segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Da experiência do ITA ao próximo salto da Defesa: o Brasil precisa integrar sua capacidade de P&D

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O Brasil já demonstrou que é capaz de transformar conhecimento científico, engenharia, demanda estatal e planejamento de longo prazo em capacidade industrial com alcance global. A trajetória que levou à criação da Embraer permanece como uma das evidências mais concretas de que o domínio tecnológico não depende apenas da existência de bons pesquisadores ou de uma indústria capaz de fabricar equipamentos. Ele exige que o Estado organize competências, estabeleça prioridades, sustente projetos ao longo do tempo e conecte formação, pesquisa, desenvolvimento, ensaios, emprego operacional e produção.

Essa construção começou antes mesmo da criação formal do ITA. Em novembro de 1945, o então Ministério da Aeronáutica estruturou, com a participação do professor Richard H. Smith, do MIT, o chamado Plano Smith, que previa um centro técnico reunindo formação superior e pesquisa aplicada voltadas à indústria aeronáutica, à aviação militar e à aviação comercial. Em 29 de janeiro de 1946, foi criada a Comissão de Organização do Centro Técnico de Aeronáutica (COCTA), responsável por implementar o projeto em São José dos Campos. Em 16 de janeiro de 1950, o Decreto-Lei nº 27.695 criou formalmente o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), cuja primeira turma já havia iniciado sua formação durante a implantação do complexo.

Em 1954, foi criado o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento (IPD), concebido para transformar a formação e o conhecimento produzidos no ITA em pesquisa aplicada, reunindo inicialmente departamentos dedicados a aeronaves, eletrônica, materiais e motores. Em 1965, o Ministério da Aeronáutica aprovou o projeto IPD-6504, destinado ao desenvolvimento de uma aeronave de transporte regional, cuja construção do protótipo avançou a partir de 1966 sob a liderança de uma equipe formada no próprio CTA. Em 22 de outubro de 1968, o protótipo realizou seu primeiro voo, dando origem ao que seria conhecido como Bandeirante. Em 19 de agosto de 1969, o Decreto-Lei nº 770 criou a Empresa Brasileira de Aeronáutica, a Embraer, inicialmente como empresa de capital misto e controle estatal, com a missão de aperfeiçoar, certificar e produzir em série o IPD-6504. As operações industriais começaram em 2 de janeiro de 1970.

Essa sequência demonstra que a Embraer não surgiu de uma encomenda convencional de um produto disponível no mercado. O Estado formou recursos humanos, criou instituições, desenvolveu conhecimento, financiou projetos, estabeleceu uma demanda concreta e criou as condições para que aquele conhecimento chegasse à industrialização. Em pouco mais de duas décadas, foi construída uma cadeia capaz de conectar formação de engenheiros, pesquisa, desenvolvimento, ensaios, demanda estatal, transferência de tecnologia e produção.

O aspecto mais relevante dessa experiência, portanto, não é apenas a criação da Embraer, mas a arquitetura que a tornou possível. O resultado industrial foi consequência de uma estrutura concebida para aproximar formação, pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico e demanda do Estado. Essa experiência oferece uma questão particularmente relevante para a Defesa brasileira contemporânea: o país possui hoje um conjunto de competências científicas, tecnológicas e industriais muito maior do que aquele existente quando o CTA e o ITA foram concebidos, mas possui uma arquitetura de governança capaz de conectar esse patrimônio com a mesma eficiência estratégica?

Exército, Marinha e Força Aérea construíram, ao longo de décadas, estruturas próprias de ciência, tecnologia, engenharia, ensaios e inovação. O IME, o CTEx e a AGITEC; o IPqM, o CASNAV e o CTMSP; o ITA, o IAE, o IEAv, o IFI e outras organizações representam um patrimônio científico e tecnológico que não deveria ser tratado como estruturas concorrentes, mas como componentes de uma capacidade nacional mais ampla.

O problema, portanto, não está na ausência de conhecimento ou de instituições. Também não parece estar na criação de mais uma camada burocrática. A questão é de governança: como fazer com que competências hoje distribuídas entre diferentes estruturas sejam empregadas conjuntamente quando determinado desafio tecnológico ultrapassa o domínio específico de uma única Força?

É nesse ponto que considero necessário avançar no debate. O Brasil não precisa substituir as estruturas de pesquisa das Forças Armadas por uma nova organização, nem retirar do Exército, da Marinha e da Força Aérea a autonomia sobre suas competências específicas. O que precisa ser discutido é uma estrutura de governança capaz de integrar aquilo que hoje permanece distribuído entre diferentes organizações.

Nesse sentido, proponho a criação de um Centro Integrado de Pesquisa e Desenvolvimento de Defesa, subordinado diretamente ao Ministério da Defesa, com a missão de coordenar projetos tecnológicos estratégicos de interesse comum às três Forças. Não seria um novo centro destinado a concorrer com os existentes, mas uma instância de governança capaz de integrá-los quando um determinado desafio exigir competências multidisciplinares.

A proposta preservaria integralmente instituições como o IME, o CTEx, o IPqM, o CTMSP, o ITA, o IAE, o IEAv e o IFI, mantendo suas estruturas, pesquisadores, instalações e especializações. A mudança estaria na governança dos projetos que ultrapassam os limites de uma única Força. Nesses casos, o Ministério da Defesa poderia estabelecer requisitos comuns, distribuir responsabilidades, integrar infraestrutura, compartilhar resultados, acompanhar cronogramas e recursos e aproximar, desde as fases iniciais, os centros de pesquisa, os usuários militares, as universidades e a Base Industrial de Defesa.

Essa proposta encontra uma convergência importante na produção acadêmica do professor Eduardo Siqueira Brick, da Escola de Guerra Naval. Em trabalhos dedicados à Base Logística de Defesa, inovação e capacitação industrial e tecnológica, Brick e outros pesquisadores analisam problemas de governança e fragmentação e destacam a necessidade de maior articulação entre Estado, Institutos de Ciência e Tecnologia, universidades e empresas. Em uma dessas análises, Brick e Henrique Fernandes Alvarez Vilas Porto tratam diretamente dos desafios de governança associados à inovação e ao fornecimento de produtos de Defesa.

Em estudos sobre a própria Base Logística de Defesa, Brick também chama atenção para a fragmentação de atividades entre estruturas das diferentes Forças e para a possibilidade de determinadas funções serem coordenadas no âmbito do Ministério da Defesa. A preocupação central é que a dispersão institucional possa produzir redundâncias e dificultar a formulação de uma política industrial e tecnológica efetivamente integrada.

Brick não propõe especificamente a criação do Centro Integrado de Pesquisa e Desenvolvimento nos termos apresentados nesta análise. Seu trabalho, entretanto, oferece uma base conceitual para uma premissa importante: competências distribuídas precisam de mecanismos de coordenação capazes de produzir resultados sistêmicos. A proposta aqui apresentada parte dessa constatação e a estende para a governança dos projetos tecnológicos estratégicos de interesse comum às Forças.

A própria evolução normativa do Ministério da Defesa demonstra que parte dessa arquitetura já existe. A Portaria GM-MD nº 840, de 14 de fevereiro de 2025, estabeleceu tecnologias críticas destinadas a orientar atividades de pesquisa e desenvolvimento no âmbito do Ministério da Defesa e das Forças Armadas, vinculando essas prioridades à inovação, à pesquisa científica e tecnológica e à busca de autonomia tecnológica.

