sexta-feira, 31 de julho de 2026

China usa IA americana como atalho para acelerar capacidades militares

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A disputa tecnológica entre Estados Unidos e China ganhou um novo capítulo no campo da inteligência artificial. Uma análise de documentos acadêmicos, patentes e pesquisas chinesas identificou que instituições ligadas ao Exército de Libertação Popular (PLA) utilizaram resultados de modelos avançados de IA desenvolvidos por empresas norte-americanas para treinar sistemas próprios voltados a aplicações militares e de segurança.

O levantamento, baseado em mais de 80 documentos analisados pela Reuters em parceria com a Fundação Jamestown, revela como pesquisadores chineses vêm empregando uma técnica conhecida como destilação de modelos, um método que permite transferir capacidades de um sistema de inteligência artificial avançado para modelos menores, especializados e mais fáceis de operar localmente.

A estratégia representa uma tentativa de reduzir a distância tecnológica em relação aos Estados Unidos, especialmente diante das restrições impostas por Washington ao acesso chinês a semicondutores avançados e infraestrutura computacional de alto desempenho.

A destilação de modelos não é uma prática nova e é amplamente utilizada pela indústria de tecnologia para criar sistemas mais leves e eficientes. O processo consiste em utilizar as respostas, padrões e capacidades de um modelo maior para treinar uma versão menor, capaz de executar tarefas específicas com menor demanda de processamento.

No contexto militar chinês, entretanto, a técnica ganhou uma dimensão estratégica. Pesquisadores ligados ao PLA passaram a utilizar modelos estrangeiros como fonte de conhecimento para desenvolver sistemas nacionais voltados a missões específicas, como análise de dados, reconhecimento de imagens, guerra cibernética e apoio à tomada de decisão.

Segundo especialistas citados no levantamento, a vantagem está não apenas em transferir respostas corretas, mas em tentar capturar os padrões de raciocínio utilizados pelos modelos mais avançados.

"Ensinar a um modelo a resposta correta é uma coisa, mas ensinar-lhe o raciocínio por trás da resposta é muito mais difícil", afirmou Sunny Cheung, pesquisador da Fundação Jamestown.

Aplicações militares vão de códigos sensíveis a drones

Um dos casos identificados envolve pesquisadores da Unidade 96941 do Exército de Libertação Popular, uma organização associada às áreas de inteligência militar e guerra cibernética em Pequim.

Segundo o estudo analisado, os pesquisadores utilizaram o modelo GPT-3.5, da OpenAI, para processar e resumir códigos de software militar. Como modelos comerciais não são adequados para operar diretamente dentro de redes classificadas, os resultados gerados foram utilizados para treinar um sistema doméstico que pudesse funcionar dentro das infraestruturas militares chinesas.

Outro exemplo envolve a Universidade Nacional de Tecnologia de Defesa do PLA, onde pesquisadores aplicaram técnicas de destilação para reduzir um modelo de processamento de imagens destinado ao uso em veículos aéreos não tripulados.

A intenção era permitir que drones realizassem análise de vídeo em tempo real, navegação autônoma e apoio à identificação de alvos mesmo em situações nas quais a comunicação com centros de comando fosse interrompida.

Em outro estudo, pesquisadores da Academia de Ciências Militares da China utilizaram a destilação para desenvolver sistemas de reconhecimento de alvos capazes de operar em equipamentos táticos durante simulações envolvendo drones, navios e veículos submarinos não tripulados.

Modelos ocidentais também usados em aplicações de segurança

O uso dessas tecnologias não ficou restrito ao campo militar. Pesquisadores da Universidade do Norte da China, instituição com histórico de cooperação com a indústria de defesa do país, utilizaram o modelo Claude 3 Haiku, da Anthropic, para gerar dados sintéticos destinados ao treinamento de sistemas de classificação de texto e monitoramento de conteúdo.

A Anthropic afirmou que não fornece acesso comercial aos seus modelos na China e que possui mecanismos de monitoramento para identificar possíveis violações de suas políticas de uso.

A empresa também alertou que modelos derivados por destilação podem perder as salvaguardas presentes nos sistemas originais, possibilitando que capacidades sensíveis sejam transferidas para ambientes fora do controle dos desenvolvedores originais.

Disputa tecnológica entre Washington e Pequim

O uso de técnicas de destilação tornou-se um dos pontos de tensão nas negociações entre Estados Unidos e China sobre segurança e governança da inteligência artificial.

Autoridades norte-americanas acusam determinadas organizações chinesas de utilizar métodos de extração de capacidades de modelos americanos sem autorização, o que poderia representar uma violação de propriedade intelectual e comprometer os controles de exportação estabelecidos por Washington.

Pequim rejeita as acusações e afirma que os Estados Unidos buscam preservar um "hegemonismo da IA", enquanto empresas chinesas defendem que seus avanços também são resultado de desenvolvimento próprio.

A startup chinesa Moonshot, por exemplo, negou recentemente que seu modelo Kimi K3 tenha sido desenvolvido por meio de destilação de sistemas estrangeiros, afirmando que sua tecnologia é baseada em inovações próprias.

Limitações e riscos da estratégia

Apesar dos avanços, especialistas destacam que a destilação não significa a criação de uma inteligência artificial equivalente aos modelos de fronteira desenvolvidos nos Estados Unidos.

O processo permite transferir capacidades específicas, mas dificilmente reproduz toda a complexidade, flexibilidade e capacidade de adaptação dos sistemas originais.

"É melhor entender isso como a transferência de capacidades selecionadas para um sistema mais barato e controlado localmente, e não como a conquista da independência da IA de ponta", afirmou Trevor Koverko, cofundador da empresa Sapien.

Além disso, os próprios pesquisadores chineses passaram a estudar os riscos da técnica. Um artigo publicado pela Universidade de Engenharia do Exército analisou a chamada "destilação sem dados", uma forma de engenharia reversa capaz de extrair informações sobre o funcionamento interno de modelos sem acesso aos seus parâmetros.

Inteligência artificial se torna novo domínio militar

O avanço chinês evidencia uma tendência maior na competição estratégica global: a inteligência artificial tornou-se um componente central do poder militar, ao lado dos domínios terrestre, naval, aéreo, espacial e cibernético.

A capacidade de integrar IA em drones, satélites, sistemas de comando e plataformas autônomas pode alterar profundamente a forma como conflitos futuros serão conduzidos.

Para a China, a destilação representa uma forma de acelerar o desenvolvimento de capacidades próprias diante das limitações impostas pelos controles tecnológicos ocidentais. Para os Estados Unidos, o caso reforça a preocupação de que a vantagem construída em modelos avançados de inteligência artificial possa ser parcialmente transferida para concorrentes estratégicos.

A disputa pela supremacia em IA, portanto, deixou de ser apenas uma corrida tecnológica e passou a integrar diretamente a competição militar e geopolítica entre as principais potências mundiais.


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Mídia russa intensifica discurso de ameaça após envio de F-16 turcos para a Estônia

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O primeiro desdobramento de caças F-16 da Força Aérea da Türkiye para a Estônia desencadeou uma nova ofensiva da mídia estatal russa, que passou a retratar a missão da OTAN como um suposto preparativo para um confronto direto contra Moscou. Embora a operação faça parte da missão rotativa de Policiamento Aéreo do Báltico, veículos ligados ao Kremlin apresentam a iniciativa como evidência de uma crescente militarização das fronteiras russas.

