quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Argentina inicia renovação do armamento individual com fuzis ARAD-5 e ARAD-7 de Israel

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A Argentina iniciou formalmente a incorporação dos novos fuzis ARAD-5 e ARAD-7, destinados a substituir parte do armamento individual atualmente empregado pelas Forças Armadas. O primeiro lote chegou ao país na primeira semana de setembro e, nesta terça-feira (29), o Ministério da Defesa apresentou oficialmente os dois modelos durante uma cerimônia realizada no Regimiento de Infantería 1 “Patricios”, em Buenos Aires.

A incorporação representa uma mudança importante na arquitetura do armamento individual argentino. Os ARAD-5 e ARAD-7 foram adquiridos de Israel por meio de um contrato Estado-Estado com o Ministério da Defesa israelense e fazem parte de um processo mais amplo de renovação dos meios empregados pelo Exército, Marinha e Força Aérea.

O programa prevê a substituição dos fuzis FAL utilizados pela infantaria do Exército Argentino, além daqueles empregados por efetivos de segurança e defesa da Força Aérea e da Armada Argentina. A renovação também alcançará os M-16 utilizados pela Infantería de Marina, ampliando a adoção da nova família de armas para diferentes componentes das Forças Armadas.

A escolha dos modelos ocorreu após uma avaliação técnico-operacional realizada em 2025 pelo Estado-Maior Conjunto, que contou com a participação de militares das três Forças. Segundo o Ministério da Defesa argentino, oito empresas da Argentina, Israel, Europa e Estados Unidos foram analisadas durante o processo de avaliação antes da definição do sistema a ser incorporado.

O processo de recebimento do primeiro lote também já foi concluído. A Dirección General de Logística do Estado-Maior Conjunto conduziu as provas de recepção e aceitação, enquanto os testes de aceitação foram realizados na Guarnición Militar de Campo de Mayo por pessoal técnico do Exército Argentino. A etapa é relevante porque antecede a entrada efetiva do novo armamento no ciclo de formação e adestramento das unidades.

Os dois modelos pertencem à mesma família, mas adotam arquiteturas distintas. O ARAD-5 utiliza a arquitetura AR-15, enquanto o ARAD-7 segue a arquitetura AR-10. Ambos são equipados com miras eletroópticas de ponto vermelho MEPRO M-5 e foram concebidos como uma nova plataforma individual, com redução de peso, maior modularidade e possibilidade de adaptação e integração de novas tecnologias.

A diferença de arquitetura permite à Argentina substituir uma família de armamentos concebida para outra geração de requisitos por uma plataforma mais modular, capaz de receber diferentes configurações e acessórios conforme a função desempenhada pelo combatente. Na prática, isso amplia a possibilidade de padronização de componentes e procedimentos dentro das Forças, ao mesmo tempo em que reduz a dependência de uma solução concebida originalmente para os padrões tecnológicos de décadas passadas.

A transição, porém, não termina com a entrega dos fuzis. O primeiro lote já está sendo utilizado como base para a formação de instrutores e técnicos armeiros, e a IWI deverá iniciar em outubro os cursos de operação e manutenção destinados ao pessoal das três Forças Armadas. A capacitação cria as condições para que o novo sistema seja absorvido não apenas pelos operadores, mas também pela estrutura responsável por sua manutenção e disponibilidade.

Após essa etapa, está prevista a recepção do segundo lote no primeiro trimestre de 2027. A sequência demonstra que a substituição será conduzida de forma progressiva, permitindo que treinamento, manutenção e adaptação das unidades acompanhem a chegada do novo armamento.

Mais do que uma simples troca de fuzis, a adoção dos ARAD-5 e ARAD-7 envolve a renovação de uma capacidade que permaneceu por décadas baseada em plataformas como o FAL e o M-16. O desafio argentino passa agora pela consolidação da nova cadeia logística, pela formação dos usuários e armeiros e pela integração dos novos sistemas à doutrina e aos diferentes ambientes operacionais das Forças Armadas.


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Argentina recebe segundo lote de F-16 e chega à metade da frota adquirida da Dinamarca

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A Força Aérea Argentina recebeu em 29 de setembro mais seis caças F-16AM/BM Fighting Falcon, elevando para 12 o número de aeronaves entregues dos 24 exemplares adquiridos da Dinamarca. O segundo lote chegou a Área Material Río IV em Córdoba, após uma traslado iniciado na Dinamarca e que incluiu escalas na Espanha e no Brasil, além de uma complexa operação de reabastecimento em voo com apoio da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF).

O novo lote é formado por quatro F-16AM monoposto e dois F-16BM biposto. As seis aeronaves partiram da Base Aérea de Skrydstrup na Dinamarca em 22 de setembro, seguindo para a Espanha antes da travessia do Atlântico. Com a chegada, a Argentina passa a contar com metade dos F-16 previstos no contrato firmado com o governo dinamarquês.

A operação de transferência exigiu uma estrutura de apoio compatível com a distância entre a Europa e a América do Sul. Durante o deslocamento, cada F-16 realizou dez reabastecimentos em voo, segundo a Força Aérea Argentina, utilizando aeronaves Boeing KC-135R Stratotanker da USAF. O apoio permitiu manter os caças em voo durante os trechos de maior alcance do traslado.

A participação americana é um dos aspectos relevantes do traslado. Além de fornecer o reabastecimento em voo (REVO), os KC-135R acompanharam a operação durante a travessia atlântica, demonstrando a capacidade de coordenação entre a Força Aérea Argentina e meios norte-americanos em uma operação de longa distância. A transferência contou ainda com meios argentinos destinados ao transporte de pessoal, equipamentos e suporte logístico.

O Brasil fez parte novamente da rota utilizada para levar os caças à Argentina. Depois da escala nas Ilhas Canárias, os seis F-16 cruzaram o Atlântico e pousaram na Base Aérea de Natal, no Rio Grande do Norte, em 28 de setembro. A instalação serviu como ponto de apoio logístico antes do trecho final até Córdoba.

No dia seguinte, os F-16 deixaram o Nordeste brasileiro para cumprir a etapa final do deslocamento. Durante o voo sobre o território nacional, os seis caças e aeronaves KC-135R foram observados sobre diferentes regiões do país, incluindo o interior de São Paulo e a área de Gavião Peixoto, onde estão instalações da Embraer. A formação prosseguiu para o sul e deixou o espaço aéreo brasileiro em direção à Argentina.

A utilização de Natal repete o padrão empregado na transferência do primeiro lote, que chegou à Argentina em dezembro de 2025 após também realizar escalas na Espanha e no Brasil. A repetição da rota transforma o território brasileiro em um ponto de apoio recorrente para a transferência dos F-16 dinamarqueses para a Argentina, dentro de uma operação que conecta bases europeias, infraestrutura brasileira e o destino final em Córdoba.

Mais importante para Buenos Aires é que a chegada do segundo lote deixa de representar apenas a incorporação inicial de uma nova aeronave e passa a formar uma frota com massa crítica maior. Com 12 exemplares do F-16 recebidos, a Argentina já dispõe de metade do pacote contratado e avança na reconstrução de sua capacidade de combate supersônico, perdida após a retirada dos Mirage em 2015.

