segunda-feira, 6 de abril de 2015

"Alemão será reocupado", anuncia governador do RJ

O governador Luiz Fernando Pezão afirmou, neste domingo (5), que o Complexo do Alemão, na Zona Norte, será reocupado pela Polícia Militar. Desde a semana passada, policiais do Comando de Operações Especiais (COE) reforçam o patrulhamento na região.O anúncio ocorre na semana em que ao menos seis pessoas foram baleadas no Alemão. O caso que ganhou mais repercussão foi o do menino Eduardo de Jesus, de 10 anos, atingido por uma bala perdida durante uma operação policial na comunidade.
O Conjunto de Favelas do Alemão foi ocupado em 2010 pelas forças de segurança do estado, mas ainda assim houve resistência do tráfico de drogas e confrontos entre policiais da UPP e criminosos se tornaram frequentes na comunidade. Segundo o governador, o Estado vai fortalecer a política de pacificação no Alemão e em outras comunidades.
"A gente já vem discutindo o fortalecimento de algumas UPPs. O Alemão é uma delas. Vamos entrar mais forte, fazer uma reocupação. Vamos fortalecer, colocando mais policiais. Nesses três meses de governo, já formamos mais de 1.100 PMs e vamos intensificar a ocupação no Alemão", garantiu Pezão.
O governador reafirmou que, apesar dos recentes confrontos, o Estado não vai recuar.
"É um processo de seis, sete anos, que a gente tem que ir reavaliando, vendo o que deu certo, o que deu errado, e ir adaptando. A gente sabe que não é só segurança. Segurança é um instrumento para nós levarmos a saúde, a educação, a ação social, o tratamento de esgoto, o abastecimento de água. Estamos fazendo um grande esforço e não vamos retroceder. Pelo contrário, segurança continua sendo o nosso mantra, nossa política mãe. Vamos continuar investindo fortemente no Alemão e nas áreas mais conflagradas", destacou o governador.
Pezão explicou ainda que não será necessário o uso das Forças Armadas no Alemão. Segundo o governador, além da contratação de novos policiais, os efetivos das UPPs passarão por uma reciclagem.
"Nós já começamos o treinamento desses policiais pelo Morro São João. O trabalho é feito com policiais do Bope e do Choque que entram nas comunidades e ficam até dez dias. Vamos fazer isso em todas as UPPs, além de continuar formando novos policiais. Nós temos mais seis mil policiais que passaram no concurso e vamos contratar ainda esse ano", disse Pezão.
Atualmente, as UPPs dos complexos do Alemão e da Penha contam com 2.170 policiais militares, sendo 1.230 somente no Alemão.
Na tarde de sexta (3), a Coordenadoria de Polícia Pacificada (CPP) informou que não descartava uma ocupação completa no Conjunto de Favelas do Alemão, na Zona Norte. Na quinta (2), a CPP anunciara que iniciava um reforço no policiamento com a atuação de policiais do Comando de Operações Especiais (COE), do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq) e do Batalhão de Ações com Cães (BAC) - reforçam, desde ontem, o policiamento no Complexo do Alemão. Um centro de comando do COE, instalado na Coordenadoria de Polícia Pacificadora, monitora a ação das forças especiais e avaliará se será necessária uma ocupação completa.
A CPP informou ainda que o contêiner da Base Avançada do Alemão, que fica na Rua Canitar, será retirado. Em seu lugar está sendo montado um ponto de fortificação. Na sede administrativa da UPP Nova Brasília também está sendo instalado um ponto de fortificação. O contêiner será retirado futuramente. A Coordenadoria da Polícia Pacificadora avalia a necessidade de mais pontos de fortificação e instalações de cabines blindadas.
Baleados
Na quinta-feira (2), o menino Eduardo de Jesus Ferreira morreu após ser atingido por uma bala perdida, no Conjunto de Favelas do Alemão. Ele brincava no celular na porta de casa, quando foi baleado. A morte do menino gerou protesto de moradores da comunidade, na sexta-feira (3). Houve confronto entre a PM, que lançou bombas de gás e spray de pimenta, e manifestantes.
Pelo menos outras duas pessoas foram atingidas por balas perdidas no Alemão desde a tarde desta quarta (1º) – uma mulher morreu e a filha dela ficou ferida. No total, além de Eduardo, outras seis pessoas foram baleadas em dois dias – três morreram. Há cerca de 90 dias seguidos os moradores do Alemão convivem com intensos tiroteios.
Pela manhã, uma base da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), na Rua Canitá, foi atacada. Janelas da unidade, que funciona dentro de um contêiner, foram quebradas. Segundo o CPP, pessoas não identificadas também colocaram fogo em uma caçamba de lixo que fica ao lado da unidade. O fogo em um colchão chegou a atingir uma parte da base.
Fonte: G1 notícias
Foto: Angelo Nicolaci - GBN

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