A Artilharia Divisionária da 3ª Divisão de Exército (AD/3) aproveitou a "Operação Coxilha 2026" para colocar em campo uma combinação que aponta para a evolução do apoio de fogo do Exército Brasileiro. Entre 2 e 7 de agosto, no Campo de Instrução Barão de São Borja (CIBSB) em Rosário do Sul (RS), as tropas realizaram tiro real, e ao mesmo tempo, experimentaram novas formas de obter informações sobre o campo de batalha.
A atividade reuniu unidades de artilharia das brigadas da 3ª Divisão de Exército, grupos diretamente subordinados à AD/3, além do 9º Batalhão Logístico e do 1º Batalhão de Comunicações. No terreno, o treinamento percorreu todo o processo de emprego dos fogos, passando pelo planejamento, ocupação das posições, observação, localização de alvos, coordenação e execução do tiro.
A diferença esteve na quantidade de informações colocadas à disposição desse processo. Durante o exercício, foram utilizados dados de satélite para obtenção de informações meteorológicas de interesse da artilharia. São dados que ajudam a compor o quadro necessário para o planejamento das missões, especialmente porque as condições atmosféricas interferem diretamente no comportamento dos disparos.
Os Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas (SARP) acrescentaram outra camada de informação. Empregados na busca e análise de alvos, esses sistemas permitem ampliar a observação sobre o terreno e levar informações diretamente para o processo de aquisição de objetivos.
A Operação Coxilha 2026 também colocou em teste uma capacidade diferente: a localização de alvos utilizando a detecção do som. O emprego de um equipamento com essa finalidade cria uma alternativa para determinar a posição de um objetivo a partir de sua assinatura acústica, complementando outros métodos de aquisição.
É nessa combinação que está um dos aspectos mais relevantes do exercício. A artilharia passa a trabalhar não apenas com aquilo que seus observadores conseguem enxergar, mas com informações provenientes de diferentes sensores e fontes. O objetivo é construir uma imagem mais precisa do terreno antes que uma missão de fogo seja executada.
Essa lógica também muda a importância do tempo. Quanto mais rapidamente uma informação de qualidade chega à Central de Tiro, menor tende a ser o intervalo entre a identificação de um alvo e a tomada de decisão. No ambiente de combate onde as posições podem mudar rapidamente, esse ciclo passa a ter peso direto na efetividade do apoio de fogo.
Na Operação Coxilha 2026, as novas ferramentas foram colocadas em contato com os elementos tradicionais da artilharia. Comunicações, Topografia, Central de Tiro e Linha de Fogo continuaram responsáveis pela estrutura do emprego dos fogos, enquanto os novos sensores passaram a fornecer informações adicionais para esse sistema.
O exercício também teve uma dimensão de experimentação doutrinária. Mais do que verificar se determinado equipamento funciona, a atividade permite avaliar como ele pode ser empregado dentro da rotina operacional e de que maneira seus dados podem ser integrados às demais informações disponíveis.
Realizado com tiro real, o treinamento ofereceu justamente esse ambiente de avaliação. A tecnologia saiu do campo conceitual e foi inserida em atividade de campo, permitindo observar como diferentes fontes de informação podem contribuir para tornar a aquisição de alvos mais eficiente e o emprego da artilharia mais responsivo.
A Operação Coxilha 2026 mostra, assim, uma artilharia que começa a ampliar seu foco. O poder de fogo continua sendo essencial, mas a capacidade de encontrar, identificar e localizar um alvo com rapidez ganha cada vez mais importância no resultado final da missão.
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