A introdução do F-16 também envolve uma transformação mais ampla do sistema de combate argentino. A operação dos caças exige infraestrutura específica, formação de pilotos e equipes de manutenção, simuladores, armamentos, equipamentos de apoio e uma cadeia logística capaz de sustentar a frota durante seu ciclo de vida. As aeronaves permanecem inicialmente em Río Cuarto enquanto avançam as obras na VI Brigada Aérea de Tandil, que deverá receber a frota como sua base operacional permanente.

O programa tem ainda uma dimensão geopolítica. A Argentina passa a operar um caça amplamente empregado por forças aéreas ocidentais e amplia sua interação com os Estados Unidos em áreas que vão além da aquisição de equipamentos. O apoio dos KC-135R no traslado é um exemplo concreto dessa aproximação, enquanto a formação e a estruturação do sistema de armas criam novos requisitos de treinamento, logística e interoperabilidade com parceiros que já empregam o F-16.

A chegada dos seis novos caças ocorre antes do cronograma inicialmente previsto para esse segundo lote, que era esperado para dezembro. Com 12 aeronaves já entregues, Buenos Aires avalia a possibilidade de antecipar também os dois lotes restantes, embora ainda não exista um novo cronograma oficial para os 12 F-16 que faltam.

A incorporação do segundo lote marca, assim, uma mudança de escala no programa argentino. A Força Aérea deixa para trás a fase inicial de recebimento de poucas aeronaves e passa a construir uma frota de caça capaz de sustentar uma estrutura operacional própria. O deslocamento até a Argentina, por sua vez, mostrou a complexidade logística do programa e envolveu Dinamarca, Espanha, Brasil e Estados Unidos em uma mesma operação de transferência.


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ARES prepara produção simultânea do REMAN e REMAX para o Programa Forças Blindadas

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A ARES prepara sua estrutura industrial para produzir simultaneamente a Torre Manual REMAN e o sistema automatizado REMAX, dois sistemas destinados ao emprego pelo Exército Brasileiro no âmbito do Programa Estratégico Forças Blindadas. A iniciativa aproveita a experiência acumulada no desenvolvimento do REMAX e transfere parte dos processos, tecnologias e componentes já dominados pela empresa para a industrialização do REMAN.

A estratégia reduz a necessidade de estruturas produtivas distintas e cria uma base comum para os dois sistemas. Segundo a ARES, a utilização de tecnologias e componentes compartilhados permite aproveitar equipamentos, processos e conhecimento técnico desenvolvidos ao longo do programa REMAX, encurtando etapas de preparação para a fabricação do novo sistema.

“Estamos colocando em prática uma estratégia industrial que combina a experiência acumulada no desenvolvimento do REMAX com os investimentos realizados pela ARES em tecnologia, processos e infraestrutura. Estar pronto para a produção simultânea dos dois sistemas nos permite aproveitar sinergias e ampliar a eficiência da nossa operação, ao mesmo tempo em que fortalece uma capacidade produtiva desenvolvida no Brasil”, afirma Frederico Medella, diretor Comercial e de Marketing da ARES.

A preparação da estrutura fabril incluiu a incorporação de máquinas CNC, manufatura aditiva e ferramentas de transformação digital. Entre elas está o sistema SKA Syneco, que conecta planejamento, engenharia, manufatura e armazenagem, permitindo acompanhar as diferentes etapas da produção a partir de uma arquitetura integrada.

Para uma linha voltada a sistemas de defesa, a digitalização tem efeito direto sobre o controle de materiais, rastreabilidade e gestão dos processos. A integração também permite trabalhar com maior precisão sobre ordens de produção e estoques, aspecto relevante quando diferentes produtos utilizam componentes e etapas industriais comuns.

Outro eixo é a nacionalização da cadeia de fornecimento. A ARES prevê a tropicalização de materiais, o compartilhamento de componentes e a ampliação de fornecedores brasileiros capazes de atender aos dois sistemas. Além de reduzir a fragmentação da cadeia, essa abordagem pode facilitar a manutenção e o abastecimento de peças durante o ciclo de vida dos equipamentos.

“Mais do que ampliar a capacidade de produção, esses investimentos permitem integrar diferentes etapas da operação e aumentar a previsibilidade dos processos. É uma evolução importante para uma empresa que atua em sistemas estratégicos de defesa e precisa combinar qualidade, confiabilidade e capacidade de resposta às demandas das Forças Armadas”, acrescenta Medella.

A experiência adquirida com o REMAX passa, portanto, a servir como base para uma segunda linha de produto. A utilização de processos e componentes comuns pode racionalizar investimentos industriais e criar maior comunalidade entre sistemas destinados ao mesmo usuário, com reflexos também sobre manutenção, estoque de peças e suporte técnico.

Para o Exército, a existência de uma estrutura produtiva nacional capaz de atender aos dois sistemas amplia as alternativas de sustentação local. Em programas de longa duração, a capacidade de fabricar componentes, atualizar processos e manter fornecedores ativos é um elemento relevante para preservar a disponibilidade dos equipamentos depois da entrega inicial.

“Ao reunir tecnologias, processos, componentes e uma cadeia de fornecimento cada vez mais integrada, conseguimos construir uma operação mais eficiente e sustentável ao longo do ciclo de vida dos produtos. O resultado é uma capacidade industrial que beneficia não apenas a produção, mas também a previsibilidade logística e a disponibilidade dos sistemas para o usuário final”, conclui o diretor.


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Ministério da Defesa visita Xmobots e conhece produção de drones e novos projetos para Defesa

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Representantes do Ministério da Defesa visitaram, em 24 de setembro, a sede da Xmobots, em São Carlos (SP), para conhecer a estrutura industrial e tecnológica da empresa e seus projetos voltados ao setor de Defesa. A agenda incluiu as linhas de produção do Nauru 100D e da família SPAD, laboratórios, áreas de desenvolvimento de protótipos e núcleos de Pesquisa e Desenvolvimento.

Participaram da visita o Secretário de Produtos de Defesa, Tenente-Brigadeiro do Ar Heraldo Luiz Rodrigues, e o Diretor do Departamento de Promoção Comercial da SEPROD, General de Brigada Luís Cláudio Brion Cardoso. Os representantes foram recebidos pelo fundador e CEO da Xmobots, Giovani Amianti, e pelo Diretor de Defesa da empresa, Reinaldo Junior.

Além dos sistemas já desenvolvidos pela companhia, a comitiva conheceu o Xmobots Vision, um eVTOL autônomo atualmente em desenvolvimento. A plataforma representa uma nova frente tecnológica para a empresa e amplia sua atuação no desenvolvimento de sistemas aéreos autônomos.

Entre as possibilidades estudadas para o Vision está o transporte autônomo de soldados em missões de Defesa. A proposta coloca o veículo em uma categoria diferente dos sistemas remotamente pilotados atualmente empregados pelas Forças Armadas, ao explorar a autonomia para missões de transporte e mobilidade.

