quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Bangladesh avança em acordo de US$ 2,3 bilhões para 20 caças J-10CE chineses

0 comentários

Bangladesh avançou na preparação do contrato estimado em US$ 2,3 bilhões para adquirir 20 aeronaves de combate Chengdu J-10CE da China. A negociação representa um dos maiores investimentos recentes de Daca em capacidade de combate aéreo e faz parte dos esforços para modernizar a Força Aérea de Bangladesh.

Segundo informações da imprensa local, um comitê governamental concluiu a minuta do contrato para uma aquisição direta junto à China National Aero-Technology Import & Export Corporation, empresa estatal responsável pelas exportações de produtos aeronáuticos chineses.

O acordo prevê 20 aeronaves na configuração de exportação J-10CE. O preço básico informado é de aproximadamente US$ 62,7 milhões por aeronave, mas o custo total por unidade pode chegar a cerca de US$ 115 milhões quando incluídos serviços de suporte, assistência técnica, infraestrutura e preparação das tripulações.

A distribuição planejada prevê que metade das aeronaves seja destinada à frota operacional, enquanto as demais serão empregadas em treinamento e mantidas como reserva. O financiamento deverá ser distribuído em dez parcelas orçamentárias anuais, com pagamentos previstos até 2036.

O pacote também poderá abrir espaço para futuras aquisições de outros equipamentos chineses, incluindo helicópteros de ataque, aeronaves de transporte e sistemas aéreos não tripulados. A estrutura indica que a negociação poderá ter efeitos além da substituição imediata de parte da frota de caças de Bangladesh.

Caso o contrato seja efetivamente assinado, Bangladesh se tornará o segundo operador estrangeiro do J-10CE, depois do Paquistão. A aquisição também aprofundará a cooperação militar entre Daca e Pequim, além de ampliar a presença de aeronaves de combate chinesas no sul da Ásia.

A escolha do J-10CE ocorre em meio à avaliação de alternativas ocidentais, incluindo o Dassault Rafale francês. Autoridades de Bangladesh apontam o custo de aquisição e operação como um dos fatores favoráveis à aeronave chinesa, além de sua capacidade de combate e disponibilidade de armamentos associados à plataforma.

Declarações de autoridades de Bangladesh também relacionaram a decisão ao desempenho atribuído ao J-10C durante o recente confronto entre Índia e Paquistão. A afirmação de que aeronaves J-10C teriam abatido caças Rafale indianos foi apresentada como argumento em favor da plataforma, mas os resultados e as circunstâncias dos combates permanecem objeto de disputa e não devem ser tratados como comprovação isolada de superioridade entre os sistemas.

O J-10 é um caça monomotor desenvolvido pela Chengdu Aerospace Corporation e sua versão J-10CE incorpora sistemas destinados ao mercado de exportação. A aeronave pode empregar diferentes categorias de armamentos, incluindo mísseis ar-ar, armas guiadas para ataque ao solo e sistemas antinavio e antirradiação, dependendo da configuração contratada.

Com o avanço das negociações, o programa J-10CE passa a ocupar posição relevante no processo de modernização da aviação de combate de Bangladesh. A eventual assinatura do contrato não apenas substituirá parte da capacidade atualmente disponível, mas também estabelecerá uma nova relação de longo prazo com a indústria chinesa para treinamento, manutenção, infraestrutura, armamentos e suporte logístico.


GBN Defense - A informação começa aqui


Continue Lendo...

Exército e Taurus formalizam acordo para avaliação de novos armamentos

0 comentários

 

O Exército Brasileiro e a Taurus, assinaram em 26 de agosto, um Memorando de Entendimento (MoU) destinado a ampliar a cooperação entre a Força Terrestre e a indústria nacional de defesa. O acordo estabelece uma estrutura para identificar oportunidades de trabalho conjunto em experimentação doutrinária e avaliações técnicas, operacionais e logísticas de materiais de emprego militar.

O documento foi assinado pelo Chefe do Estado-Maior do Exército, General de Exército Francisco Humberto Montenegro Júnior, e pelo presidente da Taurus, Salésio Nuhs. A iniciativa busca aproximar a indústria das necessidades identificadas pelo Exército no desenvolvimento e na avaliação de armamentos destinados ao emprego operacional.

Como primeiro resultado prático do acordo, a Taurus formalizou a doação de 55 armamentos à Força Terrestre. O lote é composto por pistolas, fuzis, carabinas e submetralhadoras, que serão empregados em processos de avaliação e experimentação conduzidos pelo Exército.

A utilização dos armamentos permitirá à Força Terrestre avaliar diferentes características dos materiais em condições controladas, considerando aspectos técnicos, operacionais, logísticos e sua adequação aos requisitos estabelecidos para o emprego militar.

Segundo o General Montenegro, a doação permitirá iniciar uma etapa de experimentação doutrinária que poderá subsidiar futuras decisões de aquisição. O chefe do Estado-Maior destacou ainda o interesse em utilizar a Base Industrial de Defesa para atender às necessidades de armamentos das tropas de operações especiais.

A iniciativa estabelece, portanto, uma conexão entre a experimentação realizada pelo Exército e o eventual desenvolvimento ou aquisição de produtos nacionais. Os resultados obtidos durante os testes podem fornecer informações para o aperfeiçoamento de equipamentos e para a definição de requisitos em futuros processos de obtenção.

A cooperação também permite que a indústria tenha maior contato com as demandas operacionais da Força Terrestre. Esse intercâmbio pode contribuir para o desenvolvimento de produtos ajustados às necessidades específicas identificadas durante avaliações técnicas e exercícios militares.

Embora a doação represente o primeiro desdobramento concreto do MoU, o acordo não constitui, por si só, um contrato de aquisição de armamentos. A eventual compra de novos materiais dependerá dos resultados das avaliações, dos requisitos estabelecidos pelo Exército e dos processos formais de obtenção adotados pela Força.

A aproximação ocorre dentro de uma estratégia mais ampla de fortalecimento da Base Industrial de Defesa, ao estimular a interação entre usuários militares e fabricantes nacionais durante as etapas de avaliação e desenvolvimento de materiais de emprego militar.

Com o acordo, o Exército amplia a possibilidade de testar soluções desenvolvidas pela indústria brasileira e utilizar os resultados das experimentações para orientar futuras decisões de material e doutrina, enquanto a Taurus passa a contar com um canal institucional para acompanhar mais de perto os requisitos operacionais da Força Terrestre.


GBN Defense - A informação começa aqui

Continue Lendo...

Marinha do Brasil participa de iniciativa da AIEA para regulamentar tecnologias nucleares no setor marítimo

0 comentários

A Marinha do Brasil passou a integrar os estudos internacionais para estabelecer referências de segurança e regulamentação para o emprego de tecnologias nucleares no setor marítimo. Por meio da Secretaria Naval de Segurança Nuclear e Qualidade (SecNSNQ), a Força Naval participou em 26 e 27 de agosto, em Washington nos Estados Unidos, do lançamento da iniciativa “Tecnologias Atômicas Licenciadas para Aplicações Marítimas” (ATLAS).

Promovida pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em cooperação com a Organização Marítima Internacional (IMO), a iniciativa reúne países e instituições para avaliar as condições necessárias à utilização segura de tecnologias nucleares em embarcações e outras estruturas marítimas. O Brasil participará dos estudos desde a fase inicial, contribuindo para a construção dos futuros referenciais internacionais.

A discussão ocorre em meio à busca por alternativas para reduzir as emissões do transporte marítimo, setor responsável por mais de 80% do volume do comércio internacional de mercadorias. A estratégia adotada pela IMO em 2023 estabelece o objetivo de alcançar emissões líquidas zero de gases de efeito estufa provenientes do transporte marítimo internacional até 2050.

Entre as tecnologias avaliadas estão os Pequenos Reatores Modulares (SMR), que podem ampliar as possibilidades de aplicação da energia nuclear no ambiente marítimo. Além da propulsão de navios comerciais, esses sistemas podem ser empregados em plataformas flutuantes para geração de eletricidade destinada a comunidades costeiras e ribeirinhas ou para atividades industriais.

A utilização de plantas nucleares embarcadas, entretanto, exige a definição de requisitos específicos que envolvem segurança nuclear, proteção física, salvaguardas, responsabilidade civil e infraestrutura portuária. Um dos principais desafios é compatibilizar os regimes regulatórios nuclear e marítimo, que historicamente foram desenvolvidos de maneira independente.