A partir de agosto, cinco F-16 da Força Aérea da Türkiye e cerca de 76 militares, entre pilotos, equipes técnicas e pessoal de apoio, passarão a operar a partir da Base Aérea de Ämari na Estônia, reforçando a presença da Aliança Atlântica no flanco nordeste da Europa. Será a primeira vez que aeronaves de combate turcas participarão da missão a partir do território estoniano, embora Ancara já tenha integrado anteriormente o policiamento aéreo da OTAN a partir da Lituânia.

Missão integra estratégia de dissuasão da OTAN

A missão de Policiamento Aéreo do Báltico existe desde 2004 e foi criada para garantir a proteção do espaço aéreo da Estônia, Letônia e Lituânia, países que não possuem capacidade própria de defesa aérea em tempo integral. Diversos membros da OTAN participam do sistema em regime de rodízio, mantendo aeronaves e equipes em prontidão para responder a violações ou aproximações consideradas de risco.

Nos últimos anos, especialmente após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, a Aliança reforçou significativamente sua postura militar no flanco oriental, ampliando o número de tropas, sistemas de defesa antiaérea e aeronaves destacadas para países próximos às fronteiras russas.

Nesse contexto, o envio dos F-16 da Türkiye representa mais uma etapa do esforço coletivo de dissuasão adotado pela OTAN, sem alterar o caráter rotativo da missão.

Narrativa russa apresenta missão como preparação para guerra

A imprensa estatal e veículos próximos ao Kremlin, entretanto, passaram a tratar o destacamento sob uma perspectiva completamente diferente.

Publicações russas afirmam que a presença de aeronaves da Türkiye na Estônia faria parte de um processo de preparação militar da Europa para um eventual conflito direto com a Rússia. Segundo essa narrativa, a evolução das missões de policiamento aéreo para um conceito mais robusto de defesa do espaço aéreo aumentaria o risco de confrontos envolvendo aeronaves russas e da OTAN.

Alguns comentaristas russos chegaram a afirmar que os pilotos turcos estariam sendo enviados à região para estudar os perfis de voo da aviação russa, conhecer as características geográficas do Báltico e adquirir experiência operacional no teatro considerado estratégico para Moscou.

Não foram apresentadas evidências que sustentem essas alegações, que refletem a linha narrativa adotada por parte da mídia estatal russa desde o início da guerra na Ucrânia.

Türkiye volta ao centro das críticas

Além do aspecto militar, a mídia russa direcionou críticas à política externa da Türkiye, classificando Ancara como um parceiro "ambíguo".

A narrativa destaca que apesar da forte relação econômica entre os dois países, marcada pela cooperação em projetos energéticos como a usina nuclear de Akkuyu, o gasoduto TurkStream e pelo intenso fluxo de turistas russos, a Türkiye continua ampliando sua participação nas operações da OTAN.

Veículos ligados ao Kremlin sugerem que o governo do presidente Recep Tayyip Erdoğan busca fortalecer sua posição dentro da Aliança para ampliar sua influência política e facilitar futuras negociações envolvendo programas militares ocidentais, incluindo a possível retomada da cooperação com os Estados Unidos no programa F-35.

Exercícios da OTAN também entram na narrativa

A participação da Marinha da Türkiye no exercício Steadfast Dart 2026 também passou a ser utilizada como elemento da narrativa russa.

Segundo comentaristas russos, o emprego do navio de assalto anfíbio e porta-drones TCG Anadolu durante o exercício seria parte de uma simulação voltada para operações contra posições russas no Mar Báltico, incluindo cenários envolvendo o enclave de Kaliningrado.

No entanto, exercícios militares da OTAN tradicionalmente envolvem treinamento conjunto de operações anfíbias, defesa coletiva e integração entre diferentes forças, sem que seus cenários necessariamente representem planos operacionais específicos.

Guerra de narrativas acompanha disputa estratégica

A reação da mídia russa evidencia como a competição entre Rússia e OTAN ultrapassa o campo militar e se estende ao domínio da informação.

Enquanto a Aliança apresenta o reforço de sua presença no flanco oriental como uma medida defensiva destinada a proteger seus Estados-membros e fortalecer a dissuasão, parte da comunicação oficial e da imprensa russa enquadra essas mesmas iniciativas como sinais de uma preparação ocidental para um conflito em larga escala.

Essa disputa de narrativas tornou-se um componente permanente da atual crise de segurança europeia, na qual cada movimento militar, por mais rotineiro que seja dentro dos mecanismos da OTAN, passa a ser explorado como instrumento de comunicação estratégica voltado tanto ao público interno quanto ao cenário internacional.


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Espanha empregará helicópteros NH90 na Romênia para interceptar drones em missão inédita da OTAN

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Pela primeira vez, helicópteros NH90 serão empregados em uma missão de Policiamento Aéreo da OTAN. A novidade ocorrerá na Romênia, onde a Espanha substituirá no início de agosto o destacamento italiano de caças Eurofighter Typhoon por aeronaves F/A-18 Hornet e helicópteros NH90, que terão a missão de reforçar a resposta às frequentes incursões de drones próximos ao espaço aéreo romeno.

A decisão marca uma mudança na forma como a Aliança Atlântica vem enfrentando a crescente ameaça representada por drones de baixo custo utilizados pela Rússia durante a guerra na Ucrânia.

O emprego dos NH90 ocorre após uma série de episódios envolvendo drones russos próximos ao território romeno. Nos últimos meses, caças F-16 da Força Aérea Romena foram acionados para interceptar aeronaves não tripuladas, chegando a abater três drones utilizando mísseis ar-ar AIM-9 Sidewinder.

Embora eficaz, essa solução revelou um problema recorrente nos conflitos atuais: o elevado custo da interceptação. Cada míssil AIM-9 empregado possui valor superior a € 400 mil, enquanto um drone do tipo Geran pode custar entre € 50 mil e € 80 mil, criando uma relação custo-benefício desfavorável para as forças de defesa.

Nesse contexto, o emprego de helicópteros surge como uma alternativa mais econômica para neutralizar ameaças de baixa velocidade e baixa altitude.

NH90 recebe treinamento específico

Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Defesa da Espanha e pela publicação especializada francesa Opex360, as tripulações dos helicópteros NH90 passaram por treinamento específico para missões de combate a drones antes do deslocamento para a Romênia.

Embora Madri não tenha detalhado os procedimentos operacionais, a missão representa uma estreia para a plataforma dentro das operações de Policiamento Aéreo da OTAN.

Os helicópteros destacados pertencem ao Esquadrão 803 da Ala 48 da Força Aérea Espanhola e operam a versão NH90 TTH (Tactical Transport Helicopter), denominada localmente HD.29 "Lobo".

Plataforma multifunção

Em serviço desde 2020, o NH90 substitui progressivamente os antigos helicópteros Super Puma da Espanha. O país também figura entre os poucos operadores europeus que utilizam a aeronave nas três forças: Exército, Força Aérea e Marinha.

A versão empregada pela Força Aérea Espanhola é equipada com motores CT7-8F5, comandos de voo fly-by-wire, piloto automático de quatro eixos e sensores eletro-ópticos e infravermelhos, permitindo operar em diferentes condições meteorológicas e durante o período noturno.