A relação estabelecida pela portaria evidencia a natureza transversal de diversas dessas tecnologias. Sensores ativos e passivos de alta precisão, visão computacional, inteligência artificial, sistemas autônomos, sistemas espaciais, materiais compostos, manufatura aditiva, criptografia pós-quântica, defesa cibernética, guiamento e navegação, monitoramento acústico submarino e redes acústicas submarinas, entre outras, não pertencem exclusivamente ao Exército, à Marinha ou à Força Aérea. São tecnologias habilitadoras, capazes de integrar diferentes sistemas e domínios operacionais.

Um programa de sensores, por exemplo, pode atender simultaneamente à vigilância terrestre, à defesa antiaérea, ao monitoramento marítimo e a sistemas aeroespaciais. Sistemas autônomos podem encontrar aplicações nos ambientes terrestre, marítimo e aéreo. O mesmo ocorre com guerra eletrônica, inteligência artificial, comunicações seguras, processamento de dados, materiais avançados e determinadas tecnologias espaciais e de propulsão.

É justamente nesses campos que uma governança integrada pode permitir melhor aproveitamento dos investimentos públicos. Desenvolver separadamente soluções semelhantes pode significar manter diferentes linhas de pesquisa, estruturas de ensaio, processos de aquisição de componentes e ciclos de desenvolvimento para alcançar capacidades parcialmente convergentes. Uma arquitetura comum permitiria identificar previamente aquilo que pode ser compartilhado, concentrar recursos nas tecnologias críticas e preservar para cada Força aquilo que depende de requisitos operacionais específicos.

Isso não significa transformar todas as necessidades em um único projeto. Um sistema de guerra antissubmarino continuará exigindo competências essencialmente navais; um sistema terrestre de artilharia terá requisitos próprios do Exército; e uma aeronave de combate permanecerá submetida a uma complexa arquitetura de requisitos da Força Aérea. Entretanto, sensores, processamento, materiais, comunicações, guerra eletrônica, inteligência artificial, sistemas autônomos, componentes espaciais e determinadas tecnologias de propulsão podem constituir blocos tecnológicos comuns a diferentes sistemas.

A lógica, portanto, é preservar a especialização onde ela é necessária e integrar aquilo que possui natureza transversal. O IME deve continuar exercendo suas competências, assim como o CTEx, o IPqM, o CTMSP, o ITA, o IAE, o IEAv e o IFI devem preservar suas respectivas missões. A questão é assegurar que, quando um projeto nacional exigir conhecimentos presentes em várias dessas instituições, exista uma estrutura com autoridade e capacidade de coordenação suficientes para conectá-las.

Essa arquitetura também poderia modificar a relação entre pesquisa, Estado e indústria. Um dos pontos centrais da produção de Brick é justamente a interação entre Estado, empresas, ICTs e instituições de ensino superior. A Base Logística de Defesa, nessa perspectiva, não deve ser compreendida apenas como o conjunto de empresas que fornecem equipamentos às Forças, mas como um sistema mais amplo, envolvendo ciência, tecnologia e inovação, infraestrutura industrial, financiamento, conhecimento, apoio logístico e capacidade de sustentação.

Essa abordagem é particularmente relevante para o Brasil porque uma das dificuldades de uma Base Industrial de Defesa de maior escala está em transformar conhecimento científico em produtos, sistemas e empresas capazes de manter competências e competitividade para além de um determinado programa estatal. A experiência do Bandeirante demonstra que essa relação pode ser estruturada de outra maneira. O Estado não se limitou a adquirir uma aeronave pronta: apoiou a formação de recursos humanos, sustentou a pesquisa, financiou o desenvolvimento, criou condições para a industrialização e utilizou sua própria demanda para viabilizar a produção.

A lição, contudo, não é reproduzir mecanicamente o modelo da Embraer. O ambiente tecnológico e industrial atual é muito mais complexo. Um sistema de Defesa depende de centenas ou milhares de componentes, softwares, sensores, algoritmos, materiais, sistemas de comunicação e processos industriais. Nesse contexto, soberania tecnológica não significa necessariamente produzir todos os componentes dentro do país, mas dominar os conhecimentos e as capacidades considerados críticos para que o Estado possa desenvolver, integrar, manter, atualizar e, quando necessário, substituir sistemas fundamentais sem depender integralmente de fornecedores externos.

É nesse ponto que a integração assume importância. Se o Brasil possui instituições capazes de pesquisar materiais avançados, outras especializadas em sensores, sistemas espaciais, comunicações, engenharia naval, aeronáutica ou terrestre, o desafio passa a ser estabelecer mecanismos que permitam combinar essas competências em projetos de maior escala.

O Ministério da Defesa já estabeleceu uma relação de tecnologias consideradas críticas. O passo seguinte poderia ser transformar essas prioridades em uma carteira nacional de projetos tecnológicos de Defesa, organizada segundo diferentes níveis de participação das Forças e estruturada por marcos tecnológicos, responsabilidades, recursos e resultados esperados.

Esse modelo poderia incluir linhas orçamentárias vinculadas a marcos de desenvolvimento, compartilhamento de laboratórios e estruturas de ensaio, mecanismos de transferência de tecnologia, participação antecipada da Base Industrial de Defesa, integração com universidades e indicadores objetivos de maturidade tecnológica, domínio de propriedade intelectual, capacidade industrial e incorporação operacional.

O Ministério da Defesa passaria, nesse arranjo, a exercer uma função que vai além da coordenação de projetos já concebidos pelas Forças. Atuaria como integrador do sistema nacional de inovação em Defesa, identificando sobreposições, lacunas e oportunidades para que uma competência desenvolvida inicialmente para uma Força pudesse, quando tecnicamente aplicável, reduzir custos e acelerar resultados para as demais.

Essa discussão também dialoga com experiências brasileiras de programas de longo prazo. O Programa de Desenvolvimento de Submarinos e o Programa Nuclear da Marinha demonstram que determinados projetos de Defesa ultrapassam o conceito convencional de aquisição de equipamentos. Envolvem capacitação tecnológica, formação de recursos humanos, infraestrutura, indústria, domínio de processos e continuidade institucional. Estudos de Brick e Pedro Fonseca Junior analisam justamente essa dimensão de políticas públicas de Defesa de longo prazo.

A discussão, portanto, não precisa ser colocada como uma disputa entre Exército, Marinha e Força Aérea. Trata-se de preservar a excelência construída por cada Força e simultaneamente ampliar o retorno estratégico desse patrimônio quando as tecnologias ultrapassam suas fronteiras tradicionais.

O Brasil não precisa começar novamente do zero. Já possui instituições, pesquisadores, laboratórios, infraestrutura tecnológica, experiência operacional, uma Base Industrial de Defesa e uma definição formal de tecnologias críticas. Também possui uma história concreta demonstrando que a combinação entre Estado, ciência, engenharia, demanda e indústria pode produzir capacidades que permanecem no país por gerações. O que precisa ser discutido é se essa estrutura está sendo utilizada em sua máxima capacidade sistêmica.

Um Centro Integrado de Pesquisa e Desenvolvimento de Defesa poderia preencher parte dessa lacuna sem substituir os centros existentes. Sua função seria estabelecer uma governança capaz de transformar competências distribuídas em projetos integrados, especialmente nos campos tecnológicos em que diferentes Forças possuem necessidades convergentes.

O conceito pode ser ampliado para um verdadeiro sistema nacional de inovação em Defesa, no qual Ministério da Defesa, Forças Armadas, ICTs militares, universidades, empresas da Base Industrial de Defesa e outros órgãos públicos atuem segundo uma arquitetura comum, com responsabilidades claramente definidas e mecanismos permanentes de coordenação.