A visita também permitiu observar a estrutura de desenvolvimento da Xmobots, que reúne engenharia, produção, prototipagem e pesquisa sob uma mesma cadeia. Segundo a empresa, esse modelo permite desenvolver e adaptar sistemas internamente, desde a concepção até a produção.

“A visita foi uma oportunidade para apresentar, de forma concreta, a capacidade que a Xmobots construiu ao longo de duas décadas para desenvolver e produzir tecnologias de Defesa no Brasil. Pudemos mostrar nossa estrutura verticalizada, que integra engenharia, desenvolvimento e produção, além da capacidade de levar essas tecnologias da concepção à produção em escala”, afirmou Reinaldo Junior, Diretor de Defesa da Xmobots.

A aproximação com o Ministério da Defesa ocorre em um momento de expansão do emprego de sistemas não tripulados nas Forças Armadas brasileiras. A demanda envolve desde aeronaves destinadas à inteligência, vigilância e reconhecimento até plataformas capazes de apoiar operações terrestres e ampliar a consciência situacional das tropas.

A Xmobots já apresentou o Nauru 100D em diferentes configurações, incluindo capacidades ISR e UCAV, além do XSIS 222A. Durante a Operação Formosa 2026, a empresa demonstrou sistemas desenvolvidos no Brasil em um ambiente de treinamento operacional do Corpo de Fuzileiros Navais.

A evolução para plataformas autônomas de maior porte, como o Vision, abre uma nova frente para a indústria brasileira. O desafio passa a envolver não apenas a aeronave, mas também autonomia, inteligência artificial, integração de sensores, navegação e gerenciamento seguro da missão.

Fundada em 2007, a Xmobots desenvolve veículos, hardware, software e soluções de inteligência artificial aplicados a sistemas robóticos. A empresa atua nos segmentos de Agro, Geotecnologia, Meio Ambiente, Defesa, Segurança, Logística e Mobilidade.

A visita do Ministério da Defesa coloca em evidência uma questão cada vez mais relevante para a Base Industrial de Defesa: a capacidade de transformar domínio tecnológico e produção nacional em sistemas que possam evoluir de acordo com as necessidades operacionais das Forças Armadas.


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terça-feira, 29 de setembro de 2026

Submarino “Almirante Karam” conclui primeira imersão estática e avança para provas de mar

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O Submarino “Almirante Karam” concluiu sua primeira imersão estática na região de Itacuruçá, próxima ao Complexo Naval de Itaguaí, no Rio de Janeiro. O ensaio marca uma nova etapa na preparação da unidade e permitiu verificar, na água, parâmetros que até então eram baseados nos cálculos realizados durante o projeto e na fase de construção.

A atividade foi conduzida sem o emprego da propulsão. A água do mar foi admitida nos tanques de lastro até que o submarino alcançasse a condição estabelecida para o teste. Ao longo do procedimento, militares, engenheiros e técnicos acompanharam a estanqueidade do casco, o funcionamento dos sistemas de bordo e as condições de flutuação, equilíbrio e estabilidade da embarcação.

Pesos distribuídos ao longo do submarino também podem ser movimentados para avaliar as inclinações longitudinais e transversais. Os dados obtidos permitem determinar o deslocamento da unidade e estabelecer parâmetros que serão utilizados nas próximas etapas de testes.

Segundo o Comandante do “Almirante Karam”, Capitão de Corveta Leandro Amaral, a água preenche os tanques de lastro por meio da abertura dos suspiros até que a embarcação alcance a condição prevista para o ensaio. A movimentação dos pesos permite observar como a unidade reage às alterações de distribuição de massa.

A avaliação individual é necessária mesmo em submarinos construídos a partir de um mesmo projeto. Pequenas diferenças na distribuição de peso, equipamentos e configuração final podem produzir alterações no comportamento de cada unidade.

O Capitão-Tenente (Engenheiro) Amós Rodrigues, da Coordenadoria-Geral do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear (COGESN), destacou que os resultados obtidos permitem comparar as previsões de engenharia com o comportamento apresentado pelo submarino construído.

Para a tripulação, a atividade também representa um primeiro contato mais aprofundado com as características da nova unidade na água. As respostas observadas durante o ensaio passam a fornecer referências práticas para os militares que participarão das próximas fases.

Com a conclusão dessa etapa, o “Karam” avançará para uma sequência de avaliações mais complexas. Estão previstos testes de navegação na superfície e, posteriormente, a imersão dinâmica, quando o submarino será avaliado em movimento e com o emprego da propulsão.

Nessa fase, serão analisados aspectos como a resposta dos lemes, o desempenho da propulsão e o funcionamento dos sistemas de navegação, comunicação e detecção. Os testes permitirão ampliar gradualmente o envelope operacional da embarcação.

A evolução será condicionada aos resultados de cada ensaio. Eventuais ajustes poderão ser realizados antes do avanço para avaliações mais exigentes, incluindo mergulhos a maiores profundidades e, posteriormente, os testes relacionados aos sistemas de armas.



A conclusão da primeira imersão estática coloca o “Almirante Karam” em uma fase mais avançada de sua preparação. A partir de agora, os testes passam a explorar progressivamente o comportamento da unidade em condições dinâmicas, aproximando o submarino de sua futura condição de operação.



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ADTECH participa da Operação Formosa 2026 com o SARP Harpia

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A Advanced Technologies Security & Defense (ADTECH-SD), empresa brasileira integrante da Base Industrial de Defesa (BID), participou da Operação Formosa 2026, realizada na segunda quinzena de setembro, no Campo de Instrução de Formosa (CIF), em Goiás. A convite do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) da Marinha do Brasil, a empresa levou ao exercício o SARP Harpia, empregado em missões de Inteligência, Vigilância, Reconhecimento e Aquisição de Alvos (IVR/ISTAR). 

A Operação Formosa reúne meios terrestres, aéreos e anfíbios das Forças Armadas em atividades de adestramento e avaliação de capacidades no cerrado brasileiro. A edição de 2026 foi estruturada em diferentes etapas, incluindo o adestramento integrado, demonstrações operacionais e a I Exposição de Defesa Expedicionária em Formosa (EDEF), que reuniu empresas e soluções da Base Industrial de Defesa. 

Desenvolvido e fabricado no Brasil pela ADTECH-SD, o Harpia foi empregado na fase de demonstração operacional para realizar missões de IVR/ISTAR sobre a área do exercício. A aeronave transmitiu dados e imagens em tempo real, permitindo o acompanhamento das movimentações e manobras realizadas pelas tropas no Campo de Instrução de Formosa. 

O sistema possui autonomia de até 10 horas de voo contínuo, raio de ação ampliado e enlace de dados seguro com alcance de 180 quilômetros certificados pela ANAC. Essas características permitem ao Harpia permanecer por longos períodos sobre a área de interesse e transmitir informações para os elementos responsáveis pelo acompanhamento das operações. 