Suas missões tradicionais incluem busca e salvamento em combate (CSAR), evacuação aeromédica (MEDEVAC), operações especiais e recuperação de pessoal, podendo ser armado com metralhadoras M3M de 12,7 mm para autodefesa.

Nova realidade exige novas soluções

A utilização do NH90 na defesa do espaço aéreo reflete uma tendência observada em diversos países da OTAN: adaptar plataformas já disponíveis para enfrentar a proliferação de drones de baixo custo.

O conflito na Ucrânia demonstrou que aeronaves não tripuladas de pequeno porte podem obrigar países a empregar caças e mísseis de alto valor para neutralizar ameaças relativamente baratas, pressionando os orçamentos de defesa e reduzindo a disponibilidade de armamentos mais sofisticados para cenários de maior intensidade.

Na Romênia, essa preocupação ganhou ainda mais relevância após o ataque ocorrido em maio deste ano, quando um drone russo atingiu um edifício residencial na cidade de Galați, reforçando a necessidade de ampliar a capacidade de resposta a incursões próximas da fronteira.

Romênia também amplia uso de helicópteros

Paralelamente ao reforço espanhol, a Romênia também passou a empregar com maior frequência seus helicópteros IAR-330 Puma SOCAT em missões relacionadas ao monitoramento de drones nas proximidades da fronteira com a Ucrânia.

Modernizada em parceria com a israelense Elbit Systems, a versão SOCAT recebeu novos aviônicos, sensores e sistemas de armas, transformando o tradicional Puma em uma plataforma capaz de executar missões de reconhecimento armado e apoio aproximado.

Mudança de paradigma

A estreia do NH90 em missões de Policiamento Aéreo evidencia uma mudança no conceito de defesa aérea da OTAN. Em vez de depender exclusivamente de caças para interceptar drones, a Aliança passa a incorporar plataformas de menor custo operacional para enfrentar ameaças assimétricas.

Essa abordagem busca preservar aeronaves de alto desempenho para missões de superioridade aérea, ao mesmo tempo em que reduz os custos de interceptação e amplia a eficiência da defesa contra veículos aéreos não tripulados, um dos principais desafios dos conflitos contemporâneos.


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Brasil e Colômbia ampliam cooperação espacial para reforçar proteção da Amazônia

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Brasil e Colômbia deram um novo passo na cooperação voltada à proteção da Amazônia com a assinatura de um acordo entre a Fuerza Aeroespacial Colombiana (FAC) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). A iniciativa fortalece a integração entre os dois países nas áreas de sensoriamento remoto, geointeligência e monitoramento espacial, ampliando a capacidade de combate aos crimes ambientais e às atividades ilícitas que atuam na região amazônica.

Mais do que um intercâmbio de informações, o acordo estabelece uma estrutura permanente de cooperação técnica para compartilhamento de imagens de satélite, dados geoespaciais e metodologias de análise que apoiam o planejamento e a execução de operações na fronteira comum.

Inteligência espacial a serviço da segurança

Um dos pilares da parceria é a integração das capacidades espaciais desenvolvidas pelo Censipam com os sistemas de monitoramento utilizados pela FAC. A troca de imagens de satélite e informações georreferenciadas permitirá ampliar a identificação de áreas de desmatamento ilegal, mineração clandestina, queimadas e outras atividades que impactam diretamente a Bacia Amazônica.

Além do monitoramento ambiental, os dados também apoiam ações de segurança pública e defesa ao permitir a identificação de rotas utilizadas por organizações criminosas para o transporte de drogas, ouro extraído ilegalmente, armamentos e outros ilícitos em áreas de difícil acesso.

A capacidade de produzir inteligência baseada em dados espaciais tornou-se um dos principais multiplicadores de força para operações na Amazônia, onde a extensão territorial e as limitações de infraestrutura tornam o emprego de sensores orbitais uma ferramenta essencial para o planejamento operacional.

Cooperação fortalece capacidades colombianas

O acordo também prevê intercâmbio técnico entre especialistas brasileiros e colombianos para apoiar a criação e consolidação do Centro de Operações para a Proteção da Vida na Amazônia (COPVA), estrutura que está sendo desenvolvida pela Colômbia.

Nesse processo, a experiência acumulada pelo Censipam ao longo de décadas na integração de dados ambientais, meteorológicos, geoespaciais e de inteligência servirá como referência para a implementação da nova estrutura colombiana.

Essa transferência de conhecimento inclui metodologias de processamento de dados, integração de sensores e apoio à tomada de decisão em operações voltadas à proteção da floresta e ao enfrentamento de organizações criminosas.

Operações integradas na fronteira

Na prática, a integração das informações produzidas pelo Censipam com as capacidades operacionais da Fuerza Aeroespacial Colombiana amplia o nível de coordenação entre os dois países em áreas consideradas críticas da Amazônia.

As informações produzidas pelos sistemas de monitoramento alimentam operações conduzidas de forma integrada por diferentes órgãos brasileiros e colombianos, incluindo a Força Aérea Brasileira (FAB), a Polícia Federal, a Polícia Nacional da Colômbia e a própria FAC.

O emprego conjunto dessas capacidades permite identificar pistas clandestinas, embarcações suspeitas, áreas de garimpo ilegal e corredores logísticos utilizados pelo crime organizado ao longo da região de fronteira, especialmente em rios compartilhados, como o Negro e o Puruê.

Cooperação reforça a dimensão estratégica da Amazônia

A assinatura do acordo evidencia uma transformação na forma como os países amazônicos vêm tratando a proteção da floresta. Se antes o monitoramento ambiental era o foco predominante, hoje as informações obtidas por satélites e sistemas de sensoriamento remoto passaram a integrar diretamente as atividades de defesa, inteligência e segurança pública.

Nesse contexto, o Censipam consolida seu papel como um dos principais centros de produção de inteligência geoespacial da América do Sul, enquanto a aproximação com a Fuerza Aeroespacial Colombiana amplia a capacidade regional de monitorar e responder a ameaças que ultrapassam fronteiras nacionais.

Mais do que fortalecer o combate aos crimes ambientais, a cooperação entre Brasil e Colômbia demonstra como o emprego integrado de capacidades espaciais e de geointeligência vem se tornando um componente estratégico para a proteção da Amazônia e para a segurança da região.


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CBC celebra centenário na Shot Fair Brasil com lançamentos e foco na capacitação do mercado

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A Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) encerrou sua participação na Shot Fair Brasil 2026 utilizando a maior feira do setor na América Latina como palco para celebrar seus 100 anos de história. Durante os quatro dias de evento, realizados no Distrito Anhembi, em São Paulo, a empresa apresentou novos produtos, lançou iniciativas voltadas à qualificação do mercado, promoveu ações de relacionamento com parceiros e registrou recorde de vendas em sua loja oficial.

Com um estande inteiramente dedicado às comemorações do centenário, a CBC reuniu milhares de visitantes, entre lojistas, distribuidores, atiradores esportivos, representantes das forças de segurança e parceiros comerciais. Segundo a empresa, a edição deste ano superou as expectativas tanto pelo volume de negócios quanto pela participação nas atividades realizadas ao longo da feira.

"O evento foi um marco para a CBC. Tivemos recordes de participação, excelente adesão dos lojistas, resultados comerciais muito positivos e uma grande aproximação com clientes e parceiros", afirmou Paulo Ricardo Gomes, diretor Comercial & Marketing da companhia.

