A ABIMDE e a ApexBrasil formalizaram, na última segunda-feira (30), em Brasília, a renovação do convênio de cooperação voltado à ampliação da presença internacional da Base Industrial de Defesa (BID) brasileira.
O acordo, com vigência de dois anos, prevê investimentos de R$ 19,6 milhões e o apoio direto a 74 empresas do setor, das quais cerca de 40% já atuam no comércio exterior. A iniciativa integra o Projeto Brazil Defense e tem como foco estruturar a inserção internacional da indústria nacional por meio de ações coordenadas de promoção comercial.
Entre as medidas previstas estão a participação em feiras internacionais, a realização de projetos voltados a compradores estrangeiros e a aproximação com delegações internacionais, em articulação com diferentes órgãos do governo. A proposta é alinhar instrumentos de política industrial, promoção comercial e diplomacia, ampliando o alcance das capacidades produtivas brasileiras nos segmentos de defesa e segurança.
A assinatura do convênio contou com a presença do Ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, do presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, e do presidente do Conselho de Administração da ABIMDE, Luiz Carlos Paiva Teixeira, além de representantes do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
A agenda também contempla empresas que ainda estão em fase de preparação para acessar o mercado internacional, ampliando a base exportadora e fortalecendo a inserção do setor brasileiro no comércio global.
Análise — avanço importante, mas o desafio é estrutural
A renovação do convênio ocorre em um momento particularmente favorável no cenário internacional. O mercado global de defesa passa por uma expansão significativa, impulsionada por tensões geopolíticas e pela busca de autonomia estratégica por parte de diversos países. Nesse contexto, iniciativas voltadas à promoção comercial ganham ainda mais relevância.
O acordo entre ABIMDE e ApexBrasil se insere de forma adequada nesse cenário ao estruturar mecanismos de apoio à internacionalização, facilitar o acesso a mercados e ampliar a visibilidade da indústria brasileira. Trata-se de um passo importante para reduzir barreiras comerciais e aproximar empresas nacionais de oportunidades concretas no exterior.
No entanto, uma análise mais aprofundada revela que o principal desafio da Base Industrial de Defesa brasileira vai além da promoção comercial, o problema central permanece sendo a falta de previsibilidade e continuidade. Sem uma demanda interna estável e sem planejamento de longo prazo, as empresas enfrentam dificuldades para investir, inovar e competir em igualdade de condições com seus concorrentes internacionais. Diferentemente de outros países, onde a indústria de defesa é sustentada por políticas de Estado consistentes, o Brasil ainda opera sob uma lógica intermitente. Esse cenário impacta diretamente a competitividade, pois sem previsibilidade, não há escala, sem escala, não há competitividade internacional.
Além disso, a limitação de instrumentos de financiamento, garantias às exportações e apoio institucional reduz ainda mais a capacidade de inserção global das empresas brasileiras, especialmente em um setor onde o respaldo governamental é determinante.
Por outro lado, o convênio acerta ao buscar integrar diferentes áreas do Estado, conectando defesa, indústria e diplomacia. Essa coordenação é fundamental e segue o modelo adotado por países que hoje dominam o mercado internacional de defesa. Ainda assim, é importante reconhecer que iniciativas como essa, embora relevantes, não substituem a necessidade de uma estratégia mais ampla.
O Brasil possui uma base industrial com potencial significativo, capacidade tecnológica instalada e empresas já consolidadas em nichos específicos. No entanto, transformar esse potencial em presença global consistente exige mais do que ações pontuais, exige continuidade, exige previsibilidade e exige visão de Estado.
A renovação do convênio entre ABIMDE e ApexBrasil representa um passo importante na direção correta e pode gerar resultados concretos na ampliação das exportações do setor.
Mas o verdadeiro salto estratégico dependerá da capacidade do Brasil de estruturar uma política de defesa consistente, capaz de dar sustentação à sua Base Industrial de Defesa no longo prazo. O acordo abre oportunidades, mas a consolidação dependerá das escolhas que o Brasil fizer daqui em diante.
por Angelo Nicolaci
GBN Defense - A informação começa aqui
com Informações da Rossi Comunicação
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