Para tratar dessas questões, a ATLAS foi estruturada em seis grupos de projeto. A SecNSNQ participará de todos eles, com representantes da Autoridade Marítima, academia e indústria. Os grupos abordarão códigos e normas internacionais de segurança, aspectos jurídicos e regulatórios, classificação marítima, salvaguardas, proteção física nuclear e a elaboração de um roteiro para a implantação dessas tecnologias.

Os estudos também deverão tratar da harmonização entre padrões da AIEA e instrumentos da IMO, processos de licenciamento, jurisdição e responsabilidade civil, além da integração entre certificação marítima e requisitos de segurança nuclear. Também estão previstos trabalhos sobre proteção física, segurança cibernética e adaptação dos sistemas de salvaguardas para instalações móveis.

Outro conjunto de questões envolve a infraestrutura necessária para suportar embarcações nucleares, incluindo instalações portuárias, transporte e logística, ciclo do combustível, reabastecimento, deslocamento entre diferentes áreas de operação e descomissionamento de navios dotados de plantas nucleares.

A participação brasileira também ocorreu diretamente nos debates técnicos. Em 26 de agosto, o Contra-Almirante (Engenheiro Naval - Reserva) Humberto Moraes Ruivo, Superintendente de Acordos, Tratados e Cooperação Técnica da SecNSNQ, integrou o painel dedicado aos aspectos jurídicos, regulatórios, de segurança nuclear, proteção física, salvaguardas e responsabilidade civil relacionados à implantação de tecnologias nucleares no mar. O painel reuniu representantes de Brasil, França, Estados Unidos e Reino Unido.

A presença brasileira na ATLAS permite à Marinha acompanhar a formulação dos referenciais internacionais para uma área que ainda está em desenvolvimento. Para o Brasil, a participação também cria espaço para incorporar sua experiência regulatória nuclear naval às discussões sobre segurança, fiscalização e definição das responsabilidades entre autoridades marítimas e nucleares, antes que novas tecnologias sejam efetivamente empregadas em larga escala no ambiente marítimo.


GBN Defense - A informação começa aqui

com Marinha do Brasil


Continue Lendo...

Exército amplia capacidade de Comando e Controle da 18ª Brigada de Infantaria de Pantanal

0 comentários

 

A 18ª Brigada de Infantaria de Pantanal, sediada em Corumbá (MS), recebeu três novos equipamentos de comunicações Nó de Acesso (NA), ampliando sua capacidade de Comando e Controle (C²) e a integração dos meios empregados nas operações militares na região de fronteira. A entrega ocorreu em 12 de agosto, no âmbito da Fase 2 do Projeto de Sensoriamento e Apoio à Decisão (SAD 2), integrante do Programa Estratégico do Exército Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON).

Os equipamentos foram entregues pelo Comando de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército (CCOMGEX) e têm como função estabelecer a interface entre diferentes sistemas e meios de comunicações utilizados pelas organizações militares. A solução permite conectar as unidades à malha do Sistema de Comunicações por Área (SCA), ampliando a capacidade de transmissão de informações durante as operações.

O Nó de Acesso reúne diferentes equipamentos de comunicações em uma mesma estrutura, incluindo rádios de micro-ondas destinados a enlaces de alta capacidade, equipamentos-rádio multibanda, roteadores e interfaces de rede. A integração desses componentes permite estabelecer diferentes caminhos para o fluxo de informações entre os elementos empregados na operação.

Na prática, a capacidade amplia a disponibilidade de serviços de voz e dados seguros e permite maior volume de tráfego dentro da estrutura de Comando e Controle. Essa conectividade é fundamental para o planejamento, o acompanhamento da situação operacional e a coordenação das unidades durante as ações da Força Terrestre.

Uma das características do sistema é a possibilidade de utilizar múltiplas rotas de comunicação. Essa arquitetura contribui para aumentar a confiabilidade da rede e manter o fluxo de informações mesmo diante de alterações no dispositivo das tropas ou da necessidade de deslocamento dos meios.

A mobilidade tem importância particular para a 18ª Brigada de Infantaria de Pantanal, a Brigada Ricardo Franco, responsável por operações em uma área marcada por grandes distâncias e características geográficas específicas do bioma pantaneiro. Nesse ambiente, a manutenção de enlaces de comunicação confiáveis é um fator relevante para o emprego coordenado das tropas.

A entrega dos três Nós de Acesso integra o Projeto SAD 2, desenvolvido em parceria com a Organização Brasileira para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Controle do Espaço Aéreo (CTCEA). Representantes da organização participaram da inspeção técnica e do recebimento dos equipamentos fornecidos pela indústria nacional.

A iniciativa amplia a infraestrutura de C² da brigada e contribui para sua integração à arquitetura de monitoramento e apoio à decisão do SISFRON. O sistema busca combinar sensores, comunicações e recursos de processamento de informações para proporcionar maior consciência situacional às unidades responsáveis pela atuação na faixa de fronteira.

Para uma brigada empregada em uma região de fronteira extensa, a capacidade de integrar diferentes meios de comunicação e manter o fluxo seguro de dados permite reduzir limitações impostas pela distância e pelas características do terreno. A solução também favorece a interoperabilidade entre os diferentes elementos da Força Terrestre envolvidos nas operações.

Com a incorporação dos novos equipamentos, o Exército amplia a capacidade de Comando e Controle da 18ª Brigada de Infantaria de Pantanal e fortalece a infraestrutura empregada no monitoramento e na proteção da fronteira oeste, associando mobilidade, conectividade e segurança das comunicações às capacidades desenvolvidas pelo SISFRON.


GBN Defense - A informação começa aqui

Continue Lendo...

Exercício Felino 2026 reúne seis países e 740 militares em operação multinacional em Foz do Iguaçu

0 comentários

 

O Brasil sediou entre 10 e 21 de agosto, o Exercício Conjunto-Combinado Felino 2026, realizado em Foz do Iguaçu (PR), reunindo cerca de 700 militares brasileiros e 38 militares estrangeiros de Angola, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal e Timor-Leste. Coordenada pelo Ministério da Defesa, a atividade envolveu Marinha do Brasil, Exército Brasileiro e Força Aérea Brasileira em um treinamento voltado ao emprego conjunto e combinado em operações de paz.

A dimensão do exercício foi além do efetivo empregado. A estrutura mobilizou 119 viaturas, sendo 22 da Marinha, 86 do Exército e 11 da Força Aérea, além de oito embarcações da Marinha e duas aeronaves da FAB. O volume de meios empregados permitiu levar ao terreno diferentes capacidades necessárias a uma operação multinacional, incluindo mobilidade, comando e controle, logística e apoio à força.

O cenário de treinamento foi baseado no país fictício de Carana, submetido a um quadro de conflito armado, instabilidade e crise humanitária. A partir desse ambiente, os participantes constituíram uma Força-Tarefa Conjunta-Combinada e receberam problemas militares simulados destinados a testar os processos de planejamento, tomada de decisão e execução de operações de paz.

A programação incluiu ações de ajuda humanitária, proteção de civis e campos de refugiados, desobstrução de vias, patrulhamento, escolta de comboios, atendimento de saúde operacional e evacuação aeromédica. Também foram treinadas respostas a ameaças mais complexas, como emprego de sistemas remotamente pilotados, grupos armados, artefatos explosivos improvisados e incidentes envolvendo agentes químicos.

A participação da Marinha teve peso relevante na estrutura do exercício. Além de integrar o componente conjunto das Forças Armadas, a Força Naval empregou 22 viaturas e oito embarcações, compondo as capacidades disponíveis para as ações em terra e no ambiente fluvial da região. A presença do Corpo de Fuzileiros Navais está inserida nesse componente operacional da Marinha, particularmente adequado a missões que exigem mobilidade terrestre e fluvial, proteção de instalações e atuação integrada em diferentes ambientes, sendo uma força expedicionária por natureza e grande eficiência operacional.

O desenho do exercício também incorporou situações relacionadas ao ambiente informacional, emprego de drones, proteção de civis, ações contra grupos armados e medidas de enfrentamento a explosivos improvisados. A progressão dos cenários buscou aumentar gradualmente a complexidade das decisões e culminou em uma demonstração operacional integrando as capacidades treinadas ao longo da atividade.