Academia CBC amplia foco na profissionalização do setor

Um dos principais anúncios da empresa durante a feira foi o lançamento da Academia CBC, plataforma de capacitação desenvolvida para apoiar a formação técnica de lojistas e profissionais do segmento.

A iniciativa reúne cursos sobre produtos da empresa, legislação aplicada ao setor, segurança no manuseio de armas e munições e conteúdos voltados à gestão do varejo. A plataforma passa a integrar os benefícios oferecidos aos participantes das categorias Black, Platinum e Exclusive do Programa de Relacionamento com Lojistas (PRLO).

Entre as novidades apresentadas está um módulo dedicado à linha de armas CZ, recentemente incorporada ao portfólio comercializado pela companhia no mercado brasileiro.

Coleção do centenário reúne os principais lançamentos

A Shot Fair Brasil também foi escolhida para a apresentação dos principais lançamentos da CBC em 2026. O destaque ficou para a Coleção 100 Anos, formada por edições limitadas dos modelos Rio Grande .357 Magnum, Ranger .308 Winchester e 8122 calibre .22 LR. Cada arma terá apenas 100 unidades produzidas, acompanhadas de certificado de autenticidade e itens comemorativos.

A empresa apresentou ainda a nova versão da carabina Rio Grande .357 Magnum com coronha em polímero, lotes especiais dos rifles Rio Bravo .22 LR e Pump Action .22 LR, além da ampliação da linha de carabinas de pressão com os modelos PCP Urban 9, Urban 10 e a nova família AG, composta pelos modelos AG12, AG14 e AG15.

Na área de munições, a novidade foi o lançamento do projétil Hunting Boat Tail de 180 grains no calibre .308 Winchester, desenvolvido para oferecer melhor desempenho balístico em disparos de médias e longas distâncias. A companhia também apresentou embalagens comemorativas alusivas ao centenário e antecipou produtos que deverão chegar ao mercado nos próximos meses.

Relacionamento e varejo em destaque

Além dos lançamentos, a CBC concentrou esforços no fortalecimento da relação com sua rede de distribuidores e lojistas. Durante a feira foram promovidas homenagens a parceiros comerciais por meio do Programa de Relacionamento com Lojistas, encontros com assistências técnicas credenciadas e atendimentos realizados por instrutores e especialistas patrocinados pela empresa.

Como parte das comemorações dos 100 anos, os visitantes também puderam assinar um mural comemorativo que passará a integrar o futuro Museu da CBC, preservando registros da participação do público nas celebrações do centenário.

Outra novidade foi a estreia da CBC Store em formato físico dentro da Shot Fair Brasil. Comercializando mais de 30 produtos oficiais da marca, incluindo itens exclusivos do centenário, o espaço registrou recorde de vendas durante o evento, segundo a empresa.

Eventos reforçaram integração do setor

A programação da CBC também incluiu dois eventos voltados ao mercado. O Tactical Summit reuniu especialistas para discutir temas como reforma tributária, inteligência fiscal, gestão empresarial e eficiência operacional, enquanto o Prime Dinner celebrou os 100 anos da CBC e os 40 anos da Samburá, distribuidor oficial da empresa, reunindo mais de 800 lojistas em um encontro de networking e confraternização.

Ao transformar sua participação na Shot Fair Brasil em uma plataforma para apresentar novos produtos, investir na qualificação do mercado e fortalecer o relacionamento com toda a cadeia comercial, a CBC utilizou as comemorações de seu centenário para reforçar uma estratégia que vai além da celebração histórica.

A combinação entre inovação, expansão do portfólio, capacitação técnica e aproximação com parceiros demonstra que a companhia busca consolidar sua posição não apenas como líder mundial na fabricação de munições para armas portáteis, mas também como um dos principais protagonistas da Base Industrial de Defesa brasileira, em um momento de crescente valorização da indústria nacional de defesa e segurança.


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BAE Systems amplia crescimento e eleva projeções para 2026

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A BAE Systems encerrou o primeiro semestre de 2026 com forte crescimento financeiro e operacional, impulsionada pelo aumento dos investimentos globais em defesa. Os resultados levaram a empresa britânica a revisar para cima suas projeções para o restante do ano, refletindo uma carteira de pedidos recorde e a expansão da demanda por sistemas militares em diversos mercados.

Entre janeiro e junho, as vendas da companhia alcançaram £15,8 bilhões, alta de 9% em relação ao mesmo período de 2025. O lucro operacional ajustado (Underlying EBIT) cresceu 11%, para £1,7 bilhão, enquanto o lucro por ação avançou 13%. O fluxo de caixa livre atingiu £1,79 bilhão, revertendo o resultado negativo registrado um ano antes.

O volume de novos contratos também manteve ritmo elevado. A empresa recebeu £16,4 bilhões em encomendas no semestre e encerrou junho com uma carteira recorde de £84 bilhões, garantindo elevada previsibilidade para os próximos anos.

Segundo o CEO da BAE Systems, Charles Woodburn, o desempenho permite ampliar as expectativas para 2026. "Continuamos investindo em inovação, aumento da capacidade industrial e novas tecnologias para entregar capacidades críticas aos nossos clientes com maior rapidez", afirmou.

Mais do que um bom resultado financeiro, os números refletem o atual momento da indústria de defesa. Com governos ampliando seus orçamentos militares diante da deterioração do cenário estratégico internacional, fabricantes como a BAE Systems aceleram investimentos em capacidade produtiva, desenvolvimento tecnológico e expansão industrial.

Entre os principais avanços do semestre está a apresentação do Brontanax, o primeiro Collaborative Combat Aircraft (CCA) autônomo desenvolvido no Reino Unido. O sistema foi projetado para operar em conjunto com caças tripulados, realizando missões de guerra eletrônica e ataques de precisão, conceito que representa uma das principais tendências da aviação militar das próximas décadas.

A empresa também registrou avanços no Global Combat Air Programme (GCAP), programa de desenvolvimento do caça de sexta geração conduzido por Reino Unido, Itália e Japão. A iniciativa recebeu seus primeiros contratos internacionais, superiores a £5 bilhões, permitindo a continuidade do desenvolvimento da futura aeronave.

No segmento de armamentos, a BAE Systems ampliou contratos para os obuseiros autopropulsados M109A7 Paladin, sistemas de artilharia ARCHER e TRIDON Mk2, além de firmar um acordo de sete anos com o governo dos Estados Unidos para quadruplicar a produção do sensor infravermelho utilizado pelo míssil interceptador THAAD.

Os investimentos industriais também seguem em expansão. A companhia anunciou novos aportes em unidades nos Estados Unidos e na Suécia para aumentar a produção de munições guiadas, veículos blindados e sistemas estratégicos, acompanhando o crescimento da demanda dos países da OTAN e de aliados.

Com base no desempenho do primeiro semestre, a BAE Systems elevou sua previsão de crescimento para 2026. A empresa agora espera aumento entre 8% e 10% nas vendas, crescimento de 10% a 12% no lucro operacional ajustado e fluxo de caixa livre superior a £2 bilhões.

