O Brasil pode colaborar no processo de paz no Oriente Médio, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no programa semanal de rádio "Café com o Presidente" que foi ao ar hoje. Isso, disse, pelo atributo pacifista do País, onde árabes e israelenses coexistem em harmonia. Ele fez uma avaliação de suas viagens, realizadas na semana passada, por Israel, Palestina e Jordânia.
Lula afirmou que não foi ao Oriente Médio debater exclusivamente a dificuldade de se encontrar a paz na região. Segundo o presidente, a viagem também teve como objetivo tratar da relação Brasil-Oriente Médio, Brasil-Israel, Brasil-Palestina e Brasil-Jordânia. "Nós temos um acordo estratégico entre Mercosul (Mercado Comum do Sul) e Israel; queremos fazer com a Palestina, queremos fazer com a Jordânia e queremos fazer com outros países do Oriente Médio o acordo do Mercosul, porque, para nós, interessa aumentar o comércio entre o Oriente Médio e o Brasil, Oriente Médio e o Mercosul."
Quanto ao processo de paz, Lula disse que ele interessa a todo o mundo porque permite que haja desenvolvimento econômico. "Interessa a Israel, interessa à Palestina, interessa à Jordânia, interessa aos Estados Unidos, interessa ao Irã, interessa à Síria, interessa a todo mundo, porque somente a paz é que pode permitir que haja desenvolvimento econômico, distribuição de renda e justiça social."
"Não é que o Brasil queira se meter na discussão. É que nós estamos compreendendo que as pessoas e os países que estão envolvidos na questão da crise do Oriente Médio estão percebendo que o Brasil pode ajudar, pela boa relação que o Brasil mantém com todos os países e com todas as facções políticas do Oriente Médio", disse.
Segundo Lula, no entanto, é complicado determinar a função do Brasil no esforço para assegurar o progresso nas negociações de paz porque "essa coisa é muito delicada". Conforme o presidente, todos querem a ajuda do País para dialogar com interlocutores com os quais têm dificuldades. "A Palestina quer a interlocução do Brasil para conversar com outros interlocutores. A Jordânia pediu para que o Brasil interceda junto a alguns interlocutores que o Brasil pode contribuir", declarou.
O Brasil não quer "se meter na discussão" sobre a paz na Oriente Médio, mas sim foi convidado pelos países envolvidos na polêmica, que notaram "a boa relação que o Brasil mantém com todos os países e com todas as facções políticas" da região, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no programa de rádio "Café com o Presidente" desta segunda-feira.
Na última semana, Lula esteve em Israel, territórios palestinos ocupados e Jordânia, na primeira visita de um líder brasileiro a esses locais. A viagem ocorreu após as visitas ao Brasil dos presidentes Shimon Peres, de Israel, Mahmoud Abbas, da ANP (Autoridade Nacional Palestina), e do Rei Abdullah 2º, da Jordânia.
Lula defendeu o diálogo com todas as partes envolvidas, incluindo grupos extremistas. "Nós precisamos conversar com iranianos, com sírios, com Israel, com palestinos, com o Hamas, com o Hezbolah", afirmou.
Lula criticou a postura da ONU (Organização das Nações Unidas) ao não fazer cumprir o acordo firmado em 1948 para criação do Estado de Israel. Ele disse, na entrevista, que a viagem incluiu ainda conversas sobre possíveis acordos estratégicos entre o Mercosul e os países do Oriente Médio.
"Aqui nós temos uma colônia de dez milhões de árabes e descendentes, e 200 mil judeus que vivem em harmonia. E esse exemplo é o que a gente pode levar para a paz do Oriente Médio", exemplificou.
Secretário-geral da ONU
O presidente Lula estaria considerando a possibilidade de suceder Ban Ki-moon no cargo de secretário-geral da ONU, segundo uma reportagem publicada pelo diário britânico "The Times" no último sábado (20). Segundo o jornal, "diplomatas dizem que Lula, que deixa o cargo em janeiro, pode buscar o posto mais alto da diplomacia mundial quando o primeiro mandato de Ban Ki-moon expirar, no fim de 2011".
Na última quarta-feira (17), durante a visita do presidente a Ramallah, na Cisjordânia, o porta-voz da Presidência palestina, Mohamed Edwan, reiterou essa ideia. "Achamos que ele poderia ser um ótimo secretário-geral da ONU, pois é um homem de paz e de diálogo e sabe negociar de maneira inteligente e admirável", disse Edwan. "O próprio presidente [da ANP, Mahmoud] Abbas também pensa assim", acrescentou o porta-voz.
A visita de Lula a Israel, aos territórios palestinos e à Jordânia esteve marcada por um boicote do ministro das Relações Exteriores israelense, o ultranacionalista Avigdor Lieberman, e por uma escalada de violência, depois do anúncio de Israel sobre novas construções de casas em Jerusalém Oriental.
Lula ainda recebeu um pedido público do rabino Israel Lau, presidente do Memorial do Holocausto Yad Vashen e sobrevivente dos campos de concentração, para promover um encontro do israelense com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. O iraniano é conhecido por questionar o Holocausto e defender a destruição de Israel.
ONU
Lula afirmou que defende a tese de que a Organização das Nações Unidas (ONU) é que poderia constituir o processo de paz do Oriente Médio, delimitando as fronteiras e os parâmetros para o acordo e decidindo tomar a responsabilidade de fazer cumprir o entendimento.
"É um problema de um conjunto de países que, representados pela ONU, poderia resolver, definitivamente, os conflitos do Oriente Médio. Na medida em que a ONU não cumpre esse papel, existe um vácuo, ou seja, todo mundo fala sobre a crise do Oriente Médio, mas ninguém resolve. O Brasil está tentando dar a sua contribuição, a partir do instante em que as pessoas confiam no Brasil."
Fonte: Estadão / Folha




0 comentários:
Postar um comentário