A dimensão multinacional é um dos principais objetivos do Felino. Realizado desde 2000 no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o exercício permite alinhar procedimentos, doutrinas e processos de comando entre forças que poderão atuar conjuntamente em missões internacionais, especialmente sob mandato das Nações Unidas.

A edição de 2026 deu continuidade ao ciclo iniciado no ano anterior com o Exercício Felino realizado na Guiné Equatorial. Naquele momento, o treinamento concentrou-se no planejamento; em Foz do Iguaçu, os participantes avançaram para a execução prática das ações com tropas e meios empregados no terreno.

Para o Brasil, o exercício também funciona como instrumento de preparação das Forças Armadas para operações multinacionais, permitindo testar a interoperabilidade entre Marinha, Exército e Força Aérea e, simultaneamente, entre diferentes contingentes nacionais. A atividade exige coordenação de Estados-Maiores, padronização de procedimentos e capacidade de operar sob uma estrutura de comando combinada.

O encerramento ocorreu em 21 de agosto, com a passagem da bandeira da CPLP do Brasil para Timor-Leste, que receberá o próximo ciclo do exercício. A continuidade do Exercício Felino mantém uma estrutura permanente de cooperação militar entre os países lusófonos e amplia a capacidade de atuação conjunta em cenários de operações de paz e assistência humanitária.


GBN Defense - A informação começa aqui

Continue Lendo...

Operação Jaguaretê-Oeste reforça fiscalização do Exército na fronteira

0 comentários

O Exército Brasileiro intensificou as ações de fiscalização na faixa de fronteira de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul com a Operação Jaguaretê-Oeste. Coordenada pelo Comando Militar do Oeste (CMO), a atividade concentra esforços no enfrentamento aos crimes transfronteiriços e reúne efetivos militares e órgãos de segurança e fiscalização das esferas federal e estadual.

A operação emprega uma estrutura interagências voltada ao monitoramento das áreas de interesse e ao compartilhamento de informações, respeitando as competências legais de cada instituição. A integração busca ampliar a capacidade de identificação e resposta diante de atividades ilícitas nas regiões de fronteira.

As tropas realizam patrulhamentos terrestres e fluviais, além de estabelecer postos de bloqueio e controle para fiscalização de pessoas, veículos e embarcações. As ações têm como principais alvos o tráfico de drogas e armas, o contrabando, o descaminho e crimes ambientais.

A Operação Jaguaretê-Oeste também emprega capacidades desenvolvidas pelos Projetos Estratégicos do Exército. Entre elas está o Projeto Combatente Brasileiro (COBRA), que fornece equipamentos e sistemas destinados a ampliar a proteção individual, a comunicação e a consciência situacional dos militares empregados nas missões.

No componente de mobilidade e proteção, a operação utiliza viaturas blindadas de transporte de pessoal VBTP-MR Guarani, integrantes do Programa Estratégico Forças Blindadas. Os veículos ampliam a capacidade de deslocamento e proteção das tropas durante as ações terrestres em diferentes condições operacionais.

Outro elemento empregado é o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON), que integra sensores, comunicações e ferramentas de apoio à decisão para ampliar a consciência situacional sobre a faixa de fronteira terrestre.

Segundo o Comandante Militar do Oeste, General Alcides Valeriano de Faria Junior, o emprego de recursos tecnológicos fornece suporte para a atuação das tropas no combate ao tráfico de drogas e armas, ao descaminho e ao contrabando.

A combinação entre patrulhamento, postos de controle, meios blindados, sistemas de monitoramento e cooperação com órgãos de segurança permite ao CMO concentrar recursos em áreas consideradas relevantes para o controle da fronteira.

A Operação Jaguaretê-Oeste integra o conjunto de ações de presença e fiscalização executadas pelo Exército na região fronteiriça e demonstra o emprego combinado de capacidades militares e interagências no enfrentamento aos ilícitos transfronteiriços.

Com a operação, o Exército busca ampliar a presença do Estado na faixa de fronteira, contribuindo para o controle territorial e para a atuação coordenada das instituições responsáveis pela segurança e fiscalização da região.


GBN Defense - A informação começa aqui

com Exército Brasileiro

Continue Lendo...

Polônia nega ter iniciado processo para comprar caças F-15EX

0 comentários

A Polônia negou que tenha selecionado o F-15EX como seu próximo caça de combate ou iniciado qualquer processo para adquirir a aeronave. A declaração do Ministério da Defesa Nacional polonês veio após o país aparecer entre os possíveis clientes estrangeiros incluídos no novo contrato firmado pelos Estados Unidos com a Boeing para o programa F-15 Eagle Crest.

O acordo anunciado em 24 de agosto, possui valor máximo de US$ 131,23 bilhões e contempla a produção, modernização, integração de sistemas e manutenção de longo prazo da família F-15. A estrutura também prevê atender ao Foreign Military Sales (FMS) para Japão, Israel, Arábia Saudita, Coreia do Sul, Singapura, Indonésia e Polônia.

A presença polonesa na relação de potenciais clientes provocou especulações de que Varsóvia poderia estar preparando uma aquisição do F-15EX Eagle II, especialmente porque o país está ampliando rapidamente sua capacidade de combate aéreo.

Em resposta a questionamentos sobre uma eventual escolha do F-15EX, entretanto, o Ministério da Defesa polonês foi direto ao negar a existência de um processo de aquisição.

“As Forças Armadas Polonesas não planejam adquirir aeronaves F-15EX. A inclusão da Polônia no acordo-quadro para o programa F-15 publicado pelos EUA não significa que a Polônia tenha tomado a decisão de comprar essas aeronaves ou que o processo de aquisição tenha sido iniciado”, afirmou a Assessoria de Imprensa do Ministério.

A Boeing também confirmou que não existe, até o momento, uma decisão polonesa sobre a aquisição do F-15EX.

A confusão está relacionada à própria natureza do contrato Eagle Crest. O acordo firmado entre o Departamento de Guerra dos EUA e a Boeing funciona como uma estrutura contratual de longo prazo que permite a emissão de futuros pedidos relacionados à família F-15. A inclusão de um país no componente de FMS não representa, por si só, uma encomenda ou mesmo uma decisão formal de compra.

Caso Varsóvia decida adquirir o F-15 no futuro, a estrutura contratual poderá facilitar a contratação junto à Boeing. Mas, no momento, não existe uma decisão nesse sentido. Isso não significa que a Boeing não esteja interessada no mercado polonês.

A empresa vem apresentando o F-15EX às autoridades de Varsóvia há algum tempo. Em 2025, o então Inspetor Geral da Força Aérea Polonesa, General Ireneusz Nowak, chegou a realizar um voo em um F-15EX durante uma visita aos Estados Unidos. A aeronave também foi apresentada como uma possível opção para ampliar a frota de combate polonesa, que passa por um processo acelerado de modernização.

A Polônia já opera F-16C/D e está incorporando o F-35A, além de ter adquirido o FA-50 sul-coreanos. O país também vem ampliando sua capacidade de defesa aérea e investindo em diferentes sistemas para reforçar suas forças diante do cenário de segurança no flanco oriental da OTAN.

Nesse contexto, uma eventual aquisição do F-15EX representaria uma decisão de grande impacto financeiro e operacional, acrescentando uma quarta família de aeronaves de combate à estrutura polonesa.

A situação lembra outro episódio envolvendo um importante programa de defesa polonês. Em 2017, a Polônia também apareceu entre os potenciais clientes estrangeiros em uma estrutura contratual norte-americana relacionada ao AH-64 Apache. Na ocasião, especulações sobre uma possível seleção da aeronave foram igualmente negadas. Anos depois, a hipótese acabou se concretizando. Em agosto de 2024, Varsóvia assinou com os Estados Unidos um contrato para a aquisição de 96 helicópteros de ataque AH-64E Apache, tornando-se o maior cliente estrangeiro da versão.

A comparação, entretanto, deve ser feita com cautela. O precedente mostra que a ausência de uma decisão hoje não impede necessariamente uma futura aquisição, mas não constitui evidência de que o F-15EX esteja atualmente em processo de seleção.

No caso do Eagle Crest, a informação concreta neste momento é outra: a Polônia está incluída entre os potenciais clientes que poderão utilizar a estrutura de FMS associada ao programa, enquanto seu Ministério da Defesa afirma que não existe plano nem processo de aquisição do F-15EX.