Os resultados reforçam uma tendência observada em todo o setor de defesa: a transformação do aumento dos gastos militares em contratos de longo prazo, expansão da capacidade industrial e desenvolvimento acelerado de novas tecnologias, consolidando um ciclo de crescimento que deve permanecer pelos próximos anos.


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A soberania tem preço: o paradoxo entre o fortalecimento da Defesa anunciado pelo governo e a realidade dos bloqueios orçamentários

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Enquanto governo destaca a indústria nacional de defesa como instrumento de soberania, tecnologia e desenvolvimento, Marinha alerta que restrições orçamentárias podem comprometer programas estratégicos e reduzir gradualmente sua capacidade operacional.

A soberania de uma nação não é construída apenas por discursos, cerimônias ou declarações de intenção. Ela depende de capacidade real: meios disponíveis, tecnologia dominada, pessoal qualificado, indústria nacional ativa e recursos suficientes para manter funcionando aquilo que levou décadas para ser conquistado.

O Brasil voltou a colocar essa discussão no centro do debate durante a visita do presidente Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin à Avibras em Jacareí (SP), no dia 24 de julho. A agenda reforçou uma mensagem estratégica importante: a Base Industrial de Defesa brasileira deve ser compreendida como um instrumento de soberania, desenvolvimento tecnológico, geração de empregos qualificados e autonomia nacional.

Ao destacar a importância da indústria de defesa e da capacidade tecnológica brasileira, o governo resgatou um conceito fundamental para qualquer país que busca maior autonomia estratégica: equipamentos militares não são apenas sistemas de combate, mas representam conhecimento, engenharia, inovação e capacidade industrial, além de um importante componente da economia.

Durante a visita, o presidente Lula ressaltou a necessidade do Brasil possuir Forças Armadas preparadas para proteger seus interesses nacionais, enquanto o vice-presidente Geraldo Alckmin destacou a importância de mecanismos capazes de garantir condições para que empresas estratégicas brasileiras continuem produzindo e desenvolvendo tecnologias críticas e exportando.

A ocasião também simbolizou a retomada das atividades industriais de uma das empresas mais tradicionais da Base Industrial de Defesa brasileira, responsável historicamente pelo desenvolvimento de sistemas estratégicos, como a família Astros e outras soluções voltadas ao setor de defesa.

Entretanto, apesar da importância institucional do evento e do reconhecimento público sobre o papel estratégico da empresa, a agenda não foi acompanhada pelo anúncio de novos contratos de aquisição, encomendas firmes ou um cronograma definido de investimentos que garantisse previsibilidade futura à empresa.

Esse ponto revela um dos maiores desafios da indústria nacional de defesa: o reconhecimento da sua importância precisa ser acompanhado por uma política contínua de aquisição e financiamento. Empresas estratégicas não sobrevivem apenas de discursos de valorização; elas dependem de planejamento de longo prazo, contratos regulares e demanda previsível por parte do Estado.

O cenário ganha uma dimensão ainda mais relevante quando analisado diante das próprias medidas adotadas pelo governo para ampliar os investimentos em Defesa.

No ano anterior, foi estruturado um mecanismo extraordinário de aproximadamente R$ 30 bilhões destinado ao fortalecimento das capacidades estratégicas das Forças Armadas, com previsão de aportes anuais de cerca de R$ 5 bilhões a partir de 2026.

A iniciativa representou o reconhecimento de um problema histórico: programas estratégicos de Defesa não podem depender exclusivamente das limitações orçamentárias anuais, pois envolvem ciclos de desenvolvimento que ultrapassam governos e exigem estabilidade financeira.

Entre os projetos considerados prioritários dentro dessa visão estão capacidades relacionadas ao Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), ao Programa Nuclear da Marinha, além de outras iniciativas voltadas à modernização e recuperação da capacidade operacional das Forças Armadas.

O objetivo era justamente criar uma base financeira capaz de sustentar projetos fundamentais para a soberania nacional. Entretanto, é nesse ponto que surge o principal paradoxo exposto pela realidade de 2026.

Enquanto o país estabelecia um novo ciclo de investimentos para recuperar capacidades estratégicas, a Marinha do Brasil encaminhou ao Ministério da Defesa, em 13 de julho, um documento alertando que o bloqueio de aproximadamente R$ 1,43 bilhão no orçamento poderia comprometer programas estratégicos, manutenção de meios e atividades essenciais para sua missão constitucional.

A questão central não está apenas no bloqueio financeiro, mas na distância entre o planejamento estratégico e a execução orçamentária efetiva.

Um programa de Defesa não se resume à aquisição de um novo equipamento. Um submarino, uma fragata, um sistema de armas ou qualquer capacidade militar complexa depende de uma cadeia contínua que envolve pesquisa, desenvolvimento, produção, treinamento, manutenção, logística e disponibilidade operacional. A construção do futuro exige que o presente continue funcionando.

É justamente essa equação que representa o maior desafio brasileiro: garantir que os investimentos extraordinários destinados à recuperação da capacidade militar não sejam comprometidos por restrições que afetam a operação cotidiana das Forças.

A Marinha alerta que caso as limitações permaneçam, poderá ocorrer uma redução progressiva da disponibilidade dos meios, com reflexos sobre a fiscalização das águas jurisdicionais brasileiras, o combate a crimes transfronteiriços, a segurança do tráfego marítimo e a presença nacional no Atlântico Sul.

Entre os programas afetados estão o Programa Nuclear da Marinha, o PROSUB, a obtenção de navios-patrulha, contratos relacionados a mísseis e sistemas de armas, além da manutenção da esquadra e das atividades científicas brasileiras na Antártica. 

O Brasil vive, portanto, uma contradição estratégica.

O país reconhece que Defesa é soberania, tecnologia e desenvolvimento. Cria mecanismos para recuperar capacidades e reforça publicamente a importância da Base Industrial de Defesa.

Mas, ao mesmo tempo, enfrenta dificuldades para garantir a previsibilidade necessária à sustentação dessas mesmas capacidades.

A indústria de defesa não funciona como uma indústria convencional. Empresas que desenvolvem mísseis, radares, sistemas eletrônicos, veículos militares e tecnologias críticas dependem de planejamento plurianual. Sem continuidade, conhecimento acumulado pode ser perdido, profissionais especializados migram e capacidades nacionais são enfraquecidas.

O caso da Avibras simboliza esse desafio. A retomada industrial representa uma oportunidade estratégica para preservar uma empresa de alto valor tecnológico, mas sua consolidação dependerá de algo além do reconhecimento público: dependerá de contratos, encomendas e uma política permanente de Estado.

O mesmo vale para a Marinha. A entrada em serviço das fragatas Classe Tamandaré e os avanços do PROSUB representam conquistas importantes. Entretanto, uma capacidade militar não é medida apenas pelo momento da entrega de um equipamento, mas pela capacidade de mantê-lo operacional durante todo seu ciclo de vida.

A Amazônia Azul, com sua dimensão econômica, energética e estratégica, exige uma presença naval compatível com sua importância. Proteger esse espaço significa garantir segurança ao comércio exterior, às riquezas marítimas e aos interesses nacionais.

O Brasil precisa compreender que Defesa também é desenvolvimento.

É preciso ir além dos discursos e compreender que defesa é desenvolvimento em vários aspectos, e transformar essa compreensão em uma política permanente, capaz de unir investimento, operação e planejamento estratégico.