A experiência do ITA, do CTA e do IPD mostrou que a formação de pessoas e a criação de conhecimento podem gerar uma cadeia tecnológica capaz de sustentar uma indústria de alcance global. A experiência posterior de programas estratégicos da Defesa também demonstrou que projetos de longo prazo podem deixar como legado competências industriais, científicas e tecnológicas que permanecem no país.

O desafio agora é fazer com que essa capacidade institucional seja aproveitada de maneira mais integrada. Não se trata de construir uma nova estrutura para substituir aquilo que já existe, mas de criar mecanismos que permitam que o conhecimento desenvolvido em diferentes instituições seja combinado quando um projeto exigir competências multidisciplinares.

Nesse modelo, uma tecnologia desenvolvida no Brasil poderia, quando aplicável, alimentar diferentes sistemas de uma aeronave, de um navio, de um blindado, de um satélite, de um sistema não tripulado ou de uma rede de sensores, reduzindo duplicações e ampliando o retorno estratégico de cada investimento realizado pelo Estado.

A questão, portanto, é menos sobre criar novas instituições e mais sobre aperfeiçoar a governança do patrimônio científico, tecnológico e industrial que o país já construiu. O Brasil possui centros de excelência, pesquisadores, infraestrutura, experiência operacional, capacidade industrial e prioridades tecnológicas formalmente estabelecidas. O principal desafio passa a ser conectá-los de maneira permanente quando os projetos ultrapassarem os limites de uma única Força.

Um Centro Integrado de Pesquisa e Desenvolvimento de Defesa, subordinado ao Ministério da Defesa e voltado à governança desses projetos estratégicos transversais, seria uma forma concreta de avançar nessa direção. Preservaria a autonomia e a especialização das estruturas existentes, mas criaria um mecanismo para que elas pudessem atuar de forma coordenada quando o interesse tecnológico e estratégico for comum.

Essa pode ser a próxima etapa de uma trajetória iniciada décadas atrás com o ITA, o CTA e o IPD: não reconstruir o que já foi construído, mas integrar melhor as capacidades que o Brasil acumulou ao longo desse processo e transformá-las em um sistema nacional de pesquisa, desenvolvimento e inovação em Defesa com maior escala, continuidade e capacidade de gerar resultados.


Por Angelo Nicolaci


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domingo, 27 de setembro de 2026

China realiza exercícios militares ao redor de área disputada no Mar do Sul da China

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A China realizou neste domingo (27) exercícios militares navais e aéreos nas proximidades do recife de Scarborough, uma das principais áreas de disputa entre Pequim e Manila no Mar do Sul da China. A atividade foi conduzida pelo Comando do Teatro Sul do Exército de Libertação Popular (PLA), envolvendo forças navais e aéreas em uma demonstração de presença militar na região.

Segundo o comando chinês, os exercícios ocorreram nas águas e no espaço aéreo ao redor de Huangyan Dao, nome utilizado por Pequim para designar o recife de Scarborough. A operação teve como foco o treinamento de patrulha e a preparação das forças para responder a situações relacionadas à defesa da soberania territorial e dos interesses marítimos chineses.

Em comunicado, o PLA afirmou que as atividades tiveram como objetivo elevar a capacidade das unidades para cumprir missões operacionais na área. Pequim também acusou determinados países de realizar ações que, segundo sua avaliação, estariam comprometendo a estabilidade regional, sem identificar nominalmente os envolvidos.

A movimentação ocorre poucos dias após um novo atrito entre forças chinesas e filipinas. Em 25 de setembro, Manila afirmou que navios da Marinha e da Guarda Costeira chinesas bloquearam uma missão filipina de reabastecimento destinada ao Second Thomas Shoal, outra área reivindicada pelos dois países. As autoridades filipinas relataram manobras que teriam elevado o risco de colisão entre as embarcações.

Pequim apresentou uma versão diferente e afirmou que suas forças atuaram para impedir uma operação filipina realizada apesar das advertências chinesas. O episódio envolveu unidades da Guarda Costeira e da Marinha chinesas que acompanharam a movimentação das embarcações filipinas na região.

O recife de Scarborough permanece sob controle de facto da China desde o impasse ocorrido em 2012. A área também é reivindicada pelas Filipinas e possui importância estratégica por sua localização e pelos recursos pesqueiros. Em 2016, um tribunal arbitral constituído nos termos da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar rejeitou a existência de direitos históricos chineses sobre amplas áreas marítimas reivindicadas por Pequim, embora a decisão não tenha determinado a soberania territorial sobre o recife. A China rejeitou o julgamento.

A realização do exercício acrescenta mais um episódio à sequência de operações navais, patrulhas e confrontos entre embarcações chinesas e filipinas no Mar do Sul da China. A região permanece marcada pela sobreposição de reivindicações territoriais e pela crescente presença de forças militares e de guarda costeira dos países envolvidos.

A atividade em torno de Scarborough evidencia ainda o emprego combinado de meios navais e aéreos chineses para manter presença permanente em uma área considerada estratégica por Pequim. Para Manila, o recife permanece dentro de sua área de interesse marítimo, enquanto a China sustenta sua reivindicação de soberania sobre Huangyan Dao, mantendo o ponto como um dos principais focos de tensão no Mar do Sul da China.


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Coalizão saudita intercepta dois drones e dois mísseis balísticos lançados pelos houthis

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A coalizão liderada pela Arábia Saudita informou neste sábado (26) ter interceptado dois drones e dois mísseis balísticos lançados pelos houthis a partir do Iêmen contra alvos em território saudita. Segundo o porta-voz da força, Turki Al-Maliki, os drones tinham como direção a região de Riade, enquanto os mísseis foram lançados contra Khamis Mushait, no sudoeste do país. 

Os primeiros alertas foram divulgados durante a madrugada, quando as forças sauditas informaram estar monitorando ameaças aéreas direcionadas ao território do Reino. Posteriormente, Al-Maliki confirmou a interceptação dos quatro vetores, sem fornecer detalhes sobre os sistemas empregados na defesa aérea. 

As autoridades de defesa civil da Arábia Saudita também emitiram alertas para Khamis Mushait e Abha, cidades localizadas na região de Asir. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre vítimas ou danos provocados diretamente pelo ataque.

O episódio ocorre dois dias depois de a coalizão informar a interceptação de seis mísseis balísticos lançados pelos houthis contra as regiões de Yanbu e Taif. A sequência de ataques demonstra a ampliação das ações do grupo iemenita contra o território saudita desde julho, quando os houthis anunciaram um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita. 

Além de cidades, os ataques houthis vêm tendo como alvo infraestrutura energética e embarcações vinculadas à Arábia Saudita no Mar Vermelho. O grupo também afirmou ter realizado ataques contra instalações da Saudi Aramco em Yanbu e contra um local não especificado em Riade, embora essas alegações não tenham sido confirmadas de forma independente. 

A escalada ocorre paralelamente à intensificação dos combates no Iêmen. Segundo dados divulgados pelas Nações Unidas e citados pela Euronews, mais de 122 mil pessoas foram deslocadas pela nova escalada do conflito, enquanto 674 pessoas morreram e 2.998 ficaram feridas entre 6 de agosto e 18 de setembro. 

O aumento da ameaça também levou Riade a ampliar a coordenação militar com parceiros. Na sexta-feira (25), os chefes militares da Arábia Saudita, do Paquistão e da Türkiye se reuniram em Riade para discutir as ameaças à segurança do Reino. Os três países haviam firmado, no mês passado, o Acordo de Defesa Conjunta de Meca. 