Assim, o F-15EX continua sendo uma opção oferecida pela Boeing ao mercado polonês, mas ainda não uma aeronave selecionada por Varsóvia. A diferença é importante para compreender corretamente o alcance do contrato de US$ 131,23 bilhões e evitar transformar uma possibilidade contratual em uma compra que ainda não existe.


GBN Defense - A informação começa aqui

Continue Lendo...

Espanha e Polônia avançam em compra conjunta de sete A330 MRTT por US$ 6,3 bilhões

0 comentários

 

Espanha e Polônia avançam para realizar uma aquisição conjunta de pelo menos sete aeronaves Airbus A330 MRTT, o acordo esta estimado em US$ 6,3 bilhões dentro do programa SAFE da União Europeia. O acordo prevê não apenas a aquisição das aeronaves, mas também o suporte logístico necessário para colocá-las em operação.

O Conselho de Ministros da Espanha aprovou um acordo que estabelece as bases para a compra conjunta. O instrumento terá validade de sete anos a partir de sua assinatura e deverá ser seguido pela negociação e assinatura dos contratos definitivos.

Embora o governo espanhol não tenha divulgado oficialmente a quantidade de aeronaves nem a divisão entre os dois países, informações provenientes de fontes espanholas indicam que o processo contempla pelo menos sete A330 MRTT. A previsão é que quatro sejam destinados à Força Aérea Polonesa e três permaneçam com a Espanha.

O ministro da Defesa da Polônia, Władysław Kosiniak-Kamysz, confirmou que quatro aeronaves deverão ser entregues à Polônia até 2030, estabelecendo pela primeira vez uma capacidade própria de reabastecimento aéreo estratégico de grande porte para a força aérea do país.

A escolha do A330 MRTT está diretamente relacionada ao processo de expansão da aviação de combate polonesa. A aeronave será empregada principalmente no reabastecimento em voo de caças, incluindo os F-35A que estão sendo incorporados pela Polônia. A capacidade permitirá ampliar o raio de ação e o tempo de permanência das aeronaves de combate em missão, reduzindo a dependência de aviões-tanque disponibilizados por outros países aliados.

O A330 MRTT também poderá cumprir missões de transporte militar e evacuação aeromédica, aumentando a flexibilidade do investimento. A plataforma é derivada do Airbus A330-200 e pode transportar combustível, pessoal, carga e pacientes, podendo alternar entre diferentes configurações de missão.

Para a Polônia, a aquisição ganha importância diante da rápida expansão de suas Forças Armadas. Varsóvia vem investindo simultaneamente em novas aeronaves de combate, sistemas de defesa aérea, carros de combate e outros meios destinados a ampliar sua capacidade de dissuasão.

A chegada dos F-35A aumenta ainda mais a necessidade de contar com uma estrutura própria de apoio. Aeronaves de quinta geração podem operar a grandes distâncias e realizar missões de longa duração, mas seu potencial também depende de contar com uma cadeia de sustentação capaz de manter os caças abastecidos e disponíveis longe de suas bases. O A330 MRTT atende justamente a essa necessidade, combinando grande capacidade de combustível com alcance elevado e capacidade de transporte.

A Espanha, por sua vez, já possui experiência com a plataforma. Em 2021, Madri contratou a Airbus para transformar três aeronaves A330 anteriormente operadas pela Iberia em aeronaves MRTT. A primeira delas entrou em serviço na Força Aérea Espanhola em abril de 2025, enquanto as demais seguem no processo de conversão.

No início de 2026, a Espanha iniciou os preparativos para ampliar sua frota com mais três A330 MRTT. A inclusão da Polônia no processo permitiu estruturar uma aquisição conjunta dentro do SAFE, programa criado pela União Europeia para ampliar os investimentos em capacidades de defesa e estimular a cooperação entre os países europeus.

Diferentemente das três primeiras aeronaves espanholas, obtidas a partir de células civis usadas e posteriormente convertidas, as unidades previstas na nova aquisição conjunta serão aeronaves novas de fábrica.

A compra conjunta também pode trazer ganhos de escala para os dois países, especialmente em aquisição, treinamento, suporte logístico e manutenção. Ao compartilhar parte da estrutura de operação e sustentação, Espanha e Polônia poderão ampliar a interoperabilidade de suas forças e facilitar a atuação combinada em operações europeias e da OTAN.

Para a Polônia, entretanto, o principal ganho será a redução de uma lacuna histórica em sua capacidade de apoio à aviação de combate. A força aérea passará a contar com meios próprios para ampliar o alcance de seus caças, em vez de depender exclusivamente da disponibilidade de aeronaves de reabastecimento de outros membros da Aliança.

O programa também mostra como o SAFE começa a estimular projetos multinacionais em áreas nas quais os países europeus individualmente teriam maior dificuldade para justificar grandes investimentos.

Caso o processo avance para a assinatura dos contratos definitivos, Espanha e Polônia passarão a incorporar uma capacidade estratégica compartilhada em torno de uma das maiores aeronaves de reabastecimento atualmente em operação.

A previsão de pelo menos sete A330 MRTT, sendo quatro destinados à Polônia e três à Espanha, representa uma ampliação significativa da capacidade europeia de reabastecimento em voo e cria uma nova estrutura de apoio para forças aéreas que estão aumentando o alcance e a complexidade de suas operações.


GBN Defense - A informação começa aqui

Continue Lendo...

Contrato de US$ 131 bilhões com a Boeing mantém programa F-15 aberto até 2037 e mira sete países

0 comentários

 

O Departamento de Guerra dos Estados Unidos concedeu à Boeing um contrato com valor máximo estimado em US$ 131,23 bilhões para sustentar o programa F-15 Eagle Crest até 2037. Apesar do valor expressivo, o acordo não representa uma compra imediata de US$ 131 bilhões em caças. Trata-se de um contrato do tipo IDIQ, que estabelece um limite financeiro para futuras encomendas e serviços relacionados à família F-15.

O acordo permite que o governo norte-americano emita pedidos ao longo dos próximos anos para produção de aeronaves, integração de sistemas, modernizações, atualizações, manutenção e outras atividades destinadas a manter os F-15 disponíveis para emprego operacional.

A estrutura também contempla a criação e ampliação de capacidade de manutenção orgânica em centros de reparo, permitindo que parte das atividades de sustentação seja realizada dentro da estrutura do Departamento de Guerra. O trabalho será conduzido principalmente em St. Louis no Missouri, onde a Boeing mantém a linha de produção do F-15.

O período para emissão dos pedidos vai até 24 de agosto de 2031, com possibilidade de extensão até 24 de agosto de 2036. O contrato como um todo tem previsão de conclusão em agosto de 2037.

Apesar do teto de US$ 131,23 bilhões, o montante efetivamente comprometido na assinatura inicial é muito menor. O primeiro aporte registrado é de aproximadamente US$ 343,7 mil, destinado a atividades de pesquisa, desenvolvimento, testes e avaliação.

A diferença entre esses valores é fundamental para compreender o acordo. O teto contratual estabelece quanto o governo poderá contratar dentro daquela estrutura ao longo da vigência, mas não significa que todo o montante já esteja comprometido ou que exista uma encomenda equivalente em número de aeronaves.

O Eagle Crest também possui uma dimensão internacional. O contrato prevê a possibilidade de atender pedidos de Foreign Military Sales (FMS), o programa norte-americano de vendas militares ao exterior, para o Japão, Israel, Arábia Saudita, Coreia do Sul, Singapura, Indonésia e Polônia.

A presença desses países, contudo, não significa que todos tenham contratado novos F-15. A inclusão permite que futuras demandas desses operadores, ou eventuais processos de aquisição aprovados pelo governo norte-americano, sejam atendidos dentro da estrutura contratual.

Entre os países relacionados, Japão, Israel, Arábia Saudita, Coreia do Sul e Singapura já operam diferentes versões do F-15. A possibilidade de utilização do contrato para esses clientes cria uma estrutura comum para futuras modernizações, suporte, aquisição de componentes e eventualmente novas aeronaves. Já Indonésia e Polônia merecem atenção diferente. Nenhum dos dois países é atualmente operador do F-15, portanto sua inclusão não deve ser interpretada como confirmação de uma aquisição.