Porque soberania não se constrói apenas com anúncios de bilhões, nem apenas com equipamentos modernos, ela depende da capacidade de um país manter suas forças prontas, sua indústria viva e seus projetos estratégicos protegidos das oscilações de curto prazo.

A soberania tem preço, e esse preço está menos no valor anunciado e mais na capacidade de transformar recursos em poder nacional efetivo. É preciso ter compromisso real com Brasil, e o primeiro pilar é garantir a previsibilidade orçamentária.


Por Angelo Nicolaci


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Operação Membeca 2026: Comandante do Exército apresenta visão estratégica para blindados, drones e indústria de defesa

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O GBN Defense acompanhou o Apronto Operacional da Operação Membeca 2026, realizado no Campo de Instrução de Gericinó no Rio de Janeiro, onde tropas do Comando Militar do Leste apresentaram suas capacidades operacionais em uma demonstração que reuniu meios de aviação, artilharia, reconhecimento, tropas especializadas e forças mecanizadas. A cobertura acompanhou desde a formação inicial da tropa e os discursos das autoridades militares até a demonstração dinâmica e a coletiva concedida pelo Comandante do Exército aos jornalistas presentes.

Mais do que uma apresentação militar, o evento serviu como uma oportunidade para o Exército Brasileiro apresentar sua visão de futuro, destacando os desafios e os caminhos da modernização da instituição diante das transformações observadas no ambiente internacional.

A atividade contou com a presença do Comandante do Exército, General de Exército Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, autoridades civis e militares e representantes da imprensa especializada. O exercício marcou uma etapa avançada do ciclo de preparo da Força Terrestre, reunindo tropas de diferentes especialidades e meios empregados em missões de combate, reconhecimento, mobilidade e apoio de fogo.

Durante os discursos que antecederam a demonstração operacional, o Comandante Militar do Leste destacou a importância do preparo contínuo, da disponibilidade permanente e da capacidade de emprego das tropas sob sua responsabilidade.

O comandante ressaltou que a Operação Membeca representa uma fase avançada do processo de instrução militar, reunindo capacidades estratégicas do Exército Brasileiro, como a Brigada de Infantaria Paraquedista, tropas de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear, a Brigada de Infantaria de Montanha e unidades de Operações Especiais.

Em sua fala aos militares formados no terreno, destacou que a profissão militar exige dedicação exclusiva e permanente disponibilidade, ressaltando que aquele momento simbolizava a passagem para uma etapa de adestramento avançado, na qual as tropas atingem condições máximas de prontidão para emprego em qualquer parte do território nacional.

O Comandante do Exército, por sua vez, destacou que a Operação Membeca contará com mais de 4.500 militares em sua plenitude e integra o Programa de Adestramento Avançado coordenado pelo Comando de Operações Terrestres (COTER).

Durante seu pronunciamento, o comandante ressaltou que a demonstração representa a capacidade real da Força Terrestre e reafirmou o compromisso do Exército Brasileiro com sua missão constitucional de defesa da Pátria.

Além de destacar o preparo da tropa, o Comandante do Exército apresentou um panorama sobre a evolução tecnológica da Força, citando sistemas que representam o processo de transformação em andamento, como os mísseis anticarro Javelin e Spike, o míssil anticarro nacional MAX 1.2 AC desenvolvido pela SIATT, os novos meios de Cavalaria com o Centauro II, a ampliação das capacidades da Aviação do Exército com os novos helicópteros UH-60 Black Hawk, sistemas de defesa antiaérea Stinger e o crescimento do emprego de Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas.

Após os pronunciamentos, as tropas que estavam formadas diante das autoridades iniciaram o deslocamento para assumir suas posições em campo, dando início à demonstração dinâmica da Operação Membeca 2026.

A imprensa acompanhou a movimentação embarcada em viaturas do Exército Brasileiro, permitindo observar a disposição das tropas no terreno, a organização dos meios e algumas das características operacionais das unidades participantes.

A demonstração teve início com uma operação de resgate aeromóvel utilizando o helicóptero HM-1 Pantera K2 da Aviação do Exército. Na sequência, foram apresentados o emprego de atiradores especializados em tiro de precisão, uma demonstração de apoio de fogo de Artilharia de Campanha com artilharia de tubos, patrulha e reconhecimento utilizando viaturas Lince e VBTP-MR Guarani, lançamento de paraquedistas e, encerrando a atividade, uma ação ofensiva coordenada com blindados e tropas desembarcadas.

Após a demonstração operacional, o Comandante do Exército concedeu entrevista coletiva aos jornalistas presentes. Diferentemente dos discursos anteriores, voltados ao preparo e à motivação da tropa, a coletiva apresentou uma visão mais ampla sobre os desafios estratégicos enfrentados pela Força Terrestre e os programas que irão moldar sua capacidade operacional nas próximas décadas.

Um dos temas abordados foi o futuro da força blindada brasileira. Questionado pelo editor do GBN Defense, Angelo Nicolaci, sobre os estudos relacionados à substituição dos carros de combate Leopard 2A5 BR, o Comandante do Exército destacou que o processo não envolve apenas a escolha de um novo veículo, mas a construção de uma capacidade blindada sustentável.

Segundo o comandante, a experiência dos conflitos recentes demonstra que a efetividade de uma força blindada depende diretamente da capacidade logística, manutenção e disponibilidade operacional.

"O mais importante para o processo de busca de uma nova Força Blindada, uma nova plataforma de carros de combate, é a gente enxergar todas as capacidades que a gente já tem para manter a Força Blindada", afirmou.

O Comandante do Exército destacou que o Brasil atualmente possui duas Brigadas Blindadas operacionais, sustentadas por uma estrutura logística integrada.

"Hoje nós temos duas brigadas blindadas e as duas brigadas, apesar de serem antigas, elas são sustentadas. Elas têm um sistema logístico integrado que permite que elas funcionem", explicou.

Ao comentar sobre a capacidade desses meios diante dos conflitos atuais, o comandante afirmou que os Leopard 2A5 BR ainda possuem valor operacional.

"Hoje eu diria para você que elas estariam combatendo um conflito como o da Ucrânia. Estariam combatendo, mesmo sendo um carro antigo", declarou.

A afirmação demonstra uma visão baseada na capacidade de emprego e sustentação, e não apenas na idade dos equipamentos. Para o Exército Brasileiro, a substituição de uma plataforma blindada exige uma análise de longo prazo envolvendo doutrina, infraestrutura, treinamento, munições, manutenção e integração com outros sistemas.

Questionado sobre as alternativas analisadas, o Comandante do Exército confirmou que diferentes plataformas estão sendo avaliadas.

"A gente tem dúvida de qual a melhor plataforma, se é uma plataforma alemã ou se é uma plataforma turca", afirmou.

Entre as plataformas avaliadas pelo Exército Brasileiro está o Tulpar, desenvolvido pela empresa turca Otokar. A família Tulpar foi concebida como uma plataforma blindada modular, capaz de receber diferentes configurações e acompanhar a evolução tecnológica ao longo de seu ciclo de vida.

Um dos pontos de destaque da plataforma é sua capacidade de receber a torre Leonardo HITFACT Mk II equipada com canhão de 120 mm, a mesma família de torre utilizada no Centauro II adquirido pelo Exército Brasileiro para modernização da Cavalaria.

