sexta-feira, 18 de setembro de 2026

TULPAR conclui tiro real com a HITFACT MkII de 120 mm e reforça candidatura no programa de blindados do Exército

 

A Otokar e a Leonardo concluíram com sucesso a integração e os testes de tiro real do TULPAR equipado com a torre HITFACT MkII de 120 mm. A configuração combina o poder de fogo de um canhão de grande calibre com a mobilidade, proteção e arquitetura modular da plataforma turca sobre lagartas, em uma solução destinada a ampliar o emprego de armamentos de 120 mm em veículos de menor massa que os carros de combate principais convencionais.

Antes dos disparos, as equipes das duas empresas conduziram um programa de integração envolvendo as interfaces mecânicas, elétricas, eletrônicas e de software entre o chassi e a torre. Foram realizadas verificações funcionais, inspeções de segurança e procedimentos de validação para avaliar o desempenho, a confiabilidade e a interoperabilidade do conjunto.

Na sequência, o TULPAR foi submetido a uma campanha de tiro real em condições estáticas e dinâmicas. Os ensaios avaliaram o funcionamento do armamento, do sistema de controle de tiro, da estabilização e da integração geral entre a torre e a plataforma. Segundo Otokar e Leonardo, todos os objetivos previstos para a campanha foram atingidos.

A HITFACT MkII pode receber um canhão raiado de 105/52 mm ou um canhão de alma lisa 120/45 mm de baixo recuo. Na configuração testada, foi empregada a segunda opção. A mesma família de torre equipa o Centauro II 8x8 do Exército Brasileiro, estabelecendo uma conexão tecnológica relevante para a avaliação da solução no mercado brasileiro.

A torre possui arquitetura modular e totalmente digitalizada, com sistemas eletro-ópticos panorâmicos destinados ao comandante e ao atirador. Segundo a Leonardo, o conjunto proporciona capacidades de observação, detecção e aquisição de alvos, além da possibilidade de emprego da munição guiada Vulcano 120 para engajamentos de precisão.

A HITFACT MkII foi projetada para integração em diferentes plataformas, incluindo veículos sobre rodas e sobre lagartas. No caso do TULPAR, a solução permite associar o canhão de 120 mm a um veículo de porte médio, mantendo uma arquitetura com margem para diferentes configurações e futuras atualizações.

O TULPAR foi desenvolvido como uma família modular de veículos blindados sobre lagartas, com peso bruto entre 28 e 45 toneladas. A arquitetura permite configurar a plataforma para funções como carro de combate médio, veículo de combate de infantaria, apoio de fogo, defesa antiaérea, morteiro, recuperação e evacuação médica, utilizando uma base comum.

Essa característica permite estruturar diferentes capacidades a partir de uma mesma família de veículos, com potencial para racionalizar treinamento, manutenção e suporte logístico. A plataforma também foi projetada para incorporar novos equipamentos e sistemas ao longo de sua vida operacional.

A Otokar informa que o TULPAR passou por testes em diferentes condições climáticas e de terreno e oferece proteção balística e contra minas. Sua arquitetura foi concebida com capacidade de crescimento para acompanhar a incorporação de novos sensores, sistemas de proteção e equipamentos eletrônicos.

A própria torre pode receber uma estação remotamente controlada HItrole CUAS, equipada com o canhão Leonardo Blaze de 30x113 mm, permitindo ampliar a capacidade de resposta contra ameaças aéreas de baixa altitude, incluindo sistemas não tripulados.

Para o Brasil, o ponto central está na combinação entre uma plataforma sobre lagartas de arquitetura modular e uma torre de 120 mm cuja família já integra um programa do Exército Brasileiro. A experiência acumulada com a HITFACT MkII no Centauro II pode representar uma vantagem na avaliação de treinamento, manutenção, suporte e eventual comunalidade de componentes e conhecimentos técnicos.

É também nesse contexto que o TULPAR ganha relevância na disputa brasileira. A plataforma reúne uma faixa de peso de 28 a 45 toneladas, diferentes possibilidades de configuração, capacidade de crescimento e integração comprovada com um sistema de armas de 120 mm. A isso se soma a possibilidade de transferência de tecnologia e participação da indústria brasileira, aspecto que poderá ser decisivo caso seja acompanhado por uma proposta concreta de nacionalização, manutenção e desenvolvimento local.

Na avaliação do GBN Defense, esse conjunto coloca o TULPAR entre os candidatos mais fortes para o futuro programa de blindados sobre lagartas do Exército Brasileiro. A vantagem potencial não está em uma característica isolada, mas na combinação entre arquitetura modular, poder de fogo, capacidade de evolução e a possibilidade de estabelecer uma relação industrial de longo prazo com o Brasil. A presença da HITFACT MkII no Centauro II acrescenta ainda uma referência já existente dentro da própria Força Terrestre.

Existe, entretanto, uma ressalva importante. Até o momento, o TULPAR não foi adotado operacionalmente por nenhum país, nem mesmo pela própria Türkiye. A ausência de um usuário de série reduz a experiência operacional disponível sobre a plataforma e exige uma avaliação cuidadosa de aspectos como confiabilidade em serviço, cadeia de suprimentos, disponibilidade, sustentação e evolução do produto ao longo de décadas.

Esse fator não elimina o potencial da proposta, mas aumenta a importância das condições que eventualmente forem estabelecidas em um contrato. Para o Brasil, uma possível seleção ganharia dimensão estratégica se acompanhada por transferência efetiva de tecnologia, participação da indústria nacional, capacidade local de manutenção e garantias de suporte durante todo o ciclo de vida. Nesse cenário, o país poderia participar não apenas da operação, mas também da evolução da plataforma.

O sucesso da campanha de tiro com a HITFACT MkII representa, portanto, uma etapa relevante na maturação da configuração de 120 mm. O TULPAR passa a apresentar uma solução integrada e testada em condições reais de emprego, embora ainda precise superar a ausência de um operador de série. Para o programa brasileiro, o resultado reforça sua candidatura e coloca o blindado turco, na avaliação do GBN Defense, como um dos concorrentes que atualmente apresentam o conjunto mais consistente de capacidades e possibilidades industriais para atender aos futuros requisitos do Exército Brasileiro.


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