No caso indonésio, a presença no contrato mantém aberta uma possibilidade para uma futura negociação envolvendo a família F-15, no momento que Jacarta busca ampliar e diversificar sua capacidade de combate aéreo.

A Polônia também aparece no contexto de forte expansão de suas Forças Armadas. Varsóvia vem conduzindo um amplo processo de modernização, incluindo a aquisição de aeronaves e sistemas de defesa de diferentes fornecedores. A possibilidade de utilizar o mecanismo de FMS para uma eventual aquisição ou suporte relacionado ao F-15 acrescenta mais uma alternativa à arquitetura futura de sua aviação de combate.

O contrato também reforça a posição do F-15 dentro da estratégia norte-americana de manter diferentes plataformas de combate aéreo disponíveis enquanto avança a transição para sistemas de sexta geração e para o programa Next Generation Air Dominance (NGAD).

A Boeing mantém atualmente o F-15EX Eagle II como a versão mais moderna da família. O modelo incorpora novos sistemas eletrônicos, arquitetura aberta, capacidade ampliada de emprego de armamentos e elevada capacidade de carga, mantendo características fundamentais do projeto original, como alcance e capacidade de transportar grande quantidade de armas.

Ao mesmo tempo, países que já utilizam versões anteriores do F-15 continuam investindo na modernização de suas aeronaves. O Japão, por exemplo, trabalha na atualização de parte de sua frota F-15J, enquanto Coreia do Sul, Israel e Arábia Saudita também mantêm programas de modernização e suporte de suas respectivas variantes.

É nesse cenário que o Eagle Crest ganha importância para a Boeing. Em vez de limitar o contrato a uma determinada quantidade de aeronaves, o modelo cria uma estrutura de longo prazo capaz de acomodar diferentes necessidades da Força Aérea dos Estados Unidos, da Guarda Aérea Nacional e de clientes estrangeiros.

Para a indústria norte-americana, isso também oferece maior previsibilidade à cadeia de produção e manutenção do F-15. A Boeing poderá utilizar a mesma estrutura contratual para atender diferentes demandas ao longo de mais de uma década, desde a fabricação de novas aeronaves até a modernização de plataformas que já estão em serviço.

O F-15, portanto, continua encontrando espaço na arquitetura de defesa dos Estados Unidos mesmo décadas depois de sua entrada em serviço. A longevidade do projeto está ligada à capacidade de incorporar novos sensores, sistemas de missão, armas e tecnologias de guerra eletrônica sem abandonar uma plataforma cuja estrutura e desempenho ainda atendem a determinadas necessidades operacionais.


GBN Defense - A informação começa aqui

Continue Lendo...

Polônia recebe primeiros carros de combate "Black Panther" do segundo contrato avaliado em US$ 6,5 bilhões

0 comentários

 

A Polônia recebeu os primeiros 28 carros de combate K2 previstos no segundo contrato firmado com a sul-coreana Hyundai Rotem. Os veículos blindados serão destinadas à 16ª Divisão Mecanizada, no nordeste do país, ampliando a capacidade blindada polonesa em uma região considerada estratégica para a defesa do flanco oriental da OTAN.

A entrega marca o início de entrega do acordo assinado em 1º de agosto de 2025, avaliado em aproximadamente US$ 6,5 bilhões. O contrato prevê 180 novos K2, além de veículos de apoio, munições, logística, treinamento e transferência de tecnologia.

O novo acordo dá continuidade à aquisição inicial de 180 K2GF, cuja entrega à Polônia foi concluída em novembro de 2025. Somados, os dois contratos representam uma expansão significativa da frota de carros de combate de origem sul-coreana em serviço nas Forças Armadas polonesas.

Os 28 carros de combate recém-entregues são da configuração K2 padrão. Nas próximas etapas, entretanto, a Polônia começará a receber a variante K2PL, desenvolvida para atender aos requisitos específicos das Forças Armadas polonesas e ampliando a participação da indústria polonesa no programa.

O segundo contrato estabelece a entrega de 116 K2GF entre 2026 e 2027, seguidos por 64 K2PL entre 2028 e 2030. Dos K2PL previstos, 61 serão montados na própria Polônia pela Bumar-Łabędy em Gliwice, empresa pertencente ao grupo estatal de defesa PGZ.

A mudança é importante porque o acordo não se limita à aquisição de equipamentos produzidos na Coreia do Sul. A transferência de tecnologia e a montagem local fazem parte da estratégia de Varsóvia para ampliar sua autonomia industrial e criar capacidade própria de manutenção e suporte para uma força blindada em rápida expansão.

O K2 Black Panther é um carro de combate (MBT) de terceira geração desenvolvido pela Coreia do Sul. A plataforma é equipada com canhão de alma lisa de 120 mm dotado de carregador automático, além da metralhadora de 7,62 mm e uma metralhadora pesada de 12,7 mm.

O carro de combate também incorpora sistemas avançados de controle de tiro, proteção e gerenciamento da plataforma, combinados a elevada mobilidade. Essas características ajudaram a transformar o K2 em uma das principais opções de Varsóvia para acelerar a modernização de suas forças terrestres.

A 16ª Divisão Mecanizada da Pomerânia está entre as principais unidades beneficiadas pelo programa. Sediada no nordeste da Polônia, a divisão possui papel estratégico na defesa do território próximo às fronteiras com Belarus e à região russa de Kaliningrado.

O segundo contrato também prevê 81 veículos de apoio baseados no chassi do K2. O pacote inclui 25 veículos de engenharia de combate, 25 veículos blindados lançadores de pontes e 31 veículos blindados de recuperação. Esse componente é fundamental para uma força mecanizada em expansão. Veículos de engenharia, recuperação e lançamento de pontes permitem manter a mobilidade das unidades, superar obstáculos e recuperar equipamentos danificados ou imobilizados durante operações de grande intensidade.

O acordo inclui ainda munições, suporte logístico, treinamento e transferência de tecnologia. Pelo lado polonês, o contrato foi assinado pelo General Artur Kuptel, chefe da Agência de Armamentos, enquanto a Hyundai Rotem foi representada por seu CEO, Lee Yong-Bae. A assinatura ocorreu nas instalações da Bumar-Łabędy, justamente a unidade que terá participação na montagem dos futuros K2PL.

A aquisição dos K2 faz parte de um esforço de rearmamento muito mais amplo conduzido por Varsóvia desde o início da guerra na Ucrânia. Além dos carros de combate sul-coreanos, a Polônia vem incorporando carros de combate M1A2 SEPv3 Abrams dos Estados Unidos e mantém em serviço os Leopard 2 de origem alemã. Até o início de 2026, cerca de 117 M1A2 SEPv3 Abrams já haviam sido entregues ao país. A estratégia polonesa prevê chegar a aproximadamente 900 carros de combate em operação até 2030, distribuídos entre as famílias K2, Abrams e Leopard 2.

O número coloca a Polônia em uma posição singular dentro da Europa. Enquanto diversos países reduziram ou mantiveram estoques limitados de carros de combate após o fim da Guerra Fria, Varsóvia está construindo uma das maiores forças mecanizadas do continente, combinando plataformas de diferentes origens e ao mesmo tempo, tentando transformar parte dessas aquisições em capacidade industrial local.

A chegada dos primeiros K2 do segundo contrato, portanto, representa mais do que a incorporação de 28 novos carros de combate. É o início de uma segunda etapa da parceria entre Polônia e Coreia do Sul, agora marcada pela transferência de tecnologia, participação crescente da indústria polonesa e preparação para a montagem local do K2PL.

Para Varsóvia, o objetivo é acelerar a expansão do poder de combate das forças terrestres sem abrir mão da construção de uma base industrial capaz de sustentar essa capacidade no longo prazo.


GBN Defense - A informação começa aqui

Continue Lendo...

Espanha coloca dois submarinos da classe S80 Plus juntos no mar pela primeira vez

0 comentários

A Espanha deu nesta quinta-feira (27) um passo importante na renovação de sua força submarina. Pela primeira vez, os dois primeiros submarinos da classe S80 Plus, desenvolvida no âmbito do projeto desenvolvido pela Navantia (S-81 Isaac Peral e o S-82 Narciso Monturiol), navegaram simultaneamente diante de Cartagena.

O momento marca uma nova etapa para um dos mais complexos programas navais já conduzidos pela indústria espanhola. Enquanto o Isaac Peral já integra a Armada Espanhola e participa de atividades operacionais e de adestramento, o Narciso Monturiol ainda está em sua campanha de provas de mar antes da incorporação à frota.

