando traje de praia, com a ideia de fazer um protestos em bicicleta, segundo o site G1. A princípio, o objetivo era fazer o protestos com todos nus, mas a polícia alertou que haveria prisões caso isso acontecesse.
 
Outras manifestações também são realizadas em Porto Alegre, Belo Horizonte, Cuiabá, Belém, Fortaleza e Maceió, entre outras cidades.
 
Fonte: AFP
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