O Harpia foi concebido para atuar como uma plataforma de inteligência aérea, combinando alta autonomia de voo, sensores e transmissão segura de dados para ampliar a capacidade de monitoramento de áreas de interesse. Sua arquitetura permite integrar diferentes cargas úteis e adaptar o sistema a distintos perfis de missão, incluindo vigilância de áreas extensas, reconhecimento e apoio à aquisição de alvos. 

A ADTECH-SD também integrou a I Exposição de Defesa Expedicionária em Formosa, realizada entre 21 e 24 de setembro. No evento, o Harpia foi apresentado a autoridades civis e militares, oficiais-generais, representantes das Forças Armadas e delegações estrangeiras, ampliando o contato da empresa com potenciais usuários e parceiros no setor de defesa. 

Entre as autoridades que visitaram a exposição estiveram a Secretária-Geral do Ministério da Defesa, Cinara Wagner Fredo; o Chefe de Operações Conjuntas do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), Almirante de Esquadra Paulo César Bittencourt Ferreira; o Chefe de Assuntos Estratégicos do EMCFA, General de Exército Alcio Alves Almeida e Costa; e o Comandante da Marinha do Brasil, Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen. Também estiveram presentes o Chefe de Logística e Mobilização do EMCFA, Tenente-Brigadeiro do Ar Mário Sérgio Rodrigues da Costa, além de outras autoridades das Forças Armadas e representantes estrangeiros. 

A presença da ADTECH-SD na Operação Formosa inseriu o Harpia no cenário de emprego operacional e permitiu à empresa acompanhar, diretamente com os usuários, demandas relacionadas ao emprego de sistemas remotamente pilotados em suas operações. Para a indústria nacional, esse contato contribui para transformar a experiência obtida nos exercícios em informações para o aperfeiçoamento de produtos e tecnologias. 

A participação também reforça a aproximação entre as Forças Armadas e a Base Industrial de Defesa, criando oportunidades para que soluções desenvolvidas no Brasil sejam demonstradas, avaliadas e aperfeiçoadas a partir de requisitos observados em atividades de grande porte. No caso do Harpia, a Operação Formosa permitiu evidenciar sua aplicação em missões de IVR/ISTAR e sua capacidade de fornecer informações em tempo real para apoiar a consciência situacional. 

A edição de 2026 mobilizou cerca de 2.900 militares brasileiros, 198 viaturas, 33 viaturas blindadas, oito aeronaves e 18 drones, além de tropas dos Estados Unidos, França e Paraguai e observadores militares de outros países. A I Exposição de Defesa Expedicionária em Formosa reuniu 22 estandes de empresas da Base Industrial de Defesa, consolidando um espaço de interação entre as Forças Armadas, a indústria e representantes estrangeiros. 

Sobre a ADTECH-SD 

A Advanced Technologies Security & Defense (ADTECH-SD) é uma empresa brasileira, reconhecida pelo Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa (EED), especializada no desenvolvimento de soluções tecnológicas de alta performance para segurança pública, defesa territorial e monitoramento estratégico. 

Com sede em São José dos Campos (SP), a empresa reúne profissionais com décadas de experiência no setor aeronáutico e atua no desenvolvimento e operação de sistemas avançados de aeronaves não tripuladas, além de soluções integradas de vigilância e inteligência. Seus sistemas são concebidos com foco em alta autonomia, modularidade e adaptabilidade, atendendo às demandas de missões críticas em ambientes complexos e de elevada exigência operacional.


Fonte: ADTECH-SD via GBN Solutions 

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Marinha realiza 2ª edição da ARAMUSS com demonstrações de sistemas não tripulados em Salvador

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A Marinha do Brasil realizará, de 9 a 13 de novembro, na Base Naval de Aratu, em Salvador (BA), a segunda edição da ARAMUSS (Aratu Maritime Unmanned Systems Simulation). O evento será dedicado à demonstração, experimentação e discussão de sistemas não tripulados aplicados ao ambiente marítimo.

Nos dias 9 e 10, o Simpósio sobre Sistemas Não Tripulados reunirá representantes do governo, indústria, academia e usuários operacionais. A programação também contará com o ARAMUSS Talks, com especialistas em robótica, inteligência artificial e sistemas autônomos.

Entre 11 e 13 de novembro, estão previstas demonstrações operacionais em condições reais e exposição de tecnologias. A programação abordará sistemas autônomos e soluções de emprego dual para áreas como Defesa, pesquisa científica, monitoramento ambiental, segurança marítima e economia do mar.

A edição de 2026 terá participação ampliada de empresas e instituições de pesquisa, incluindo AEL/Elbit, Atech, Kongsberg Naval, Leonardo, Safran, Sonardyne e Xmobots, além de USP, UFBA, UFRJ, UnB e SENAI CIMATEC.

A diversidade dos participantes permitirá apresentar diferentes soluções tecnológicas relacionadas à autonomia, robótica e sistemas não tripulados, aproximando fabricantes, pesquisadores e usuários das demandas do ambiente marítimo.

A primeira edição da ARAMUSS, realizada em 2025, recebeu mais de 2 mil visitantes. A nova edição amplia a participação do setor tecnológico e reforça a iniciativa como espaço de experimentação e discussão sobre o emprego de sistemas não tripulados no ambiente marítimo brasileiro.



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SIATT demonstra capacidade expedicionária do MAX 1.2 AC com lançamentos bem-sucedidos na Operação Formosa 2026

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A SIATT demonstrou durante a Operação Formosa 2026 a capacidade de emprego do sistema de mísseis anticarro MAX 1.2 AC em cenário operacional marcado pela mobilidade e pela necessidade de rápida preparação dos meios. Realizada em Formosa (GO), entre os dias 22 e 24 de setembro, a atividade incluiu três lançamentos reais do míssil, todos bem-sucedidos.

A demonstração também permitiu observar uma característica relevante do sistema: sua capacidade de ser transportado e rapidamente colocado em condições de emprego. Registrado em vídeo, o exercício mostra o transporte do equipamento por aeronave, o desembarque, o posicionamento e a preparação para o tiro por uma equipe reduzida, a partir de uma posição abrigada.

A sequência evidencia uma solução concebida para acompanhar forças que necessitam deslocar sistemas anticarro entre diferentes pontos de operação sem depender de uma infraestrutura complexa. A redução do tempo entre o desembarque e a preparação para o lançamento é particularmente relevante em operações aeromóveis, expedicionárias e de pronta resposta.

O MAX 1.2 AC já integra o processo de modernização das capacidades anticarro do Exército Brasileiro. Em 3 de setembro, a SIATT realizou a entrega do segundo lote de mísseis ao Comando Logístico do Exército (COLOG), em Formosa, dentro de um contrato que contempla também unidades de tiro, simuladores e adaptações destinadas à integração do sistema em viaturas leves.

Para Raphael Lages, gerente do Projeto MAX na SIATT, os resultados obtidos durante os lançamentos reforçam tanto o desempenho do sistema quanto sua facilidade de operação.

“Os resultados dos disparos confirmam o desempenho do sistema e sua facilidade de operação, características que contribuem para a confiança dos militares que o empregam e para a agilidade no preparo e na execução das ações”, avaliou.