O S-81 foi incorporado à Armada em novembro de 2023, depois de concluir sua fase inicial de testes. Com 80,8 metros de comprimento, 7,3 metros de diâmetro e deslocamento submerso de aproximadamente 3.000 toneladas, o submarino representa uma mudança significativa em relação aos antigos submarinos da classe Galerna, que o projeto S-80+ foi concebido para substituir.

O Narciso Monturiol iniciou seus testes de mar em junho de 2026. Em julho, realizou sua primeira imersão estática nas proximidades da Base Naval de La Algameca em Cartagena, procedimento destinado a verificar o comportamento do casco e o funcionamento dos sistemas de lastro antes do avanço para os testes de navegação submersa. A previsão é que o S-82 seja entregue à Armada ainda em 2026.

O projeto S-80 Plus prevê quatro submarinos. Depois do Isaac Peral (S-81) e do Narciso Monturiol (S-82), a Navantia trabalha na construção do S-83 Cosme García (S-83) e do Mateo García de los Reyes (S-84), que completarão a nova geração de submarinos convencionais espanhóis.

Um dos principais diferenciais da classe Isaac Peral está na sua arquitetura de propulsão e na capacidade prevista de operar durante longos períodos sem precisar retornar à superfície.

O projeto incorpora o sistema de propulsão independente de ar BEST-AIP, desenvolvido pela indústria espanhola. A solução utiliza bioetanol para produzir hidrogênio, posteriormente empregado em células de combustível para gerar energia elétrica durante a navegação submersa.

Na prática, o sistema permite ampliar significativamente o tempo de permanência em imersão e reduzir a necessidade de operações de snorkel para recarga das baterias. Para um submarino convencional, essa capacidade representa uma vantagem operacional importante, especialmente em missões nas quais a discrição é fundamental.

Os dois primeiros submarinos, porém, não receberão inicialmente o sistema AIP de forma definitiva. A tecnologia será instalada posteriormente durante períodos de manutenção, enquanto as unidades seguintes da classe serão construídas já com o sistema integrado.

O caminho percorrido pelo programa até chegar a este estágio foi marcado por problemas técnicos e atrasos. Durante o desenvolvimento do S-80 original, engenheiros identificaram problemas relacionados à distribuição de peso e à flutuabilidade do projeto. A solução exigiu alterações profundas na plataforma, incluindo mudanças estruturais e aumento das dimensões previstas inicialmente.

O processo provocou anos de atrasos e transformou o programa em um dos maiores desafios enfrentados pela indústria de defesa espanhola. Ao mesmo tempo, obrigou a Espanha a desenvolver e preservar competências próprias em áreas críticas da construção submarina.

É justamente esse aspecto que dá ao projeto uma dimensão estratégica. Construir um submarino moderno exige domínio de engenharia naval, hidrodinâmica, acústica, propulsão, sistemas de combate, sensores, automação e integração de armamentos. São capacidades que permanecem concentradas em um grupo restrito de países.

A Navantia, responsável pelo desenvolvimento e construção da classe, afirma que o programa mobiliza mais de 6.000 empregos e uma extensa cadeia de fornecedores dentro da Base Industrial de Defesa espanhola.

O Isaac Peral já começou a demonstrar o potencial da nova plataforma em operações reais. Em 2025, o submarino participou da operação Sea Guardian, da OTAN, permanecendo 46 dias em atividade, com cerca de 840 horas de imersão e mais de 5.000 milhas náuticas percorridas.

Com o Narciso Monturiol avançando nos testes e os S-83 e S-84 em construção, a Armada Espanhola começa a deixar para trás a dependência de uma única unidade da nova geração. A presença simultânea dos dois primeiros submarinos da classe Isaac Peral no mar representa, portanto, mais do que um registro simbólico.

Depois de anos de dificuldades técnicas, revisões e atrasos, o projeto S-80 Plus começa finalmente a transformar uma ambiciosa aposta industrial em capacidade militar efetiva. Para a Espanha, o resultado significa não apenas renovar sua força submarina, mas preservar uma competência tecnológica estratégica que poucos países possuem: a capacidade de projetar, construir, integrar e manter seus próprios submarinos.


GBN Defense - A informação começa aqui


Continue Lendo...

SIATT inicia operações em Caçapava e amplia capacidade para produção de mísseis e sistemas espaciais

0 comentários

 

A SIATT iniciou nesta quarta-feira (26) as operações de sua nova unidade industrial em Caçapava, no interior de São Paulo. A entrada em funcionamento da primeira fase da planta amplia a capacidade da empresa para desenvolver, fabricar, integrar, testar e qualificar sistemas estratégicos destinados aos setores de Defesa e Espaço.

Com 6.200 m² de área construída nesta primeira etapa, a unidade foi estruturada para atuar na produção de mísseis, foguetes guiados, motores-foguete e outros sistemas propulsivos. A planta também foi projetada para receber ampliações progressivas conforme a evolução dos programas estratégicos brasileiros e das oportunidades no mercado internacional.

A inauguração reuniu autoridades civis e militares, entre elas o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luis Fernandes; o vice-governador de São Paulo, Felicio Ramuth; o presidente do Conselho de Administração da SIATT, Azhaury Cunha Filho; o presidente do Cluster de Mísseis e Armamentos do EDGE, Saif Al Dahbashi; além de representantes das Forças Armadas e do município de Caçapava.

Durante a cerimônia, o diretor-presidente da SIATT, Rogerio Salvador, destacou a relação entre autonomia tecnológica e capacidade industrial.

Um país que pretende decidir sobre o próprio futuro, precisa também decidir as suas escolhas, e essa liberdade se sustenta não apenas em meios militares, mas também em ciência, engenharia e uma indústria capaz de transformar conhecimento em soluções concretas”, afirmou.

Da engenharia à produção

A nova unidade representa uma mudança importante na estrutura industrial da SIATT. A empresa passa a concentrar em Caçapava competências relacionadas não apenas ao desenvolvimento, mas também à fabricação e à qualificação de sistemas estratégicos.

O presidente do Conselho de Administração da empresa, Azhaury Cunha Filho, ressaltou justamente essa transição.

Existe uma diferença fundamental entre dominar uma tecnologia e possuir a capacidade industrial de produzi-la de forma recorrente, confiável e em escala. A nossa sede em São José dos Campos, inaugurada no ano passado, e esta planta de Caçapava que se inicia hoje, representam justamente essa transição. Estamos transformando conhecimento acumulado durante muitos anos em uma capacidade industrial permanente”, afirmou.

A declaração sintetiza um dos principais objetivos do investimento: transformar competências tecnológicas acumuladas pela empresa em uma capacidade fabril permanente, capaz de sustentar programas de longo prazo.

A estrutura deverá abranger diferentes etapas do ciclo industrial de mísseis, foguetes guiados, motores-foguete e sistemas propulsivos, criando condições para a produção seriada e para a evolução de projetos destinados tanto à Defesa quanto ao setor espacial.

Impacto na Base Industrial de Defesa

A entrada em operação da planta amplia a infraestrutura disponível no Brasil para a produção de sistemas avançados de Defesa e reforça a participação da SIATT na Base Industrial de Defesa (BID).

A capacidade de produzir localmente sistemas considerados estratégicos tem impacto direto sobre a autonomia tecnológica brasileira, especialmente em áreas nas quais o domínio industrial é tão relevante quanto o conhecimento necessário para desenvolver o produto.

Nesse sentido, a nova unidade poderá apoiar programas de interesse das Forças Armadas, além de abrir espaço para futuras parcerias com empresas, instituições de ciência e tecnologia e organizações nacionais e internacionais.

O projeto também está inserido na estratégia de expansão internacional da SIATT, criando uma estrutura industrial capaz de atender tanto às necessidades brasileiras quanto a eventuais oportunidades de exportação.

Defesa e Espaço no mesmo complexo

Outro aspecto relevante da planta de Caçapava é sua atuação simultânea nos setores de Defesa e Espaço.

Além dos sistemas de armamento, a infraestrutura foi concebida para a fabricação de motores-foguete e outros sistemas propulsivos destinados a aplicações espaciais. A convergência entre as duas áreas permite aproveitar competências de engenharia, tecnologias e infraestrutura em diferentes projetos de alta complexidade.