A sequência de ataques coloca pressão adicional sobre a defesa aérea saudita e sobre a segurança da infraestrutura energética e das rotas marítimas do país. O cenário também ocorre em meio à disputa pelo controle de áreas estratégicas do Iêmen e do acesso ao Mar Vermelho, ampliando os riscos para a navegação e para o fluxo regional de energia.


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Irã afirma ter capturado segundo drone submarino dos EUA no Estreito de Ormuz

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A Marinha do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC) afirmou neste domingo (27) ter capturado um veículo submarino não tripulado (UUV) dos Estados Unidos durante uma operação no Estreito de Ormuz. Segundo Teerã, o equipamento seria um Remus 600 empregado em uma missão de reconhecimento na região. Caso a informação seja confirmada, este seria o segundo UUV norte-americano capturado pelo Irã em menos de um mês.

De acordo com o comunicado iraniano, o veículo teria sido localizado durante uma operação envolvendo recursos de inteligência e guerra eletrônica. As forças iranianas afirmam que o sistema foi colocado sob custódia de especialistas para análise e recuperação das informações armazenadas.

O episódio ocorre poucas semanas após o Irã anunciar a captura de outro sistema submarino não tripulado dos Estados Unidos. Em 8 de setembro, o IRGC afirmou ter apreendido um Dive-LD, desenvolvido pela empresa norte-americana Anduril, durante uma operação na entrada do Estreito de Ormuz.

Naquele caso, Washington reconheceu a perda do veículo, mas apresentou uma versão diferente sobre o ocorrido. O Departamento de Defesa dos Estados Unidos informou que o Dive-LD havia apresentado uma falha durante uma missão de levantamento e que não transportava sistemas classificados nem informações sensíveis. A Anduril também confirmou a perda do equipamento.

A situação envolvendo o suposto Remus 600 é diferente. Até o momento, não há confirmação independente de que o veículo tenha sido efetivamente capturado, e a identificação do equipamento como um sistema norte-americano parte exclusivamente da declaração divulgada pelo IRGC.

O Remus 600 é um UUV desenvolvido para missões de levantamento do fundo marinho, vigilância, inspeção subaquática e contramedidas de minas. Equipamentos dessa categoria permitem realizar operações de coleta de dados e reconhecimento sem expor diretamente uma tripulação em áreas potencialmente hostis.

A possível captura de um segundo UUV norte-americano em um intervalo de poucas semanas acrescenta uma nova dimensão à disputa pelo controle do ambiente marítimo no Estreito de Ormuz. A região possui elevada importância estratégica para a navegação internacional e para o transporte de petróleo e gás, além de concentrar atividades militares de diferentes países.

Enquanto a perda do Dive-LD foi reconhecida por Washington, a suposta captura do Remus 600 permanece sem confirmação norte-americana. A diferença entre os dois episódios será fundamental para determinar se o Irã efetivamente conseguiu interceptar um segundo sistema submarino dos Estados Unidos ou se o anúncio corresponde a outra circunstância operacional.


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Cinco homens são presos após incidente com explosivos próximo à RAF Fairford, no Reino Unido

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Cinco homens foram presos neste domingo (27) em Whelford, no sudoeste da Inglaterra, após a polícia receber uma denúncia sobre três veículos suspeitos que seguiam em direção à RAF Fairford, instalação militar utilizada pela Força Aérea dos Estados Unidos. A ocorrência levou à retirada preventiva de moradores da região e mobilizou uma equipe especializada do Exército britânico para inspeção dos veículos.

Segundo a Polícia de Gloucestershire, a denúncia foi recebida por volta das 00h45. Policiais armados foram enviados ao local e prenderam os cinco homens sob suspeita de infrações previstas na legislação britânica sobre explosivos. Posteriormente, os detidos também passaram a ser investigados sob suspeita de preparação de um ato terrorista.

A Polícia Antiterrorismo assumiu a condução da investigação. Um perímetro de segurança de 400 metros foi estabelecido ao redor dos veículos, enquanto a unidade de eliminação de artefatos explosivos do Exército realiza as inspeções. Cerca de 85 famílias foram orientadas a deixar suas residências durante a operação.

As autoridades informaram que a ocorrência está sob controle, mas que os trabalhos continuam para determinar sua natureza e circunstâncias. A polícia também pediu que a população evite especulações e acompanhe as informações divulgadas pelos canais oficiais.

A RAF Fairford fica próxima a Whelford e é uma importante instalação para as operações aéreas norte-americanas no Reino Unido. A base recebe unidades da Força Aérea dos Estados Unidos e é utilizada como ponto avançado para operações de bombardeiros do Global Strike Command na Europa.

A investigação ocorre em meio a um contexto de elevada atenção à segurança da instalação. Reportagens britânicas informaram que as autoridades também apuram uma possível conexão com o Irã, mas essa hipótese permanece sob investigação e não foi apresentada pela polícia como uma conclusão. 

Até o momento, as autoridades não divulgaram informações que confirmem uma explosão ou danos à RAF Fairford. O foco imediato permanece na inspeção dos veículos, na investigação dos cinco detidos e na determinação da natureza do incidente.


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Marinha coordena operação de salvamento de navio mercante encalhado na costa do Amapá

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A Marinha do Brasil coordenou uma operação de busca, salvamento e assistência que resultou no reboque do navio mercante “Shri Ganesha”, de bandeira da Tanzânia, até o Porto de Outeiro, em Belém (PA). A embarcação chegou ao destino na manhã de 21 de setembro, com os nove tripulantes em segurança, após permanecer cerca de três semanas em uma área de baixa profundidade na costa do Amapá.

A ocorrência começou em 30 de agosto, quando o agente do navio acionou o SALVAMAR NORTE, serviço de busca e salvamento marítimo subordinado ao Comando do 4º Distrito Naval. O “Shri Ganesha” havia sofrido uma avaria na praça de máquinas, com alagamento e perda de propulsão, quando navegava a aproximadamente 161 milhas náuticas, cerca de 300 quilômetros, ao norte de Santana (AP).

Sob influência de ventos fortes e correntes marítimas, a embarcação permaneceu à deriva até encalhar em uma área assoreada, de baixa profundidade e sem dados cartográficos disponíveis, a aproximadamente 3,5 milhas náuticas da Ilha de Maracá.

Além da preocupação com a segurança dos nove tripulantes, havia risco ambiental devido à presença de óleo combustível a bordo. A permanência do navio encalhado e os esforços sobre o casco poderiam provocar danos estruturais e eventual vazamento nas proximidades da foz do Rio Amazonas.

Para apoiar a operação, o Navio-Patrulha (NPa) “Guarujá” deixou Belém em 30 de agosto transportando bombas de grande porte para auxiliar no controle do alagamento, além de água potável e alimentos para a tripulação. O NPa “Bocaina” também prestou apoio logístico.

Diante da ausência de informações sobre a profundidade da região do encalhe, o Navio Hidrográfico Balizador (NHiB) “Tenente Castelo” realizou levantamentos batimétricos durante os períodos de baixa-mar. Os dados obtidos foram utilizados para avaliar as condições de navegabilidade e definir as manobras necessárias ao salvamento.

O levantamento identificou um canal com aproximadamente 450 jardas de largura, cerca de 411 metros, e 24,4 milhas náuticas, aproximadamente 45 quilômetros, de extensão, conectando a posição do navio à área previamente cartografada. As observações das variações de maré, realizadas em coordenação com o Centro de Hidrografia e Navegação do Norte (CHN-4), também permitiram a elaboração de uma Tábua de Marés específica para a região.