Segundo o executivo, a atividade também demonstrou a possibilidade de transporte e posicionamento do equipamento por uma equipe reduzida, permitindo sua preparação para o tiro em curto intervalo após o desembarque.

A demonstração ganha importância adicional pelo processo de integração do MAX 1.2 AC ao conceito expedicionário empregado pelo Corpo de Fuzileiros Navais. Durante a Operação Formosa, a SIATT participou da I Exposição de Defesa Expedicionária em Formosa (EDEF), apresentando diferentes soluções desenvolvidas para o mercado de defesa brasileiro.

Entre os sistemas expostos estavam os mísseis MANSUP e MANSUP-ER, o simulador operacional do MAX 1.2 AC e uma viatura do SMACE (Sistema de Mísseis Anticarro Expedicionário) plataforma destinada à integração do sistema anticarro.

A combinação entre o MAX 1.2 AC e uma plataforma móvel como o SMACE amplia as possibilidades de emprego do míssil, permitindo transportar a capacidade anticarro junto às unidades e reduzir a dependência de posições fixas para sua utilização. A configuração também se insere em um conceito no qual mobilidade, dispersão e rapidez de reposicionamento são elementos importantes para a sobrevivência dos meios no campo de batalha.

A presença do sistema em Formosa permitiu ainda observar sua inserção em um ambiente de treinamento que reúne diferentes capacidades das Forças Armadas e contingentes estrangeiros. A Operação Formosa, coordenada pelo Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil, é voltada ao adestramento em operações de caráter expedicionário e reúne militares brasileiros e de países parceiros.

Mais do que uma demonstração estática, os lançamentos realizados pela SIATT colocaram o MAX 1.2 AC em uma sequência que envolve transporte, desembarque, preparação e emprego real. Para uma arma anticarro destinada a acompanhar forças móveis, essa cadeia operacional é tão relevante quanto o próprio desempenho do míssil no momento do impacto.

A atividade também reforça a evolução de uma capacidade anticarro nacional baseada em diferentes formas de emprego. O MAX 1.2 AC pode ser utilizado por equipes desmontadas e integrado a plataformas móveis, enquanto a estrutura de treinamento e simulação associada ao sistema permite ampliar a preparação dos operadores antes do emprego real.

Com o Exército Brasileiro já incorporando lotes do sistema e a integração ao SMACE avançando no contexto expedicionário, o MAX 1.2 AC passa a ocupar um espaço mais definido na arquitetura brasileira de defesa anticarro. A demonstração em Formosa acrescenta a esse processo uma evidência prática sobre a mobilidade do conjunto e sua capacidade de transição rápida entre transporte e emprego.


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Centauro II: uma oportunidade de integração entre Exército e CFN na substituição dos SK-105

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A presença do Centauro II na I Exposição de Defesa Expedicionária em Formosa (EDEF), realizada durante a "Operação Formosa 2026", colocou uma plataforma já selecionada pelo Exército Brasileiro diante de uma necessidade ainda em definição no Corpo de Fuzileiros Navais (CFN): a substituição dos carros de combate SK-105A2S Kürassier.

O Centauro II figura entre as alternativas consideradas pelo CFN, mas não há decisão ainda sobre a adoção de um modelo em específico. A relevância de sua presença em Formosa está no fato de que o Exército já percorreu etapas que a Marinha teria de iniciar caso optasse por uma plataforma completamente nova. A Força Terrestre selecionou o veículo para seu programa de Viatura Blindada de Combate de Cavalaria Média Sobre Rodas (VBC Cav-MSR), contratou o primeiro lote de sete exemplares e estabeleceu um programa de aquisição para 98 veículos.

Essa condição cria uma possibilidade particularmente interessante para o planejamento de defesa brasileiro. Caso o Centauro II seja considerado adequado aos requisitos do CFN, a Marinha poderia ingressar em uma estrutura de suporte que já estará sendo construída para o Exército, compartilhando, onde houver compatibilidade, treinamento, ferramental, manutenção, documentação técnica, peças e conhecimento especializado.

O benefício não estaria apenas na aquisição. O Exército será o principal demandante inicial da plataforma no Brasil, criando uma base de consumo capaz de sustentar fornecedores e serviços durante o ciclo de vida do veículo. Uma eventual contratação pelo CFN acrescentaria demanda a essa estrutura, aumentando a previsibilidade para a indústria e reduzindo a necessidade de estabelecer uma infraestrutura exclusiva para uma frota relativamente pequena.

O Brasil já possui um precedente para esse tipo de aproximação. O Corpo de Fuzileiros Navais empregou o EE-9 Cascavel, o mesmo blindado utilizado pelo Exército Brasileiro. Seis unidades foram incorporadas pela Marinha em 1980 e empregadas no adestramento do conjugado carro-infantaria. O Cascavel permaneceu no inventário do CFN até serem substituídos pelos SK-105A2S, a partir de 2001.

A experiência do Cascavel demonstra que a utilização de uma mesma plataforma pelas duas Forças não seria uma novidade. A diferença está no contexto industrial. O Cascavel era um produto brasileiro da Engesa, cuja cadeia produtiva acabou desaparecendo. O Centauro II surge no momento em que o Brasil procura justamente consolidar uma capacidade industrial de longo prazo no setor de viaturas blindadas.

O programa brasileiro prevê participação crescente da indústria nacional. Caso sejam contratados os lotes previstos até o 14º, a partir do quinto lote está prevista a montagem de Centauro II na unidade da IDV em Sete Lagoas, Minas Gerais, podendo chegar a 70 veículos produzidos no país. A fábrica já concentra a produção do Guarani, o Guaicurus e outras atividades relacionadas a veículos militares.

Para o CFN, essa perspectiva é relevante porque uma eventual escolha do Centauro II não exigiria a criação de uma nova base industrial brasileira exclusivamente para atender aos Fuzileiros. A demanda do Exército funcionaria como elemento estruturante, enquanto uma participação da Marinha poderia ampliar o mercado para fornecedores, manutenção e serviços associados à plataforma.

Há também uma vantagem relacionada à própria transição tecnológica. O Exército já está acumulando experiência operacional com o Centauro II, formando pessoal e desenvolvendo procedimentos para sua manutenção e emprego. Caso o CFN opte pelo mesmo sistema, parte desse conhecimento poderá ser aproveitada, ainda que a Marinha tenha de desenvolver procedimentos específicos para suas necessidades anfíbias e expedicionárias.

Esse último ponto é fundamental. A eventual adoção do Centauro II não pode ser justificada apenas pelo fato de o veículo já estar em serviço no Exército. O CFN precisa verificar se uma plataforma 8×8 atende às exigências de suas operações, incluindo mobilidade, proteção, transporte, integração aos Grupamentos Operativos de Fuzileiros Navais e emprego associado às operações anfíbias.

A própria presença do Centauro II em Formosa ganha importância nesse contexto. A plataforma foi apresentada em um exercício diretamente relacionado ao preparo operacional do CFN, ao lado de outros meios blindados empregados pelas Forças Armadas. A EDEF permitiu colocar a industria em contato com um ambiente operacional real, no qual diferentes sistemas precisam funcionar dentro de uma mesma arquitetura de emprego.