A estratégia amplia o campo de atuação da empresa e cria possibilidades para o desenvolvimento de produtos destinados a diferentes mercados tecnológicos, mantendo no Brasil competências consideradas críticas para os dois setores.

Expansão em três fases

A unidade de Caçapava terá sua implantação realizada em diferentes etapas. A Fase 1, agora iniciada, será seguida pelas Fases 2 e 3, que deverão ampliar progressivamente a infraestrutura e a capacidade produtiva.

Ao final do projeto, a previsão é de geração de 640 empregos, sendo 160 postos diretos e 480 indiretos. A expansão também deverá fortalecer a cadeia formada por empresas, universidades, centros de pesquisa e instituições ligadas à engenharia, tecnologia e indústria de alta complexidade.

Mais do que uma nova fábrica, a Unidade Caçapava representa a tentativa de consolidar no país um elo que frequentemente limita programas estratégicos: a passagem da capacidade de desenvolver uma tecnologia para a capacidade de produzi-la de forma contínua.

Com a Fase 1 em operação, a SIATT passa a contar com uma estrutura industrial dedicada a esse objetivo e prepara as próximas etapas de expansão de sua capacidade nos setores de Defesa e Espaço.


GBN Defense - A informação começa aqui

Continue Lendo...

EDGE Group e Exército Brasileiro criarão primeiro Centro de Excelência em Defesa Cibernética da América Latina

0 comentários

 

O EDGE Group e o Exército Brasileiro, por meio do Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber), estabelecerão um Centro de Excelência em Defesa Cibernética (COE), iniciativa que, segundo as instituições, será a primeira do gênero na América Latina estruturada sob um modelo tripartite reunindo governo, indústria e academia.

Anunciado em 26 de agosto, o novo Centro será concebido como uma organização permanente voltada ao fortalecimento das capacidades soberanas de defesa cibernética do Brasil e à ampliação da cooperação regional no setor.

A iniciativa prevê investimentos diretos dos dois parceiros fundadores, EDGE e Exército Brasileiro, com o objetivo de garantir solidez operacional, independência institucional e continuidade das atividades no longo prazo.

O Centro de Excelência deverá oferecer serviços especializados às Forças Armadas brasileiras e a instituições federais, abrangendo capacitação profissional, desenvolvimento e certificação, resposta a incidentes cibernéticos, perícia digital e consultoria estratégica em cibersegurança.

A estrutura também deverá atuar em pesquisa e desenvolvimento de doutrina e capacidades de defesa cibernética, além do planejamento e realização de exercícios nacionais e regionais. Entre suas atribuições estará ainda o desenvolvimento de capacidades e soluções avançadas voltadas à defesa cibernética.

Um novo modelo de cooperação

Um dos principais diferenciais do projeto será sua estrutura baseada na integração entre governo, indústria e academia. A proposta busca reunir, em uma organização permanente, capacidades operacionais, desenvolvimento tecnológico, pesquisa e formação de profissionais especializados.

Segundo o EDGE Group, o modelo será inspirado em melhores práticas internacionais, incluindo como referência o NATO Cooperative Cyber Defence Centre of Excellence. O objetivo declarado é posicionar o Brasil como uma referência regional em excelência e capacidades soberanas de cibersegurança.

O futuro COE também deverá buscar vínculos, cooperação e reconhecimento junto a organizações internacionais especializadas, ampliando a integração brasileira à comunidade global de defesa e segurança cibernética.

Para Hamad Al Marar, Diretor-Geral e CEO do EDGE, a criação do Centro reflete a necessidade de uma colaboração permanente entre governos, indústria e academia para o desenvolvimento de capacidades de resiliência cibernética.

Por meio deste COE, combinaremos tecnologia avançada, expertise operacional e conhecimento compartilhado para desenvolver capacidades duradouras e posicionar o Brasil como um dos principais centros de excelência cibernética da América Latina”, afirmou Hamad Al Marar.

A iniciativa representa mais um passo na ampliação da cooperação entre o EDGE Group e as instituições brasileiras de defesa. Neste caso, porém, a proposta vai além da avaliação ou fornecimento de uma solução tecnológica específica.

A criação de uma estrutura permanente dedicada à formação de profissionais, desenvolvimento de doutrina, resposta a incidentes, pesquisa e realização de exercícios aponta para uma iniciativa de longo prazo. Os próximos passos deverão definir a estrutura operacional do Centro, seu modelo de funcionamento e o cronograma para o início efetivo de suas atividades.


GBN Defense - A informação começa aqui

Continue Lendo...

EDGE Group e Marinha do Brasil ampliam cooperação em vigilância e reconhecimento marítimo

0 comentários

 

A Marinha do Brasil e o EDGE Group ampliaram sua cooperação no setor de defesa com a assinatura de um Memorando de Entendimento (MoU) voltado ao desenvolvimento e à avaliação de capacidades de monitoramento, vigilância e reconhecimento marítimo.

O acordo foi firmado entre o grupo de tecnologia avançada sediado nos Emirados Árabes Unidos e a Marinha do Brasil, por meio da Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM), estabelecendo um marco para a cooperação técnica em áreas consideradas estratégicas para o acompanhamento e a vigilância do espaço marítimo brasileiro.

Nos termos do memorando, as partes deverão explorar conjuntamente estudos, promover o intercâmbio de conhecimentos e avaliar soluções relevantes para as necessidades da Marinha do Brasil. A cooperação também prevê o desenvolvimento de conceitos operacionais e a identificação de requisitos técnicos, logísticos e de treinamento relacionados às futuras capacidades que poderão ser avaliadas.

Outro ponto previsto no acordo é a análise da viabilidade de futuras iniciativas de interesse da Marinha, além do desenvolvimento de capital humano dedicado às atividades de monitoramento e vigilância do espaço marítimo brasileiro.

Embora o Memorando de Entendimento não detalhe, neste momento, quais sistemas ou soluções específicas poderão ser objeto dos estudos, o acordo estabelece uma estrutura para aprofundar a cooperação técnica entre as duas partes e identificar possíveis áreas de interesse comum.

Cooperação em expansão

O novo entendimento amplia a cooperação já existente entre a Marinha do Brasil e o EDGE Group no setor de defesa e estabelece uma base para o desenvolvimento de novas iniciativas conjuntas voltadas ao fortalecimento da consciência situacional no domínio marítimo brasileiro.

Para a Marinha, a iniciativa abre mais uma frente de diálogo e cooperação tecnológica em uma área diretamente ligada à capacidade de monitorar e acompanhar as atividades desenvolvidas no espaço marítimo sob responsabilidade brasileira.

Para o EDGE Group, o acordo reforça sua presença e sua estratégia de cooperação com instituições brasileiras, ampliando o relacionamento já estabelecido com o setor de defesa nacional.

Neste estágio, o MoU não representa a aquisição de equipamentos ou a criação imediata de um programa específico. Seu objetivo é estabelecer as bases para estudos, intercâmbio de conhecimento e avaliação de possíveis iniciativas futuras.

Os próximos desdobramentos da cooperação deverão indicar quais capacidades e soluções poderão efetivamente ser exploradas no âmbito do acordo, que passa a servir como um novo instrumento de aproximação entre a Marinha do Brasil e o grupo emiradense no campo da vigilância e do reconhecimento marítimo.


GBN Defense - A informação começa aqui

Continue Lendo...

Brasil deve devolver o El Cristiano? Então é preciso discutir também a Canhoneira Anhambaí

0 comentários

A discussão sobre uma eventual devolução ao Paraguai do canhão El Cristiano, preservado no Brasil desde a Guerra do Paraguai, ganhou força nos últimos anos e costuma ser apresentada a partir de um argumento aparentemente simples: trata-se de um patrimônio paraguaio capturado durante o conflito e, portanto, deveria retornar ao país de origem.

O problema começa quando essa lógica é analisada para além de uma única peça de artilharia. Se o princípio é que patrimônios militares capturados durante a guerra devem ser devolvidos aos seus países de origem, então a regra precisa valer para os dois lados. E é justamente nesse ponto que aparece uma história que raramente ocupa espaço no debate: a da Canhoneira Anhambaí, embarcação da Armada Imperial Brasileira capturada por forças paraguaias em janeiro de 1865 e cujos remanescentes permanecem preservados no Paraguai.