Com o alagamento controlado e os dados hidrográficos disponíveis, o Comando do 4º Distrito Naval e a Capitania dos Portos do Amapá (CPAP) coordenaram os procedimentos para a retirada do navio, em conjunto com as empresas envolvidas.

A Petrobras e a Bram Offshore participaram da operação, com a disponibilização do rebocador “Mr. Chafic”, empregado em atividades na Margem Equatorial. O reboque do “Shri Ganesha” teve início na manhã de 18 de setembro e terminou em 21 de setembro, com a chegada da embarcação ao Porto de Outeiro, onde deverá passar por reparos.

A operação envolveu meios navais, recursos de apoio e levantamento hidrográfico em uma região não cartografada, permitindo preservar a segurança dos tripulantes e reduzir o risco de danos ambientais. Segundo o Comando do 4º Distrito Naval, a ocorrência também reforça a atuação da Marinha como Autoridade Marítima na Amazônia Legal, particularmente nas atividades de salvaguarda da vida humana no mar, segurança da navegação e proteção do meio ambiente aquático.


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Com Marinha do Brasil

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Exército prepara militares para atuação feminina em operações de paz da ONU

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O Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB) realizou, em setembro, o Estágio de Preparação Específica de Militares do Segmento Feminino para Operações de Paz (EPESFOP 2026). A atividade reuniu 15 militares do Exército Brasileiro, de Polícias Militares de diferentes estados e do Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro.

O estágio teve como objetivo ampliar a preparação de militares que não pertencem à Linha de Ensino Militar Bélico do Exército para uma eventual participação em missões de paz, principalmente em funções de oficial ou auxiliar de estado-maior e, excepcionalmente, como observadoras militares.

A preparação foi dividida em duas fases. A primeira ocorreu a distância, com conteúdo teórico, enquanto a segunda foi realizada presencialmente no CCOPAB, no Rio de Janeiro, combinando instruções teóricas e atividades práticas.

Entre os conteúdos ministrados estiveram materiais de treinamento das Nações Unidas, orientação e navegação com carta, terreno e GPS, comunicações, primeiros socorros, preparação psicológica com foco na mulher, negociação e gerenciamento de crises. Também foram abordadas técnicas de defesa pessoal e defesa química, biológica, radiológica e nuclear.

A fase presencial incluiu ainda familiarização com armamentos, combate a incêndio, manobra de força, patrulhamento em área urbana, recuperação de pessoal, técnicas de abordagem, busca pessoal, algemação e condução de presos.

Um dos destaques foi o chamado Dia Verde, dedicado a atividades práticas e simulações nas quais as participantes aplicaram de forma integrada os conhecimentos e procedimentos trabalhados durante o estágio.

A presença de profissionais de diferentes instituições ampliou a integração e a troca de experiências entre as participantes, considerando a atuação conjunta de militares e agentes de segurança em ambientes de operações de paz.

Criado em 2010, o CCOPAB é responsável pela preparação de militares, policiais e civis brasileiros e de países parceiros para missões de paz e atividades de desminagem humanitária. O Centro é vinculado ao Ministério da Defesa e subordinado ao Exército Brasileiro por meio do Departamento de Educação e Cultura do Exército, mantendo também vínculo com o Comando de Operações Terrestres para planejamento, orientação e supervisão das atividades de instrução e adestramento.


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Com Exercito Brasileiro

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5ª Brigada de Cavalaria Blindada mobiliza 1.287 militares em exercício de prontidão no Paraná

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Entre 8 e 16 de setembro, a 5ª Brigada de Cavalaria Blindada (5ª Bda C Bld) realizou um Exercício de Simulação Viva da Força de Emprego de Prontidão (FEP) no Campo de Instrução General Calasans, em Ponta Grossa (PR). A atividade reuniu 1.287 militares e 189 viaturas, das quais 108 eram blindadas.

O exercício foi conduzido no formato de dupla ação, com a participação do 62º Batalhão de Infantaria (62º BI), de Joinville (SC), empregado como Força Oponente (FOROP) contra as tropas da 5ª Brigada em adestramento. O Centro de Adestramento Sul (CA-Sul) também participou da atividade, empregando pessoal e meios na arbitragem dos eventos.

O treinamento teve como objetivo manter os padrões de adestramento da FEP, envolvendo a concentração de tropas e meios, o planejamento e a emissão de ordens nos diferentes níveis de comando e a execução de operações ofensivas. Ao término, foi realizada a análise pós-ação, seguida da reversão dos meios para suas respectivas guarnições de origem.

A 5ª Bda C Bld integra o grupo de cinco brigadas designadas pelo Exército Brasileiro como Forças de Emprego de Prontidão, estrutura destinada a manter unidades em elevado nível de preparo para responder a ameaças em diferentes regiões do território nacional ou em outras áreas de interesse.

O exercício em Ponta Grossa foi realizado no contexto do Programa “Força 40”, concepção de planejamento estratégico de longo prazo do Exército Brasileiro voltada à transformação da Força até 2040. Entre suas diretrizes estão a modernização tecnológica e material, a adoção da doutrina de operações multidomínio, incluindo o espaço cibernético, o aumento da capacidade de pronta resposta, investimentos em pesquisa e desenvolvimento e a reorganização de efetivos e estruturas.

A atividade permitiu à 5ª Brigada empregar simultaneamente tropas e meios em um cenário de treinamento com força oponente e arbitragem especializada, mantendo os procedimentos de planejamento, comando e execução necessários ao emprego de uma formação blindada em operações ofensivas.


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Embraer entrega primeiro C-390 Millennium à Força Aérea do Uzbequistão

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A Embraer entregou o primeiro C-390 Millennium à Força Aérea do Uzbequistão durante cerimônia realizada nas instalações da empresa em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. O evento contou com a presença do Major-General Akhmad Jamolovich Burkhonov, Comandante da Força Aérea do Uzbequistão, e de Olimkhon Bakiyevich Rustamov, diretor da empresa estatal O‘ztextreyd, representando o país.

O contrato, assinado no final de 2024, inclui, além da aeronave, um pacote de treinamento e suporte e o fornecimento de peças de reposição. Com a entrega, o Uzbequistão se torna o primeiro operador do C-390 Millennium na Ásia Central, ampliando a presença internacional da aeronave brasileira e apoiando o processo de modernização da capacidade de mobilidade aérea do país.

“A entrega do primeiro C-390 Millennium representa um passo significativo para a modernização da Força Aérea do Uzbequistão. O desempenho excepcional, a versatilidade e as capacidades multimissão da aeronave nos permitirão executar uma ampla gama de missões com maior eficiência e prontidão”, afirmou o Major-General Akhmad Jamolovich Burkhonov.

Segundo a Embraer, o C-390 Millennium possui capacidade para transportar até 26 toneladas de carga útil, com velocidade de até 470 nós, podendo realizar missões de transporte de tropas e equipamentos, lançamento de cargas e pessoal, evacuação médica, busca e salvamento, combate a incêndios e operações humanitárias.

A aeronave também pode operar a partir de pistas temporárias ou não pavimentadas. Com a instalação rápida do sistema de reabastecimento em voo, o C-390 pode atuar tanto como aeronave-tanque quanto como receptora de combustível, ampliando suas possibilidades de emprego.

Com a entrada do Uzbequistão, a comunidade internacional de operadores do C-390 passa a incluir países da América do Sul, Europa, Ásia e Oriente Médio. Além do Brasil, a aeronave foi selecionada por Portugal, Hungria, República da Coreia, Holanda, Áustria, República Tcheca, Suécia, Emirados Árabes Unidos, Eslováquia, Colômbia e Lituânia.