Essa configuração amplia significativamente o poder de fogo do veículo, permitindo o emprego de munições de 120 mm, integração de sensores modernos, sistemas digitais de gerenciamento do campo de batalha e recursos avançados de controle de tiro. A solução representa uma alternativa dentro da tendência internacional de desenvolvimento de plataformas blindadas médias de alta capacidade, combinando mobilidade, proteção e poder de fogo.

A definição de uma futura plataforma, entretanto, envolve fatores que vão além do desempenho do veículo. Aspectos como transferência tecnológica, participação da indústria nacional, sustentabilidade logística, custos operacionais e integração com os meios existentes serão determinantes no processo decisório conduzido pelo Estado-Maior do Exército, Alto Comando do Exército e Ministério da Defesa.

Outro tema estratégico abordado durante a coletiva foi a ampliação das capacidades relacionadas aos Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas.

O Comandante do Exército revelou que a aquisição de drones de maior capacidade está entre os processos mais avançados atualmente conduzidos pela Força, com especial interesse em plataformas que possam atuar também em missões ofensivas.

"O que está muito adiantado de aquisição é uma conversa sobre drones. Nós temos a Turquia, drones de ataque, drones de capacidade maior, capacidade 3, como por exemplo os drones que têm capacidade de atacar. Esse é o nosso principal interesse", afirmou.

A declaração representa uma mudança importante na visão brasileira sobre sistemas remotamente pilotados. Além das tradicionais missões de reconhecimento e vigilância, os drones passaram a assumir papel central nos conflitos modernos, sendo empregados para aquisição de alvos, ataques de precisão e ampliação da consciência situacional.

A referência à Türkiye demonstra o interesse brasileiro por soluções que já apresentam maturidade operacional e que foram testadas em diferentes cenários, acompanhando uma tendência observada nos principais exércitos do mundo.

O comandante também destacou a necessidade de ampliar a capacidade de vigilância e reconhecimento das fronteiras brasileiras, empregando sistemas capazes de fornecer maior consciência situacional em um território de dimensões continentais.

Na área de poder de fogo, o Comandante do Exército destacou  durante o discurso inicial a evolução da capacidade anticarro brasileira, citando a incorporação de sistemas internacionais como Javelin e Spike, além do desenvolvimento nacional representado pelo MAX 1.2 AC, desenvolvido pela SIATT.

A incorporação de um sistema nacional nesse segmento reforça a importância estratégica da Base Industrial de Defesa brasileira, reduzindo dependências externas em capacidades críticas e ampliando o domínio tecnológico nacional.

Durante a coletiva, o Comandante do Exército abordou o Programa Centauro II, destacando o planejamento para aquisição de 98 viaturas blindadas 8x8, além da modernização dos EE-9 Cascavel conduzida pelo Arsenal de Guerra de São Paulo.

Segundo o comandante, a atualização dos Cascavel deverá incorporar novos sistemas eletrônicos e ampliar suas capacidades, incluindo a integração de armamentos anticarro, elevando seu desempenho operacional enquanto permanece em serviço.

Outro ponto abordado foi a retomada das atividades da Avibras, tema questionado pelo editor do GBN Defense. O Comandante do Exército destacou a importância estratégica da empresa para o Brasil e para o Sistema ASTROS.

Segundo o comandante, recursos estão sendo destinados para garantir a continuidade da aquisição de munições para o sistema de foguetes e mísseis, enquanto o Míssil Tático de Cruzeiro MTC-300 se aproxima da fase final antes da entrada em operação.

"A notícia da retomada da Avibras é uma notícia muito boa para a defesa do Brasil e para o nosso sistema de defesa", afirmou.

As declarações realizadas durante a Operação Membeca 2026 revelam uma Força Terrestre em processo de transformação, buscando equilibrar a manutenção das capacidades existentes com a incorporação gradual de novas tecnologias.

A renovação da força blindada, a adoção de sistemas não tripulados com maior capacidade, a evolução dos meios anticarro e o fortalecimento da Base Industrial de Defesa aparecem como pilares centrais da estratégia do Exército Brasileiro para manter sua prontidão e ampliar sua capacidade de resposta diante dos desafios do futuro.


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EsqdHS-1 retoma voos noturnos de Guerra Antissubmarino e fortalece a prontidão operacional da Aviação Naval

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O 1º Esquadrão de Helicópteros Antissubmarino (EsqdHS-1) retomou, no dia 8 de julho, os voos de Guerra Antissubmarino (Anti-Submarine Warfare – ASW) no período noturno, restabelecendo uma capacidade considerada essencial para o emprego da Aviação Naval em operações de alta complexidade. A atividade representa um importante avanço na manutenção da prontidão operacional da Marinha do Brasil, permitindo que as tripulações estejam aptas a conduzir missões de busca, localização e acompanhamento de submarinos em qualquer condição de luminosidade.

A retomada dos voos noturnos integra o programa contínuo de adestramento e qualificação operacional do Esquadrão, assegurando que pilotos e tripulações mantenham elevados níveis de preparo para responder às demandas do ambiente marítimo moderno, onde a capacidade de operar durante a noite representa um importante diferencial tático.

Qualificação de pilotos amplia capacidade operacional

Durante a atividade foi realizada a qualificação de um piloto para a execução de missões ASW no período noturno. O treinamento permitiu consolidar conhecimentos técnicos e habilidades indispensáveis à condução segura da aeronave e à execução de operações que exigem elevado grau de coordenação entre piloto, operadores táticos e sensores embarcados.

O voo foi conduzido com o emprego de Óculos de Visão Noturna (OVN), equipamento que amplia significativamente a percepção visual em ambientes de baixa luminosidade. A utilização desse recurso aumenta a consciência situacional da tripulação, melhora a identificação de referências visuais e contribui para operações mais seguras durante pousos, decolagens e voos táticos realizados à noite.

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Além da qualificação individual, a atividade fortalece o adestramento coletivo das tripulações, elemento fundamental para missões antissubmarino, que dependem da perfeita integração entre os sistemas de bordo e os diversos integrantes da aeronave.

Guerra Antissubmarino exige elevado grau de especialização

A Guerra Antissubmarino figura entre as missões mais complexas da aviação naval contemporânea. O sucesso desse tipo de operação depende da combinação entre sensores de alta sensibilidade, armamentos específicos e tripulações altamente treinadas para detectar, localizar, classificar e acompanhar contatos submarinos em um ambiente caracterizado por elevado grau de incerteza.

No contexto da Marinha do Brasil, essa capacidade é desempenhada pelos helicópteros SH-16 Seahawk, aeronaves dotadas de sonar de imersão, radar multimodo, sensores eletro-ópticos, sistemas de guerra eletrônica e capacidade para empregar torpedos leves contra submarinos. A operação desses sistemas durante o período noturno exige treinamento constante e elevado nível de proficiência por parte das tripulações.

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A possibilidade de conduzir missões ASW durante a noite amplia significativamente a flexibilidade operacional da Força Naval, reduzindo limitações impostas pela luminosidade e aumentando a capacidade de resposta diante de eventuais ameaças submarinas.

Relevância estratégica para a Amazônia Azul

A retomada dos voos noturnos de Guerra Antissubmarino fortalece diretamente a capacidade da Marinha do Brasil de proteger as Águas Jurisdicionais Brasileiras, área marítima conhecida como Amazônia Azul, responsável por concentrar importantes rotas de navegação, recursos naturais e parcela significativa da atividade econômica nacional.