A questão, portanto, não deveria ser simplesmente se o Brasil deve ou não devolver o El Cristiano. Antes disso, seria necessário estabelecer qual princípio histórico e patrimonial está sendo aplicado. Afinal, seria no mínimo curioso construir uma política de restituição de troféus da Guerra do Paraguai que funcionasse em apenas uma direção.

Um troféu de guerra brasileiro

O El Cristiano chegou ao Brasil como consequência direta da Guerra do Paraguai. Fundido no Paraguai e empregado como peça de artilharia durante o conflito, o canhão foi capturado pelas forças brasileiras e posteriormente trazido para o Brasil.

Desde então, passou a integrar a memória material da guerra e a própria história militar brasileira. Sua presença em território brasileiro não decorre de uma compra, de uma negociação comercial ou de uma transferência realizada em tempos de paz. É resultado direto de um conflito militar ocorrido no século XIX.

Esse aspecto é fundamental para compreender a controvérsia. A captura de equipamentos, armamentos, embarcações e outros materiais pertencentes ao adversário era uma consequência comum dos conflitos daquele período. Esses objetos posteriormente se transformaram em testemunhos materiais das guerras das quais participaram.

Por isso, uma eventual devolução do El Cristiano não pode ser justificada apenas pelo fato do canhão ter sido originalmente produzido no Paraguai. Se esse critério fosse suficiente, seria necessário reexaminar uma quantidade muito maior de patrimônios militares espalhados por diferentes países como consequência de guerras passadas.

O valor histórico do El Cristiano para o Paraguai é evidente e não precisa ser diminuído para que se reconheça também seu significado para o Brasil. A questão é saber se esse valor deve automaticamente se sobrepor ao contexto histórico que levou a peça ao território brasileiro.

E, sobretudo, se esse será realmente o critério adotado, ele precisa ser aplicado de maneira coerente. 

É aí que entra a Anhambaí

A história da Anhambaí oferece justamente o contraponto que falta nessa discussão. A embarcação pertencia à Armada Imperial Brasileira e estava empregada na campanha de Mato Grosso quando o conflito chegou à região. Em janeiro de 1865, após a invasão paraguaia e os combates na área, a canhoneira foi perseguida por forças navais paraguaias e acabou capturada.

A partir daquele momento, a trajetória da embarcação mudou de bandeira. Incorporada à força naval paraguaia, a antiga canhoneira brasileira continuou sendo empregada durante a guerra. Sua história não terminou com a captura: ela passou a integrar o próprio esforço de guerra do país que a havia tomado.

Em 1869, diante do avanço das forças brasileiras, os paraguaios incendiaram e afundaram diversas embarcações para impedir que fossem capturadas. Entre elas estava a antiga Anhambaí.

Décadas depois, seus remanescentes foram recuperados e passaram a integrar o conjunto histórico de Vapor Cué, no Paraguai, onde permanecem preservados como parte da memória da Guerra do Paraguai.

A situação é, portanto, bastante clara sob o ponto de vista histórico: assim como o El Cristiano, a Anhambaí mudou de mãos em consequência direta da guerra. A diferença é que, neste caso, estamos falando de um meio militar brasileiro capturado pelo adversário e posteriormente incorporado à força naval paraguaia.

Se a origem do bem e sua captura durante o conflito são suficientes para justificar a restituição do El Cristiano, fica difícil explicar por que o mesmo raciocínio não poderia ser aplicado à Anhambaí.

O problema de uma restituição unilateral

É aqui que a discussão sobre o El Cristiano ganha uma dimensão maior. Uma decisão brasileira de devolver o canhão não envolveria apenas uma peça histórica. Ela poderia estabelecer um precedente para a interpretação de patrimônios militares capturados durante a Guerra do Paraguai, criando a expectativa de que esses bens deveriam retornar aos seus países de origem.

Se esse for o entendimento, o Brasil teria todo o direito de levar a mesma questão a Assunção. E não seria necessário recorrer a uma retórica de confronto. Bastaria aplicar exatamente o princípio defendido para o El Cristiano: um patrimônio militar capturado durante a guerra deveria retornar ao país ao qual pertencia originalmenteNesse caso, a Anhambaí inevitavelmente entraria na conversa.

Não se trata de propor uma negociação simplista nos moldes de “devolvemos o canhão se vocês devolverem o navio”. A questão é justamente evitar que a história seja transformada em uma contabilidade seletiva de troféus.

Se Brasil e Paraguai desejam reabrir o debate sobre o destino dos patrimônios materiais produzidos pela Guerra do Paraguai, o assunto precisa ser tratado de forma bilateral e com critérios que possam ser aplicados aos dois países.

Caso contrário, corre-se o risco de criar uma curiosa modalidade de restituição histórica na qual um lado devolve seus troféus enquanto o outro conserva os seus.

O patrimônio também pertence à história

Existe ainda um argumento importante em favor da permanência do El Cristiano no Brasil: sua importância histórica não desaparece porque a peça possui origem paraguaia.

O canhão está no Brasil há mais de um século e meio porque foi capturado em um conflito que marcou profundamente a formação política e militar da região. Ele é, portanto, também um documento material da história brasileira.

A mesma lógica pode ser aplicada à Anhambaí. Sua presença em Vapor Cué não apaga sua origem brasileira. Pelo contrário, o navio, ou aquilo que restou dele, conta uma história que envolve diretamente os dois países.

É justamente por isso que uma eventual discussão sobre restituição deveria levar em consideração não apenas a propriedade original de cada objeto, mas também seu percurso histórico, seu significado para os dois países e a forma como esses patrimônios foram preservados ao longo de mais de 150 anos.

Há espaço, inclusive, para cooperação histórica e patrimonial entre Brasil e Paraguai. O que não parece razoável é estabelecer que apenas um dos lados precisa rever o destino de seus troféus de guerra.

O Brasil deveria devolver o El Cristiano?

Nossa posição é contrária a uma devolução. O El Cristiano faz parte da história da Guerra do Paraguai e da memória militar brasileira. Sua presença no Brasil é consequência direta do conflito e da vitória da Tríplice Aliança, ao custo de muito sangue e vidas brasileiras, e não de uma apropriação ocorrida posteriormente em período de paz.

Se o Paraguai deseja discutir a restituição da peça, o Brasil pode e deve participar desse debate. Mas, ao fazê-lo, precisa colocar sobre a mesa também os patrimônios brasileiros capturados durante a guerra. E a Anhambaí é o exemplo mais evidente.

Não seria coerente defender que um troféu de guerra deve retornar ao país de origem, e ao mesmo tempo considerar encerrada a discussão quando o patrimônio originalmente brasileiro está preservado do outro lado da fronteira. A história, afinal, não pode ser seletiva conforme a conveniência do momento.

Se o El Cristiano deve voltar ao Paraguai porque foi capturado durante a guerra, então o Brasil tem uma pergunta perfeitamente legítima a fazer: e a Anhambaí?

Se a resposta for que os patrimônios de guerra devem permanecer onde foram preservados por mais de 150 anos, há um argumento sólido para que o El Cristiano continue no Brasil.

Se, ao contrário, a regra for que esses patrimônios devem retornar aos seus países de origem, então a discussão precisa começar nos dois lados da fronteira.

E, nesse caso, o Brasil não deveria apenas aceitar discutir a devolução do El Cristiano. Deveria também exigir que o Paraguai discutisse a devolução da Anhambaí.

Porque, quando se decide reabrir a história, é preciso estar preparado para ler todos os capítulos, inclusive aqueles que não são tão convenientes.

Afinal, princípio histórico não pode funcionar como via de mão única. Se a tese é devolver aquilo que foi capturado durante a guerra, então que se abra o inventário completo, não apenas a página que interessa aos paraguaios. O Brasil pode discutir o destino do El Cristiano, sem problema algum. Mas, antes de entregar qualquer coisa, talvez seja conveniente perguntar a Assunção se está disposta a aplicar a mesma régua à Anhambaí. Porque, se a história será reaberta, seria deselegante consultar apenas os troféus do lado brasileiro e esquecer aqueles que ficaram do outro lado da fronteira, no Paraguai.


Por Angelo Nicolaci


GBN Defense - A informação começa aqui

Continue Lendo...
 

GBN Defense - A informação começa aqui Copyright © 2012 Template Designed by BTDesigner · Powered by Blogger