Para a Embraer, a entrega reforça a expansão internacional do programa C-390 Millennium e sua proposta de oferecer uma plataforma multimissão destinada às necessidades táticas e estratégicas de diferentes forças aéreas, com foco também na interoperabilidade entre seus operadores.


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ASELSAN demonstra KORKUT 35 contra drones e alvos móveis em exercício com delegações de 12 países

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A ASELSAN realizou uma demonstração de fogo real do sistema de defesa antiaérea KORKUT 35, acompanhada por delegações de defesa de 12 países. A atividade apresentou as capacidades do sistema para detectar, acompanhar, engajar e neutralizar alvos móveis em condições operacionais representativas.

Durante os ensaios, o KORKUT 35 demonstrou sua capacidade de realizar disparos precisos em movimento, com destaque para o emprego contra veículos aéreos não tripulados (UAVs), incluindo modelos de asa fixa, configuração delta e mini e micro-UAVs.

Os cenários tiveram ênfase na defesa contra UAVs kamikaze e mini e micro-UAVs, ameaças que estão entre as mais frequentemente encontradas atualmente. O sistema realizou engajamentos contra diferentes tipos de drones, demonstrando seu desempenho diante de alvos aéreos com características distintas em um ambiente operacional dinâmico.

De acordo com a ASELSAN, o KORKUT 35 também é destinado ao enfrentamento de aeronaves de combate, mísseis de cruzeiro, mísseis ar-superfície, helicópteros e UAVs, ampliando sua aplicação na defesa antiaérea de curto alcance.

Em outro cenário, o sistema demonstrou sua precisão contra um alvo terrestre em movimento. Integrado a uma viatura tática 8×8, o KORKUT 35 realizou o disparo enquanto tanto a plataforma quanto o alvo estavam em deslocamento, permitindo demonstrar sua capacidade de engajamento com precisão durante a movimentação.

Os testes de fogo real evidenciaram a capacidade do KORKUT 35 de operar contra ameaças aéreas dinâmicas e realizar disparos precisos em movimento. Segundo a ASELSAN, essas características permitem seu emprego na proteção de forças de manobra e ativos críticos, além de oferecer uma solução de defesa antiaérea móvel contra alvos de menor custo.


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sábado, 26 de setembro de 2026

Marinha inicia construção de novos Avisos de Instrução para modernizar formação de Oficiais

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A Marinha do Brasil iniciou, em 21 de setembro, no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), a construção de uma nova classe de Avisos de Instrução destinados a ampliar a capacidade de treinamento embarcado de futuros Oficiais da Marinha do Brasil e da Marinha Mercante. As embarcações foram concebidas para transformar a formação teórica em experiência prática de navegação, manobra, marinharia e operação dos sistemas de bordo, com emprego prioritário em águas interiores e costeiras da Amazônia Azul.

A nova classe terá aproximadamente 230 toneladas de deslocamento, até 35 metros de comprimento, 8 metros de boca e calado de 2 metros. As embarcações deverão alcançar 12 nós de velocidade máxima, possuir raio de ação superior a 700 milhas náuticas e operar por aproximadamente 130 dias de mar por ano. O dimensionamento privilegia a frequência de utilização e a capacidade de operar em diferentes áreas costeiras, características importantes para uma plataforma destinada principalmente à instrução.

Cada Aviso poderá embarcar 39 militares, sendo 21 Aspirantes ou Alunos, três Oficiais e 15 Praças. A configuração foi definida para reproduzir, em escala compatível com a finalidade didática, as principais rotinas de bordo e permitir que os alunos desenvolvam competências diretamente relacionadas à vida operacional de um navio, incluindo navegação, condução da embarcação, segurança, liderança e trabalho em equipe.

O programa também possui uma característica relevante ao integrar diferentes segmentos da formação marítima. Além dos Aspirantes da Escola Naval e dos Alunos do Colégio Naval, os novos Avisos serão empregados pelos Centros de Instrução Almirante Graça Aranha (CIAGA) e Almirante Braz de Aguiar (CIABA), responsáveis pela formação de profissionais da Marinha Mercante. A mesma plataforma, portanto, será utilizada para aproximar a formação acadêmica da experiência prática no mar em dois ambientes profissionais distintos.

A disponibilidade prevista de aproximadamente 130 dias de mar por ano é um dos elementos mais importantes do projeto. Para uma plataforma de instrução, a utilidade não está apenas nas características de desempenho, mas na possibilidade de colocar os alunos regularmente em contato com situações reais de navegação e operação. A experiência acumulada durante esses períodos complementa o ensino realizado em terra e contribui para formar profissionais mais familiarizados com os procedimentos e limitações inerentes à atividade marítima.

A construção será realizada de forma seriada. O primeiro Aviso funcionará como referência para a classe, e sua construção, integração dos sistemas e avaliação de engenharia deverão produzir informações e lições aprendidas que serão incorporadas às unidades subsequentes, construídas em paralelo. Esse modelo permite aperfeiçoar processos ao longo da produção e reduzir a repetição de problemas de engenharia ou integração nas embarcações seguintes.

Para o Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, o programa também representa a continuidade do emprego da infraestrutura e do conhecimento acumulado na construção e manutenção de meios navais. O AMRJ é subordinado à Diretoria Industrial da Marinha e mantém capacidade para construir e reparar embarcações, constituindo um dos principais núcleos de conhecimento naval da estrutura brasileira. Em abril de 2026, o Arsenal lançou o Navio-Patrulha Mangaratiba e iniciou sua fase de testes, em outro projeto que reforça a retomada de atividades de construção naval no complexo.

A opção por uma embarcação de pequeno porte também possui relação direta com a finalidade do programa. Ao contrário de navios destinados prioritariamente a missões de combate ou patrulha oceânica, os Avisos precisam oferecer condições para que os alunos pratiquem repetidamente procedimentos fundamentais, com capacidade de operar em áreas próximas à costa e em águas interiores. O objetivo é criar uma plataforma de treinamento que possa permanecer disponível por longos períodos e realizar diferentes ciclos de instrução ao longo do ano.

O programa evidencia, portanto, que a renovação de uma Marinha não depende apenas da incorporação de navios de combate de maior porte. Fragatas, submarinos e navios de patrulha representam capacidades operacionais distintas, mas todas dependem de pessoal capaz de operar sistemas complexos, tomar decisões sob pressão e compreender as particularidades do ambiente marítimo. Nesse sentido, os novos Avisos atuam em uma etapa anterior e fundamental: preparar os profissionais que posteriormente ocuparão postos de responsabilidade nos meios da Marinha e também na Marinha Mercante.

A construção dos novos Avisos de Instrução associa, assim, três dimensões que interessam diretamente à capacidade marítima brasileira: formação de pessoal, disponibilidade de plataformas para treinamento e preservação da capacidade nacional de construção naval. Mais do que substituir embarcações de instrução, o programa cria uma nova ferramenta para manter a formação prática conectada à realidade operacional de uma força que precisa atuar em uma área marítima de dimensões continentais.


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Argentina amplia pressão sobre exploração de petróleo nas Malvinas e mira empresas ligadas ao projeto Sea Lion

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A disputa pelas Ilhas Malvinas entrou em uma nova fase. O governo de Javier Milei ampliou a pressão diplomática e jurídica contra empresas envolvidas na exploração de hidrocarbonetos no arquipélago ao mesmo tempo em que a Argentina acelera a recuperação de capacidades militares que haviam perdido espaço ao longo de décadas. O resultado é uma convergência entre soberania, energia e defesa que recoloca o Atlântico Sul no centro da agenda estratégica de Buenos Aires.