A vigilância permanente desse vasto espaço marítimo exige meios capazes de operar continuamente, independentemente das condições ambientais ou do horário, garantindo maior capacidade de monitoramento e resposta em situações de crise.

Além da defesa da esquadra, os helicópteros antissubmarino desempenham papel fundamental na proteção de grupos-tarefa navais, no acompanhamento de embarcações de interesse e na dissuasão contra possíveis ameaças submersas, constituindo um dos principais componentes da guerra naval moderna.

Investimento permanente na prontidão

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A retomada dessa capacidade demonstra o compromisso da Marinha do Brasil com a manutenção dos elevados padrões de adestramento de sua Aviação Naval. Em um cenário internacional caracterizado pelo crescimento da atividade submarina e pela evolução das ameaças no ambiente marítimo, preservar a capacidade de operar em qualquer condição de luminosidade representa um fator decisivo para assegurar a liberdade de ação da Força Naval.

Mais do que um simples retorno às atividades de voo, a retomada das missões noturnas de Guerra Antissubmarino reforça a capacidade de resposta da Marinha do Brasil e contribui para a proteção dos interesses estratégicos nacionais no mar, mantendo a Aviação Naval preparada para atuar com eficiência sempre que necessário.


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com Marinha do Brasil

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Exército Britânico seleciona VANT Tekever AR5 para substituir o Watchkeeper em contrato de £400 milhões

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O Ministério da Defesa do Reino Unido anunciou a seleção do VANT Tekever AR5 como o novo sistema de vigilância e reconhecimento do Exército Britânico, marcando o início da substituição gradual da frota de drones Watchkeeper WK450. O contrato, avaliado em aproximadamente 400 milhões de libras esterlinas, terá duração de dez anos e representa um importante passo na modernização das capacidades britânicas de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (ISR).

A decisão também reforça a estratégia do governo britânico de ampliar a participação da indústria nacional em programas estratégicos de defesa, reduzindo a dependência de plataformas estrangeiras e fortalecendo sua base industrial de tecnologia militar.

Desenvolvido pela empresa britânica Tekever, o AR5 pertence à categoria de VANT tático, oferecendo uma solução mais compacta e flexível em comparação ao Watchkeeper, plataforma baseada no drone israelense Hermes 450.

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Embora possua dimensões menores, o AR5 apresenta características operacionais que o tornam altamente competitivo para missões prolongadas de vigilância terrestre e marítima. Sua autonomia de até 20 horas permite a cobertura contínua de extensas áreas de interesse, característica essencial para operações militares modernas, monitoramento de fronteiras e vigilância de infraestruturas críticas.

O sistema foi projetado para operar com diferentes configurações de sensores, podendo transportar simultaneamente uma torre eletro-óptica/infravermelha (EO/IR) e um radar de vigilância marítima. Essa combinação permite detectar, identificar e acompanhar alvos tanto em ambiente terrestre quanto naval, durante operações diurnas e noturnas.

Além disso, o AR5 pode receber cargas úteis dedicadas à Inteligência de Sinais (ELINT), capazes de detectar e localizar emissões eletromagnéticas a distâncias de até 200 quilômetros, ampliando significativamente sua capacidade de coleta de informações em cenários de guerra eletrônica.

Um dos diferenciais do AR5 é sua elevada flexibilidade operacional. Equipado com dois motores a pistão, o VANT necessita de apenas 300 metros de pista para realizar decolagens, permitindo sua operação em aeródromos de campanha e bases avançadas.

A plataforma possui alcance de aproximadamente 1.500 quilômetros em uma única missão, combinando grande autonomia com custos operacionais inferiores aos de aeronaves tripuladas empregadas em missões equivalentes.

Pela classificação adotada pelas Forças Armadas brasileiras, o Tekever AR5 enquadra-se na Categoria 3 de Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas (SARP), destinada às aeronaves com peso máximo de decolagem superior a 150 kg. Essa categoria reúne plataformas de emprego militar voltadas para missões de longa permanência, inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR), capazes de operar a grandes distâncias e transportar sensores de elevada capacidade, além de cargas úteis especializadas, como radares e sistemas de inteligência eletrônica (ELINT).

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Essas características fazem do AR5 uma solução adequada para missões de vigilância persistente, reconhecimento de longo alcance, monitoramento marítimo e apoio às operações terrestres, oferecendo elevada disponibilidade operacional.

Mudança de plataforma, manutenção da doutrina

A escolha do AR5 também evidencia a continuidade da estratégia britânica para o emprego de sistemas aéreos não tripulados. Apesar da substituição do Watchkeeper, o Reino Unido mantém a separação entre plataformas dedicadas exclusivamente às missões ISR e aquelas destinadas ao emprego de armamentos.

Nesse contexto, o Tekever AR5 assumirá as missões de vigilância, reconhecimento e coleta de inteligência sem capacidade ofensiva, preservando o conceito de VANT tático desarmado para essas operações.

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Já as missões que exigem capacidade de ataque continuarão sendo desempenhadas pelo Protector RG Mk1, versão britânica do MQ-9B SkyGuardian, equipada para realizar tanto missões ISR quanto ataques de precisão com armamentos guiados.

Essa divisão de funções demonstra uma doutrina operacional bem definida. Enquanto o AR5 será empregado como plataforma de vigilância persistente e coleta de informações, o Protector RG Mk1 ficará responsável pelas missões que demandem capacidade de engajamento de alvos, permitindo ao Exército Britânico otimizar custos operacionais sem abrir mão da eficiência em diferentes tipos de operação.

Fortalecimento da indústria britânica de defesa

Além da renovação da frota, o programa possui forte componente industrial. Ao selecionar uma plataforma desenvolvida por uma empresa estabelecida no Reino Unido, o Ministério da Defesa busca fortalecer sua cadeia produtiva nacional, ampliar a autonomia tecnológica e garantir maior controle sobre o ciclo de vida do sistema.

A contratação da Tekever acompanha uma tendência observada em diversos países europeus, que vêm priorizando o desenvolvimento de soluções nacionais ou produzidas localmente para reduzir vulnerabilidades estratégicas e aumentar a independência em programas considerados críticos para a defesa.

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A substituição do Watchkeeper pelo AR5 também reflete a rápida evolução dos sistemas remotamente pilotados na última década. Sensores mais avançados, maior autonomia, arquitetura aberta para integração de novas cargas úteis e menores custos de operação tornaram os SARPs uma alternativa cada vez mais atraente para missões de ISR, especialmente em cenários onde a persistência sobre a área de interesse é um fator decisivo.

Com autonomia elevada, arquitetura modular e capacidade de integrar múltiplos sensores, o Tekever AR5 deverá desempenhar um papel central nas futuras operações de inteligência, vigilância e reconhecimento do Exército Britânico, consolidando-se como a nova espinha dorsal das capacidades ISR de longa duração do Reino Unido. Ao mesmo tempo, o programa reafirma a aposta britânica no fortalecimento de sua indústria de defesa e na manutenção de uma arquitetura operacional que separa claramente plataformas de vigilância das aeronaves remotamente pilotadas destinadas ao combate, garantindo maior flexibilidade e eficiência para atender às demandas dos conflitos contemporâneos.


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