A escolha do sucessor dos SK-105 também ocorre em um momento de revisão dos requisitos. A consulta de mercado realizada pelo CFN em 2025 contemplava uma viatura de combate sobre lagartas, com requisitos específicos de proteção, armamento e sistemas de direção de tiro. A possibilidade de uma solução sobre rodas amplia o leque de alternativas, mas também exige uma avaliação rigorosa sobre a adequação do conceito às missões dos Fuzileiros.

O Centauro II apresenta, nesse cenário, uma característica que merece atenção: não é apenas uma plataforma disponível no mercado, mas um sistema que já possui usuário nacional, contrato em execução, estrutura industrial em desenvolvimento e perspectiva de produção no Brasil. Isso reduz riscos associados à criação de uma capacidade completamente nova e oferece ao país maior margem para desenvolver conhecimento próprio ao longo do ciclo de vida.

A questão central, portanto, não é simplesmente saber se o Centauro II pode substituir o SK-105. É avaliar se seus atributos atendem às necessidades do CFN e, em caso positivo, se a adoção de uma plataforma já selecionada pelo Exército permitiria ao Brasil aproveitar melhor os recursos empregados na renovação de suas forças blindadas.

O precedente do Cascavel mostra que Marinha e Exército já compartilharam uma mesma família de blindados. Quatro décadas depois, o Centauro II oferece uma possibilidade diferente: construir essa aproximação dentro de um programa que já prevê participação industrial brasileira e uma demanda significativa do Exército.

Se os requisitos operacionais forem compatíveis, a adoção pelo CFN poderia transformar uma aquisição isolada em parte de uma arquitetura mais ampla de defesa, na qual treinamento, manutenção, fornecedores e conhecimento técnico possam ser aproveitados por mais de uma Força. Para a Base Industrial de Defesa, isso significa maior previsibilidade; para as Forças Armadas, uma estrutura de suporte potencialmente mais racional; e para o Brasil, uma oportunidade de ampliar o conteúdo nacional de um programa que já está em andamento.


Por Angelo Nicolaci


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Suécia inicia formação da primeira turma de pilotos para o C-390 Millennium

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A Força Aérea Sueca avançou para uma nova etapa na introdução do C-390 Millennium, da Embraer, com o início da formação da primeira turma de pilotos destinada à nova aeronave. A chamada Class 0 reúne quatro pilotos da 73ª Esquadrilha de Transporte, subordinada à Skaraborgs flygflottilj (F 7), em Såtenäs, unidade que concentra a capacidade sueca de transporte aéreo tático.

A Suécia adquiriu quatro C-390 em uma iniciativa conjunta com Holanda e Áustria, com as entregas previstas para os próximos anos. No processo de preparação da F 7, os quatro integrantes da primeira turma já concluíram a etapa de Computer Based Training (CBT) e avançaram para as fases seguintes da conversão operacional, que incluem instrução em solo e treinamento em simulador.

A formação conta com a participação direta da Embraer. O piloto Marcos de Carvalho Ferreira, Ground School Instructor da fabricante brasileira, está em Såtenäs conduzindo a instrução da Class 0. Com experiência no treinamento de pilotos em diferentes países, Ferreira destacou a experiência acumulada pelos aviadores suecos e o nível técnico demonstrado durante a formação.

Segundo o instrutor brasileiro, a transição para o C-390 exige uma mudança significativa na forma de compreender e operar a aeronave. Ao contrário dos sistemas predominantemente analógicos presentes em plataformas mais antigas, o Millennium emprega uma arquitetura digital baseada em sinais, algoritmos e lógica computacional, proporcionando também uma representação situacional diferente para a tripulação.

Essa diferença é particularmente relevante para pilotos com longa experiência no C-130 Hercules, aeronave que será substituída progressivamente pelo C-390. Os pilotos suecos Per e Arvid compararam a transição entre as duas plataformas à passagem de um Volvo Amazon para um Tesla, destacando que não se trata apenas de uma evolução geracional, mas de uma mudança na própria filosofia de operação.

No C-390, parte das correções que anteriormente dependiam diretamente da atuação do piloto passa a ser administrada pelos sistemas de controle de voo. Isso exige dos aviadores confiança na lógica de programação e, ao mesmo tempo, capacidade de intervir manualmente em situações anormais ou de emergência. A experiência acumulada continua sendo considerada fundamental, mas o trabalho cotidiano passa a incorporar de maneira muito mais intensa o gerenciamento dos sistemas da aeronave.

A experiência dos pilotos suecos também deverá reduzir o tempo necessário para a adaptação ao novo avião. De acordo com Marcos de Carvalho Ferreira, os integrantes da Class 0 possuem uma base operacional suficientemente sólida para avançar rapidamente após o treinamento em simulador. A estimativa apresentada pelo instrutor é que os pilotos mais experientes possam adquirir a necessária familiaridade com a aeronave após aproximadamente 50 a 100 horas de voo real, período em que terão contato com condições meteorológicas e situações que não podem ser reproduzidas integralmente em simuladores.

Entre os recursos destacados durante a formação está o sistema de lançamento de cargas. O C-390 pode realizar o lançamento aéreo de um veículo de até 26 toneladas e calcular o ponto previsto de impacto com precisão de aproximadamente cinco metros, evidenciando o nível de integração entre os sistemas de missão, navegação e gerenciamento de carga da aeronave.

A nova aeronave também modifica a composição da tripulação. O C-390 poderá ser operado normalmente por dois pilotos e dois mestres de carga, com a possibilidade de um integrante adicional dependendo da missão. Na prática, isso representa uma redução em relação à tripulação de seis integrantes empregada atualmente nos C-130 suecos, mantendo capacidades adicionais de sensores, comunicações e integração com outras forças.

A conectividade é apontada pelos próprios pilotos como uma das mudanças mais relevantes. O C-390 permitirá à aviação de transporte operar integrada às mesmas redes utilizadas por aeronaves de combate e manter comunicações com forças terrestres, ampliando sua participação no ambiente operacional conectado. A aeronave também foi concebida para missões táticas, incluindo operações em condições de baixa luminosidade e ambientes mais exigentes.

Durante o período de transição, a F 7 continuará empregando simultaneamente os C-130 Hercules e os novos C-390. A operação paralela permitirá preservar a capacidade de transporte existente enquanto os novos aviadores e equipes de apoio completam sua qualificação e a unidade amplia gradualmente sua capacidade operacional com a nova plataforma.

Além da formação dos pilotos, a mudança envolve toda a estrutura de operação e manutenção. A arquitetura eletrônica do C-390 simplifica determinados processos de manutenção e contribui para a redução dos custos operacionais projetados pela Força Aérea Sueca. A aeronave também possui capacidade para operar em pistas não preparadas e, segundo a própria F 7, pode utilizar uma rodovia como pista de pouso desde que sua largura seja compatível com a envergadura da aeronave.

