sexta-feira, 3 de setembro de 2010

DISSUASÃO, GARANTIA DE SOBREVIDA


Acreditar nas boas intenções de desarmamento pelas potências nucleares é até admissível. Acontece, elas sabem, se isto ocorrer o mundo viraria uma arena global sem precedentes. É paradoxal, mas, se os americanos não tivessem apelado para esta tecnologia de ponta, as perdas em marines nas ilhas japonesas teriam sido incalculáveis.

É fácil imaginar o destino da Europa no século passado sem uma OTAN nuclearizada: a descomunal máquina de guerra montada pela antiga URSS teria lançado seus tentáculos até o Atlântico Norte. Em verdade, a UE hoje, pela forma como se estruturou e graças aos arsenais francês e inglês, dispõe de um poder de dissuasão, impositivo pela sua projeção econômica, capaz de inibir qualquer veleidade proveniente da rediviva Rússia.

Já russos e chineses se toleram, por quê? E como os EUA lograriam conter uma invasão pela China? Só o exército chinês, em tempo de paz, soma mais de um milhão de homens! E se a Rússia decide, nesta hora, investir sobre a UE, França e Inglaterra poderiam esperar pelos yankees? Índia e Paquistão então podem até jurar que vão reduzir suas ogivas, porém hindus e muçulmanos sempre as terão escondidas com medo do grande dragão amarelo. Sobretudo os chineses são pupilos de Sun Tzu, para que pressionar sua testa de ferro, a superarmada Coréia do Norte, por uma fragilização frente ao Japão, justo a ponta de lança de Tio Sam na Ásia?

E Israel, sobreviveria o minúsculo país sem o desenvolvimento do seu projeto desestabilizador? Com certeza aquela nesga de terra, estrangulada que está entre o Mar Mediterrâneo e o mundo árabe, já teria sido varrida do mapa por uma sequiosa horda de tuaregues ululantes a brandir o sabre de Maomé. Poderão dizer que os judeus sempre venceram sem apelar para seus artefatos, mas, e se os sarracenos conseguissem um dia virar o jogo? Existe um ditado que diz ser a artilharia a última ratio regis, não existindo quem duvide do que será capaz o pequeno Davi para garantir a sobrevida de sua terra prometida.

Todavia, não se pode olvidar, a opinião pública mundial, refém de uma orquestração tendenciosa manipulada pelos “todo-poderosos”, como que sataniza a simples discussão do tema, máxime quando, a partir da era Bush, passou a sofrer insidiosa lavagem cerebral quanto à existência de um “eixo do mal”, acusado à revelia pelas mazelas e inseguranças do mundo civilizado. Acontece que o Iraque, aquele mesmo malvado inocentado pela ONU por não dispor de armas de destruição de massa, ainda assim não foi poupado pelos todo poderosos. Resultado: Coréia do Norte e Irã, que não são crédulos de carteirinha, colocaram suas barbas de molho e estão correndo atrás.

Mas, e o Brasil, como está encarando o País estes paradigmas e tabus insofismáveis? Nos idos da tropicália já se cantava: “é preciso estar atento e forte”. O porvir da nacionalidade depende da posse dos recursos da Amazônia e do pré-sal brasileiros e, de repente, esta vai ser questionada pelos senhores da guerra. Nesta hora, só um poder de indiscutível magnitude poderá nos garantir uma paz digna de sobrevida.

Paulo Ricardo da Rocha Paiva

Coronel de Infantaria e Estado-Maior

Fonte: Plano Brasil
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