quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Reino Unido inicia construção do RFA Resurgent, novo elo logístico dos porta-aviões britânicos

A Royal Navy iniciou uma nova etapa na renovação de sua capacidade de apoio logístico com o lançamento da quilha do RFA Resurgent, primeiro de três novos navios da classe Fleet Solid Support (FSS) destinados à Royal Fleet Auxiliary (RFA). A cerimônia ocorreu em 3 de setembro no estaleiro Appledore, em North Devon, e marca o avanço da construção de uma classe projetada para sustentar as operações navais britânicas de longa duração.

Com 216 metros de comprimento, cerca de 39 mil toneladas e velocidade máxima de 19 nós, os FSS estarão entre os maiores navios da frota britânica, atrás apenas dos porta-aviões da classe Queen Elizabeth. Sua função será fornecer munições, peças de reposição, provisões e outros suprimentos aos porta-aviões, destróieres e fragatas enquanto estiverem no mar.

A capacidade é particularmente importante para os Carrier Strike Groups britânicos. Uma força naval que opera a milhares de quilômetros do Reino Unido precisa manter fluxo contínuo de munições, peças e consumíveis sem depender do retorno periódico a uma base. Nesse contexto, os FSS funcionam como um elo logístico entre a frota e sua estrutura de apoio em terra.

Os novos navios substituirão o RFA Fort Victoria nessa função. A atual unidade, que já participou de operações com o HMS Queen Elizabeth, está próxima do fim de sua vida útil operacional e constitui atualmente a principal capacidade britânica de transporte de munições, alimentos, peças e demais cargas sólidas para forças navais em operação.

É importante, entretanto, diferenciar essa função da transferência de combustível. Os FSS não substituem os navios-tanque da classe Tide, como o RFA Tidespring, responsáveis pelo reabastecimento de combustível no mar. Os Tide transportam até 19 milhões de litros de combustível e podem transferir mais de 800 mil litros por hora durante operações de reabastecimento.

A estrutura logística britânica, portanto, será composta por diferentes plataformas trabalhando de forma complementar: os FSS cuidarão principalmente das chamadas cargas sólidas, enquanto os Tide manterão o fluxo de combustíveis necessário para a propulsão dos navios e a operação das aeronaves embarcadas.

Construção distribuída entre Reino Unido e Espanha

O programa de £1,6 bilhão também possui uma dimensão industrial relevante. Os três navios estão sendo construídos por uma parceria liderada pela Navantia UK, com participação de Harland & Wolff, BMT e A&P Appledore. A produção foi distribuída entre instalações britânicas e espanholas.

Em Appledore serão produzidas as seções de proa, com aproximadamente 50 metros. A Navantia em Cádiz, fabrica a seção central, de cerca de 120 metros, que concentra parte importante da maquinaria, dos espaços de armazenamento e dos sistemas operacionais. As estruturas serão posteriormente reunidas em Belfast, onde ocorrerá a integração final.

O modelo permite combinar capacidade industrial britânica com a experiência da Navantia em grandes construções navais. Para Londres, o programa também representa uma forma de recuperar infraestrutura, mão de obra especializada e conhecimento industrial necessários para sustentar futuros projetos navais.

O governo britânico estima que o programa gere aproximadamente 1.200 empregos nos estaleiros e fortaleça a cadeia de fornecedores do setor naval.

Sustentação da força naval

Cada FSS terá uma tripulação permanente de 101 integrantes da RFA e acomodará até outros 80 profissionais para atividades relacionadas a helicópteros, embarcações e outras funções de apoio.

O projeto também incorpora requisitos de eficiência energética e redução de emissões. Os navios foram concebidos para permitir a utilização futura de combustíveis de menor emissão e outras tecnologias energéticas durante uma vida operacional estimada em 30 anos.

Essa preocupação acompanha uma tendência de projetos navais de longa duração: em vez de projetar uma plataforma limitada à tecnologia disponível no momento da construção, o objetivo é permitir sua atualização ao longo do ciclo de vida.

Durante a cerimônia, a Royal Fleet Auxiliary confirmou também os nomes dos dois navios seguintes: RFA Reliant e RFA Resourceful. O Resurgent recupera o nome de um antigo navio de reabastecimento da RFA, enquanto Reliant já foi utilizado por três unidades anteriores. Resourceful é uma nova denominação dentro da frota.

A previsão é que os três novos FSS reforcem progressivamente a capacidade logística da Royal Navy até 2032. O Resurgent será o primeiro da classe e deverá assumir uma função central no apoio aos grupos navais britânicos, sobretudo aqueles organizados em torno dos porta-aviões da classe Queen Elizabeth.

Mais do que uma simples substituição do Fort Victoria, o programa cria uma estrutura logística composta por diferentes capacidades complementares. Os FSS transportarão as cargas sólidas necessárias à força, os Tide fornecerão combustível e os demais navios auxiliares contribuirão para aviação, manutenção e apoio especializado.

Para uma Marinha que pretende manter capacidade de atuação global, essa estrutura é tão importante quanto os próprios navios de combate. Porta-aviões, destróieres e fragatas podem possuir grande autonomia operacional, mas sua permanência em uma área distante depende da capacidade de receber combustível, munições, peças e suprimentos sem interromper a missão. É exatamente essa lacuna que o Resurgent e seus futuros irmãos foram projetados para preencher.


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com Royal Navy

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