A introdução do C-390 representa, portanto, uma mudança que vai além da substituição do Hercules por uma aeronave mais moderna. Para a Suécia, o processo envolve a incorporação de uma nova arquitetura digital, redução da carga de trabalho da tripulação, maior integração de sensores e comunicações e ampliação das possibilidades de emprego tático. A formação da Class 0 marca o início dessa transição no nível operacional, enquanto F 7 prepara a coexistência das duas plataformas até que o C-390 assuma progressivamente o papel central no transporte aéreo tático sueco.


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Embraer reúne fornecedores estratégicos nos EUA para discutir digitalização e eficiência da cadeia aeroespacial

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A Embraer reuniu executivos da empresa e representantes de seus principais fornecedores durante a edição 2026 do Conselho Consultivo de Fornecedores da Embraer (ESAC), realizada na sede da Garmin, em Olathe, no estado do Kansas, nos Estados Unidos. O encontro teve como foco projetos colaborativos voltados à digitalização, automação, inteligência artificial e eficiência operacional da cadeia de suprimentos aeroespacial.

Durante o evento, os integrantes do conselho apresentaram iniciativas desenvolvidas ao longo do último ano em áreas como automação de processos, gestão de inventário, aplicação de inteligência artificial, integração de sistemas e aceleração de processos produtivos. Segundo a Embraer, os projetos buscam ampliar produtividade, qualidade, resiliência e competitividade ao longo da cadeia de fornecimento.

A iniciativa ocorre em um momento de expansão da demanda global por aeronaves e de crescente pressão sobre as cadeias industriais do setor aeroespacial. Nesse contexto, a integração entre fabricante e fornecedores passa a envolver não apenas capacidade produtiva, mas também disponibilidade de dados, automação, planejamento de estoques e redução dos tempos de produção.

“O ESAC continua sendo uma importante forma de contribuição entre a Embraer e nossos parceiros estratégicos. O sucesso dos projetos apresentados demonstra como o compartilhamento de conhecimento e o desenvolvimento conjunto de soluções podem gerar benefícios concretos para toda a cadeia de suprimentos e fortalecer nossa capacidade de atender à crescente demanda do mercado global”, afirmou Roberto Chaves, Vice-Presidente Executivo de Compras Globais e Suprimentos da Embraer.

A realização do encontro na Garmin também evidencia a amplitude da rede industrial envolvida nos programas da Embraer. Carl Wolf, Vice-Presidente de Vendas, Marketing, Programas e Suporte de Aviação da Garmin, destacou a importância da aproximação entre os diferentes integrantes da cadeia aeroespacial.

“Temos orgulho de sediar o ESAC 2026 e receber alguns dos principais líderes da cadeia de suprimentos aeroespacial global. Eventos como este fortalecem relacionamentos estratégicos, incentivam a inovação e criam oportunidades para desenvolver soluções que beneficiam toda a indústria”, afirmou Wolf.

O ESAC foi criado para promover o intercâmbio de melhores práticas e o desenvolvimento de iniciativas conjuntas entre a Embraer e seus principais fornecedores. A estrutura permite que problemas relacionados à produção, logística e gestão da cadeia sejam tratados de maneira integrada, com participação direta das empresas responsáveis por diferentes etapas do fornecimento.

Participaram da edição de 2026 a italiana ASE, a alemã Diehl Aviation, a austríaca FACC, a holandesa Fokker Services, a brasileira Globo Usinagem, a norte-americana Hexcel, a também norte-americana Moog, a Pratt & Whitney, dos Estados Unidos, e a alemã SAP.

A presença de empresas de diferentes segmentos e países evidencia a dimensão internacional da cadeia de suprimentos da Embraer. Entre os participantes estão fabricantes de componentes aeronáuticos, sistemas, materiais, motores, serviços e soluções digitais, formando uma rede que sustenta diferentes programas da companhia.

Mais do que uma agenda de relacionamento com fornecedores, o ESAC 2026 expôs uma frente de transformação da cadeia industrial da Embraer, na qual ferramentas digitais, automação e inteligência artificial passam a ser utilizadas para aumentar a previsibilidade dos processos e responder com maior velocidade às necessidades de produção. O resultado esperado é uma cadeia mais integrada e resiliente, capaz de acompanhar o crescimento da fabricante no mercado global.


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Marinha investe R$ 38 milhões em munição programável para os canhões das Fragatas Classe Tamandaré

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A Marinha do Brasil autorizou a aquisição de um lote de 1.000 munições 76/62 HE MOM-A1 destinadas aos canhões Leonardo 76/62 Super Rapid instalados nas Fragatas Classe Tamandaré (FCT). A contratação, conduzida pela Diretoria de Sistemas de Armas da Marinha (DSAM), possui valor estimado de R$ 38,082 milhões e foi formalizada por inexigibilidade, no âmbito do processo nº 63435.002349/2026-33. O aviso da contratação foi publicado no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) em 24 de agosto de 2026.

O contrato estabelece a aquisição de 1.000 unidades da munição CARTRIDGE 76/62 HE (MOM-A1) para os canhões 76/62 Super Rapid Gun das FCT, resultando em um valor de referência de aproximadamente R$ 38.082 por cartucho. A modalidade escolhida foi a inexigibilidade prevista no artigo 74, caput, da Lei nº 14.133/2021, mecanismo utilizado quando a competição é considerada inviável.

A aquisição está diretamente relacionada ao armamento principal de tubo de médio calibre das novas fragatas brasileiras. A Classe Tamandaré emprega o sistema Leonardo 76/62 mm, enquanto os demais sistemas de armas incluem o Sea Ceptor, o MANSUP/Exocet, o Rheinmetall SeaSnake de 30 mm e sistemas de guerra antissubmarino e despistamento. Documentação técnica da Marinha identifica o Leonardo 76/62 como parte do conjunto de armamentos das FCT.

Um canhão com elevada cadência de tiro

O 76/62 Super Rapid foi concebido para oferecer uma combinação de elevada cadência de tiro, alcance e flexibilidade de emprego. Publicação da própria Marinha aponta capacidade de até 120 disparos por minuto e alcance de até 16 quilômetros para o sistema instalado nas FCT, com valores de emprego que variam conforme o tipo de alvo e a munição utilizada.

Essa característica torna a escolha da munição particularmente relevante. A efetividade de um canhão naval não depende apenas da capacidade mecânica da torre, mas também da disponibilidade de diferentes tipos de munição e da possibilidade de selecionar o efeito desejado de acordo com o cenário operacional.

É nesse ponto que a MOM-A1 amplia as possibilidades do 76/62. Segundo documentação técnica da Leonardo, trata-se de uma munição naval 76/62 HE equipada com ogiva de fragmentação pré-formada e espoleta multifunção programável 4AP, capaz de operar em diferentes modos de detonação.

Espoleta programável amplia as opções de emprego

A 4AP Multi-Function Programmable Fuze permite configurar a munição para diferentes efeitos durante o engajamento. Entre os modos indicados pela Leonardo estão proximidade, explosão em altura (Height of Burst), impacto e retardo, além do modo de tempo. A programação permite adaptar o comportamento da munição ao tipo de alvo e ao perfil da missão.