O petróleo é o elemento que acelerou essa dinâmica. Em setembro, o governo argentino iniciou procedimentos sancionatórios contra 45 pessoas físicas e jurídicas relacionadas a atividades de hidrocarbonetos nas áreas reivindicadas pela Argentina e quatro dias depois, acrescentou outros 15 envolvidos. A medida não se limita às empresas operadoras: alcança também acionistas e prestadores de serviços associados aos empreendimentos. Buenos Aires também informou ter enviado aproximadamente 180 notificações de advertência e assunção de riscos a pessoas e empresas localizadas em 30 países.

No centro da disputa está o projeto Sea Lion, na Bacia Norte das Malvinas, operado pela israelense Navitas Petroleum em parceria com a britânica Rockhopper Exploration. O empreendimento prevê uma primeira fase com 11 poços submarinos conectados a uma unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de petróleo, com início da produção previsto para 2028. O desenvolvimento transforma uma reivindicação sobre recursos potenciais em disputa sobre um ativo energético que começa a adquirir valor econômico concreto.

Essa mudança é importante para compreender a estratégia argentina. Durante décadas, a questão sobre as Malvinas permaneceu predominantemente concentrada na soberania territorial e na diplomacia. Com a perspectiva da produção de petróleo, porém, empresas privadas, investidores, fornecedores, seguradoras, financiadores e cadeias logísticas passam a fazer parte do problema. Buenos Aires tenta utilizar sua legislação para elevar o risco de operar nessa cadeia, enquanto o Reino Unido sustenta a validade das atividades autorizadas pelas autoridades das ilhas e rejeita a jurisdição argentina sobre empresas e indivíduos que atuem no arquipélago.

A reação argentina também ganhou uma dimensão institucional mais ampla. O governo apresentou ao Congresso um projeto de Lei de Defesa da Soberania Nacional que prevê o endurecimento das sanções e amplia a coordenação entre áreas de defesa, inteligência, economia e relações exteriores. Entre os mecanismos previstos estão instrumentos contra empresas envolvidas direta ou indiretamente na exploração de recursos naturais, além de estruturas relacionadas à proteção de infraestruturas críticas e dos espaços marítimo e aeroespacial.

Essa política ocorre paralelamente a uma das mais importantes iniciativas de reconstrução militar argentina das últimas décadas. O Decreto 314/2026 criou o Plano de Adequação e Reequipamento Militar Argentino, o Plan ARMA, com objetivo declarado de financiar reequipamento, modernização, infraestrutura estratégica e recuperação de capacidades. O programa criou também mecanismos adicionais de financiamento para a Defesa, procurando dar continuidade ao processo de recuperação do instrumento militar.

Os primeiros resultados já são visíveis. A Argentina está incorporando o F-16 no âmbito do programa Peace Cóndor, recuperando uma capacidade supersônica de combate que havia desaparecido da Força Aérea Argentina. Em agosto, a Força Aérea e a Armada iniciaram trabalhos para integrar o F-16 ao P-3C Orion, incluindo estudos para emprego de redes táticas e procedimentos conjuntos. A combinação entre caça, patrulha marítima, sensores e comunicações representa uma evolução qualitativa na capacidade argentina de vigilância e controle do espaço aéreo e marítimo.

No componente terrestre, a assinatura da Letter of Offer and Acceptance para 235 Stryker amplia significativamente a escala da força mecanizada argentina. O pacote inclui variantes para transporte de infantaria, comando, evacuação médica e apoio de fogo, além das primeiras oito unidades já recebidas. Não se trata de um sistema especificamente desenhado para as Malvinas, mas de uma recuperação geral de capacidade que aumenta a mobilidade protegida e a disponibilidade operacional do Exército Argentino.

É no extremo sul, entretanto, que a conexão com o Atlântico Sul se torna mais evidente. Em setembro, o ministro da Defesa argentino visitou a área onde será construída a Base Naval Integrada em Ushuaia, projeto destinado a ampliar a presença e as capacidades da Armada Argentina na região austral. A localização possui importância geográfica para o controle dos acessos ao Atlântico Sul e para as operações navais e logísticas relacionadas à Antártida. Embora o projeto não seja apresentado oficialmente como preparação para uma operação contra as Malvinas, sua existência amplia a infraestrutura disponível para a presença argentina no extremo sul.

É nesse contexto que 1982 volta inevitavelmente ao debate, mas precisa ser tratado com rigor. A Argentina de 2026 não dispõe simplesmente da mesma estrutura militar que possuía antes da Guerra das Malvinas, e a recuperação atualmente em curso ainda demanda treinamento, infraestrutura, logística, armamentos, manutenção e integração dos novos sistemas. Da mesma forma, a incorporação de F-16, P-3C e Stryker não significa, por si só, que Buenos Aires esteja preparando uma operação militar para recuperar as ilhas.

A comparação histórica, contudo, permanece relevante porque evidencia uma diferença fundamental. Em 1982, a Argentina utilizou a força para tentar alterar unilateralmente o status das ilhas, desencadeando uma guerra com o Reino Unido. O conflito demonstrou que a posse de plataformas individuais não é suficiente para sustentar uma campanha militar de alta intensidade: logística, inteligência, comando e controle, reabastecimento, capacidade de projeção, guerra eletrônica, sustentação e disponibilidade operacional são determinantes para transformar equipamentos em poder militar efetivo.

É justamente nesses elementos que a atual modernização argentina deve ser observada. O F-16 representa mais do que a aquisição de uma aeronave: envolve treinamento, armamento, infraestrutura, manutenção e integração de sistemas. O P-3C acrescenta capacidade de vigilância marítima. O Stryker recupera mobilidade protegida. A Base Naval Integrada amplia infraestrutura no extremo sul. E o Plan ARMA procura estabelecer um mecanismo permanente de recuperação de capacidades. O conjunto ainda está em formação, mas é diferente de uma simples compra pontual de equipamentos.

Do lado britânico, a equação também permanece muito diferente daquela de 1982. A Royal Air Force mantém quatro Typhoon FGR4 permanentemente baseados em Mount Pleasant, apoiados por um Voyager para reabastecimento e um A400M Atlas, além da estrutura terrestre necessária para sustentar a operação. O complexo foi estabelecido em 1985 justamente para garantir uma presença aérea e de transporte permanente nas ilhas.

Isso reduz a possibilidade de interpretar a atual modernização argentina de maneira isolada. Qualquer alteração significativa do equilíbrio militar no Atlântico Sul precisaria considerar não apenas os meios argentinos que estão chegando, mas também a infraestrutura britânica permanente, a capacidade de reforço do Reino Unido e o ambiente diplomático no qual uma eventual crise ocorreria.

A dimensão energética torna o cenário ainda mais sensível. O Sea Lion deixa de ser apenas um projeto exploratório e passa a caminhar para uma etapa de produção, criando interesses financeiros e industriais que não existiam na mesma escala durante os períodos anteriores da disputa. Quanto mais avançar o empreendimento, maior será o número de empresas, contratos, equipamentos e investimentos expostos à política argentina de sanções. A própria existência dessa cadeia cria novos instrumentos de pressão que não dependem do emprego da força.

Para Buenos Aires, a estratégia atual parece combinar diferentes instrumentos: reivindicação diplomática, pressão jurídica sobre empresas, tentativa de elevar o custo econômico da exploração, fortalecimento das capacidades militares e ampliação da infraestrutura no extremo sul. O objetivo declarado é defender a reivindicação argentina sem abandonar a via diplomática, enquanto a modernização das Forças Armadas aumenta as opções disponíveis ao Estado.

A questão que merece acompanhamento não é, portanto, se a Argentina está simplesmente “se preparando para uma nova guerra”. Os dados disponíveis não permitem afirmar isso. A questão estratégica mais relevante é outra: até onde a recuperação do instrumento militar argentino poderá alterar a relação de forças e o cálculo de risco em torno das Malvinas nos próximos anos, especialmente se o petróleo começar a gerar receitas e interesses econômicos permanentes.

Esse processo também precisa ser observado pelo Brasil. O Atlântico Sul é uma área de interesse estratégico brasileiro, tanto pela dimensão marítima quanto pelas rotas comerciais, recursos offshore e proximidade com a Antártida. Uma mudança significativa na postura argentina, no dispositivo britânico ou na presença de atores externos produziria efeitos sobre o ambiente estratégico regional, ainda que não envolvesse diretamente o território brasileiro.

A Guerra das Malvinas permanece como o principal precedente histórico para qualquer análise desse tipo, mas 2026 apresenta uma configuração diferente. A Argentina está reconstruindo capacidades militares, o Reino Unido mantém uma estrutura permanente de defesa no arquipélago e o petróleo adicionou uma dimensão econômica concreta à disputa. O cenário atual não permite antecipar uma repetição de 1982, mas mostra que a questão das Malvinas deixou de ser apenas uma disputa diplomática de longa duração e voltou a adquirir relevância militar, energética e geopolítica no Atlântico Sul.


Por Angelo Nicolaci


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M109A5+BR do Regimento Mallet avança na digitalização da cadeia de fogos

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O 3º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado (3º GAC AP) – "Regimento Mallet", em Santa Maria (RS), está avançando na implantação do Sistema Digitalizado da Artilharia de Campanha, o SISDAC, ampliando a integração entre sensores, observadores, sistemas de comando e controle e os meios de tiro empregados pela 6ª Brigada de Infantaria Blindada – "Brigada Niederauer". A evolução ocorre sobre uma estrutura que já conta com os obuseiros M109A5+BR, modernizados pelo Exército Brasileiro, e representa uma nova etapa na digitalização dos processos de direção e coordenação dos fogos.

O próprio Exército Brasileiro destaca que o SISDAC foi concebido para ampliar a integração entre navegação, posicionamento, direção de tiro, comunicações e apoio ao comando e controle. A implantação no Regimento Mallet está inserida no processo de evolução da Artilharia de Campanha brasileira, que busca reduzir o tempo necessário para transformar informações obtidas no campo em dados utilizáveis pelos meios de fogo.

A chegada do M109A5+BR já havia elevado o nível tecnológico da artilharia autopropulsada brasileira. A modernização incorporou novos recursos de navegação, pontaria e comunicações às viaturas, criando uma base tecnológica que passou a exigir também a evolução dos processos de coordenação e direção dos fogos. Nesse contexto, o SISDAC amplia a capacidade de integração para além do próprio obuseiro.

A instalação do sistema no 3º GAC AP começou ainda no primeiro semestre de 2026. Segundo o Exército, a iniciativa está relacionada à necessidade de aumentar a precisão dos fogos de longo alcance, integrar sensores e meios de tiro e acelerar o processo de decisão. O Regimento Mallet foi selecionado entre as organizações militares que receberão o sistema justamente por sua função no apoio de fogo da 6ª Brigada de Infantaria Blindada.

A fase mais recente da implantação ocorreu entre 21 e 25 de setembro de 2026, quando foi realizada a etapa final de instalação do SISDAC no Regimento Mallet. Segundo informações obtidas pelo GBN Defense junto ao 3º GAC AP, a próxima etapa está prevista para 5 de novembro, quando deverá ocorrer o tiro de integração do Radar de V0 ao SISDAC, concluindo a instalação do sistema na unidade.

O Radar de V0 possui uma função específica dentro da cadeia de artilharia, fornecendo informações relacionadas à velocidade inicial do projétil. Sua integração ao sistema amplia a quantidade de dados que podem ser empregados no acompanhamento e na preparação dos fogos, inserindo mais uma fonte de informação na arquitetura digital que está sendo implantada no Regimento Mallet.

Paralelamente à instalação do SISDAC, também foi realizada uma atualização de software do equipamento de observação JIM Compact da Safran. O equipamento é empregado para observação e localização de alvos e possui recursos eletro-ópticos destinados a missões de apoio de fogo e artilharia. A fabricante destaca sua capacidade de observação diurna e noturna, localização de alvos e conectividade para emprego em missões de fogos de longo alcance.

No Regimento Mallet, a atualização permite que as informações do alvo obtidas pelo JIM Compact sejam inseridas digitalmente no tablet utilizado pelo Observador Avançado, por meio do Terminal de Observação e Ligação (TOL). A mudança é relevante porque aproxima o sensor do restante da cadeia digital de fogos, reduzindo a necessidade de transcrição manual das informações e permitindo que os dados obtidos pelo observador sejam incorporados diretamente ao fluxo de processamento do sistema.

A evolução pode ser compreendida a partir de uma cadeia que começa na aquisição da informação sobre o alvo e termina no emprego do meio de tiro. O JIM Compact fornece os dados de observação, o Observador Avançado os insere no TOL, o SISDAC integra e processa as informações dentro da arquitetura de direção dos fogos e os M109A5+BR constituem os meios responsáveis pela execução do tiro. A integração do Radar de V0 acrescentará outra fonte de dados ao mesmo ambiente digital.

Esse processo é particularmente importante para uma unidade de artilharia autopropulsada inserida em uma brigada blindada. A capacidade de deslocamento do M109A5+BR permite acompanhar forças de manobra, mas a eficiência do sistema de armas depende também da velocidade com que recebe informações, processa os dados necessários e executa uma missão de fogo. A digitalização atua justamente nesse intervalo entre a observação e o disparo.

A transformação também acompanha uma mudança mais ampla na forma de emprego da artilharia. Sensores eletro-ópticos, radares, sistemas de posicionamento, comunicações e meios de comando e controle passaram a constituir elementos inseparáveis da capacidade de fogo. O obuseiro continua sendo responsável pela produção do efeito sobre o alvo, mas sua eficiência depende cada vez mais da qualidade e da velocidade das informações que chegam à guarnição.

No caso brasileiro, o SISDAC representa ainda a continuidade de uma trajetória de desenvolvimento nacional iniciada com o Sistema Gênesis, desenvolvido pela Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL). O sistema atual amplia esse conceito para uma arquitetura que integra diferentes funções da Artilharia de Campanha, mantendo o domínio nacional sobre componentes críticos de comando, controle e direção dos fogos.

O Regimento Mallet, portanto, passa por uma transformação que vai além da modernização individual dos seus obuseiros. O M109A5+BR continua sendo o principal meio de fogo autopropulsado da unidade, mas passa a estar inserido em uma arquitetura na qual sensores, observadores, sistemas digitais e meios de tiro trabalham dentro de uma cadeia integrada.

A conclusão da instalação do SISDAC, prevista para avançar com o tiro de integração do Radar de V0 em novembro, deverá representar mais uma etapa na consolidação dessa capacidade. O resultado pretendido não é apenas aumentar a quantidade de equipamentos digitais disponíveis, mas reduzir o intervalo entre a obtenção da informação, a decisão e a execução do fogo, mantendo o Regimento Mallet alinhado às exigências de uma artilharia cada vez mais dependente de informação e conectividade.


Por Angelo Nicolaci


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