Na prática, essa capacidade altera significativamente a flexibilidade proporcionada pelo canhão. Em vez de depender exclusivamente de uma detonação convencional no impacto, o sistema de armas pode empregar diferentes parâmetros de funcionamento da espoleta, permitindo que a explosão ocorra nas proximidades ou em uma posição determinada em relação ao alvo.

A característica é particularmente relevante no combate contra alvos aéreos. A Leonardo apresenta a MOM-A1 como uma munição destinada à guerra antiaérea e a outros empregos navais e destaca especificamente a necessidade de enfrentar alvos aéreos de alta velocidade, ameaças de baixa assinatura e sistemas aéreos não tripulados.

No caso dos drones, a lógica é diferente daquela empregada contra um alvo de superfície convencional. A possibilidade de detonação por proximidade ou em altura permite gerar uma nuvem de fragmentos nas proximidades do alvo, reduzindo a dependência de um impacto direto. Essa característica não transforma o 76/62 em um sistema dedicado de defesa antidrone, mas amplia sua capacidade de engajamento dentro de uma arquitetura de defesa em camadas.

Fragmentação pré-formada

Outro elemento importante é a ogiva de fragmentação pré-formada. A documentação da Leonardo descreve a MOM-A1 como equipada com uma PFF (Pre-Formed Fragmentation) warhead, concebida para aumentar a eficácia da munição contra alvos aéreos e de superfície.

A combinação entre fragmentação pré-formada e uma espoleta programável permite concentrar o efeito destrutivo no espaço ocupado pelo alvo, em vez de depender exclusivamente da energia transferida por um impacto pontual.

Essa característica ganha importância em um ambiente naval no qual ameaças aéreas podem apresentar dimensões reduzidas, baixa assinatura radar ou elevada velocidade. A própria Leonardo enquadra a MOM-A1 entre as soluções voltadas aos desafios impostos por mísseis, drones e ameaças assimétricas de superfície.

Compatibilidade com a família 76/62

Outro aspecto relevante para a Marinha brasileira é a compatibilidade da MOM-A1 com os sistemas existentes da família 76/62. A Leonardo informa que a munição é compatível com os sistemas OTO Melara 76/62 empregados por diferentes forças navais, utilizando tabelas balísticas já incorporadas aos sistemas, o que reduz a necessidade de modificações estruturais ou profundas no sistema de combate.

Essa característica é especialmente importante no caso das Fragatas Classe Tamandaré, que já incorporam o 76/62 Super Rapid como parte de sua arquitetura de armamentos. A aquisição de uma munição desenvolvida para essa família de canhões permite explorar as capacidades do sistema sem alterar a função básica da torre ou substituí-la por uma solução de maior calibre.

Documentação técnica e estudos publicados pela Marinha classificam o 76/62 como um armamento capaz de desempenhar funções de defesa antiaérea, defesa antissuperfície, defesa contra mísseis e apoio de fogo naval. A versão Super Rapid instalada nas FCT possui cadência de até 120 disparos por minuto.

O contexto das Fragatas Classe Tamandaré

A aquisição da MOM-A1 ocorre enquanto a Marinha estrutura a capacidade operacional das quatro Fragatas Classe Tamandaré. O programa introduz uma nova geração de sensores, sistemas de gerenciamento de combate, defesa antiaérea e armamentos na Esquadra, com o Leonardo 76/62 integrado a essa arquitetura.

O conjunto inclui o radar de busca volumétrica, radar de direção de tiro, sistema de gerenciamento de combate Atlas-ANCS, Sea Ceptor para defesa antiaérea, MANSUP/Exocet para guerra antissuperfície, SeaSnake de 30 mm e sistemas de guerra antissubmarino.

Nesse arranjo, o 76/62 ocupa uma posição intermediária entre os sistemas de maior alcance e os armamentos de defesa aproximada. Sua importância não está apenas na capacidade de disparar contra diferentes categorias de alvos, mas na possibilidade de utilizar diferentes munições para produzir efeitos distintos dentro da arquitetura de combate do navio.

A própria documentação da Marinha destaca que as FCT foram concebidas como escoltas versáteis, capazes de enfrentar múltiplas ameaças. O programa também incorpora mecanismos de gestão do ciclo de vida e apoio logístico integrado, incluindo documentação técnica, transferência de conhecimento e procedimentos para manutenção e atualização dos sistemas.

R$ 38 milhões para constituir capacidade operacional

O valor de R$ 38,082 milhões representa uma contratação expressiva para um único tipo de munição. O lote de 1.000 cartuchos indica, contudo, que a Marinha está tratando a munição como parte integrante da estrutura de prontidão das novas fragatas, e não simplesmente como um item acessório do armamento.

A documentação pública disponível identifica a aquisição como específica para os canhões 76/62 Super Rapid das FCT. O valor publicado é estimado, portanto, deve ser tratado como referência da contratação e não necessariamente como o desembolso final até a conclusão de todas as etapas contratuais.

A escolha da MOM-A1 também evidencia uma tendência importante na artilharia naval contemporânea: a evolução da capacidade não ocorre necessariamente pelo aumento do calibre, mas pela combinação entre sensores, direção de tiro, programação da munição e diferentes efeitos terminais.

No caso brasileiro, essa combinação ganha importância diante da necessidade de proteger escoltas contra ameaças convencionais e assimétricas, incluindo aeronaves, mísseis, embarcações de menor porte e sistemas aéreos não tripulados. A munição programável permite que o mesmo canhão seja empregado em diferentes cenários, desde que integrado aos sensores e ao sistema de controle de tiro adequado.

Um novo componente da capacidade de combate das FCT

A aquisição da MOM-A1 deve ser entendida, portanto, como parte da transição das Fragatas Classe Tamandaré da condição de plataformas em construção para meios dotados de capacidade operacional efetiva. O canhão 76/62 Super Rapid já representa uma solução de elevada cadência e versatilidade; a incorporação de munição programável amplia o número de opções disponíveis ao sistema de combate.

Há ainda um aspecto relevante de logística. A documentação italiana registra a MOM-A1 como munição de uso militar e confirma sua classificação específica para o cartucho 76/62 HE MOM A1. Registros oficiais italianos também documentam a configuração da munição com a espoleta 4AP.

Para a Marinha do Brasil, o ponto central está na integração entre o armamento, a munição e o sistema de combate das FCT. O 76/62 deixa de ser analisado apenas como uma torre de artilharia e passa a funcionar como um elemento conectado à arquitetura de sensores e direção de tiro do navio, capaz de receber diferentes parâmetros de engajamento e selecionar o efeito adequado de acordo com a ameaça.

Com 1.000 unidades previstas nesta primeira aquisição e investimento estimado em R$ 38,082 milhões, a Marinha dá um passo concreto na constituição do estoque inicial de munição para os 76/62 das Fragatas Classe Tamandaré. Mais do que abastecer um novo armamento, a medida representa a incorporação de uma munição que explora uma das principais evoluções da artilharia naval moderna: transformar programação, sensores e precisão de emprego em capacidade de combate, mantendo a elevada cadência de fogo de um sistema de 76 mm.


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